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Tag: Críticas


09:58 · 01.09.2017 / atualizado às 09:58 · 01.09.2017 por

Em discurso ontem na Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado Renato Roseno (PSOL) afirmou que o presidente Michel Temer (PMDB) está colocando o Brasil em “liquidação” com o intuito de cobrir o déficit fiscal previsto para este ano. “O Congresso Nacional rejeitou alterar a meta fiscal brasileira e, nesse mesmo momento, Temer se encontra na China para uma viagem de sete dias onde ele mesmo vai vender o país”, reclamou.
Roseno disse que essa receita antinacional seria contrária à soberania nacional, aos interesses de um desenvolvimento que permitisse, sobretudo, superar laços de “profunda dependência que o Brasil ainda mantém com economias de maior porte”. Hoje, de acordo com o parlamentar, a China é responsável por ¼ das exportações brasileiras. “24% das exportações do Brasil, têm como comprador preferencial a China. Então se pode pensar que a China, de fato, é uma parceira comercial relevante”.
Todavia, ele contou que a China compra do Brasil, “exclusivamente”, commodities, produtos de baixo valor agregado. “Quaisquer produtos quando beneficiado, com algum processo de pré-industrialização para agregar valor, eles são tarifados na China”, contou. “A China não quer, portanto, produtos que não sejam matérias-primas, commodities, minério de ferro, soja, para que ela própria gere empregos industriais no seu território”.
Enquanto isso, Roseno alertou para a necessidade de raciocinar que, no Brasil, destruímos o meio ambiente. “Florestas para ampliar a produção de soja, reservas ambientais como agora a reserva nacional de cobre e associados, para fazer a concessão privada, exportação dessas commodities, que têm baixo preço no mercado internacional para que a China as beneficie, gerando emprego lá. É óbvio que esse é um modelo de desenvolvimento que nos coloca de joelhos na economia nacional”, apontou. “É por isso, que entre outras coisas, nosso déficit é muito grande e estamos com 14 milhões de desempregados. Porque não há política de indução de desenvolvimento no país, inclusive de um outro padrão que levasse em conta a necessidade de alterar a matriz energética, superarmos a matriz carbonífera que leva o planeta ao fracasso”.
O deputado do PSOL contou que as pessoas as vezes defendem que esse “padrão de capitalismo associado” seja a única alternativa ao país. “Quero discordar totalmente. Houve um boom de commodities, em especial no período do primeiro e segundo governos de Lula, que alavancou, inclusive a taxa de investimento e de poupança no Brasil. Tivemos naquele momento uma alta no número de commodities. Colocaram a economia nacional de joelhos perante a venda de commodities, colocar toda a nossa economia dependente da exportação de bens primários como soja e minério de ferro é um erro do passado, pelo qual estamos pagando”.
Acompanha a isso, conforme colocou Roseno, o “desmonte” da ciência nacional. “Você tem a manutenção de um padrão de exportação de commodities, do outro lado, o desmonte da capacidade de alavancar outras cadeias produtivas de energia limpa. E, agora se soma um grave e violento processo de privatizações”, criticou, informando que estava na Assembleia em 1997, na condição de assessor do ex-deputado João Alfredo, quando se discutia tema nacional que era a venda da Vale. “Há 20 anos. Naquele momento já denunciávamos que a venda da Vale do Rio Doce era um atentado à soberania nacional. Não se entrega setores estratégicos às corporações, em especial as corporações transnacionais, energia, infraestrutura de portos e aeroportos, estradas, a extração mineral. Nós estamos, agora, com este governo que governa de costas para o povo, agravando as futuras gerações do Brasil”, ressaltou. “Esse crime está sendo cometido agora. É uma cantilena tecnicamente falsa, fazer a venda, por exemplo, da Eletrobras a R$ 30 bilhões, seria capaz de resolver o problema. É um equívoco para o presente, mas é muito maior para o futuro”, alertou, completando que o Brasil tem hoje, relação de absoluta dependência internacional. “E a saída desse governo é ampliar essa dependência nacional. Ele vai para a China vender ativos do Brasil, ativos que foram construídos na segunda metade do século XX com o esforço das classes trabalhadoras brasileiras”, criticou.

