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Tag: eleições 2018


08:59 · 17.07.2018 / atualizado às 08:59 · 17.07.2018 por
Presidente do PT estadual, o deputado Moisés Braz disse, ontem, que uma ala do partido tenta “convencer os companheiros” a formar coligação Foto: Helene Santos

No momento em que, com a proximidade das convenções partidárias, afunilam-se as definições de alianças para o pleito deste ano, o PT ainda não decidiu se disputará sozinho a eleição para deputado federal e estadual ou se formará uma coligação proporcional com outros partidos da base aliada do governador Camilo Santana. Em entrevista, ontem, durante encontro de pré-candidatos do partido em Fortaleza, porém, o presidente em exercício da agremiação no Ceará, deputado estadual Moisés Braz, afirmou que, se o Encontro de Tática Eleitoral do PT, marcado para o próximo dia 28, tivesse sido ontem, ele não teria “nenhuma dúvida que passava a chapa própria ainda”.

Na tarde de hoje, dirigentes e parlamentares petistas, assim como o secretário geral do PT Nacional, Romênio Pereira, têm uma audiência com o governador no Palácio da Abolição, onde serão discutidos, conforme informaram quadros do partido, a conjuntura política nacional e o cenário eleitoral no Ceará. Amanhã, Camilo tem reunião com os pré-candidatos da base aliada.

Segundo Moisés Braz, o encontro de ontem, realizado em um hotel no Bairro de Fátima, reuniu 31 pré-candidatos a deputado estadual e outros 13 a deputado federal. Toda a bancada petista na Assembleia Legislativa esteve presente – os deputados Rachel Marques, Dedé Teixeira e Elmano de Freitas, além do próprio Moisés – e dois dos três deputados federais do Estado também – José Guimarães e José Airton Cirilo. Luizianne Lins não compareceu, mas realizou com seu grupo, na noite de ontem, na sede do Sindicato dos Comerciários, a plenária “Lula Livre – Quero PT no Senado”, em defesa da manutenção da vaga da sigla na Câmara Alta.

No encontro de pré-candidatos, as discussões ocorreram a portas fechadas para a imprensa, mas, de acordo com Moisés Braz, estavam em discussão a distribuição das vagas na chapa majoritária do governador e o fortalecimento das bancadas do PT na Assembleia e na Câmara. Para isso, ele informou que há uma ala do partido que tenta “convencer os companheiros de que precisamos buscar um bloco de partidos”, mas reconheceu que a tese de chapa pura, defendida em resolução da sigla, tem maior força entre os filiados.

Convencimento

“O PT está debatendo e as falas dos companheiros ainda continuam reafirmando que, para nós, do Partido dos Trabalhadores, contando os votos que tivemos na outra eleição, pegando esse parâmetro, é muito mais importante a gente ter chapa pura”, afirmou. O dirigente lembrou que, em 2014, quando o PT obteve 400 mil votos, poderiam ter sido eleitos quatro deputados estaduais, mas, em coligação, o partido garantiu apenas duas vagas – ocupadas por ele próprio e Elmano de Freitas.

Por outro lado, Moisés Braz expôs que uma ala do partido argumenta que “o PT não pode cair no isolamento”. “Eu fui procurado, e quero colocar isso com muita franqueza, pelo PMDB, por intermédio do Danniel Oliveira, pelo PR, da Dra. Silvana, pelo PSB, do Audic Mota, pelo PV, e temos conversado muito com o PV, e fui procurar o PCdoB para que a gente possa fazer uma coligação com um bloco de partidos, porque acho que há espaço para a gente juntar alguns partidos”, destacou. Apesar disso, o dirigente disse que “se nós estivéssemos agora no Encontro de Tática Eleitoral, não tenho nenhuma dúvida que passava a chapa própria ainda”.

Moisés Braz também garantiu que o PT continuará reivindicando a vaga que tem no Senado. Embora esta não seja um “condicionante prioritário” nas negociações, ele disse que a sigla não abrirá mão do espaço na chapa “para que o PDT indique duas vagas”. Já José Airton Cirilo afirmou que há dois movimentos no partido em relação a isso: um quer a manutenção da vaga de senador; o outro entende que, “para consolidar o nome do governador, o PT teria que abrir mão dessa chapa”. Segundo ele, porém, “esse debate ainda não aconteceu no PT”.

Definição

José Guimarães, por sua vez, ressaltou que o PT nacional tem três prioridades: a campanha presidencial do ex-presidente Lula, a eleição de ao menos 70 deputados federais e de governadores, senadores e deputados estaduais. Ele disse que “outras questões vão se adequando a esses três postulados” e não descartou coligação proporcional.

“Eu conversei longamente com o Cid (Gomes, do PDT) na sexta-feira (13) sobre essas questões proporcionais. Portanto, nós temos conversado com o PP, com o PV, com o PCdoB, temos conversado com todo mundo”, citou. Para Guimarães, contudo, “cada partido vai discutir o que é prioridade para si” e as definições só devem vir à tona “na véspera” do fim do prazo de oficialização de coligações.

