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Tag: eleições 2018


08:59 · 22.01.2018 / atualizado às 08:59 · 22.01.2018 por

Por Miguel Martins

Mobilizações em defesa da candidatura de Lula à Presidência começaram no Estado no início deste mês, com ato que reuniu partidos aliados Foto: José Leomar

Esta semana será decisiva para o Partido dos Trabalhadores (PT) e deve influenciar os rumos da disputa eleitoral deste ano no País. A agremiação tem se mobilizado no Ceará no intuito de pressionar a Justiça pela absolvição do ex-presidente Lula, em julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), na próxima quarta-feira (24). Enquanto isso, não só o PT, mas também outras legendas aguardam a decisão para darem prosseguimento às tratativas rumo ao pleito de 2018.

A mobilização em defesa da candidatura do ex-presidente teve início no Estado ainda no início de janeiro, com atividades na Capital e em municípios do Interior. Desde um primeiro evento realizado no início do mês, que contou com a presença de membros de PT, PCdoB, PSB e PCO, já foram realizadas plenárias do PT em Fortaleza e outros municípios, como Quixadá, Limoeiro do Norte e Quixelô. Até o julgamento, atividades serão realizadas em cidades como Sobral, Crato, Crateús e Meruoca.

Segundo o presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, os deputados federais José Guimarães, José Airton Cirilo e Luizianne Lins devem acompanhar o julgamento em Porto Alegre. Em Fortaleza, no dia 24, haverá mobilização com apresentações culturais e ato ecumênico na Praça da Justiça Federal, no Centro, a partir das 8h. Também estão programados atos no Interior do Estado.

O ex-presidente foi condenado em primeira instância, pelo juiz federal Sérgio Moro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Ele pode se tornar inelegível caso a sentença seja confirmada pela 8ª Turma do TRF-4, em Porto Alegre. No entanto, petistas ouvidos pelo Diário do Nordeste argumentam que vão recorrer em todas as instâncias e, já no dia seguinte, 25, devem realizar ato nacionalmente em defesa do lançamento da pré-candidatura do ex-presidente.

Francisco de Assis Diniz salientou que o governador Camilo Santana não deve participar dos protestos pró-Lula que seguirão até o dia 24. Segundo ele, o horário das mobilizações não permite que o chefe do Executivo, filiado ao PT, participe das manifestações.

Reunião

Após o julgamento de Lula, o PT do Ceará espera discutir os próximos passos da legenda para a eleição no Estado. O presidente do partido afirmou que está agendada reunião da direção com Camilo para tratar de impasses na legenda. Um dos questionamentos envolve a disputa para deputado estadual, visto que a sigla defende chapa pura, o que é contestado por aliados.

Para o presidente do PT, outro ponto que deve gerar confronto diz respeito à vaga ao Senado na chapa governista, uma vez que o PT defende candidato próprio para a manutenção da cadeira que hoje pertence ao petista José Pimentel. O MDB, de Eunício Oliveira, e o PDT, de Cid Gomes, querem as duas vagas que estão em jogo. O deputado Elmano de Freitas afirmou que esta tem sido a defesa do partido internamente. “Vamos amadurecer com o governador tudo o que estiver em impasse. Temos conversa agendada com ele e nós vamos tratar disso”, informou, por sua vez, De Assis Diniz.

O deputado Manoel Santana, responsável pela mobilização do partido no Cariri, disse que no dia 24 haverá um ato na região, iniciando no Crato e indo até Juazeiro do Norte. “Ele é candidato em qualquer circunstância, pois vamos defendê-lo em todas as instâncias”, sustentou.

08:56 · 22.01.2018 / atualizado às 08:56 · 22.01.2018 por

Por Miguel Martins

Apesar de não admitirem que estão aguardando a decisão do TRF-4 para, enfim, seguirem com suas articulações políticas, algumas lideranças políticas afirmaram que o julgamento do próximo dia 24 influenciará tratativas que já vêm sendo discutidas internamente. A oposição tende a comemorar uma eventual condenação de forma unânime, enquanto aliados do PT esperam ser beneficiados com um veredito contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma das principais lideranças do PSDB no Ceará, o ex-senador Luiz Pontes afirmou que, para a sigla tucana, será positiva uma condenação do ex-presidente, uma vez que abre espaço para uma disputa com menos acirramento e sem o envolvimento da Justiça. No entanto, ele ressaltou que o partido não tem esperado apenas a decisão do Judiciário e, por isso, está se articulando com outras siglas para fortalecer uma candidatura própria.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem dialogado com o PSD, de Gilberto Kassab, e até com o DEM, do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que também é apontado como presidenciável. “Com a condenação do Lula, a gente vai ser beneficiado, é claro. Mas não podemos pensar só nisso”, disse.

Aliança

Presidente do PSD no Ceará, o deputado federal Domingos Neto afirmou que o julgamento pouco influenciará na legenda, mas opinou que a aliança entre PDT, PT e MDB pode sofrer mudanças, dependendo da decisão do TRF-4 na quarta-feira.

