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Tag: eleições 2018


08:50 · 24.07.2017 / atualizado às 08:50 · 24.07.2017 por

Por Miguel Martins

O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara para a segunda quinzena de agosto uma série de visitas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cidades do Norte e do Nordeste. Ao Ceará, o petista deve chegar no dia 27 do próximo mês, mas não passará pela Capital. Para parlamentares da sigla no Estado, a agremiação não tem um “plano B”, e deve direcionar todas as energias a fortalecer o nome de Lula até o pleito do próximo ano.

Petistas cearenses acreditam, ainda, que o ex-presidente deve reverter a condenação do juiz Sérgio Moro, que, em primeira instância, condenou Lula a nove anos e meio de prisão. De acordo com Elmano de Freitas, as incursões do ex-presidente visam discutir problemas do País com o povo, como a seca no Nordeste e os altos índices de desemprego.

“Ele está fazendo o seu papel de liderança política, quer ouvir a população e acho isso importante”, disse o deputado. Propostas da sigla e da chamada Frente Brasil Popular estão sendo analisadas por Lula e seus auxiliares. Chegando ao Ceará em 27 de agosto, Lula deve permanecer no Estado por até três dias, visitando municípios das regiões do Cariri e do Sertão Central, além de Crateús e Tauá.

Segundo Elmano, as datas serão definidas em encontro do partido que será realizado nos dias 27 e 28 de julho. De acordo com Manoel Santana, a direção nacional do PT conta com a vitória de Lula em segunda instância no que diz respeito à condenação emitida pelo juiz Sérgio Moro. Já a deputada Rachel Marques diz que o partido não tem outro plano a não ser a indicação do nome do ex-presidente para as eleições gerais de 2018.

09:16 · 18.07.2017 / atualizado às 09:16 · 18.07.2017 por

Por Miguel Martins

Um grupo de cinco parlamentares – José Sarto, Walter Cavalcante, Evandro Leitão, Osmar Baquit e Elmano de Freitas – se reuniu na Assembleia, na última sexta-feira (14), e debateu possíveis mudanças na legislação eleitoral Foto: Kid Júnior

Possíveis mudanças nas regras eleitorais para 2018 preocupam deputados estaduais cearenses, que já se articulam com vistas a traçar metas para o pleito do próximo ano. Na semana passada, um grupo de parlamentares chegou a se reunir para debater estratégias que devem tomar dependendo dos rumos da Reforma Política que está em discussão no Congresso Nacional.

Evandro Leitão (PDT), por exemplo, destacou ao Diário do Nordeste que a indefinição sobre o que vai ou não ser aprovado é que está deixando os parlamentares apreensivos. “Toda semana há uma discussão e história diferentes com relação ao pleito eleitoral do próximo ano”, disse.

Cresceu entre congressistas, nos últimos dias, a possibilidade de aprovação do chamado voto distritão, garantindo que os mais votados sejam eleitos. Para o pedetista, este é um ponto positivo para a mudança eleitoral. Décimo segundo parlamentar mais bem votado no pleito passado, Leitão afirmou que, com essa possível alteração, haverá mudança estratégica em todos os partidos, o que demandaria novas articulações políticas.

Mais votados

“É bom que os 46 mais bem votados na Assembleia e os 22 mais bem votados na Câmara Federal sejam eleitos ao invés da chamada proporcionalidade. Eu gosto do distritão e acho que os 46 mais bem votados são os legítimos representantes da população”, defendeu o líder do Governo no Legislativo Estadual.

Osmar Baquit (PSD), por outro lado, acredita que os presidentes de partidos políticos tendem a se posicionar contrários à medida, pois dizem que ela pode fragilizar as agremiações, dando mais força aos representantes partidários eleitos.

“Eu acho que não passa nada, mas os colegas acreditam que o (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) Gilmar (Mendes) pode decidir pela Câmara. Se vai ser assim ou se os deputados é quem vão decidir é uma incógnita”, disse. Ele ressaltou que há grande preocupação quanto à sobrevivência política de parlamentares, que não sabem se haverá ou não coligação proporcional, garantindo, por exemplo, que pequenos partidos se unam para eleger representantes.

Baquit destacou, ainda, que alguns deputados com mandato na Assembleia foram eleitos por composições partidárias, o que não seria possível caso haja a aprovação da mudança discutida na Câmara Federal. “Se não tiver coligação, terão que se juntar num partido só. Eu, por exemplo, quero saber a minha situação partidária. Estou esperando, exatamente, a Reforma Política para saber como fica minha situação”, disse o parlamentar, que foi expulso do partido recentemente e aguarda decisão judicial sobre o caso.

Para ele, as discussões não estão sendo antecipadas, visto que, até outubro próximo, quaisquer mudanças devem ter sido aprovadas para terem validade no pleito de 2018. “Há muita preocupação, mas a discussão só está antecipada no que diz respeito à ansiedade para saber como será o processo. Eu, por exemplo, sou candidato à reeleição, mas, até outubro, qualquer projeção de como será o sistema ninguém sabe”, salientou.

