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Tag: eleições 2018


09:56 · 18.11.2017 / atualizado às 09:56 · 18.11.2017 por

Por Edison Silva

A conversa dos três, como se até bem pouco tempo não fossem adversários, só não agradava ao senador José Pimentel, ao lado, que não terá chance de participar da chapa majoritária encabeçada por Camilo Santana Foto: Helene Santos

Representantes do PR, do PSD e do Solidariedade, com a aquiescência do tucano Luiz Pontes, decidiram, quinta-feira, no apartamento da deputada estadual Fernanda Pessoa (PR), após uma longa discussão sobre a sucessão estadual cearense e a análise das últimas pesquisas relacionadas ao quadro político do Estado, se fixarem nos nomes, pela ordem de preferência, do senador Tasso Jereissati (PSDB), Capitão Wagner (PR) e do conselheiro Domingos Filho (ainda sem partido), para deles sair o candidato a governador em 2018 e um dos postulantes ao Senado. Dos três, só Tasso não participou do encontro.

O senador tucano está chegando ao Ceará neste fim de semana, após uma rápida temporada nos Estados Unidos, cuidando de assuntos de seu interesse particular. Ele tem reafirmado não pretender disputar mandato no próximo ano (ele é senador até 2022), mas continua sendo o nome preferido das oposições para enfrentar o governador Camilo Santana (PT) disputando a reeleição. A prioridade de Tasso Jereissati, até o próximo mês, será a disputa pela presidência nacional do PSDB. As questões relacionadas ao PSDB e às oposições no Ceará ficarão para o próximo ano, embora os demais representantes das siglas adversárias do Governo tenham pressa em definir o seu candidato.

Condicionantes

O Capitão Wagner admite disputar o Governo do Estado. Faz ponderações e algumas condicionantes, dentre elas, segundo um dos participantes do jantar, oferecido pela deputada Fernanda Pessoa, estar livre na coligação que bancar sua candidatura ao Executivo estadual, para escolher o seu próprio candidato à Presidência da República, que ele não especificou quem. Pelas últimas pesquisas em poder dos oposicionistas, Wagner estaria muito bem situado, tanto para postular o Governo do Estado quanto para uma das duas vagas de senador, ficando aquém apenas do senador Tasso.

Domingos Filho, a terceira opção para o Governo e nome também apontado para o Senado, está disposto a entrar na luta por um mandato no próximo ano. Sem mais razões para questionamentos sobre a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), posto considerado estar o fato consumado,

Domingos dá os primeiros passos para ter o exercício pleno da cidadania, no caso ser votado. Ele requer nos próximos dias o restabelecimento de sua condição plena de advogado, reabilitando-se na secção cearense da Ordem dos Advogados do Brasil, para cuidar da aposentadoria e filiar-se ao PSD, o partido dominado pela sua família neste Estado.

Fim das esperanças

A ida do senador Eunício Oliveira ao Palácio da Abolição, ontem, para um evento com características eminentemente políticas, ao lado do governador Camilo Santana, do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e de outros governistas, foi o fim de toda e qualquer esperança dos oposicionistas cearenses de que ainda poderia haver uma chance do senador continuar sendo oposição a Camilo e com ele concorrer novamente ao Governo do Estado, ou ajudá-los a formar uma chapa competitiva contra os governistas. O encontro de Eunício com a cúpula palaciana foi bem mais aberto do que os já ocorridos.

09:55 · 18.11.2017 / atualizado às 09:55 · 18.11.2017 por

Por Letícia Lima

Deputado Roberto Mesquita diz que eventual aliança entre Eunício e Camilo é contraditória Foto: José Leomar

Enquanto o governador Camilo Santana (PT) participava de evento, no Palácio da Abolição, com o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (PMDB), deputados da oposição questionavam, ontem, na Assembleia Legislativa, a “aproximação” entre os até então rivais políticos. Para o deputado Roberto Mesquita (PSD), é contraditória a postura de lideranças governistas que “esculhambam” o presidente Michel Temer (PMDB) e, “por trás, estão fazendo um acordo” com ele. Mesquita afirmou ainda que, por conta dessas atitudes “enganosas”, ser cara de pau virou a marca dos políticos.

A participação do senador Eunício Oliveira no lançamento do projeto “Juntos por Fortaleza”, do Estado e da Prefeitura, incomodou oposicionistas porque Eunício, considerado até então importante líder da oposição, agora, dá sinais cada vez mais claros de que poderá marchar com Camilo em 2018, com vistas à reeleição ao Senado.

Além disso, a eventual aliança levanta questionamentos de deputados em relação à conjuntura nacional, uma vez que o senador é do PMDB, partido de Temer, enquanto PT e PDT, legendas do governador e de seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes, respectivamente, fazem oposição ao Governo Federal. Mesquita diz que a aproximação é uma estratégia para enganar a população e beneficiar quem tem acesso ao Planalto.

