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Tag: eleições 2018


10:11 · 19.03.2017 / atualizado às 10:11 · 19.03.2017 por

A sexta edição do Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, agendada para ocorrer entre os dias 01 e 03 de junho, será decisiva para os petistas. Além de apontar novos rumos ao partido, o encontro terá a missão de escolher a sua nova Direção Nacional, o novo presidente do PT e, de acordo com o que afirmou em discurso  na Assembleia Legislativa o deputado Elmano Freitas (PT), o ex-presidente Lula pode ser oficializado como candidato à presidência da República. “Estamos inciando em nosso partido um processo de debate para o Congresso, onde vamos apresentar diretrizes para o programa de governo a ser apresentado na disputa do ano que vem”, disse. “Se depender de nós, aprovaremos o nome de Lula para presidir o partido e apresentá-lo à sociedade como o nome a disputar a presidência”, declarou.
Elmano afirmou que o PT trabalha a construção de um novo projeto para o país. “Esperamos que, ao chegar em 2018, não sejamos um país com a reforma da Previdência aprovada, mas com o histórico de ter derrotado a proposta de Michel Temer”, sustentou.
O petista ressaltou que 2017 será o ano de resistência às propostas do governo “golpista” de Temer. “Ao mesmo tempo, será de preparação para a disputa que teremos nas eleições de 2018. E, por isso, já estamos assistindo há alguns meses, de maneira diuturna e massiva, ataques permanentes ao ex-presidente Lula”.
Os ataques, segundo Elmano, partem daqueles que defendem mudar a Previdência e tirar direitos dos trabalhadores. “Eles sabem que há uma liderança popular construída no país e que é uma das poucas capazes de liderar o povo contra as reformas e apresentar projeto para 2018, que recoloque como centro de desenvolvimento o povo pobre do Brasil”, apontou. “Trata-se de uma liderança que entende de melhorar a renda dos mais pobres, garante o desenvolvimento e não retira direitos”.

09:53 · 18.03.2017 / atualizado às 09:53 · 18.03.2017 por

Por Edison Silva

O prefeito Roberto Cláudio tem um projeto de obras para este ano, parecido com o de 2016, quando disputou o segundo mandato Foto: Fabiane de Paula

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) está com um esquema político-administrativo muito bem estruturado que, se mantido ao longo de todo este ano, e oferecendo os resultados planejados, o credenciará, em 2018, como um dos principais eleitores na sucessão estadual, diferente do pleito de 2014, quando, por uma série de fatores, dentre eles o de estar praticamente iniciando o Governo, após o primeiro ano de organização da sua própria arquitetura de gestão, das dificuldades financeiras para tocar as obras em andamento e a falta de uma consistente base de apoio legislativo.

Naquele ano, ainda sob a sombra do difícil resultado eleitoral da disputa municipal, bem acirrada no seu segundo turno, ele teve de assumir a candidatura ao Governo do Estado de um neófito para o eleitorado fortalezense, Camilo Santana, portanto, dependente total do trabalho político de seus aliados no maior colégio eleitoral do Estado, onde, o grupo liderado por Cid Gomes, desde o após Ciro Gomes prefeito desta cidade, eleitoralmente é bem menos expressivo em se comparando com a situação nos demais municípios cearenses. Camilo foi derrotado na Capital.

Equilibradas

As dificuldades da economia nacional, inevitavelmente, poderão tolher, de certa forma, algumas das ações planejadas pelo prefeito, mas, se não forem agravadas, as expectativas dizem que não serão, o essencial do projetado será executado, posto estar o erário municipal suficientemente capacitado para suportar os encargos a ele atribuídos nesse projeto de estabelecimento de metas para todos os setores da administração, como a de sequência das obras e da prestação dos serviços essenciais, notadamente os da Saúde, da Educação e de Mobilidade Urbana.

A partir do segundo ano do seu primeiro mandato, Roberto Cláudio colocou Fortaleza no topo das capitais brasileiras em razão dos ajustes feitos que deixaram devidamente equilibradas a sua arrecadação e as despesas. Foi e é ajudado pelo Estado, com os governadores Cid Gomes (PDT) e Camilo Santana (PT), apesar de toda crise na administração pública brasileira. A Prefeitura está apostando na autorização federal para a contratação de empréstimos externos, já pactuados com organismos internacionais, e a própria União, garantindo obras já previstas para o próximo ano.

O Governo Central pode até continuar dificultando, mas o prefeito, nos longos caminhos já percorridos para vencer a burocracia, e as reservas de peemedebistas em Brasília, tem contado com o apoio do senador Tasso Jereissati (PSDB), não como aliado político, ele sempre tem reafirmado sua posição de oposicionista, mas por ter espírito público suficiente para separar os interesses do Estado e os do seu partido e aliados. A propósito, Tasso também tem dado ajuda significativa ao governador Camilo Santana, nos pleitos do Ceará em Brasília.

Performance

Fortaleza se ressente de um líder capaz de ser um eleitor qualificado nas sucessões estaduais. Juraci Magalhães (PMDB), por uma década, após substituir Ciro na Prefeitura, e até a eleição de Luizianne Lins (PT) para sucedê-lo, mostrou ter o apoio do fortalezense, elegendo um sucessor e voltando ao cargo logo a seguir, mas pouco influenciou na disputa estadual, embora quando candidato a governador em 1994, perdendo para Tasso Jereissati, tenha conseguido uma boa performance na Capital, ao contrário do que aconteceu em 2006, quando disputou uma vaga de deputado federal, somando apenas 26.893 votos, ficando como um suplente do PL ao ter obtido somente 31.226 sufrágios em todo o Estado.

Luizianne Lins, na sua meteórica carreira até chegar à Prefeitura da Capital, tendo passado rapidamente pela Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, era apontada como uma liderança emergente. Não conseguiu fazer o seu sucessor, teve uma votação na eleição de deputada federal nada significante para uma liderança local e na última eleição municipal ficou num sofrível terceiro lugar, frustrando todas as suas próprias perspectivas e da companheirada. São poucas as chances de reconquistar as vitórias das primeiras eleições disputadas.