José Airton também ponderou que o PT trabalha para ir sozinho para a disputa proporcional “se for necessário”, mas explicou que o partido ainda terá “uma discussão mais afunilada com o governador e com os outros partidos” sobre eventual coligação. “Como nós estamos em uma coligação e apoiamos o governador que tem uma chapa mais ampla, é natural que haja uma aliança com outros partidos, que a gente possa compor na chapa proporcional de forma a fortalecer também essa chapa proporcional”, admitiu.

08:57 · 17.07.2018 / atualizado às 08:57 · 17.07.2018 por

Por Letícia Lima

Somar forças em torno de candidaturas para aumentar as chances de obter resultados positivos nas urnas. Esse é o objetivo dos partidos ao decidirem formar coligações, seja para a eleição majoritária ou para a disputa proporcional. E é durante as convenções partidárias, entre os próximos dias 20 de julho e 5 de agosto, que as alianças para o pleito deste ano serão oficializadas.

Às vésperas das convenções, intensificam-se as articulações entre as lideranças de partidos sobre as alianças. Além do governador Camilo Santana (PT), que buscará a reeleição, também deverão disputar o Governo do Estado, neste ano, outros quatro nomes: Guilherme Theophilo (PSDB), Ailton Lopes (PSOL), Hélio Goes (PSL) e Francisco Gonzaga (PSTU).

Destes pré-candidatos, até o momento, Camilo Santana é o que apresenta o maior arco de aliança, reunindo, pelo menos, 20 partidos: PT, PDT, MDB, DEM, PSB, PP, PR, PTB, PRB, PCdoB, PRP, PRTB, PPL, PMN, Patriota, Solidariedade, PMB, PPS, PSC e PSD.

O Avante, segundo o presidente estadual da legenda, deputado federal Cabo Sabino, ficará “neutro”. O Podemos está na lista de possíveis apoiadores de Camilo, porém, ainda não definiu em que lado ficará, assim como o PHS, hoje presidido no Estado por Marcio Aurélio, e o PV, dirigido pelo vereador de Fortaleza, Célio Studart. Também o PTC, que desistiu de lançar o cardiologista Ciro Albuquerque como candidato a governador, ainda não definiu quem apoiará.

A grande quantidade de partidos aliados ao governador experimenta dificuldades quanto às coligações proporcionais, pois nelas está o principal interesse dos candidatos a deputado.

09:28 · 16.07.2018 / atualizado às 09:28 · 16.07.2018 por
Coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral do MPCE, Emmanuel Girão diz que o órgão está atento a “caravanas” na pré-campanha Foto: Fabiane de Paula

A poucos dias do início do período previsto, no calendário eleitoral, para a realização das convenções partidárias que oficializarão candidaturas e coligações para as eleições deste ano, não é a chamada propaganda intrapartidária – permitida entre pré-candidatos de um mesmo partido nos 15 dias que antecedem o período de convenções – que toma as atenções do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). Os promotores que atuarão no pleito têm, como principal preocupação neste período pré-eleitoral, com a pré-campanha a todo vapor nas ruas, o risco de propaganda antecipada, que pode, inclusive, acarretar desvio de finalidade das convenções ou mesmo ocorrer antes delas.

Quem diz isso é o promotor de Justiça Emmanuel Girão, coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (Caopel), órgão que auxilia a atuação do MPCE na esfera eleitoral. Ainda que, por se tratar de uma eleição geral, a atuação central do Ministério Público em 2018 fique a cargo do procurador regional eleitoral, Anastácio Tahim, e dos procuradores auxiliares, são os promotores vinculados às 109 zonas eleitorais do Estado os responsáveis pela fiscalização do poder de polícia sobre a propaganda eleitoral.

Segundo Girão, “o trabalho de preparação (do Ministério Público para a eleição) já foi feito”, e agora, às vésperas do início da campanha, ele avalia que o risco de propaganda antecipada é maior do que o de ilicitudes na propaganda intrapartidária. Esta, segundo o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é feita pelo “pré-candidato para buscar conquistar os votos dos filiados ao seu partido – os que possam votar nas convenções de escolha de candidatos – para sagrar-se vencedor e poder registrar-se candidato junto à Justiça Eleitoral”.

Pela Lei das Eleições (nº 9.504/1997), pré-candidatos podem, desde o último dia 5 de julho, afixar faixas e cartazes em local próximo ao da convenção partidária, com vistas à indicação de seu nome, pela agremiação, para concorrer no pleito. As peças publicitárias, porém, devem ser retiradas dos locais após o período previsto no calendário eleitoral para a realização das convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto. Contudo, o promotor explica que, uma vez que, majoritariamente, as convenções, no Brasil, são espaços não para definir, mas apenas para oficializar candidatos, é a propaganda antecipada que mais atrai atenção dos promotores.

Uso da máquina

“A propaganda intrapartidária só pode ser feita nos 15 dias que antecedem as convenções, e é voltada só para os membros do partido. Isso quando vai haver disputa nas convenções. Normalmente não há, na convenção já se chega com tudo definido. Nesse ano, como só vai haver convenção em Brasília e nas capitais, então talvez haja uma atenção maior para Fortaleza, mas é mais provável fazer propaganda antecipada mesmo do que propaganda intrapartidária”, observa Emmanuel Girão. De acordo com ele, “a preocupação maior é no tocante ao uso da máquina (pública)”, o que tem direcionado o olhar fiscalizador do órgão a “caravanas” em pré-campanha pelo Ceará.