“Eles estão tentando construir um projeto de união por Fortaleza, mas estão com vergonha de dizer que é o dinheiro do Temer que eles estão tentando ir buscar em Brasília, através dos emissários. Passam aqui a esculhambar o governo Temer e, por fora, correm pedindo a alguém que tem acesso ao governo que libere o dinheiro. O dinheiro é da Nação, tem que buscar sim recursos em Brasília, agora, chega de enganação. O recurso é federal, é do golpista, mas é ele que está, através de determinadas figuras que são seus aliados, irrigando o governo que, numa cara de pau sem precedentes, ainda esconde o que recebe e ainda culpa”.

Poder

Para Mesquita, quem consegue trazer dinheiro para o Ceará “ganha secretarias no Estado, na Prefeitura, poder em todo canto” e é “contemplado com um abraço para continuar no seu mandato”. Em tom de crítica, ele disse esperar que, na parceria, as lideranças políticas não deixem de priorizar repasses para áreas essenciais, como Saúde.

“Porque o que está acontecendo no Ceará é prática nazista, as pessoas morrendo e os chefes se banqueteando”, atacou. “Que dentro desse projeto façam, pelo menos, o básico. Podem sonhar com viaduto, Acquário, mas não deixem as pessoas morrerem no Hospital de Messejana”, cobrou.

09:54 · 18.11.2017 / atualizado às 09:54 · 18.11.2017 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana cumprimenta o senador Eunício Oliveira, no salão do Palácio, embora antes já tivessem conversado no Gabinete Foto: Helene Santos

O governador Camilo Santana, do PT, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), estiveram juntos pela primeira vez em evento oficial, na manhã de ontem, no Palácio da Abolição. Denominado “Juntos por Fortaleza”, o programa de desenvolvimento da Capital cearense também serviu como uma espécie de termômetro da opinião pública para com a reaproximação das duas lideranças políticas, que até pouco tempo eram antagônicas. Eunício disputou o Governo do Estado contra Camilo.

Apesar de alguns petistas, inclusive a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, afirmarem, em Fortaleza, que não veem com bons olhos uma possível aliança entre o chefe do Poder Executivo Estadual e o parlamentar peemedebista, pelos comentários feitos por aliados de ambos os lados, ontem, a parceria dos dois para 2018 está praticamente fechada, como adiantou o Diário do Nordeste, no início de setembro deste ano.

Eunício Oliveira foi o mais aclamado durante a solenidade, tanto pelo governador quanto pelo prefeito Roberto Cláudio. Logo que chegou à sede do Poder Executivo Estadual, o senador era aguardado por Camilo, o prefeito e outras lideranças. Eles conversaram demoradamente no gabinete do governador antes de descerem para o local do evento, onde já estavam outros políticos a eles ligados.

Se juntaram a eles o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), e o senador José Pimentel (PT), último a chegar à solenidade. Eles passaram aproximadamente uma hora na solenidade, tratando da importância da programação do evento e de outros assuntos. Logo após o encerramento do evento, voltaram a se reunir no gabinete de Camilo.

Durante entrevista coletiva, Camilo Santana e Roberto Cláudio evitaram comentar sobre questões eleitorais. No entanto, não faltaram elogios de ambos os lados. Ao Diário, o prefeito disse que se comprometeu a não falar de eleição neste ano. “Não quero contaminar o que realmente interessa, que é o grande esforço e compromisso com a cidade de Fortaleza. Eleição é para o próximo ano”, enfatizou o pedetista.

Parceria

Camilo Santana também se desvencilhou das perguntas sobre política eleitoral, e disse que focaria seus pronunciamentos apenas no que dizia respeito ao evento em si. Embora todos venham mantendo um discurso de que só tratarão de eleição no próximo ano, coube a Eunício Oliveira fazer as considerações sobre uma eventual parceria partidária para o próximo ano.

A última vez que PMDB e PT estiveram juntos no mesmo palanque, no Ceará, foi em 2012, quando o partido apoiou a candidatura de Roberto Cláudio para a Prefeitura de Fortaleza e indicou o vice-prefeito, Gaudêncio Lucena, na chapa que se consagrou vitoriosa. Durante coletiva, Eunício disse que o tratamento com o governador sempre foi cordial, mesmo durante as duas disputas eleitorais de 2014 e 2016, quando estiveram em lados opostos. Na primeira, Eunício foi o principal adversário de Camilo. Na segunda, Camilo apoiou Roberto Cláudio e Eunício votou em Capitão Wagner.

“Estivemos em uma disputa política local em 2014, e eu nunca, em nenhum momento, desrespeitei a pessoa, o ser humano e o cidadão Camilo. A recíproca é verdadeira, e eu nunca fui desrespeitado”, declarou. De acordo com ele, há uma convergência de ideias em prol do Estado do Ceará. “Essa aliança não pode servir apenas para beneficiar ou reeleger A ou B”, disse.

Lula

O senador ressaltou ainda que sendo de interesse do povo cearense, a parceria, que hoje é apenas administrativa, poderá evoluir para algo mais consistente, como aliança político-partidária. Ele afirmou que não vê qualquer impedimento nisso. “A relação com o governador e com o prefeito tem sido respeitosa, assim como foi com o ex-governador Cid Gomes. Sempre foi republicana, visando o interesse do Estado do Ceará”.