Na conversa entre os deputados Osmar Baquit, José Sarto (PDT), Evandro Leitão, Elmano de Freitas (PT) e Walter Cavalcante (PP), ocorrida na última sexta-feira (14), na Assembleia, os parlamentares expuseram dúvida sobre uma possível aprovação da proposta ainda neste ano, o que, para eles, daria margem para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tome uma posição com relação à Reforma.

“Em 2018 eu sou candidato, mas a preocupação é exatamente se vai haver votação pelo Congresso ou regulamentação pelo TSE do jeito que quiser”, disse Walter Cavalcante.

Custos

Outro ponto abordado pelos parlamentares está relacionado aos custos da campanha eleitoral, bem como ao financiamento de campanha. “A gente está aguardando até outubro, que é o prazo para valer para a próxima eleição. Se não for aprovado, vai ficar tudo do mesmo jeito. Tem tanta discussão sendo feita, e no final eles podem não mudar nada. Acho melhor aguardar, até porque a gente tem plano para cada uma das mudanças”.

“Eu não me preocupo muito, porque a minha preocupação aqui não vai alterar a correlação de forças no Congresso. O que peço aqui, não vou conseguir convencer junto aos deputados federais”, disse, por sua vez, o deputado Heitor Férrer (PSB).

No entanto, ele destacou que vai procurar se adequar às mudanças que forem aprovadas na Reforma Política. O deputado está com os dias contados no PSB, mas deve sair em definitivo da sigla somente após toda a celeuma em torno do Governo Michel Temer (PMDB), bem como das alterações eleitorais para 2018.

08:51 · 05.07.2017 / atualizado às 08:51 · 05.07.2017 por

Por Miguel Martins

A presidente do TRE afirma que, embora a Corte aguarde definições sobre uma Reforma Política, já se prepara para as eleições de 2018 Foto: Helene Santos

A presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE), a desembargadora Nailde Pinheiro, disse estar preocupada com o cenário conturbado em que o Brasil vive, destacando, porém, que o TRE está preparado para eventuais mudanças no processo eleitoral do próximo ano. Segundo ela, ainda que não haja certeza sobre como se dará a Reforma Política em discussão no Congresso Nacional, é preciso que a Justiça Eleitoral esteja pronta para novos desafios.

“O atual cenário do Brasil, como a gente acompanha, é de inquietação e conturbação frequentes. Hoje você está aqui e, em meia hora, já é outro cenário, totalmente diferente. Mas estamos preparados para essas mudanças, porque temos que acompanhar todas essas situações”, destacou, ressaltando que a Justiça Eleitoral deve buscar sempre transparência e divulgação do trabalho com excelência.

De acordo com a presidente do TRE, embora falte um ano para o início das discussões partidárias em torno das convenções que vão indicar os nomes que disputarão o pleito de 2018, a atividade fim da Justiça Eleitoral sempre está em vigência, visto que o processo eleitoral ocorre a cada dois anos.

“Termina uma eleição e já estamos trabalhando para a próxima. Temos equipe técnica que tem como lema preparar eleições, e esse trabalho é contínuo”, disse a desembargadora, destacando, porém, que o imbróglio da Reforma Política não permite a tomada de algumas medidas, visto que alterações podem ser feitas. Além das eventuais modificações a serem aprovadas para o pleito próximo, também será a primeira eleição geral com as mudanças já apresentadas em 2015.

No ano passado, a disputa para os cargos de prefeito e vereador teve campanhas mais curtas, além de modificações relacionadas, por exemplo, ao financiamento de campanha. “Aguardamos a Reforma Política que está a ser concluída, se vai ser de fato. Porque temos a Lei da Anualidade e até outubro precisamos de um norte para as eleições”.

Para além disso, ela ressaltou que o corpo técnico do TRE está preparado para, quando estiver com legislação própria a ser aplicada nas eleições, trabalhar em seminários com estudos sobre as novas regras eleitorais.

Biometria

Além disso, o Tribunal busca descentralizar os atendimentos no Estado e, para isso, vem inaugurando postos de atendimento em equipamentos privados, principalmente em shoppings de Fortaleza, onde 23% dos eleitores já foram cadastrados com biometria. O TRE espera atingir 45% do eleitorado da Capital, e 75% de todo o Estado, até maio do próximo ano, quando será encerrado o cadastro de eleitores para as eleições de 2018.

09:38 · 24.06.2017 / atualizado às 09:38 · 24.06.2017 por

Por Edison Silva

Camilo tinha uma agenda extensa ontem em São Paulo, como se no Abolição estivesse, de tão perto era uma audiência da outra Foto: José Leomar

O governador Camilo Santana, ontem, em São Paulo, tinha um horário, no fim da tarde, para conversar com o ex-presidente Lula. Ficar ou sair do PT é a decisão que ele precisa tomar até abril do próximo ano, seis meses antes da eleição, limite para as filiações de pretensos candidatos no pleito de 2018. Aparentemente falta muito tempo, mas a decisão do governador não pode ficar para a última hora, devido à complexidade do problema. O ideal para ele era ficar no PT com liberdade para votar em Ciro Gomes (PDT) para presidente do Brasil.