Para o deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República é irreversível, independentemente do resultado do julgamento. No entanto, ele ressaltou que a decisão do TRF-4 pode forçar o PT a apresentar outro nome, visto não haver possibilidade da sigla abrir mão de postulação, ao menos no primeiro turno. “Vamos buscar outras siglas do nosso campo democrático. Queremos que a candidatura do Ciro seja forte”, argumentou.

08:53 · 22.01.2018 / atualizado às 08:53 · 22.01.2018 por
Cabo Sabino aproveita o recesso da Câmara para atuar na reorganização do PHS no Estado Foto: Kid Júnior

Prestes a completar um ano na coordenação da bancada cearense no Congresso Nacional, o deputado federal Cabo Sabino (no PR até março) aponta avanços do grupo de 22 deputados e três senadores nas pautas que definiu como prioridade em 2017, mas reconhece fatores que, no último ano, impactaram a transferência de recursos para o Estado. Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele ressalta ainda que, para além das demandas na Câmara, tem voltado as atenções para a reorganização do PHS no Ceará. Em março, ele assume a presidência estadual da sigla.

Quando foi aclamado por seus pares para coordenar a bancada, Cabo Sabino enumerou como prioridades do grupo, em 2017, Saúde e crise hídrica. Segundo ele, a bancada “militou muito forte” nas duas áreas para garantir transferência de recursos federais ao Estado. Na Saúde, a emenda de bancada era de R$ 112 milhões, mas, após contingenciamento do governo federal, ficou em R$ 68 milhões. Deste total, o parlamentar afirma que o Ceará recebeu R$ 50 milhões até o momento.

A emenda que destinava recursos para ações de convivência com a seca, por sua vez, sofreu impedimento técnico. Cabo Sabino destaca, entretanto, que houve mobilização da bancada junto ao Palácio do Planalto para que a destinação de verbas não fosse comprometida. “Foi permitido que R$ 68 milhões sejam investidos tanto nas questões hídricas do Estado quanto no desenvolvimento regional”.

Cabo Sabino se filiará ao PHS em 16 de março, na janela partidária, mas, até lá, a direção provisória do partido é formada por indicados do parlamentar. Ele diz que tem trabalhado para atrair novas lideranças para o partido, que soma, até o momento, entre 20 e 25 pré-candidatos a deputado estadual e até cinco postulantes à Câmara dos Deputados. O parlamentar descarta coligação com outras siglas para disputar vagas na Assembleia, mas tem interesse em coligação para deputado federal com o PROS. O deputado estadual Capitão Wagner, que assumirá o partido, porém, toma distância de acordo com o ex-aliado.

Questionado sobre a formação da chapa na qual apostará para ser reeleito, ele ressalta que uma mudança aprovada na Reforma Política pode favorecer legendas pequenas, como o PHS. Isso porque, no pleito de 2018, todas as “sobras” (soma de votos que não alcançam o quociente eleitoral para que determinado partido ou coligação eleja candidatos) serão contabilizadas na distribuição das vagas. Antes, só eram consideradas “sobras” das siglas que haviam atingido o quociente eleitoral, que ele projeta ser de 200 mil votos no Ceará.

“Se, por exemplo, o PHS não atinge o quociente eleitoral, mas venhamos a tirar de legenda, somada a minha votação com a de outros candidatos, 160 mil, 170 mil, ou 150, 140, eu acredito que estejamos com uma vaga garantida, porque teremos uma das maiores sobras entre os partidos postos para a disputa”, aponta.

11:58 · 20.01.2018 / atualizado às 12:27 · 20.01.2018 por
As duas pesquisas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma exigência da legislação em vigor desde o último dia 1º de janeiro.

Por Sérgio Ripardo

 Na próxima semana, serão divulgadas as duas primeiras pesquisas de 2018 sobre a corrida presidencial de outubro. Na próxima quinta-feira (25), o instituto de pesquisa Ipsos, sediado em São Paulo,  divulga um levantamento nacional com 1.200 entrevistados, ouvidos entre os dias 2 e 11 deste mês, sobre a sucessão de Michel Temer (MDB-SP).
Antes, na terça-feira (23), o instituto de pesquisa Múltipla, com sede na cidade pernambucana de Arcoverde, também promete soltar números sobre a eleição presidencial com 600 entrevistados, ouvidos entre a quinta-feira passada (18) e a próxima segunda-feira (22).
As duas pesquisas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma exigência da legislação em vigor desde o último dia 1º de janeiro. Os dois institutos informaram os custos das pesquisas. Enquanto o Ipsos diz ter gasto R$ 183 mil para ouvir os eleitores; o Múltipla registrou despesa de R$ 15 mil.
No questionário aplicado pelo instituto paulista, são testados os nomes do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD-GO), do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, do apresentador Luciano Huck, de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, e do juiz federal Sérgio Moro, da Lava-Jato em Curitiba (PR), do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e do senador José Serra (PSDB-SP), que nesta semana descartou a intenção de disputar a eleição em 2018.
Os entrevistados também responderam ao Ipsos sobre os nomes dos políticos com pretensão eleitoral confirmada: Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Manuel D’Ávila (PCdoB) e João Amoêdo (Novo).
Já o instituto pernambucano informou que o objetivo do seu levantamento é “investigar o ambiente político/eleitoral do Estado de Pernambuco”. Nas simulações para a disputa presidencial, são apresentados aos entrevistados perguntas sobre Lula, Alckmin, Bolsonaro, Manuel D’Ávila, Marina, Ciro e do senador paranaense Álvaro Dias (Podemos). Também são testados nomes da disputa para governador de Pernambuco, como o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), os senadores Fernando Bezerra (MDB), Armando Monteiro (PTB), a vereadora Marília Arraes (PT) e o governador Paulo Câmara (PSB).
O TSE também registrou pesquisa só com abrangência estadual em Alagoas pelo grupo de pesquisa de marketing São Judas Tadeu. Oficialmente, não há levantamentos sobre as eleições no Ceará.
09:38 · 20.01.2018 / atualizado às 09:38 · 20.01.2018 por
Movimentos como o Acredito, surgidos na esteira de manifestações, anunciam como meta a renovação de um terço do Congresso até 2027 Foto: Agência Brasil