Na semana passada, o senador Tasso Jereissati (PSDB), até pouco tempo um dos principais aliados de Eunício Oliveira (formou com ele a chapa majoritária de 2014 e estiveram juntos na disputa municipal de 2016), disse que a sigla tucana não estará em mesmo palanque de quem apoiará candidaturas petistas. Eunício Oliveira, porém, reiterou que votará, sim, em Luiz Inácio Lula Silva, caso o PMDB não lance candidatura para o Palácio do Planalto.

“Eu já disse que se meu partido não tiver candidato, se minha aliança não me obrigar a ter uma posição divergente, vou votar no presidente Lula”. Questionado sobre as falas do tucano contra seu posicionamento, Eunício apenas sorriu.

Recursos

Para evitar a conotação política do evento, a presença de Eunício era justificada em razão da sua contribuição para permitir que o Governo Federal liberasse recursos para algumas das obras que foram anunciadas pelo governador Camilo e o prefeito Roberto Cláudio.

Mesmo antes do evento, em várias outras oportunidades, o governador e o prefeito já haviam destacado a colaboração de Eunício para a liberação de recursos e autorizações para que o Estado e a Prefeitura da Capital tivessem condições de contratar empréstimos externos, emperrados desde ainda o Governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em seu pronunciamento, Eunício Oliveira chegou a mencionar que recursos foram encaminhados para o Município de Barbalha, cujo prefeito não é seu aliado e nem do Governo do Estado. A Prefeitura é administrada pelo tucano Argemiro Sampaio Neto, que contou com o apoio do PMDB no pleito do ano passado.

Muitas personalidades da política local estiveram prestigiando o lançamento do projeto “Juntos por Fortaleza”, como deputados federais, inclusive o presidente do PDT, André Figueiredo, deputados estaduais e vereadores. Dentre os vereadores estava o opositor tucano, Plácido Filho, que serviu de motivo de brincadeiras, em alguns momentos, por seus pares aliados do prefeito Roberto Cláudio.

Dos peemedebistas da Assembleia estavam Audic Mota e Leonardo Araújo, este, até pouco tempo o mais crítico da gestão Camilo Santana. Danniel Oliveira, sobrinho de Eunício, não compareceu. Ele foi um dos primeiros a arrefecer seu modo de fazer oposição ao Governo. Walter Cavalcante, apesar de estar no PP, disse a seus colegas que era “peemedebista de corpo e alma”.

09:01 · 16.11.2017 / atualizado às 09:01 · 16.11.2017 por

Por Miguel Martins

Fernando Santana afirma que está aberto a qualquer decisão de Camilo Santana sobre exoneração do cargo. Dedé Teixeira, por sua vez, defende que secretários só deixem a gestão em março de 2018 Foto: Fabiane de Paula

Secretários do Governo Camilo Santana (PT), em entrevistas ao Diário do Nordeste, rebateram as críticas feitas por deputados estaduais governistas na Assembleia Legislativa, que têm reclamado de uma possível “invasão” dos gestores, pré-candidatos a cadeiras do Legislativo Estadual em 2018, às suas bases eleitorais no Interior do Estado. Além de afirmarem que não foram contatados pelos parlamentares, eles disseram que, da mesma forma que estariam viabilizando prováveis pré-candidaturas, os deputados também já o fazem, ainda que o período pré-eleitoral não tenha começado.

O secretário de Desenvolvimento Agrário, Dedé Teixeira, e o secretário-adjunto do gabinete do governador, Fernando Santana, estiveram na manhã da última terça-feira (14), participando de evento do Partido dos Trabalhadores (PT) na sede do Poder Legislativo, quando foi lançada a plataforma digital “Ceará e Brasil que o povo quer”. Eles têm sido alvos de diversas críticas por parte de parlamentares da base aliada que acham injusta a atuação dos dois em municípios do Interior do Estado e pedem que o governador Camilo Santana exonere os secretários que pretendem se candidatar até o fim deste ano.

Na semana passada, por exemplo, o deputado Fernando Hugo (PP), da tribuna do Plenário 13 de Maio, chegou a solicitar que o Ministério Público Eleitoral fiscalize ações dos secretários em municípios do Interior do Estado. A queixa levada por Hugo se soma a de outros deputados da Casa, que reclamam, nos bastidores, da atuação política de alguns secretários estaduais nas suas bases eleitorais.

Além de Fernando Hugo, outros parlamentares da base também têm externado queixas a tais atuações, como Carlos Felipe (PCdoB), Manoel Santana (PT), Bethrose (PMB), Mirian Sobreira (PDT) e Silvana Oliveira (PMDB). A situação tem dado margem, inclusive, para críticas feitas pela oposição. A insatisfação tem sido assunto entre parlamentares também em grupos para trocas de informações da base em um aplicativo de trocas de mensagens, conforme registrou o Diário do Nordeste na última segunda-feira (13).

Ações semelhantes

O secretário Dedé Teixeira disse que, assim como há gestores atuando no Interior do Estado, por meio de suas secretarias, os deputados também estão fazendo o mesmo, visto que realizam movimentações em diversas localidades. Deputado licenciado, ele defendeu que a exoneração dos secretários que queiram disputar cargo de deputado no próximo ano aconteça somente no fim de março de 2018.

