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Tag: Eunício Oliveira


08:56 · 05.06.2018 / atualizado às 08:56 · 05.06.2018 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira, ontem, no Centro de Eventos, em Fortaleza, tentaram minimizar a entrevista de Cid Foto: José Leomar

As declarações do ex-governador Cid Gomes ao Diário do Nordeste, desautorizando uma coligação do seu grupo político com o MDB do senador Eunício Oliveira, estiveram no centro das discussões políticas de ontem. O governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira não quiseram fazer comentários. Para o primeiro, as negociações sobre alianças só ficarão encerradas em julho, quando das convenções partidárias. Eunício disse que não falava sobre especulações, minimizando a questão.

Cid, na entrevista concedida à jornalista Letícia Lima, da equipe de Política deste jornal, pela primeira vez admitiu que só disputaria mandato nas eleições deste ano se fosse de senador, e que a coligação do governador Camilo Santana só deveria ter um candidato ao Senado, portanto, sem coligação com o MDB de Eunício, candidato à reeleição, para evitar prejuízos à candidatura a presidente de Ciro Gomes, um dos mais críticos ao comportamento do MDB e de alguns dos seus integrantes.

Na manhã de ontem, durante a abertura do Seminário “Prefeitos Ceará 2018: Governança e Transparência”, o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso Nacional tentaram evitar comentar as declarações de Cid. Enquanto o chefe do Executivo disse que Cid terá importância no processo de discussão de aliança, o senador Eunício Oliveira pareceu mais preocupado com o que declarou o ex-governador no domingo passado, durante missa em celebração aos 50 anos do governador Camilo Santana.

Surpreendido

Para o governador, atualmente cada partido está iniciando suas discussões internas, discutindo coligações, o que só deve ser consolidado no prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “As alianças serão avaliadas nos prazos eleitorais”, repetiu diversas vezes o petista, quando questionado sobre a fala do seu antecessor e correligionário. Ele aproveitou para tecer mais elogios a Eunício Oliveira, afirmando que o senador tem sido “um grande parceiro”, abrindo as portas de seu gabinete em Brasília para o Estado e todos os municípios cearenses.

Já Eunício Oliveira duvidou das declarações de Cid Gomes, até porque tais falas do ex-governador vão de encontro, segundo ele, a diálogo que teria ocorrido entre as duas lideranças políticas anteriormente. “Não vi nenhuma declaração nesse sentido. Não preciso tecer comentário sobre qualquer especulação que as pessoas querem fazer”.

E prosseguiu: “Hoje (segunda-feira), pela manhã, eu fui surpreendido com vários jornais do Sul que implantaram informações dizendo que fomos até proibidos de sentar no mesmo banco (no aniversário de Camilo Santana, no domingo passado). Nem eram bancos, eram cadeiras”.

O senador, realmente, não viu e nem ouviu quando Cid deu a entrevista. Os dois estavam no mesmo ambiente, mas distantes um do outro. Sequer trocaram cumprimentos, e saíram da cerimônia por caminhos diferentes.

Eunício, como se combinado com Camilo Santana, repetiu a frase do governador, dizendo que é preciso aguardar as convenções. “É preciso que a gente tenha paciência e aguarde os acontecimentos. Essa aliança, do ponto de vista da forma, das lideranças, vai ser construída até dia 5 de agosto”, apontou.

Absorver

“Estamos conversando sobre isso. As coligações serão feitas dentro dos interesses partidários, isso é mais que natural. Mas é preciso ter paciência, é preciso que a gente pense antes de falar. Não podemos absorver aquilo que os outros querem que a gente absorva”, disparou. Presidente em exercício do MDB no Ceará, Gaudêncio Lucena se limitou a dizer que desconhece as declarações de Cid Gomes, ressaltando ainda que ouviu do ex-governador que ele seria grato caso Eunício votasse em Ciro Gomes para presidente.

O chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Nelson Martins (PT), defendeu que se amplie uma aliança em torno do nome do governador Camilo, possivelmente, inclusive, com a participação do MDB e do senador Eunício Oliveira no processo.

“Não há contradição em se ter o MDB na aliança. Já ouvi o Eunício dizendo que aceita apoiar o Ciro, se o Lula não for candidato. Temos que trabalhar na aliança do governador de forma ampla, inclusive, envolvendo o MDB”, disse. Questionado se o PT já aceita tal ideia, o secretário afirmou apenas que isso deve ser discutido e aprofundado na sua própria sigla.

Votaria

Até o deputado comunista Chico Lopes, que por diversas vezes criticou o MDB, disse que o desejo do ex-governador Cid Gomes em não querer coligação é um pensamento pessoal, mas que não reflete o anseio da maioria dos aliados. Lopes é defensor de aliança com a sigla emedebista, inclusive, afirmando que votaria em Eunício Oliveira.

“O MDB teve papel importante durante a ditadura, eles têm a maneira deles de visualizar as coisas. Mas isso não significa que queremos cada um para o seu lado, porque quem perde é o País. Podemos discutir o apoio ao Eunício, porque tudo na política se discute”, disse ele com relação ao posicionamento do seu partido, o PCdoB, apesar da questão nacional, em que o presidente Temer é criticado por ele.

O presidente do PDT no Ceará, deputado federal André Figueiredo, afirmou que tudo ainda está meio confuso, e que definida mesmo só há a candidatura do governador Camilo Santana à reeleição e de Ciro Gomes no plano nacional. O deputado Osmar Baquit (PDT), por sua vez, afirmou que, nas falas de Cid Gomes, ele não disse que não votaria em Eunício, mas deixou margem para um eventual apoio não declarado ao MDB.

