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Tag: Ceará


08:57 · 15.07.2017 / atualizado às 08:57 · 15.07.2017 por
De Assis Diniz, Luiz Pontes e Gaudêncio Lucena, presidentes do PT, do PSDB, e vice-presidente do PMDB, respectivamente Fotos: Lucas de Menezes/José Leomar/Alex Costa

Em meio a uma crise de representatividade que atinge a credibilidade de partidos políticos, dirigentes das maiores siglas partidárias do Ceará têm dito que o momento é de buscar atrair novos quadros, apesar do distanciamento resultante de sucessivos escândalos de corrupção que fragilizam as agremiações, e fortalecer a participação e a democracia interna considerando os atuais filiados que, embora associados a determinadas siglas, não têm participado de discussões e tomadas de decisões dentro das legendas. São estratégias que, segundo eles, vão além de interesses eleitorais.

De acordo com registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dez partidos com maiores números de eleitores filiados em território cearense são PT, PSDB, PMDB, PP, PTB, PDT, DEM, PPS, PSB e PR. O Diário do Nordeste buscou dirigentes dos cinco maiores para conversar sobre a relação das direções partidárias com os filiados e a participação destes em questões de interesse das respectivas legendas. A sigla petista tem, atualmente, 79,9 mil filiados no Ceará, seguida pelos tucanos, que são 57,6 mil. O número de filiados peemedebistas é de 48,1 mil, enquanto PP e PTB têm 37,3 mil e 34,7 mil eleitores filiados, respectivamente.

Na outra ponta da lista de 35 partidos com registro na Justiça Eleitoral, PCO, com apenas 14 filiados no Estado, NOVO, com 164, e PCB, com 353, são os grêmios com menores quantitativos de eleitores associados. Completam a relação das legendas partidárias mais reduzidas em termos de filiações no território cearense a REDE, que soma 796 filiados, e o PSTU, que possui 2,1 mil. Segundo dados do TSE referentes ao último mês de junho, o Ceará tem, hoje, 6,3 milhões de eleitores, dos quais 545,5 mil são filiados a algum partido.

Participação

Não são todos estes, porém, que têm, de fato, vida partidária. Ainda que o argumento de que é preciso “reencantar a militância” venha sendo propagado em discursos de diversos petistas desde a campanha eleitoral de 2016, o presidente do PT em Fortaleza, vereador Acrísio Sena, informou em entrevista recente ao Diário do Nordeste que, do total de 20 mil filiados ao partido na Capital, pouco mais de 3 mil participaram da eleição interna que definiu o atual diretório municipal da sigla no último mês de maio. Em outras 16 legendas que não possuem diretórios estaduais instituídos no Ceará, mas apenas comissões provisórias, não há sequer processo eleitoral para escolha de dirigentes que dê direito de voto aos respectivos filiados.

Presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz reconhece que, como dirigente, “falar para atingir as pessoas” é desafio. Exemplo disso, cita ele, foi a convocação da última greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária, que, embora representasse pautas que atingem diretamente “o cotidiano dos trabalhadores”, não teve, nas palavras dele, “a dimensão que deveria ter”.

“Há uma dificuldade muito grande, porque as pessoas passam a incorporar um conceito metodológico sobre sua vida e sobre seu partido que, na grande maioria, é uma linguagem que não é compreensível e, muitas vezes, não está falando aos interesses imediatos do conjunto. Se você identifica pontualmente esse distanciamento, é porque a direção do partido não fala sobre as questões que são de interesse imediato daquele trabalhador”, diz. “Isso é da sociedade brasileira, não é só do PT, porque tem seus canais de diálogo, a sua estrutura de relacionamento com os filiados, mas o partido não consegue ter interlocução para o conjunto da classe”, avalia.

Mobilizar

Apesar disso, ele ressalta que o PT tem olhado com atenção para questões mobilizadoras que tragam os filiados para o conjunto do partido. São atividades de bairros, atividades de núcleos e organização setorial que, de acordo com o dirigente, envolve movimentos sociais, sindicais, de juventude, de mulheres e outros grupos sociais. “O partido tem que ter um sentido valorativo da relação da sociedade com as suas políticas, e é exatamente esse o elemento que organiza e mobiliza a nossa base social”.

