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Tag: Eleições 2016


09:35 · 06.02.2017 / atualizado às 09:35 · 06.02.2017 por

Por Miguel Martins

Coordenador do Caopel, Emmanuel Girão destaca que doações de campanha fraudulentas estão entre as irregularidades investigadas Foto: José Leomar

Apesar de as eleições municipais terem sido encerradas no dia 30 de outubro do ano passado, quando houve segundo turno, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) segue em diligências, investigando casos de supostas fraudes ocorridas durante e após o pleito de 2016. De acordo com o coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (Caopel) do MPCE, o promotor de Justiça Emmanuel Girão, a maior dificuldade enfrentada pelo órgão é a diminuição nos prazos, que impossibilitou ações da Justiça Eleitoral que ainda estão em curso.

As principais fraudes encontradas estão relacionadas a compra de votos, como no caso recente de cassação do diploma da vereadora Lucimar Martins (PTC), conhecida como Bá, pela Justiça Eleitoral, além de abuso de poder econômico e de poder político. Algumas ações foram ajuizadas, mas, segundo Girão, após o período eleitoral as tramitações tendem a ficar menos céleres. “O grande problema dessas eleições foi a redução da campanha, pois não houve tempo adequado para se apurar, principalmente, uma coisa nova que ainda estamos apurando, que são doações fraudulentas”.

O promotor lembra que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou à Receita Federal uma relação de todos os doadores de campanha para se certificar se aquelas doações não ultrapassaram o limite de 10% dos rendimentos brutos do ano anterior, como prevê a legislação.

A Receita tem até o dia 30 de junho para comunicar ao TSE os casos suspeitos e, em seguida, o Ministério Público terá até o dia 31 de dezembro para entrar com representações, caso sejam confirmadas as irregularidades. Se forem julgadas procedentes as denúncias, os candidatos serão condenados a pagar multa e, a partir de decisão de órgão colegiado, tornam-se inelegíveis por até oito anos.

O próprio presidente da República, Michel Temer (PMDB), tem condenação desta natureza, visto que em 2014 doou acima do limite permitido para um candidato de São Paulo. “Os promotores estão atuando nas ações que estão em andamento. A ação da vereadora Bá, por exemplo, foi julgada por juiz de primeiro grau, mas existem outras ações como essa em todo o Estado. A qualquer momento pode-se cassar mandato de um prefeito ou vereador, visto as muitas ações em andamento”, explicou.

Girão ressalta que muitos dos crimes cometidos ainda estão sendo apurados, pois não prescreveram. Como pessoas jurídicas não podem mais doar aos candidatos, há indícios de pessoas físicas que teriam sido utilizadas para “mascarar” o verdadeiro doador. Segundo o promotor, no Ceará, existem casos de empregados de empresas que fizeram doação para candidatos a prefeito, além de servidores de prefeituras que realizaram doações no mesmo dia, em mesmo horário, e às vezes até com os mesmos valores.

Falsidade ideológica

O promotor relata que coordenadores de campanha chegaram a justificar que os doadores “não queriam ter o trabalho” de fazerem a doação e o procedimento teria sido realizado pelos próprios representantes do candidato. Segundo ele, nesses casos, demanda-se uma investigação que pode chegar, inclusive, à cassação do mandato por crime de falsidade ideológica eleitora.

De acordo com Emmanuel Girão, com novas regrais eleitorais, que passaram a valer após minirreforma na legislação ocorrida em 2015, surgiram novas irregularidades, mas também novos mecanismos de investigação de delitos. O Ministério Público Federal (MPF), por exemplo, desenvolveu um sistema, o Sisconta Eleitoral, que está investigando as doações eleitorais e enviando dados para auxiliar os promotores. Há casos suspeitos, por exemplo, de beneficiários do programa Bolsa Família e de pessoas recebendo o Seguro Desemprego que fizeram doações para campanha de candidatos, o que seria inviável.

Para o coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral, a estrutura do Ministério Público não é a ideal, mas “com criatividade” se consegue trabalhar dentro das limitações. Emmanuel Girão destaca que, para as eleições municipais de 2020, haverá melhoria para o trabalho do Ministério Público, visto que foi aprovado na Assembleia Legislativa, no ano passado, o repasse de 15% das custas judiciais e extrajudiciais e de 5% dos emolumentos cartorários arrecadados no Estado ao Fundo de Modernização e Reaparelhamento do Ministério Público do Estado do Ceará.

Problemas

Segundo o promotor, um dos principais problemas do pleito de 2016 ocorreu em Fortaleza, uma vez que policiais militares teriam trabalhado em prol de uma das candidaturas postas e isso provocou uma reação dos juízes cearenses, que solicitaram a atuação da Força Nacional. Em 2014, a questão foi o aquartelamento das tropas militares, o que gerou a necessidade de se colocar um promotor eleitoral na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). A ação foi repetida no pleito do ano passado.

Emmanuel Girão afirma também que, no pleito municipal de 2016, mais uma vez candidaturas femininas foram lançadas em diversos municípios apenas para cumprir a legislação quanto à chamada cota de gênero. “A fraude existe porque o partido deveria, dentro de seus quadros, incentivar as mulheres na vida pública. Eles não se esforçam para isso e pedem par a o candidato homem conseguir uma mulher, que geralmente, não é candidata, não faz campanha, e no final não tem voto”, denuncia.

11:16 · 20.11.2016 / atualizado às 11:16 · 20.11.2016 por
O sistema de identificação do eleitor, por meio da biometria, começou a ser implantado no Ceará, em 2009, no município do Eusébio Foto: Érika Fonseca
O sistema de identificação eleitoral, por meio da biometria, começou a ser implantado no Ceará, em 2009, no município do Eusébio. Na foto, de 2014, eleitores eusebianos fazem assinatura biométrica antes de votar Foto: Érika Fonseca

A possibilidade de votar com identificação biométrica, que nas eleições deste ano atingiu 34,78% do eleitorado cearense (ou quase 2,2 milhões de eleitores, em 98 municípios do Estado), estará disponível para mais eleitores de mais 83 cidades do Ceará, a partir de segunda-feira (21).

As informações foram divulgadas em nota do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).Nas eleições municipais de 2016, um total de 62 municípios teve votação realizada com 100% de seus eleitores utilizando a identificação biométrica. Em outros 34 essa modalidade de assinatura eleitoral foi facultativa, entre eles, Fortaleza, por exemplo. Na Capital, 16% do eleitorado usou a biometria ao votar.

Nas cidades onde a votação é facultativa, o cadastramento eleitoral com biometria será reaberto também nesta segunda. Com a inclusão de mais 83 municípios nesse processo, o TRE-CE projeta alcançar a meta de 75% de eleitores cearenses cadastrados biometricamente até o pleito de 2018 e 100% em 2020. O cadastro nas cidades que iniciarão a implantação do sistema será facultativo, contudo.

Apenas os eleitores de cinco das 184 municípios cearenses terão de aguardar um pouco mais para aderir à biometria. As cidades de Beberibe, Quixeramobim, Pereiro, Massapê e Senador Sá não vão iniciar ainda o cadastramento biométrico, segundo o Tribunal, “por conta da falta de espaço físico para a instalação dos kits nesses cartórios”. O órgão justifica, porém, que já estão sendo tomadas providências “no sentido de viabilizar, em breve, o recadastramento dos eleitores desses municípios”.

Além do intuito de promover a modernização do sistema de identificação eleitoral no Estado, o TRE-CE aponta como motivo para ampliar o uso da biometria nos municípios cearenses um levantamento do órgão que indica haver menos abstenção nas cidades que já implantaram o recadastramento biométrico.

Abstenção e ausência da biometria

Conforme o órgão, 56 dos 62 municípios onde esse sistema já é obrigatório tiveram índices de abstenção inferiores a 10% nas eleições deste ano. Para efeitos comparativos, a média nacional de eleitores faltosos (considerados os dois turnos) ficou em 17%, no pleito de 2016. Já a média cearense de abstenção ficou em 18,77%.

Em Fortaleza, por exemplo, onde a biometria é facultativa, o índice de abstenção no 1º turno ficou em 17,04% e no 2º turno foi ainda maior: 18,6%. Em Caucaia, município que também adotou o cadastramento biométrico facultativo, a taxa de eleitores faltosos foi de 15,41% na primeira etapa eleitoral e de 20,07% na fase final do pleito.

Já o município de Ipueiras, um dos que não teve identificação biométrica neste ano, foi o sexto do Brasil com maior taxa de abstenção. Um total de 31,64% dos eleitores de lá deixaram de ir às urnas em 2016, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O eleitorado ipueirense poderá, contudo, optar pelo cadastramento biométrico, a partir desta segunda.

Processo de recadastramento

De acordo com o TRE-CE, o processo de recadastramento eleitoral, incluindo a identificação biométrica, poderá ser feito, na Capital, de segunda a sexta-feira, no horário das 8h às 17h, e no Interior, também em dias úteis, mas das 8h às 14h.

Ainda segundo o Tribunal, o eleitor pode agendar data e horário de atendimento, por meio de uma central telefônica: o Disque Eleitor, cujo número é 148. O sistema funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Outra opção é o agendamento (24h por dia) pelo site do TRE-CE.

Histórico

O sistema de identificação eleitoral, por meio da biometria, começou a ser implantado no Ceará, em 2009, no município do Eusébio, com o cadastramento de 21.746 eleitores. Em 2013, mais sete municípios aderiram à biometria, o que ampliou o número total no Estado para 426.309 eleitores.

Nos últimos três anos, outros 90 municípios cearenses e cerca de 1,8 milhão de eleitores foram recadastrados e puderam passar a fazer assinatura eleitoral biometricamente.

09:29 · 05.11.2016 / atualizado às 09:29 · 05.11.2016 por

Por Edison Silva

Roberto Cláudio venceu as duas últimas eleições sendo a primeira, em 2012, como candidato da oposição à prefeita Luizianne Lins Foto: José Leomar
Roberto Cláudio venceu as duas últimas eleições sendo a primeira, em 2012, como candidato da oposição à prefeita Luizianne Lins Foto: José Leomar

Venceu o melhor. Roberto Cláudio (PDT) tem sido, de fato, um dos melhores prefeitos de Fortaleza nas últimas décadas. O mandato consecutivo tem mostrado a história, é mais difícil que o anterior e, por certo, a partir de janeiro do próximo ano, o prefeito há de se superar para vencer os empecilhos trazidos pelas consequências negativas da economia, responsáveis pelo empobrecimento da população e daí as cobranças por mais e melhores serviços nas áreas da Saúde e da Educação, por parte das muitas famílias que não mais podem pagar um plano de Saúde e a escola particular.

Além disso, a população cobra mais do que vem sendo feito em todos os demais setores da administração, obrigando ao governante, não apenas dar continuidade às ações coadjuvantes de sua reeleição, mas avançar nelas e produzir outras novas, não só para atender as necessidades cada vez mais crescentes da população, como, e principalmente, para contentar o eleitorado que apostou no prefeito fazer mais e que para ele, partícipe do sucesso, valeu a pena não engrossar o cordão oposicionista que é tão alargado em Fortaleza, como têm mostrado os resultados das últimas eleições com as expressivas votações alcançadas pelos candidatos que confrontam os governistas.