Surgidos na esteira de mobilizações populares que buscam erguer, nas ruas ou na Internet, uma bandeira de renovação política, movimentos autodenominados suprapartidários querem, em 2019, ocupar espaços de poder. Dentre alguns em atividade no País, como o Movimento Acredito, o Agora, o Brasil 21, o Movimento Transparência e outros, uma iniciativa financiada por empresários e setores da sociedade civil, chamada RenovaBR, oferece, a partir deste domingo (21), uma formação política a “cidadãos comuns” que possa ser aplicada em futuras campanhas. Neste e em outros casos, o discurso de que é preciso “renovar” a política, contudo, ainda esbarra em dificuldades de financiamento e nas próprias regras da disputa eleitoral, além de não estar imune a críticas de partidos e outros movimentos.

Dentre 100 brasileiros selecionados para o RenovaBR, após cinco fases de recrutamento, dois são cearenses. Eles receberão, nos próximos seis meses, um treinamento com especialistas – presencial, em São Paulo, e à distância – voltado à potencialização de novas lideranças políticas no Brasil. Com a aposta, o movimento pretende eleger ao menos 45 pessoas, que nunca tenham exercido nenhum cargo eletivo, no pleito de outubro próximo.

Discurso

O empreendedor social Ítalo Alves, 25 anos, e o radialista Júnior Gonçalves, 34 anos, foram os dois inscritos do Ceará que passaram pelo processo seletivo do RenovaBR. Eles defendem que a renovação sustentada pelo movimento vai além do discurso fácil que deve ser explorado na disputa eleitoral de 2018 e, embora filiados ao mesmo partido, a Rede Sustentabilidade, destacam a presença de filiados a diversas legendas partidárias no programa. Para os cearenses, isso indica que pautas comuns aos participantes, que receberão bolsas de R$ 5 mil mensais, estão acima de divergências ideológicas.

Pré-candidato a deputado federal, Ítalo Alves, de Fortaleza, é líder do Movimento Acredito no Ceará. Criada em julho de 2017, a iniciativa tem, atualmente, 40 voluntários no Estado, mas, segundo ele, contabiliza mais de mil envolvidos em outras unidades da federação. “A proposta é trazer as pessoas comuns para mais perto da política”, resume.

Ítalo Alves reconhece que, entre uma legislatura e outra, 40% das cadeiras da Câmara, em média, são ocupadas por novatos. Segundo ele, porém, isso, isoladamente, não representa renovação. “Não basta você ser uma pessoa nova, mas ser filho de político; ou você ser um jovem, mas ter um posicionamento conservador, que não reflete mais o contexto econômico do nosso País; não basta você ter uma ideia, mas essa ideia ser extremista”, sustenta. Ele argumenta que movimentos como o Acredito e o RenovaBR compreendem a renovação política inserida em um “tripé”, formado por pessoas, práticas e princípios.

Políticos tradicionais

Filho e morador de Russas, Júnior Gonçalves, por sua vez, opina que é preciso “ter muito cuidado com esse discurso de renovação”, uma vez que, conforme avalia, “os velhos (políticos) também vão vir com esse discurso, colocando seus parentes, seus homens de confiança”.

Ele já tentou emplacar o discurso de renovação em dois pleitos: em 2008, filiado ao PRB, foi candidato a vereador de Russas, enquanto em 2016, quando migrou para a Rede, decidiu disputar o cargo de prefeito. Embora não tenha sido eleito nas duas investidas, o radialista diz que teve votações satisfatórias para campanhas sem estrutura. Neste ano, Júnior tentará chegar à Assembleia Legislativa.

