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Tag: Cid Gomes


09:21 · 02.08.2018 / atualizado às 09:21 · 02.08.2018 por

Por Miguel Martins

Foi consenso no encontro pedetista a indicação do nome de Izolda Cela para estar na mesma chapa que foi criada para a eleição estadual de 2014 Foto: Helene Santos

Representantes do PDT e PP, isoladamente, decidiram, na noite de terça-feira, não aceitar coligação com o MDB, tanto na disputa majoritária quanto na proporcional, assim como com o PSD e SD (Solidariedade). O PDT também acertou que manterá a vice-governadora Izolda Cela na chapa do governador Camilo Santana. As coligações proporcionais dos partidos governistas só serão definidas no sábado, véspera do dia da convenção.

O ex-governador Cid Gomes, o único candidato a senador na chapa de Camilo, será o responsável pela coordenação das coligações proporcionais, adiada para o sábado em razão de compromissos dele com a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, ontem e hoje, no Rio de Janeiro.

Foi o deputado estadual Osmar Baquit o primeiro a falar no encontro da terça-feira, para exprimir o sentimento dos demais candidatos do PDT aos legislativos, estadual e federal, contrário à coligação com o MDB, o PSD e o SD, alegando os constrangimentos que integrantes desses três partidos impuseram aos governistas.

Outra questão levantada no encontro do PDT foi quanto à posição do PT, querendo ficar parcialmente fora da coligação proporcional. Os pedetistas querem que os petistas estejam na aliança tanto de deputado federal quanto de estadual. No encontro do PP, porém, esse assunto não foi tratado. O fechamento de questão dos filiados ao partido foi só em relação a não aceitação de aliança com o MDB na majoritária e proporcional e, nesta, com o PSD e SD.

O nome da vice-governadora, apontada por Cid Gomes, foi consenso nos dois partidos. Ele justificou a importância de manter a chapa que foi eleita em 2014 para o Governo do Estado, embora na sua reeleição ele tenha mudado o vice que, no seu primeiro mandato, foi o petista Francisco Pinheiro, e, no segundo, foi Domingos Filho, à época ainda filiado ao PMDB.

Senado

A convenção do PDT será no próximo domingo, último dia para a homologação de candidaturas e de coligações partidárias. Com ele, também farão convenção o PT e outras agremiações que estão no grupo de apoio à reeleição do governador.

Ainda na reunião do PDT, uma ala jovem da legenda chegou a defender que o partido reclamasse para si as duas vagas ao Senado. André Figueiredo e Cid Gomes ponderaram no sentido de estar de bom tamanho a participação do partido na chapa majoritária, com as vagas de vice e de senador, levando-se em consideração o tamanho da aliança governista.

“Como o MDB não deve se coligar formalmente com o PDT, se algum partido se coligar com o MDB, isso exclui a possibilidade de coligação com PDT e PT. Esse é o maior impeditivo e preocupação de alguns deputados, porque a equação é complexa”, ressaltou o deputado José Sarto (PDT). Segundo ele, o desafio dos integrantes dos 24 partidos aliados é montar um quebra-cabeça que mantenha tempo de TV para as candidaturas, preservando o interesse de todos os partidos.

O presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, afirmou que o resultado de todos os cálculos feitos só será concluído às vésperas da convenção de domingo próximo. O parlamentar ressaltou ainda que há dificuldades em se encontrar um denominador comum que atenda aos interesses de todos os partidos.

“É muito complicado, porque um puxa para um lado e vem outro e puxa para outro lado. Até a meia-noite de sábado é que vamos definir isso, nos últimos minutos. Enquanto tivermos tempo, cada partido vai querer participar em uma coligação que seja a melhor para ele”.

Dirigente do MDB em Fortaleza, o deputado Walter Cavalcante disse que todos estão aguardando as definições das convenções, e afirmou que a apreensão é natural, pois todos não querem prejuízos para suas demandas. “A renovação vai ser grande e isso tem preocupado os deputados. Isso deixa todos em uma expectativa muito grande. Nos colégios eleitorais os deputados tentam segurar a preferência, mas isso depende de muito diálogo com a população”.

08:56 · 05.06.2018 / atualizado às 08:56 · 05.06.2018 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira, ontem, no Centro de Eventos, em Fortaleza, tentaram minimizar a entrevista de Cid Foto: José Leomar

As declarações do ex-governador Cid Gomes ao Diário do Nordeste, desautorizando uma coligação do seu grupo político com o MDB do senador Eunício Oliveira, estiveram no centro das discussões políticas de ontem. O governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira não quiseram fazer comentários. Para o primeiro, as negociações sobre alianças só ficarão encerradas em julho, quando das convenções partidárias. Eunício disse que não falava sobre especulações, minimizando a questão.

Cid, na entrevista concedida à jornalista Letícia Lima, da equipe de Política deste jornal, pela primeira vez admitiu que só disputaria mandato nas eleições deste ano se fosse de senador, e que a coligação do governador Camilo Santana só deveria ter um candidato ao Senado, portanto, sem coligação com o MDB de Eunício, candidato à reeleição, para evitar prejuízos à candidatura a presidente de Ciro Gomes, um dos mais críticos ao comportamento do MDB e de alguns dos seus integrantes.

Na manhã de ontem, durante a abertura do Seminário “Prefeitos Ceará 2018: Governança e Transparência”, o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso Nacional tentaram evitar comentar as declarações de Cid. Enquanto o chefe do Executivo disse que Cid terá importância no processo de discussão de aliança, o senador Eunício Oliveira pareceu mais preocupado com o que declarou o ex-governador no domingo passado, durante missa em celebração aos 50 anos do governador Camilo Santana.

Surpreendido

Para o governador, atualmente cada partido está iniciando suas discussões internas, discutindo coligações, o que só deve ser consolidado no prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “As alianças serão avaliadas nos prazos eleitorais”, repetiu diversas vezes o petista, quando questionado sobre a fala do seu antecessor e correligionário. Ele aproveitou para tecer mais elogios a Eunício Oliveira, afirmando que o senador tem sido “um grande parceiro”, abrindo as portas de seu gabinete em Brasília para o Estado e todos os municípios cearenses.