O eleitorado de Fortaleza, como de resto os das muitas capitais brasileiras, difere dos das demais cidades. Ele tem um nível melhor de discernimento e certo grau de independência para a escolha dos seus representantes. Roberto Cláudio sabe disso. Para não cair nos mesmos erros dos seus antecessores, tem sim de fazer diferente tanto no campo político, como, e principalmente, no administrativo, para realmente ser um eleitor qualificado, capaz até de ficar dois anos sem mandato e ser bem lembrado no pleito seguinte.

Ele quer realmente ficar no cargo até o fim do ano 2020 ao dizer que o seu candidato a governador é Camilo Santana, embora o sucesso de seu Governo, neste ano, possa colocá-lo no páreo na sucessão de Camilo.

Encontro

As principais lideranças do PDT cearense vão estar em Brasília, hoje, para a convenção nacional do partido, quando, também, o nome de Ciro Gomes será enfatizado como o candidato do partido à sucessão presidencial. O ex-governador Cid Gomes e o prefeito Roberto Cláudio, no evento, poderão ser eleitos para a direção nacional da agremiação.

Ciro, como dissemos no último fim de semana, tem sido o centro de todas as atividades públicas da agremiação no País. Nos últimos dias ele ocupou vários espaços da propaganda partidária do partido, defendendo suas posições em relação às mudanças que hoje são discutidas no Congresso Nacional.

 

 

10:07 · 11.03.2017 / atualizado às 10:07 · 11.03.2017 por

Por Edison Silva

Com encontros nos Estados Unidos e na Europa e pelo Brasil, Ciro busca multiplicadores das suas propostas Foto: José Leomar

Ciro Gomes (PDT) está falando, sem rodeio, sobre o cenário político nacional, para situar sua candidatura à Presidência da República, no próximo ano, quando deixa a entender já a ter consolidada. No seu pensar, chegou ao topo o desgaste imposto aos partidos e seus filiados, implicados na Lava-Jato, portanto, o quadro de candidatos em 2018 está praticamente definido.

Pouco, ou quase nada, será acrescentado aos escândalos atualmente conhecidos, mesmo com os depoimentos dos delatores da Odebrecht ainda mantidos em sigilo. O eleitorado brasileiro já está suficientemente enojado com as informações recebidas, portanto, no limite da indignação.

O ex-governador cearense se diz entristecido com a realidade política nacional e, ao mesmo tempo, confiante na sua postulação pela coerência do discurso que professa desde o início da sua, já considerada, longa vida pública que vai da Prefeitura de Fortaleza, passando pela Assembleia Legislativa, o Governo do Ceará, e dois ministérios (Fazenda e Integração Nacional) da República.

O PDT só não dá a estrutura mínima necessária para o embate, mas sem a candidatura do ex-presidente Lula a um novo mandato presidencial, ele entende não ser tão difícil montar uma aliança de centro-esquerda para fazer frente às forças conservadoras e de direita.

Candidatos

Ao contrário do pensar anterior, Ciro não trabalha com a hipótese de ter o PT como seu aliado, pelo menos no primeiro turno da disputa. Os petistas terão seu candidato, até por necessidade de manter suas bases ainda fiéis. A não candidatura do Lula, esclarece o pedetista, não tem qualquer relação com a Lava-Jato. Sem o seu principal nome na disputa, o PT não fechará o arco de aliança sempre montado nas últimas campanhas.

No quadro atual, Ciro admite que disputará com um candidato do PMDB, no seu entender um nome que repetirá o insucesso de Ulysses Guimarães, o último candidato do partido a presidente, assim como o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um petista, Marina Silva e Jair Bolsonaro.

Mas não são os nomes dos prováveis adversários e nem as alianças para sustentação da campanha a sua principal preocupação no momento. Essa questão fica para ser cuidada a partir do fim deste ano e início do próximo por ele e a direção do PDT.

Os eventos nacionais do partido e as palestras em ambientes de formadores de opinião são os objetivos dos próximos meses, acrescentando a isso umas viagens à Europa e Estados Unidos, para encontros em universidades, a partir do fim deste mês (na Pensilvânia, em Paris, Barcelona e Oxford).

Dinâmica

Ele espera dar mais visibilidade às suas propostas e contraponto ao que tem sido feito na administração pública nacional, conquistando, com isso, multiplicadores das suas ideias e apoios suficientes para facilitar os entendimentos partidários. As declarações de Caetano Veloso em apoio à sua pretensão são um exemplo do que está pretendendo colher.

Em agosto de 2015, quando anunciamos neste espaço a disposição de Ciro Gomes ser novamente candidato à Presidência da República, dissemos que o eleitorado nacional, por conta das mazelas já conhecidas àquela época, embora em menor potencial, “exigirá discursos mais firmes dos postulantes, de modo, não a convencerem aos eleitores, atualmente ressabiados com tantas inverdades, mas capazes de os motivarem a ser menos céticos em relação às promessas” que sempre são feitas e não cumpridas.

Ciro, prosseguimos, “pode ser um dos que venham a ter audiência, não só pela fluência como pela consistência do discurso, hoje, por certo, mais embasado. Suas passagens por diversos cargos públicos nas esferas municipal, estadual, nacional, e de executivo da iniciativa privada, sem máculas, as credenciam-no a ser ouvido e estar à altura das exigências reclamadas a quem deseja ser presidente do Brasil”.

A dinâmica como os fatos negativos surgem no Brasil, e a facilidade de o eleitor aceitar “salvadores”, nos permitem admitir que o ambiente de instabilidade nos partidos e a insegurança de prováveis candidatos motivem alterações inesperadas, deixando a posição final para os últimos momentos permitidos pela legislação eleitoral, em meados do próximo ano.