Para os dois, o RenovaBR pode ser um trampolim. Idealizado pelo empresário Eduardo Mufarej, CEO da Somos Educação e presidente da Confederação Brasileira de Rúgbi, o programa foi anunciado no segundo semestre de 2017 e tem o apoio de nomes como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o empresário Abílio Diniz e o apresentador Luciano Huck. Ítalo Alves explica que, após cinco etapas de um processo seletivo com quatro mil candidatos, o RenovaBR busca atuar em quatro frentes: identificação de jovens, formação de novas lideranças, potencialização das campanhas e monitoramento de mandatos.

“São pessoas de diferentes partidos: da Rede, do Novo, do PT, imagino, de diversos partidos. E têm divergências, mas se encontram nas pautas”, explica. “A nova política é isso. Não é uma política de disputa partidária, é política de convergência de causas, e é isso que o programa tenta fazer”, acrescenta.

Diante de campanhas ainda caras, com teto de gastos estimados em R$ 2,5 milhões para deputados federais e R$ 1 milhão para deputados estaduais, tanto Ítalo quanto Júnior reconhecem que, para pretensos candidatos surgidos desses movimentos, o financiamento das candidaturas é desafio maior. O empreendedor social pretende, na disputa, unir ações de mobilização de rua, de mobilização digital e financiamento coletivo. Júnior Gonçalves espera que o partido, por meio do Fundo Partidário, lhe dê “as condições mínimas” para tocar a campanha.

Ideias liberais

Desde que foi anunciado, o RenovaBR tem sido alvo de críticas de partidos e movimentos de esquerda porque é visto, por alguns, como meio de financiar candidatos alinhados a posicionamentos liberais. Questionado sobre uma futura influência do programa, sustentado por empresários, na atuação política dos pretensos candidatos, após a Operação Lava-Jato ter trazido à tona escândalos enraizados em ações ilegais orquestradas entre o poder público e a iniciativa privada, Ítalo Alves diz que os bolsistas não têm que estar atrelados a interesses dos financiadores. “O Renova é financiado tanto por empresários como por pessoas da sociedade civil, só que o regulamento diz que essas pessoas não têm qualquer forma de influenciar os posicionamentos do movimento”, coloca.

Segundo ele, há apenas seis tópicos com os quais o movimento quer que os participantes se comprometam: combate irrestrito à corrupção; gestão fiscal responsável; priorização do cidadão em detrimento da máquina pública; políticas sociais que eliminem a desigualdade de acesso à educação básica, saúde e segurança de qualidade; respeito às liberdades individuais; e gestão sustentável dos recursos naturais. “Acho que o grupo não pensa especificamente em um Brasil que se deita para a direita nem para a esquerda, mas num Brasil que se impulsiona para frente”, defende Ítalo Alves.

09:37 · 20.01.2018 / atualizado às 09:37 · 20.01.2018 por

Por Miguel Martins

Ex-deputado Roberto Pessoa já é nome influente nas decisões do PR, mas, agora, deve assumir oficialmente a presidência do partido no Ceará Foto: Fabiane de Paula

Com a saída do deputado estadual Capitão Wagner e do deputado federal Cabo Sabino dos quadros do Partido da República (PR), a agremiação tende a perder cada vez mais espaço no Ceará, mas, para evitar esvaziamento maior, fará readequações. A primeira mudança com vistas ao pleito eleitoral deste ano ocorrerá na presidência estadual da legenda, com a saída do ex-governador Lúcio Alcântara do comando da agremiação e a entrada de Roberto Pessoa em seu lugar.

Além de comandar a busca por mais filiados para a disputa de outubro próximo, Roberto Pessoa, que deve assumir a presidência do partido em fevereiro, terá que enfrentar conflitos internos, como a aproximação entre a deputada federal Gorete Pereira e o governador Camilo Santana (PT). A parlamentar, vice-presidente do PR no Ceará, é eleitora do chefe do Poder Executivo e vai apoiar sua reeleição ao Governo do Estado.

Como é deputada federal, Gorete Pereira teria prioridade na executiva nacional para comandar o partido no Ceará, mas ela informou ao Diário do Nordeste que, devido às atividades parlamentares e à relação de amizade com Roberto Pessoa, prefere ficar na vice-presidência. “Sempre fui parceira e não tenho porque mudar agora. A gente está se entendendo. Com a saída do Lúcio, o Roberto Pessoa fica na presidência, até porque preciso de tempo mais livre para a eleição”, confessou a parlamentar.

Apoio definido

Sobre o impasse quanto à proximidade com Camilo Santana, a deputada informou que não haverá qualquer mudança em seu diálogo com o governador. Ela disse, inclusive, que vai apoiar a reeleição do petista ao Governo do Estado.

Gorete Pereira frisou que só não votaria em Camilo caso Roberto Pessoa ou o senador Eunício Oliveira (PMDB) assumissem a candidatura da bancada de oposição, o que está fora de cogitação. Enquanto Pessoa é pré-candidato a deputado estadual, o líder emedebista aposta no retorno ao Senado.