14:08 · 30.08.2017 / atualizado às 14:08 · 30.08.2017 por

O deputado Bruno Pedrosa (PP) reclamou nesta manhã, na Assembleia, que o Governo Temer não cuida da Amazônia como deveria. “Somos conhecidos por termos o que mundialmente chamam de pulmão do mundo e o governo não cuida da nossa Amazônia. Assina decreto de uma área que representa o total do país da Dinamarca. O que se tem discutido no Congresso e pelo Governo Federal, sem participação da sociedade. A primeira vez que se falou desse decreto foi numa feira no Canadá, sem participação da sociedade”.
Bruno avaliou que Michel Temer tem feito a “pior política ambiental” da história do país. “Pior do que no tempo do Império quando houve a extração do Pau-Brasil. Somente depois de pressão da mídia e movimentos sociais Temer recuou, mas agora apresentou novo decreto que o Ministério Público afirma não haver qualquer mudança. Ele diz que sendo em unidade de conservação pode haver a exploração, desde que tenha um plano de manejo. Isso é brincar com a cara dos brasileiros”, criticou. “Vai ser incentivada a grilagem de terras. É uma vergonha o que o nosso Congresso Nacional tem feito conosco, o que esse governo tem feito conosco. Enquanto nós, em Estado pobre, protegemos o meio ambiente, regularizamos o Parque do Cocó, buscamos proteger nossos mananciais e nascentes, a Amazônia tem sido depredada”.

15:04 · 24.08.2017 / atualizado às 16:57 · 24.08.2017 por
“Está comprovada a perseguição da Procuradoria desta Casa aos deputados de oposição”, denunciou Leonardo Araújo, do PMDB-CE.

O deputado estadual Leonardo Araújo (PMDB) reclamou, nesta quinta-feira (24), na tribuna da Assembleia que a Procuradoria Parlamentar do Legislativo estaria servindo de “filtro do Governo do Estado e da Mesa Diretora”.

“Coincidentemente, tive cinco projetos rejeitados em uma semana. Está comprovada a perseguição da Procuradoria desta Casa aos deputados de oposição”, denunciou.

Como exemplo, o peemedebista cita ter entregue proposta de criação de um selo para empresas “amigas dos idosos”, mas teve parecer negando a tramitação do projeto. “Enquanto isso, o líder do governo [Evandro Leitão, do PDT] apresentou outro similar, mas sendo o selo para empresas amigas dos deficientes e esse foi aprovado”, criticou.

Concurso público 

Diante do observado, o parlamentar Leonardo Araújo afirmou que irá “vestir a camisa” para que a Assembleia realize concurso público para o cargo de Procurador.

Deputados rebatem ideia de perseguição: “Procuradoria auxilia”

“O parecer da Procuradoria não é terminativo. Eu mesmo, não agora, mas em outra oportunidade, dei voto na Comissão contra o parecer da Procuradoria”, defende Baquit.

O vice-presidente da Assembleia, deputado Tin Gomes (PHS), pediu aparte para afirmar que a Procuradoria não tem poder de arquivar iniciativa de deputado.

“Não tem. Mesmo que erre ou seja parcial por alguém, ela é corrigida pela Comissão e nesse Plenário. Mesmo que o procurador seja de carreira, ele pode errar. A Procuradoria auxilia”, disse Tin se solidarizando com os integrantes daquele setor do Legislativo.

Após as reclamações do deputado Leonardo Araújo, o governista Osmar Baquit (PDT) também usou a tribuna. “O parecer da Procuradoria não é terminativo. Eu mesmo, não agora, mas em outra oportunidade, dei voto na Comissão contra o parecer da Procuradoria”.

12:15 · 02.08.2017 / atualizado às 12:15 · 02.08.2017 por

A deputada Silvana Oliveira (PMDB) discursou nesta manhã na Assembleia para “deixar claro” que mesmo sendo filiada ao mesmo partido do presidente Michel Temer, não apoia suas medidas e que defende que a Câmara Federal vote pela continuidade na investigação contra o ele. “A população não está feliz com essas reformas. Eu também não. Todo mundo sabe que a reforma é necessária. Mas será que a reforma que queremos deve ser apresentada assim? A toque de caixa?”, questionou. “Se alguém quer entrar na história, porque passou um ano na presidente, que apresentasse de forma heroica, de forma justa e não assim”, opinou. “Vou subir a tribuna e dizer que concordo com isso e, depois pedir voto ao eleitor? Não. Precisamo de reforma que não punam os mais pobres. Dizer que é em nome da instabilidade? Em nome da instabilidade você luta com honra e decência. Assim você equilibra o país. Dizem que o país vai parar. Mas já parou, por conta da corrupção. O que está parando este país não é a previdência”.