Lula sabe do compromisso de Camilo com Ciro. Não se oporá à aliança de ambos, mas há complicação legal. Se o PT tiver candidato a presidente, e tudo indica que terá, não há como Camilo, sendo petista, poder fazer campanha conjunta com um candidato ao Poder Central de outra sigla. Além do mais, acrescente-se o fato de uma parte do PT cearense não aceitar Camilo e Ciro no mesmo palanque. Por essa razão, o governador começa a colocar em prática a ideia de trocar de partido, pois sua determinação é de disputar a reeleição com Cid Gomes candidato ao Senado e Ciro presidente.

Para os pedetistas cearenses, e também para os petistas, no espaço nacional, o ideal é que a desfiliação de Camilo aconteça sem qualquer trauma, de modo a permitir ambos estarem juntos no segundo turno da disputa presidencial, ou mesmo no próprio Estado. Ademais, admitem alguns pedetistas, a possibilidade de, no caso de Lula não vir a disputar o cargo de presidente, haver uma possibilidade de o PT se aliar ao PDT. Um exercício de futurologia, de certa forma equivocado, posto as resistências de pessoas mais próximas a Lula, quanto à necessidade de o PT ter o seu candidato próprio, deverá prevalecer.

Discussões

Além do mais, Camilo, como de resto todos os demais políticos brasileiros, precisa ter ciência de quais mudanças irão ocorrer na legislação eleitoral, valendo já para o próximo ano. Embora os escândalos que se sucedem no universo da política e da administração nacionais tenham brecado o curso das discussões sobre as alterações para o pleito de 2018, algo vai ocorrer, a partir do financiamento da campanha.

E qualquer que seja a novidade, ela terá de estar oficializada até o fim do próximo mês de setembro ou, mais precisamente, um ano antes do dia da votação. Assim, outubro será o marco para as definições de mudanças de partido, mesmo sendo abril, do próximo ano, o prazo final para as filiações.

Só o tempo do PT para a propaganda eleitoral prende Camilo à sigla atualmente. Os petistas cearenses muito pouco têm a oferecer ao governador para garantia da reeleição. A oposição no partido a esta, em razão de sua ligação com os irmãos Cid e Ciro Gomes, é bem mais expressiva, embora, também, se reflita em muito pouco votos.

Portanto, não podendo utilizar o tempo do partido e votar publicamente em Ciro e, por ele, também livremente ser votado, não há razão para continuar petista, sabendo que mesmo fora da sigla, os seus, hoje aliados, permanecerão, pois esperam as compensações que o Executivo pode proporcionar.

O desgaste do PT, pelo envolvimento de alguns dos seus nomes mais expressivos nos delitos em apuração, no caso da Lava-Jato e outros, somado ainda ao do Mensalão, sinalizam para uma outra derrocada nas eleições próximas, talvez maior que a assimilada no pleito municipal passado. Os que corroboram com essa ideia, por certo Camilo é um deles, defendem a não participação de Lula como candidato, cientes de que derrotado, como a principal liderança da sigla, os prejuízos eleitorais futuros seriam ainda bem mais significativos.

Relator

O deputado Osmar Baquit vai ser o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de extinção do Tribunal de Contas dos Municípios. A base governista está determinada a mantê-lo, se confirmada for a sua expulsão do PSD, ora judicialmente questionada, sob a alegação de simples perseguição e da falta do devido processo legal para a tomada de decisão extrema do partido, anunciada na última quinta-feira à noite.

Oficialmente, até ontem a Assembleia ainda não havia sido comunicada do fato. A reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será examinado o relatório de Baquit, está programada para a próxima terça-feira (27).

A base governista já decidiu que manterá Osmar Baquit na CCJ. Um dos seus deputados deverá sair, momentaneamente, daquela Comissão para permitir que Baquit seja o representante do PDT no colegiado e continue relator da PEC do TCM, se oficializada for a sua expulsão das hostes partidárias.

09:37 · 24.06.2017 / atualizado às 09:37 · 24.06.2017 por

Por Miguel Martins

Ex-ministro do Governo Lula e professor titular da Universidade de Harvard, nos EUA, o brasileiro Roberto Mangabeira Unger esteve no Diário do Nordeste ontem. Ele defende o nome de Ciro Gomes para a Presidência em 2018 Foto: Kid Júnior

Professor, qual é a avaliação dos acadêmicos, em especial os acadêmicos norte-americanos, (grupo) do qual o senhor faz parte, na Universidade de Harvard, sobre a realidade atual do Brasil?