Em eventos do tipo, outdoors, por exemplo, têm sido instalados em diversas cidades por onde passam pré-candidatos, assim como santinhos, com dicas ou posicionamentos de futuros postulantes, têm sido distribuídos. Emmanuel Girão lembra que, em decisão recente do TSE, o ministro Luiz Fux, relator de processo que questionava um outdoor na pré-campanha, qualificou o conteúdo da mídia como “indiferente eleitoral” e entendeu que não se tratava de propaganda antecipada. Para o promotor, a interpretação, contudo, não está pacificada.

“O que o Ministério Público questiona é quem está pagando esses outdoors, de onde é que está saindo esse dinheiro das manifestações nessa eleição, porque os candidatos ainda não estão podendo fazer gastos, mas ele (o ministro Fux) entendeu que não tinha problema, que está dentro da livre manifestação de pensamento dos cidadãos”.

Já ao tratar das convenções, o coordenador do Caopel recorda que, na vigência da legislação anterior à atual Lei das Eleições, os eventos eram acompanhados por um observador da Justiça Eleitoral. Atualmente, embora as convenções sejam, em muitos casos, filmadas e até transmitidas pela Internet, ele ressalta que são atos internos dos partidos e, por isso, “geralmente não trazem problema”. São possíveis eventos paralelos às convenções, argumenta Girão, que podem configurar propaganda antecipada, a exemplo de festas em que haja distribuição gratuita de comidas e bebidas.

Após o rezoneamento promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) no ano passado – no qual 14 zonas eleitorais no Interior do Estado foram extintas e outras quatro foram remanejadas para Fortaleza, que tem, agora, 17 no total –, Emmanuel Girão havia explicitado, em entrevista ao Diário do Nordeste, preocupação com possíveis dificuldades no trabalho fiscalizador do MPCE durante o pleito, uma vez que o número de promotores eleitorais também caiu de 123 para 109 no Estado. Até agora, porém, ele diz que, durante a pré-campanha, a nova realidade não impôs prejuízos ao trabalho do órgão.

“Por enquanto, de certa forma, para nós, nas zonas eleitorais está relativamente tranquilo. Algumas ações de governo é que estão sendo fiscalizadas pelo próprio procurador regional eleitoral, que está fazendo acompanhamento, instaurando procedimento. Os promotores eleitorais, normalmente, atuam quando as denúncias chegam, então às vezes chegam denúncias na Procuradoria Regional Eleitoral, ele (o procurador) encaminha para a zona, o promotor faz a investigação e devolve para ele”, explica. “Não tem chegado nada através do sistema Pardal, que esse ano vai ter uma reformulação do TSE e parece que está melhor”, acrescenta.

Ficha Limpa

Na avaliação do promotor, é após o período de convenções, quando forem definidas as candidaturas, que o volume de denúncias feitas ao MPCE deve aumentar. “A partir do pedido de registro (de candidatura), começa a campanha oficial”, justifica.

De olho já na próxima fase do calendário eleitoral, o coordenador do Caopel diz que o procurador regional eleitoral, Anastácio Tahim, pediu que os promotores fizessem um levantamento de pessoas que podem estar enquadradas na Lei da Ficha Limpa. Segundo ele, a ideia é que, ao identificarem um servidor público que tenha sido demitido por infração administrativa ou mesmo algum pré-candidato com condenação de órgão colegiado, os promotores peçam na respectiva zona eleitoral que seja feita a anotação no cadastro eleitoral do eleitor. Este trabalho, detalha Emmanuel Girão, é contínuo, e pode facilitar o indeferimento de candidaturas, uma vez que dá mais capilaridade à atuação do Ministério Público no pleito.

09:25 · 16.07.2018 / atualizado às 09:25 · 16.07.2018 por

Por Miguel Martins

Representantes de partidos de esquerda estão preocupados com o desânimo do chamado eleitor crítico, aquele do voto consciente. Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a queda de representatividade de gestores municipais petistas, em 2016, representantes desse espectro ideológico temem perder eleitores e, consequentemente, aumentar o número daqueles que negociam votos em troca de benesses.

Para o deputado Renato Roseno (PSOL), o polemismo conservador é uma “cortina de fumaça” que tira o foco da questão fundamental que deveria ser discutida: a pauta econômica. Segundo ele, as políticas econômicas do Governo Michel Temer (MDB) pioraram a vida das pessoas.

O socialista afirmou também que é preciso enfrentar a desmoralização da política que acometeu, em especial, o “petismo” e que as demais legendas de esquerda devem se posicionar para um novo ciclo político no País. Para ele, “o desalento não pode gerar um abstencionismo que diminua as frações mais progressistas nos parlamentos”, porque, conforme avalia, isso pode fazer com que surjam mais frações ultraconservadoras. “Precisamos de uma oposição de esquerda”.