“Ele não tem coligação formal, porque se ele defende só um nome do PDT, e a outra vaga? Se o PDT não lança outra vaga, está lançando o Eunício”, avalia Baquit. Sérgio Aguiar (PDT) também é adepto da teoria de “coligação branca”, até porque, segundo ele, muitos da base governista têm esse compromisso com o senador.

“Esta fórmula já ocorreu em 2002 quando da eleição da senadora Patrícia Saboya, então filiada ao PPS. Ela teve o apoio informal da chapa que tinha Lúcio Alcântara como governador do PSDB. Então, acredito que o apoio político voltado aos interesses do Ceará acontecerá dessa forma”, disse.

07:35 · 12.05.2018 / atualizado às 07:35 · 12.05.2018 por
O senador Eunício Oliveira concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste na sexta-feira (11), em visita ao Sistema Verdes Mares Foto: Fabiane de Paula

Uma conversa entre o senador Eunício Oliveira (MDB) e o ex-governador Cid Gomes (PDT), rompidos desde 2014, pode ter inaugurado, no cenário político estadual, um novo passo rumo à consolidação de aliança entre o líder emedebista e o governador Camilo Santana (PT), apoiado pelo pedetista. Ainda que a aproximação pública dos dois não tenha superado, até o momento, todas as ressalvas e o ceticismo de aliados das duas partes, o presidente do Congresso Nacional destaca movimentações que, segundo ele, apontam que a parceria “administrativa” com o chefe do Executivo pode converter-se em uma aliança “política” para as eleições deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, Eunício revelou que há “conversas avançadas em relação a isso”, e citou não apenas encontro recente com o ex-governador Cid Gomes, mas também uma pesquisa interna que, conforme apresentou, aponta que quase 80% da população cearense aprovam a “aproximação administrativa” entre as duas lideranças.

O emedebista disse ter tido um encontro demorado com Cid Gomes há pouco mais de duas semanas. Embora não tenha detalhado o que foi discutido na ocasião, ele classificou a conversa como “afável, amena e voltada para os interesses do Estado”. “Não foi para candidatura de A ou de B, de quem vai ser o deputado ou a deputada, quem vai somar aqui, qual a aliança proporcional que vai ter. Ninguém discutiu isso. A eleição está longe ainda para se discutir as alianças do ponto de vista prático. O que existem hoje são conversas avançadas em relação a isso”, declarou o senador.

Derrotado no segundo turno do pleito de 2014 para governador por Camilo Santana, Eunício Oliveira ressaltou, ainda, que aquela foi uma “eleição radicalizada no voto”, mas enfatizou não ter tido “nenhum atrito” com o petista ou mesmo com Cid Gomes, que o antecedeu no Governo do Estado. A aproximação com o grupo governista, segundo ele, veio já na posição de presidente do Senado, quando foi procurado por Camilo e também pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), para destravar empréstimos para o Estado e para a Capital que dependiam do aval do Senado.

Recursos para o Ceará

“O Ceará recebeu, nesses últimos 13, 14 meses, quase R$ 10 bilhões”, contabilizou. Foi a partir das conversas que resultaram nestes números que a aproximação administrativa, garante ele, “evoluiu para um encaminhamento de eleições”. “Essa aliança começou do ponto de vista puramente administrativo. Na convivência, no dia a dia, as conversas evoluíram significativamente para, talvez, uma definição do ponto de vista político”, sustentou o emedebista.

Respondendo à preocupação de aliados das duas partes em relação à receptividade de uma aliança eleitoral em 2018 entre os dois ex-adversários, Eunício Oliveira mencionou, ainda, que uma pesquisa interna recebida recentemente por ele mostra que a aceitação da maioria do eleitorado cearense consultado no levantamento à aproximação administrativa é positiva, avaliação que pode ser transposta à esfera eleitoral.

“Quase 80% da população entendem que essa aproximação, do ponto de vista administrativo, não foi boa para o Camilo, não foi boa para o Eunício, foi boa para o Estado do Ceará”, justificou o senador, defendendo que o momento, portanto, é de “unir forças”, independentemente de querelas políticas e diferenças ideológicas. “Essa junção de forças não é apenas para uma reeleição de Camilo, não é apenas para uma reeleição de Eunício. Tem que ser para desenvolver e atender aos interesses do Estado”, pregou.

Rejeição de Ciro

Sobre as declarações públicas de rejeição do ex-governador e pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, a uma eventual aliança entre Eunício e Camilo no Ceará, o presidente do Senado afirmou que pertence a uma corrente do MDB “que não é esse grupo ao que o ex-ministro Ciro Gomes se refere” em críticas que tem feito recorrentemente à sigla.

Em entrevista ao Diário do Nordeste publicada no dia 14 de abril, ao ser questionado sobre como se comportará na campanha estadual deste ano, caso Camilo e Eunício estejam no mesmo palanque, Ciro respondeu que o governador “é quem manda”, mas deixou clara a rejeição à aliança. “Muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa”, reagiu.

O emedebista, por sua vez, defendeu que eventual aliança eleitoral será concretizada “em prol dos interesses do Estado”, embora tenha reconhecido que, “pela disputa que aconteceu no Estado, aqui e ali, tanto de um lado quanto do outro, ainda têm pessoas que questionam essa possibilidade”.

Questionado se vê, no grupo governista, temor de que, mesmo sendo reeleito senador neste ano, possa disputar novamente o Governo do Estado em 2022, o presidente do Senado disse que, se for reeleito em outubro, ainda vislumbra a conquista de um novo mandato de dois anos na Presidência do Legislativo, mas ponderou que, após mais oito anos no cargo de senador, pretende encerrar a carreira política. “O meu momento de disputa pelo Governo do Estado foi aquele. A gente, na vida e na política, não diz ‘dessa água nunca beberei’, mas não é um projeto pessoal, não é um projeto político”.

