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Tag: eleições 2018


09:11 · 21.04.2018 / atualizado às 09:11 · 21.04.2018 por
Fac-símile da chamada de capa do Diário do Nordeste, do último sábado, quando foi destacada a manifestação de Ciro Gomes sobre a possibilidade da coligação

Por Edison Silva

Governo e oposição experimentam dificuldades diferentes na formação de suas chapas para a disputa sucessória, tanto em relação ao Executivo, quanto ao Legislativo. Depois da manifestação de Ciro Gomes, o presidenciável do PDT, sobre a aliança do grupo governista cearense com o senador Eunício Oliveira (MDB) integrando a chapa majoritária encabeçada pelo governador Camilo Santana, surgiram nesta semana algumas reações contra os emedebistas, liderados do senador, participarem da coligação proporcional da situação. De outro lado, na última quinta-feira, de uma vez por todas ficou descartada uma candidatura ao Governo do Ceará, neste ano, do senador Tasso Jereissati (PSDB) e do deputado Capitão Wagner (PROS).

Os dirigentes do grupo de oposição, naquele encontro da quinta-feira, acordaram em manter a unidade em torno de qualquer outro candidato apontado pelo senador Tasso Jereissati, após consultas e as avaliações dos dados das pesquisas realizadas e a efetivarem-se nos próximos dias, uma delas, agora, apontando o nome do general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, com quem o senador Tasso Jereissati voltou a conversar demoradamente, momentos antes da reunião com o grupo de adversários do Governo. Diferentemente do que aconteceu, em momento anterior, aqui relatado, o general não foi ao local do encontro como havia ido o advogado Caio Rocha, nome sugerido na época para ser candidato a governador. Caio preferiu, pelo menos no momento, não disputar mandato eletivo.

Também por razões diferentes, na oposição (neste grupo não está incluído o PSOL com o seu candidato a governador Ailton Lopes), o pessoal do PROS estará fora da coligação proporcional. O Capitão Wagner quer fazer a sua própria bancada, federal e estadual. Como se agruparão nas disputas por vagas nos legislativos, as conversas entre representantes do PSDB, Solidariedade, PSD e outros começaram a ser efetivadas, ainda que informalmente, pois dependendo do nome escolhido para concorrer ao Governo, os entendimentos iniciais poderão ter desdobramentos outros.

Dificuldades

As restrições de aliados governistas à participação de liderados de Eunício na chapa proporcional, percebe-se, pela falta de nomes excepcionais como candidatos a deputado, quer federal ou estadual, com capacidade de conquistarem votações surpreendentes capazes de tomar lugares dos menos votados, ser consequências da manifestação de Ciro Gomes, aqui reportada no último sábado. Ciro, Cid ou nenhum outro próximo a eles lembrou as questões políticas de Sobral, berço dos Ferreira Gomes, onde está um dos mais próximos liderados de Eunício, o deputado federal Moses Rodrigues, adversário e inimigo de Ciro e Cid, cuja reeleição não parece ser das mais fáceis. Este deputado também é um complicador para o ajuntamento.

O MDB, no Ceará, foi um dos partidos que mais perderam quadros com a “Janela Partidária”. Saíram dele os deputados federais Aníbal Gomes e Vitor Valim, assim como os estaduais Audic Mota e Silvana Oliveira, causando espécie a setores da política local em razão da posição de Eunício Oliveira, presidente do Congresso Nacional, com portas abertas em todo o Governo Federal, boa cota de emendas parlamentares e influência na distribuição de recursos do Fundo Partidário, ainda mais sendo ele o presidente estadual da sigla. Hoje, no Ceará, o partido do presidente Michel Temer está menor do que saiu da disputa de 2014.

As manifestações de Ciro Gomes, tornadas públicas no sábado passado, sobre o seu desagrado com uma possível aliança entre o governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira, permitindo a este participar da chapa majoritária tentando reeleger-se, abalaram alguns governistas, segundo os quais o chefe do Executivo avançou nas conversações com o senador até estimulado pelo próprio presidenciável cearense. Ciro confirma, pois o Ceará precisava de recursos federais e Eunício, na posição que ocupa, teria condição de ajudar, como de fato o fez.

Mas o pedetista não afiança a aliança. Para ele, o fato de Camilo estar registrando publicamente a ajuda de Eunício na busca de liberação de recursos para o Estado já recompensa o senador, moralmente obrigado a ajudar a administração estadual junto à esfera federal, pois para isso foi eleito senador, e só por isso é presidente do Congresso Nacional. Camilo, assim, no entender de Ciro, não tem obrigação de colocar na sua chapa majoritária, o adversário dele em 2014.

09:10 · 21.04.2018 / atualizado às 09:10 · 21.04.2018 por

Por Letícia Lima

Em pronunciamento, deputado Roberto Mesquita (PROS) pediu que o governador Camilo Santana (PT) faça uma visita ao HGF sem hora marcada Foto: Helene Santos

Após o governador Camilo Santana (PT) tentar, junto a outros governadores do País, visitar o ex-presidente Lula (PT), em Curitiba, na semana passada, o deputado Roberto Mesquita (PROS) foi à tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, sugerir que o chefe do Executivo Estadual visite hospitais públicos no Ceará. O parlamentar cobrou a redução da fila de cirurgias eletivas, já que projeto de lei com esta finalidade foi aprovado pela Casa no fim do ano passado. Os discursos na tribuna da Assembleia, ontem, foram dominados por deputados da oposição.

Roberto Mesquita afirmou que, no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), há uma “fila de cearenses amontoada”, e pediu que Camilo visite a unidade, sem hora marcada, para constatar a realidade do hospital. “O senhor vai encontrar 120 cearenses nos corredores, vai encontrar lá um técnico de enfermagem para atender 15 pacientes, dois médicos para atender emergência”.