O deputado Manoel Santana (PT), por sua vez, acredita que, apesar das dificuldades que a esquerda poderá enfrentar no pleito, há um espaço a ser trabalhado, principalmente, após a execução de políticas econômicas da gestão Temer.

Polarização

“Existe uma polarização nítida entre esquerda e direita, esta ocupando feição nitidamente fascista, e há um grupo grande de eleitores muito confuso. O PT, muitas vezes, tem vacilado na condução de sua política de mobilização social, tem dificuldades de estar à frente das lutas dos movimentos sociais”, disse.

Para Elmano de Freitas (PT), “a esquerda foi construída na discussão de ideias e, na medida em que as pessoas deixam de acreditar que candidatos têm compromisso com ideias, elas pensam que ninguém tem compromisso com ideia alguma, e isso é errado”. Segundo ele, com o crescimento, no imaginário popular, da ideia de que ninguém tem compromisso com ideia alguma, há um aumento do voto pela troca e, com isso, a diminuição do voto consciente. Elmano acredita que isso será revertido quando “tivermos uma sociedade mais participativa”.

Já Carlos Felipe (PCdoB) pregou que as candidaturas ideológicas devem convencer o eleitorado consciente da importância do voto. “Pessoas comuns estão debatendo em alto nível a política. O interessante dessa eleição é que todo o problema que ocorreu após o golpe e a prisão do ex-presidente Lula levou a um debate em nível nacional e elevou o nível de consciência das pessoas”, opinou o deputado.

09:42 · 14.07.2018 / atualizado às 09:42 · 14.07.2018 por
Para Mauro Filho, “Ciro está pautando a discussão no conserto da economia brasileira” Foto: Fabiane de Paula

Coordenador econômico da campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, o ex-secretário da Fazenda Mauro Filho (PDT) disse, em entrevista ao Diário do Nordeste, que “paulatinamente” o programa econômico proposto pela candidatura do pedetista tem sido “absorvido” por representantes do setor econômico do País e pelo “povo brasileiro”. Às vésperas do início da campanha, ele sustentou que Ciro Gomes “está pautando a discussão no conserto da economia brasileira” e afirmou que propostas do pedetista tomadas como “loucura” assim que foram anunciadas, são, atualmente, pontos de convergência entre várias outras candidaturas.

Mauro Filho participou, na noite da última quinta-feira (12), de evento de mobilização do PDT chamado Movimento 12 Brasil, realizado no Pirata Bar, na Praia de Iracema. Em entrevista, ele ressaltou que tem ido com “muita frequência” a São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e a estados do Sul para mostrar ao Brasil “que o único candidato que é capaz de apresentar uma proposta que elimina o déficit fiscal primário do governo federal, que diminui o endividamento e que gera emprego na economia brasileira, chama-se Ciro Gomes”.

“Isso, paulatinamente, vem sendo absorvido pelo povo brasileiro, pelas entidades, pelas associações, e eu acredito que, num prazo de mais 15, 20 dias, inequivocamente, o futuro presidente Ciro estará, realmente, na compreensão de todo o povo brasileiro”, defendeu.

Questionado sobre a receptividade do programa de Ciro nestas incursões, especialmente entre o setor econômico, ele destacou que várias propostas têm virado “convergência” entre candidatos, entre elas, a de cobrança de imposto de renda na distribuição de dividendos, que, segundo Mauro Filho, ao ser anunciada, foi “tomada como loucura”.

“Somente o Brasil e a Estônia não cobram esse tipo de imposto para os mais ricos. Quem distribui dividendos são grandes empresas, grandes valores, que é o que está no nosso raio de preocupação. Pois acredite, e quero dar esse depoimento ao povo cearense, ao povo brasileiro: hoje, não tem nenhum candidato, nem mesmo o candidato do PSDB, que seja contrário a essa proposta que nós apresentamos desde o começo da caminhada do presidente Ciro, e hoje parece que virou integral convergência em relação a essa proposta”, declarou.

O mesmo ocorre, segundo ele, em relação à proposta de acabar com a “pejotização”, expressão que caracteriza uma empresa de uma pessoa só, “que, em vez de pagar a alíquota de imposto de renda normal, fica pagando alíquotas menores, diferenciadas, em prejuízo do governo federal e dos estados e dos municípios brasileiros”, explicou. “São medidas que convergem, hoje, para quase todas as candidaturas”.

Ações fundamentais

De acordo com Mauro Filho, o programa econômico proposto por Ciro tem duas ações fundamentais: “uma é a questão da geração de emprego, que fortalece, portanto, a relevância dessas medidas que nós estamos tomando, e a outra é, exatamente, melhorar o sistema tributário brasileiro, que hoje penaliza os menos favorecidos em detrimento dos mais ricos, que não pagam nada. Nós vamos inverter esse processo: cobrar mais tributos da classe mais alta e desonerar, ou seja, diminuir, os impostos, sobretudo o imposto sobre consumo”.