Reuniões

O senador desmentiu, ainda, informação publicada na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, na última sexta-feira (11). Segundo a publicação, em reunião com emedebistas na residência oficial do Senado, em Brasília, o parlamentar cearense teria afirmado que uma possível vitória de Ciro Gomes para presidente neste ano seria fatídica para o MDB. Eunício afirmou, ao Diário do Nordeste, que “não houve essa conversa”. “Na reunião nós discutimos sobre tudo. Falamos sobre economia, sobre política, sobre futuro do partido, sobre o momento político que nós estamos vivendo, sobre eleições, sobre aliança, sobre possibilidades, falamos sobre isso tudo, mas não disso especificamente”.

Para a disputa presidencial deste ano, contudo, ele reafirmou que, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja candidato, apoiará o petista, de quem foi ministro entre 2004 e 2005. “Sempre tive uma relação muito boa e real, verdadeira, correta, com o presidente Lula”, justificou.

Eunício informou, aliás, que já externou tal posicionamento ao presidente Michel Temer e disse que, se o partido ou a coligação em que estiver o MDB lhe obrigar a ter outra posição, pretende “fazer um debate interno”. Ele é defensor de que o MDB não lance candidatura própria “sem viabilidade eleitoral” e libere os filiados nos estados para que decidam quem apoiar.

Tamanho do MDB

Já ao tratar das perspectivas para o MDB nas eleições deste ano, após o partido ter perdido representantes durante a janela partidária – apenas no Ceará foram dois deputados federais e dois deputados estaduais a menos, entre março e abril –, ele garantiu ter “convicção” de que a legenda não sairá pequena do pleito de outubro próximo. O MDB foi o partido que mais perdeu deputados federais nacionalmente: de acordo com dados da Câmara dos Deputados, sete nomes deixaram a legenda durante a janela. Com 53 deputados, tem, atualmente, a segunda maior bancada da Câmara.

“Essas eleições vão terminar com o PMDB tendo o maior número de vereadores, de prefeitos, de deputados federais, de senadores e um bom número de governadores, mesmo não tendo uma candidatura própria à Presidência da República. O PMDB está enraizado, esse partido construiu a democracia no Brasil, esse partido ajudou muitos governos a fazer o desenvolvimento desse País”, argumentou. “Só (para) dar um exemplo: se nós não fizermos nenhum senador, o que é quase impossível de acontecer, o PMDB ainda será o maior partido no Senado, e presidirá o Senado, porque é assim que determina o Regimento e a Constituição”, completou.

Qualidade

Ao comentar perdas de quadros cearenses pela sigla, caso, por exemplo, dos deputados federais Aníbal Gomes e Vitor Valim, que ingressaram no DEM e no PROS, respectivamente, ele disse não ter preocupação “de número no partido”. “Tenho a preocupação de que as pessoas que venham para o partido queiram estar no partido, concordem, mesmo debatendo, mesmo divergindo no partido, no final convirjam para uma posição. Esse é o PMDB que eu espero que venha das urnas. Aqueles que entraram no partido, que ficaram no partido”, disse.

Segundo Eunício, a falta de apoio de correligionários, inclusive, contribuiu para a derrota amargada em 2014. “Por exemplo, tenho muito respeito pelo deputado Aníbal Gomes, mas não ganhei as eleições porque o deputado Aníbal Gomes, que era do PMDB histórico, não votou com o candidato do PMDB. Então, para que ter um número, mas não ter o resultado? O ex-deputado, ex-vice-governador e meu amigo pessoal, Domingos Filho, era do PMDB, saiu e foi para o PSD. Se eu tivesse recebido os votos daquele grupo que era do PMDB, eu seria hoje não senador, não presidente do Congresso. Seria hoje governador do Estado”, analisou.

09:05 · 30.04.2018 / atualizado às 11:30 · 30.04.2018 por

Por Miguel Martins

Danniel Oliveira afirma que a aliança entre Camilo e Eunício será oficializada ‘muito em breve’ Foto: Saulo Roberto

Cada vez mais alinhados ao grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (PDT), membros da bancada do MDB na Assembleia Legislativa afirmam que a legenda no Ceará não descarta apoiar uma eventual candidatura do PDT à Presidência da República. Segundo informaram, não havendo impedimento da executiva nacional da sigla, e caso o ex-presidente Lula não seja o candidato do PT na eleição, o senador Eunício Oliveira também poderá votar em Ciro.

Há pouco mais de duas semanas, o presidenciável Ciro Gomes declarou ao Diário do Nordeste que ainda não havia assimilado uma provável aliança entre o governador Camilo Santana (PT), de quem é aliado, e o senador Eunício Oliveira, adversário político. Questionado sobre sua participação no palanque, o pedetista afirmou que seria improvável aparecer em fotos ao lado do emedebista.

Desde então, especulou-se nos bastidores da política local a possibilidade de Eunício e seu grupo político tentarem reaproximação com a bancada de oposição. Emedebistas ouvidos pelo Diário do Nordeste disseram, justamente, o contrário, destacando que a aliança entre Camilo e Eunício está praticamente consolidada, faltando apenas a data de oficialização de tal alinhamento.

“Acho que o oficialização da aliança se dará muito em breve, e qualquer notícia de que o senador está se aproximando da oposição é mais uma ‘fake news’. Esse não é o pensamento do senador, porque ele está muito focado em ajudar a administração do Governo do Estado e o governador Camilo”, disse o deputado Danniel Oliveira.

Entusiasmo

Do lado pedetista, nomes como o deputado José Sarto (PDT) e Sérgio Aguiar (PDT) também são entusiastas da aproximação. Os dois, inclusive, inserem o senador Eunício Oliveira como aquele que deve estar disputando uma das duas vagas ao Senado pela base governista, ao lado do ex-governador Cid Gomes.