Até lá, as especulações dominarão o ambiente, principalmente em razão das decisões judiciais no âmbito da Lava-Jato, e mais significativa e principalmente quanto ao processo de cassação da chapa Dilma-Temer, em avançado curso no Tribunal Superior Eleitoral.

Cassada a chapa e eleito indiretamente um presidente da República pelo Congresso Nacional, com direito a postular a reeleição, o ungido, mesmo que ao fim do processo tenha se mostrado uma figura de menor expressão, tenderá a alterar o quadro, seja como candidato ou patrocinador de qualquer deles com a força do Governo, instrumento desequilibrador de campanha.

07:50 · 23.02.2017 / atualizado às 07:50 · 23.02.2017 por

Por Miguel Martins

Elmano de Freitas, presidente do PT Fortaleza, diz que a indicação de Lula neste ano seria reação a ataques enfrentados pelo ex-presidente Foto: José Leomar

Os deputados cearenses do Partido dos Trabalhadores (PT), juntamente com lideranças das mais diversas áreas da legenda Brasil afora, querem propor, já em junho, durante o congresso nacional da sigla, a indicação do nome do ex-presidente Lula para a disputa eleitoral de 2018. De acordo com os petistas, é necessário avançar em um diálogo mais próximo com a população, sem deixar de reconhecer os erros cometidos pela agremiação ao longo dos anos.

Presidente do partido em Fortaleza, o deputado estadual Elmano de Freitas afirma que vai defender a antecipação da pré-candidatura do ex-presidente já em junho. Para ele, as táticas eleitorais no Ceará para a disputa em 2018 devem ser subordinadas à candidatura de Lula como candidato do PT. “Queremos lançar logo a pré-candidatura do Lula, apresentando ao povo que o PT vai ter candidato e é o Lula”.

Já há algum tempo, porém, o ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT) vem se colocando como possível candidato à Presidência da República, tendo no Ceará o governador Camilo Santana (PT) como principal aliado. Quanto a isso, Elmano destaca que há um sentimento grande dentro do partido, em todos os cantos do Brasil, para antecipar a indicação de Lula ainda neste ano, visto o processo de ataques que enfrenta o ex-presidente.

Autocrítica

Ele defende, porém, uma autocrítica dos governos petistas, sendo uma delas à ausência de reforma estrutural. Segundo o parlamentar, mais importante no momento, contudo, seria a reforma do sistema político brasileiro. “Lula governou dentro de um sistema podre e nós precisamos atacar isso de frente, pois não é possível manter um Congresso Nacional como o que temos. Precisamos retirar do parlamento e colocar para o povo brasileiro decidir. Precisamos avançar por uma democracia semi-direta”, argumentou Elmano.

O petista ressalta, ainda, que é necessária a volta do crescimento econômico, o que seria feito com base no investimento no mercado interno, como Lula já implementou no seu governo. Segundo ele, a aposta na iniciativa privada com redução da abrangência do Estado é um modelo que já fracassou, sendo necessária mudança de crescimento baseada no mercado interno de massa e exportação.

A deputada Rachel Marques (PT) afirma que a indicação do nome de Lula como pré-candidato à Presidência da República não seria apenas uma antecipação, mas uma forma de fazer o debate de um modelo de desenvolvimento diferente do implantado pelo Governo Michel Temer (PMDB). “Temos uma grande liderança no partido, com um legado extraordinário, e nesse momento é importante para se fazer o contraponto diante do retrocesso que estamos tendo no País”, disse.

Ela também lembrou o governo de Lula quando, diante da crise econômica internacional, ele investiu no consumo popular, além da distribuição de renda. “É importante a gente ter que lançar o nome para fazer essa discussão do desenvolvimento econômico para o País”.

Forças reacionárias

“Nós defendemos que ele seja indicado a partir de agora”, disse o deputado Manoel Santana (PT), ressaltando que há uma disputa política intensa com viés eleitoral imposta, segundo ele, por forças reacionárias que perseguem o ex-presidente. O parlamentar destacou, ainda, que há uma falta de rumo político no atual Governo que, em suas palavras, “não sabe onde quer chegar, a não ser no intuito de tirar direitos dos trabalhadores”.

No entanto, Santana defende a instalação de um programa claro, que saiba onde quer chegar e com discurso claro para a população. “Devemos começar a fortalecer o debate em cima de uma política programática. Se diz que é necessário uma política de emprego e renda, mas qual vamos fazer? Qual proposta que vamos apresentar para o déficit da Previdência, se é que existe um? E a Saúde? É isso que deve ser colocado agora”, destacou.

09:24 · 18.02.2017 / atualizado às 09:24 · 18.02.2017 por

Por Edison Silva

Apoiadores, preocupados com as eleições do próximo ano, defendem que o Governo Camilo Santana defina uma identidade Foto: Yago Albuquerque

Preocupado com 2018, tem aliado do governador Camilo Santana reclamando uma identidade para a sua gestão. O Governo não é petista, embora o chefe do Executivo ainda seja do PT; a administração não é pedetista, apesar de sua base de sustentação majoritariamente ser do PDT; o Governo acolhe o PCdoB nas suas entranhas, mas nada tem de comunista; incluiu agora, recentemente, um indicado do PSB numa de suas mais importantes Pastas, a das Cidades, e por fim entregou o seu Planejamento a um tucano, cujos ideais administrativos e políticos são diametralmente opostos ao projeto até então colocado para o eleitorado cearense pelo governador e o grupo que o apoiou.

Para completar a mixórdia, ainda se incluem no Governo do Estado representantes do DEM e do PPS que, como o PSDB, são adversários fidagais do PT de Camilo. Não erra quem afirma que todos eles são apenas figurantes. Não têm como aplicar políticas das diretrizes de suas respectivas agremiações.