Já Eunício Oliveira duvidou das declarações de Cid Gomes, até porque tais falas do ex-governador vão de encontro, segundo ele, a diálogo que teria ocorrido entre as duas lideranças políticas anteriormente. “Não vi nenhuma declaração nesse sentido. Não preciso tecer comentário sobre qualquer especulação que as pessoas querem fazer”.

E prosseguiu: “Hoje (segunda-feira), pela manhã, eu fui surpreendido com vários jornais do Sul que implantaram informações dizendo que fomos até proibidos de sentar no mesmo banco (no aniversário de Camilo Santana, no domingo passado). Nem eram bancos, eram cadeiras”.

O senador, realmente, não viu e nem ouviu quando Cid deu a entrevista. Os dois estavam no mesmo ambiente, mas distantes um do outro. Sequer trocaram cumprimentos, e saíram da cerimônia por caminhos diferentes.

Eunício, como se combinado com Camilo Santana, repetiu a frase do governador, dizendo que é preciso aguardar as convenções. “É preciso que a gente tenha paciência e aguarde os acontecimentos. Essa aliança, do ponto de vista da forma, das lideranças, vai ser construída até dia 5 de agosto”, apontou.

Absorver

“Estamos conversando sobre isso. As coligações serão feitas dentro dos interesses partidários, isso é mais que natural. Mas é preciso ter paciência, é preciso que a gente pense antes de falar. Não podemos absorver aquilo que os outros querem que a gente absorva”, disparou. Presidente em exercício do MDB no Ceará, Gaudêncio Lucena se limitou a dizer que desconhece as declarações de Cid Gomes, ressaltando ainda que ouviu do ex-governador que ele seria grato caso Eunício votasse em Ciro Gomes para presidente.

O chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Nelson Martins (PT), defendeu que se amplie uma aliança em torno do nome do governador Camilo, possivelmente, inclusive, com a participação do MDB e do senador Eunício Oliveira no processo.

“Não há contradição em se ter o MDB na aliança. Já ouvi o Eunício dizendo que aceita apoiar o Ciro, se o Lula não for candidato. Temos que trabalhar na aliança do governador de forma ampla, inclusive, envolvendo o MDB”, disse. Questionado se o PT já aceita tal ideia, o secretário afirmou apenas que isso deve ser discutido e aprofundado na sua própria sigla.

Votaria

Até o deputado comunista Chico Lopes, que por diversas vezes criticou o MDB, disse que o desejo do ex-governador Cid Gomes em não querer coligação é um pensamento pessoal, mas que não reflete o anseio da maioria dos aliados. Lopes é defensor de aliança com a sigla emedebista, inclusive, afirmando que votaria em Eunício Oliveira.

“O MDB teve papel importante durante a ditadura, eles têm a maneira deles de visualizar as coisas. Mas isso não significa que queremos cada um para o seu lado, porque quem perde é o País. Podemos discutir o apoio ao Eunício, porque tudo na política se discute”, disse ele com relação ao posicionamento do seu partido, o PCdoB, apesar da questão nacional, em que o presidente Temer é criticado por ele.

O presidente do PDT no Ceará, deputado federal André Figueiredo, afirmou que tudo ainda está meio confuso, e que definida mesmo só há a candidatura do governador Camilo Santana à reeleição e de Ciro Gomes no plano nacional. O deputado Osmar Baquit (PDT), por sua vez, afirmou que, nas falas de Cid Gomes, ele não disse que não votaria em Eunício, mas deixou margem para um eventual apoio não declarado ao MDB.

“Ele não tem coligação formal, porque se ele defende só um nome do PDT, e a outra vaga? Se o PDT não lança outra vaga, está lançando o Eunício”, avalia Baquit. Sérgio Aguiar (PDT) também é adepto da teoria de “coligação branca”, até porque, segundo ele, muitos da base governista têm esse compromisso com o senador.

“Esta fórmula já ocorreu em 2002 quando da eleição da senadora Patrícia Saboya, então filiada ao PPS. Ela teve o apoio informal da chapa que tinha Lúcio Alcântara como governador do PSDB. Então, acredito que o apoio político voltado aos interesses do Ceará acontecerá dessa forma”, disse.

10:03 · 02.06.2018 / atualizado às 10:03 · 02.06.2018 por

Por Edison Silva

Cid Gomes, ex-governador do Ceará, está ampliando, consideravelmente, sua participação no contexto da política nacional Foto: Thiago Gadelha

Os acordos políticos para a consolidação da candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, neste ano, são firmados pelo presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi. Cid Gomes, o irmão do candidato, porém, é o avalista. E quanto mais cresce a perspectiva de Ciro estar entre os dois concorrentes do segundo turno, o cenário da formação de alianças reclama a participação de Cid, sem embargo da sua participação na definição da sucessão estadual cearense. Cid, assim, está inserindo-se, com efetividade, no centro das discussões da política nacional.

A curta temporada como ministro da Educação, no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), não foi muito boa para a sua inclusão no centro das questões políticas nacionais, também pelo fato de respeitar o posicionamento do irmão, duas vezes candidato a presidente da República, depois de consolidar uma liderança no Ceará, como prefeito de Fortaleza, governador do Estado, ministro de Estado em mais de uma oportunidade, além de uma passagem não brilhante pela Câmara dos Deputados.

Confrontar

Esse histórico da vida pública de Ciro foi a porta aberta para Cid conquistar mandatos de deputado, prefeito de Sobral, governador do Ceará, e liderar o grupo político, atualmente, mais expressivo no Estado, razão, à época, de ter sido convidado a ser ministro da Educação, quando tornou-se o centro de uma crise política, por confrontar o, à época, presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quando convocado a dar explicações sobre suas declarações consideradas ofensivas a uma parcela dos deputados federais. Agora, na coordenação da campanha presidencial do PDT, ele projeta ascender ao pequeno grupo das decisões políticas nacionais.