De acordo com Danniel Oliveira, eventual aliança entre Eunício, Cid e Camilo tem maiores chances de trazer mais recursos para o Ceará. “Não vejo outro caminho para o governador e muito menos para o senador Eunício do que essa união de forças ao lado de Cid”, defendeu.

Questionado sobre a presença ou ausência de Ciro Gomes na chapa majoritária, o emedebista afirmou que a tendência é que isso ocorra, mas destacou que existe a possibilidade de voto do MDB cearense em eventual postulação do líder pedetista à Presidência da República.

“Ele (Eunício) já declarou que, Lula sendo presidente, o voto dele seria no ex-presidente. Caso contrário, não há problema em se votar no Ciro, até porque as propostas dele são boas propostas. Sem sombra de dúvida, o Ciro pode ser o candidato do MDB do Ceará”, disse Oliveira, ressaltando, porém, que a questão ainda não foi colocada em pauta no partido. “Mas não enxergo dificuldade alguma do senador votar no ex-governador Ciro”, acrescentou.

Sem veto

Já o deputado Walter Cavalcante (MDB) ressaltou que não há qualquer veto de Eunício Oliveira a apoio à candidatura de Ciro Gomes no Ceará. “Vou trabalhar para que o nome dele seja consolidado dentro do MDB. Se o MDB não tiver candidato em nível nacional, não me chame para ir a outro palanque que não seja o do Ciro, porque ele é o melhor nome para o Ceará”.

Leonardo Araújo (MDB), por sua vez, sinalizou que a aliança eleitoral entre Camilo e Eunício já está consolidada, visto as ações conjuntas entre o governador e o senador em público. “Os elogios são recíprocos e suficientes para comprovar que já existe algo além do institucional acontecendo no cenário político do Estado”, sustentou.

09:44 · 14.04.2018 / atualizado às 09:44 · 14.04.2018 por

Por Edison Silva

Fac-símile da matéria publicada no último sábado, apontando que até a realização das convenções partidárias, surgirão muitos comentários e especulações

Ciro Gomes (PDT), na quinta-feira, antes de falar para empresários cearenses, reportou-se ao episódio da União Pelo Ceará, de 1962, quando Virgílio Távora foi eleito governador do Estado pela primeira vez, para ressaltar suas reservas quanto a uma aliança, como se prenuncia, com o MDB do senador Eunício Oliveira, ainda adversário e desafeto dele, desde a eleição de 2014 vencida por Camilo Santana contra o próprio Eunício.

No início da década de 1960, os políticos que mais se digladiavam na política nacional, e consequentemente em todos os estados da federação, representando a UDN (União Democrática Nacional) e o PSD (Partido Social Democrático), se uniram no Ceará, aparentando ser, a coligação resultante do acordo deles, uma força invencível. E realmente não foi, pois teve uma baixa na disputa por vagas no Senado. Carlos Jereissati (PTB), como adversário, foi eleito senador, juntamente com o pessedista Wilson Gonçalves.

Para o presidenciável do PDT, ainda está muito recente a troca de insultos entre eles, por conta da eleição do governador Camilo Santana (PT), e da reeleição do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). Ele admite que o eleitorado pode repugnar a união dessas forças.

“No momento em que lhe falo, assentado em pesquisas, ainda não há naturalidade da percepção popular para isso”. Na entrevista concedida ao repórter Miguel Martins, deste Diário do Nordeste, registrada na página seguinte desta edição, em outras palavras ele afirma que não será fotografado ao lado dos candidatos da chapa do petista Camilo com o emedebista Eunício.

Esdrúxulas

Não há a figura do impossível na política nacional. A irresignação de hoje do pedetista pode dar lugar, pelas conveniências do momento oportuno, ao consentimento aparente, e todos se confraternizarão nos palanques como se nada houvesse acontecido entre eles, embora, intimamente, todos tenham ressalvas a fazer sobre o comportamento futuro do outro, sem esquecerem do grande juiz que é o eleitor, o competente para dizer se quer ou não continuar experimentando situações esdrúxulas do tipo, sem que qualquer deles faça um mea culpa, pedindo perdão pelas trocas de aleivosias, ao longo de quase três anos, tempo do rompimento, quando o ex-governador Cid Gomes coordenava sua substituição e negou apoio para a postulação de Eunício.

No último sábado, neste espaço, nos reportamos aos muitos comentários e especulações a serem registrados até o período de realização das convenções partidárias, quando, oficialmente, serão efetivadas as coligações e candidaturas.

A chapa do governador Camilo Santana, com ou sem inclusão do senador Eunício Oliveira, por óbvias razões, será a maior geradora de fatos. Ciro, pelo exercício da sua liderança e da condição de candidato a presidente da República, terá poder de veto na formação da chapa majoritária da situação, acrescentando-se a essa sua condição o fato de não interessar ao seu grupo político, fortalecer Eunício para vir a ser, como no passado recente, potencial adversário após o próximo pleito eleitoral.

Musculatura

Foi no curso do seu mandato de senador, eleito com o apoio do grupo político dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que Eunício adquiriu musculatura para enfrentá-los, tanto na campanha estadual seguinte à sua eleição de 2010, no caso em 2014, quanto na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, em 2016, quando os dois irmãos empenharam todas as suas forças em favor da reeleição de Roberto Cláudio. A possibilidade de Eunício estar fortalecido em 2020 e 2022, as duas próximas disputas, municipais e estadual, também é um complicador para ser fechada a coligação entre o PDT, PT e MDB para a disputa deste ano.