No entanto, apesar de serem apenas figurantes, desfiguram a matriz governamental, além da possibilidade de emperrarem algumas ações governamentais, posto conflitarem com os projetos que em suas agremiações estão sedimentados como os mais viáveis para o desenvolvimento do Estado. Difícil pensar o tucano Maia Júnior planejando os dois últimos anos de Camilo à luz das perspectivas de petistas e pedetistas.

Dispostas

Filiados ao PDT cearense torcem por uma candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Reservadamente, alguns admitem a dificuldade de ela ser viável, por razões diversas, inclusive a da falta de uma estrutura político-partidária, capaz de garantir a musculatura necessária ao embate, a partir do tempo para a propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

As esquerdas, com o PT à frente, não estão dispostas, pelo menos até aqui, a emprestarem o apoio a Ciro para enfrentar os demais concorrentes, sobretudo a chapa saída de uma aliança do PSDB com o PMDB e o DEM, respaldada pela estrutura do Governo Federal, e os espaços na mídia garantidos pelas respectivas legendas, detentoras de grandes bancadas na Câmara.

Uma postulação competitiva de Ciro daria importante sustentação à pretensão de um segundo mandato para Camilo. Do contrário, o sucesso do objetivo do governador (reeleição) só dependerá realmente dos resultados de sua administração e do empenho das lideranças que lhes apoiarem.

Com essa miscelânea de representantes partidários, o eleitor tende a ficar confuso quanto à identidade do Governo e, por óbvio, propenso a buscar um candidato que lhe possa garantir um governo homogêneo, como estará a oposição cearense, a persistir o quadro político atual, quando todos se unirão para derrotar a situação, no caso o grupo liderado pelos ex-governadores e irmãos, Ciro e Cid Gomes.

Entrosados

O PSDB do senador Tasso Jereissati, o PMDB do senador Eunício Oliveira, o PR do ex-governador Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa, parte considerável do PT, PSD, PMB, Solidariedade e outras siglas menores no Ceará têm o mesmo objetivo: destronar os atuais governistas.

Mesmo sem qualquer acordo formal, afinal não são amadores para fecharem aliança com tanto tempo ainda a perseguir, os oposicionistas estão bem entrosados, por conta da provocação feita pelo conselheiro Domingos Filho, parte desgarrada do grupo governista, com imensa capacidade de tratar com políticos e determinado a ser um instrumento para ajudar a defenestrar aqueles que, até bem pouco, tinha como líder, o mesmo objetivo de tucanos e peemedebistas.

Domingos, como aqui já relatado, deixa o Tribunal de Contas dos Municípios, no próximo ano, a tempo de se filiar ao PSD ou ao PMB, partidos que comanda através do filho e da mulher, respectivamente, sem preocupação com a aposentadoria de conselheiro. Até lá ele continuará tirando proveito da luta sobre a extinção ou não do órgão.

Na época de sua renúncia ao cargo, ele ainda não terá os cinco anos mínimos exigidos para a aposentadoria no cargo, mas já tem garantida uma aposentadoria parlamentar, cujos subsídios são suficientes para a manutenção de qualquer família. Ele é candidato a um cargo majoritário, preferencialmente de governador, ficando as duas vagas de senador para indicações do PMDB e do PSDB, além das suplências de senador, e o lugar de vice-governador.

07:53 · 14.02.2017 / atualizado às 07:53 · 14.02.2017 por

Por Miguel Martins

Deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, já organiza uma série de encontros no Interior do Estado, a partir do próximo mês Foto: Bruno Gomes

As principais agremiações do Estado já estão estudando como preparar suas bases com vistas às disputas eleitorais de 2018, quando teremos eleições para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Enquanto as siglas aliadas do governador Camilo Santana (PT) devem trabalhar com foco em sua reeleição, as legendas de oposição estão tentando se fortalecer para apresentar nomes que façam frente à candidatura natural do atual chefe do Poder Executivo.

Segundo o presidente do PT no Estado, Francisco de Assis Diniz, o objetivo principal da legenda é a reeleição do governador Camilo Santana. O grêmio, conforme informou, não tem discutido possibilidades de disputa à Presidência da República, mas está focado no nome de Camilo para a disputa em 2018.

Desde o término das eleições municipais no ano passado a legenda vem realizando mobilizações, buscando se reorganizar e aglutinar sua militância. Dentre os meios utilizados para a reestruturação do partido está a realização dos congressos, onde serão escolhidos os dirigentes dos diretórios municipais, estaduais e nacional. Atualmente, a sigla possui 19 prefeitos e 124 vereadores no Ceará que darão suporte às candidaturas proporcionais do próximo ano.

Encontros regionais

“Temos uma centralidade que é a reeleição do governador Camilo Santana, além de manter as bancadas que temos na Câmara e Assembleia. A candidatura presidencial terá o seu momento oportuno para ser discutido, bem como suas instâncias”.

O PDT segue sendo o partido com maior representatividade no Estado, atualmente com 51 prefeitos e 372 vereadores. A partir de março a sigla pedetista iniciará a realização de oito encontros regionais, a começar pelo Maciço de Baturité, buscando fortalecer sua base com vistas ao pleito de 2018. Nesta semana, o partido vai realizar, em Brasília, o Primeiro Encontro Nacional de Vereadores, onde buscará capacitar os parlamentares eleitos no ano passado.

“A ideia é mantermos os encontros regionais pensando já em 2018 como estratégia de, constantemente, ficar discutindo os problemas das regiões cearenses”, disse o deputado federal André Figueiredo, presidente do PDT no Ceará. Segundo ele, há ainda um pensamento de lançar uma candidatura à chapa majoritária, claro, respeitando a vaga do governador. “Temos que buscar fazer uma grande chapa de deputados federais e estaduais”, defendeu.

No PP, o vice-presidente da sigla no Ceará, Antônio José, afirmou que há um diálogo constante com aliados, bem como com os representantes nas casas legislativas em busca de fortalecer a participação da legenda. Ele ressaltou que há interesse em aumentar o número de membros do partido na Câmara Federal e Assembleia, mas esse é um diálogo que terão mais à frente.