Perguntado sobre como tem conciliado o trabalho na pré-campanha do presidenciável com os esforços em prol da própria pré-candidatura a deputado federal, o ex-secretário disse que tem dividido dias da semana entre os dois projetos. “Tenho passado segunda e terça em São Paulo ou nos estados brasileiros, às vezes segunda, terça e quarta, mas o resto, quinta, sexta, sábado e domingo, tenho estado aqui no Ceará tentando levar o meu nome, também junto com outros colegas, junto com o Cid, junto com o Camilo, enfim, levando ao Estado do Ceará todo um trabalho que foi feito”.

09:39 · 14.07.2018 / atualizado às 09:39 · 14.07.2018 por

Por Edison Silva

Ciro Gomes anunciou o nome do deputado André Figueiredo (de camisa verde), ao seu lado no evento pedetista da última quinta-feira, em Fortaleza, como o seu candidato ao Senado Federal nas eleições deste ano Foto: Kleber A. Gonçalves

Aproximadamente metade da bancada federal cearense não será reconduzida à Câmara dos Deputados. Neste momento que antecede a realização das convenções partidárias, para a homologação das candidaturas e das coligações, é maior a preocupação dos candidatos à Câmara, como de resto a dos pretendentes às vagas na Assembleia Legislativa, pois da composição das convenções depende a sorte de muitos dos pretendentes a mandatos proporcionais. Neste ano, o quociente eleitoral, isto é, o número mínimo de votos para um candidato ser eleito deputado federal pelo Ceará é mais ou menos 200 mil votos.

Nas projeções dos experientes políticos cearenses, da relação de possíveis candidatos, hoje apenas dois poderão chegar ou superar esse número de sufrágios: o Capitão Wagner (PROS) e Mauro Filho (PDT), sendo a projeção para o Capitão bem maior que a deste.

Em razão disso, todos os demais dependerão dos votos das legendas, sobretudo aqueles sufrágios dados aos candidatos menos votados, chamados “buchas”, ou das coligações, o somatório dos votos dados a todos os concorrentes dos partidos agrupados. É em razão dessa realidade que continua sendo grande a corrida em busca de votos no Interior, e as negociações para formação de blocos que lhes possam beneficiar.

Além dessa natural preocupação de quase todos os candidatos, ainda há a expectativa quanto à disposição do eleitor, desencantado, por razões várias, inclusive quanto à má avaliação do desempenho dos atuais políticos, de ter ânimos para ir votar no dia 7 de outubro vindouro.

Recadastramentos

Na última eleição, quando os partidos e seus representantes eram bem menos execrados, 1 milhão e 900 mil eleitores deixaram de votar no Estado, por não terem comparecido às seções eleitorais ou inutilizando o voto. Esse número gerou um percentual de 30,84% dos eleitores aptos a votar, um total de 6 milhões, 268 mil e 909 pessoas devidamente habilitadas junto à Justiça Eleitoral cearense.

Hoje, o número de eleitores no Estado registra uma pequena variação, chega a 6 milhões, 342 mil e 684, após as intensas campanhas da Justiça Eleitoral para os recadastramentos de eleitores em muitos municípios do Estado. A expectativa de um quociente eleitoral de aproximadamente 200 mil votos é feita com base numa abstenção, votos nulos e brancos na mesma proporção do pleito anterior.

Este resultado é encontrado quando é feita a divisão dos votos válidos com o número de cadeiras para a Câmara Federal: 22. Em 2014, o total de votos válidos somou 4 milhões 367 mil e 020, gerando um quociente de 198 mil e 501 votos para a eleição direta de cada deputado.

O trabalho de captação de votos, nas eleições deste ano, promete ser mais difícil que nos pleitos anteriores, sobretudo para deputado federal, até pelo seu distanciamento do eleitorado ao longo dos últimos anos.

Dependentes

Além de ficarem bem mais dependentes do dinheiro para os “vaqueiros”, aqueles responsáveis pela intermediação, inclusive prefeitos e vereadores, aos parlamentares federais, em dosagem bem maior que aos seus colegas estaduais, são atribuídas responsabilidades pela má gestão do Governo Federal, assim como aos escândalos constantes, realmente degradantes, que conseguiram indignar muitos brasileiros.

A expectativa dos observadores é que o PROS do Capitão Wagner, sem coligação, e a aliança liderada pelo PDT dos irmãos Ciro e Cid Gomes, capitalizarão a grande maioria dos votos proporcionais para o Legislativo Federal. Wagner admite somar para sua legenda pouco mais de 600 mil votos, contando com a possibilidade de só ele chegar perto dos 400 mil, elegendo até quatro deputados. Há restrições a essa avaliação dele. Os governistas esperam ter votos para eleger uma bancada entre 14 e 15 parlamentares. Também esta avaliação é questionada.

Sem citar nomes, observadores mais atentos especulam que o PROS, com o somatório dos votos do Capitão Wagner, fará uma bancada de 3 deputados federais, o PT reelegeria 2, o PSDB faria 2, o MDB também 2, seguidos de PSD, PTB, SD (Solidariedade), PCdoB, DEM, PR e uma coligação de pequenos, todos com um deputado federal cada, ficando as 4 restantes vagas para o pessoal do PDT, com 8 candidatos. Só algumas surpresas, avaliam os diversos patronos desse quadro, poderão alterar a posição de uma ou outra agremiação.