Ainda lembrando eleições passadas, vale citar a de 1970, quando o governador César Cals, no exercício do cargo, indicou o à época deputado federal Edilson Távora para disputar a vaga de senador, na chapa com Adauto Bezerra, designado pela Revolução de 1964 para o Governo do Estado. Um dos três Coronéis que comandavam a política do Ceará, Virgílio Távora, discordou. Ausentou-se da campanha e Mauro Benevides, do original MDB, a única agremiação de oposição da época, muito pequeno realmente, conquistou o seu primeiro mandato de senador.

Participação

Os adversários do governador Camilo Santana e dos irmãos Ciro e Cid Gomes estão admitindo a reedição da eleição de 1970, embora, na verdade, ainda esteja longe de formatar a sua chapa majoritária deste ano.

Mesmo lançando os dois candidatos ao Senado, a oposição, pelos questionamentos que continuarão a ser feitos quanto à participação de Eunício na relação de candidatos governistas, pode optar por concentrar toda a sua mobilização para um só nome ao Senado, na tentativa de fragilizá-lo, posto a ser o motivo da frustração oposicionista por ter se afastado do grupo e se aliado ao Governo estadual.

O senador fez e continua fazendo um trabalho de sensibilização de antigos aliados, convictos adversários de todo o esquema governista no Estado, para continuar votando nele. Chegou a ter a garantia de apoio, mas a retomada de posição, com a articulação do senador Tasso Jereissati (PSDB), já se tem notícia de reversão do quadro, sob o argumento de que oposicionista não vota em candidato governista.

Último momento

Tanto oposição quanto Governo só tornarão públicas as suas chapas nos momentos antecedentes à realização das convenções, em julho. São estilos parecidos de tucanos e pedetistas, hoje representados por Ciro e Cid Gomes, de não anteciparem as indicações de candidatos. No último pleito estadual, os nomes de Camilo e de Mauro Filho, candidatos ao Governo e ao Senado, só foram conhecidos no último momento, ou seja, instantes antes da realização da convenção que homologou os nomes deles e dos candidatos proporcionais.

A surpresa da indicação do nome de Camilo, para disputar o Governo do Estado, inclusive, chegou a motivar insatisfações no grupo político de Cid, a partir de Zezinho Albuquerque, hoje presidente da Assembleia, e de Mauro Filho, ambos pretensos candidatos ao cargo. Eles chegaram até a recusar a oferta de disputarem a vaga de senador e de vice-governador, problema solucionado posteriormente.

Neste ano, a dúvida que persistirá no meio situacionista, até a realização da convenção, será a oficialização ou não da coligação com o MDB, hoje, apesar de todas as demonstrações de proximidade entre Camilo e Eunício, é motivo de inúmeros questionamentos nos ambientes mais reservados de governistas.

09:42 · 10.03.2018 / atualizado às 09:42 · 10.03.2018 por

Por Miguel Martins

Além de enfrentar a adesão cada vez maior de partidos à base governista, a bancada de oposição também acumula dificuldades internas para encontrar unidade em seus posicionamentos. Com possibilidade de ter até três palanques no Ceará, lideranças políticas que fazem parte do grupo oposicionista tendem a votar em candidatura ao Senado que deverá estar ao lado do governador Camilo Santana (PT).

Não há unidade entre os poucos líderes da oposição, e isso vem incomodando alguns de seus liderados desde o ano passado, quando a bancada começou a ser reduzida na Assembleia Legislativa. Não foram poucas as vezes em que deputados reclamaram que dirigentes estariam deixando a bancada desassistida no Ceará ao priorizarem o cenário político nacional.

Até o momento, somente o PSOL lançou pré-candidatura de oposição ao Governo do Estado. No entanto, o partido não tem qualquer relação com a cúpula oposicionista cearense e busca alinhamento com partidos com ideologia semelhante à sua, como PCB e PSTU. Capitão Wagner (ainda no PR) vem tentando se consolidar como o nome do grupo, mas existe a possibilidade de que o PSDB também lance eventual candidatura tucana para que o presidenciável da sigla tenha palanque no Estado.

No entanto, os próprios opositores reconhecem que não têm pessoal suficiente para fechar duas chapas competitivas para a disputa. Essa falta de sintonia tem gerado incertezas entre os membros do grupo.

Apoio a Eunício

A maioria dos deputados federais de oposição, conforme os próprios membros da bancada, vai defender a reeleição de Eunício Oliveira (PMDB) ao Senado. De acordo com informações, Domingos Neto (PSD), Moses Rodrigues (PMDB), Vitor Valim (PMDB), Vaidon Oliveira (PROS), Aníbal Gomes (PMDB), Gorete Pereira (PR), Cabo Sabino (ainda no PR) e Genecias Noronha (SD) tendem a apoiar a reeleição do senador.

O peemedebista, porém, deve estar ao lado de Camilo Santana na disputa eleitoral deste ano. Isso tende a dificultar ainda mais uma eventual chapa da oposição, visto a necessidade de apoio da bancada.

De acordo com Capitão Wagner (PR), a unidade na bancada só se dará a partir da formação de uma chapa. “Quase todo mundo que está na oposição vota no Eunício e, enquanto não tivermos uma chapa, eles vão votar nele. Não tem como ir para uma chapa sem termos unidade”.

Enquanto não definem como vão para a disputa deste ano, os ânimos entre os opositores vão se alterando, ainda que tentem demonstrar o mínimo de unidade. As principais legendas que fazem parte da bancada, hoje, são PSDB, PSD e SD.

11:20 · 13.01.2018 / atualizado às 11:20 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Aproximação entre Eunício e Camilo começou a tomar forma publicamente no ano passado, quando os dois passaram a dividir palanques Foto: Helene Santos

Apesar de já estar praticamente fora da bancada de oposição, o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (MDB), ainda não fechou questão quanto a uma possível aliança com o governador Camilo Santana (PT), o que torna seu futuro político incerto. As movimentações para um eventual acordo eleitoral entre o petista e o emedebista passam por discussões sobre cargos na Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Prefeitura de Fortaleza e até pela sucessão do chefe do Poder Executivo, em 2022, caso Camilo venha a ser reeleito.