Para além das “lutas” contra as reformas propostas pelo governo Temer, ele destaca que o partido realiza desde o ano passado debates, plenárias e seminários que permitam a participação dos filiados, além dos atos políticos que têm marcado a posse dos novos diretórios municipais no Ceará. Nos últimos dias 13 e 14, um foi realizado na Região Centro-Sul e outro na Região dos Inhamuns. Ao contrário de Acrísio, que defende a realização de uma campanha de novas filiações ao PT, entretanto, De Assis Diniz considera que o mais importante no momento é fazer uma atualização cadastral dos que já fazem parte da sigla.

“Temos 25 mil (filiados na Capital), dos quais 20 mil têm cadastro e votaram 3.600, o que dá demonstração de que o problema não é filiar, é acompanhar, estar presente, participar”, diz o presidente do PT no Ceará.

Tucanos

Diferentemente do dirigente petista, o presidente estadual do PSDB, Luiz Pontes, aponta que o partido tem buscado novas filiações ao passo em que volta as atenções também a ouvir os filiados sobre “deficiências e carências” da legenda, visando a preparação de uma boa chapa para as eleições de 2018. “Nós tivemos uma mobilização muito grande nas eleições municipais, tanto é que, no Ceará, pelo número de votos alcançados nas eleições anteriores, tínhamos mais comissões provisórias e só cinco diretórios municipais. Nessa eleição de 2016, o partido pulou para 65 diretórios municipais, então mostra que teve um bom desempenho”, salienta.

O dirigente explica que, a partir de resolução interna, o partido exige um percentual mínimo de votos por município para que as comissões provisórias tornem-se diretórios. O aumento destes últimos, segundo Luiz Pontes, contribui para uma maior participação dos filiados em questões da sigla. “Comissão provisória não tem direito a voto na convenção estadual, nem na nacional, tem cinco membros só, é uma coisa mais simples. Já o diretório é executiva, tem várias funções e modos de participar”, aponta. De acordo com o tucano, em 2017, o PSDB busca movimentações internas “com novas filiações” e reuniões em Fortaleza e no Interior do Estado.

Frequência

Para mobilizar filiados, encontros regionais também têm sido prioridade no PMDB cearense, segundo Gaudêncio Lucena, vice-presidente estadual da legenda. No primeiro semestre, contabiliza ele, foram três encontros: um em Fortaleza, outro em Limoeiro do Norte e um terceiro na Região do Cariri. “Este ano, realizamos apenas três encontros regionais. Deveria ter sido realizado um outro e, provavelmente, isso se dará agora no mês de julho, mas esse momento político nacional tem prendido a atenção e a presença do presidente estadual do partido em Brasília (o presidente do Senado, senador Eunício Oliveira), o que fez com que houvesse um atraso nessa programação”.

Gaudêncio afirma que, com a proximidade das eleições de 2018, a expectativa é de que haja um encontro regional por mês ao longo do segundo semestre. Ele pondera, contudo, que os eventos não têm apenas intenção eleitoral. “São a oportunidade onde a gente tem relacionamento mais próximo com os nossos prefeitos, vice-prefeitos, lideranças, filiados, pessoas que têm uma simpatia pelo partido, então fazemos esses encontros em todas as regiões do Estado e, com isso, a gente consegue fazer uma aproximação”, sustenta.

O peemedebista reconhece, porém, que é difícil ter, nos encontros, presença “maciça” de filiados. “Reunir duas, três mil pessoas é muito significativo. Poucos são os partidos que conseguem uma presença maciça nos encontros regionais”, coloca. Embora os encontros sirvam, também, para atrair novas filiações, Gaudêncio Lucena observa que o quadro de falta de credibilidade de partidos políticos tem dificultado no PMDB, do presidente Michel Temer, a adesão e a formação de novas lideranças.

Desestímulo

“Evidentemente, essa turbulência política no Brasil faz com que alguns fiquem desestimulados da política, mas é exatamente nesse momento que nós temos que apresentar para a juventude um modo diferente do que alguns pregam. Devemos incentivar a participação política, o ingresso de novas pessoas no partido, para que a gente possa injetar um sangue novo no partido e tenha, logo num futuro muito próximo, lideranças políticas com outro pensamento”, diz.

Discurso semelhante é adotado por Luiz Pontes, do PSDB, partido que, assim como o PMDB e o PT, tem nomes envolvidos em escândalos de corrupção. “Essa política deixa a pessoa muito frustrada de se envolver. A gente tem que trazer as pessoas boas para dentro para conter essas pessoas que não têm o compromisso da ética”.