Agenda

Para o mês de maio está programada a realização de debate no partido que poderá reeleger o senador Ciro Nogueira à presidência da legenda. Logo após, ocorrerá a eleição no diretório cearense do partido. Antônio José afirmou que está dialogando com a executiva nacional para que se tenha uma escolha de consenso no Ceará.

Presidente do PSD no Ceará, o deputado federal Domingos Neto afirmou que está trabalhando na constituição de uma agenda de propostas para o Ceará nas áreas de Saúde, Educação e Segurança, bem como filiando novos quadros, de preferência técnicos, já com vistas ao pleito de 2018. Paralelo a isso, o partido pretende lançar uma chapa plural de nomes para a disputa na Assembleia e na Câmara Federal, principalmente, nomes novos que estejam fora da política tradicional e que possam estar emprestando seus nomes para oxigenar o cenário atual.

O partido enfrenta uma certa dificuldade com parlamentares de seu bloco político que não atenderam às posições das legendas, que desde dezembro passado adotou uma postura de oposição ao Governo do Estado. Segundo disse, não há um ambiente de animosidade entre eles, mas ressaltou que se algum deles deseja sair do partido, no momento certo isso será avaliado.

O PSD faz parte de uma bancada de oposição formada no Ceará também por PMDB, PSDB, PR, SD e PMB. Dessas siglas saíra o nome que poderá disputar o cargo majoritário em 2018, e por enquanto estão todos unidos com esse propósito.

O PMDB, uma das maiores siglas do Estado, vai iniciar, na próxima sexta-feira, a realização de seus encontros regionais, onde pretende contar com a presença de prefeitos e vereadores eleitos, além de representantes de siglas aliadas. O presidente do partido no Ceará, o senador Eunício Oliveira, recentemente eleito presidente do Senado Federal, também deve comparecer.

Segundo o vice-presidente da sigla, Gaudêncio Lucena, existe um projeto que não é apenas da sigla peemedebista, mas de todos os partidos que fazem parte da bancada que dá sustentação ao grupo. Conforme defendeu, com o ingresso de PSD e PMB na oposição, o bloco ficará mais robusto, com possibilidade de disputa a cargos majoritários.

07:52 · 14.02.2017 / atualizado às 07:52 · 14.02.2017 por

Por Miguel Martins

Luiz Pontes, presidente estadual do PSDB, é entusiasta das prévias para escolha dos candidatos, inclusive a governador, pelo seu partido Foto: José Leomar

Depois do resultado da prévia que resultou na candidatura e, consequente, vitória de João Dória Jr. na eleição para a Prefeitura do Município de São Paulo, o presidente do PSDB no Ceará, Luiz Pontes, quer adotar a eleição interna no partido para escolher um nome ao Governo do Estado em 2018. Outrora a principal força política local, a sigla tucana viveu momentos difíceis há alguns anos, e desde as eleições de 2014 está buscando se recuperar como força política.

Atualmente, em todo o Ceará, o PSDB possui 160 vereadores, 15 prefeitos e duas dezenas de vice-prefeitos, além de comissões provisórias e diretórios em 170 dos 184 municípios do Ceará. De acordo com Pontes, o partido pretende arregimentar novas lideranças no Estado em busca de trabalhar uma “nova política” para os cearenses.

“Nós estamos realizando reuniões com algumas lideranças, discutindo a renovação dos diretórios e das comissões provisórias e esperamos que até o fim de março estejamos com tudo definido. O partido começa a se preparar para as eleições de 2018, buscando renovações, não só quanto a novas lideranças, mas em pessoas interessadas em disputar eleição para deputado estadual, federal”, disse o dirigente.

Segundo ele, por enquanto há “um sentimento forte” dentro da legenda para que ela tenha um candidato próprio ao Governo do Estado em 2018 e, por conta disso, durante todo o ano de 2017 o partido fará um trabalho de encontros regionais em busca de fortalecer as bases da sigla no Interior do Estado.

Os eventos acontecerão por regiões, sendo divididos por Cariri, Zona Norte, Centro-Oeste, Sul e Norte. “Faremos três reuniões no Cariri, terminando em Juazeiro do Norte; nos municípios da Zona Norte, com um finalizado em Sobral; além de pequenas regiões da Ibiapaba, terminando em Tianguá”.

O PSDB, conforme informou, está se mobilizando, realizando novas filiações, e é de interesse de Luiz Pontes implantar de vez as prévias no PSDB do Ceará para a disputa ao Governo do Estado e ao Senado. Segundo ele, as discussões em torno do tema já estão sendo feitas, e em breve ele irá a São Paulo para dialogar com o governador daquele Estado, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), e com o presidente nacional da sigla, o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Modelo

“As prévias que foram feitas em São Paulo devem ser o modelo para os demais estados brasileiros, visto que João Dória Jr. foi vitorioso nas prévias e já no primeiro turno se consagrou eleito prefeito da cidade de São Paulo”, destacou o presidente do partido. Segundo ele, que no passado já foi contra as prévias, o modelo foi “um exemplo de democracia” que deve ser implantado no Estado do Ceará.

“Vou discutir com eles o modelo, mas elas podem começar no final de 2017 ou início de 2018. Quero saber o que eles lá de São Paulo acham, o que deu errado, o que pode ser melhorado. São Paulo é um exemplo que deve ser seguido e precisamos tirar proveito daquilo que foi bom”, defendeu.

Luiz Pontes evitou citar nomes, mas ele acredita que o senador Tasso Jereissati, eleito em 2014, tem uma capacidade de aglutinação que lhe confere possibilidade de ser um dos indicados ou apontar algum nome. No entanto, ele ressalta que novos nomes podem surgir, a despeito do que ocorreu no caso Doria Jr. em São Paulo.

“O importante, a partir de agora, é que vou me dedicar a fundo para implantar as prévias. Tenho que conversar com os membros da executiva estadual, das municipais e aproveitar esse momento que estamos renovando os diretórios para abrir esse diálogo, para que, futuramente, possamos fazer prévias em todos os municípios”, defendeu.