Majoritária

No evento da última quinta-feira, em Fortaleza, Ciro Gomes voltou a se posicionar contra a participação do senador Eunício Oliveira (MDB) na chapa majoritária do PDT com o governador Camilo Santana, ao destacar ser a favor da candidatura do deputado federal André Figueiredo ao Senado.
O outro candidato ao Senado Federal, na chapa de Camilo, é Cid Gomes, que, recentemente, admitiu ter a coligação apenas um candidato àquela Casa legislativa, sinalizando que o governador poderia votar em Eunício, se este for candidato à reeleição de forma avulsa.

Ciro, no mesmo momento que defendeu a candidatura de André ao Senado, foi mais uma vez cáustico na adjetivação ao citar os nomes de quem o processou por conta de suas acusações, como o presidente Michel Temer, o senador Eunício Oliveira e Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, hoje cumprindo pena por crime de corrupção. Ele enfatizou que nunca foi processado por pessoas humildes, mas só por “puro corrupto, puro picareta, puro assaltante do dinheiro do povo”. Quando citou Eunício, disse que só do senador responde a mais de 70 ações.

Nenhum dos políticos realmente próximos de Ciro e Cid acreditam na coligação do PDT com o MDB cearense, para contentar uma candidatura à reeleição do senador Eunício. Cid, mais contido, não faz pronunciamentos públicos como os de Ciro, contra. Aliás, ao longo de todo este tempo de aproximação das relações do governador Camilo Santana com Eunício, Cid só conversou com o senador uma vez, quando o emedebista foi ao seu apartamento. A conversa de ambos, no entanto, não chegou ao ponto desejado por

Eunício, pois nenhuma esperança foi lhe dada de formalização da coligação.
Agora, depois da defesa de Ciro de uma candidatura do deputado André ao Senado, só resta esperar mais uns dias, até 5 de agosto, quando o Calendário Eleitoral fixa tempo final para a oficialização das candidaturas e das coligações partidárias.

09:36 · 14.07.2018 / atualizado às 09:36 · 14.07.2018 por

Por Márcio Dornelles e Renato Sousa

Jornalista Ívila Bessa, editora-executiva digital do SVM, foi uma das participantes de painel promovido pelo TRE-CE para juízes e servidores Foto: Helene Santos

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) encerrou, ontem, ciclo de debates voltado a juízes, servidores e chefes de cartórios eleitorais com foco nas eleições deste ano. Durante todo o dia, temas como fiscalização de ilícitos, financiamento de campanha, propaganda eleitoral na internet e propagação de notícias falsas foram abordados no evento, realizado no auditório da Escola Superior de Magistratura do Ceará (Esmec). À tarde, em painel sobre “Fake news, Mídia e Eleições”, especialistas em mídias digitais e advogados apresentaram dados e projetaram desafios a serem enfrentados por diversas instituições no pleito de 2018.

Mediado pelo juiz do TRE-CE, Roberto Viana Diniz de Freitas, o debate teve participações da advogada do Facebook, Patrícia Helena Marta, e das jornalistas Ívila Bessa, editora-executiva digital do Sistema Verdes Mares (SVM), e Daniela Nogueira, ombudsman do jornal O Povo. As características de informações falsas e as ferramentas necessárias para impedi-las de circular foram destacadas no painel.

Patrícia Helena reforçou parceria feita pelo Facebook com agências de checagem de informações no Brasil: Lupa e Aos Fatos. “Desinformação se combate com informação, com educação. Por isso, são louváveis essas iniciativas de se aprofundarem e checarem fatos que estão sendo divulgados”, frisou.

Emocional

A jornalista Ívila Bessa, do SVM, destacou o caráter emocional de informações falsas, a partir da relação de confiança entre agentes de propagação – familiares e amigos – que pode influenciar o receptor, em detrimento até mesmo de veículos de comunicação. O desafio é gerado pelas diferentes interpretações que podem surgir de um mesmo episódio. “Tudo agora se transforma com o caráter emotivo”, alertou.

Na opinião da editora-executiva digital do SVM, os mecanismos estabelecidos pelas próprias plataformas para direcionamento de conteúdo – fórmulas chamadas de “algoritmos” – podem, também, ser considerados fake news. “Por mais que estejamos aqui em 200 pessoas, existem três ou quatro que conseguem ter um alcance maior do que o outro, por critérios que as redes sociais definiram”, disse.

Neste contexto, a prática de compra de seguidores, presente, segundo ela, em perfis de influenciadores digitais ou mesmo de veículos de comunicação, também ocorre entre candidatos, para que seus conteúdos tenham maior alcance. “Ou seja, a base, o cimento, o contexto já é desde o início mentiroso”.