“O governador está fazendo o máximo pelo Ceará, e suas ações têm sido corretas. Acredito que não teremos problemas quanto a isso. Maracanaú (colégio eleitoral de Roberto Pessoa) vai receber investimentos para requalificar toda a parte sanitária, que consegui. Foram 14 anos e nunca foi feito nada. Eu consegui acabar com a briga entre a Marquise de Maracanaú e a Cagece”, justificou a parlamentar.

Administrar

Roberto Pessoa confirma que a deputada federal deve mesmo apoiar Camilo Santana, mas ressaltou que este conflito terá que ser administrado por ele, a partir do momento em que for escolhido como novo presidente do partido. “Todo mundo diz que a Gorete está com o Camilo, até ela já me disse. Mas ela vai ter que se reeleger por uma coligação, e nossa coligação será de oposição a Camilo”, enfatizou.

O ex-deputado, que tentará retornar à Assembleia Legislativa em outubro próximo, vai a Brasília em fevereiro para dialogar com a direção nacional do partido e apresentar a posição do atual presidente estadual, Lúcio Alcântara. No entanto, Roberto Pessoa afirmou que o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que comanda o PR nacionalmente, já está ciente da situação. “Não terá problemas, até porque não vamos tomar atitudes unilaterais”, minimizou.

Roberto Pessoa salientou ainda que o momento é de tentar organizar o partido, após a saída de uma das principais lideranças que a legenda teve no Estado, o deputado Capitão Wagner. Apesar da desfiliação do parlamentar, que está marcada para acontecer oficialmente somente em março, o dirigente ressaltou que ele continuará na oposição e fará parceria com o PR.

O ex-deputado, inclusive, disse que participará do anúncio de filiação de Wagner ao PROS, que deve ocorrer na próxima quinta-feira (25), na Assembleia Legislativa. Quanto a Cabo Sabino, o dirigente afirmou que não sabe qual será o comportamento do parlamentar durante as eleições, visto que, assim como Gorete Pereira, o deputado federal tem se aproximado do governador, apesar de ter dito que trabalhará de forma independente no PHS, partido ao qual se filiará também em março.

Lúcio Alcântara, depois de mais de uma década na presidência da legenda, passa a ser presidente de honra do PR no Ceará. “O Roberto está mais atuante, porque ele está disputando eleição, então achamos bom que ele fosse o presidente do partido. Eu vou continuar ajudando, desempenhando meu papel, mas sem a obrigação do cargo”, afirmou.

09:44 · 19.01.2018 / atualizado às 09:44 · 19.01.2018 por

Por Letícia Lima

Votações de medidas tidas como impopulares do Governo Temer na Câmara dos Deputados têm gerado cobranças populares nos estados Foto: Agência Brasil

É comum ver candidatos do mesmo arco de aliança, que disputam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, formarem “dobradinhas” nas disputas eleitorais como estratégia para angariar mais votos e garantir a eleição dos aliados. Assim, um postulante usufrui do cacife eleitoral que o colega tem em determinada região do Estado, para alavancar a sua candidatura e obter êxito no pleito.

Neste ano, porém, o posicionamento da bancada cearense na Câmara diante de votações polêmicas como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e as denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (MDB), além de medidas tidas como impopulares do governo do emedebista, pode afetar as “dobradinhas”, na avaliação de deputados estaduais entrevistados pelo Diário do Nordeste. Apesar disso, alguns apostam que o eleitor vai saber “distinguir” um parlamentar do outro e afirmam que o peso maior deve ser sentido pelos próprios deputados federais.

Após a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos nos próximos 20 anos e das duas denúncias criminais da PGR contra o presidente Michel Temer, é a polêmica Reforma da Previdência, que o governo federal quer que seja votada na Câmara em fevereiro, que tem provocado reações e cobranças do eleitorado junto aos parlamentares.

Influência

Diante do clima de insatisfação com o mundo político, Audic Mota (MDB) acredita que deputados estaduais poderão sair prejudicados em municípios cearenses, na eleição deste ano, se aparecerem ligados aos deputados federais que votarem “contra as pessoas”. “O eleitor vai estar atento ao posicionamento dos deputados, principalmente os federais, nas votações mais polêmicas. Deputados (estaduais) podem sofrer prejuízo nos municípios em que fizerem dobradinha com esses federais”, avalia.

Também é o que projeta o deputado estadual Elmano de Freitas (PT). Ele diz que vai trabalhar em “dobradinha” com a deputada federal Luizianne Lins (PT) na Capital e em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em busca da reeleição de ambos para a Assembleia e a Câmara, respectivamente. “No nosso caso é um pouco diferente, porque aí (na estratégia) tem muito uma lógica de estrutura, de recurso e, no nosso caso, é uma lógica de militância, portanto, vale muito mesmo o trabalho realizado”, aponta.

Segundo o petista, contudo, o efeito contrário também já tem sido observado por parlamentares em incursões pelo Interior do Estado. “Temos visto, no Interior do Ceará, deputados federais sendo vaiados, tendo dificuldade, inclusive, de ter pronunciamento em alguns municípios”, relata. “Tenho impressão de que o nível de consciência do nosso povo vai se elevando e acho que essas pessoas vão sendo retiradas das possibilidades de serem votadas pelo eleitor”, completa.