No contexto, para a consolidação do desiderato, o mandato de senador da República é fundamental. A Câmara dos Deputados, com toda a sua importância, não consolida as lideranças políticas brasileiras, talvez até pela grande quantidade de parlamentares (513). No Senado são apenas 81, a maioria de verdadeiros líderes estaduais ou regionais, responsáveis por questões mais caras aos estados e municípios brasileiros.

Muito mais que os deputados, os senadores exercem grande influência na política nacional e nos seus respectivos estados. Os exemplos de Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (MDB), no Ceará, confirmam a tese.

Cid pode ser o único candidato da coligação encabeçada pelo governador Camilo Santana como candidato a senador, para permitir que Eunício Oliveira seja candidato à reeleição isoladamente, satisfazendo o discurso de Ciro Gomes de não se aliar ao senador Eunício Oliveira.

Avaliação

O senador José Pimentel está na parte minoritária do Senado, aquela que pouco influi nas questões eminentemente político-partidárias. Cid só cuidará de sua candidatura à Câmara Alta após concluídos os entendimentos sobre as alianças para consolidação da pretensão do irmão, entre o fim de julho e meados de agosto, embora no curso da própria campanha, pela situação favorável que tem no Ceará, e se não exigir a postulação de Camilo à reeleição, ele também reserve tempo para participar de alguns eventos, em outros estados, ao lado de Ciro.

Hoje, a avaliação do grupo governista é de que Camilo tem estrutura para vencer a disputa ainda no primeiro turno.

Motivação

Ainda é realmente muito cedo para qualquer prognóstico sobre a candidatura de oposição do general Guilherme Theophilo ao Governo do Estado do Ceará, mas seus correligionários dão sinais de otimismo, a partir dos primeiros contatos dele com políticos e eleitores comuns. “O general não é carrancudo”, como pensávamos. Nos seus primeiros contatos, na Região do Cariri, e nos últimos dois dias na Zona Norte, ele se houve muito bem, diz um dos tucanos que o acompanha ao lado do senador Tasso Jereissati, nos primeiros contatos com aliados e eleitores.

O discurso do general contra a administração estadual é forte, não por ter acrescentado algo além dos pronunciados nas diversas outras manifestações dos adversários do Governo. Ele, por ser ainda desconhecido do eleitorado, no criticar, chama bem mais atenção do que o político tradicional, além do fato de ser apresentado como general, mesmo na reserva do Exército, patente que passa a ideia de autoridade superior capaz de oferecer a segurança, não só aquela relacionada à violência, mas a segurança de fazer o melhor. Enfim, credibilidade que a maioria dos políticos perdeu nos últimos anos.

Guilherme Theophilo está bem assessorado. Ele tem hoje, e parece que já se preparava para ser candidato bem antes de ir para a reserva, um completo diagnóstico da administração pública estadual. Fala, não só com dados estatísticos sobre cada um dos principais pontos da gestão de Camilo Santana, apresentando soluções, embora questionáveis por conta da realidade orçamentária e das obrigações legais, mas inspira confiança. Insistir na falta de autoridade do governador para enfrentar os problemas na Segurança e na Saúde talvez possa ser o ponto mais forte de sua campanha, embora Camilo tenha elementos para contestá-lo.

Camilo Santana, como não poderia ser diferente, não emite opinião sobre a candidatura do general, como seu principal opositor. Porém, sabe-se que o adversário, surgido inesperadamente e fora do ambiente político, motivou uma remodelação da estrutura de sua campanha. Uma coisa seria enfrentar o Capitão Wagner ou mesmo o próprio senador Tasso Jereissati, dois tradicionais políticos do Estado. Outra é ter como concorrente um nome novo na política com a envergadura de um general.

Pode até não ser, mas a perspectiva é que a eleição deste ano poderá ensejar uma disputa diferente da realidade das três últimas disputas estaduais, com todo o esquema de apoio registrado pelo governador e a fragilidade apresentada pela oposição, com poucos partidos aliados e um nome totalmente alheio às lides políticas para disputar o mais importante cargo da política estadual.

07:35 · 12.05.2018 / atualizado às 07:35 · 12.05.2018 por
O senador Eunício Oliveira concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste na sexta-feira (11), em visita ao Sistema Verdes Mares Foto: Fabiane de Paula

Uma conversa entre o senador Eunício Oliveira (MDB) e o ex-governador Cid Gomes (PDT), rompidos desde 2014, pode ter inaugurado, no cenário político estadual, um novo passo rumo à consolidação de aliança entre o líder emedebista e o governador Camilo Santana (PT), apoiado pelo pedetista. Ainda que a aproximação pública dos dois não tenha superado, até o momento, todas as ressalvas e o ceticismo de aliados das duas partes, o presidente do Congresso Nacional destaca movimentações que, segundo ele, apontam que a parceria “administrativa” com o chefe do Executivo pode converter-se em uma aliança “política” para as eleições deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, Eunício revelou que há “conversas avançadas em relação a isso”, e citou não apenas encontro recente com o ex-governador Cid Gomes, mas também uma pesquisa interna que, conforme apresentou, aponta que quase 80% da população cearense aprovam a “aproximação administrativa” entre as duas lideranças.

O emedebista disse ter tido um encontro demorado com Cid Gomes há pouco mais de duas semanas. Embora não tenha detalhado o que foi discutido na ocasião, ele classificou a conversa como “afável, amena e voltada para os interesses do Estado”. “Não foi para candidatura de A ou de B, de quem vai ser o deputado ou a deputada, quem vai somar aqui, qual a aliança proporcional que vai ter. Ninguém discutiu isso. A eleição está longe ainda para se discutir as alianças do ponto de vista prático. O que existem hoje são conversas avançadas em relação a isso”, declarou o senador.