Como os pontos referentes às funções no tabuleiro político cearense ainda não foram tratados entre as duas partes, não há qualquer definição sobre um acordo eleitoral para este ano, ainda que alguns liderados apontem que a aliança é dada como certa. Eunício Oliveira aparenta não estar preocupado quanto ao seu lugar na disputa de 2018, visto acreditar que pode figurar tanto em um lado como no outro do tabuleiro político do Estado.

No entanto, em reunião realizada por lideranças de partidos de oposição na última segunda-feira (8), os integrantes da bancada sequer falaram sobre a possibilidade de o senador vir a ter algum espaço em chapa formada nos próximos meses. Já na base governista, apesar dos reclames de alguns membros, a maioria das lideranças acredita que o apoio de Eunício pode ajudar o Governo na disputa eleitoral.

Carta branca

No processo para costurar uma nova aliança entre PT e MDB no Ceará, o governador Camilo Santana recebeu carta branca dos líderes locais para atuar como principal ator no diálogo entre as partes. No entanto, nenhuma questão foi fechada quanto à aliança, visto que algumas indefinições ainda impedem o prosseguimento do acordo.

Há questionamentos, por exemplo, quanto aos nomes que serão indicados como suplentes dos candidatos que vão disputar as duas vagas ao Senado, assim como as postulações a vice-governador e presidente da Assembleia, que será escolhido após o pleito eleitoral; além dos futuros candidatos a prefeito.

Até a sucessão ao Governo do Estado, em 2022, já está sendo pensada pelas partes. Deverá entrar em discussão, por exemplo, quem substituiria o governador Camilo Santana após uma eventual reeleição do atual chefe do Poder Executivo cearense.

O senador Eunício Oliveira, conforme informações, não quer esperar até o limite do prazo do calendário eleitoral para definir como ficarão acertadas as posições na disputa do pleito deste ano. No entanto, ele acredita que está em uma posição confortável, podendo disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Ceará na oposição ou na base governista. Integrantes do grupo governista e da bancada de oposição, contudo, discordam deste ponto de vista.

Demora

O líder emedebista também não quer aguardar uma reorganização da bancada oposicionista no Estado, que até o momento ainda não definiu que posições serão tomadas quanto à participação na disputa. Na disputa ao Governo do Estado, em 2014, Eunício Oliveira contava com o apoio oficial de 14 prefeitos no Ceará. Agora, ele pode ter até 70 gestores municipais alinhados com sua candidatura; alguns, inclusive, da base governista de Camilo Santana.

Na Assembleia Legislativa, todos os cinco parlamentares membros da sigla emedebista deixaram de fazer ataques à gestão de Camilo Santana, uns por conta de acordo direto com a gestão, ainda no fim de 2016, e outros, mais recentemente, por conta da aproximação entre o senador e o governador. Uma aliança já é dada como certa por opositores e governistas.

11:11 · 13.01.2018 / atualizado às 11:11 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Ainda sem definição de acordo com a base governista, o presidente do MDB no Ceará, senador Eunício Oliveira, tem dito a correligionários que não há preocupação quanto às eleições deste ano, visto que, em sua avaliação, o partido não ficará menor. Apesar de algumas intrigas entre seus membros, Eunício tem argumentado que a sigla está mais unida no Estado.

No processo de aproximação com o governador Camilo Santana, seu adversário no pleito de 2014, o senador também se reaproximou de antigos aliados, como o deputado federal Aníbal Gomes (MDB), que já teria garantido apoio nas eleições deste ano. Junto com ele, os deputados federais Cabo Sabino (PR), Genecias Noronha (SD), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Domingos Neto (PSD) e até o petista José Airton Cirilo tendem a apoiar uma candidatura do senador à reeleição.

Outras lideranças locais que até pouco tempo também estavam afastadas de Eunício, nos últimos meses, sinalizaram uma reaproximação, como os emedebistas Agenor Neto e Audic Mota, ambos integrantes da Assembleia. O senador tem afirmado a correligionários que sua intenção é disputar novamente o cargo de senador e, com isso, permanecer à frente dos trabalhos do Senado da República por mais dois mandatos.

Congresso

Enquanto sua situação não é definida no Ceará, o senador, na presidência do Congresso Nacional, deve priorizar pautas voltadas à Segurança Pública, limite de gastos do Governo e investimentos no País. Também deve pautar o veto do presidente Michel Temer ao Refis para pequenos produtores rurais, além da legalização dos jogos de azar e, ainda, a regulamentação do lobby.

09:16 · 29.12.2017 / atualizado às 09:16 · 29.12.2017 por

Por Miguel Martins

Emedebistas afirmam que, após aproximações entre Camilo e Eunício em eventos do Governo do Estado, será difícil ao governador “recuar” Foto: Helene Santos

Enquanto o governador Camilo Santana (PT) não confirma aliança oficial com o MDB no Ceará, especulações de todos os tipos são feitas por aliados e opositores. Apesar da aproximação administrativa e política entre o chefe do Poder Executivo do Estado e o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB), dirigentes partidários de siglas que dão sustentação ao Governo dizem ser difícil convencer a militância sobre uma eventual composição entre PT, PDT e a sigla emedebista.

Presidente do maior partido de sustentação da gestão Camilo Santana, o deputado federal André Figueiredo (PDT) defende que a composição local deve refletir o posicionamento da legenda em âmbito nacional. Segundo ele, os partidos que sempre fizeram parte do campo político dos aliados da sigla pedetista são bem-vindos em uma coligação. Outros, como o MDB, não.