Eu, primeiro, não sou acadêmico americano. Sou um militante brasileiro. A Universidade é uma instituição internacional, não concebo que esteja aguerrido a uma instituição americana. O Brasil pouco aparece no cenário mundial agora, vive esquecido e marginalizado, e a razão é que nós deixamos de ter projeto.

No Brasil, não temos projeto nacional, temos que providenciar um. E a sucessão presidencial de 2018 é a grande oportunidade para organizar uma reviravolta no País, por isso que estou apoiando a candidatura presidencial de Ciro Gomes. Mas não basta ter projeto de poder, nós precisamos ter um ideário que nos oriente na construção de um outro caminho, e esta é minha preocupação maior. De todas as coisas que faltam no Brasil, o que mais falta é ideia. Ideia clara a respeito de outro rumo.

E qual é a participação da população nessa mudança?

A população, os brasileiros todos, não devemos esperar ser salvos de cima. Há uma descrença geral dos políticos, dos partidos. Nós precisamos todos, cada um de acordo com a sua circunstância, entrar no debate internacional, algo que favorece muito a construção dessa alternativa, que é o fenômeno social mais importante, ocorrido no nosso País nas últimas décadas, que é o surgimento desses emergentes. Uma multidão de pequenos empreendedores, mestiços, morenos, vindos de baixo, abraçados a uma cultura de autoajuda e iniciativa, e por trás deles o povo brasileiro querendo seguir aquele caminho.

A revolução brasileira, hoje, seria o Estado usar os seus poderes e recursos para permitir à maioria seguir o caminho da vanguarda de emergentes. É para isto que precisamos, agora, construir um outro ideal de desenvolvimento, um produtivismo includente e capacitador.

Muitas pessoas que apostaram seus votos no Partido dos Trabalhadores se decepcionaram com o que se tornou o partido desde a época do Mensalão, e se fala que o PT institucionalizou a corrupção no Brasil. Qual a sua avaliação sobre o momento que o PT vive e as acusações contra o partido? Porque o senhor, inclusive, participou do governo do ex-presidente Lula.

A minha avaliação é que o PT cometeu três grandes equívocos que nós não deveríamos repetir. Em primeiro lugar, aproveitou o auge do preço dos produtos naturais, das mercadorias tradicionais do Brasil, para confiar apenas na massificação do consumo financiada pela exportação desses produtos, quando o preço estava lá em cima, e deixou de aproveitar esse período de dinheiro fácil para ajudar uma qualificação da produção brasileira, com democratização de oportunidades e de capacitações.

O segundo equívoco vem da própria história do PT, que não tratou de ajudar a organizar o povo brasileiro. São as minorias que estão organizadas no Brasil, inclusive as minorias de trabalhadores. A maioria do povo brasileiro continua desorganizada. […] Não há futuro para o Brasil sem que o povo brasileiro se organize na base e rompa esse condomínio de corporativismos que sufoca o Brasil.

O terceiro grande equívoco do PT é que não aproveitou o seu período no poder para capacitar os brasileiros. De fato, ampliou a oferta quantitativa do ensino, mas não organizou uma transformação do paradigma pedagógico, da maneira de ensinar e de aprender. Um ensino analítico, que substituísse aquilo que sempre prevaleceu entre nós, que é decoreba e enciclopedismo raso. Por conta desses três equívocos, o PT também se entregou a um quarto equívoco, que foi entrar, aparentemente, nesses acertos escusos entre o poder e o dinheiro.

Nós temos que insistir na agenda anticorrupção, porque ela é uma agenda anti-oligárquica, destinada a interromper esse conluio entre as elites do poder e as elites do dinheiro, que suprime o espaço da construção de uma alternativa nacional, mas não nos iludamos: a luta contra a corrupção é indispensável, mas não substitui a tarefa maior, que é organizar um novo modelo de desenvolvimento no País.

Professor, eu queria que o senhor explicasse um pouco como acompanha as outras democracias em outros países, porque aqui as instituições estão funcionando – bem ou mal, estão funcionando –, e a gente tem um presidente que é chamado de líder de facção criminosa e um Congresso que boa parte dele está envolvida com escândalos de corrupção.

Sim, é um pântano em que o nosso País está afundado. O resto do mundo acompanha esse processo complexo sem compreender como poderíamos ter chegado a isto. Mas eu, como um militante do nosso País, encaro esse processo com esperança, não com desalento. Nós, de fato, desmascaramos essa estrutura, ela está se revelando como aquilo que é, ela sobrevive, ela se perpetua à base desses acertos entre as oligarquias políticas e econômicas, e ela está claramente vinculada à supressão de uma alternativa produtivista. O País tem que se rebelar contra isso, tem que compreender que a luta contra a corrupção é necessária, mas não é suficiente. Ela é apenas uma parte dessa tarefa maior, de abrir um outro caminho para o País.