12:35 · 19.07.2017 / atualizado às 12:35 · 19.07.2017 por

O deputado estadual Heitor Férrer (PSB) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa cearense, após Leonardo Pinheiro exaltar ações do governo para reduzir a crise da saúde pública no Ceará. Heitor ressaltou que o mundo externado pelo governista não seria o mesmo que vê a partir de relatos de pessoas que o procuram. “Inclusive os que dependem do ISSEC, plano ofertado pelo Estado, passam por dificuldades, imagine os que dependem do SUS”, destacou.
Heitor disse se pautar pelo Blog Edison Silva, no Diário do Nordeste, onde matéria aponta que o Estado não tem recurso para ampliar o Hospital da Messejana.

Acabou o sonho de ampliação do Hospital do Coração em Messejana

“Diante da informação busquei e encontrei que em 2015 Camilo deu a grande notícia que ampliaria o Hospital do Coração. Uma grande notícia para quem é médico e vive dentro dos hospitais. Mas em menos de dois anos depois, o governador decreta a anulação do seu próprio ato”. Por outro lado, segundo o parlamentar, foram investidos mais de R$ 1,5 bilhão em obras e aquisição de equipamentos que considerou como “gastos desnecessários”.

12:37 · 18.07.2017 / atualizado às 12:37 · 18.07.2017 por

O deputado Tomaz Holanda (PPS) subiu a tribuna para rebater as colocações feitas por Odilon Aguiar, que antecedeu o seu discurso. “Não tenho procuração para defender nenhum dos que foram citados por vossa excelência, mas não posso ficar calado. Essa não é uma mensagem governamental, mas propositura de um dos deputados mais sérios que conheci na vida pública. Heitor historicamente é oposição dos irmãos Cid e Ciro Gomes, assim como de Camilo Santana”.
A proposta vai fundir os dois tribunais, conforme Tomaz. Nenhum processo tramitando no TCM vai ser extinto, todos serão julgados no TCE. Será que só os quatro estados onde tem dois tribunais estão certos e os outros estão errados?”, questionou. “Odilon chegou e esbravejou. Chato é querer usar um poder para intimidar prefeito, ex-prefeito e vereador, isso que é incorreto”, fechou a fala.

12:27 · 20.06.2017 / atualizado às 12:27 · 20.06.2017 por

O deputado estadual Sérgio Aguiar (PDT) discursou na tribuna da Assembleia Legislativa, hoje, para tratar de quatro assuntos. Ele abriu a fala relatando a sua participação na Conferência Nacional de Legisladores, realizada entre 8 e 10 de junho, no Paraná. Na sequência, reputou que a partir do próximo sábado será aberta mais uma porta de entrada no Estado do Ceará. “Será inaugurado o voo no Aeroporto de Jericoacoara. Traz com ele grande perspectiva para o turismo daquela região. Serão recebidos até 800 mil turistas advindos desses voos”.

O terceiro assunto tratado por ele disse respeito ao anúncio do IPECE, sobre a economia cearense. “O Ceará em detrimento de outros estados e do próprio país, consegui crescer 1,87% do PIB em relação ao Brasil que foi de 1%. Conseguimos abrir novos postos de empregos”, comemorou.

Por fim, o pedetista protestou contra o anúncio do Banco do Brasil de que poderão ser fechadas cinco agências em cidades do Interior cearense devido aos ataques de criminosos. “Esse não é o caminho. Os verdadeiros penalizados serão os moradores dessas cidades que agora precisarão se deslocar até outros municípios para receber seus benefícios”.