O petista Francisco de Assis Diniz, por sua vez, ressalta que “todo e qualquer partido que imagine longevidade tem que ter inserção social e capacidade de renovar e reciclar as suas lideranças”. Um caminho para isso no PT, destaca ele, é que, por resolução do partido, 20% dos cargos de direção da legenda são, atualmente, ocupados por jovens filiados. A reportagem entrou em contato com os presidentes do PP, Antônio José, e do PTB, Arnon Bezerra, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta matéria.

11:03 · 28.05.2017 / atualizado às 11:03 · 28.05.2017 por

O secretário da Fazenda estadual, Mauro Filho,  não escondia sua preocupação em uma roda na solenidade de comemoração do Dia da Indústria, na última quinta-feira, ao falar dos últimos incidentes, em Brasília e suas consequências na economia nacional. Segundo ele, nos últimos meses já estava sendo notado uma ligeira melhora no quadro econômico e consequentemente na distribuição dos recursos constitucionais dos estados e municípios, respectivamente FPE e FPM.

Só que a primeira parcela do mês de maio, correspondente a arrecadação federal de abril, apresentou uma ligeira queda, preocupando a administração estadual que, embora esteja melhor que em várias outras unidades da Federação, não é tanto que possa suportar novas quedas do FPE.

11:46 · 13.05.2017 / atualizado às 11:48 · 13.05.2017 por
O evento é comandado pelo presidente do partido, André Figueiredo. Foto: Cid Barbosa

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) realiza, neste sábado (13), no Município do Crato,  na Região do Cariri, o seu Terceiro Encontro Regional, com vista a preparar a sigla para o pleito do próximo ano. Dentre as lideranças políticas presentes estavam o ex-governador do Estado, Cid Gomes; o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque; e o presidente do grêmio no Ceará, o deputado federal André Figueiredo.

Dentre os temas listados por eles para tratar no encontro estava as discussões internas para melhoria dos indicadores do Brasil, em especial a economia. O partido está em busca de unidade em todo o País, uma vez que pretende lançar uma candidatura ao Governo Federal, sendo que o nome mais cotado é do ex-deputado federal Ciro Gomes.  Ele não participou do evento que aconteceu no Centro de Convenções do Cariri.

O primeiro Encontro Regional do PDT do Ceará aconteceu no dia 8 de abril, em Sobral; e o segundo no feriado do dia 21 de abril, no Município de Guaramiranga, no Maciço de Baturité.

Também acompanharam o evento deste sábado o deputado federal Leônidas Cristino e os secretários do Trabalho e Desenvolvimento, Josbertini Clementino; e de Assuntos Internacionais, Antonio Balhman, além dos deputados estaduais Mirian Sobreira, Julinho e Sineval Roque, bem como lideranças locais e prefeitos da região.

 

 

14:46 · 08.05.2017 / atualizado às 14:46 · 08.05.2017 por

O Governo do Estado do Ceará, mesmo com as alterações já efetivadas no seu  Sistema Previdenciário, está prevendo para o próximo ano um  rombo de R$ 1.601.657.532,00, pouco mais de R$ 150.000,000,00 em relação a este ano, com o déficit projetado para R$ 1.444.397.850,00.

Os números apresentados aos deputados estaduais cearenses, no projeto sobre as Diretrizes Para a Elaboração da Lei Orçamentária Anual a ser executada em 2018. Segundo os dados oficiais, as receitas previdenciárias para 2018 são da ordem de R$ 1.276.675.796,00, para uma despesa de R% 2.878.333.328,00.

Segundo o documento do Governo cearense, “Tais despesas crescem na medida em que o grupo de aposentados aumenta, decrescendo posteriormente quando a mortalidade desse grupo se torna mais significativa, com a idade avançada, em relação ao surgimento de novos aposentados provenientes do grupo de ativos então decrescente”.

11:07 · 18.04.2017 / atualizado às 11:07 · 18.04.2017 por

A primeira sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará após o feriadão da Semana Santa, nesta terça-feira (18), foi aberta pelo presidente do poder legislativo, deputado Zezinho Albuquerque (PDT), às 9h30, com a quantidade mínima de parlamentares para que os trabalhos pudessem ser iniciados: é preciso de pelo menos 16 legisladores.