Há um fenômeno central, agora, nas economias do mundo. Nós estamos assistindo, em todo o mundo, ao surgimento de um novo paradigma de produção, baseado no conhecimento e na inovação radical. Mas este novo vanguardismo produtivo, muitas vezes identificado com a indústria de alta tecnologia, continua em todo o mundo confinado a franjas de cada setor, que excluem, até mesmo nos países mais ricos e mais igualitários, a grande maioria da força de trabalho.

Portanto, nós temos, no nosso País, uma tarefa dupla. Nos centros econômicos do nosso País, organizar uma travessia rumo a essa economia do conhecimento, mas fora dos centros, que é a maioria do País, permitir uma passagem direta da economia primitiva, rudimentar, para a economia avançada, sem ter que passar por essa etapa intermediária.

O senhor diz que esse cenário em que o País está não o deixa desalentado, mas boa parte da sociedade está desalentada?

Mas há um remédio, sabe qual é? A esperança não é a causa da ação, a esperança é a consequência da ação. Ninguém precisa ser esperançoso para atuar, a pessoa pode atuar por indignação, por responsabilidade, por convicção, a esperança ganha depois, agindo. O passivo, o que contempla, fica irônico e fatalista, e a maneira de superar é agir.

Essa indignação não pode fazer surgirem os chamados “salvadores da Pátria”?

Salvadores da Pátria eu não sei, é um termo com significados múltiplos. Há um elemento profético na política, em qualquer política séria, e ninguém deve ter vergonha desse elemento: precisa ter conteúdo. E a maneira de evitar as aventuras irresponsáveis é insistir numa construção coletiva de uma alternativa nacional. […] O Brasil está pronto para dar um grande salto no desenvolvimento, mas precisamos mudar o controle do poder e, sobretudo, construir um ideário. As ideias, sozinhas, não mudam o mundo, mas sem ideias não é possível mudar o mundo.

O senhor já fez críticas, no passado, sobre essa questão da polarização entre PT e PSDB. Para 2018, essa polarização continua ou o senhor acredita que teremos, de vez, uma terceira via?

Não, o povo brasileiro descrê dos partidos, esta é a realidade. Não aceita uma política nacional organizada a partir dos sectarismos partidários do Estado de São Paulo. É isso que nós vivemos, esse “são-paulismo” extravagante, em que as brigas locais de São Paulo eram nacionalizadas, sobretudo pela grande mídia do sudeste. O povo brasileiro não está nisso, quer partir para outra. Agora, está buscando num quarto escuro as alternativas.

Professor, e quais são os reparos que esses partidos que o senhor citou devem ter a partir de agora? A gente tem 35 partidos políticos, mais alguns tantos para serem instalados. Como o senhor vê isso?

Muitos partidos, mas só uma ideia. Não nos iludamos. A política brasileira é a política de uma ideia só, que chamei “a Suécia Tropical”. A ideia de que há um caminho no mundo, é o caminho do Atlântico Norte, e temos que imitá-lo e humanizá-lo pelas políticas sociais. Isso não serve para nós. Todas as nossas instituições são copiadas, por isso mesmo que não funcionam. Nós precisamos, agora, construir instituições que sirvam de instrumentos para este dinamismo brasileiro, daí o imperativo do produtivismo includente e de uma transformação radical do ensino.

Há solução para o Brasil em médio prazo ou é coisa a longo prazo?

O longo prazo começa a curto prazo. Essas grandes transformações de estrutura começam nos primeiros passos, esta é a natureza da política transformadora, não aguarda a substituição de um sistema por outro, dá as primeiras prestações de um outro caminho. E eu dei, ainda nesta nossa breve conversa, alguns exemplos desses primeiros passos.

09:28 · 23.06.2017 / atualizado às 09:28 · 23.06.2017 por
A senadora Gleisi Hoffmann veio a Fortaleza para as posses de Acrísio Sena para a Presidência do PT Fortaleza e de Francisco de Assis Diniz para o cargo de presidente estadual. Ato foi marcado por pronunciamentos de correligionários Foto: Kid Júnior

Na primeira visita ao Ceará após ser eleita presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) no início deste mês, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse ontem, em Fortaleza, que a sigla tem, no atual cenário político, “responsabilidade” de construir uma frente de centro-esquerda no País até as eleições de 2018. Reafirmando a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliás, ela pregou diálogo com o ex-governador cearense Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, em busca de “unidade programática” para o País.

Na capital cearense, Gleisi participou, na noite de ontem, de ato político que marcou a posse do diretório estadual do PT, além dos diretórios municipais de Fortaleza e da Região Metropolitana. Antes, a presidente da sigla participou de plenária organizada pelas mulheres petistas e, no Palácio da Abolição, reuniu-se no fim da tarde com o governador Camilo Santana, deputados estaduais do PT e secretários de governo, além dos dirigentes Francisco de Assis Diniz, empossado ontem presidente estadual do partido, e Acrísio Sena, que comanda o PT em Fortaleza pelo próximo ano, para depois dar lugar a Deodato Ramalho.