09:30 · 10.05.2017 / atualizado às 09:30 · 10.05.2017 por

O deputado estadual Renato Roseno (PSOL) criticou ontem na Assembleia Legislativa que os servidores do Sine/IDT continuem ameaçados pelo corte no orçamento do órgão feito pelo Governo do Estado. O parlamentar disse ser contraditória a medida quando os indicadores de empregos só pioram no Brasil somando, agora, 14 milhões de desempregados. “Um número assustador. Aqui na Região Metropolitana temos ao menos 350 mil desempregados”, contou.
Roseno ressaltou que por mais de uma vez levou a denúncia do “desmonte” do Sine/IDT em razão dos cortes nos seus recursos orçamentários. Ele lembrou que há algumas semanas 32 deputados estaduais assinaram manifesto em defesa do órgão. “Hoje os trabalhadores do Sine/IDT voltam a esta Casa com uma carta aberta ao Parlamento, onde colocam que mesmo com todo o esforço a situação do SINE/IDT não foi resolvida”.
O socialista disse que nos últimos meses aconteceu a suspensão da pesquisa de empregos, geração de débitos trabalhistas, fechamento de unidades, além da retenção de recursos contratados de 2014 a 2016. “Tudo isto encontra-se detalhado na carta aberta ao Parlamento cearense. A situação do Sine/IDT não foi resolvida como alardearam alguns próximos aqui do governo”, reclamou. “Então subo a tribuna pela enésima vez para denunciar esta situação. É um descalabro que com 14 milhões de desempregados, meio milhão só no Ceará e 350 mil na Região Metropolitana, o Governo Camilo Santana insista em fechar unidades, diminuindo a única política de emprego que existe que é a operada pelo Sine/IDT”.
Renato também criticou a suspensão, entre outros projetos fundamentais para a juventude, do Programa Juventude Empreendedora, que segundo afirmou, já foi paralisado em razão do corte de recursos. “Um momento como esse, quando deveríamos ter mais políticas de trabalho, o governo faz ouvidos moucos à sociedade e a esta Casa quando 32 deputados assinaram a defesa da política de trabalho e empregos, e temos corte que era de 15% e caiu para 8,5%, mas não houve, ainda a resolução da crise do Sine/IDT”.
Ainda durante sua fala no Pela Ordem, quando tem à sua disposição o tempo de três minutos para se pronunciar, ele apontou que como a carta era destinada ao Parlamento, precisava que fosse feito o registro na tribuna “Precisamos de mais política de trabalho e emprego. No ambiente macroeconômico que este governo ilegítimo de Temer fez acrescer em 2,5 milhões o número de desempregados, é necessário que os governos estaduais sustentem a política de trabalho e emprego. Daí a necessidade de que nós consigamos resolver esta situação do Sine/IDT”, pregou.
Em fevereiro deste ano, mais precisamente na sessão do dia 22, Renato Roseno já havia subido a tribuna para apontar que naquela data vários trabalhadores que fazem a política de proteção ao trabalho e emprego no Ceará se postavam em frente a sede geral do Sine/IDT, que nacionalmente é reconhecido como um dos melhores institutos de pesquisa sobre mercado de trabalho, intermediação e proteção ao trabalhador, em protesto diante de o órgão estar sofrendo, já ali, um dos piores ataques.
Em aparte o líder do Governo na Assembleia, deputado Evandro Leitão (PDT), também naquele mesmo dia salientou que falar da importância do Sine se fazia desnecessário por tudo o que vinha realizando e por ser exemplo para o Brasil. “Mas é importante que se pontue uma situação que nosso secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social nos passou. Ele disse que há uma falta de repasse por parte do Ministério do Trabalho, na ordem de R$ 1 milhão relativo a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego)”, informou o pedetista. “Abrimos canal de diálogo com a Casa Civil e com o próprio secretário do Trabalho no sentido de que essa redução de 15% para com o Sine/IDT, e acumulando já alguns valores de convenção coletiva que não foram repassados, terminaria inviabilizando toda a rede pública de emprego. Estamos dialogando para que possamos entrar em bom termo e tentar amenizar a situação”, prometia. Ontem a liderança optou por não abordar o assunto durante a discussão.

07:26 · 04.05.2017 / atualizado às 07:26 · 04.05.2017 por

O deputado Ferreira Aragão (PDT) relatou ontem na Assembleia Legislativa que foi procurado por uma comitiva do município de Groaíras. O motivo, segundo ele, seria o fechamento do Fórum daquele município. “Fechando, vai tudo para Sobral. Vai inchar mais ainda a Justiça de lá que tem fórum pequeno para a demanda e os processos caminham vagarosamente”, reclamou.