Ele pediu que o governador visite também a Santa Casa de Misericórdia, para ver o “vazio que existe lá por conta do fechamento da emergência”. “Ele sabe juntar um grupo de governadores para ir fazer política, para ir visitar, em horário inapropriado, o ex-presidente que está preso, mas não sabe visitar os cearenses que estão com as mãos estendidas, pedindo a quem quer que seja uma ajuda para ter a possibilidade de voltar para casa. Eu duvido que ele vá no Hospital Geral, e olha que é mais perto do que Curitiba”.

Para o deputado, existe uma “política de prioridade daquilo que dá notícia boa” no Estado. Ele criticou gastos feitos em governos anteriores e na atual gestão com projetos que não saíram do papel. “Em relação à Saúde, qual a prioridade: gastar R$ 150 milhões no Acquário ou gastar R$ 80 milhões para acabar com a fila de cirurgia?”, questionou.

Roberto Mesquita ainda criticou a Assembleia por, segundo ele, não estar sendo uma “caixa de ressonância” da sociedade, diante da “cooptação” de ex-oposicionistas pelo governo. “Ela (Assembleia) só funciona se for livre, se cada um lembrar do segmento que representa e trouxer os seus problemas. Os acertos nós coroamos aqui com palmas, mas o que precisamos corrigir são os defeitos, porque atentam contra a liberdade e a vida”.

Ausência da base

Ontem, governistas inscritos no Primeiro Expediente da sessão – tempo dedicado a pronunciamentos de 15 minutos sobre quaisquer assuntos – não apareceram no Plenário e mesmo aqueles que estavam presentes à sessão não usufruíram dos espaços dos colegas para defender as ações do Governo do Estado. Outros opositores, então, aproveitaram a tribuna para intensificar as críticas à gestão estadual e o “silêncio” de aliados, diante de críticas, principalmente, na área da Segurança Pública.

Ely Aguiar (PSDC), embora pregue postura de independência na Casa, era um dos seis oradores inscritos. Ele foi à tribuna, mais uma vez, reclamar do “caos” que o Ceará atingiu com o alto número de homicídios no Estado. Segundo o parlamentar, neste ano, já foram registradas 1.600 mortes. “Nas últimas 24 horas, tivemos 15 homicídios, temos já 160 mulheres assassinadas. E não vejo parlamentares de outrora, que ocupavam a tribuna, chorando porque uma mulher foi assassinada no Ceará, não vi a base governista fazendo um protesto pelas 160 mulheres assassinadas”, cobrou.

Durante o discurso, os deputados da situação não manifestaram posicionamento quanto à provocação feita por Ely Aguiar. “Vou chamar o Governo de nazareno e a Assembleia, quando quer falar, fica calada. E nós temos inúmeros assuntos a serem debatidos e sabemos que a Casa Legislativa é responsável pela elaboração das leis. O Governo diz: ‘estou investindo’, então é um investimento que não tem efeito. Quando o time de futebol entra em campo e não tem adversário, é isso que o Governo do Estado faz, trata com desdém esse Parlamento. A Casa está completamente vazia”.

Capitão Wagner (PROS) discursou em seguida e chamou a atenção para o efetivo de 130 policiais militares que deverão fazer a segurança de um evento musical, neste sábado (21), na Arena Castelão, em Fortaleza. “Policiais que estariam nas ruas para fazer a segurança lá na comunidade da Babilônia, na Barra do Ceará, lá na Bela Vista, não estarão, porque o Governo os escalou para um evento privado, onde o organizador arrecadará milhões de reais e o povo ficará sem policiamento”.

Ele criticou, ainda, a ausência dos deputados da base inscritos no Primeiro Expediente, situação que se repetiu ao longo da semana. “Isso é uma desmoralização, é querer tolher o outro parlamentar que quer subir à tribuna para fazer o debate”, afirmou. Estavam inscritos Lucílvio Girão (PDT) e David Durand (PRB), que não apareceram em Plenário, e os demais eram parlamentares da oposição. Além de Wagner, Ely Aguiar e Roberto Mesquita, Heitor Férrer (SD) também se inscreveu, mas não foi à sessão de sexta-feira.

Defesa

Da base governista, estavam presentes os deputados Dedé Teixeira (PT), Julinho (PPS) e Silvana Oliveira (PR). Estes, porém, não usaram o tempo deixado pelos aliados no Primeiro Expediente. Já no final da sessão, o deputado Bruno Pedrosa (PP) apareceu e Tin Gomes (PDT) foi ao Plenário só para marcar presença.

Ao contrapor a fala de Wagner, o deputado Julinho defendeu que é obrigação do Estado garantir a segurança da população em eventos de grande porte. “Se vamos ter grande aglomeração de pessoas temos que designar policiais, para garantir a segurança na chegada e na saída. Quando temos jogo de futebol, temos grande parte do Batalhão de Eventos direcionado para os estádios”, ponderou.

Para o deputado Dedé Teixeira (PT), a oposição está fazendo um “apocalipse now”. “Não se tira (efetivo policial) de comunidade nenhuma, existe um batalhão de eventos. Não podemos aceitar esse tipo de colocação da oposição”, reagiu.

09:09 · 21.04.2018 / atualizado às 09:09 · 21.04.2018 por

Por Miguel Martins

Silvana Oliveira, que é evangélica, reclama de apropriação ‘oportunista’ do discurso Foto: José Leomar

Com o espaço ocupado por um pensamento conservador na sociedade brasileira nos últimos anos, cada vez mais políticos têm atuado – e sido eleitos – para defender causas alinhadas a discursos conservadores, muitas vezes ligados a grupos religiosos. Na Assembleia Legislativa não tem sido diferente, e discursos que tenham este público como alvo têm sido utilizados com frequência no dia a dia da Casa.

A bancada religiosa no Legislativo Estadual não é tão expressiva numericamente, mas, quando fazem uso da tribuna ou sentem que suas pautas estão sendo afetadas por alguma ação governamental ou por entidades políticas, seus representantes, geralmente, fazem muito barulho. Nos últimos anos, dois assuntos principais foram abraçados por esses parlamentares: a chamada “ideologia de gênero” e o que eles têm denominado de “escola sem partido”.