Como primeiro orador do primeiro expediente, o deputado Ely Aguiar (PSDC) afirmou que a Lava Jato está chegando ao Ceará para apurar fatos delatados por executivos e ex-executivos da Odebrecht. “Pelo visto está vindo para o Ceará e eu gostaria que chegasse o mais rápido possível porque eu acho que aqui tem muita gente tremendo na base”, sugeriu o parlamentar.

De acordo com Ely, há apurações sobre o Transfor, no poder municipal de Fortaleza, durante a gestão Luizianne Lins (PT); superfaturamento na construção da Arena Castelão para a Copa do Mundo; e o depósito na conta de um engenheiro, durante o governo Cid Gomes (PDT), para não atrapalhar as obras da adutora do Castanhão.

O parlamentar criticou a falta de força do legislativo cearense em não iniciar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias porque “não sai nem do canto”. Ely ainda sugeriu que haverá uma renovação dos deputados estaduais no pleito de 2018: “será mais de 60% porque a figura do político está desgastada, ninguém acredita mais nessa laia”.

09:41 · 25.02.2017 / atualizado às 09:43 · 25.02.2017 por
Lúcio Alcântara disse que trocou algumas ideias com o governador, mas não falaram sobre política partidária. FOTO:  CARLOS GIBAJA – do Palácio da Abolição

O governador Camilo Santana recebeu, na manhã de ontem, sexta-feira, na residência oficial, o ex-governador Lúcio Alcântara, presidente do Partido da República (PR). Adversários políticos os dois estiveram em lados opostos nas duas últimas eleições, em 2014, quando Camilo foi eleito governador do Estado (e Roberto Pessoa, do PR, foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Eunício Oliveira, do PMDB), e no ano passado, quando o chefe do Poder Executivo apoiou o prefeito reeleito Roberto Cláudio (PDT), que esteve disputando no segundo turno contra Capitão Wagner, do PR.

A presença de Alcântara na residência do chefe do Poder Executivo estadual, segundo ele informou ao Diário do Nordeste, tinha como  intuito único fazer convite ao governador para participar de solenidade de posse como presidente do Instituto do Ceará, a ser realizada na tarde do dia 4 de março, no fim da tarde. O dirigente afirmou que queria entregar o convite pessoalmente a Camilo Santana.

Ainda durante o encontro os dois trocaram algumas informações, principalmente, sobre a questão hídrica no Estado. “Naturalmente, que surge uma conversa aqui e ali”, disse Alcântara, ressaltando, porém, que não foi tratado nada sobre política partidária. Nos últimos meses Camilo Santana tem se aproximado de figuras políticas de outras vertentes. Ele chamou para seu secretariado filiado do PSDB e está cada vez mais próximo do  PSB,  quando surgiu, inclusive, rumores de sua saída do PT e ingresso na sigla pessebista.

O governador postou  em sua página no Facebook uma foto com o ex-governador em que agradece o convite feito para a solenidade. “Recebi dele o convite para a solenidade de posse da nova diretoria do Instituto do Ceará, entidade na qual é presidente. Agradeço ao ex-governador pela visita e pelo convite para o evento”. Em princípio, Camilo Santana deve ir ao evento, segundo assegurou Lúcio.

 

09:37 · 25.02.2017 / atualizado às 09:37 · 25.02.2017 por

Por Edison Silva

Em 2016, no governo de Michel Temer, o Ceará recebeu pouco mais de R$ 650 milhões para a execução de convênios com órgãos federais Foto: Agência Brasil

O Governo do Estado do Ceará fez o “dever de casa”, antes até de a União ter a lei reguladora de socorro aos estados inadimplentes ou em situação pré-falimentar, matéria ainda sob a dependência da Câmara dos Deputados. O governador Camilo Santana, porém, ainda aguarda a liberação do Ministério da Fazenda para fazer tramitar, no Senado da República, três empréstimos importantes para desafogar as finanças estaduais e permitir que os compromissos anteriormente firmados, inclusive com seus servidores, possam ser de fato cumpridos.

Apesar dessa incerteza quanto aos empréstimos, próximos dos R$ 2 bilhões, um dos quais de R$ 400 milhões para a Saúde e outro de R$ 100 milhões para o VLT, os gestores estaduais pouco podem reclamar do Governo Federal, mesmo com atraso nas obras de Transposição de Águas do Rio São Francisco e outras, pois no ano passado a União liberou quase o dobro dos recursos que para cá vieram em 2015, na administração da ex-presidente Dilma Rousseff, do mesmo partido de Camilo Santana. Em 2016, o Ceará recebeu pouco mais de R$ 650 milhões para a execução de convênios com diversos órgãos federais, enquanto em 2015 o volume de recursos dessa mesma rubrica somou R$ 340 milhões. Um aumento de 91%.