Após eleições marcadas por divisões internas na disputa pela presidência do diretório municipal do partido na Capital, o tom de diversos pronunciamentos durante o ato de posse, ontem, era de unidade. O evento, inclusive, conseguiu reunir na sede do partido, no bairro Benfica, o governador e a deputada federal Luizianne Lins, além do líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (PT-SP), do líder da minoria naquela Casa, o cearense José Guimarães, e do senador José Pimentel. Na tarde de hoje, Camilo e Guimarães terão, em São Paulo, reunião com o ex-presidente Lula, conforme informou o parlamentar.

Eleições

De acordo com De Assis Diniz, o encontro de Gleisi com Camilo, porém, teve apenas caráter de “visita de cortesia”, sem discussão de pautas específicas. Ao Diário do Nordeste, a senadora disse que a conversa versou sobre “desafios do Estado e da Política”. “(Falamos) da responsabilidade que nós, do PT, temos de construir uma frente de centro-esquerda no País para oferecer ao povo brasileiro uma proposta para recuperar a economia, o desenvolvimento social, melhorar as condições de vida do povo, reconstruir o Brasil, e a importância que ele, como governador, tem nesse processo”.

Ao tratar de eleições, a presidente nacional do PT defendeu que o partido deve “conversar com outros setores” para a formação de uma frente de centro-esquerda até o pleito. “Com o próprio Ciro Gomes, que é do PDT, com o PSB, com outros partidos de esquerda, para que a gente possa ter uma unidade programática para o Brasil”, justificou. Questionada sobre como uma união seria viável na existência de duas candidaturas, já que Ciro Gomes é pré-candidato pelo PDT, Gleisi Hoffmann opinou que esta é uma questão “que pode se discutir mais à frente”.

“Todos nós somos um campo de esquerda, centro-esquerda, somos nacionalistas, queremos o desenvolvimento do País. Vejo que está na hora de a gente sentar e construir essa unidade programática”, pregou a dirigente. “Nós, do PT, temos o Lula como candidato, (ele) tem a preferência nacional, mas isso não nos impede de conversar com outras forças, com outros partidos, até porque a gente quer fazer uma caminhada unitária da esquerda e da centro-esquerda em favor do Brasil”, acrescentou.

Em âmbito estadual, por sua vez, De Assis reafirmou que “inexiste a possibilidade” de Camilo deixar o PT e sinalizou que, embora o governador seja aliado da cúpula do PDT no Estado, o chefe do Executivo deve compor palanque de Lula no Ceará. “Quem deve estar preocupado se vai estar no palanque do Lula ou não é o Camilo. Sabe por quê? Primeiro, porque o PT tem, em Fortaleza, 15% do eleitorado de simpatia; no Estado do Ceará, 26%. O Lula é o principal cabo eleitoral do Ceará, com 64% de apoio. Como ele não vai querer ter esse apoio? É mais do que natural que ele diga: ‘eu quero estar no palanque do Lula’”, apontou.

‘Ao lado do povo’

Já Gleisi frisou que, até 2018, a estratégia de fortalecimento do partido em meio à crise política nacional é “estar ao lado do povo”. “Contra essas reformas que retiram direitos, pelo resgate daqueles programas que tivemos nos governos do PT e, principalmente, por uma política de desenvolvimento social e econômico includente, e não excludente, como eles estão fazendo”.

09:07 · 23.05.2017 / atualizado às 09:07 · 23.05.2017 por

Por Renato Sousa

O presidente estadual do PSDB, o ex-senador Luiz Pontes, defendeu, em entrevista, que o partido tenha um candidato próprio a governador na disputa eleitoral do ano que vem. “O PSDB, dentro da oposição, está trabalhando no sentido de que possamos apresentar um candidato”, declara. Ele evita citar nomes, afirmando apenas que o partido tem quadros a altura da missão.

De acordo com o tucano, o partido deve tentar resgatar, durante a disputa do ano que vem, a experiência administrativa da legenda. “O PSDB é um partido que passou vinte anos como governo. Ele tem uma história do que fez pelo Estado”, explica. Segundo o ex-senador, a intenção é fazer o Ceará “voltar a ser respeitado”.

Luiz Pontes também diz que não há, por enquanto, conversas para tentar filiar algum detentor de cargo para disputar a eleição do ano que vem. Segundo Luiz Pontes, a prioridade no momento deve ser a formação “de um projeto” a ser desenvolvido a partir de junho deste ano, quando encontros regionais devem ser organizados por todo o Interior do Estado.

A intenção, de acordo com o dirigente tucano, é realizar um ou dois eventos por mês, com um deles contando com a participação do recém-empossado presidente nacional da legenda, o senador e ex-governador Tasso Jereissati. Nesses encontros, a ideia é já iniciar o teste dos nomes que podem disputar no ano que vem vagas nos legislativos estadual e federal.