Mais recentemente, outros parlamentares, percebendo o crescimento das ideias conservadoras no Estado, resolveram também atuar especialmente com o segmento evangélico. Na Assembleia, fazem parte da bancada religiosa os deputados David Durand (PRB), Carlos Matos (PSDB), Silvana Oliveira (PR) e Walter Cavalcante (MDB).

Silvana Oliveira avalia que há um crescimento do conservadorismo no Brasil, mas, segundo ela, muitos políticos, nos últimos anos, se arvoraram de um discurso “oportunista” para atrair o público mais religioso. Representante de classes evangélicas na Assembleia, a parlamentar afirmou que muitos discursos dos que define como “novos conservadores” são vazios e tendem a incitar ódio e violência.

“Eles não trazem nenhum benefício para a nossa política. Eu sou de direita, mas existem políticos oportunistas que tentam crescer em cima de uma onda da qual eles não fazem parte. Esses extremos só têm trazido ódio”, afirmou a parlamentar.

Ela criticou, por exemplo, casos de parlamentares que se eximiram de participar do debate e da aprovação do Plano Estadual de Educação, mas que, atualmente, utilizam de discurso mais conservador. “Muitos irão se utilizar desse discurso em busca de votos, mas a sociedade tem que identificar quem realmente abraça essa causa”, defendeu.

O deputado Capitão Wagner (PROS), nos últimos anos, tem se aproximado de pautas que são semelhantes ao que defendem grupos religiosos no Ceará. Segundo ele, as instituições religiosas têm tido cada vez mais poder de decisão nos pleitos eleitorais e, neste ano, isso não será diferente. Wagner acredita que, a partir do aumento de representantes da Segurança Pública nos parlamentos, com vinculação às igrejas, a tendência é que o conservadorismo passe a ter mais espaço no Legislativo.

Ataques

Roberto Mesquita (PROS) disse que, com o crescimento do número de representantes das igrejas nas casas legislativas, também teve início um processo de ataques a seus representantes e uma disputa de espaço entre forças progressistas e conservadoras. “Não faço parte da bancada, mas tenho o mais profundo respeito à Igreja Católica e estimulo que essas pessoas participem cada vez mais da política”.

Membro do PT, o deputado Dedé Teixeira, por sua vez, afirmou que as igrejas do Brasil, em sua maioria, são “militantes”, o que não vê como problema. No entanto, ele reclamou de um discurso “retrógrado” professado nas casas legislativas do País.

“Existem alguns oportunistas de plantão que vão na onda, mas a população é muito consciente, e está muito mais inserida nas discussões políticas”, afirmou. Ele reclamou, por exemplo, do estímulo ao discurso sobre “escola sem partido” dado por parlamentares” para o debate político. “O debate conservador tem que superar alguns pontos, porque o mundo está cada vez mais moderno, mais multicultural”.

09:04 · 20.04.2018 / atualizado às 09:04 · 20.04.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado Heitor Férrer, embora priorize os seus discursos denunciando falhas no sistema de Saúde, fala também de outros temas Foto: José Leomar

Os deputados estaduais cearenses, que representam a oposição, já decidiram que no curso da campanha eleitoral deste ano, a partir de agosto, continuarão fazendo críticas aos diversos setores da administração estadual que hoje atacam no plenário da Assembleia. Heitor Férrer (SD), um dos contestadores do atual Governo, diz que a administração Camilo Santana, passados quase quatro anos, não apresentou qualquer ação positiva.

“O Governo Camilo é insípido, inodoro e incolor. Nem cheira e nem fede, se limitou a um arroz com feijão sem nenhuma inovação. Pegou o Estado já exaurido em investimento e não foi megalomaníaco como o ex-governador”, apontou. “Não podemos, levianamente, dizer coisa que ele não tenha feito”, afirmou Férrer, destacando, porém, que a visita que o governador fez ao ex-presidente Lula (PT) pode prejudicá-lo.

Heitor é um dos poucos parlamentares que permanecem na oposição ao longo dos últimos anos, que já chegou a ter 15 membros na atual Legislatura. Atualmente, além dele, seguem na bancada os deputados Capitão Wagner (PROS), Fernanda Pessoa (PSDB), Roberto Mesquita (PROS), Carlos Matos (PSDB), Aderlânia Noronha (SD), Odilon Aguiar (PSD) e Nestor Bezerra, suplente do deputado Renato Roseno (PSOL).

Para a disputa eleitoral deste ano, Férrer disse que vai manter a linha de discurso que caracteriza o seu mandato, além de legislar, fiscalizar e intermediar temas conflitantes com a população. Embora tenha feito pronunciamentos críticos sobre várias áreas da administração estadual, com predominância nas questões de Saúde. A área expõe deficiências do Governo Camilo Santana, a partir da situação dos hospitais do Estado, onde são grandes as filas de pacientes, além da falta de medicamentos e até material cirúrgico.

Fiscalização

Capitão Wagner, agora do PROS, com o deputado Roberto Mesquita, tem pautado seu mandato como oposição fazendo críticas ao Governo por conta da insegurança no Estado. O deputado chegou apresentar algumas propostas para minimizar os efeitos da crise na Segurança, segundo ele, não acatadas pelo Governo.

O parlamentar acompanha as ações do Governo, para nortear os seus discursos, com técnicos contratados pelo seu gabinete para acompanhar o Portal da Transparência do Estado, bem como os atos e decisões do Tribunal de Contas e outros órgãos auxiliares. “Tenho mantido um padrão na questão das críticas, mas sei que a crítica pela crítica não é vista com bons olhos pela população”, afirmou.

A deputada Fernanda Pessoa (PSDB) também é uma das críticas do Governo Camilo Santana desde quando estava no PR, até o mês passado. Ela já fez vários pronunciamentos reclamando das deficiências no setor de Saúde e promete continuar vigilante nessa área no curso da campanha, assim como pretende tratar de assuntos relacionados ao setor dos Recursos Hídricos.