André Figueiredo é categórico ao afirmar que o PDT faz oposição ao Governo de Michel Temer, principal líder nacional do MDB. “O PDT terá muitas dificuldades em fazer qualquer composição com o MDB e é pouco provável que essa composição se consolide. Teremos que ter cautela, e creio que nossos aliados históricos serão, de certa forma, priorizados”.

O posicionamento do dirigente, porém, não é compartilhado pela maioria dos parlamentares pedetistas no Ceará. Alguns disseram ao Diário do Nordeste que respeitam as falas de Figueiredo, mas visualizam nova composição se formando no Estado com a participação do MDB.

Emedebistas também divergem sobre a ida para o bloco governista. Aqueles que já estavam no Governo se sentem desrespeitados pela eventual aliança, e os que até pouco tempo faziam oposição à administração atual sinalizam que podem estar alinhados à gestão.

Silvana Oliveira, Audic Mota e Agenor Neto queriam participar mais ativamente das discussões do partido sobre 2018. Já Leonardo Araújo e Danniel Oliveira não veem problemas na aproximação e eventual aliança entre Camilo e Eunício.

Petistas

O governador Camilo também poderá enfrentar dificuldades entre os filiados do PT, visto que a presença do presidente do Senado em coligação com a sigla petista não agrada a muitos deles. Segundo o presidente da legenda no Ceará, Francisco De Assis Diniz, a base governista enfrentará alguns percalços, uma vez que o arco tradicional de aliança do partido ficou maior.

“Vamos ter que conviver com essa realidade. O empenho e engajamento, a que chamamos de tática estratégica, terão que ser muito bem trabalhados para uma composição com vistas à reeleição de Camilo e eleição do Lula”, defende. Há ainda no PT quem defenda que o partido mantenha a vaga no Senado, que pertence a José Pimentel.

Há também aqueles partidos que reclamam espaço dentro do Governo, como é o caso do Partido Progressista (PP). Segundo o presidente, Antônio José, a legenda não foi chamada para qualquer discussão sobre cargos ou disputa eleitoral em 2018.

A reportagem tentou ouvir o governador Camilo Santana sobre as insatisfações das direções partidárias de sua base, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Governo, ele não irá tratar de assuntos relacionados às eleições neste momento. Em entrevista ao jornalista Edison Silva, publicada no Diário do Nordeste no último fim de semana, o governador afirmou que ainda vai iniciar diálogo sobre o pleito eleitoral de 2018.

Questionado se a conversa com a base ocorreria antes ou após o Carnaval de 2018, Camilo desconversou e afirmou que iria respeitar o calendário eleitoral, mas admitiu que talvez em junho ou julho trataria mais fortemente sobre o assunto. “Vou começar também a conversar com os partidos, para saber quais serão os rumos que nós vamos tomar em 2018”.

Um dos principais opositores da gestão estadual em 2017 e, agora, disposto a fazer parte da base governista, o deputado Leonardo Araújo (PMDB) afirma que o presidente do PDT, André Figueiredo, está externando um posicionamento pessoal, uma vez que seria beneficiado com uma vaga no Senado caso não haja composição com o MDB.

“Havendo essa composição, ele não tem espaço, porque o PDT ficaria com uma vaga no Senado para o (ex-governador) Cid (Gomes) e a de vice-governador provavelmente para o (presidente da Assembleia) Zezinho (Albuquerque)”, argumentou.

Apoio

Araújo disse que em conversa recente com o presidente do PT, De Assis Diniz, ouviu do petista que “o acordo já está fechado”. Afirmou ainda que o deputado federal José Guimarães (PT) confirmou que a sigla apoiará a candidatura de Eunício ao Senado. “É visível a aproximação política dos dois. Será difícil para o governador recuar, porque ele tem ido a palanques dizer que o Eunício é um excelente parceiro e está enviando diversos recursos para o Estado”, afirmou.

O parlamentar considera também que as críticas feitas pela base não passam de resultados de interesses contrariados, como, inclusive, estaria ocorrendo dentro do próprio MDB. “Alguns membros do MDB achavam que tinham valor numa disputa, mas com essa composição, viram que não existe essa valorização. O Camilo e o Eunício estão muito próximos e eu seguirei as orientações do partido”, disse.

09:45 · 02.12.2017 / atualizado às 09:45 · 02.12.2017 por

Por Edison Silva

O governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (PMDB) dividiram palanque, ontem, para a autorização do início das obras do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe. Hoje, estarão novamente juntos no Cariri Foto: Honório Barbosa

Antes de realmente ser uma ação administrativa, o evento de ontem no Município de Limoeiro do Norte, no fundo, constituiu-se no primeiro comício, fora de época, da campanha de candidatos a cargos majoritários no Ceará. O Estado, realmente, precisa de mais equipamentos e melhor estrutura de Saúde para minimizar o sofrimento de sua população, notadamente a mais carente, mas, mesmo com a garantia da contratação de empréstimos para construções de hospitais, não tem o erário a garantia de recursos próprios para aumentar o custeio fixo da máquina.

O Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, nos moldes do projetado, custará anualmente, na plenitude do seu funcionamento, não se sabe quando, ao menos R$ 150 milhões a preço de hoje, valores superiores à sua edificação, estimada em aproximadamente R$ 120 milhões.

O Estado ainda não foi capaz de ofertar os serviços programados para o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, inaugurado em 2014, no fim da gestão do ex-governador Cid Gomes, portanto há exatos três anos. Hoje, o Hospital de Quixeramobim está atendendo apenas com 33% da sua capacidade, custando mensalmente próximo de R$ 3 milhões. Falta dinheiro para mantê-lo como projetado.