Perguntado se o novo posto do ex-governador Tasso Jereissati modifica, de alguma maneira, a estratégia do partido para 2018, Pontes diz que não. “Independente da volta dele à presidência nacional (do partido), o senador é o maior capital político que nós temos”, explica.

08:40 · 16.05.2017 / atualizado às 08:40 · 16.05.2017 por

Por Miguel Martins

Domingos Neto, presidente estadual do PSD, fala em reuniões com outros grupos da oposição no Ceará e da formação do diretório do seu partido Foto: Nah Jereissati

Enquanto alguns partidos políticos já estão desde o início do ano realizando eventos com o objetivo de estruturarem os seus diretórios e comissões provisórias com vistas ao pleito de 2018, outras legendas ainda não iniciaram o processo de renovação interna. O PSDB e o PMDB também já fizeram alguns.

Outras legendas estão agilizando seus movimentos internos para participarem do pleito do ano que vem sem maiores dificuldades, como é o caso do PT, que realizou neste ano Eleições Diretas e congresso estadual. O Partido da República, além da participação em atividades conjuntas, também fez seu primeiro encontro, em abril passado. Já o PP, de atividade político-partidária, realizou convenção estadual para renovar seus quadros no diretório estadual, apesar das crises internas.

No PCdoB, o presidente da sigla, Luiz Carlos Paes, destacou que neste ano será realizado o 14º Congresso da legenda, que será iniciado em julho, terminando no fim do ano. Fora essa programação mais ampla, o dirigente salientou que o partido realizou no início de abril reunião do comitê central onde foi aprovada a resolução para uma pré-avaliação dos últimos 13 anos de Governo no Brasil.

Conjunto

Já no PSD, de acordo com Domingos Neto, os eventos têm ocorrido em conjunto com as legendas de oposição. A tentativa agora é realizar encontros com os partidos oposicionistas, como ocorreu recentemente no Município de Limoeiro do Norte.

“Temos tido reuniões periódicas com os presidentes dos partidos de oposição ao Governo do Estado. Na semana passada estivemos com deputados estaduais para discutirmos algumas ações da nossa bancada”, disse ele.

O PSD está em busca de realizar um evento de instituição de seu diretório estadual, o que ainda não foi feito. De acordo com Domingos Neto, isso poderá acontecer no próximo mês de junho, visto que ele está aguardando uma resposta do presidente nacional da legenda, o ministro Gilberto Kassab.

O PSOL realiza, também neste ano, seu congresso nacional, que está marcado para acontecer em dezembro. A etapa estadual, no entanto, deve acontecer já em agosto, com plenárias nos municípios e diretrizes políticas para lançamento da delegação cearense. “A gente busca adiantar a discussão sobre 2018, até porque a Reforma Política do (Eduardo) Cunha nos prejudicou muito. Estamos discutindo isso internamente, e iniciando uma discussão no Ceará”, informou Cecília Feitoza, presidente estadual da sigla.

Segundo informou Feitoza, o partido tem interesse de construir uma perspectiva de candidatura, mas ela acredita que a Reforma Política que tramita no Congresso Nacional vai contribuir para que alguns partidos deixem de existir, e o PSOL seria um deles. “Estamos trabalhando para que o partido não deixe de existir”, disse a dirigente.

11:46 · 13.05.2017 / atualizado às 11:48 · 13.05.2017 por
O evento é comandado pelo presidente do partido, André Figueiredo. Foto: Cid Barbosa

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) realiza, neste sábado (13), no Município do Crato,  na Região do Cariri, o seu Terceiro Encontro Regional, com vista a preparar a sigla para o pleito do próximo ano. Dentre as lideranças políticas presentes estavam o ex-governador do Estado, Cid Gomes; o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque; e o presidente do grêmio no Ceará, o deputado federal André Figueiredo.

Dentre os temas listados por eles para tratar no encontro estava as discussões internas para melhoria dos indicadores do Brasil, em especial a economia. O partido está em busca de unidade em todo o País, uma vez que pretende lançar uma candidatura ao Governo Federal, sendo que o nome mais cotado é do ex-deputado federal Ciro Gomes.  Ele não participou do evento que aconteceu no Centro de Convenções do Cariri.

O primeiro Encontro Regional do PDT do Ceará aconteceu no dia 8 de abril, em Sobral; e o segundo no feriado do dia 21 de abril, no Município de Guaramiranga, no Maciço de Baturité.

Também acompanharam o evento deste sábado o deputado federal Leônidas Cristino e os secretários do Trabalho e Desenvolvimento, Josbertini Clementino; e de Assuntos Internacionais, Antonio Balhman, além dos deputados estaduais Mirian Sobreira, Julinho e Sineval Roque, bem como lideranças locais e prefeitos da região.