Apesar de ser um dos principais críticos do Governo na Casa, Roberto Mesquita afirmou que vai manter o discurso de “juízo crítico” durante a campanha, como vem fazendo ao longo desta legislatura. “Não tenho patrão e vou seguir a vontade do povo. Meu discurso será o que o povo quiser, vou continuar sendo um deputado crítico e independente”, frisou. Mesquita não tem um tema específico para marcar o seu mandato como oposicionista. Ele, nos últimos tempos, tem falado sobre vários assuntos da administração, alguns dos pronunciamentos com denúncias sobre a atuação de alguns secretários estaduais.

09:30 · 19.04.2018 / atualizado às 09:30 · 19.04.2018 por

Por Miguel Martins

A estratégia de utilização da tribuna para ganhar visibilidade no Plenário 13 de Maio, para alguns opositores, não tem, ainda, reflexos eleitorais Foto: José Leomar

Mesmo numericamente inferior após a janela partidária, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa decidiu não se agrupar em bloco partidário e pretende atuar utilizando os espaços das lideranças de partidos durante as sessões ordinárias na Casa. No entanto, oposicionistas entrevistados pelo Diário do Nordeste afirmam que ainda falta unidade entre eles, o que poderá ser solucionado somente após a indicação da chapa majoritária para a disputa eleitoral deste ano.

Apesar de a estratégia do grupo ser de utilização dos espaços na tribuna durante as plenárias, principalmente durante o tempo de liderança, na sessão de ontem, os opositores não fizeram qualquer discurso que forçasse debate com a base governista. A falta de oradores, inclusive, resultou no cancelamento da sessão às 11h, uma hora e vinte minutos após a abertura.

“A oposição diz que tem como estratégia o uso da tribuna, mas eu pergunto: quem fez o uso da palavra, hoje (ontem), pela oposição? Dava, sim, para se ter utilizado a tribuna para o debate, mas, ao contrário, a sessão foi cancelada por falta de oradores”, reclamou o deputado Ely Aguiar (PSDC), que, apesar de se declarar “independente”, por vezes faz críticas à gestão.

Segundo ele, conversas isoladas vêm ocorrendo, sem a participação de todo o grupo. “Ninguém está interessado em definição de grupo ou com comissão técnica. A grande preocupação hoje é nas articulações políticas para que candidaturas possam se viabilizar”.

Discursos

Líder do PSDB na Assembleia, o deputado Carlos Matos seria o sexto orador na sessão ordinária de ontem, mas não chegou ao Plenário 13 de Maio a tempo de fazer o seu discurso. Ele falaria, segundo informou, sobre o fechamento de leitos hospitalares no Ceará. No entanto, o tucano ressaltou que tem conversado com outras lideranças de oposição na Casa para a constituição de bloco, caso seja necessário.

“Não acredito que a Casa queira atropelar a oposição. Queremos que o Regimento Interno seja respeitado. Se tirarem nossos espaços, vamos continuar trabalhando e servindo”, apontou Carlos Matos.

Já o deputado Capitão Wagner (PROS), que chegou a liderar um bloco de oposição até o fim do ano passado, disse que cada partido terá liderança própria e blocos não serão formados. De acordo com ele, isso permitirá que as lideranças partidárias de legendas da oposição possam ter mais espaços durante o uso da tribuna.

Para ele, a oposição se fortaleceu após o fim da janela partidária, ainda que a realidade demonstre que houve apenas alteração de espaços em partidos por parte dos oposicionistas. Wagner ressaltou, porém, que é necessário que haja um agrupamento da bancada para um projeto político visando a campanha eleitoral, o que, segundo ele, ainda não aconteceu.

Abertura

Líder do SD na Assembleia, Heitor Férrer disse que o partido está aberto para qualquer estratégia que gere desenvolvimento da oposição na Casa. Segundo ele, é preciso fortalecer o grupo, que ficou mais frágil desde que ex-oposicionistas se alinharam ao Governo Camilo Santana.

“Por enquanto, o Solidariedade ficará só. Se eles (demais opositores na Casa) nos buscarem no sentido de fortalecer a presença nas comissões, não temos nenhum problema em ceder espaço para um bloco único, desde que isso viabilize um espaço maior”, sustentou.

Na avaliação de Heitor, mesmo após o fim da janela partidária, a oposição segue sem unidade no discurso que sustenta no Legislativo Estadual. “A oposição continua fragilizada porque ainda não temos nomes para a disputa majoritária, nem para Governo e nem para o Senado”, lamentou o parlamentar.

09:25 · 19.04.2018 / atualizado às 09:25 · 19.04.2018 por

Por Miguel Martins

O impasse quanto à formatação de um “blocão” que atenda aos interesses da maioria dos partidos da base governista no Ceará está próximo do fim. Para membros das principais legendas que dão sustentação ao Governo Camilo Santana (PT), a tendência é que o chefe do Executivo convença PT e PCdoB a estarem dentro da coligação, o que fortalecerá eventual disputa à reeleição por parte do governador.

O presidente estadual do PT, Francisco De Assis Diniz, afirmou ao Diário do Nordeste que a aliança para chapa proporcional será decidida em debate interno do partido no dia 26 de maio, “preservando os interesses do nosso projeto”.

“Atenderemos sem dificuldade o pedido do governador para sairmos com todos os partidos no ‘chapão’. Caso contrário, podemos formar dois blocos: um comandado pelos dois maiores partidos da base, o PT e o PDT. Caso contrário, fica mantida decisão (de chapa pura) que será homologada no encontro tático do dia 26 de maio”, colocou.

Um dos entusiastas da formatação do chamado “blocão” é o deputado Osmar Baquit (PDT), que desde o ano passado vem defendendo uma coligação única que, para ele, deve beneficiar o maior número possível de aliados do Governo.

Divisão

O secretário da Casa Civil, Nelson Martins, já chegou a sugerir que ao menos dois blocos sejam formados: um menor, composto por legendas de menor potencial eleitoral, e outro com os grandes partidos da base. Ao Diário do Nordeste, ele explicou apenas que ainda há muitas indefinições.