O secretário da Fazenda, Mauro Filho, na última quinta-feira à tarde, na Assembleia, para um grupo de deputados integrantes da comissão de Orçamento, Finanças e Tributação, apresentou o último relatório das contas do Estado referente ao exercício de 2016. Para o tamanho da crise econômica e política dominante, com repercussão significativa na administração pública, em razão, também, do descontrole até aqui reinante no gerenciamento dos seus recursos, está o Ceará, realmente, num patamar diferenciado, para bem melhor, da grande maioria dos seus congêneres.

Pressionar

A União, chamada a socorrer todos os demais entes federativos, evidente, também experimenta suas dificuldades, mas sempre tem como ajudar. Se o componente político é motivador ou estímulo para liberações de recursos e outros benefícios da esfera federal, as representações estaduais, independentemente da separação político-partidária existente, têm obrigação de pressionar, sobretudo quando a causa é nobre, e a gestão estadual está fazendo a sua parte para evitar que a circunstância momentânea gere consequências mais drásticas à população.

A bancada federal cearense precisa dizer como está agindo para evitar que as diferenças políticas entre os representantes do Governo Federal, e do Estadual, prejudiquem o próprio Estado. Com as contas ajustadas e o “dever de casa” antecipadamente feito, deputados e senadores deveriam estar unidos em defesa dos interesses dos projetos cearenses dependentes de recursos ou apoios do Governo Temer. Não se conhece, até aqui, uma ação conjunta dos integrantes do Legislativo Federal com o Executivo Estadual, reclamando o que precisamos ter, claro, sem subserviência.

Discursos isolados, como os conhecidos, pouco ajudam. Em alguns casos até prejudicam aos cearenses, pois, além de criarem uma expectativa falsa de estarem resolvendo os problemas, dão elementos aos executivos federais para dizerem ter atendidos os pleitos do Estado, uma inverdade. Felizmente, o diversionismo de alguns deputados federais e senadores também os prejudica, notadamente junto à população esclarecida, e hoje esta é realmente muito expressiva, pois ela sabe diferenciar a ação política efetiva da mesmice demagógica dos outros tempos.

TCM

No pacote aprovado pela Assembleia, em dezembro passado, para o Estado do Ceará se enquadrar na nova ordem fiscal organizada pela União, a principal medida, além da Lei Complementar que aumentou a contribuição do servidor público estadual para o Sistema Previdenciário do Ceará, teve a emenda constitucional restringido os gastos públicos e limitando a liberação de recursos para vários órgãos da administração estadual.

Um artigo das novas Disposições Constitucionais Transitórias diz que “é vedada a abertura de crédito suplementar ou especial que amplie o montante total autorizado da despesa primária corrente sujeita aos limites de que trata este artigo”.

O Tribunal de Contas dos Municípios, em ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) está cobrando a atualização do Orçamento da instituição, sob a alegação de que quando da decretação da medida liminar suspendendo os efeitos da emenda constitucional que extinguiu o TCM, a Assembleia não respeitou o Orçamento da Instituição.

Não há disposição da Assembleia de recuperar o Orçamento do TCM. Ao contrário. A maioria dos deputados quer mesmo é acabar com o Tribunal de Contas, não pelo fato de alguns deles estarem sob ameaça da Corte, mas pelo fato da extinção ser uma determinação do Governo, em razões políticas que a questão encerra, não apenas pelo momento da política estadual, mas sobretudo pelo futuro, onde os interesses estão muito além das questiúnculas momentâneas.

Todos os envolvidos estão esperando que o ministro Celso de Mello, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), leve a questão do mérito a ser decidida neste mês de março, pelo plenário da Corte. Os representantes da Assembleia, no entanto, estão determinados a perseguir a extinção do TCM, tanto que, independente da posição do ministro Celso de Mello, já está em curso uma nova medida legislativa com vistas o fim da Corte de Contas municipal.

Essa é uma decisão política de Governo aprovada pelo governador Camilo Santana, referendada pelos deputados estaduais da sua base, corroborada pelo deputado Heitor Férrer, enquanto autor da proposição inicial que acabou com o TCM com a aprovação do aliados do Governo, sem qualquer restrição aos termos propostos na emenda.