09:05 · 07.02.2017 / atualizado às 09:05 · 07.02.2017 por

Por Miguel Martins

deputado José Sarto não parece muito confiante na unidade das agremiações que estão no campo mais à esquerda no pleito de 2018 Foto: José Leomar

A constituição de uma frente de esquerda com vista às eleições presidenciais de 2018 deve passar por diversas etapas de discussão até o pleito do próximo ano. No entanto, algumas lideranças políticas desses partidos acreditam haver uma necessidade urgente de composição para tentar reaver uma agenda progressista mais à esquerda do espectro político nacional.

O apoio oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) ao nome de André Figueiredo (PDT) na disputa pela Presidência da Câmara Federal foi, segundo afirmam, uma sinalização de maior aproximação das duas legendas, principais agremiações de oposição, hoje, ao Governo de Michel Temer. No entanto, nem todos os petistas deram como certo o voto ao pedetista, o que demonstra que há um longo caminho a percorrer até a consolidação dessa aliança.

Do outro lado, o PCdoB, aliado histórico do PT, defendeu que seus 12 deputados federais apoiassem o nome do democrata Rodrigo Maia, que se consagrou vitorioso na disputa, ainda que este seja aliado de primeira ordem de Michel Temer e tenha defendido o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, motivo principal da oposição ao Governo instituído desde então. No entanto, para a liderança do PCdoB no Ceará, há uma diferenciação no que diz respeito ao comando da Casa com o posicionamento da legenda.

Possibilidade

Segundo André Figueiredo, presidente o Partido Democrático Trabalhista no Ceará, durante as tratativas de apoio a seu nome na disputa para a Presidência da Câmara Federal, não houve qualquer discussão quanto à uma possibilidade de PT e PDT caminharem juntos em 2018. Conforme relatou, a ideia foi em cima de uma atuação unificada no Parlamento “para barrar pautas que estariam sendo impostas pelo Executivo”.

Nomes como o do pedetista Ciro Gomes e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são apontados como possíveis candidatos para a disputa do próximo ano e, na avaliação de André Figueiredo, em um primeiro turno, a possibilidade é de que todos estejam em lados opostos, e talvez unidos em um provável segundo turno. Uma frente de esquerda está sendo trabalhada com partidos como PT, PDT, PCdoB, Rede, PSOL e até alguns parlamentares do PSB e PPS, conforme explicaram as lideranças ouvidas.

Para o pedetista José Sarto, ainda que 2018 esteja eivado de incertezas, o apoio oficial do PT à candidatura de André Figueiredo demonstra um movimento de realinhamento do partido às suas origens. “Seria de estranhar, para ser generoso, que o PT não fizesse assim, porque o PT tem histórico de alianças com partidos de centro-esquerda. Seria não reconhecer sua trajetória e um potencial suicídio para 2018”, avalia o parlamentar.

Fiel

Apesar da crise de representatividade que a sigla petista tem enfrentado, ela tem um eleitorado fiel, e sua base tem maior diálogo com o espectro político à esquerda. É justamente essa base que tem reclamado uma posição mais coerente do partido. “Seria de estranhar que o PT não trilhasse esse caminho, à semelhança do que aconteceu com PCdoB e PPS. Mas esse discurso de retomar a ideologia de esquerda deve trilhar tanto os caminhos do PT quanto de outros partidos”, disse Sarto.

Presidente do PT no Ceará, Francisco de Assis Diniz afirmou que a posição da sigla na eleição da Câmara Federal foi fruto de um processo que envolveu sua base e militância, e sobretudo a vontade de se ter uma postura e conduta que vinculassem à relação dos movimentos sociais o sentimento de unidade contra o Governo Temer.

“Nossa perspectiva, como aliado estratégico, é construir para 2018 um arco de aliança com o PDT. A política exige que a gente, para enfrentar e derrotar o golpe com suas medidas, possa ter unidade no centro e no centro-esquerda”, defendeu. Assis é um dos defensores do entendimento do PT com o PDT de Fortaleza, embora não tenha conseguido sucesso até o momento.

Mobilização

Ele ressaltou ainda que, apesar de ser cedo para tratar de 2018, é necessário ter relação próxima com esses partidos, alem de uma mobilização social. “Vamos trabalhar e unificar essa aliança que se dará a partir das necessidades do povo brasileiro”, disse.

Apesar de o PCdoB ter apoiado Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara, o presidente da sigla no Ceará, Luiz Carlos Paes, afirmou que a posição da sigla para 2018 é compor com PDT, PT, PSOL, Rede e com parlamentares de outras legendas com posturas independentes que não concorram com a agenda de Temer. “A gente procurará formar uma frente de resistência que deve ocorrer em todos os espaços do Brasil. Precisamos de um movimento forte nas ruas contra muita coisa do que está aí”.

Embora faltem 20 meses para o pleito do próximo ano, as lideranças políticas citadas acreditam que muito pode acontecer, principalmente, por conta dos desdobramentos da Operação Lava-Jato que atingem, inclusive, o coração do atual Governo. “Não podemos apontar um rumo para 2018, mas vamos procurar nos compor”, disse Paes.

Ele ressaltou que, no final de março, o partido vai aprovar um documento com propostas para o Brasil e até indicar um nome que possa discutir propostas para sair da crise. “Nossa maior preocupação é mobilizar a sociedade brasileira em torno de um projeto que garanta distribuição de renda e fortalecimento das instituições democráticas”, disse o presidente do PCdoB.

10:06 · 28.01.2017 / atualizado às 10:06 · 28.01.2017 por

Por Beatriz Jucá

Guimarães defende que esquerda aposte na defesa do legado dos governos do PT Foto: Kléber A. Gonçalves
Guimarães defende que esquerda aposte na defesa do legado dos governos do PT Foto: Kléber A. Gonçalves

Com o fortalecimento das forças de direita durante o Governo Temer, o Partido dos Trabalhadores vem pregando um discurso da necessidade de reconstrução da esquerda brasileira. As estratégias traçadas para isso passam pela união de diferentes partidos e pela reaproximação com os movimentos sociais.