O secretário Fernando Santana, por outro lado, disse que tem mantido uma postura de diálogo com os parlamentares da Assembleia e, em momento algum, foi procurado por deputados para tratar do assunto. Ele afirmou que recebeu informação sobre as insatisfações de alguns parlamentares da base somente pela imprensa e espera que eles entrem em contato para tratar da questão. “Eu não fui procurado por nenhum deles e só tenho recebido essas informações pela imprensa”, afirmou.

De acordo como o gestor, cabe ao governador Camilo Santana deliberar sobre quando ele e seus colegas, que também pretendem disputar uma vaga à Assembleia, devem deixar suas funções. “Eu acato qualquer decisão que venha do governador. Ele é quem decide se a gente sai em dezembro ou abril”, frisou.

Reivindicação

Os parlamentares insatisfeitos com as incursões dos gestores sugerem que, assim como fez o ex-governador Cid Gomes (PDT), Camilo exonere, pelo menos até o fim deste ano, os secretários que queiram entrar na disputa. No entanto, informações dão conta de que o chefe do Poder Executivo só o fará em abril de 2018, quando termina o prazo para a desincompatibilização de gestores estaduais que queiram disputar uma das 46 vagas do Legislativo Estadual.

Na semana passada, durante convenção estadual do PSDB, o ex-presidente do partido no Ceará, Luiz Pontes, chegou a dizer que o governador estaria “cooptando” lideranças locais para reduzir espaços da bancada oposicionista e até da base do Governo. “Estou na vida política desde 1982 e nunca vi algo parecido. Deputados da base cobrando que o governador exonere seus secretários”, criticou.

09:00 · 16.11.2017 / atualizado às 09:00 · 16.11.2017 por

Por Miguel Martins

Francini Guedes discursa para tucanos durante sua posse, no último dia 10. Para ele, a legenda deve levar debates à sociedade civil organizada Foto: José Leomar

O PSDB no Ceará quer se aproximar cada vez mais da população, conforme defende o novo presidente estadual da legenda, Francini Guedes. Dessa forma, o partido pretende trabalhar pautas de interesse da sociedade, tendo como meta inicial discutir assuntos como as reformas em debate no Congresso Nacional.
Nos últimos quatro anos, o trabalho do ex-presidente da sigla, Luiz Pontes, foi de reformular a legenda no Estado. Seu sucessor, agora, quer dar uma cara nova ao partido, buscando uma maior interação entre a sigla e outros setores da sociedade.

A nova executiva estadual do PSDB, empossada no último dia 10, é formada por Francini como presidente, tem o médico  Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Cabeto, na vice-presidência; e o executivo Geraldo Lucena na 2ª vice-presidência. A vereadora Emília Pessoa é a 1ª secretária; Camila Castro, a nova tesoureira; e o engenheiro João Barroso, o secretário-geral.

Francini Guedes disse ao Diário do Nordeste que o objetivo da legenda, agora, é estar mais próxima da sociedade civil organizada e da população como um todo. No entanto, a formação da executiva, composta por empresários, um executivo, um médico e um engenheiro demonstra que o partido, no Ceará, ainda tem dificuldade de atrair representantes de outras classes da sociedade cearense.
Segundo ele, o desafio da legenda tucana é “lutar para criar uma nova ética no País” e, para isso, pretende apresentar o maior número de candidatos às casas legislativas em 2018.

Crise

“Ainda não temos metas, mas vamos discutir tudo isso. Disse no PSDB que não discuto mais o eu, mas o nós. Estamos vivendo uma crise muito grande, e temos líderes com ações que não são aconselháveis”, apontou.

Ainda de acordo com o dirigente, o PSDB tem bons nomes para a disputa eleitoral do ano que vem, mas é preciso construir um diálogo com outros partidos de oposição. “Não vamos discutir isso sozinhos, mas com os outros”, destacou. O tucano, porém, tem defendido o nome do senador Tasso Jereissati para a disputa pelo Governo do Estado.

Sobre o apoio do partido ao Governo de Michel Temer (PMDB), ele defendeu que “está na hora de acabar”. “Não faz mais sentido. Ele tem práticas que não são desejáveis para a sociedade, e o povo está cobrando isso”, justificou. Guedes ressaltou que o seu antecessor fez um “ótimo trabalho” no Interior do Estado, assim como junto ao PSDB Mulher e à juventude, o que fez com que esses dois setores crescessem na sigla nos últimos anos. “Em muitos municípios foram abertos diretórios que não existiam”, comemorou.

Segundo Guedes, a ideia é fazer com que o PSDB discuta “o que é bom para o País” com a sociedade civil, a juventude e empresários. “Não queremos tomar decisões sozinhos”, frisou.

Coligar

Do ponto de vista partidário, para 2018, em busca de eleger o maior número possível de nomes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal, o PSDB pretende se coligar com outras legendas no Ceará. Pela Reforma Política, a formação de coligação proporcional só será proibida a partir de 2020.
Segundo informou o ex-presidente da legenda, Luiz Pontes, o partido vai tentar eleger pelo menos três representantes à Câmara Federal e três à Assembleia Legislativa do Estado. Ele é pré-candidato a uma das 46 vagas do Legislativo Estadual.