Derrotado no segundo turno do pleito de 2014 para governador por Camilo Santana, Eunício Oliveira ressaltou, ainda, que aquela foi uma “eleição radicalizada no voto”, mas enfatizou não ter tido “nenhum atrito” com o petista ou mesmo com Cid Gomes, que o antecedeu no Governo do Estado. A aproximação com o grupo governista, segundo ele, veio já na posição de presidente do Senado, quando foi procurado por Camilo e também pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), para destravar empréstimos para o Estado e para a Capital que dependiam do aval do Senado.

Recursos para o Ceará

“O Ceará recebeu, nesses últimos 13, 14 meses, quase R$ 10 bilhões”, contabilizou. Foi a partir das conversas que resultaram nestes números que a aproximação administrativa, garante ele, “evoluiu para um encaminhamento de eleições”. “Essa aliança começou do ponto de vista puramente administrativo. Na convivência, no dia a dia, as conversas evoluíram significativamente para, talvez, uma definição do ponto de vista político”, sustentou o emedebista.

Respondendo à preocupação de aliados das duas partes em relação à receptividade de uma aliança eleitoral em 2018 entre os dois ex-adversários, Eunício Oliveira mencionou, ainda, que uma pesquisa interna recebida recentemente por ele mostra que a aceitação da maioria do eleitorado cearense consultado no levantamento à aproximação administrativa é positiva, avaliação que pode ser transposta à esfera eleitoral.

“Quase 80% da população entendem que essa aproximação, do ponto de vista administrativo, não foi boa para o Camilo, não foi boa para o Eunício, foi boa para o Estado do Ceará”, justificou o senador, defendendo que o momento, portanto, é de “unir forças”, independentemente de querelas políticas e diferenças ideológicas. “Essa junção de forças não é apenas para uma reeleição de Camilo, não é apenas para uma reeleição de Eunício. Tem que ser para desenvolver e atender aos interesses do Estado”, pregou.

Rejeição de Ciro

Sobre as declarações públicas de rejeição do ex-governador e pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, a uma eventual aliança entre Eunício e Camilo no Ceará, o presidente do Senado afirmou que pertence a uma corrente do MDB “que não é esse grupo ao que o ex-ministro Ciro Gomes se refere” em críticas que tem feito recorrentemente à sigla.

Em entrevista ao Diário do Nordeste publicada no dia 14 de abril, ao ser questionado sobre como se comportará na campanha estadual deste ano, caso Camilo e Eunício estejam no mesmo palanque, Ciro respondeu que o governador “é quem manda”, mas deixou clara a rejeição à aliança. “Muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa”, reagiu.

O emedebista, por sua vez, defendeu que eventual aliança eleitoral será concretizada “em prol dos interesses do Estado”, embora tenha reconhecido que, “pela disputa que aconteceu no Estado, aqui e ali, tanto de um lado quanto do outro, ainda têm pessoas que questionam essa possibilidade”.

Questionado se vê, no grupo governista, temor de que, mesmo sendo reeleito senador neste ano, possa disputar novamente o Governo do Estado em 2022, o presidente do Senado disse que, se for reeleito em outubro, ainda vislumbra a conquista de um novo mandato de dois anos na Presidência do Legislativo, mas ponderou que, após mais oito anos no cargo de senador, pretende encerrar a carreira política. “O meu momento de disputa pelo Governo do Estado foi aquele. A gente, na vida e na política, não diz ‘dessa água nunca beberei’, mas não é um projeto pessoal, não é um projeto político”.

Reuniões

O senador desmentiu, ainda, informação publicada na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, na última sexta-feira (11). Segundo a publicação, em reunião com emedebistas na residência oficial do Senado, em Brasília, o parlamentar cearense teria afirmado que uma possível vitória de Ciro Gomes para presidente neste ano seria fatídica para o MDB. Eunício afirmou, ao Diário do Nordeste, que “não houve essa conversa”. “Na reunião nós discutimos sobre tudo. Falamos sobre economia, sobre política, sobre futuro do partido, sobre o momento político que nós estamos vivendo, sobre eleições, sobre aliança, sobre possibilidades, falamos sobre isso tudo, mas não disso especificamente”.

Para a disputa presidencial deste ano, contudo, ele reafirmou que, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja candidato, apoiará o petista, de quem foi ministro entre 2004 e 2005. “Sempre tive uma relação muito boa e real, verdadeira, correta, com o presidente Lula”, justificou.

Eunício informou, aliás, que já externou tal posicionamento ao presidente Michel Temer e disse que, se o partido ou a coligação em que estiver o MDB lhe obrigar a ter outra posição, pretende “fazer um debate interno”. Ele é defensor de que o MDB não lance candidatura própria “sem viabilidade eleitoral” e libere os filiados nos estados para que decidam quem apoiar.

Tamanho do MDB

Já ao tratar das perspectivas para o MDB nas eleições deste ano, após o partido ter perdido representantes durante a janela partidária – apenas no Ceará foram dois deputados federais e dois deputados estaduais a menos, entre março e abril –, ele garantiu ter “convicção” de que a legenda não sairá pequena do pleito de outubro próximo. O MDB foi o partido que mais perdeu deputados federais nacionalmente: de acordo com dados da Câmara dos Deputados, sete nomes deixaram a legenda durante a janela. Com 53 deputados, tem, atualmente, a segunda maior bancada da Câmara.

“Essas eleições vão terminar com o PMDB tendo o maior número de vereadores, de prefeitos, de deputados federais, de senadores e um bom número de governadores, mesmo não tendo uma candidatura própria à Presidência da República. O PMDB está enraizado, esse partido construiu a democracia no Brasil, esse partido ajudou muitos governos a fazer o desenvolvimento desse País”, argumentou. “Só (para) dar um exemplo: se nós não fizermos nenhum senador, o que é quase impossível de acontecer, o PMDB ainda será o maior partido no Senado, e presidirá o Senado, porque é assim que determina o Regimento e a Constituição”, completou.