A ideia, conforme lideranças, é defender o legado dos governos petistas e construir um projeto político novo com vistas às eleições de 2018, que pode ter Lula à frente da disputa presidencial. O desafio, porém, é conseguir o apoio de outras siglas de esquerda neste momento em que o PT ainda tenta superar o suposto envolvimento de líderes em casos de corrupção.

Conforme o deputado federal José Guimarães (PT-CE), a esquerda brasileira vive um momento de reconstrução nacional, sendo fundamental que os partidos de esquerda discutam um projeto comum ao País. “Nas últimas eleições, a grande derrotada foi a Política, embora a esquerda também tenha saído derrotada. Houve muita abstenção de votos. O País está vivendo uma onda conservadora como eu nunca vi”, avalia.

Segundo ele, a esquerda brasileira precisa se requalificar e trabalhar em um novo projeto para o Brasil, com propostas que levem em conta a atual conjuntura política e econômica. “A esquerda precisa se requalificar, e uma coisa fundamental pra isso é que a esquerda volte a se inserir nos movimentos sociais do País. Nisso, nós, petistas, erramos muito porque nos institucionalizamos em demasia”, afirma.

A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) concorda. Para ela, é preciso construir um caminho para um profundo diálogo entre os partidos de esquerda e os movimentos sociais. “Nós só poderemos conseguir barrar o avanço do conservadorismo e da direita se tivermos o mínimo de união das esquerdas. Daqui pra frente, cada vez mais, temos que trabalhar com a reorganização popular e com a união das esquerdas”, aponta.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também defende unificação das forças de oposição a Temer no Congresso para iniciar processo de resistência às “pautas conservadoras”. “Temos que construir junto com PDT, PCdoB, com partidos de esquerda e mais independentes”.

O discurso dos petistas indica a construção de um novo projeto junto com outras siglas, mas o próprio PT já vem se articulando com vistas às eleições de 2018. Conforme Lindbergh Farias, em abril, o ex-presidente Lula – principal nome do partido já colocado para as próximas eleições – deve lançar um programa para retirar o Brasil da crise.

O deputado federal André Figueiredo (PDT), que deve apoiar o nome de Ciro Gomes em uma eventual candidatura em 2018, defende que a esquerda precisa voltar a apresentar alternativas ao País. “2017 e 2018 serão de reconstrução”.

10:23 · 24.12.2016 / atualizado às 10:23 · 24.12.2016 por

Por Edison Silva

No primeiro fim de semana deste mês de dezembro, o anúncio do rompimento do governador com Domingos Filho antecipou sua movimentação de postulante ao Governo Foto: José Leomar
No primeiro fim de semana deste mês de dezembro, o anúncio do rompimento do governador com Domingos Filho antecipou sua movimentação de postulante ao Governo Foto: José Leomar

Domingos Filho, o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) hoje em disponibilidade por conta da extinção deste Tribunal, é, agora, o quadro mais importante da oposição cearense para concorrer ao cargo de Governador do Estado, em 2018, sua pretensão antiga.

A fortaleza de Domingos, no entanto, está em ser o elemento que faltava ao PSDB e PMDB a se credenciarem, de fato, a ter um nome eleitoralmente capaz de representá-los. Ele não esperava ser forte por servir de instrumento da oposição, mas pelo trabalho pessoal em desenvolvimento no TCM, concomitantemente com o realizado no PSD e PMB, partidos que controla através da mulher, Patrícia, e do filho, deputado federal Domingos Neto.

Livre das amarras legais, Domingos, diluída a emoção do momento, trabalhará obstinadamente a unidade dos partidos de oposição e a estruturação de sua campanha, mesmo ainda muito distante do pleito. Precisa formular uma estratégia de oposição, como fazia para sobreviver na década passada, ainda integrando os quadros do PMDB.

Será ajudado, por certo, pelos adversários dos irmãos Cid e Ciro Gomes, representados pelos senadores Eunício Oliveira e Tasso Jereissati. O primeiro querendo ser reeleito, sobretudo tendo o álibi de Domingos ter a preferência por algumas razões. E o segundo, pela discordância como tem sido gerido o Estado nos últimos anos.

A extinção do TCM o alcança como quem é vítima de um grave acidente. Ele esperava ser hostilizado pelo esquema governista de que fazia parte, há mais de uma década. Estava certo da perda dos cargos ocupados por afilhados seus no Governo do Estado, e na Prefeitura de Fortaleza, mas nunca o exercício do cargo vitalício muito mais prazeroso e proveitoso politicamente do que propriamente pelo subsídio e as garantias proporcionadas ao seu titular.

Luxo

Os seus mais novos adversários também não projetavam a extinção do Tribunal, mas se aproveitaram da insinuação do deputado Heitor Férrer (PSB), numa conversa com deputados, imediatamente após a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia, e atingiram de cheio a Domingos Filho.

Heitor, eleitor de Zezinho Albuquerque para presidente da Assembleia, contra a eleição de Sérgio Aguiar, participava da roda em que os deputados criticavam a interferência dos conselheiros Domingos Filho e Francisco Aguiar, este, pai de Sérgio Aguiar, na disputa pela presidência da Assembleia.

Em determinado momento diz Heitor que é um luxo do Ceará ter dois Tribunais de Contas, e o dos Municípios deveria desaparecer. Interrogado se toparia encabeçar o movimento, aceitou de pronto, e 24 horas depois a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já estava pronta, e os deputados João Jaime e Tin Gomes se encarregaram de colher as assinaturas dos demais deputados, quase todos governistas. Daí para frente o governador Camilo Santana tomou conta do processo.