A propósito, cabe observar, para desmistificar os incensos dirigidos aos reconhecidos como mais oposicionista dos candidatos pelos eleitores, a votação a ele dada é contra o governista, de protesto, não um reconhecimento de ser o opositor um líder para merecer o seu voto em disputas futuras.

Segurança

Os exemplos são muitos: Juraci Magalhães, antes de se reeleger, elegeu sucessor, no momento representando a oposição ao Governo Tasso Jereissati. Depois, não conseguiu se eleger deputado federal. Luizianne se reelegeu, os fortalezenses não enxergaram nos seus opositores um verdadeiro e competente oposicionista para derrotá-la. A votação que teve para se eleger deputada federal, em 2014, foi ínfima em Fortaleza.

E mais. O deputado federal Moroni Torgan, hoje eleito vice-prefeito, responsável pela introdução do tema Segurança ao debate na eleição municipal, como oposição chegou até a disputar um segundo turno, mas não alcançou o reconhecimento de ser um oposicionista capaz de administrar a Capital ou ter um outro mandato majoritário. Ele tem tido muito boa votação para deputado federal. E por último, mas recentemente, em 2012, o deputado estadual Elmano de Freitas, que obteve 576.435 sufrágios na disputa com Roberto Cláudio pela Prefeitura de Fortaleza, acabou, dois anos depois, com uma votação pífia, na Capital, para o Legislativo estadual: 28.888. Heitor Férrer está no mesmo barco. O eleitor não o reconhece como um opositor capaz de chegar à Prefeitura.

Assim, os votos do eleitor fortalezense contra os candidatos da situação não são daqueles que representaram a oposição no momento da disputa, são, como se tem constatado, de qualquer um adversário do Governo de plantão. Dessa forma, essa votação não credencia ninguém a ser chamado de líder oposicionista, e muito menos é garantia para o sucesso de uma disputa majoritária futura.

 

09:23 · 05.11.2016 / atualizado às 09:23 · 05.11.2016 por

Por Miguel Martins

Augusta Brito (PCdoB) participou da campanha e elegeu o pai, Augusto Brito, em Graça; e o esposo, Gadyel Gonçalves, em São Benedito Foto: Fabiane de Paula
Augusta Brito (PCdoB) participou da campanha e elegeu o pai, Augusto Brito, em Graça; e o esposo, Gadyel Gonçalves, em São Benedito Foto: Fabiane de Paula

Passados o primeiro e o segundo turnos da campanha eleitoral deste ano, lideranças políticas e parlamentares fazem um balanço do desempenho dos correligionários na eleição, a primeira com mudanças na legislação eleitoral que incluíram menor duração e menos recursos para os postulantes. A maioria dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Ceará comemora o resultado do pleito, visto que, além de terem elegido familiares, alguns até conquistaram a efetividade na Casa.

A petista Rachel Marques, por exemplo, que não foi eleita no pleito de 2014, ficou na suplência. No entanto, com a eleição do deputado estadual Naumi Amorim (PMB) para a Prefeitura de Caucaia, no último domingo, ela acaba sendo efetivada no cargo de parlamentar. Rachel Marques tem, ainda, outro motivo para comemorar, uma vez que o esposo, Ilário Marques, foi eleito e retornará à administração da Prefeitura de Quixadá, reduto eleitoral do casal.

Fernando Hugo (PP) foi outro que, após mais de duas décadas como deputado estadual, não conseguiu se eleger no pleito passado, ficando também na suplência. Com os resultados das urnas, o parlamentar também deve ser efetivado no Poder Legislativo. Após duas tentativas, ele também conseguiu eleger o filho, Renan Colares (PDT), para o cargo de vereador na Câmara Municipal de Fortaleza.

Já Augusta Brito (PCdoB) se licenciou por quatro meses da Casa para se dedicar à eleição do pai, Augusto Brito (PCdoB), em Graça; e do esposo, Gadyel Gonçalves (PCdoB), em São Benedito. A parlamentar conseguiu eleger os dois nos respectivos municípios. Com a eleição de Naumi Amorim, em Caucaia, no último domingo, ao todo foram eleitos cinco deputados da Assembleia.

Prefeitos

No primeiro turno, já tinham se consagrado vitoriosos Ivo Gomes (PDT), em Sobral; Laís Nunes (PMB), em Icó; Zé Ailton Brasil (PP), no Crato; e Carlomano Marques (PMDB), em Pacatuba. Ainda no campo dos vitoriosos está o deputado Audic Mota (PMDB), que conseguiu eleger o primo, Carlos Windson (PR), no município de Tauá, contra a atual prefeita Patrícia Aguiar (PMB), que é mãe do deputado federal Domingos Neto (PSD).

José Sarto (PDT), por sua vez, ajudou a eleger o irmão, Elpidio Nogueira (PDT), bem como Antônio Henrique (PDT), com quem tem parceria há algum tempo, para a Câmara Municipal de Fortaleza. Lucílvio Girão (PP) ajudou o irmão, Luciram Girão (PDT), e também teve participação na vitória do prefeito eleito da cidade de Maranguape, João Paulo Xeres (PHS).

Walter Cavalcante (PP) colocou dois irmãos para disputarem uma das 43 vagas da Câmara Municipal, mas somente Frota Cavalcante (PTN) se consagrou vitorioso. Carlomano Marques foi eleito prefeito de Pacatuba, mas a irmã, Magaly Marques (PMDB), não alcançou reeleição como vereadora da Capital.

Outros municípios

Apesar de ter perdido a Prefeitura de Maracanaú, Júlio César Filho (PDT) ajudou a eleger o pai, Júlio César, ao cargo de vereador naquele município. Sérgio Aguiar (PDT) se dedicou à candidatura da esposa, Mônica Aguiar (PDT), à reeleição, em Camocim, e se consagrou vitorioso. Fernanda Pessoa (PR) ajudou o pai, Roberto Pessoa (PR), que se elegeu vice-prefeito de Maracanaú.

Por outro lado, também há lideranças políticas que perderam em seus colégios eleitorais, como é o caso do deputado Gony Arruda (PSD), que viu a mãe, Cármen Arruda (PSD), perder em Granja, e do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque (PDT), que não conseguiu a reeleição para o filho, Antônio José, em Massapê. Lá, o vitorioso foi o irmão de Zezinho, o ex-prefeito Jacques Albuquerque.

Tomaz Holanda (PMDB), que se envolveu na disputa pela Prefeitura de Quixeramobim, não conseguiu eleger a esposa para a Câmara Municipal de Fortaleza, assim como Bruno Pedrosa (PSC), que tentou emplacar a mãe, mas não obteve êxito.

09:11 · 04.11.2016 / atualizado às 09:11 · 04.11.2016 por

Por Antonio Cardoso

Capitão Wagner, que foi candidato pelo PR, argumentou que, na última campanha, conseguiu “desconfigurar” imagem de monotemático Foto: Natinho Rodrigues
Capitão Wagner, que foi candidato pelo PR, argumentou que, na última campanha, conseguiu “desconfigurar” imagem de monotemático Foto: Natinho Rodrigues

Na sessão de ontem da Assembleia Legislativa, dois parlamentares que disputaram o segundo turno das eleições municipais usaram da tribuna para falar do processo que findou no último domingo. O primeiro a se pronunciar foi o deputado Capitão Wagner (PR) que, em Fortaleza, perdeu para Roberto Cláudio (PDT). Ele agradeceu a todos os eleitores que nele votaram. “Agradeço aos cidadãos que me deram a oportunidade de fazer um debate franco, na quinta maior capital do País”, colocou.

Wagner lembrou que há seis anos estava na tribuna, assumindo o cargo de deputado como suplente substituindo Fernanda Pessoa. “Não imaginava que seis anos depois estaria concorrendo à Prefeitura. Hoje, encho o peito de orgulho por ter liderado um movimento em que buscamos envolver toda a cidade”, disse, citando os partidos que formaram coligação com o PR – PSDB, PMDB e Solidariedade.

Sem citar nomes, o parlamentar criticou o posicionamento de pessoas a quem chamou de “críticos da política”. “Muitos diziam que eu não seria mais do que um fenômeno e que na sequência cairia, como muitos outros caíram, por falta de trabalho”, declarou. Ele defendeu, ainda, que durante a campanha conseguiu “desconfigurar” a imagem de que era monotemático.

“Tentei fugir do tema segurança pública, embora as pessoas não deixassem e, por vezes, quase pedi para mudarmos de assunto quando era questionado sobre a segurança”, relatou. “Tivemos várias oportunidades de discutir também assuntos voltados para a saúde, a crise do País, educação, cultura e transporte público”, completou.

Preconceito

Destacando os 588.451 votos recebidos no segundo turno, Wagner disse ainda ter lidado com preconceito por ser policial militar. “Há discriminação quando dizem que um Capitão da Polícia não tem capacidade de administrar uma cidade. Mesmo com muita gente contra, conseguimos disputar com a campanha mais cara do País e estivemos bem perto”, avaliou, acrescentando como outro fator frustrante o “jogo baixo” apresentado na campanha, principalmente nas redes sociais da internet.

Colega de bancada do PR, a deputada estadual Fernanda Pessoa parabenizou Capitão Wagner e, apesar de ter classificado a disputa como árdua e cheia de provações, considerou a campanha do correligionário como “uma campanha linda”.

Caucaia

O outro deputado estadual que concorreu no segundo turno foi Naumi Amorim (PMB). Ele conseguiu bater Eduardo Pessoa (PSDB) e ganhou o direito de governar o município de Caucaia nos próximos quatro anos. “A campanha foi cheia de calúnia, mas quem planta o bem colhe o bem. Desta forma a população de Caucaia me abraçou e deu seu voto de confiança, apostando na mudança”, ressaltou.

“Políticos desonestos acham que o eleitor ainda se vende, mas em Caucaia eles não se venderam. Se fosse para ser eleito com base na compra de votos jamais conseguiria”, acrescentou o parlamentar. Naumi foi parabenizado por vários colegas da Casa pela conquista nas urnas.

12:52 · 03.11.2016 / atualizado às 12:52 · 03.11.2016 por

Após a derrota no segundo turno das eleições municipais de Fortaleza, o deputado Capitão Wagner (PR) discursou  da tribuna na Assembleia Legislativa do Ceará, na manhã de hoje, pela primeira vez desde o pleito.

“Subo à tribuna para agradecer ao cidadão de Fortaleza que me deu a oportunidade de fazer um debate importante”, disse o parlamentar ao citar também o grupo político que o apoiou, como o PSDB do senador Tasso Jereissati, o PMDB do senador Eunício Oliveira e o Solidariedade do deputado federal Genecias Noronha.

Durante o discurso, Wagner fez um breve histórico da trajetória política. “Queria registrar que há seis anos atrás estava nessa tribuna para assumir o cargo de deputado na qualidade de suplente. Não imaginava que seis anos depois estaria concorrendo à prefeitura”, relatou.