Qualidade

Ao comentar perdas de quadros cearenses pela sigla, caso, por exemplo, dos deputados federais Aníbal Gomes e Vitor Valim, que ingressaram no DEM e no PROS, respectivamente, ele disse não ter preocupação “de número no partido”. “Tenho a preocupação de que as pessoas que venham para o partido queiram estar no partido, concordem, mesmo debatendo, mesmo divergindo no partido, no final convirjam para uma posição. Esse é o PMDB que eu espero que venha das urnas. Aqueles que entraram no partido, que ficaram no partido”, disse.

Segundo Eunício, a falta de apoio de correligionários, inclusive, contribuiu para a derrota amargada em 2014. “Por exemplo, tenho muito respeito pelo deputado Aníbal Gomes, mas não ganhei as eleições porque o deputado Aníbal Gomes, que era do PMDB histórico, não votou com o candidato do PMDB. Então, para que ter um número, mas não ter o resultado? O ex-deputado, ex-vice-governador e meu amigo pessoal, Domingos Filho, era do PMDB, saiu e foi para o PSD. Se eu tivesse recebido os votos daquele grupo que era do PMDB, eu seria hoje não senador, não presidente do Congresso. Seria hoje governador do Estado”, analisou.

09:08 · 22.03.2018 / atualizado às 09:08 · 22.03.2018 por
Em entrevista coletiva na Assembleia Legislativa em maio de 2017, Cid Gomes negou todas as acusações e disse que processaria Wesley Batista Foto: José Leomar

O juiz Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, da 12ª Vara Federal, determinou que a Polícia Federal (PF) instaure inquérito policial para apurar fatos denunciados pelo ex-presidente da JBS, Wesley Batista, em delação premiada, contra o ex-governador Cid Gomes (PDT). De acordo com o magistrado, em decisão da última terça-feira (20), fatos noticiados pelo colaborador configurariam crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e, por isso, demandam investigação.

Em decisão de cinco páginas, o juiz federal explica que o processo em questão foi instaurado a partir de declínio de competência, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em relação a fato ocorrido em 2010. Denúncia feita por Wesley Batista referente a fatos supostamente ocorridos em 2014 – o delator afirmou que teria feito pagamento de R$ 20 milhões em favor de Cid Gomes, em troca da liberação de créditos de ICMS em benefício do grupo empresarial J&F – segue no STF. Neste caso, por suposto envolvimento do deputado federal Antônio Balhmann, que tem foro privilegiado, na cobrança do valor que seria destinado à campanha do sucessor do pedetista, Camilo Santana (PT), ao Governo do Estado.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Wesley Batista afirmou em delação, porém, que, em 2010, “o então governador Cid Gomes solicitou ao seu secretário Arialdo Pinho que procurasse Josley para pedir contribuição financeira para a sua reeleição na campanha do ano de 2010”.

Diante disso, Wesley relatou que Josley concordou em pagar R$ 5 milhões a Cid Gomes (R$ 3,5 milhões teriam sido pagos por notas frias e R$ 1 milhão, por meio de doação oficial) em troca da liberação de um crédito de ICMS devido pelo Estado do Ceará, “em valor que o colaborador não se recorda”.

Investigação

Os fatos relatados, segundo Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, configurariam crimes de corrupção passiva – na solicitação e no posterior recebimento de vantagem indevida no valor de R$ 5 milhões – e de lavagem de dinheiro – no pagamento de vantagem indevida, dissimulado por meio de doação oficial de campanha eleitoral.

O magistrado frisa, contudo, que os fatos foram apenas noticiados por Wesley Batista, “não tendo ainda se iniciado as investigações, nem havido a apuração da efetiva ocorrência, muito menos a individualização
das condutas, tampouco a apuração da autoria em toda a sua extensão”. Por isso, determina o encaminhamento dos autos à PF, para que um inquérito seja instaurado, e também ordena que se dê ciência ao MPF, para que, entendendo conveniente, indique diligências a serem realizadas pela autoridade policial.

Em entrevista coletiva na Assembleia Legislativa em maio do ano passado, após a eclosão da delação da JBS, Cid Gomes negou todas as acusações e disse que processaria Wesley Batista por crimes de calúnia e difamação.

09:12 · 07.06.2017 / atualizado às 09:12 · 07.06.2017 por
No fim da tarde de ontem, Cid Gomes, por meio de nota, informou que não foi notificado sobre o processo e se pronunciará tão logo aconteça Foto: Helene Santos

Menos de cinco meses depois de ter sido tornado réu na Justiça Federal por uma denúncia de improbidade administrativa, o ex-governador do Estado, Cid Gomes, passará a responder por outra ação judicial, desta vez de natureza penal, agora na 18ª Vara Federal do Município de Sobral. Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), Cid e outras dez pessoas são acusadas de prática de crime financeiro por suposta fraude em proposta de empréstimo firmado com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O ex-governador afirma que o empréstimo com o banco foi firmado regularmente e que se pronunciará acerca da acusação do MPF tão logo for notificado sobre o processo.

Segundo a procuradora da República em Fortaleza Lívia Maria de Sousa, autora da denúncia apresentada em fevereiro deste ano à Justiça, o financiamento de R$ 1,3 milhão, obtido em 2014 junto ao BNB, não teria respeitado as regras do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A ação, inicialmente proposta na 32ª Vara Federal de Fortaleza, foi encaminhada à 18ª Vara Federal de Sobral após declínio de competência. Isso porque a concessão do empréstimo supostamente irregular foi realizada em agência do Banco do Nordeste do Brasil em Sobral, o que denotou a submissão do caso à jurisdição da 18ª Vara Federal.

São alvos da representação, além de Cid Ferreira Gomes, Acy Milhomem de Vasconcelos, Micael Gomes Rodrigues, José Wellington Tomas, Leonardo Bruno Torres Braga, Eliene Silveira Mendes, Aurileda dos Santos Oliveira, André Bernardo Ponte Lima, Richardson Nunes de Meneses, José Robério Pereira de Messias e Ricardo Sérgio Farias Nogueira. Este último e o ex-governador são sócios da empresa Corte Oito Gestão e Empreendimentos Ltda, que remeteu, no ano de 2014, a proposta de financiamento ao BNB.