09:41 · 13.07.2018 / atualizado às 09:41 · 13.07.2018 por
Cercado por aliados, Ciro Gomes discursou, ontem, a uma plateia de apoiadores no Pirata Bar, em evento chamado Movimento 12 Brasil Foto: Kleber A. Gonçalves

A oito dias da convenção nacional do PDT, que oficializará, em 20 de julho, a candidatura do cearense Ciro Gomes à Presidência da República, o partido tem intensificado diálogo não apenas com lideranças do PSB, apontado em vários momentos como aliado prioritário pelo próprio presidenciável, mas também com legendas do Centrão, como DEM, PP e Solidariedade (SD). Com imbróglios internos nestas siglas que dificultam a concretização de uma coligação, Ciro ressaltou ontem, em entrevista, que “as tratativas estão acontecendo à luz do dia”, mas ponderou que, no momento, é preciso ter “calma” para esperar o tempo de cada partido.

As declarações foram dadas em entrevista coletiva na noite de ontem, em evento de mobilização nacional do PDT chamado Movimento 12 Brasil. O ato político-cultural, realizado no Pirata Bar, na Praia de Iracema, teve apresentações de artistas regionais e discursos políticos e reuniu, além do presidenciável, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente da sigla no Ceará, deputado federal André Figueiredo, e o ex-governador Cid Gomes, além do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Também estiveram presentes no evento a vice-governadora do Estado, Izolda Cela, os presidentes da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Fortaleza, Zezinho Albuquerque e Salmito Filho, respectivamente, além de outros deputados federais e estaduais, prefeitos de municípios da Região Metropolitana de Fortaleza e do Interior do Estado, vereadores e pré-candidatos do partido nas eleições deste ano. De acordo com André Figueiredo, as mobilizações do Movimento 12 Brasil ocorrerão, também, em Porto Alegre, em12 de agosto, e no Rio de Janeiro, em 12 de setembro.

Ao tratar de alianças, Ciro Gomes disse aos jornalistas que o “PSB tem sido corretíssimo conosco”, mas ponderou que, no cenário em que o PSB de São Paulo quer aliança com o PSDB e, em Pernambuco, a legenda pessebista defende coligação com o PT, é preciso ter “calma” e dar “tempo” à sigla. “Essas coisas a gente tem que ter muita paciência, porque essa é uma eleição complexa, é uma eleição geral, não é uma eleição só para presidente da República, são 27 candidaturas a governador do Estado em 27 estados diferentes”.

O pedetista disse, porém, estar “muito animado” com as tratativas não só com o PSB, mas também com partidos do Centrão. No caso destes, ele citou que siglas que compõem o governo federal têm sido “ameaçadas publicamente” pelo presidente Michel Temer (MDB), que já sinalizou retirar cargos de legendas da base aliada caso fechem aliança com Ciro, numa postura que chamou de “crime eleitoral praticado à luz do dia”.

Segundo ele, contudo, tais siglas poderiam fazer história ao fechar coligação com o PDT. “Seria a primeira eleição desde a redemocratização em que nós conseguiríamos construir o núcleo de poder, para sustentar um projeto nacional de desenvolvimento, independentemente da confrontação odienta entre PSDB e PT, que só deu protagonismo ao PMDB corrupto. Isso é o que está em discussão”.

Convicção

Carlos Lupi, por sua vez, disse que tem conversado diariamente com líderes do PSB e, também, com o DEM, o PP, o SD e o PR, embora o diálogo com este seja, segundo ele, “uma situação mais difícil, porque eles avançaram muito em outra direção”. Assim como Ciro, o dirigente nacional do PDT pregou cautela sobre as negociações, mas disse ter “muita convicção que essa aliança com o PSB vai se consumar”. O candidato a vice da chapa só será fechado após a oficialização de uma coligação.

“Eu costumo dizer o seguinte: a legenda PDT mais PSB é uma fotografia que sequer precisa ser explicada. Só as duas legendas juntas, que têm uma história de mais de meio século, se explica”, defendeu. Ele sustentou, ainda, que a aproximação do PDT com o Centrão não distancia Ciro da centro-esquerda. “Se fosse assim, a candidatura do Lula, com a presença do PR, de José Alencar, seria uma candidatura de direita. Não existe isso, o que representa uma candidatura são as ideias, os projetos”.

09:11 · 12.07.2018 / atualizado às 09:11 · 12.07.2018 por

Por Renato Sousa

Desembargador Haroldo Máximo, vice-presidente do TRE-CE, falou, ontem, aos representantes dos partidos, em reunião no Fórum Eleitoral Foto: Cid Barbosa

Representantes jurídicos de partidos estiveram, ontem, no Fórum Eleitoral Péricles Ribeiro, na Praia de Iracema, em reunião promovida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para prestar esclarecimentos sobre as regras para a propaganda eleitoral deste ano. “A intenção do Tribunal, que creio ter sido atingida, foi ter esse contato direto com os dirigentes partidários, orientá-los no que diz respeito à propaganda eleitoral, em todos os aspectos, e sobre as recentes modificações na legislação eleitoral”, explicou o desembargador Haroldo Máximo, vice-presidente do TRE-CE e corregedor regional eleitoral.

De acordo com o assessor jurídico da presidência do Tribunal, Caio Guimarães, que apresentou as novas regras de propaganda, há questões que só podem ser avaliadas caso a caso. Por isso, ele defendeu que haja um debate franco entre legendas e Justiça. “Se as agremiações partidárias tiverem um debate aberto com as autoridades para alinhar práticas, vai haver menos dor de cabeça para os dois lados”.