09:10 · 03.11.2016 / atualizado às 09:10 · 03.11.2016 por

Por Antonio Cardoso

Acrísio Sena conversa com o seu colega Deodato Ramalho ao lado de Guilherme Sampaio, no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza Foto: José Leomar
Acrísio Sena conversa com o seu colega Deodato Ramalho ao lado de Guilherme Sampaio, no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza Foto: José Leomar

O vereador Acrísio Sena disse, no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, na última terça-feira, esperar que a direção municipal do PT convoque o mais rápido possível os seus dirigentes e apresente um posicionamento, além de balanço do primeiro e do segundo turno da eleição na Capital cearense.

“Precisa redimensionar os rumos do partido em Fortaleza. Como acompanho pela imprensa dirigentes e parlamentares de nosso partido emitindo opiniões e antecipando posições, eu, como vereador reeleito, também me acho no direito de emitir meu ponto de vista. Até porque, se um partido optou entre dois caminhos, do voto nulo e do apoio ao atual prefeito Roberto Cláudio, é claro que esses procedimentos vão influenciar na tomada de decisão para o futuro”.

Acrísio disse que cada caminho escolhido pelas correntes do partido ocorreu de maneira influenciada. “Eu disse na tribuna que nós não poderíamos desvincular a disputa de 2016 da de 2018. Disse que o segundo turno seria a ante sala de 2018, e está comprovado que as mesmas forças que se enfrentam em Fortaleza, neste ano, se enfrentarão em 2018”, analisou. “O arco de aliança que está em nível nacional em torno do governo Temer, com PSDB, PMDB, PR, que são oposição ao governador Camilo Santana, deverão ser também aqui em Fortaleza, e se enfrentarão daqui a um ano e meio quando começa o debate”.

Retrovisor

Na avaliação do petista, o seu partido, que luta pelo processo de reconstrução, inclusive com correntes pedindo congresso extraordinário, hoje precisa muito mais de um “farol de milha” do que um “retrovisor”. “Essa política do retrovisor, de olhar para trás, para o processo que vem desde 2012, eu acho um equívoco. Temos que levar em consideração que temos um governador que está enfrentando todos os desafios com a segurança, com a seca e problemas de caixa para pagar o funcionalismo. Não vamos levar em consideração essa realidade?”, questionou.

“Acho equívoco. Até porque os dois principais partidos hoje no Estado, o PT e o PDT, têm mantido postura em nível nacional de enfrentamento ao governo Temer e aqui eles dão sustentação ao governo de Camilo. Então acho que chegou a hora de pararmos e enfrentarmos esse debate com perspectiva e olhar de futuro, sob a necessidade do Partido dos Trabalhadores se reconstruir e ter projeto, inclusive para Fortaleza”, opinou.

Segundo Acrísio Sena, o resultado das eleições na Capital impõe a necessidade urgente de se apresentar um projeto para o PT de Fortaleza. “Que construa unidade, na perspectiva de direção coletiva e que se reencontre nos movimentos sociais. Esse projeto que ainda trabalha com olhos voltados para o resultado da eleição de 2012, para nós não interessa”, disse.

Após o posicionamento de Acrísio, o vereador petista Guilherme Sampaio subiu à mesma tribuna para dizer que o colega havia trabalhado para Roberto Cláudio no segundo turno e que, portanto, não lhe soava como surpresa se posicionar de tal maneira. “As declarações são públicas e ele as tem colocado para o partido já há algum tempo. Apenas me sinto na obrigação de discordar, uma vez que considero que o PT não deveria fazer essa discussão na tribuna da Câmara, na terça-feira depois da eleição municipal”.

Guilherme apontou que, se Acrísio compreende que é urgente uma discussão do partido, avaliação dos resultados eleitorais, ele tem seu apoio. “Vamos convocar diretório e executiva para fazer isso. Mas se a fala quer dizer discutir, dois dias após o resultado da eleição, eventual relacionamento da bancada do Partido dos Trabalhadores, que fez quatro anos de oposição à atual administração, discordo radicalmente. Não que a discussão seja ilegítima, mas que não seja feita na tribuna da Câmara”.

Deodato Ramalho se acostou às reflexões de Guilherme, sobretudo quando disse que não seria “o momento adequado para debater as nossas questões internas ou fazer balanço do resultado eleitoral, incluindo a perspectiva do partido em Fortaleza”.

Deodato disse que acabou ajudando na eleição de Roberto Cláudio. “Fiz isso no amanhecer do dia da eleição. É a minha posição, inclusive, expressada na Câmara em relação ao segundo turno. Eu pontuava que tinha a tendência de anular também meu voto para a eleição de prefeito, mas adverti que se eu sentisse que havia algum perigo de o Capitão Wagner (PR) ganhar a eleição, eu me renderia a uma necessidade maior”, colocou.

09:10 · 03.11.2016 / atualizado às 09:10 · 03.11.2016 por

Por Miguel Martins

A campanha de Tin Gomes (PHS) é a que apresenta a maior diferença entre os recursos recebidos e as despesas que foram contratadas Foto: José Leomar
A campanha de Tin Gomes (PHS) é a que apresenta a maior diferença entre os recursos recebidos e as despesas que foram contratadas Foto: José Leomar

Terminou na terça-feira passada o prazo para prestação de contas do primeiro turno dos candidatos que disputaram as eleições municipais em todo o País neste ano. Com a proibição de financiamento por pessoa jurídica, a disputa em Fortaleza, que contou com a participação de oito postulantes, evidenciou disparidade entre as duas principais campanhas, que foram para o segundo turno, e as demais. Os dois candidatos que disputaram o segundo turno precisam prestar contas até o próximo dia 19.

Capitão Wagner (PR) e Roberto Cláudio (PDT) foram os candidatos com maior arrecadação e despesa nas eleições de 2016, como mostram os dados do primeiro turno, enquanto que Francisco Gonzaga (PSTU) e João Alfredo (PSOL) foram aqueles que menos conseguiram arrecadar. De acordo com Rodrigo Cavalcante, da Secretaria de Controle Interno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), até ontem, só haviam sido recebidas as prestações de contas de cinco dos oito candidatos.

Segundo ele, só apresentaram contas Francisco Gonzaga, Roberto Cláudio, Ronaldo Martins (PRB), Capitão Wagner e João Alfredo. Os documentos de Luizianne Lins (PT), Heitor Férrer (PSB) e Tin Gomes (PHS) ainda não foram encaminhados. No entanto, na plataforma DivulgacandContas, disponível no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há registro de seis, com exceção de Roberto Cláudio e Capitão Wagner, visto que disputaram o segundo turno.

Rodrigo Cavalcante explica que isso ocorre porque há um registro eletrônico feito diretamente pelos postulantes no site do TSE, não necessitando, portanto, encaminhamento na forma física ao TRE. O deputado estadual Tin Gomes arrecadou quase R$ 297 mil, no entanto, o total de despesas da campanha chegou a mais de R$ 517 mil.

Doadores

Somente a direção nacional do PHS destinou R$ 100 mil para o candidato, e logo em seguida vieram doações feitas por correligionários, amigos e parentes do postulante. Tin doou para si mesmo R$ 14 mil. Já as despesas, que somam R$ 517.506,13, foram distribuídas, principalmente, em produção de programas eleitorais em rádio e televisão e contratação de empresas para material impresso, assim como confecção de roupas padronizadas.

Heitor Férrer (PSB) esperava conseguir pelo menos R$ 900 mil em doações, como em 2012, quando estava no PDT e disputou a Prefeitura. No entanto, o pessebista só obteve R$ 363,9 mil. E, conforme o DivulgacandContas, gastou todos os recursos na campanha, ainda ficando devendo a fornecedores. As despesas de Férrer contabilizaram mais de R$ 371,4 mil.

Ronaldo Martins arrecadou mais de R$ 813 mil e gastou pouco mais de R$ 775 mil. A economia do parlamentar na campanha foi de quase R$ 39 mil. Martins não seguiu para o segundo turno da disputa na Capital cearense, quando apoiou o candidato Roberto Cláudio (PDT), que se consagrou vitorioso no domingo passado.

Praticamente todos os recursos para a campanha do candidato do PRB foram oriundos do Fundo Partidário: R$ 777 mil foram repassados para a campanha de Ronaldo, o que representou 95% dos recursos direcionados a ele. O postulante desembolsou R$ 21 mil para a própria campanha. Dentre as despesas, R$ 309 mil foram investidos somente em programas de TV, e mais de R$ 211 mil com gráfica.
Ele ainda desembolsou R$ 42 mil para a campanha do candidato a vereador Gelson Ferraz (PRB), que não foi reeleito para a Câmara Municipal.

Outros R$ 27,7 mil foram doados para o candidato Ricardo Ferreira, do PRB, que também não se elegeu. No entanto, Ronaldo Martins alugou seus veículos para a própria campanha, e com isso acabou por receber R$ 21,1 mil.

Diminuição

A direção estadual do PT doou R$ 350 mil e, ao todo, Luizianne teve R$ 1.312.350,00 para a campanha, o que corresponde a um décimo do que o partido arrecadou há quatro anos. As despesas somaram R$ 1.304.085,69. Só na produção de programas de rádio, televisão ou vídeo foram gastos R$ 830 mil, além de R$ 121 mil para publicidade e material impresso.

Com uma das candidaturas mais baratas da disputa deste ano, João Alfredo (PSOL) arrecadou pouco mais de R$ 149 mil, enquanto as despesas chegaram a R$ 141,7 mil. Francisco Gonzaga (PSTU) também teve participação modesta na campanha do primeiro turno, na qual arrecadou R$ 8,8 mil e gastou somente R$ 3,1 mil, tendo a melhor economia proporcional, visto que saiu da disputa com um saldo positivo de R$ 5,7 mil.

10:12 · 02.11.2016 / atualizado às 10:12 · 02.11.2016 por

Por Antonio Cardoso

No retorno às atividades na Câmara de Fortaleza, após a eleição de segundo turno, vereadores subiram à tribuna da Casa para destacar o resultado das urnas que deu mais quatro anos de mandato para o prefeito Roberto Cláudio (PDT). Além do embate principal, travado pelos integrantes da bancada petista, protagonizado por Acrísio Sena, Guilherme Sampaio e Deodato Ramalho, quando o primeiro defendeu apoio ao pedetista enquanto os outros rechaçaram a ideia, teve vereador usando o púlpito para comemorar, mas também para cobrar soluções.

O primeiro a se pronunciar sobre o pleito de domingo foi o vereador Robert Burns (PTC). Ele relatou que a eleição chegou ao fim e que, agora, seria a hora de esquecer as disputas e trabalhar para resolver os problemas existentes na Capital. “Roberto Cláudio foi reeleito e tem todas as condições de montar uma boa base para fazer uma nova Fortaleza. Precisa solucionar os problemas de moradia e saneamento”, apontou.

Robert alertou que o atual cenário é de dificuldade real e não de meras barreiras como as postas em campeonatos. “Temos que chamar à unidade, principalmente no que se refere à questão da falta de água. Precisamos que seja apresentado um plano para resolver isso, independente da campanha eleitoral que passou”. Sobre a disputa, analisou que venceu a democracia. “O adversário errou ao querer partir para a violência, o que o povo não aceitou”.

Sem partido, Toinha Rocha parabenizou ao prefeito reeleito e disse desejar que ele faça uma boa gestão. “Agora precisa corrigir os erros que, inclusive, já foram apresentados aqui nesta Casa, mas de forma propositiva, de maneira que a cidade avance e seu povo seja beneficiado”, lembrou. “O bom gestor é aquele que escuta as críticas, por isso temos que ocupar a política para construirmos uma cidade de todos nós”, colocou.