Tão logo o pedetista começou a falar do problema, o deputado João Jaime (DEM) pediu aparte para afirmar que tinha infirmações de que o Tribunal de Justiça estaria preparando pacote de extinção de comarcas no Estado do Ceará, com mais de 30 comarcas. “Groaíras é apenas uma delas. Tenho certeza de que esse tema quando vier a esta Casa, iremos debater muito e de antemão digo que sou contra a extinção de qualquer comarca, seja de Goraíras ou Caridade, que dizem estar também no pacote”.

Jaime disse não acreditar que os deputados que representam esses municípios darão apoio à medida em nome da economia. “Vai prejudicar milhares de cearenses. Se a Justiça hoje é lenta, imagine com a extinção de mais de 30 comarcas, como querem fazer”, reclamou. “Passamos a vida toda, pelo menos desde o meu primeiro mandato, e estou no quarto, lutamos para abrir mais comarcas e levar juízes para o Interior, de modo a oferecer justiça mais digna”, apontou. “O fechamento vai precisar passar por esta Casa e tenho certeza que iremos debater e não seremos favoráveis a esse absurdo”.

Ferreira avaliou que o encerramento das atividades significará retrocesso. “Vamos andar para trás. Com as 30 comarcas em funcionamento a coisa já é lenta, imagine excluindo. Vai complicar a situação dos juízes, promotores e da população”, disse. “O agricultor vai se deslocar de ônibus de Groaíras até Sobral, precisar se alimentar e talvez até se hospedar. Isso vai prejudicar demais o andamento da Justiça e levar o povo ao sofrimento”.

Leonardo Araújo (PMDB) ressaltou que o acesso a Justiça é assegurado pela Constituição, que a seu ver, é a mais perfeita entre todos os países, porém a menos executada. “Cercear o direito, fechando comarcas é retroceder. Prejudicará a população de forma a causar caoticidade”, alertou. “Não podemos concordar que se faça extinção de comarcas quando já temos dificuldades na execução de processos, em virtude da quantidade mínima de juízes e de condições mínimas de trabalho, principalmente no Interior”.

O peemedebista avaliou que fechar fóruns seria prestar “desserviço” à sociedade que espera dos parlamentares e dos governos a melhor atenção possível. “Como advogado, sei que mais triste do que chegar para audiência no Interior e não encontrar um juiz é encontrar a comarca fechada”.

Augusta Brito (PCdoB) também se somou ao discurso. A comunista lamentou o fechamento das unidades. Ela contou ter sido procurada por prefeitos de cidades como Cariré e Graça, Ipu, Ibiapina e outras que podem estar na relação comentada. “Ainda não se viu se existe realmente esta possibilidade de fechar. Mas se ocorrer, será retrocesso e não podem contar com nosso voto. Somos contra e já tive conversando com outros deputados e aqui faremos campanha para que não passe, posto que as comarcas são de suma importância nessas regiões onde já existe hoje com deficiência de funcionários e juízes, mas o fechamento será concretizar retrocesso pro inteiro”.

09:13 · 01.04.2017 / atualizado às 09:13 · 01.04.2017 por
Inácio Arruda, Luís Carlos Paes, Augusta Brito e Chico Lopes avaliam a trajetória da sigla e projetam metas para 2018 Fotos: Yago Albuquerque/Kiko Silva/José Leomar/Agência Câmara

Nenhum outro partido, no País, alcançou a longevidade da qual se orgulha o PCdoB: os 95 anos de existência da sigla – recém-completados em 2017 – fazem do Partido Comunista do Brasil a legenda partidária mais antiga dentre as 35 hoje registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao passo em que celebra conquistas que, nas palavras de seus líderes, contribuíram para um amadurecimento político da sigla, no entanto, o PCdoB não atravessa o atual momento de crise política imune a críticas e citações em depoimentos dados à Justiça Eleitoral que poderiam afetar a credibilidade do grêmio. Poderiam, mas, segundo quem o compõe no Ceará, não afetam.