Já o deputado Audic Mota (PSB) afirmou que, na disputa proporcional, está pacificada na sigla a tese de formação de um “blocão”. “Fizemos uma reunião prévia, eu e o presidente do partido (Odorico Monteiro), e decidimos que estaremos do lado que for melhor para a maioria”.

O MDB, que era dúvida até pouco tempo atrás, também deve participar do “blocão”, conforme informou Leonardo Araújo (MDB). “Ele aumenta de forma visível a quantidade de votos a serem apurados”, justificou.

Segundo ele, em relação ao posicionamento do PT, o governador, filiado ao partido, tem muito interesse na formatação do “blocão”. “O MDB está afiando, assim como PP, PSB, PDT e DEM. Acredito que isso irá se concretizar, visto que a perspectiva eleitoral é muito grande. A tendência é que todos estejam no ‘blocão’, inclusive, PT e PCdoB”, argumentou.

08:18 · 18.04.2018 / atualizado às 08:18 · 18.04.2018 por

Por Miguel Martins

Pautas municipalizadas também têm motivado debates e pronunciamentos na tribuna do Plenário 13 de Maio, na Assembleia Legislativa Foto: José Leomar

Os prefeitos cearenses, para correligionários que buscarão reeleição à Assembleia Legislativa neste ano, estão agora melhor avaliados. Recentemente, a observação dos próprios deputados estaduais era que os gestores municipais não os ajudariam pelas rejeições sofridas em seus municípios em razão da falta de obras e de avanços nas administrações. Agora, com recursos das emendas parlamentares e de convênios com o Estado e a União, as prefeituras estão em melhores condições de ajudar, eleitoralmente, os parlamentares que conseguiram os recursos que hoje os gestores gastam.

Em alguns municípios cearenses, toda a máquina pública está à disposição de parentes dos prefeitos e dos seus correligionários. Alguns deputados, reservadamente, já reclamam desse envolvimento por sentirem o peso da concorrência quando estão em determinadas localidades em busca de votos.

Outros que tentarão reeleição em outubro próximo, porém, estão se aproximando cada vez mais dos prefeitos em busca de apoio. Com a situação financeira das prefeituras em melhor condição, os gestores municipais, segundo parlamentares, serão decisivos na tarefa de convencer o eleitorado neste ano.

O presidente da Assembleia, deputado Zezinho Albuquerque (PDT), afirma que os prefeitos terão grande responsabilidade no pleito de 2018, principalmente aqueles que estão bem avaliados pela população. No entanto, o pedetista diz não estar preocupado com a transferência de votos por parte dos gestores municipais, uma vez que ele, segundo disse, já é conhecido da população, visto as incursões que faz pelo Interior do Estado.

Municipalista, o deputado Sérgio Aguiar (PDT) destaca que, ao chegar o mês de maio, há um declínio das receitas municipais e, sem recursos extras, os prefeitos ficam sem condições de terem orçamento próprio. Por conta disso, é preciso que novos recursos surjam para que a máquina siga produzindo.

Avaliação das gestões

Na avaliação de Sérgio Aguiar, no momento atual há, em geral, uma boa administração das contas públicas por parte dos prefeitos, e isso deve ser revertido em bons dividendos eleitorais para seus candidatos. No entanto, ele ressaltou que, na maioria dos casos, as oposições municipais, quando unidas, têm condições de dar respostas melhores junto ao eleitorado. “Não se pode um partido que deseja participar de coligação pensar somente em quem está à frente das prefeituras, até porque há uma negação da política e o resultado eleitoral das oposições pode ser melhor”, opina o parlamentar.

Com nove prefeitos aliados e sendo apoiado por vereadores e ex-prefeitos em outros <MC0>22 municípios, Sérgio Aguiar acredita que entende a força de um grupo que está no poder, sabe de suas deficiências e os discursos que podem ser utilizados no pleito pela oposição.

Já a deputada Rachel Marques (PT) relata que boa parte das prefeituras do Ceará está com baixa aceitação junto ao eleitorado, por conta de dificuldades financeiras nos últimos anos, principalmente por conta de redução de repasses federais.

Segundo ela, deficiências estruturais nos municípios acabam levando a população a se sentir insatisfeita com os prefeitos, que estão mais próximos do eleitorado. Apoiada pela Prefeitura de Quixadá, a petista diz que, mesmo diante das dificuldades, a gestão atual tem tido a aprovação da população.

De acordo com o deputado Danniel Oliveira (MDB), como “porta-voz” dos trabalhos do parlamentar nos municípios, o prefeito é responsável por boa parte dos votos dos candidatos a deputado estadual. “Os prefeitos dos municípios onde sou votado receberam diversos recursos financeiros levados por mim, o que faz com que a administração se fortaleça”, ressalta.

Recursos

O emedebista lembra que a liberação recente de R$ 2 bilhões pelo Governo Federal, sendo R$ 188 milhões para o Ceará, amenizou a situação de algumas prefeituras no Estado, dando fôlego para que os gestores municipais pudessem atuar com menos dificuldades. “Isso aliviou muito a pressão que caía sobre os prefeitos. Nas prefeituras em que os prefeitos me apoiam, poucos deles têm dificuldades politicas. Eles têm dificuldades financeiras, mas na grande maioria têm feito bom trabalho por causa de nosso auxilio”.

Leonardo Araújo (MDB), por sua vez, afirma ter apoio das prefeituras de Pacatuba, Carnaubal, Palmácia, Uruburetama, Ibaretama, General Sampaio, Icapuí e Potiretama. Segundo ele, há um vínculo forte entre as atividades dos executivos municipais, Assembleia e Câmara Federal. “Através dos recursos oriundos do Senado, houve melhoria da visibilidade dos parlamentares. Essa melhoria na distribuição de recursos vai ajudar os prefeitos no apoio que vão dar aos parlamentares”, frisa.