‘Baluarte’

Para ela, é importante atentar para o número de pessoas que disseram “não” ao atual sistema político. “Precisamos, com o crescente desencanto das pessoas. Isso ficou claro quando mais de quatro milhões de eleitores optaram pelas abstenções, quase um milhão de votos brancos e mais de 2 milhões de votos nulos”.

Outro que parabenizou Roberto Cláudio foi Zier Férrer (PDT). O vereador chamou o prefeito reeleito de “baluarte” e “guerreiro”. Ele afirmou que nos próximos quatro anos o gestor fará uma administração mais madura. “Roberto sabe dos pontos fortes e também dos fracos, pois na vida política é difícil conquistar a unanimidade. Sabemos que terá mais quatro anos para buscar recursos, aumentar o número de Areninhas e resolver os problemas que sabemos que existem na saúde”, disse

Marcos Aurélio (PSD) falou em felicidade atribuída à reeleição. Ele relatou que os vereadores da base governamental se empenharam nos últimos quatro anos, ajudando para a aprovação da gestão de Roberto Cláudio. “O prefeito sempre foi humilde para reconhecer o que precisa ser feito e sabe que precisa corrigir aquilo o que for necessário”.

Por sua vez, Gelson Ferraz (PRB) declarou que por algumas ocasiões sentiu medo de andar pelas ruas de Fortaleza a bordo de seu carro adesivado com a imagem de Roberto Cláudio. “Confesso que tive um certo receio e por vezes até medo de sair pedindo votos. No meu carro estava com adesivo e eu temia por minha família quando nos deparávamos com diversos camburões que nos olhavam com olhar de revolta. Mas a democracia nos dá o direito a escolha”, apontou.

O vereador falou da sensação que teve ao saber que o pessoal do Exército estaria presente nas ruas de Fortaleza assegurando a segurança dos eleitores. “Fiquei desconfortável, mas graças a Deus o Exército fez o seu trabalho e pude colocar a minha camisa amarela e sair nas ruas do bairro José Walter para votar com minha família”.

Didi Mangueira (PDT) apresentou um mapa mostrando onde o prefeito Roberto Cláudio acumulou mais votos, destacando que o pedetista teria sido votado em bairros nobres, assim como na periferia. “A história de que ele ganhou apenas na área nobre não condiz com a realidade. O Conjunto Ceará votou mais no Capitão Wagner, enquanto que no Serviluz o eleitor optou pelo prefeito”. O mesmo aconteceu em vários outros bairros da Capital.

10:10 · 02.11.2016 / atualizado às 10:10 · 02.11.2016 por

Por Miguel Martins

Fernando Hugo foi um dos que ocuparam a tribuna da Assembleia para comentar o resultado do segundo turno da disputa em Fortaleza Foto: José Leomar
Fernando Hugo foi um dos que ocuparam a tribuna da Assembleia para comentar o resultado do segundo turno da disputa em Fortaleza Foto: José Leomar

Deputados da Assembleia Legislativa do Ceará, da tribuna da Assembleia ou nos corredores da Casa, comentavam, ontem, as vitórias de Roberto Cláudio (PDT), em Fortaleza; e Naumi Amorim (PMB), em Caucaia. Os pedetistas comemoravam o desempenho do partido em todo o Estado, quando elegeu 51 prefeitos, enquanto que os opositores destacaram o crescimento de votos em 2016, todos de olho na disputa eleitoral de 2018.

O presidente do Poder Legislativo, Zezinho Albuquerque (PDT), afirmou que já esperava o resultado na Capital cearense, visto que em sua avaliação a população não deixaria de reconhecer o trabalho do prefeito na cidade. Segundo ele, não é fácil reeleger um gestor em meio a uma crise econômica, com aumento do desemprego e problemas na saúde e segurança pública. “Se reeleger em um clima desse de crise política e econômica foi muito difícil, mas o povo de Fortaleza reconheceu”, disse.

De acordo com Albuquerque, no dia da votação a presença das pessoas nas ruas foi muito marcante, o que em sua opinião faz parte da democracia. “A democracia é isso, uns ganham e outros perdem. Se fosse tudo carta marcada é que não valeria”, apontou. Sobre Caucaia, o pedetista lamentou que a cidade não tenha sido bem administrada nos últimos anos, o que fez com que a população escolhesse um novo nome para gerir a Prefeitura, neste caso o deputado Naumi Amorim, do PMB.

Ele afirmou ainda que o grupo liderado por Cid e Ciro Gomes saiu fortalecido, assim como toda a base aliada, o que viabilizará uma possível candidatura da sigla, em 2018, à Presidência da República. Segundo disse, apesar de ser cedo pensar no próximo pleito, concorda com as projeções de Ciro Gomes para a disputa presidencial. O deputado Sérgio Aguiar (PDT) lembrou que o PDT se consolidou como grande legenda do Estado com o ingresso do grupo político do qual faz parte, associado a siglas aliadas.

Obras

Conforme informou, os aliados do Governo Camilo Santana atingiram a marca de 140 prefeituras em todo o Estado. No entanto, o parlamentar ressaltou que não é apenas o resultado eleitoral que determina o que vem pela frente, visto que, dos 105 prefeitos que tentaram reeleição, só 45 deles conseguiram o sucesso da reeleição. “Isso não quer dizer que quem não logrou êxito não tenha importância. Queremos crer que vamos fortalecer o projeto do governador Camilo Santana para chegarmos bem preparados em 2018”.

O deputado Fernando Hugo foi outro que, da tribuna da Assembleia, saudou a reeleição do prefeito Roberto Cláudio, segundo ele, um dos melhores gestores de Fortaleza nos últimos anos, principalmente pelo grande volume de obras executadas em todos os bairros da Capital cearense. Antes de Fernando Hugo, o deputado Ely Aguiar, da mesma tribuna do Legislativo, já havia ressaltado a vitória do prefeito e a importância da continuidade da gestão.

Força

Para o vice-líder do Governo, Júlio César Filho (PDT), o resultado no Ceará consolida o nome de Ciro Gomes ao Governo Central, e a atração de outros governadores para o partido dará margem para continuidade do projeto da sigla pedetista. “Precisamos legitimar o nome que iremos apresentar, e o nome do Ciro é um desses. Ele saiu fortalecido no Ceará, pois fez um prefeito em sua cidade natal e na Capital”, enfatizou.

Audic Mota (PMDB), por outro lado, destacou que a eleição em Fortaleza mostrou a força do deputado estadual Capitão Wagner (PR) na Capital cearense. Segundo ele, perder a disputa por uma diferença de apenas 90 mil votos em meio a força da campanha do prefeito Roberto Cláudio foi, praticamente, uma “vitória” do republicano.

Segundo ele, Capitão Wagner não tinha dinheiro sequer para pagar fiscais ou para a disputa no segundo turno. Conforme destacou, o trabalho voluntário e as redes sociais foram fundamentais para a votação expressiva no segundo turno.

A deputada Silvana Oliveira (PMDB) afirmou que a candidatura de Wagner representou a “política nova”, com participação voluntária e dedicação do eleitorado ao seu candidato. “A história desse Estado começa a ser escrita em um tempo novo. Durante a Lava-Jato, a gente vê a inspiração dessa política sem dinheiro para começar a encantar. Não me arrependo de nada, porque o Capitão Wagner foi um vitorioso”, opinou.

12:12 · 01.11.2016 / atualizado às 12:13 · 01.11.2016 por

O deputado Roberto Mesquita (PSD) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará nesta terça-feira (1º) para parabenizar os vencedores do segundo turno das eleições municipais em Fortaleza e Caucaia e criticar os bancos com relação aos pequenos produtores.

Segundo o parlamentar, o prefeito Roberto Cláudio “teve o reconhecimento do seu trabalho em uma eleição disputada e enfrentando um ambiente político e econômico de crise”. Mesquita afirmou que “a cidade de Fortaleza acertou”.

Com relação a Naumi Amorim (PMB), seu colega de Assembleia, o deputado disse que Naumi, “mostrando sua disposição, andou em praticamente todas as ruas daquela cidade, onde encontrava por parte das pessoas vontade de ver transformada a cidade de Caucaia”, disse.

Mas, o foco do discurso do parlamentar foi realmente a crítica aos bancos que colocaram o nome de agricultores do Norte e Nordeste na dívida ativa da União ainda que haja uma Lei que propicia descontos e facilita a vida dos produtores. “Como pode um país permitir que os seus habitantes sejam massacrados por uma categoria que sabemos que são os abutres da nossa pátria?”, questionou o deputado.

Ao fim do discurso, Mesquita afirmou que “o que precisa é que esses executivos tenham sensibilidade com o povo do Ceará, em especial o pequeno produtor”.

12:12 · 01.11.2016 / atualizado às 12:12 · 01.11.2016 por

O deputado estadual Fernando Hugo (PP) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará nesta terça-feira (1º) para enaltecer a vitória do prefeito reeleito de Fortaleza, Roberto Claúdio (PDT). De acordo com o pepista, essa foi “a maior de todas as campanhas” que já presenciou na capital do Ceará.

“Quem planta, colhe frutos. Baseado nessa máxima, tivemos uma vitória por 90 mil votos em segundo turno do prefeito sobre um brilhante adversário”, disse Hugo em referência ao candidato derrotado do pleito, Capitão Wagner (PR). O parlamentar elogiou a votação expressiva do republicano e disse não diminuir o trabalho do concorrente. “Não fosse ele, essa vitória não teria essa soberania douradamente magistral”, entoou.

Durante seu discurso, Fernando Hugo ainda alfinetou o deputado de oposição Tomaz Holanda (PMDB) e perguntou se ele já havia ido a algum Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). De pronte, o peemedebista pediu um aparte e afirmou que não via essas grandes obras na periferia. “Eu conheço a maioria, e não são essas grandes obras, não”, criticou.

Com uma farpa instaurada entre os dois, ao voltar do aparte, Hugo disse que talvez Holanda “deve conhecer a periferia da casa dele” e disse que ele “está num desespero dos que não sabem perder”, disparou.

09:40 · 31.10.2016 / atualizado às 09:40 · 31.10.2016 por

Do primeiro para o segundo turno aumentou a abstenção e o número de votos nulos. Menos eleitores optaram pelo branco. Em Caucaia, o segundo Município cearense onde aconteceu segundo turno, pois é o único Colégio Eleitoral, fora da Capital, com mais de 200 mil eleitores, aumentou a abstenção e diminuiram os votos brancos e nulos.

Em Fortaleza, votaram 1.377.742 eleitores, representando 81,40% de um total previsto de 1.692.657 cearenses aptos a votar. 314.915 eleitores regularmente inscritos deixaram de comparecer às urnas que podem ser somados aos 26.453 que preferiram o branco, e os 83.991 que optaram por anularem os seus votos.