Toda a discussão travada, no rápido curso de tramitação da emenda de extinção do TCM, foi eminentemente política, partidarizada, com rancor, consequentemente desprovida de consistência, mesmo sabendo-se da determinação de fazer dos governistas, com o objetivo, registre-se, diferente do da moralização e da redução de gastos, embora os dois sejam alcançados com o desfecho, inesperado e inimaginável da coisa, posto de se ter falado nela uma única vez, há dez anos.

Lances

Como aqui foi registrado, no último dia 10, “conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios ousaram muito. Há notícia de atos e ações individualizadas incompatíveis com a atividade de magistrado que as leis e a toga conferem a cada um e à Instituição”. A redução de gastos, pode-se afirmar, não era o cerne do objetivo alcançado.

Todos os lances da política cearense, notadamente no campo governista, se desenrolam, muito antes da disputa municipal de outubro passado, objetivando a disputa estadual de 2018. E Domingos Filho foi quem deu a partida. Ele conseguiu assumir o controle de duas legendas: PSD e PMB.

A elas filiou deputados e prefeitos governistas, incomodados por uma ou outra razão, mas interessados em continuar sob a sombra da frondosa árvore do Governo. No pleito municipal suas legendas apresentaram vários candidatos a prefeito e vereadores, e com isso ele passou a reclamar mais espaços na administração estadual, chegando a incomodar até certo ponto.

Contava

Acreditando estar fortalecido com uma base de prefeitos e vereadores, além da garantia de sair presidente do Tribunal de Contas, avançou na disputa pelo primeiro cargo de comando da Assembleia Legislativa.

A eleição do deputado Sérgio Aguiar, do modo como foi trabalhada, contrária às pretensões do Governo, engordaria mais ainda o projeto de Domingos, pois facilitaria mais ainda suas incursões junto aos deputados.

Ele não imaginava um desfecho, também inesperado para muitos. E começou a perder prefeitos e deputados com os quais contava, pois a ação direta do governador devastou a sua plantação, reduzindo expressivamente a sua bancada parlamentar orientada para eleger Sérgio presidente da Assembleia, e outros projetos de futuro.

Alguns desses parlamentares, inclusive, com quem contava, ajudaram a fechar as portas do seu trunfo maior para o projeto de 2018, no caso o TCM, principalmente após a sua chegada à presidência da Corte extinta, também pela facilidade de atender diretamente aos prefeitos, sempre necessitados, por recalcitrantes na prática de malfeitos com os recursos públicos, e por isso generosos no atendimento a pedido de votos.

Os deputados, amigos e filiados aos partidos que comanda o traíram. Mas ele, conhecedor dos modos de fazer política atualmente, não deve ser surpreendido. Afinal, eles também só lhes faziam companhia por conta da sua proximidade com o Governo e a promessa das ajudas reclamadas para si e os aliados prefeitos.

18:45 · 28.09.2015 / atualizado às 08:47 · 29.09.2015 por

Por Miguel Martins
As eleições do próximo ano serão o primeiro passo para alguns partidos que têm interesse em eleger o futuro presidente da República. O discurso já é adotado de forma oficial por algumas legendas que passaram a alterar suas metas para a disputa eleitoral de 2016. Prestes a se tornar a maior legenda do Ceará, o PDT tem como objetivo apresentar uma terceira via à polarização protagonizada por PT e PSDB.

No início do ano, a sigla tinha como meta eleger apenas 20 prefeitos no Ceará, mas com a entrada de dezenas de gestores municipais na legenda, seguindo Cid Gomes, a intenção agora é eleger até 40% de todos os dirigentes municipais no próximo ano.  “Nossa meta é continuar nesse processo de crescimento, porque 2018 é uma data importantíssima para nós, quando teremos uma candidatura à Presidência da República. Queremos eleger pelo menos 10% de todos os prefeitos do Brasil”, diz o presidente estadual da sigla, o deputado federal André Figueiredo.

Em 2012, foram 319 prefeitos pedetistas eleitos. Nos outros estados, segundo André, o planejamento é o mesmo e toda a bancada do PDT está envolvida no projeto. No Nordeste, a sigla conta com representação em São Luiz do Maranhão, Natal e agora Fortaleza, com o ingresso do prefeito Roberto Cláudio.

“O PDT sempre se portou com o objetivo de Brizola. Nunca nos propomos a ser um partido apêndice de outro. Temos a ideia de trabalhar para que a presidenta Dilma Rousseff não tenha o espírito de golpe. Nossa ideia é discutirmos uma candidatura que deve se materializar em 2018. Por enquanto, temos que trabalhar para que o Brasil não padeça mais”, justifica o dirigente.

Reuniões regionais

Presidente do PSDB no Ceará, Luiz Pontes disse que as eleições de 2016 serão um espelho para o pleito seguinte, de 2018. Segundo ele, as reuniões regionais da sigla em municípios cearenses visam fortalecer o desempenho do partido, buscando novas filiações, com foco na juventude.

Uma das determinações da executiva nacional é fortalecer candidaturas no maior número possível de municípios do Ceará. Segundo ele, há um diálogo em conjunto com siglas de oposição aliadas em um projeto nacional.  Dirigente do PR Ceará, Lúcio Alcântara afirmou que, com as dificuldades do atual Governo Federal, há precipitação maior por parte de algumas siglas em apresentar um nome ou explicitar interesse de disputar em 2018. “Não deixa de ser um fator provocador, mas de maneira geral é assim mesmo. Sempre pensamos na próxima eleição”, diz.

Danilo Forte, presidente do PSB no Ceará, informa que muitos dirigentes partidários estão angustiados com a situação do País e já avistam um projeto eleitoral. Em discurso em Fortaleza, neste mês, durante ato de filiação do deputado Danilo Forte (ex-PMDB) ao PSB, o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, voltou a defender a sigla como terceira via na disputa presidencial de 2018. O grêmio tem plano semelhante ao PDT, de fortalecimento das bases municipais visando à disputa de 2018.