 

 

10:33 · 13.05.2017 / atualizado às 10:33 · 13.05.2017 por

Por Edison Silva

Camilo Santana foi ao encontro estadual do PT, em Fortaleza, mas não se manifestou sobre apoio à candidatura do ex-presidente Lula, como reclamaram alguns dos seus correligionários participantes do evento
Foto: Nah Jereissati

As definições quanto ao quadro sucessório estadual, assim como de resto as formações das chapas proporcionais e senatoriais, só começarão a surgir a partir de outubro, quando já estiverem oficialmente definidas as legislações eleitoral e partidária, um ano antes do dia da votação, 7 de outubro de 2018, o primeiro domingo daquele mês. Em dezembro deste ano, conforme está previsto, acontecerá a segunda e, provavelmente, a mais importante etapa para o pleito vindouro, que será a abertura da janela para os políticos trocarem de partido, com garantia de filiação partidária que os habilitem à disputa do voto.

A candidatura de Lula a presidente inviabiliza, por óbvio, a de Camilo pelo PT à reeleição com o apoio do PDT tendo Ciro Gomes na relação de postulante ao Poder Central. O governador tem a preferência de lideranças do PDT cearense de apoio à sua reeleição, mas quer reciprocidade.

No PT, com o partido tendo nome concorrendo à Presidência da República, Camilo sequer poderá citar o nome de Ciro nos palanques e no espaço da propaganda eleitoral de sua campanha. Ciro também tem o mesmo impedimento.

Camilo, pelas posições assumidas claramente, será eleitor de Ciro. Não há outra razão para ter o apoio do grupo que o levou à chefia do Poder Executivo estadual senão o de continuar junto ao mesmo.

Convenções

O desgaste do PT com as ações da Lava-Jato, aliado às restrições sofridas de parte do partido, ao longo dos últimos anos, motivam-no a buscar outro abrigo partidário dentro do arco de aliança a ser formado para sustentar a candidatura de Ciro.

Tarefa um tanto quando difícil, principalmente pelo fato de as coligações só efetivamente se concretizarem nas convenções partidárias, provavelmente entre os meses de julho e agosto do próximo ano.

Independentemente dos prazos para a oficialização das candidaturas e das coligações majoritárias, o momento significativo para Camilo, porém, será o ditado pela nova legislação, principalmente quanto à filiação partidária, posto não haver restrição para os detentores de mandatos executivos e de senador trocarem de partidos, como há para os demais legisladores, obrigados a aguardarem a tal “janela”, para buscarem nova sigla.

Camilo terá que ter sua filiação definitiva, para a disputa à reeleição, nove meses antes do pleito. Até lá, por certo, ele avaliará o melhor caminho a seguir para garantir sua postulação, no próximo ano, a um segundo mandato.

Lista e financiamento

No último sábado, no encontro estadual do PT, Camilo foi cobrado a se manifestar sobre a candidatura presidencial de Lula. Nada disse. Correligionários petistas, porém, foram explícitos ao condicionarem o seu direito de legenda para ser novamente candidato ao Governo a apoiar o nome de Lula, mesmo sabendo da sua preferência e as conveniências que encerram o processo de consolidação de sua postulação à reeleição.

Os poucos aliados do governador, que no seu partido defendem a chapa Lula presidente e Camilo governador, com ele continuando no partido, não votarão na convenção a favor da homologação do seu nome sem um anúncio público de renúncia à candidatura de Ciro, uma questão, ao tempo atual, dificílima.

Na próxima terça-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados volta a discutir temas da Reforma Política. A lista dos partidos e o financiamento público da campanha estão no centro daquele encontro. Os dois estão intimamente relacionados. Os deputados da Comissão têm mantido contatos de assessoramento constantes com integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Habilitação

A preocupação é evitar grandes discordâncias dos temas em discussão. A alegação quanto à necessidade da lista, além do fortalecimento dos partidos, é a necessidade de compatibilização entre as candidaturas e os custos da eleição, hoje, sem qualquer dinheiro saído dos caixas das empresas de forma legal.

Há uma certa resistência, na Câmara, quanto à formação das listas partidárias, principalmente pelo fato de os partidos brasileiros, em expressiva quantidade, funcionarem de forma cartorial. Os donos mandam tudo.

Assim, a lista poderia ser composta como bem aprouver cada um deles. O relator, o deputado petista Vicente Cândido, sugere, no entanto, nesse particular, que a lista seja elaborada em “convenção, com a participação dos delegados do partido”, por “prévias, abertas a todos os filiados do partido” e, ainda, por “primárias, abertas a todos os eleitores que se inscreverem”.

Uma outra novidade em discussão é na parte referente aos registros das candidaturas. Pela proposta do relator, haveria uma habilitação prévia dos candidatos entre os meses de fevereiro e março do ano da eleição, que os pretensos postulantes pediriam à Justiça Eleitoral, permitindo que esta, ao tempo que os políticos pudessem fazer articulações, a Justiça tivesse condições de examinar detidamente os seus documentos, facilitando, dessa forma, o processo de registro dentro do prazo.