Já há algum tempo a legenda não elege mais que um nome para as duas casas no Ceará. Atualmente, tem um senador da República, Tasso Jereissati; um deputado federal, Raimundo Gomes de Matos; um deputado estadual, Carlos Matos; e um vereador em Fortaleza, Plácido Filho. Para Luiz Pontes, caso Tasso seja candidato a governador, a possibilidade de a sigla tucana eleger mais nomes é maior.

09:22 · 15.11.2017 / atualizado às 09:22 · 15.11.2017 por

Por Miguel Martins

Lançamento da plataforma ocorreu um dia após lideranças petistas, inclusive o governador Camilo, participarem de ato da Consulta Popular Foto: Thiago Gadelha

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), senadora Gleisi Hoffmann, participou ontem, na Assembleia Legislativa, do lançamento da plataforma digital “Ceará e Brasil que o Povo Quer”, parte de um projeto colaborativo cujo objetivo é, segundo o partido, a construção de um novo programa para o País. Em seu discurso, ela afirmou que o ex-presidente Lula será candidato em 2018, independentemente de decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Durante o evento, que ocorreu um dia após lideranças petistas terem participado, também em Fortaleza, da abertura da 5ª Assembleia Nacional da Consulta Popular, membros da sigla se revezaram em críticas ao Governo Federal e apresentaram metas de fortalecimento da esquerda no Brasil.

De acordo com a dirigente, a discussão de um projeto para o Brasil não pode se limitar apenas à política eleitoral, mas abranger debates mais aprofundados de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Durante o lançamento da plataforma, lideranças petistas defenderam maior aproximação entre o partido e os movimentos sociais.

Segundo Gleisi, a ideia do partido é fazer uma “grande discussão com a população brasileira”, a partir do conhecimento que a legenda adquiriu durante seus anos de Governo. O primeiro tema abordado pela plataforma é o combate à fome, que voltou a crescer no País. Hoffmann frisou que, historicamente, os direitos dos mais pobres foram deixados de lado, e algo só foi feito após as gestões do PT.

Candidatura

Conforme disse, a força do partido foi tamanha nos últimos anos “que foi preciso um golpe para tirar o PT do poder e começaram a desconstrução de tudo o que foi feito até então”. A petista, porém, fez espécie de mea culpa, destacando que a sigla não conseguiu enfrentar a questão da concentração de renda no País.

No entanto, ela sustentou que a população, devido ao que vem sendo feito pela gestão de Michel Temer, olha para o PT com esperança. Em seu pronunciamento, Hoffmann afirmou que o ex-presidente Lula será candidato por dois motivos. “Primeiro porque ele é inocente. Segundo, porque judicialmente, mesmo que o TRF condene ele, temos mecanismos judiciais para que ele se candidate”, disse.

Na análise da dirigente, não há possibilidade de suspensão da candidatura de Lula. Ela disse ainda que há vários casos de prefeitos e gestores que foram acusados e até condenados e, ainda assim, se candidataram, muitos sendo eleitos. Baseada nisso, a petista acredita que Lula será postulante à vaga em 2018.

Gleisi defendeu ainda que é preciso formar uma frente de resistência de centro-esquerda com PDT, PCdoB, PSB e até com o PSOL, uma vez que, conforme informou, está dialogando com lideranças da sigla socialista.

Aproximação

Ex-prefeita e deputada federal, Luizianne Lins aproveitou o momento para cobrar o pleno funcionamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico na executiva nacional do PT, visto que lidera este setor no partido. Para a petista, a plataforma proposta pela legenda só vai funcionar se seus filiados forem para as ruas com a população.

Luizianne cobrou também que haja uma maior interação entre as alas internas do PT, para evitar dispersão partidária e unir cada vez mais o partido. “Estamos levando pancada desde 2005 com o mensalão e é preciso demonstrar união a partir de agora”, afirmou.

Líder do PT na Assembleia, o deputado Manoel Santana pregou que o partido deve se associar a amplos comitês e tomar a frente das lutas sociais no País, principalmente contra as reformas propostas pelo Governo do presidente Michel Temer. “Esse é o caminho da luta que todos devemos seguir”, apontou.

A deputada Rachel Marques disse que, além dos “retrocessos” impostos pelo Governo Federal, há um avanço de um pensamento conservador e racista no País, que tem se apresentado em propostas como a “escola se partido” e o que se denominou de “ideologia de gênero”.

Representante do governador Camilo Santana no evento, o secretário chefe adjunto do Governo, Fernando Santana, chegou a enaltecer o nome do ex-presidente Lula e foi ovacionado pelos presentes. “Viva o PT! Viva o Lula e estamos juntos!”, disse.

09:26 · 14.11.2017 / atualizado às 09:26 · 14.11.2017 por

Por Miguel Martins

Listas de contagens de votos, com possíveis novatos que podem ser eleitos para a AL, têm sido assunto entre deputados no Plenário 13 de Maio Foto: José Leomar

Quanto mais se aproxima o pleito de 2018, mais preocupados ficam alguns deputados com mandato na Assembleia Legislativa. Já há algum tempo eles estão fazendo incursões ao Interior do Estado em busca de firmar votos para uma possível reeleição no ano que vem. No entanto, com quadros potencialmente fortes se colocando para as eleições, os parlamentares do Legislativo Estadual trabalham em todas as frentes para angariar cada vez mais adesões.