Custeio

Hoje, segundo dados oficiais, ao contrário da década passada, dois terços de todos os recursos para a Saúde saem do erário estadual, ficando a União com apenas um terço. Houve uma inversão nas competências desses gastos. O próprio Estado, nos últimos três anos, reduziu um pouco o seu percentual no custeio da Saúde, caindo de 16% da sua Receita Corrente para 13% atualmente, equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo dados colhidos pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Felipe, aliado do governador.

Os três maiores hospitais geridos pelo Executivo estadual, através do ISGH (Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar), Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Regional do Norte, em Sobral, e o Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, têm despesas de manutenção anual perto dos R$ 700 milhões.

O ISGH também gerencia outros equipamentos do Estado, inclusive as Unidades de Pronto Atendimento, também absorvedores de volumes expressivos de recursos. Sem quadros técnicos próprios, notadamente os do Interior, são substanciais as despesas com pagamentos de serviços médicos através de Cooperativas, motivando até o questionamento, hoje, se vale apena, realmente, ter pessoal terceirizado ganhando muito além dos salários reais do Estado.

A Região do Jaguaribe carece desse empreendimento, como as demais regiões reclamavam os hospitais já construídos, mesmo que talvez só nas proximidades da campanha de 2022 o Hospital de Limoeiro esteja gerando os frutos daquilo que ontem prometeram à população, enquanto a Região Metropolitana de Fortaleza continua aguardando o Hospital Regional que seria construído, no sistema de Parceria Público Privada, no Município de Maracanaú, para desafogar a rede pública da Capital, inclusive na especialidade da traumatologia.

Amaciamento

A ordem de serviço dada, ontem, para o Consórcio Marquise/Normatel iniciar a construção do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe marca o início da série de eventos políticos envolvendo o governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira (hoje estarão novamente juntos no Cariri), até recentemente adversários, posto estarem rompidos desde 2014, quando disputaram o mesmo cargo de governador do Ceará.

Estão fazendo a chamada “construção” da aliança política, o trabalho de amaciamento do eleitorado para aceitar a aliança, já acertada entre os dois, abençoada pelos primeiros apoiadores de Camilo, que reclamam a tal “construção”, para evitarem maior volume de reações adversas quando tiverem a necessidade de a tornarem pública oficialmente.

Camilo nada precisa dizer quanto à inclusão de Eunício Oliveira em sua chapa majoritária. Se não bastassem as informações circulantes sobre os encontros de ambos em Brasília, com o prefeito Roberto Cláudio ao lado, os dois últimos eventos públicos oficiais com a participação de ambos calam petistas e pedetistas ainda sonhadores de um lugar de candidato ao Senado no esquema governista. O ex-governador Cid Gomes não só tem a outra vaga de candidato ao Senado, como já declarou ser o governador Camilo Santana o condutor das alianças para a sua disputa por um segundo mandato.

O périplo dos dois pelo Interior cearense, sob o argumento de estarem trabalhando juntos para melhorarem a condição de vida dos coestaduanos, reduz o espaço de atuação dos oposicionistas, incapazes, até o momento, de organizarem uma frente para melhores condições adquirirem no momento de enfrentar a chapa governista.

A oposição só contava com Eunício Oliveira, lamentavelmente. Agora está órfã, embora isso não signifique dizer que está incapacitada de reunir forças para reagir, aproveitando-se do desejo de expressivo segmento do eleitorado sempre disposto a votar contra os governantes de plantão. Com o governador em plena campanha, a oposição está deveras atrasada, chegando no início do ano da eleição sem acordo quanto aos seus nomes para enfrentar os governistas já em plena campanha.

09:13 · 22.11.2017 / atualizado às 09:13 · 22.11.2017 por

Por Letícia Lima

A aproximação entre o governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (PMDB), até então adversários políticos, com vistas às eleições de 2018, segue repercutindo não só nos bastidores da Assembleia Legislativa, como também no Plenário 13 de Maio. Ontem, governistas defenderam ter sido “institucional” e em prol do Ceará a participação de Eunício no lançamento do programa “Juntos por Fortaleza”, realizado no Palácio da Abolição, na última sexta-feira (17). Já oposicionistas criticaram o movimento político do peemedebista, que até pouco tempo era contrário à gestão.

Ao relembrar o início da década de 1960, quando Virgílio Távora foi eleito governador em uma coligação que reuniu forças políticas antagônicas, o deputado Fernando Hugo (PP) concluiu, na tribuna, que a mesma “parceria jubilosa” tem sido vista entre Camilo e Eunício.

“Talvez o Zé Pitoco e a Chica do Babau estejam vibrando quando escutaram a grande quantidade de verbas concedidas, graças a ações de porte estadista do governador Camilo Santana e do senador Eunício Oliveira, de superarem as desavenças, as intrigas, ranços, rancores que ocorrem durante os períodos eleitorais”, sustentou.

‘Pilares’

Para Odilon Aguiar (PMB), o peemedebista comete um erro ao dar sinais de que pode se unir ao Governo. “Está confundindo o eleitor que hoje tem esperança de um novo projeto para o Estado e, dentro da política, o senador Eunício se insere ao lado dos Ferreira Gomes”, disse, acrescentando que a oposição tem, hoje, três “pilares” para apresentar “solução”: Eunício Oliveira, Capitão Wagner (PR) e o senador Tasso Jereissati (PSDB).

Já Manoel Santana (PT), que classificou o evento no Palácio da Abolição como “administrativo”, defendeu uma futura união entre as duas lideranças a favor de um projeto no Estado. “Não se faz política com ressentimento”. O oposicionista Danniel Oliveira (PMDB), por sua vez, mudou o tom de discursos na Assembleia. “O senador é o que tem hoje as melhores condições de trazer benefícios para o Estado”.