O deputado João Jaime (DEM), que aposta na possibilidade de fazer uma “dobradinha” com o recém filiado ao Democratas Danilo Forte, nota que, no Interior, há uma “rejeição” aos parlamentares que votaram a favor de reformas propostas pelo governo federal. No entanto, na sua visão, embora ele e o colega de partido sejam favoráveis às mudanças, não é possível mensurar “até que profundidade” os posicionamentos vão impactar nas perspectivas de reeleição.

Lideranças locais

“No Interior, as coisas funcionam mais no que a liderança política local indica para votar. Claro que tem uma parte do eleitor que tem uma massa crítica e esse eleitor pode se revoltar e não votar, mas não é a grande maioria. Eu sou votado em mais de cinco municípios com o deputado Danilo Forte e vejo que, no final, o trabalho que ele exerce, a presença no município, os recursos que ele coloca para solucionar os problemas dos municípios é que vão nortear os votos na eleição”, argumenta.

Por outro lado, Fernanda Pessoa (PR) observa que os eleitores conseguem “separar” um parlamentar do outro e, por isso, não acredita que os candidatos ao Legislativo Estadual serão prejudicados se trabalharem pela reeleição com deputados federais. Ela poderá dividir palanque com a deputada federal Gorete Pereira (PR), mas esclarece que a “dobradinha”, dentro do partido, “às vezes é uma coisa que não depende da gente escolher”.

“Às vezes, somos apoiados por um prefeito, então acho que é uma coisa separada. A população está atenta, ela separa os parlamentares. Todo mundo sabe dos meus posicionamentos. Acho que vai prejudicar deputado federal. Acho que a renovação na Câmara vai ter na Assembleia também, mas, na Câmara, vai ser maior ainda”, acredita.

09:41 · 19.01.2018 / atualizado às 09:41 · 19.01.2018 por

Por Márcio Dornelles

O Tribunal Regional Eleitoral no Ceará (TRE) pretende fazer o recadastramento biométrico de 75% do eleitorado do Estado e chegar aos 45% em Fortaleza até o dia 9 de maio. O dado mais recente, de dezembro de 2017, aponta que os índices estão em 66% e 35%, respectivamente. A Capital, aliás, recebe um esforço concentrado do órgão no mês de janeiro. Cinco dos 11 postos de atendimento ao eleitor estenderam o funcionamento para os sábados neste primeiro mês do ano. O TRE espera ultrapassar a meta em Fortaleza, com 48% de cobertura na data do fechamento do cadastro eleitoral para as eleições deste ano.

A descentralização do recadastramento biométrico começou em 2016 e, segundo o TRE, ainda em janeiro, o 12º posto de atendimento ao eleitor deve ser inaugurado no Centro de Cidadania e Direitos Humanos, no bairro Conjunto Ceará, em parceria com a Prefeitura de Fortaleza. De acordo com o órgão, nos últimos quatro meses, a média de atendimentos, que variava entre 500 e 600 por dia, aumentou para 2.500.

A coordenadora de Administração do Cadastro Eleitoral do TRE, Lorena Belo, diz que a expectativa é ter, em 2020, votação por biometria em todos os municípios do Interior. A obrigatoriedade na Capital, prevista para 2020, pode ser reavaliada. “Essa tomada de decisão sobre colocar Fortaleza em revisão obrigatória já pra 2020 ou 2022 vai ser adotada com mais segurança após maio. Vamos olhar para o cenário”, explica. “O que não queremos é tomar decisão precipitada de inserir Fortaleza em regime de revisão obrigatória e ter problemas enfrentados por outras capitais, como Salvador e Cuiabá”, justifica.

Até agora, 117 dos 184 municípios cearenses encerraram o recadastramento biométrico. Os municípios de Aurora, Icó e Jaguaribe têm o processo finalizado hoje (19). Os eleitores precisam comparecer aos postos de atendimento com o título de eleitor, documento de identidade, comprovante de residência e certificado de quitação com o serviço militar para homens, no caso dos que forem tirar o título pela primeira vez. Quem não fizer o recadastramento, além de ter o título cancelado, fica submetido a outras restrições legais.

09:08 · 18.01.2018 / atualizado às 09:08 · 18.01.2018 por

Por Letícia Lima

Sem atividades na AL, parlamentares têm visitado municípios do Interior. Eles se dividem sobre reações do eleitor à aproximação entre PT e MDB Foto: José Leomar

A aproximação, por enquanto “institucional”, entre o senador Eunício Oliveira (MDB) e o governador Camilo Santana (PT) tem provocado questionamentos e, ao mesmo tempo, reações positivas nos eleitores cearenses, segundo deputados estaduais do MDB. Aproveitando o recesso das atividades na Assembleia Legislativa para visitar as bases eleitorais no Interior, a maioria dos emedebistas ouvidos pelo Diário do Nordeste relata que, como a aliança política ainda não foi formalizada, a população “enxerga”, por enquanto, os benefícios em obras e recursos públicos trazidos para o Estado com a união das duas lideranças. No entanto, há no partido quem discorde que está “tudo bem” e reclame da falta de diálogo entre a cúpula estadual e seus filiados sobre tal mudança nos rumos da legenda.