Na quarta-feira passada, enquanto alguns deputados se pronunciavam na tribuna do Plenário 13 de Maio, um grupo de parlamentares se reunia para debater qual a melhor forma de eleger o máximo de membros da base aliada do governador Camilo Santana. Dentre as propostas colocadas por eles está a possibilidade de constituição de um “blocão” formado por partidos aliados que possa eleger o maior número possível de candidatos.

Quando da aprovação da Reforma Política, em outubro, parlamentares comemoraram o fato de ainda poderem formar coligação proporcional em 2018, o que possibilitará diversas alianças com vistas a sobrevivência política de muitos deles.

De acordo com informações dos próprios deputados, com o possível ingresso do PMDB na base aliada, há possibilidade de serem eleitos mais de 30 aliados em 2018, isso em um “blocão” formado por PT, PDT, PMDB, PP, PEN, PHS e outros. Diferente do pleito de 2014, PSD e PMB seriam os únicos que ficariam de fora, uma vez que agora fazem parte da oposição.

A maior preocupação dos atuais deputados se dá pelo fato de pelo menos uma dezena de novos nomes já serem apontados como eleitos a uma das 46 vagas da Casa Legislativa. De acordo com eles, por conta de um descrédito da população com a classe política, haverá uma renovação considerável na Assembleia, semelhante ao que aconteceu em 2014.

Para evitar de estarem entre os que ficarão de fora da próxima Legislatura, muitos dos deputados já iniciaram suas incursões, e apostam na presença corpo a corpo com o eleitor para evitar uma derrota nas urnas.

Novatos

Dentre os nomes que são dados como certos no próximo pleito estão os de Erika Amorim, esposa do prefeito de Caucaia, Naumi Amorim; Patrícia Aguiar, ex-prefeita de Tauá e esposa do conselheiro em disponibilidade Domingos Filho; e Lia Ferreira Gomes, irmã dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes. O presidente da Câmara de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), é outro cotado ao pleito de 2018, assim como o chefe do gabinete do prefeito Roberto Cláudio, Queiroz Filho; e o filho do ex-deputado Welington Landim, o ex-prefeito de Brejo Santo, Guilherme Landim.

Fernando Santana, chefe adjunto do gabinete do governador Camilo Santana, e o vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, também pretendem disputar uma das cadeiras, além do presidente estadual do PSDB, Luiz Pontes, e o ex-prefeito de Granja, Romeu Aldigueri.

De acordo com o petista Manoel Santana, os partidos procuram construir alianças favoráveis, enquanto parlamentares trabalham para fortalecer suas bases. “Uns trabalham para fragilizar seus potenciais adversários, e nisso alguns usam práticas nada republicanas”, denunciou.

José Sarto (PDT) confessou que “todo mundo está preocupado com a reeleição”. “Tem que acompanhar as bases, tentar acompanhar todos os pleitos e estar presente nos municípios”. Já Sérgio Aguiar (PDT) afirmou que os atuais parlamentares estão marcando presença junto ao eleitor, com a transmissão ao vivo das sessões plenárias e das comissões da Assembleia.

Para Osmar Baquit (PSD), a reeleição está muito ligada à atuação do parlamentar em suas bases e não dentro da Casa Legislativa. Portanto, ele diz que aqueles que estiverem próximos ao eleitorado terão mais chances.

09:24 · 14.11.2017 / atualizado às 09:24 · 14.11.2017 por

Por Miguel Martins

A eleição de 2018 será a primeira disputa nacional para uma série de partidos. E, no Ceará, esses novatos já começaram a traçar uma estratégia para a disputa. De acordo com dirigentes de algumas dessas legendas, a expectativa é obter representação do partido no Legislativo, principalmente federal. Nenhuma dessas agremiações assegura ter candidato a governador.

É o caso da Rede Sustentabilidade, partido que disputará no ano que vem sua primeira eleição estadual e federal – em 2014, por dificuldades de registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), filiados do partido concorreram pelo PSB.

Hoje, no Ceará, a intenção é lançar nomes ligados a movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos.

Outra legenda que se prepara para disputar sua primeira eleição estadual e federal é o Novo. De acordo com Marcelo Marinho, um dos dirigentes no Ceará, o partido está focado na formação de uma bancada de deputados federais. A meta é de pelo menos 35 representantes da sigla na Casa, sendo pelo menos três do Ceará.

Já o Podemos – legenda que sucedeu o antigo PTN – busca os “insiders”. De acordo com o presidente do partido no Ceará, Paulo Neto, a legenda negocia a filiação de dois detentores de cargos eletivos. Um deles é o deputado federal Cabo Sabino (PR), que já tem sua migração para o partido quase certa. O segundo seria um deputado estadual cujo nome o dirigente não revela por “questão de estratégia”.

Neto acredita que o partido no Ceará poderá crescer graças à candidatura presidencial do senador Álvaro Dias pela legenda. “Com isso, acho que podemos dar uma levantada e mais nomes virem para o Podemos”, diz. Para assegurar um palanque no Estado ao paranaense, o partido estaria avaliando lançar um nome para senador. A candidatura ao Governo do Estado, por enquanto, estaria descartada.