Os comunistas garantem que, embora reconheça erros de avaliação, o partido é consciente de decisões que tem tomado e preserva a identidade que o construiu ao longo destas nove décadas e meia de trajetória política, seis delas na clandestinidade. No ano passado, contudo, decisão do PCdoB foi questionada, até mesmo por militantes identificados com a esquerda, quando a sigla optou por dividir espaço, na coligação encabeçada pelo prefeito reeleito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), com o DEM, legenda ideologicamente oposta ao PCdoB nas bandeiras que propaga.

Já neste mês de março, foi o depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, ao TSE que motivou críticas ao partido entre alguns setores da sociedade. Isso porque, segundo ele, a empreiteira pagou, via caixa 2, R$ 7 milhões ao PCdoB – e o mesmo valor ao PROS e ao PRB, totalizando R$ 21 milhões – para que o partido garantisse apoio à candidatura da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014. O objetivo do pagamento às legendas, segundo o depoente, era garantir adesão das siglas e assegurar mais tempo de televisão na campanha eleitoral.

Avaliação política

Ao Tribunal Superior Eleitoral, o PCdoB, na figura da presidente nacional da sigla, a deputada federal Luciana Barbosa de Oliveira Santos (PE), frisou que o apoio à candidatura de Dilma, assim como em 2010, ocorreu por identificação de “projetos político-ideológicos” e disse, ainda, desconhecer qualquer prática de arrecadação de recursos que tenham sido efetivadas em desrespeito à legislação.

Argumento semelhante é defendido pelo presidente do partido no Ceará, Luís Carlos Paes, ao revisitar a história da legenda. Ele ressalta que as escolhas políticas do PCdoB levaram e levam em consideração três “questões fundamentais” que estão enraizadas à identidade da sigla: a defesa dos direitos sociais, a defesa da democracia e a defesa da soberania nacional.

“Ao longo de toda essa luta, o partido se posiciona em cada momento político, em cada batalha política, tendo em vista os seus objetivos maiores, mas levando em conta as circunstâncias de cada batalha política, procurando acumular forças”, salienta o dirigente, filiado ao PCdoB desde 1979, quando o partido ainda existia na clandestinidade, já que a legalização veio apenas em 1985. Ele explica que o apoio a candidatos é sempre definido após avaliação política em torno de questões programáticas.

Quem mostra afinidade com o mesmo discurso é o deputado federal cearense Chico Lopes, que, no ano que vem, chega aos 50 anos de trajetória dentro da sigla comunista e diz que nela deve permanecer “até morrer”. “Nós não fizemos nenhuma aliança com o DEM, fizemos aliança com o Roberto Cláudio, com o partido dele, que é do nosso campo”, pondera, ao ser questionado sobre as críticas que a legenda recebeu em 2016.

“Como achamos importante a eleição do Roberto Cláudio, não podemos estar decidindo pelos partidos e, portanto, aceitamos fazer aliança com o Roberto Cláudio, mesmo que o DEM estivesse na vice(-prefeitura, com Moroni Torgan), e tem se demonstrado que o relacionamento não tem tido dificuldade”, acrescenta o parlamentar.

Para Chico Lopes, o PCdoB, atualmente, tem consciência de que é um partido “pequeno, mas respeitado”. “Nesses últimos anos, o PCdoB tem se afirmado. Existe muito anti-comunismo, não declarado, velado, mas temos dado a nossa contribuição à democracia e temos muita responsabilidade”, exalta ele. “Diante de toda essa corrupção, disso, daquilo, não temos ninguém nosso envolvido. Temos nosso nome como deputado honesto. O partido tem erros, claro. É formado por gente, tem erros, mas procuramos resolver na prática”, completa.

Questionado sobre quais seriam esses erros, ele aponta equívocos “de cálculo” que acabam prejudicando a sigla em disputas eleitorais. “A gente pensa que vai ter ‘x’ votos e não temos, por conta do tipo de eleição no Brasil, que é muito complicado na proporção que, na nossa estrutura, vivemos com renda do Fundo Partidário e com renda da contribuição dos nossos militantes, sempre com dificuldade, e nisso às vezes a gente comete erros de avaliação”, afirma.

Diálogo com movimentos

Atualmente oposição em âmbito federal, após compor a base do governo ao longo dos mandatos petistas, no Ceará o PCdoB é parte da gestão estadual e, em Fortaleza, do governo municipal. Secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda faz questão de dizer que “o PCdoB teve papel muito destacado no debate dos rumos do Estado”, especialmente desde que atua na legalidade.