No primeiro turno, no dia 2 deste mês, o total de eleitores que foi votar chegou a 1.404.295, ou seja 82,96% dos aptos a votar, gerando uma abstenção de 288.362 eleitores, correspondente a 17,04%, além dos 35.443 brancos e os 82.342 que anularam o voto. No primeiro turno eram oito os candidatos a prefeito: Roberto Cláudio, Capitão Wagner, Luizianne Lins (PT), Heitor Férrer (PSB), Ronaldo Martins (PRB), João Alfredo (PSOL), Tin Gomes (PHS) e Francisco Gonzaga (PSTU).

Em Caucaia, estão aptos a votar 213.173 eleitores. Ontem, apenas 170.387 deles compareceram às urnas, representando uma abstenção de 20,07% ou seja 42.786 não votantes. No primeiro turno o comparecimento dos eleitores foi maior, totalizando 180.332 sufrágios. Mesmo tendo sido menor o comparecimento de eleitores, foi reduzido, em comparação com o primeiro turno, os números de branco: 5.471, e os nulos num total de 16.011 votos.

No primeiro turno seis candidatos participaram a disputa pela Prefeitura de Caucaia: Naumi Amorim, Eduardo Pessoa, Silvio Nascimento, Daniel Gadelha e Baiano Ximenes. Foi a primeira vez que em Caucaia a eleição para prefeito foi feita em dois turnos. Antes da última reforma eleitoral só em Fortaleza acontecia o segundo turno da disputa se nenhum dos candidatos alcançasse 50% dos votos mais um.

Naumi Amorim é mais um deputado estadual cearense que se elegeu prefeito neste ano. Ele sempre esteve à frente de seus demais concorrentes, mas do primeiro para o segundo turno o seu principal adversário foi quem mais cresceu. Naumi conseguiu 73.316 votos no dia 2 de outubro e ontem ficou com 80.756 sufrágios. O segundo colocado, Eduardo Pessoa, tirou 48.450 votos no primeiro turno e, ontem chegou a 68.149 votos.

Em Fortaleza, também, o segundo colocado, Capitão Wagner cresceu mais do primeiro para o segundo turno. Em 2 de outubro ele somou 400.802 votos e ontem chegou a 588.451. Já Roberto Cláudio conseguiu 524.973 votos no primeiro turno e ontem teve 678.847 sufrágios, representando 53,57% de todos os votos apurados.

09:39 · 31.10.2016 / atualizado às 09:39 · 31.10.2016 por

Por Miguel Martins

Roberto Cláudio chega abraçado com o deputado federal Moroni Torgan (DEM), seu candidato a vice, no local de votação dele, ainda na parte da manhã de domingo Foto: José Leomar
Roberto Cláudio chega abraçado com o deputado federal Moroni Torgan (DEM), seu candidato a vice, no local de votação dele, ainda na parte da manhã de domingo Foto: José Leomar

O prefeito Roberto Cláudio deixou para votar, no Colégio Batista, às 10h30, acompanhado da primeira-dama, Carol Bezerra; do governador Camilo Santana, e dos irmãos Cid e Ciro Gomes, após acertar, com o seu candidato a vice-prefeito Moroni Torgan, o roteiro de votação dele e da mulher Rosa. Após acompanhar o candidato a vice, no Serviluz, o pedetista percorreu diversos locais de votação, principalmente, na periferia da cidade.

Por onde passava, o prefeito era ovacionado por seu eleitorado, mas o ponto alto de sua incursão foi no Serviluz, quando esteve junto com Moroni Torgan. Os dois abraçaram eleitores, tiraram fotos com alguns deles e ainda tiveram que responder alguns questionamentos sobre como iriam trabalhar por aquela região pobre da cidade, nos próximos anos.

Roberto Cláudio só chegou ao Colégio Batista, na Avenida Santos Dumont, por volta das 10h30. No entanto, antes mesmo de o candidato chegar o local já estava movimentado com a presença de algumas lideranças políticas, como o presidente do PDT, André Figueiredo; e o presidente do PROS, Odorico Monteiro. Até a chegada do prefeito, porém, poucos eram os eleitores no local, bem diferente do que ocorreu no primeiro turno quando oito postulantes disputavam a Prefeitura de Fortaleza.

Por volta das 8h40, faltando quase duas horas para a chegada do prefeito, a entrada do local de votação estava repleta de material de propaganda de Roberto Cláudio, jogado ao chão, indicando seu número de campanha. Os comentários entre mesários e eleitores durante o dia era a respeito da pesquisa eleitoral do sábado passado, feita pelo Ibope, que apontava empate técnico entre os dois candidatos na véspera do pleito.

Virada

As pessoas discutiam como Capitão Wagner tinha crescido nos últimos dias de campanha e estavam apreensivas quanto à possibilidade de uma virada no ultimo dia. Esse era o comentário principal entre os eleitores e mesários no Colégio Batista, local onde a maior parte do eleitorado, visivelmente, se mostrava favorável à candidatura do pedetista. Somente um eleitor com a camisa do Capitão América foi visto no local, na parte da manhã, enquanto que a cor amarela nas roupas era predominante.

De acordo com o boletim de ocorrência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato à reeleição em Fortaleza, Roberto Cláudio, foi advertido por causa de bandeiras da campanha expostas próximas aos locais de votação da cidade. Em, praticamente, todos os locais em que o candidato esteve pessoas se aglomeravam ao seu redor com camisas amarelas, pedindo para fazer um registro fotográfico ou somente para abraçá-lo.

Poucos minutos antes de o prefeito chegar no Colégio Batista, membros do grupo Crítica Radical passou em frente ao local em um trem condenando o voto e pedindo para os eleitores não votarem em nenhum dos candidatos, ao que estes respondiam com vaias e palavras de ordem contra os manifestantes. Logo em seguida, a comitiva do prefeito chegou com o governador Camilo Santana, Ciro Gomes, Cid Gomes, sua mulher Carol Bezerra e as duas filhas do casal.

Durante mais de duas horas de passeio por seções eleitorais, Roberto Cláudio abraçou, beijou e conversou com diversos eleitores, todos favoráveis à sua reeleição. Após votar, ele seguiu para a Secretaria de Saúde, onde Ciro Gomes votou, repetindo o que fez no primeiro turno. Depois da votação de Ciro, Camilo Santana e o ex-governador partiram para suas agendas particulares. Neste momento, Cid Gomes já estava em outro evento.

Após acompanhar Ciro, Roberto Cláudio s partiu para o Colégio Antares, onde esteve junto à esposa, a primeira-dama Carol Bezerra. Em todos os locais em que o candidato esteve, homens do Exército o acompanhavam. No entanto, poucos agentes da Polícia Militar foram vistos, assim como o eleitorado, que foi visto em menor número nos locais de votação neste segundo turno.

Por último, antes da pausa para o almoço, o prefeito acompanhou o candidato a vice, Moroni Torgan, no Serviluz. Torgan passou a manhã na igreja e só foi votar após a celebração religiosa. Os dois se encontraram nas proximidades do Ideal Clube. Ao chegarem no local, foram ovacionados e músicas de apoio ao postulante foram entoadas por eleitores de ambos. “Olha ele aí, tu não estava morrendo por causa dele?”, ironizou uma eleitora ao se aproximar dos candidatos.

Após acompanhar o candidato a vice-prefeito, Roberto Cláudio marcou compromisso com familiares em restaurante da cidade, e em seguida, seguiu para acompanhar movimentação nos colégios da cidade, em especial, na periferia de Fortaleza, visto que pela manhã percorreu bairros da área nobre da Capital.

09:38 · 31.10.2016 / atualizado às 09:38 · 31.10.2016 por

Por Miguel Martins

Roberto Cláudio votou de manhã em um colégio na Aldeota, acompanhado da família e de líderes que o apoiam, como o governador Camilo Santana Foto: José Leomar
Roberto Cláudio votou de manhã em um colégio na Aldeota, acompanhado da família e de líderes que o apoiam, como o governador Camilo Santana Foto: José Leomar

Antes de votar, na manhã deste domingo, no Colégio Batista no bairro Aldeota, o atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), deu entrevista coletiva na qual antecipou que pretende entregar diversas obras na cidade em 2017, cujas intervenções já foram iniciadas. O pedetista, ainda como candidato à reeleição, afirmou que precisará de todo apoio da Câmara Municipal de Fortaleza, bem como de lideranças políticas, para continuar realizando ações para a cidade.

Roberto Cláudio chegou ao local de votação acompanhado da mulher, Carol Bezerra, e das duas filhas, além do governador Camilo Santana (PT), dos ex-governadores Cid e Ciro Gomes, do candidato a vice-prefeito Moroni Torgan (DEM), e outros correligionários do PDT e de partidos aliados da legenda.

Segundo ele, há várias obras em andamento e muitas devem ser inauguradas até dezembro. “Quero ter o privilégio de já começar o segundo mandato inaugurando. Em um eventual primeiro ano de Governo, quero entregar oito escolas em tempo integral, 22 creches, obras de drenagem, uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), dois postos de Saúde e reforma dos Frotinhas”, sinalizou, já em tom de otimismo quanto ao resultado da apuração das urnas, que só seria conhecido mais tarde.

De acordo com o gestor, para a realização de novos investimentos já está em vista um financiamento para começar o ano de 2017 dando ordem de serviço em obras para a construção de mais três Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (CUCAs) e policlínicas. “Isso é o que me impulsiona, pois queremos fazer muitas coisas boas e mais importantes”, frisou.

Aliados

No segundo turno da campanha, Roberto Cláudio contou com a participação mais próxima dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que participaram de carreatas e adesivaços em prol da reeleição do prefeito. No primeiro turno, eles se dividiram em ações em outros municípios do Estado e até do País. Conforme defendeu o pedetista, não há como governar apartando a cidade ou segregando, portanto, é preciso realizar ações em conjunto. “Se pude fazer tanto em meio à crise, isso se deu muito por conta do apoio da equipe que tive. A Câmara me deu governabilidade para focar o que é de interesse do povo”.

Ele destacou ainda que, para o segundo mandato, iria manter o mesmo tipo de comportamento junto aos aliados. “Não podemos perder tempo em coisas miúdas da pequena política, e temos que priorizar o que importa: o Bilhete Único, o corredor exclusivo de ônibus, as UPAs, a escola em tempo integral”.

Roberto Cláudio lembrou também que tem o apoio de 34 dos 43 vereadores da Capital, que serão necessários para manter a governabilidade necessária em tempo de crise. “Fico feliz e honrado que a grande maioria seja da nossa base e, se eu for prefeito, essa parceria alinhada junto aos bairros continuará em prol das pessoas mais simples”.

Ainda durante a entrevista coletiva, o atual prefeito salientou que a campanha que fez foi repleta de propostas, discutindo o presente e o futuro da cidade. “Chego ao final dela com muita fé e muita esperança, na possibilidade de, por mais quatro anos, governar bem nossa cidade inteira, para dar continuidade às grandes conquistas de Fortaleza, tendo que inovar aquilo que não está bom”, ponderou.

Experiência

Segundo ele, seu time está mais alinhado agora, com a “casa mais organizada” e com “amplas condições” de fazer um Governo que deixe marca positiva para a Capital. “Por isso que estou pedindo a confiança e honra de servir nosso povo por mais quatro anos, com fé, com otimismo e esperança”, justificou.