Ao serem questionados se deverá ser mais fácil disputar a reeleição neste ano, sendo da base aliada do governador Camilo Santana, do que quando estavam na oposição, no pleito de 2014, os deputados Leonardo Araújo e Audic Mota responderam que a formação de um “blocão” com as legendas aliadas da gestão estadual, como defendem governistas, favorecerá a todos na disputa.

Líder do MDB na Assembleia, Silvana Oliveira, por sua vez, diz que a definição em torno da aliança entre Eunício Oliveira e Camilo Santana terá peso na campanha pela reeleição ao Legislativo. A deputada reclama que o “povo no Interior não está entendendo” a aproximação entre os dois ex-adversários e que ela, como membro do partido no Estado, não tem sido prestigiada na construção de um acordo.

“O dia a dia mostra que existe insatisfação (da população), o momento político é instável. No Interior, o povo não está entendendo. Na Igreja, dentro do ônibus, o povo não está entendendo se isso (aliança) vai funcionar. Essa construção está sendo feita de telhado para baixo”, dispara. “A minha indignação é deles conseguirem me ver como igual aos outros”, acrescenta.

Já na avaliação do deputado Audic Mota, como a aliança política ainda não foi definida, “o eleitor não está entendendo bem as consequências no campo eleitoral”. Segundo ele, a aproximação entre o líder emedebista e o governador é vista como meio garantidor de “benefícios para o Estado”. Diferente da colega de partido, Audic justifica que não houve conversa das lideranças do MDB com os membros porque boa parte da bancada na Assembleia já havia aderido à base aliada de Camilo.

Ele, inclusive, se tornou aliado da gestão estadual após a eleição da Mesa Diretora, no fim de 2016, quando apoiou a candidatura do deputado Zezinho Albuquerque (PDT) à presidência da Assembleia. Audic Mota defende que o diálogo no partido deve ocorrer “naturalmente”, quando a aproximação entre Eunício e Camilo for consolidada para as eleições de outubro.

É o que também reitera Danniel Oliveira. “O partido inteiro será ouvido, os prefeitos, os deputados federais, estaduais. Isso, na verdade, é uma construção. O senador (Eunício), de fato, já começa a conversar com alguns e até a ouvir, às vezes, mesmo sem perguntar, de muitos do partido, a opinião (deles). Em qualquer tipo de eleição, o partido será consultado”.

Defesa

Para Danniel, a reação dos eleitores à aproximação entre Eunício e Camilo tem sido “muito boa”, porque, conforme argumenta, “a população não quer briga, quer recurso entregue”. “Essa união trouxe algo em torno de R$ 5 bilhões para investimentos no Estado”, cita.

Leonardo Araújo também nega ter ouvido críticas à movimentação política entre os dois ex-rivais. “O que eu escuto, pela grande maioria, é que ambos estão agindo corretamente ao deixar de lado quizilas e interesses pessoais pelo interesse maior a que se propuseram a defender: os interesses do povo cearense”.

Esforço para se distanciar da imagem de Temer

No plano nacional, parlamentares do MDB no Ceará são unânimes e não veem prejuízo à imagem deles quando associados ao presidente Michel Temer, cujo governo tem apenas 7% de aprovação. Pesquisa do Ibope divulgada nesta semana revela que 90% dos brasileiros não pretendem votar em nomes ligados ao chefe do Executivo Nacional. Emedebistas cearenses que tentarão reeleição dizem que não sentem o “peso” da impopularidade do presidente no Estado, mas não hesitam em se afastar da imagem desgastada do líder nacional da legenda.

“Não defendo o governo Temer, muito pelo contrário, me posicionei publicamente pelo afastamento do mesmo no auge das denúncias. A rejeição é visível, não em virtude do afastamento da presidente Dilma (Rousseff), mas efetivamente pelas reformas que ele tem tentado botar em prática”, argumenta o deputado Leonardo Araújo.

“Tive o cuidado de trabalhar muito durante todo o mandato e divulgar esse trabalho, portanto, as pessoas nas bases que represento já me conhecem e sabem de nosso posicionamento. As pessoas sabem que todos os partidos políticos, como em todas as profissões, têm os bons e os maus”, acrescenta.

Silvana Oliveira também faz questão de manter distância do governo Temer, na medida em que o Governo Federal, segundo ela, “provoca antipatia quando toma medidas como a Reforma da Previdência sem conversar com a população”.

“Por que não explicou antes? Como ele faz uma Reforma Trabalhista sem conversar com ninguém do meu partido? Para quem faz política sem prefeituras, sem caciques como eu, não posso apoiar um presidente que, literalmente, cava a antipatia das pessoas”, justifica.