09:09 · 17.04.2018 / atualizado às 09:09 · 17.04.2018 por

Por Miguel Martins

Para o deputado José Sarto, a descrença da sociedade nos políticos é um dos mais importantes fatores da campanha eleitoral deste ano Foto: José Leomar

Para parlamentares cearenses, a tentativa de proximidade com o eleitorado será o grande desafio a ser enfrentado por eles na disputa deste ano em razão da indignação da população com os políticos e os partidos, por conta dos diversos casos de corrupção que estão sendo noticiados, envolvendo o alto escalão da política nacional. Todos os políticos passaram a ser alvos de protestos organizados ou não, nos mais diversos ambientes.

Para o petista Elmano de Freitas (PT), o maior desafio daqueles que tentarão reeleição é justamente a descrença da sociedade na política. “A sociedade, em sua ampla maioria, não se reconhece no modelo representativo cheio de distorções que temos no Brasil”. O parlamentar, que está em primeiro mandato, tentará reeleição neste ano e já sentiu os efeitos da falta de credibilidade dos políticos.

Líder do Governo na Assembleia Legislativa, o deputado Evandro Leitão (PDT) afirmou que o principal problema é realmente a falta de credibilidade dos políticos. Segundo ele, há uma total descrença no homem público por conta da conjuntura que o País está vivendo, o que também é sentido entre os políticos do Estado. “Onde passamos, percebemos que as pessoas estão céticas com o político e a política em geral”.

No entanto, o pedetista ressaltou também que a falta de recursos financeiros atrapalhará aqueles que têm menos condições de enfrentar uma disputa acirrada como a de 2018. “Esses dois fatores serão preponderantes”.

Constrangidos

“Nunca na história do Brasil o povo se rebelou tanto contra os maus políticos ou aqueles que se posicionaram contra a vontade popular. A grande dificuldade será esse contato com o eleitor. São raros os políticos que andam no meio do povo sem serem constrangidos por um posicionamento”, disse o deputado Capitão Wagner (PROS).

Para o deputado José Sarto (PDT), a exiguidade de tempo para a disputa eleitoral e a descrença da sociedade serão fatores importantes no pleito deste ano. Sérgio Aguiar (PDT) destacou que a falta de credibilidade dos políticos será a maior dificuldade na eleição de outubro.

“A generalização tomou conta do pensamento da sociedade, então cada candidato deverá encontrar alternativas para fazer chegar ao povo a sua mensagem e procurar debater com um maior número de pessoas sobre seu passado, seu presente, e propostas para o futuro”.

Na mesma linha do colega, o deputado Julinho (PDT) disse que a questão dos recursos financeiros é sempre difícil, visto que a diferença entre algumas candidaturas é persistente e não há igualdade entre os candidatos. Ele ressaltou ainda que a falta de credibilidade do homem público tem incomodado todos os políticos, visto que o eleitorado não tem feito distinção entre corruptos e aqueles que tem vida pública ilibada.

“Por falta de interesse e de conhecimento, o eleitor acaba achando que todos são iguais. O dever do eleitor, como cidadão, é procurar saber o passado, e depois fazer sua avaliação. Pelo menos escute o que o candidato tem a dizer”, apela.

Autofinanciamento

Para Rachel Marques (PT), os desafios para o pleito eleitoral deste ano são complexos, principalmente pela instabilidade democrática vivenciada no País. “Nesse contexto, acreditamos que o grande receio que podemos mensurar é de fato a instabilidade política e democrática e a descrença na política pela qual passa o País”.

Ela acredita, porém, que outro desafio que será enfrentado é contra as campanhas milionárias. “O autofinanciamento de campanha privilegia os grandes empresários”, cita. A deputada Silvana Oliveira (PR) destaca que não tem sentido resistência por parte de seu eleitorado, constituído em quase sua totalidade por evangélicos.

09:07 · 17.04.2018 / atualizado às 09:07 · 17.04.2018 por

Por Miguel Martins

Roberto Pessoa é um dos tucanos otimistas com as pesquisas internas do seu partido Foto: José Maria Melo

Enquanto alguns membros da bancada de oposição no Ceará relatam que o grupo passa por uma situação crítica, o vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, filiado ao PSDB, afirmou que os oposicionistas estão apenas aguardando a movimentação da base governista para apresentarem seus postulantes ao pleito deste ano. De acordo com Pessoa, nenhum dos nomes colocados pelos aliados da atual gestão para cargos majoritários se confirmarão, uma vez que, em sua análise, haverá impedimentos legais para tais postulações.

“Minha tese é de que, de um modo geral, esses nomes que estão sendo colocados pela base governista não serão candidatos”, disse. A oposição está em “stand by”, aguardando apenas que a base governista indique aqueles que, realmente, disputarão os cargos majoritários.

Pessoa disse que apesar de parecer fragilizada, a oposição, segundo pesquisas internas, aparece bem cotada quando são colocados lado a lado nomes como os do governador do Estado, Camilo Santana, e do deputado estadual Capitão Wagner (PROS) para a disputa ao Executivo. Wagner, porém, já afirmou que disputará vaga na Câmara Federal e não estaria disposto a disputar o Palácio da Abolição.

General

Atualmente, a oposição ao Governo Camilo Santana é formada por quatro partidos: PROS, PSDB, PSD e SD. Por enquanto, segundo disse, praticamente todos os membros da bancada são pré-candidatos à reeleição, com exceção de Wagner que pretende se candidatar a deputado federal. “Todos devem tentar reeleição, mas podem passar para a chapa majoritária. Vai depender de como vai atuar a base governista. Por enquanto, estamos em ‘stand by’”, afirmou.

Apesar de todo o otimismo de Roberto Pessoa quanto ao grupo do qual faz parte, outros membros da bancada oposicionista discordam dele e disseram ao Diário do Nordeste que a tendência é que a situação deles piore daqui para frente. “Tenho a forte impressão de que o Eunício cavou um buraco e pulou dentro dele, nos colocando na beira”, disse um membro do bloco de oposição, que preferiu se manter no anonimato.

A filiação do General Guilherme Theophilo ao PSDB, comunicado por integrantes do partido na última sexta-feira, fez com que seja apontado como um dos prováveis candidatos a cargo majoritário. Na manhã desta terça-feira, conforme informou o presidente da legenda, Francini Guedes, Theophilo estará no Ceará “para conversar sobre política”.