Segundo ele, na pré-campanha, uma das questões mais comuns está relacionada à propaganda antecipada, mas neste período, conforme observa, a propaganda negativa dos adversários costuma ser mais comum do que o pedido de voto para si. O assessor jurídico ressaltou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem sido mais rígido com propaganda negativa.

Força-tarefa

Guimarães também informou que o TRE-CE “está sensível” aos riscos de interferência das chamadas “fake news” no pleito. Segundo ele, uma força-tarefa está sendo criada pela Justiça Eleitoral, em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal, para combater a disseminação de notícias falsas. Adriana Dantas, juíza da 95ª Zona Eleitoral e coordenadora de Propaganda e Poder de Polícia de Fortaleza, responsável por coordenar a fiscalização na Capital, também acredita que a internet deve ser o principal desafio da fiscalização.

Ela defendeu, porém, que, para combater “fake news”, é preciso também que o eleitor fiscalize e desconfie dos conteúdos que recebe. “Toda vez que ele vir uma notícia de impacto muito grande sobre determinada candidatura, que procure averiguar, consultando sites conhecidos, usando buscadores para saber se aquela notícia está sendo veiculada em sites confiáveis”.

09:12 · 11.07.2018 / atualizado às 09:12 · 11.07.2018 por
Citado como vice ideal de Bolsonaro, o senador diz que será mais importante no Senado Foto: Kleber a. Gonçalves

Embora seja citado recorrentemente como vice ideal pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), é no Senado Federal que o senador Magno Malta (PR-ES) diz querer continuar, mas não com poucos aliados. Em uma cruzada de apoio a diversos pré-candidatos pelo País, ele trabalha para que, a partir do próximo ano, seja mais numerosa a bancada “cristã” na Câmara Alta, que atue em defesa “da vida” e “da família”, para, segundo o senador, contrapor-se à “bandalheira que fizeram esses ‘esquerdopatas’ ao longo de 14 anos”. Ao Diário do Nordeste, Malta defendeu que não é possível separar política e religião e frisou que, mesmo se sentindo “honrado” com as investidas de Bolsonaro, é candidato à reeleição.

Evangélico, o senador prega que pré-candidatos de diferentes religiões devem “esquecer questões doutrinárias” em nome de uma união por “causas” em comum. A meta é eleger um senador com tal perfil por Estado. “Se nós somos um país cristão, e entendemos que todos os valores de uma sociedade começam com a família, então, numa eleição de dois (senadores), se não aproveitarmos esse momento que é tão propício… Nós temos condições de fazer isso. Eu tenho dado o meu esforço”, afirmou o senador, em entrevista após o evento de lançamento da pré-candidatura do empresário Luís Eduardo Girão (PROS) ao Senado, na Assembleia Legislativa, na última segunda-feira (9).

Segundo ele, não é possível separar religião e política, porque “não se separa um homem de suas convicções”. “O (ministro Dias) Toffoli (do STF) soltou o José Dirceu por quê? Porque ele foi para dentro do Supremo com as convicções dele. E esse juiz que soltou o Lula? Ele foi para lá com as convicções ideológicas dele. Nunca se separou delas. Por que eu preciso me separar da minha confissão de fé? Eu sou movido a isso”, comparou.

Magno Malta acredita que as igrejas terão mais importância nesta campanha, uma vez que líderes religiosos, conforme sustenta, devem dar “consciência” aos fiéis ao mostrar que o Brasil foi, nas palavras dele, “vilipendiado” e “assaltado” nos governos do PT, que teriam feito “uma bandalheira contra os nosso valores”. “É muito importante nesse momento, em que os valores de família foram duramente atacados durante 14 anos, que os pastores, sim, que os padres, sim, que qualquer líder religioso que tem as pessoas consigo sejam muito mais importantes do que foram nesse processo”.

Para o senador do PR, o risco de abuso de poder religioso no pleito, que vem sendo discutido em debates sobre Direito Eleitoral, é uma “invenção”. Ele rejeita, porém, a prática de campanha no interior de templos. “O lugar do culto é do culto, eles têm que parar com essa história de colocar candidato sentado no altar”, afirmou.

Importância

Sobre a chapa de Bolsonaro, Magno Malta diz estar “muito honrado” em ser considerado para disputar o cargo de vice-presidente, mas acredita que será mais “importante” no Senado. Como vice, ele afirma que não teria “microfone na mão”, nem poderia “assinar nada”.

“Por que o vice de Bolsonaro é essa insistência que a imprensa nacional quer? Tem alguma coisa por trás disso. É o cara botar o pescoço de fora e começar a ser escrachado antes da hora? O que tenho perguntado é o seguinte: será que para a sociedade, para as famílias, a minha luta em defesa das crianças, será que vale a pena eu ficar calado?”, questionou. “Digo para ele: você é presidente sem mim, com qualquer outro vice. Tenho que avaliar é a minha importância, e, na minha cabeça, sou importante é no Senado”, concluiu.