08:07 · 17.01.2018 / atualizado às 08:07 · 17.01.2018 por

Por Miguel Martins

A filiação do Capitão Wagner ao PROS será oficializada em evento na Assembleia no próximo dia 25. Ele permanece, porém, no bloco de oposição Foto: José Leomar

Seguindo os mesmos passos de seu antigo aliado político, Cabo Sabino, o deputado estadual Capitão Wagner vai deixar os quadros do Partido da República (PR) e se filiar ao Partido Republicano da Ordem Social, o PROS. A oposição apostava no nome do parlamentar para uma candidatura ao Governo do Estado, mas ele disputará uma das 22 vagas do Ceará na Câmara Federal, o que fará com que o grupo volte à estaca zero, sem um postulante oposicionista ao cargo majoritário.

O anúncio da filiação de Wagner ao PROS será feito, oficialmente, na quinta-feira da próxima semana, dia 25, a partir das 9h, na Assembleia Legislativa. No entanto, a filiação só será concretizada em março próximo, na janela partidária. O deputado dialoga há alguns meses com a direção da sigla no Estado.

O presidente do PR, Lúcio Alcântara, como o Diário do Nordeste já havia noticiado, chegou a oferecer a presidência da legenda ao deputado, mas ele não aceitou o posto, visto que não teria o controle da agremiação na totalidade. Wagner não aceitava, por exemplo, que filiados da legenda, como a deputada federal Gorete Pereira, se aliassem à base do governador Camilo Santana.

Ao Diário, o parlamentar afirmou que será candidato a deputado federal pelo PROS, e não pretende disputar vaga no Senado ou o Governo do Estado, como queria a oposição. Ele tem dito que as postulações majoritárias demandam muito investimento e cita que ainda estaria pagando dívidas da campanha de 2016, quando foi derrotado por Roberto Cláudio na disputa pela Prefeitura de Fortaleza.

Apesar da decisão de não disputar o cargo de governador, Capitão Wagner garantiu que a relação com a bancada oposicionista seguirá a mesma, sem qualquer distanciamento ou desentendimento. No entanto, o mesmo não acontecerá em relação a seu antigo aliado, o deputado federal Cabo Sabino. Não há mais ânimo nem disposição entre os dois para uma relação amigável.

Rompimento

Desde o segundo semestre do ano passado, desentendimentos entre os dois parlamentares foram evidenciados nas redes sociais. Sabino havia se comprometido a apoiar Wagner na disputa ao Governo do Estado ou ao Senado, mas disse, em vídeo na Internet, que lançaria candidatura a deputado estadual, caso o colega fosse disputar uma vaga na Câmara Federal.

No entanto, após ouvir apoiadores, Sabino resolveu manter a postulação a deputado federal, o que dividirá votos dos dois. Em 2014, quando foram eleitos em dobradinha, Wagner obteve 194.239 votos e Sabino, 120.485. Ele foi o 12º deputado federal mais bem votado do Ceará, e Wagner, o candidato a deputado estadual com mais votos na história da Assembleia.

Com o senador Tasso Jereissati e Capitão Wagner fora da disputa majoritária no Estado, o ex-presidente do PSDB, Luiz Pontes, disse que a oposição já estaria no “plano D”, e não mais no B ou C. Na manhã de ontem, ele se reuniu, em um almoço, com os dirigentes do PR, Roberto Pessoa e Lúcio Alcântara, e com o ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho. A bancada decidiu que vai insistir nas pesquisas internas para definir quem será o escolhido para a disputa, e ele garante que o Estado não ficará sem um candidato oposicionista em 2018.

Dificuldades

Principal liderança do grupo no Ceará, Tasso Jereissati está no exterior, mas se reunirá com a bancada até o fim do mês. “Temos que ver logo isso, temos que colocar um nome na rua, porque agora só tem o nome do governador. Ele está sozinho e isso não é bom para a democracia”, opinou Luiz Pontes.

Para ele, o principal empecilho para apoio ao nome de Wagner foi o fator Jair Bolsonaro, visto que houve impedimento de Tasso a pedido de voto para o presidenciável. “Voltamos à estaca zero, mas ele (Capitão Wagner) vai apoiar o nosso candidato. Ele é um nome forte, não somente como candidato”, disse Pontes. Ele admitiu que a oposição tem dificuldades para encontrar um nome, mas lembrou que, em 2014, o nome de Camilo Santana só foi definido na base governista no último momento.

Presidente do PR, o ex-governador Lúcio Alcântara disse que, “no momento certo”, a oposição terá um nome, mas, por enquanto, não há candidato. No entanto, ele ressaltou que as legendas de oposição estão unidas, e isso é importante neste momento.

Questionado sobre a saída de dois membros da agremiação, o dirigente afirmou que não pode forçar ninguém a ficar no partido. “Não tenho nenhuma confirmação dele (Wagner), mas é preciso respeitar a decisão das pessoas. Lamentamos, mas sai um aqui e entra outro. Isso é um fenômeno natural da política”.