Em razão da nova legislação eleitoral, a orientação de todas as direções partidárias é no sentido de seus dirigentes estaduais procurarem priorizar a eleição de deputado federal, onde não houver candidato majoritário, tendo em vista que serão as bancadas federais que servirão de base para os partidos receberem o Fundo Partidário.

08:34 · 14.11.2017 / atualizado às 08:34 · 14.11.2017 por

Sob a defesa da unidade de alas progressistas na construção de um “projeto popular” para o País, lideranças de partidos políticos de esquerda e centro-esquerda, como PT, PCdoB e PDT, representantes de movimentos sociais, do movimento estudantil e membros de entidades sindicais participaram, ontem à noite, da abertura da 5ª Assembleia Nacional da Consulta Popular, organização política que reúne movimentos populares do País, no Clube da Cofeco, localizado no bairro Sabiaguaba. As atividades seguem até sexta-feira (17), com público estimado em 800 participantes de vários estados.

O governador Camilo Santana (PT) e a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, estiveram presentes, além de outros parlamentares, dirigentes e filiados não só ao PT, mas também ao PCdoB e ao PDT. Em pronunciamentos rápidos, políticos e representantes de movimentos populares fizeram críticas a “retrocessos” que, segundo afirmaram, são patrocinados pelo Governo de Michel Temer (PMDB), mas, apontando para a necessidade de um “enfrentamento” até as eleições de 2018, conclamaram união das esquerdas em prol de um governo popular.

Ao Diário do Nordeste, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda petista, disse que a presença do partido na Assembleia reflete um movimento de aproximação do partido com movimentos sociais. “A Consulta Popular é extremamente importante para o movimento popular e para a luta dos trabalhadores, e faz uma coisa que, no meu entendimento, nós devíamos muito ter feito no Governo do presidente Lula, que é buscar a consciência popular, disputar mentes e corações, mostrar para o povo o que está em jogo”. Hoje, às 9h, o PT lança, na Assembleia Legislativa, a plataforma digital “Ceará e Brasil que o povo quer”, com a presença da senadora.

Membro da direção nacional da Consulta Popular, Thays Carvalho ressaltou que o objetivo do encontro é “refletir o atual momento político e pensar quais são as saídas para essa crise política, econômica e social que a gente vive”. Segundo ela, estarão em pauta nos próximos dias o fortalecimento da Frente Brasil Popular, a construção de um “vínculo com o povo” e a descriminalização da esquerda e do ex-presidente Lula.

Embora o ato político tenha levantado a bandeira da união das esquerdas, o governador Camilo Santana ponderou que “não estamos discutindo eleição nem coligação partidária”. “Aqui é um movimento de organizações sociais que acho que de forma muito responsável, muito oportuna, puxa um debate sobre o momento que o Brasil está vivendo e quais as expectativas de futuro”, frisou o petista.

07:55 · 13.11.2017 / atualizado às 07:55 · 13.11.2017 por
Coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral, o promotor Emmanuel Girão diz que atuação majoritária no pleito de 2018 será do MPF Foto: José Leomar

Para os promotores eleitorais que atuam no Ceará, o pleito municipal de 2016 ainda não acabou, mas já é hora de pensar sobre desafios e mudanças que prenunciam a eleição geral do ano que vem. Afinal, enquanto dedicam esforços à análise de uma lista de 12 mil doadores de campanha que podem ter feito doações acima do limite previsto pela lei na disputa eleitoral de 2016, eles também têm buscado atualização sobre as alterações na legislação eleitoral impostas pela Reforma Política aprovada no Congresso Nacional em outubro último. Quem diz isso é o promotor de Justiça Emmanuel Girão, coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (Caopel) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele reconhece avanços pontuais nas regras do pleito do ano que vem, mas, de modo geral, vê a Reforma Política como limitada, por ter mantido “pontos estruturais negativos” no sistema político brasileiro e não ter avançado rumo a garantir maior representatividade e reduzir o número de candidatos.

Emmanuel Girão também explica que, por se tratar de uma eleição geral, a atuação do Ministério Público em 2018 ficará, centralmente, a cargo do procurador regional eleitoral (PRE), Anastácio Nóbrega Tahim Júnior, em esfera estadual; e da procuradora geral eleitoral (PGE), Raquel Dodge, em âmbito nacional – ambos vinculados ao Ministério Público Federal (MPF). De acordo com ele, aos promotores eleitorais, que são membros do MPCE, caberá atuar, prioritariamente, na fiscalização do poder de polícia sobre a propaganda eleitoral.

Cobranças

O coordenador do Caopel, órgão que auxilia a atuação do MPCE na esfera eleitoral, faz tal diferenciação de competências para esclarecer, por exemplo, como o Ministério Público pode responder às cobranças de deputados estaduais que, na Assembleia Legislativa, têm denunciado a prática de campanha antecipada por secretários que são pré-candidatos ao Legislativo Estadual no ano que vem.