Em esfera nacional, ele nega que, assim como já afirmaram alguns petistas sobre o PT, houve algum afastamento do PCdoB em relação aos movimentos sociais quando chegou ao governo por eventuais decisões guiadas por pragmatismo.

“O que está em discussão não é que estando no governo você é mais governo e menos movimento, e estando fora você é só movimento. Veja: nós estávamos na oposição ao governo do Fernando Henrique, mas defendemos junto com o ministro da Saúde da época a aprovação da CPMF. Alguns partidos da esquerda ficaram contra, simplesmente porque era uma proposta do governo. Nós não somos governo, nós dizemos que somos o nosso País”, diz. “Tem que ter noção do que é mais estratégico”, avalia.

Filiado ao PCdoB desde 1985, Inácio Arruda conta que começou a militar no partido em 1981, quando “nem o próprio nome podíamos usar”, lembra. A conquista da legalidade, segundo ele, é uma das mudanças que mais fortaleceram a legenda nos últimos anos.

“Nossa militância na clandestinidade era de uma maneira, e tudo isso alterou-se completamente. A clandestinidade é algo que prejudica muito a atividade política de qualquer cidadão e cidadã. É doloroso não poder expressar a sua opinião”, relata. Hoje, contudo, diante de um “golpe” que, segundo ele, ainda está em curso, o PCdoB deve apostar na formação de uma “frente ampla” que se apresente para a disputa de 2018.

Rejeição ao isolamento

“Nós temos que ter capacidade de ampliar muito a nossa força, porque o adversário conta com muitas estruturas, então você precisa ter a compreensão de que a frente política tem que ser maior. Não pode ser só a esquerda. (Se for) só a esquerda, ela pode ficar isolada da disputa eleitoral”, opina. No Ceará, segundo Inácio, a intenção do PCdoB, para 2018, é manter a aliança com o governador Camilo Santana (PT) e estar presente na chapa majoritária que deve disputar reeleição ao Governo do Estado.

Já nacionalmente, ele diz que a sigla tem discutido internamente a viabilidade de lançar candidatura própria à Presidência da República, mas salienta que um diálogo ainda deve ser buscado com PDT e PT.

O ex-senador é simpático à formação de alianças. Ele avalia que, nos últimos anos, o PCdoB teve mais acertos do que erros quando firmou acordos com outras forças partidárias, portanto, sustenta que o partido deve ir na contramão de um isolamento. “A dificuldade na política é isolamento, então sempre que a gente se isola, você sofre mais, e ao sofrer uma derrota e se isolar, você deixa de ajudar um projeto maior”, considera Inácio.

Amadurecimento

A deputada estadual Augusta Brito, primeira mulher a chegar à Assembleia cearense pelo PCdoB, também diz que, para as eleições do ano que vem, a meta é ampliar representatividade, inclusive no Legislativo. “Eleger mais deputados, tanto estaduais, que a gente quer aumentar, hoje só temos dois; como federais, que a gente só conseguiu um e quer recuperar a outra vaga que a gente tinha antes, com o João Ananias”, menciona.

Luís Carlos Paes, por sua vez, reflete que o partido amadureceu e, por isso mesmo, entende a necessidade de uma “política ampla”, mas sem desfazer-se dos objetivos que tem. “Entendemos que hoje não basta uma frente de esquerda para resolver o problema. Você precisa, no Brasil, unir forças mais amplas, políticas e sociais, que queiram tirar o País desse buraco onde se meteu e construir um projeto que seja voltado para os interesses nacionais e para o povo trabalhador, e não um projeto que só beneficie banqueiros, empresários, e a maioria do povo fica de fora”.

Tal amadurecimento, para Augusta Brito, só fortalece “a cara” do PCdoB que, segundo ela, mantém como prioridade a defesa das causas sociais. “É a mesma coisa que já vinha sendo há muito tempo com as questões das lutas, das conquistas, desde o sofrimento de não poder fazer uma reunião; até agora, quando o PCdoB, no Estado do Ceará, conseguiu chegar a cargos executivos, não só parlamentares, onde pode tentar implementar um pouco mais da sua ideologia”.