Descumprimento

A denúncia descreve que, no dia 27 de agosto de 2014, os gerentes gerais e de negócios da agência do BNB em Sobral, Acy Milhomem de Vasconcelos e Micael Gomes Rodrigues, respectivamente, teriam recebido proposta de empréstimo da empresa da qual Cid é sócio, para a construção de condomínio de galpões para locação.

Ambos teriam emitido parecer favorável ao financiamento, no montante total de R$ 1.335.700,00, a ser financiado pelo BNB no âmbito do programa FNE­MPE­Serviços (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste ­ Programa de Financiamento às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte e Empreendedor Individual), em desacordo com as normas do FNE e com base em uma previsão de faturamento inexequível da empresa mutuária.

“Os funcionários do Banco teriam calculado, com base em receitas superestimadas e inexequíveis, quando confrontadas com os outros documentos que constavam no processo de financiamento, o LRG (Limite de Risco Global) do cliente de financiamento Corte Oito Gestão e Empreendimentos Ltda no valor de R$ 1.483.160,25, o que teria permitido a concessão do financiamento indevidamente no valor de R$1.335.700,00”, aponta.

De acordo com a procuradora da República, os outros réus, nas instâncias da Central de Crédito Clientes Varejo do Ceará, do Comitê da Agência Sobral Domingos Olímpio do BNB – COMAG, e do Comitê Estadual do Banco do Nordeste, teriam atuado em descumprimento às normas do FNE para viabilizar o financiamento.

Na representação, o MPF também acusa que os sócios da empresa “teriam participado da articulação e da consumação da infração penal ao apresentarem proposta de financiamento ao Banco do Nordeste do Brasil com previsão de faturamento que não refletiria a realidade possível e provável que poderia obter a empresa com suas atividades comerciais futuras, tudo com a finalidade de aumentar sua margem de limite de crédito indevidamente”.

Assessoria

A denúncia é amparada por relatório da Controladoria Geral da União ­ (CGU), esclarecendo o que entende serem as irregularidades cometidas no empréstimo, no que se refere à ampliação do LRG. A ação proposta pelo MPF foi acompanhada, ainda, de procedimento investigatório no qual Cid Gomes e outras sete pessoas tornaram-se réus em janeiro deste ano. A acusação é a mesma, mas gerou ação por improbidade administrativa, uma vez que a operação financeira foi realizada quando o político era governador do Estado.

Pela nova denúncia, Cid e os outros denunciados passam a ser réus por suposto crime contra o Sistema Financeiro Nacional. A decisão determina que os acusados sejam citados, a fim de que respondam à denúncia, por escrito e por meio de advogados, em um prazo de dez dias.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa de Cid Gomes informou que o ex-governador não foi notificado sobre o processo e se pronunciará tão logo isso aconteça. “Em relação ao empréstimo no Banco do Nordeste, informa que este foi feito regularmente, sob as mesmas condições dadas a qualquer pessoa e com garantia real de três vezes o empréstimo contraído”, diz. A nota afirma, ainda, que os recursos foram aplicados conforme o objeto contratado e estão sendo ressarcidos desde 2016.

09:27 · 24.05.2017 / atualizado às 09:27 · 24.05.2017 por

Por Renato Sousa

Vereadores foram à tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), ontem, para defender o ex-governador Cid Gomes (PDT) e o atual ocupante do Palácio da Abolição, Camilo Santana (PT), das acusações de que ele teria recebido recursos indevidos durante a campanha de 2014. Para os parlamentares, as acusações são frágeis e os argumentos apresentados por Cid em entrevista coletiva realizada segunda-feira (22), na Assembleia Legislativa, foram convincentes. As acusações foram feitas pelo empresário Wesley Batista, um dos controladores da holding J&F e delator da Operação Lava-Jato.

De acordo com o presidente da CMFor, Salmito Filho (PDT), os documentos apresentados pelo ex-governador demonstram que os valores recebidos durante a campanha de Camilo aconteceram de acordo com a lei. “Fiquei muito contemplado pelos argumentos objetivos do ex-governador”, explica. Ele lembra que, até 2014, as empresas podiam fazer doações para as campanhas eleitorais.

Carlos Mesquita (Pros) também defendeu o governador. “Fiquei satisfeito com a postura do governador Cid. Ele demonstrou segurança e passou confiança a seus amigos de que não cometeu nenhum crime”, declara.

09:14 · 23.05.2017 / atualizado às 09:14 · 23.05.2017 por

Por Antonio Cardoso

Cid Gomes foi ao encontro dos jornalistas juntamente com alguns aliados Foto: José Leomar

Cid Gomes (PDT) afirma que vai processar, por crime de calúnia e difamação, o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, que o denunciou como um dos políticos brasileiros que receberam “propina” distribuída por aquela empresa, para a campanha que elegeu o governador Camilo Santana (PT), em 2014.

O ex-governador Cid Gomes deu uma entrevista coletiva, no fim da manhã de ontem, nas dependências da Assembleia Legislativa, ao lado de deputados federais, estaduais e outros aliados, para fazer sua defesa, ao tempo que relatou encontros mantidos com o empresário e seu irmão, Joesley Batista, sem, contudo, tratar de questões relacionadas a financiamento de campanha eleitoral.

“Quero veementemente registrar a minha indignação por essas denúncias e quero dizer que não me resta nenhum outro caminho, que não seja processar o delator por calúnia”, apontou, em tom de revolta. “Constituirei advogado e irei processar o delator por calúnia e difamação”.

O dono da JBS afirmou que Cid Gomes teria solicitado R$ 20 milhões para a campanha ao Governo do Estado do seu sucessor, Camilo Santana, em 2014. De acordo com Wesley Batista, o secretário de Estado, Arialdo Pinho, e o então deputado federal Antônio Balhmann, que hoje faz parte do secretariado estadual, teriam dado sequência à cobrança do valor.