Questionado sobre a nova filiação, o tucano afirmou que o militar é competente, conhece os problemas do Estado e tem seu valor para a sociedade cearense, podendo, sim, ser o nome da oposição para o Governo do Estado no pleito deste ano.

11:09 · 14.04.2018 / atualizado às 11:09 · 14.04.2018 por

Por Miguel Martins

Ciro Gomes disse ontem, em visita ao Sistema Verdes Mares, que quer recrutar um empresário do Sul ou do Sudeste para ser seu candidato a vice Foto: José Leomar

Próximo a enfrentar a terceira candidatura à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) tem pela frente algumas barreiras a serem superadas, como o desconhecimento que parte da população tem de sua figura política e o temperamento, que no passado foi um de seus principais opositores.

Mais compenetrado, como ele mesmo diz, o pedetista afirmou ao Diário do Nordeste que está com mais experiência e, caso seja eleito presidente, vai “pintar o Ceará de ouro”. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a aproximação entre o governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (MDB) no Estado, e também sobre o candidato a vice que busca para sua chapa.

Qual é a avaliação que o senhor faz da sua campanha, hoje, em relação às duas últimas em que disputou a Presidência da República?

É natural que este momento seja de especulação. O Brasil ainda verá muitas questões centrais se consumarem para termos mais clareza. Hoje eu vejo como se estivéssemos nos treinos livres da Fórmula 1. Nesses treinos livres têm cinco carros que estão ali mais favoráveis que são o Lula, eu, a Marina, o Bolsonaro e o Alckmin. Correndo por fora, agora, chegou o Joaquim Barbosa que representa, pelo menos no adjetivo, uma mudança política. Mas ainda há muitas questões a serem respondidas.

Haverá candidatura do Lula? Essa é a grande imponderabilidade. Pela Lei, hoje, ele não fica. Claro que isso me dói o coração. O Lula, para mim, não é figura que conheço pela televisão ou jornal. É um velho camarada que discordo e concordo há mais de 30 anos. E nos últimos 16 anos ajudei o Lula sem faltar um dia. É muito dolorido assistir e ver parte da sociedade, por ódio, soltar foguetes com prisão de um homem que serviu ao País com muito esforço para projetar o Brasil para o mundo. Ando fazendo palestras por outros países e as pessoas me perguntam aí fora: o que aconteceu com o Lula? E isso preocupa o mundo.

Qual a expectativa do senhor quanto às alianças partidárias que poderão ser feitas para fortalecer a sua campanha? Já existe uma preocupação com o nome para vice na chapa?

Essa preocupação existe, e é bom que se preocupe com o vice, porque é impressionante a quantidade de vices que chegaram lá. Temos o Michel Temer mais recentemente, mas já tivemos o Sarney e o Itamar (Franco) lá atrás, que foi o presidente que fez o Real. O Fernando Henrique fraudou a história, mas foi o Itamar o responsável pelo Real. Eu estou observando, mas quero ver se recruto um empresário do Sul, do Sudeste, alguém ali de Minas Gerais ou de São Paulo para completar um pouco a chapa. Tem que colocar um cara mais conservador, porque as pessoas acham que eu sou um pouco agressivo. Mas eu só sou agressivo para cima. É porque o pessoal não sabe, mas R$ 57,70 de R$ 100 que arrecadamos foram para os banqueiros, para 10 mil barões do sistema financeiro. É isso o que eu conto, e as pessoas querem satanizar o carteiro para não receber a carta.

O senhor espera herdar alguma parcela do quinhão petista, no caso de Lula não ser candidato?

Se ele não é candidato, a minha responsabilidade cresce muito. E isso começa a ser percebido. Eu tenho que entender que vou ser muito provado, muito insultado. Tentarão criar obstáculos a quem pretende unir o Brasil em torno de um novo projeto de desenvolvimento. Com isso que está acontecendo ao Lula, minha responsabilidade está crescendo. O Lula fez muito pelo povo, principalmente, pelos pobres, Tudo indicando que não deixarão ele participar da eleição, minha responsabilidade cresce muito.

O noticiário nacional registrou que o senhor, na Espanha, recentemente, disse estar preocupado com a lisura na disputa deste ano, sobretudo com relação ao “Caixa Dois”. Que preocupação é essa?

O Brasil vive procurando atalho para problema sério, que é problema sério do mundo. A relação de dinheiro e política é problema sério da democracia no mundo todo. Temos aqui no Brasil o problema da corrupção e relação do dinheiro com política. E o Tribunal (Supremo Tribunal Federal), sem Lei, resolveu que não vamos ter mais financiamento empresarial de campanha e que agora ele é privado e individual. Mas o poder econômico é um dado irremovível ou não da sociedade? A resposta é sim. E o poder político também é um dado irremovível da sociedade. O poder econômico sempre vai procurar se relacionar com o poder político.

Qual a melhor solução para isso? É melhor colocar luz para que a população veja e entenda como funciona ou colocar tudo para debaixo do tapete como eles fizeram? O pior dos mundos é o que eles fizeram. Agora vai ficar a mentira de que o financiamento é individual. Os honestos vão cumprir a Lei e os salafrários vão fazer “Caixa Dois”, como estamos vendo aí. Isso vai perdurar até aprendermos o caminho correto, que é a transparência ou o financiamento público de campanha. Mas neste momento está inapropriado, porque o País está em uma crise tremenda. Como o governante diz que falta dinheiro para a Segurança e coloca R$ 1 bilhão para político fazer campanha?

O que de novo o senhor pretende oferecer aos brasileiros, para sensibilizá-los a sufragar o seu nome para presidente?