Roberto Cláudio preferiu não comentar as pesquisas eleitorais divulgadas na véspera do pleito, mas ressaltou, antes de votar, que nunca esteve tão otimista e esperançoso, com a humildade de ter feito um bom trabalho. No entanto, o pedetista reconheceu que ainda há muito o que melhorar e que fará isso “com muita fé, otimismo e esperança”.

Quando questionado se houve maior aproximação junto ao eleitor na campanha deste ano, Roberto Cláudio disse que, durante seus quatro anos de Governo, sempre esteve ao lado da população, e teve a oportunidade andar nos bairros recebendo críticas e elogios, o que, segundo ele, fez “muito bem à alma e para a administração”. Para ele, contudo, a campanha foi um aprendizado, pois os contatos foram intensificados, “dando luz às coisas que eram boas e nunca imaginei que eram tão bem recebidas pela população”.

Áreas

Ele afirmou ainda que, com as andanças que fez durante a campanha, adquiriu ideias que podem ser incorporadas à nova gestão. “Em Fortaleza temos que discutir os destinos da cidade, o dia a dia da pessoas, as praças, a Saúde, a Educação, as Areninhas e os corredores exclusivos de ônibus”, enumerou.

O candidato a vice-prefeito da coligação “Fortaleza só tem a ganhar”, o deputado federal Moroni Torgan, ressaltou que as pessoas querem a continuidade de um prefeito experiente com um vice que conheça a área da Segurança. “Vamos fazer células de defesa comunitária, integrando polícias e guardas municipais”.

09:37 · 31.10.2016 / atualizado às 09:37 · 31.10.2016 por
O prefeito reeleito chegou ao comitê de campanha pouco depois das 20h, acompanhado de lideranças políticas que fazem parte de sua base de apoio. Ele fez pronunciamento à multidão por quase 20 minutos Fotos: Yago Albuquerque
O prefeito reeleito chegou ao comitê de campanha pouco depois das 20h, acompanhado de lideranças políticas que fazem parte de sua base de apoio. Ele fez pronunciamento à multidão por quase 20 minutos Fotos: Yago Albuquerque

O médico Roberto Cláudio (PDT) continuará no comando da Prefeitura de Fortaleza, a partir de 1º de janeiro de 2017, por mais quatro anos. Ele foi reeleito, ontem, com 678.847 votos (53,57%) contra 588.451 (46,43%) sufrágios recebidos por Capitão Wagner (PR), no segundo turno da disputa municipal na capital cearense. Roberto Cláudio também foi eleito em segundo turno no pleito de outubro de 2012, para um mandato que termina, oficialmente, no dia 31 de dezembro deste ano.

Ele é o terceiro prefeito a ser reeleito em Fortaleza desde quando tal sistema foi instituído no País. O primeiro prefeito reeleito foi Juraci Magalhães (PMDB), já falecido. Depois foi Luizianne Lins (PT), hoje deputada federal. A diferença de votos dele para Wagner foi de 90.396, dentro da margem de erro apontada pelo Ibope na segunda pesquisa do segundo turno, conhecida no último sábado, contratada pela TV Verdes Mares.

Segundo o Ibope, Roberto Cláudio teria 52% da preferência do eleitorado contra 48% de Capitão Wagner. A margem de erro era de três pontos percentuais para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%, conforme foi registrado na Justiça Eleitoral.

No comitê de campanha, instalado no bairro Cocó, a festa de comemoração pelo resultado do pleito começou, oficialmente, perto das 18h20, quando um telão que mostrava a apuração dos votos em tempo real apontou que, com 95% das urnas apuradas, o pedetista tinha 53,82% dos sufrágios, contra 46,18% do adversário. Foi o suficiente para que centenas de pessoas, a maioria com roupas e bandeiras amarelas, bradassem em coro: “Eu sabia que ia ser assim!”.

Apoiadores

O palco foi ficando cada vez mais cheio na medida em que chegavam vereadores eleitos ou que terminam mandato este ano, deputados federais, estaduais e secretários dos governos municipal e estadual. Prefeitos de outros municípios também estiveram presentes, a exemplo dos recém-eleitos Arnon Bezerra (PTB), gestor de Juazeiro do Norte a partir do ano que vem, e Ivo Gomes (PDT), vencedor da eleição em Sobral. Dirigentes de alguns dos 18 partidos que compõem a coligação de Roberto Cláudio, “Fortaleza só tem a ganhar”, também fizeram questão de prestigiar o eleito, assim como o presidente estadual do PDT, André Figueiredo.

Depois de longa espera ao som dos jingles da campanha, a chegada do prefeito reeleito ao comitê foi anunciada – e ovacionada – pouco depois das 20h. Ele chegou acompanhado da esposa, Carol Bezerra, e das duas filhas, além do vice-prefeito eleito, Moroni Torgan (DEM), do governador Camilo Santana (PT), da vice-governadora Izolda Cela (PDT) e dos presidentes da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Salmito Filho, e da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Zezinho Albuquerque. O ex-governador Ciro Gomes completou o grupo. A ausência de Cid Gomes foi justificada por Roberto Cláudio no discurso à multidão. Segundo ele, Cid estaria concedendo entrevista a uma emissora de televisão.

Apesar de não estar presente, o ex-governador foi alvo de um dos agradecimentos do prefeito eleito, que mencionou Cid Gomes para afirmar ter orgulho de pertencer ao grupo político capitaneado pelos irmãos Ferreira Gomes. “É um extraordinário líder político que transformou o Ceará. E por isso mesmo é que tem gente com tanta dor de cotovelo! Eu tenho orgulho de fazer parte de um projeto que fez do Ceará orgulho e exemplo nacional de educação. E nós devemos ao trabalho de Cid Gomes!”, discursou Roberto Cláudio.

Vestidos de amarelo, centenas de apoiadores acompanharam a apuração dos votos em tempo real no comitê do pedetista, no bairro Cocó. Após a oficialização do resultado, eles gritavam “eu sabia que ia ser assim!”
Vestidos de amarelo, centenas de apoiadores acompanharam a apuração dos votos em tempo real no comitê do pedetista, no bairro Cocó. Após a oficialização do resultado, eles gritavam “eu sabia que ia ser assim!”

Os quase 20 minutos de pronunciamento acalorado aos apoiadores, inclusive, foram majoritariamente dedicados a agradecimentos. O pedetista atribuiu a vitória a Deus e ao povo de Fortaleza, mas nomeou, dentre as pessoas que trabalharam por sua reeleição, a primeira-dama da Capital, Carol Bezerra, e a agora vice-primeira-dama, Rosa Torgan, além de outros familiares, deputados e vereadores. Ao governador Camilo Santana, Roberto Cláudio agradeceu por ter estado ao seu lado “em nome dos interesses de Fortaleza”.

“Queria agradecer, com muito carinho, a força, a parceria, mesmo nas dificuldades e nas delicadezas partidárias, de um grande amigo, de um homem do bem, trabalhador, que não abriu mão de expressar o seu desejo, de expressar opinião, mesmo quando o seu partido pensava diferente”, disse.

Eleição de 2018

As palavras direcionadas a Ciro Gomes, depois, já sinalizaram que, após a vitória em Fortaleza, o grupo político que comanda o PDT no Ceará agora volta as atenções ao fortalecimento da pré-candidatura do ex-governador à Presidência da República em 2018. Roberto Cláudio destacou que aprende com a “coragem” do correligionário diariamente. O prefeito eleito se referiu a Ciro como “alguém que foi tudo nesse estado, que foi muito no Brasil, mas que nós queremos que conserte e dê um jeito nas coisas erradas do Brasil”. Após um sonoro “valeu!” ao “irmão” Ciro Gomes, a plateia reagiu com gritos de “Ciro! Ciro! Ciro!”.

Roberto Cláudio também afirmou que a vitória deste domingo tem, para ele, algumas mensagens. “A primeira é que fazer a boa política vale a pena. Eu não sou super-herói, graças a Deus! Eu sou gente igual a vocês”, entoou. Ao defender crença na política, ele a colocou como “o único caminho para mudar as contradições da nossa gente”. “Eu não iria jamais ofender a política, e é por isso que eu optei por um caminho: o da verdade, o da humildade, o do respeito e o do alto nível que quinta capital do Brasil merece”, ressaltou, em referência à postura adotada durante a campanha deste ano.

Ainda que indiretamente, ele também fez menção às ofensivas de Capitão Wagner na reta final deste segundo turno. “Fui ofendido, fui magoado, fui caluniado, e isso, minha gente, doeu no meu coração. Mas, em respeito a vocês, eu não fui me trocar”, respondeu o pedetista.

O primeiro discurso de Roberto Cláudio já reeleito teve, ainda, tom de unificação. Após uma votação com resultado apertado, ele argumentou que é hora de unir a cidade por um projeto. “Nós juntos vamos tratar de garantir todas as boas conquistas que já foram feitas, e ao lado do Moroni, com essa experiência, e tanta gente do bem, e tanta gente diferente, graças a Deus. Gente que pensa diferente. Homens, mulheres, gays, negros, brancos, de esquerda, de centro, sindicalistas, empresários, professores, a nossa cidade está aqui, graças a Deus. E é com vocês que nós trataremos de manter as coisas boas e corrigir os rumos das que não estão bem”.

Após o pronunciamento, em coletiva de imprensa, o prefeito reeleito deu continuidade ao discurso ao afirmar que, passada a eleição, é hora de trabalhar. Ele expôs que, para “refinar e melhorar algumas coisas”, assumirá compromissos especialmente em três frentes: investimentos em saúde, uma política inovadora de geração de emprego e renda e, ao lado de Moroni, inovar na área de segurança municipal.

Prioridades

“Não querendo que a Guarda Municipal substitua a Polícia, mas garantindo um papel integrado da Guarda Municipal com a Polícia Militar. Conversei com o governador Camilo Santana e nós vamos implantar, nas principais áreas e espaços públicos, cabines da Guarda Municipal com câmeras de vigilância, integradas com a própria equipe da Guarda Municipal. Mas o que é mais importante: para cada duas equipes dessas, haverá uma equipe do Raio integrada, para que a gente possa garantir maior segurança principalmente nos espaços públicos da cidade”, explicou.

É na saúde, porém, que Roberto Cláudio cita ações mais urgentes que deve priorizar já nos primeiros meses do segundo mandato. “Há uma tarefa agora, que continua nesse ano e estará ainda muito presente no primeiro ano de governo, que é garantir a informatização dos postos e a regularidade da Central de Abastecimento de Medicamentos. Garantir que todo posto tenha aquele mínimo de 84medicamentos. Esse é um desafio que não é só de compra. Você não pode comprar mais para estragar, nem menos para faltar. É a compra certa e o grande desafio logístico de antecipar a falta em cada posto. Isso é tão realidade que mesmo as grandes farmácias privadas vivem o desafio de garantir o estoque correto. Aqui e acolá falta medicamento”, citou.

Apontando para a garantia de “continuidade de ações”, ele também reforçou que, no primeiro ano do novo mandato, pretende inaugurar oito escolas de tempo integral, pelo menos 20 novas creches e outros dois postos de saúde, além da sexta UPA municipal, totalizando 12 em Fortaleza, e da ampliação do Hospital da Mulher. “Vamos começar o segundo mandato inaugurando obras e começando tantas outras”, ressaltou.