Comitês Financeiros

Sobre isso, Cid Gomes afirmou que em todas as campanhas tem o cuidado para que os candidatos não se envolvam diretamente na arrecadação. “Embora não fosse eu o candidato em 2014, todas as nossas campanhas têm regras e nos cercamos de cuidados. Já havia dito que candidato não cumpre a tarefa de pedir recursos a quem quer que seja, para que, exatamente nos cercando de cuidados, aquilo não fique implícito de que o doador terá eventualmente algum benefício”, disse.

Cid apontou que são constituídos nas campanhas comitês financeiros, cujos membros são divulgados publicamente. “É só pegar os registros, e vão ver que realmente o Balhmann e o Arialdo, licenciado do cargo, e mais algumas outras pessoas cumpriram a tarefa de buscar financiamento para a campanha. Coisa que é legal, como funciona regularmente o financiamento das campanhas no Brasil”, relatou.

“Eles tinham essa tarefa. Agora, em tempo algum, em nenhuma campanha se deu orientação, dei permissão, insinuei, apresentei, sugeri ou permiti que alguém fizesse vínculo de doações da campanha a qualquer tipo de benefício por parte do Estado”, enfatizou.

Na denúncia contra Cid consta que, como recompensa ao pagamento dos R$ 20 milhões, o governo faria o repasse dos R$ 110 milhões que o Estado devia à empresa em crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).

O ex-governador explicou que empresas exportadoras têm dois tipos de benefícios no Ceará. Um deles é relativo ao ressarcimento daquilo que recolheram de ICMS, o que se chama de desoneração das exportações, o que é regulamentado por lei federal chamada Lei Kandir.

Incentivo

“Particularmente no Ceará, tem outro incentivo à empresa. Esse incentivo se chama Proapi (Programa de Incentivo às Atividades Portuárias e Industriais), instituído em 1995, mas assumi pela primeira vez o Governo do Ceará 11 anos depois, em 2007. Poucas empresas tiveram direito ou foram beneficiadas por esse incentivo. Poucas empresas. Acho que não chegam a 20. Nenhuma em meu período de governo. Todas as empresas que fizeram jus a essa lei foram em períodos anteriores”.

De acordo com Cid, a programação do pagamento dos benefícios no Estado do Ceará obedece a um cronograma que leva em conta uma série de fatores. O primeiro seria o fluxo de caixa, seguido de prioridade naquilo que é socialmente mais necessário. “E são feitos por outras instâncias que não o governador”, contou.

“Me recuso a acreditar que alguém, ou uma das maiores empresas do Brasil, que é a JBS, não tivesse uma assessoria para orientá-los e esclarecê-los de que não é possível se fazer vinculação de qualquer tipo para o pagamento desses valores”.

No tocante à afirmação do delator de que não teria recebido nenhum real entre os anos de 2011, 2012 e em 2013, acusou que seria mais uma inverdade. “Ele recebeu em 2011, recebeu em 2012 e recebeu em 2013. Obviamente a legislação brasileira estabelece obrigatoriedades de pagamentos sem que se demande uma possível e factível demanda judicial”.

Qualquer pessoa que tem crédito a receber legítimo do Governo do Estado pode demandar judicialmente, prossegue o ex-governador. “Independentemente disso estar em vigor, creio que, há mais de 10 anos, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga aos governantes pagarem todas as despesas de seu mandato no período de seu mandato”, acrescenta.

Encontro

Diante da citação de seu nome, Cid Gomes contou ter feito pesquisas documentais durante o final de semana. “Mas examinando e vendo documentos identificamos contribuição da dita empresa, à campanha de 2006 em que eu não era governador, era oposição ao governador. Portanto, perde-se uma lógica que se tenta inculcar hoje de que qualquer contribuição de campanha, diz respeito a vinculação com alguma coisa”, disse.

Em 2006, quando foi eleito pela primeira vez para governar o Ceará, ele apontou que houve contribuição da JBS, sem qualquer compromisso. “Sem qualquer contraprestação de serviços. Quero aqui também enfatizar que, ao longo do período em que fui governador, todas as nossas contribuições, todas as campanhas, toda orientação que se deu é de que as arrecadações fossem feitas dentro da lei”.
Cid confirmou ter se encontrado com os irmãos Wesley e Joesley Batista. “Eles passaram a ter um empreendimento aqui no Estado do Ceará e eu participei da inauguração de uma segunda etapa do empreendimento deles. Eu participei. Eu estive lá”.

O ex-governador relatou também que esteve na sede da empresa de propriedade dos irmãos delatores. “Lembro bem que estive lá na sede da JBS e lembro que nessa ocasião tratamos dois assuntos. Um deles era um compromisso que eles espontaneamente assumiram de implantar no Ceará uma fábrica da Vigor e eu cobrei isso muitas vezes deles. A outra questão que lembro ter tratado, até contra a vontade deles, era a candidatura de um dos irmãos a governador de Goiás. Fomos, ele, esse irmão dele e eu, filiados ao mesmo partido (PROS). Lembro de ter tratado isso e eles demonstravam objeção a essa possibilidade”.

“Na minha agenda verifiquei vinda deles aqui ao Ceará e lembro de ter participado da inauguração da ampliação do Curtume. Como um dos assuntos tratados era a possível candidatura de um irmão dele em Goiás, e a desistência dessa candidatura aconteceu bem antes do período eleitoral, eu suponho que não foi em junho ou julho, como ele falou. Não foi”.

“É indisfarçável o meu constrangimento em ter que vir aqui não para falar sobre meu governo, realizações, sobre a política do Brasil e do Estado do Ceará. Lamentavelmente venho me defender de uma acusação que atinge aquilo que para mim é o mais sagrado”, disse, complementando: “tudo o que espero da vida pública é poder ao cabo dela, merecer o respeito, a consideração, o reconhecimento dos meus conterrâneos cearenses”.