08:09 · 20.02.2017 / atualizado às 08:09 · 20.02.2017 por
De acordo com Mirian Sobreira, Zezinho Albuquerque apresentou emenda para mudar o projeto original que extinguia secretarias. FOTO: FABIANE DE PAULA.

A deputada Mirian Sobreira (PDT), ex-secretária de Política Sobre Drogas, disse que há um interesse do Governo e do presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT) em manter a pasta em plena atividade. Segundo ela, Albuquerque já apresentou uma emenda modificativa ao texto original do projeto do Governo que trata da Reforma Administrativa para manutenção do órgão.

No ano passado, uma mensagem do Poder Executivo extinguia alguns órgãos da gestão e tinha como argumento a redução de custos por parte do Governo. No entanto, após reclamações de parlamentares da base governista e de oposição, ao que tudo indica, o Conselho Estadual de Educação e a Secretaria Especial de Política Sobre Drogas devem permanecer com o status de secretaria.

Entram na lista de extinções apenas a Casa Militar e a Secretaria de Relações Institucionais, que, inclusive, já está sem funcionar, uma vez que seu então gestor, Nelson Martins, agora é o secretário chefe da Casa Civil.

O deputado Zezinho Albuquerque tem interesse em manter, nos próximos dois anos, o projeto “Ceará sem Drogas”, onde ele leva ações para impedir que jovens façam uso de entorpecentes no Estado. Nos últimos anos, ele contou com o apoio da Secretaria Especial Sobre Drogas e quer manter essa parceria e esses é um dos motivos para que a pasta seja mantida.

“O deputado Zezinho já entrou com emenda para a não extinção da Secretaria, e nós até subscrevemos.  Ela está preparada para trabalhar”, disse Sobreira. Segundo ela, o equipamento também se adequou às medidas de austeridade do Governo demitindo 25% dos cargos terceirizados e comissionados, trabalhando, principalmente, com técnicos que levam a secretaria a atender o pleito da população.

 

08:07 · 20.02.2017 / atualizado às 08:07 · 20.02.2017 por
Sérgio Aguiar não obteve sucesso na disputa para presidência da AL, mas deve ser agraciado com a presidência de uma das comissões. FOTO: JOSE LEOMAR

O deputado Sérgio Aguiar (PDT), que em dezembro passado disputou a presidência da Assembleia Legislativa, deve presidir a comissão de Constituição e Justiça ou a de Turismo, dois dos principais colegiados da Casa. O nome dele será indicado pelo PDT, e deve passar por negociações e acordos entre as lideranças dos blocos partidários na Casa. Aguiar já presidiu a CCJ em legislaturas passadas.

Na semana passada, Sérgio conversou demoradamente com Zezinho Albuquerque sobre posição em relação às comissões. O deputado, depois da disputa pela presidência da Assembleia, já esteve, também com o governador Camilo Santana e com o ex-governador Cid Gomes. A secretaria de Turismo, com cujo setor ele tem boa identificação, pode ser também o seu destino.

“Meu partido me fez um convite para presidir ( a comissão de Constituição) e estamos avaliando. Lembrando que antes de ser primeiro-secretario, fui por quatro anos presidente da comissão de Constituição e Justiça”, disse ele, afirmando ainda que se sente preparado para conduzir o trabalho da comissão, tendo em vista sua formação na área do Direito.

07:50 · 20.02.2017 / atualizado às 07:50 · 20.02.2017 por
Ferreira Aragão (PDT) segue no comando do maior grupo de partidos da AL. FOTO: FABIANA DE PAULA

O deputado Ferreira Aragão (PDT) seguirá no comando do maior bloco partidário da Assembleia Legislativa do Ceará. Conforme foi anunciado, ele comandará o grupo de partidos formado por PDT, PP, PEN, DEM, PRB e PHS, totalizando 21 membros. Ainda de acordo com o ofício lido na última sexta-feira no Plenário 13 de Maio, os vice-líderes do bloco só serão anunciados depois de entendimento dentro do próprio bloco.

Havia a possibilidade de outros partidos, como o PRP, por exemplo,  fazerem parte da composição do bloco, mas esses podem, inclusive, montar um novo bloco e dessa forma também disputarem espaços na Assembleia. Outros blocos formados até o momento são: PMDB, PMB e PSD, com 10 membros e PSDB, PSDC, PR e SD com cinco integrantes.