“Estão dizendo que secretários de Estado já estariam em campanha. Isso poderia caracterizar abuso de poder político, condutas vedadas, mas essa fiscalização fica a cargo da Procuradoria Regional Eleitoral, porque o promotor eleitoral atua mais sobre a fiscalização do poder de polícia sobre a propaganda. Esses casos de impugnação de registro por conduta vedada vão ficar a cargo do procurador regional ou da procuradora geral”, detalha. Ele frisa, porém, que o PRE “está adotando algumas providências” quanto aos casos que têm sido denunciados.

Com a extinção de zonas eleitorais no Estado, cuja quantidade caiu de 123 para 109 após rezoneamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em cumprimento a uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, Girão ressalta que também diminuirá o número de promotores eleitorais em atuação no Interior do Estado, o que poderá representar “dificuldades” no trabalho fiscalizador do órgão durante o pleito.

Distribuição

“Nós já tínhamos dificuldade pelo fato de não ter um promotor em cada cidade, e assim a gente compensava porque, nos três, quatro dias anteriores à eleição, a gente conseguia mandar promotores aos municípios. Agora, vamos ter que mandar mais promotores extras para trabalhar nos dias que antecedem a eleição, na eleição e na apuração. Vai dar trabalho, porque na maior parte do período da campanha vão ficar só o juiz e o promotor da zona”, cita o coordenador do Caopel, lembrando que, no Ceará, há zonas eleitorais que atendem às demandas de mais de um município.

Já ao tratar das mudanças na legislação para 2018, o promotor considera que a Reforma Política aprovada no início de outubro foi “basicamente pontual”, já que “só alguns pontos periféricos foram alterados”. Além disso, para ele, nem todas as novidades são positivas. Dentre elas, Emmanuel Girão destaca a aprovação da criação de um fundo de financiamento público estimado em R$ 1,7 bilhão para custear as campanhas, uma vez que, conforme defende, o financiamento público poderia funcionar em um sistema de lista fechada, mas não no modelo atual do Brasil.

“O nosso financiamento é misto, já tinha uma parte pública, que se dava pela distribuição do Fundo Partidário e do horário eleitoral gratuito, e uma parte privada, através de doações. Eles colocaram muito mais dinheiro nesse novo fundo, sem mudar nada no Fundo Partidário”, critica. “De certa forma, estão querendo criar um financiamento público, só que o nosso sistema eleitoral não é compatível com financiamento público, porque temos um número muito grande de candidatos”, aponta.

Ademais, o promotor diz que “esse dinheiro vai ser repassado aos partidos e eles vão gastar como quiserem”, o que pode motivar desigualdades internas entre candidaturas. “O partido pode beneficiar apenas uma pequena parcela de candidatos em detrimento de uma maioria”, menciona. Por outro lado, Girão ressalta que a possibilidade de financiamento coletivo pela Internet, também aprovada na Reforma, pode “equilibrar” campanhas. “Mas como a gente sabe que o eleitor não tem a tradição de fazer doação e desconfia dos políticos, talvez não haja um grande número de doações por financiamento coletivo”.

Caixa 2

Na avaliação do promotor, a criação do fundo público de financiamento foi aprovada no Congresso como consequência do entendimento de uma parcela da classe política que projeta dificuldade para conseguir doações de campanha por Caixa 2 em 2018. Para ele, contudo, a ilicitude ainda deve estar presente no pleito do ano que vem.

“Não é que tenha mudado a cultura, o mecanismo da campanha. Acho que vai continuar tendo Caixa 2. Agora, o que acho que mudou é que alguns empresários estão com receio de entrar nesse sistema de Caixa 2, porque a gente observa que, na Lava-Jato, os políticos que têm foro privilegiado estão tranquilos, nos seus lugares, no máximo o Supremo autorizou a instalação de inquérito, enquanto empresários foram presos. Talvez eles tenham sentido uma retração desse dinheiro que entrava nas campanhas e usaram a alternativa desse fundo”, analisa.

Campanha de 2016

Neste segundo semestre, o coordenador do Caopel informa que os promotores eleitorais do Ceará trabalham na análise de uma lista de 12 mil doadores de campanha que, segundo a Receita Federal, podem ter ultrapassado o limite legal para doações eleitorais em 2016. De acordo com ele, o órgão tem até o dia 19 de dezembro para ajuizar representações ou arquivar as doações em investigação.

Enquanto isso, Emmanuel Girão destaca, também, a necessidade de formação diante das mudanças na legislação válidas para 2018. Na Semana do Ministério Público, a ser realizada entre 13 e 15 de dezembro, por exemplo, ele diz que o Centro de Apoio Operacional Eleitoral levará aos promotores informações sobre as alterações.

“O que atrapalha muito o planejamento é essa constante mudança na lei. Em 2018, o nosso trabalho é mais de retaguarda e de apoio à fiscalização da Procuradoria Regional e da Geral. Acredito que, na questão da propaganda na Internet, vai haver mais fiscalização dos partidos, reciprocamente, do que do Ministério Público Eleitoral, então ações que podem acontecer para tirar propaganda do ar, de rede social, acredito que ficam a cargo dos próprios partidos. O Ministério Público vai se preocupar mais com o uso do patrimônio público, com compra de votos”.