Diálogo

Para executar obras, Roberto Cláudio disse que buscará recurso “onde estiver” para o bem da cidade, mesmo que, nacionalmente, o PDT faça oposição ao Governo Federal.

“Bons argumentos, projeto de excelência, de qualidade e capacidade de articulação são importantíssimos para captar recursos não só do Governo Federal, mas inclusive de organismos internacionais. Nós preparamos ao longo desses quatro anos uma carteira de investimentos entre R$ 1,5 e R$ 2 bilhões de reais, traduzidos em novos CUCAs, novas policlínicas, drenagem, urbanização, obras turísticas novos corredores exclusivos de ônibus, que só foram ou só serão viáveis graças a esse trabalho interno, de preparar projetos de qualidade, de ter ousadia na captação de recursos, de estabelecer bons argumentos. Creio eu que o bom exemplo, a isenção, sempre deverão prevalecer numa República como o Brasil”, defendeu.

Questionado sobre qual será o papel de Moroni Torgan na administração municipal como vice-prefeito a partir de janeiro de 2017, o pedetista afirmou que os dois ainda não conversaram sobre o assunto, mas garantiu que o deputado federal do DEM “será o vice mais ativo da história de Fortaleza”.

“Posso dizer que o Moroni é o deputado federal mais votado do Ceará, mais votado de Fortaleza. É alguém de extrema relevância, respeitabilidade na cidade. Conhece Fortaleza, conhece a alma da cidade, conhece a periferia da cidade de Fortaleza, certamente irá contribuir ativamente no governo”, declarou.

09:36 · 31.10.2016 / atualizado às 09:36 · 31.10.2016 por

Por Miguel Martins

Ciro Gomes cumprimenta o deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, sob as vistas do governador Camilo Santana e do ex-governador Cid Gomes, no local de votação do prefeito reeleito, ontem pela manhã Foto: José Leomar
Ciro Gomes cumprimenta o deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, sob as vistas do governador Camilo Santana e do ex-governador Cid Gomes, no local de votação do prefeito reeleito, ontem pela manhã Foto: José Leomar

A eleição de Fortaleza tem uma importância especial para o grupo liderado no Ceará por Cid e Ciro Gomes, uma vez que ela pode, sim, influenciar na possibilidade futura de termos mais um nome do Estado na disputa pela Presidência da República, em 2018. Ciro Gomes afirmou que, se perdesse na Capital, ele ficaria desestimulado para a disputa presidencial, enquanto que Cid afirmou que a vitória de Roberto Cláudio acabaria sendo uma referência para o resto do País.

“Claro que a eleição de Fortaleza interfere em 2018. Se ele for prefeito e o Ciro candidato, e ele estiver bem, isso ajuda o candidato, porque acaba sendo um exemplo, uma referência”, disse Cid Gomes. Segundo disse, o Brasil está vivendo um momento de perplexidade em torno da política nacional, havendo um esforço pensado e orientado pelo poder econômico de negar a política. “É a única forma que eles têm de dominar sem oposição”, apontou Cid Gomes.

Fortaleza, com a eleição de Roberto Cláudio, conforme defendeu Cid Gomes, será um contraponto ao que ocorre em Brasília, uma vez que em sua opinião, o prefeito pratica a boa política. “Ninguém faz mudança na vida das pessoas sem ser na boa política. A negação da política é ruim, porque aliena as pessoas, deixa as pessoas afastadas e quando isso acontece quem sofre é o País”, destacou.

Cid Gomes afirmou que há a possibilidade de o PT vir a apoiar uma eventual candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República em 2018. Segundo ele, há frações no PT que compreendem a importância de oxigenar a postura da legenda. “Durante muito tempo o PT adotou uma tese da hegemonização, isso acabou permitindo que algumas práticas fossem distorcidas e provocou desastres que o PT tem hoje”, lembrou ele destacando que o partido perdeu milhões de votos de uma eleição para outra.

Questionado sobre a possibilidade de vir a ser candidato ao Governo do Estado, em 2018, Cid Gomes negou, mas não chegou a descartar a possibilidade de disputar uma das vagas ao Senado. Se limitou a dizer que não tem vontade de ser candidato a nada. “Pelo meu gosto, eu não serei candidato”.

Já Ciro Gomes afirmou que em Fortaleza apareceram alternativas na disputa pela Prefeitura, mas nas três grandes capitais do País, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, em sua avaliação, estão experimentando “retrocessos graves”. Segundo ele, essas situações não se refletem na Capital cearense, visto que em sua opinião há uma maior conscientização política da população.

Para ele, a disputa em Fortaleza não influencia no processo eleitoral de 2018, mas uma derrota na Capital lhe tiraria muito do estímulo de seguir na disputa como pré-candidato pelo PDT à Presidência da República. “Se o melhor prefeito perde para um ‘samango’ desqualificado…”, disse. O ex-governador, que já foi prefeito da Capital cearense, afirmou que Roberto Cláudio foi melhor gestor da cidade que ele por ter uma circunstância melhor e visto que ele só administrou a cidade por um ano e meio.

Segundo disse, a campanha de Capitão Wagner foi “extremamente desqualificada”, visto a falta de compromisso com a decência e história do Ceará. “Ficou flagrante que Roberto Cláudio é o melhor nome.

O governador Camilo Santana também esteve presente à votação de Roberto Cláudio, e segundo disse o pedetista é o melhor prefeito das últimas décadas no Brasil. “O importante é que a gente sente nas ruas. O que eu sentia era o entusiasmo da população e o Roberto Cláudio continuará o trabalho dele pelo bem de Fortaleza”, destacou.

Camilo Santana foi um dos principais aliados da candidatura de Roberto Cláudio, mesmo quando o seu partido, o PT, decidiu ter candidato próprio à Prefeitura de Fortaleza. Ele, depois do primeiro turno participou de muitos dos eventos de campanha de Roberto Cláudio em Fortaleza, sempre dizendo que ele foi o melhor prefeito que Fortaleza já teve, uma crítica direta a Luizianne Lins, que lhe faz oposição, foi a candidata a prefeita, depois de ter passado a Prefeitura para Roberto Cláudio, no primeiro dia de janeiro de 2013.

09:35 · 31.10.2016 / atualizado às 09:35 · 31.10.2016 por

Por Beatriz Jucá

Postulantes derrotados na primeira etapa da campanha eleitoral lamentam tom ofensivo e superficialidade de propostas no debate do segundo turno Foto: JL Rosa
Postulantes derrotados na primeira etapa da campanha eleitoral lamentam tom ofensivo e superficialidade de propostas no debate do segundo turno Foto: JL Rosa

Com apenas dois candidatos na disputa e tempo de televisão igual para ambos, a campanha para o segundo turno poderia ter sido uma oportunidade para detalhar propostas e aprofundar a discussão sobre a cidade. No entanto, postulantes que disputaram a Prefeitura de Fortaleza no primeiro turno avaliam que os candidatos Roberto Cláudio (PSB) e Capitão Wagner (PR) perderam um valioso espaço para apresentar alternativas viáveis em meio a uma crise econômica intensa.

Para eles, um tema importante como o desemprego ficou fora do debate, enquanto propostas para saúde e educação não saíram da superficialidade. Os postulantes derrotados analisam, ainda, que os prefeituráveis usaram os 20 minutos diários que tiveram na televisão para fazer acusações pessoais, criar polêmicas e apenas repetir propostas já anunciadas, sem abordá-las em detalhes. A avaliação é de que a cidade sai prejudicada e sem grandes perspectivas para um governo que se inicia em um complexo momento de recessão e possível redução de recursos.

O deputado Tin Gomes critica a falta de novas propostas durante o segundo turno. “Temos evasão nas salas de aula, e é grande o número de estudantes sem escola de tempo integral, que ficam vulneráveis nos bairros. Os candidatos poderiam ter debatido melhor como colocar atividades esportivas e culturais mesmo antes de conseguir as escolas em tempo integral”, opina.

O parlamentar diz que faltou aos candidatos especificar melhor as propostas apresentadas nos mais diversos campos. “Qual o investimento? Como será a operação? Ninguém sabe”, critica. Para Tin Gomes, a troca de acusações constante entre os candidatos tirou o espaço de temas cruciais. “Este não é o momento de focar na pessoa, no candidato, mas sim na possibilidade de melhorar a cidade”.

Já o deputado Heitor Férrer (PSB), que também disputou o primeiro turno, diz não ter acompanhado os debates entre os candidatos, apenas as propagandas na televisão. “Pelo que vejo nas propagandas, tenho uma nítida impressão de que não há nada novo, apenas o que já foi exposto. E sem nenhum aprofundamento”, reclama.

O deputado federal Ronaldo Martins (PRB) afirma que a quantidade de propostas apresentadas foi aquém do que a cidade necessita e avalia que a falta de aprofundamento não é uma característica apenas do segundo turno. “No primeiro debate das eleições deste ano, eu esperava um preparo maior de todos os candidatos. Agora, no segundo turno, piorou. Os ataques não constroem nada”, opina.

Ronaldo Martins salienta que o Brasil enfrenta um momento econômico delicado, de maneira que, em 2017, o prefeito terá o desafio de pelo menos manter funcionando o que já existe. “Os recursos estão escassos, principalmente os federais. O administrador não vai poder ser sonhador, e o povo só espera ter o básico”, afirma.

Ronaldo Martins acredita que a geração de empregos deveria ter sido debatida. “Essa área ficou sem discussão. É preciso encontrar possibilidades para gerar emprego e isentar impostos de pequenas empresas, pensar em como ajudar para reduzir o desemprego”.

Candidato a prefeito de Fortaleza no primeiro turno pelo PSTU, Gonzaga também reclama da ausência de discussão sobre alternativas para melhorar os índices de desemprego. Para ele, a saúde e a educação também não foram aprofundadas. “Nenhuma das duas candidaturas tem como governar para os trabalhadores”, opina.

09:34 · 31.10.2016 / atualizado às 09:34 · 31.10.2016 por

Por Levi de Freitas e Suzane Saldanha

Candidato do PMB foi eleito com 54,23% dos votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE); após o resultado, ele foi carregado nos braços pelo povo e prometeu “limpar a cidade” em 100 dias e “organizar a casa” Fotos: Kléber A. Gonçalves
Candidato do PMB foi eleito com 54,23% dos votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE); após o resultado, ele foi carregado nos braços pelo povo e prometeu “limpar a cidade” em 100 dias e “organizar a casa” Fotos: Kléber A. Gonçalves

Com 80.756 votos, o deputado estadual e empresário Naumi Amorim (PMB) foi eleito ontem prefeito de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) para a gestão de 2017-2020. A votação dele é a maior já recebida por um prefeito no Município e representou 54,23% dos votos. Ele disputou com o vereador Eduardo Pessoa (PSDB), que conquistou 45,77% da preferência popular. Esta foi a primeira vez que Caucaia precisou decidir quem iria governá-la em dois turnos.

De acordo com os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a cidade ainda contabilizou 3,21% de votos brancos e 9,40% de nulos.

A coligação “Esperança de um novo tempo”, que saiu vencedora, contou com 14 partidos, sendo a maior do Município, e traz como vice-prefeita a ex-deputada estadual Lívia Arruda (PTB), filha dos ex-prefeitos da cidade José Gerardo Arruda e Inês Arruda.