Eu sou a mesma pessoa, só que mais estudada e mais velho. Fui prefeito com 29 anos, fui o governador mais jovem, com 32 anos, e o mais jovem ministro da Fazenda, com 36 anos. É natural, como pessoa super exposta, que eu seja conhecido por vários ângulos. Você fala a vida inteira e sempre tem uma fala fora do lugar, um gesto mais duro. E as pessoas cobram de mim que tenho que segurar a língua, e estou muito compenetrado. Mas agora é mais fácil, porque completei 60 anos, sou avô, estudei muito nesse período todo, me afastei da política porque quis. Se eu conseguir chegar à Presidência do Brasil, vou pintar este Estado todo de ouro, isso no sentido metafórico. Porque é a ele que tudo devo. Só tenho a agradecer ao povo cearense.

“Se eu conseguir chegar à Presidência do Brasil, vou pintar este Estado todo de ouro, isso no sentido metafórico. Porque é a ele que tudo devo”, afirma o pedetista Foto: José Leomar

Que choques o novo presidente precisará dar para começar a mudar o que hoje temos de errado no Brasil?

Estou trabalhando em um grande projeto nacional de desenvolvimento, uma proposta sofisticada. Existem mais de 500 pessoas trabalhando nisso, e temos que desenvolver a condição para que o País cresça para resolvermos três grandes gargalos. O primeiro é o explosivo endividamento das famílias e das empresas. São 60 milhões com endividamento no SPC e as empresas têm dívidas de R$ 2 trilhões, dos quais R$ 600 bilhões já estão nas contas dos bancos como crédito de recuperação duvidoso. Se não resolver isso, não teremos investimento privado para tocar o crescimento. A outra grande tarefa é sanear as contas públicas. O Brasil está completamente falido. Falta dinheiro para tudo. Terminou o ano passado com a menor taxa de investimento. As obras da Transposição de Águas do Rio São Francisco, faltando apenas 3%, foram paralisadas. A Transnordestina, quando eu estava lá, tinham 5 mil pessoas trabalhando, e agora está parada, o investimento foi para o chão. Precisamos consertar as contas públicas.

E terceiro: o Brasil está proibido de crescer porque qualquer possibilidade de crescimento, como não se preparou a produção brasileira, nós geramos importação grande que pressiona a taxa de câmbio, e o Brasil quebra. Qualquer crescimento, o Brasil importa demais, não tem como pagar e quebra. É preciso resolver isso. E eu estou focando nisso para poder atender às demandas populares, que na ordem de preocupação do povo é Saúde, Emprego, Segurança, Corrupção, e aí vem Moradia, Educação e uma série de outras tarefas.

Como o senhor avalia a situação de corrupção que atinge o Brasil e o que fazer para reduzir esse mal em nossa sociedade?

Às vezes as pessoas me acusam de ser bocão, mas o flagelo da corrupção precisa ser enfrentado e denunciado. Quando eu denuncie o Michel Temer, lá trás, eu sabia do que estava falando. Quando denunciei o Eduardo Cunha, eu sabia o que estava falando. Infelizmente, o País vai ignorando essas denúncias e cai nessa esparrela. A corrupção tem dois efeitos mortais: tira o dinheiro que falta para a Saúde, Segurança, etc, e tira a confiança do povo no sistema democrático.

Hoje, todos pensam que a política é um pardieiro de pilantras sem exceção. Isso é uma coisa grave. Os jovens perderam a confiança, e não faltam razões para isso. O que temos que responder é com exemplos. Tem que dizer o que acontece, passar uma radiografia e mostrar a vida do candidato. É preciso separar o joio do trigo, como está na Bíblia. A segunda coisa necessária é inovação permanente, porque a corrupção no setor público vai mudando de forma de fazer. É um problema sério que estamos tendo que enfrentar com inovação institucional.

Qual seu posicionamento sobre a Reforma da Previdência?

Nosso sistema previdenciário foi montado quando éramos um país muito jovem. Nós tínhamos seis brasileiros trabalhando para um aposentado que não chegava aos 60 anos de idade. Hoje temos estatística de 1,5 para cada aposentado com expectativa de 73 anos. Isso, de fato, precisa ser posto em debate porque no futuro vamos ter problemas muito sérios. Entretanto foi proposto para déficit de R$ 180 bilhões por ano para reforma, perseguindo os mais pobres, que iria economizar R$ 360 bilhões para 10 anos. Ou seja, era mentira, não tinha reforma e era muito injusta.

Na prática, o grande problema da previdência, na partida, é que 2% dos beneficiários levam quase um terço de tudo. E quem são? Juízes, políticos, promotores, grandes corporações do serviço público. E a reforma não mexeu nada porque são os poderosos da República. É preciso consertar isso. O trabalhador ganha, no máximo, em média R$ 1,8 mil de aposentadoria. No serviço público tem aposentadoria de R$ 40 mil.

Eu, por exemplo, teria direito a três pensões que dariam quase R$ 80 mil. Imagina se eu teria condições de andar na rua se aceitasse isso. É preciso aceitar esse problema, que é fácil de falar, mas é difícil de fazer, porque mexe com os poderosos da República.

No Ceará, qual é a participação do senhor na formação da chapa governista?

Tenho mantido certa distância, até porque o (governador) Camilo é quem tem que conduzir esse processo. Eu voto nele e quando for procurado, quando for consultado, com a experiência que tenho, vou recomendar que sigamos coerentes com nossos valores e evitemos determinados tipos de conchavos que são mal entendidos pela população como conversa de gabinete para tirar o povo da jogada. Mas vou falar se for perguntado, porque quem decide é ele.

O senhor já assimilou uma possível aliança do governador Camilo com o seu desafeto, o senador Eunício Oliveira?

Não.

E se o Camilo estiver ao lado de Eunício Oliveira na disputa eleitoral deste ano, como o senhor irá se comportar?

Ele (Camilo) é quem manda. Mas eu, muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa.

Como vai ser fazer campanha no Ceará pedindo votos para Camilo, do PT, com os petistas pedindo votos para Lula ou outro candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência?

Isso é natural. Vai acontecer no Brasil inteiro. Por exemplo, eu apoio o governador do Piauí, Wellington Dias, que é do PT e apoio o candidato do PT na Bahia. O PT, por outro lado, não apoia nenhum candidato do PDT em lugar algum do Brasil. Paciência.