“Eu tenho patrimônio que é compatível com meus 34 anos de trabalho e esse patrimônio material não chega a R$ 800 mil. Isso é facilmente comprovado pelas declarações que são públicas, de Imposto de Renda. Assisti a um vídeo de um dos donos da JBS em que diz que eu pedi a ele R$ 20 milhões. Quero aqui negar absolutamente, pela minha índole, pelo meu caráter que jamais, em tempo algum, pedi qualquer tipo de benefício para o que quer que fosse, vinculando a favores do Governo do Estado ou dos demais mandatos de prefeito e de deputado”.

“Ao longo desses 34 anos me dediquei sempre com exclusividade à vida pública, salvo período pequeno no primeiro mandato de deputado quando tive uma distribuidora de medicamentos. Eu diria diferente hoje: se eu estiver envolvido na Lava-Jato, árvores vão andar, vaca vai voar, pedra vai falar. Eu não estou envolvido na Lava-Jato e em nenhuma outra operação”.

Catapora

A despeito de prejuízo à possível candidatura de seu irmão Ciro Gomes à Presidência, Cid rebateu. “Há alguma acusação contra mim? Pela leitura dos depoimentos escritos eu não enxergo nenhuma acusação contra mim. Eu não sou acusado de nada. Em se abrindo algum inquérito, o Ministério Público entendendo que eu possa, vou me defender. Com toda a convicção e toda a tranquilidade. O que isso tem a ver com o Ciro? Se eu fosse corrupto, ainda assim, ser corrupto não é catapora. Você estar ao lado de um corrupto, não pega. Mas eu não sou corrupto. Eu sou honesto. A minha índole é de seriedade, as minhas aspirações são de merecer o reconhecimento das pessoas e meus filhos terem orgulho de mim. Só isso”.

11:46 · 13.05.2017 / atualizado às 11:48 · 13.05.2017 por
O evento é comandado pelo presidente do partido, André Figueiredo. Foto: Cid Barbosa

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) realiza, neste sábado (13), no Município do Crato,  na Região do Cariri, o seu Terceiro Encontro Regional, com vista a preparar a sigla para o pleito do próximo ano. Dentre as lideranças políticas presentes estavam o ex-governador do Estado, Cid Gomes; o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque; e o presidente do grêmio no Ceará, o deputado federal André Figueiredo.

Dentre os temas listados por eles para tratar no encontro estava as discussões internas para melhoria dos indicadores do Brasil, em especial a economia. O partido está em busca de unidade em todo o País, uma vez que pretende lançar uma candidatura ao Governo Federal, sendo que o nome mais cotado é do ex-deputado federal Ciro Gomes.  Ele não participou do evento que aconteceu no Centro de Convenções do Cariri.

O primeiro Encontro Regional do PDT do Ceará aconteceu no dia 8 de abril, em Sobral; e o segundo no feriado do dia 21 de abril, no Município de Guaramiranga, no Maciço de Baturité.

Também acompanharam o evento deste sábado o deputado federal Leônidas Cristino e os secretários do Trabalho e Desenvolvimento, Josbertini Clementino; e de Assuntos Internacionais, Antonio Balhman, além dos deputados estaduais Mirian Sobreira, Julinho e Sineval Roque, bem como lideranças locais e prefeitos da região.

 

 

17:17 · 15.01.2017 / atualizado às 17:17 · 15.01.2017 por
Segundo o MPF, o ex-governador do Ceará teria utilizado de sua influência para obter, irregularmente, um empréstimo no BNB em 2014 Foto: Kid Júnior
Segundo o MPF, o ex-governador do Ceará teria utilizado de sua influência para obter, irregularmente, um empréstimo no BNB em 2014 Foto: Kid Júnior

O ex-governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes (PDT), e outras sete pessoas tornaram-se réus após a Justiça Federal aceitar uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) por improbidade administrativa. A acusação é de que houve irregularidade na concessão de empréstimo à empresa Corte Oito Gestão e Empreendimento Ltda, que tem como sócios Cid Gomes e Ricardo Sérgio Farias Nogueira, pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em 2014.

Segundo a denúncia do MPF, a Corte Oito recebeu empréstimo de R$ 1,3 milhão para a construção de galpões em Sobral, município da Região Norte do Estado. A operação financeira foi realizada quando o político ainda era governador.

De acordo com inquérito instaurado pelo MPF com relatório da Controladoria Geral da União (CGU), na concessão do empréstimo não foram respeitadas as regras para operações financeiras com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). No relatório, consta que Cid teria utilizado de influência política para obter o empréstimo irregularmente.

O MPF argumenta que também houve falhas no controle interno do banco e superdimensionamento do faturamento da empresa na avaliação de crédito para o empréstimo.

Além do MPF, por decisão judicial, também será incluída a União como parte autora da ação. Entre os réus, além dos sócios da Corte Oito, aparecem também cinco funcionários do banco – Acy Milhomem de Vasconcelos, Micael Gomes Rodrigues, José Welington Tomas, André Bernard Pontes Lima e Richardson Nunes de Meneses – e o então superintendente João Robério Pereira de Messias.

Na análise do recebimento da ação, de autoria do procurador da República Oscar Costa Filho, o juiz federal Alcides Saldanha Lima decidiu que os acusados responderiam por atos tipificados na Lei de Improbidade Administrativa como lesão ao erário e violação dos princípios da administração pública. O processo vai tramitar na 10ª Vara da Justiça Federal do Ceará.

Reações

A assessoria de imprensa do ex-governador declarou, por telefone que o aceite da denúncia “dá chance de Cid e os demais citados se defenderem na Justiça e mostrarem que não existe nenhuma irregularidade”.

Em nota, o BNB informou que “foram adotadas providências com vistas a apuração da ocorrência relacionada à contratação da referia operação de crédito”. O banco também ressaltou que tem compromisso de atuar com transparência e colaborar com os órgãos competentes, a fim de esclarecer quaisquer fatos relacionados às suas operações.