A chapa teve ainda apoios considerados de peso como o governador do Estado, Camilo Santana (PT); o prefeito reeleito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT); e o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

“Tenho consciência que quem votou na gente, votou por querer mudança, então a gente tem que agradecer a Deus. Essas pessoas estão querendo a mudança de Caucaia e apostaram em Naumi e Lívia. Só tenho que agradecer a cada um deles”, afirmou o prefeito eleito.

Festa

Naumi, que foi vendedor de porta em porta e tornou-se empresário, abriu as portas da empresa dele, uma fábrica de plásticos como mesas e cadeiras, no bairro Parque Potira, para o povo que o apoiou. Desde antes das 17h, já havia carros e dezenas de pessoas vestindo roupas com as cores verde, branco e laranja, utilizadas durante a campanha, ocupando o galpão aberto. Em um telão, com pouca nitidez, os apoiadores tentavam enxergar a votação em tempo real.

O tempo ia passando devagar, e a noite parecia que teimaria em demorar. O então candidato, cada vez mais, era assediado pelos populares, que tiravam fotos, apertavam as mãos dele, abraçavam e parabenizavam. Quem tinha filho, colocava ele em cima dos ombros. “Vamos tirar uma foto com o prefeito”, diziam para as crianças, que sorriam, meio sem entender o que estava acontecendo.

Entre uma foto e outra, Naumi, que é natural de Tauá e já morou em Goiás, atendia o celular. Por diversas vezes, conversava, tentava afastar-se da multidão, que ia aumentando. Aos poucos, o imenso galpão aberto ficou pequeno para tanta gente. A rua, completamente fechada. O fabricante de cadeiras estava, a cada minuto, mais próximo de sentar na cadeira mais importante da cidade que adotou.

Apuração

O galpão aberto da empresa de Naumi Amorim ficou lotado de apoiadores da candidatura, que vestiam verde e empunhavam bandeiras da chapa eleita
O galpão aberto da empresa de Naumi Amorim ficou lotado de apoiadores da candidatura, que vestiam verde e empunhavam bandeiras da chapa eleita

Naumi acompanhava, junto a um grupo, a apuração em tempo real. Tentava, é verdade: a conexão com a internet não ajudava. O telão, menos. O jeito era esperar alguém conseguir atualizar a página do TSE no celular para divulgar as parciais. A cada nova atualização, gritos cada vez menos comedidos, comemoravam como gol de campeonato a vitória que se aproximava.

Tentando manter a prudência e a postura, o deputado e empresário evitava comemorações mais eufóricas. Sorria, principalmente para as fotos que não acabavam, mas logo voltava para um semblante sereno.

Por volta de 19h30, alguém gritou que 100% das urnas haviam sido computadas, e Naumi estava eleito com mais de 80 mil votos. Explosão verde, com direito a foguetório, canto da música da campanha em uníssono e muito santinho jogado ao alto.

Naumi foi carregado nos braços pelo povo que o elegeu. Povo, que nele deposita as esperanças para dias melhores. Como relatou a professora Márcia Lopes, de 25 anos. “O clima foi pesado nessas eleições. Mas é o povo quem decide. E para mim, esse vai ser o melhor prefeito que Caucaia já teve. Estou aqui como voluntária pois ele tem boas propostas, está aberto a opiniões”, afirmou.

A vendedora Mara Sâmia Lopes, de 33 anos, destacou que espera uma atenção especial à saúde e educação no Município. “Caucaia chegou a não ter nem Raio-X no hospital. Espero que melhore a saúde e a educação. Queremos um futuro, uma esperança em um novo tempo. E eu tenho fé que a cidade mude”, disse, animada.

Promessas

Após dar voltas nos braços do povo, que não queria largar de seu novo prefeito, Naumi conseguiu conversar com a imprensa. Banhado em suor, disse que perdeu 12Kg na campanha, e garantiu que a primeira missão será limpar a cidade. E já apontou um prazo: antes de completar quatro meses de gestão.

“Há muito lixo nas ruas de Caucaia. Pedirei ajuda aos professores, apoio das escolas, da população, e vamos limpar a cidade em 100 dias. Quero fazer panfletos para educar as pessoas”, apontou o prefeito eleito.

Antes de cumprir as outras promessas de campanha, como a construção de areninhas similares às que existem na Capital, Naumi disse querer organizar o Município que receberá no dia 1º de janeiro. “Temos que primeiro colocar a casa em ordem para começar a organizar. Colocando a equipe completa, tenho certeza que tudo vai funcionar”.

Outro desafio apontado pelo prefeito è a saúde pública. O prefeito eleito ressaltou que pretende “valorizar” os votos que recebeu dos mais de 80 mil eleitores. “A gente vem defendendo a saúde, que aqui não existe. Eu achei que ia ser mais fácil (a eleição), mas às coisas difíceis se dá mais valor. Acho que a gente tem que dar mais valor, saber valorizar o voto de cada um, e dar mais trabalho. Quero fazer não o que quero, mas fazer a administração ouvindo o povo, pois ele me escolheu. Assim quero fazer essa administração, ouvindo a população, para que se sinta prestigiada. É assim que quero fazer”.

União

Um dos pontos levantados por eleitores presentes na comemoração de Naumi foi a união de famílias tradicionais em Caucaia em prol da campanha do deputado estadual e da vice, Lívia Arruda. Ela própria também destacou a união realizada com Naumi para fazer as propostas feitas saírem do papel.

“Assim como foi na nossa campanha, de pé no chão, porta a porta, de escutar o povo, de não ver dia nem hora, vai ser nossa gestão, onde a vice e o prefeito trabalham em parceria; onde a gente une forças e vai fazer uma Caucaia de todos, de qualidade de vida, onde o povo tem orgulho de saber que na prefeitura tem quem cuide dele. O povo quis e quer mudança e a gente hoje está podendo comemorar”, declarou Lívia.

A vice-prefeita ainda criticou a gestão que se encerra e o adversário derrotado, vereador Eduardo Pessoa, afirmando que ele teria apostado em ataques à chapa, que acabaram por não conseguir prejudicá-los.

“Apesar de todas as difamações, calúnias, ataques, a gente não abaixou a cabeça, a gente foi firme, pois sempre acreditamos nesse propósito. Há oito anos nosso povo tem sofrido. Há três eleições nossos adversários tentam ganhar a campanha com calúnia, ataques, campanha baixa. Conseguiram duas vezes e achavam que a terceira iam conseguir”, pontuou.

Luta

O candidato derrotado, Eduardo Pessoa, destacou que lutou contra uma coligação reforçada pela gestão estadual e agradeceu os votos que recebeu no segundo turno.

“Fizemos uma campanha limpa, honesta e sem mentiras. Crescemos muito, mas lutamos contra a máquina do governo do Estado e dos arranjos da velha política, que mesmo após fazer tanto mal ao Brasil continua em voga em Caucaia. Termino a campanha de cabeça erguida e com muita gratidão a todos que acreditaram e confiam em mim. Nossa campanha foi linda, digna de guerreiros. Vou continuar o trabalho que sempre fiz, vou continuar servindo ao meu povo, ao povo de Caucaia”, afirmou o candidato derrotado.

Evolução

A vitória de Naumi Amorim já era apontada nas pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

Na sexta-feira (28), o último levantamento feito pelo Instituto apontava vitória do candidato do PMB com mais de 50% dos votos, contra 35% do tucano.

09:33 · 31.10.2016 / atualizado às 09:33 · 31.10.2016 por

Por Suzane Saldanha

O candidato derrotado Eduardo Pessoa (PSDB) votou ontem acompanhado da família e realizou visitas a colégios eleitorais Foto: Natinho Rodrigues
O candidato derrotado Eduardo Pessoa (PSDB) votou ontem acompanhado da família e realizou visitas a colégios eleitorais Foto: Natinho Rodrigues

Protagonizando uma campanha acirrada neste segundo turno, os candidatos à Prefeitura de Caucaia, Naumim Amorim (PMB), eleito com 54,23% dos votos, e Eduardo Pessoa (PSDB), com 45,77%,foram às urnas confiantes na vitória, ontem, acompanhados de familiares e apoiadores. Ambos passaram o resto da manhã visitando colégios eleitorais pela cidade.

Com a esposa, Erika Amorim, e os três filhos, o candidato Naumi Amorim, votou, por volta das 9h40, no colégio Danilo Dalmo da Rocha Corrêa, no bairro Parque Potira II. Também estiveram no local dda votação para apoiar Naumi, o deputado estadual Bruno Gonçalves (PEN) e o prefeito eleito de Eusébio, Acilon Gonçalves (PEN).

De lá, o grupo seguiu para fazer visitas em colégios eleitorais e acompanharia a apuração em uma das empresas de Naumi, no bairro Potira.

A candidata a vice na chapa, Lívia Arruda (PTB), não esteve com o candidato pela manhã. Segundo a assessoria, o motivo seria a distância entre o local de votação de Lívia e de Naumi.

Em entrevista coletiva após a votação, Naumi apontou confiança na vitória a creditando ao bom trabalho desenvolvido pela sua equipe e apoiadores “que vestiram a camisa”. Segundo ressaltou, a campanha no segundo turno foi “quase perfeita” e boas sementes teriam sido plantadas.

“No segundo turno, a gente melhorou o trabalho do primeiro turno, acho que foi uma campanha quase perfeita. A organização foi grande das pessoas que nos ajudaram, que tiveram à frente dos trabalhos e eu só tenho que agradecer essas pessoas”, destacou o candidato.

Naumi afirmou que sua primeira providência ao ser eleito é a formação de uma boa equipe para iniciar os trabalhos a partir do dia 1º de janeiro voltados, prioritariamente, para o saneamento básico e para a saúde.

A intenção, segundo revelou o então postulante ao cargo de prefeito, é reformar postos de saúde, a compra de novos equipamentos para unidades de saúde e a contratação de mais médicos e enfermeiros para reajustar equipes na cidade, que hoje seriam incompletas.

Já o candidato Eduardo Pessoa (PSDB) votou, por volta das 8h30, na Escola Francisco Nogueira da Mota, no distrito de Carauçanga, na zona rural de Caucaia. Ele estava acompanhado do candidato a vice na chapa, Beto Martins (DEM), da mãe, Dona Zezé, e da filha, Maria Eduarda. Ele visitou locais de votação acompanhado da filha e acompanharia a votação no comitê central de campanha.

Apesar das pesquisas eleitorais o apontaram atrás de Naumi nas intenções de voto, Pessoa salientou ter confiança na virada nas urnas em razão do sentimento da população nas ruas. Segundo ele, historicamente os resultados das pesquisas em Caucaia seriam diferentes às urnas.

Apontando sua campanha como humilde, o postulante disse ter sentido mais espaço nas ruas por apresentar melhores propostas do Plano de Governo. Para Pessoa, a população teve condição de avaliar melhor os candidatos neste segundo turno. “Nós colocamos nosso plano de Governo, fomos a todos os debates diferente do outro candidato, mostrando para o povo de Caucaia que entendemos e conhecemos as necessidades, eu nasci e me criei em Caucaia”, disse.