Busca

Tag: Eunício Oliveira


11:20 · 13.01.2018 / atualizado às 11:20 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Aproximação entre Eunício e Camilo começou a tomar forma publicamente no ano passado, quando os dois passaram a dividir palanques Foto: Helene Santos

Apesar de já estar praticamente fora da bancada de oposição, o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (MDB), ainda não fechou questão quanto a uma possível aliança com o governador Camilo Santana (PT), o que torna seu futuro político incerto. As movimentações para um eventual acordo eleitoral entre o petista e o emedebista passam por discussões sobre cargos na Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Prefeitura de Fortaleza e até pela sucessão do chefe do Poder Executivo, em 2022, caso Camilo venha a ser reeleito.

Como os pontos referentes às funções no tabuleiro político cearense ainda não foram tratados entre as duas partes, não há qualquer definição sobre um acordo eleitoral para este ano, ainda que alguns liderados apontem que a aliança é dada como certa. Eunício Oliveira aparenta não estar preocupado quanto ao seu lugar na disputa de 2018, visto acreditar que pode figurar tanto em um lado como no outro do tabuleiro político do Estado.

No entanto, em reunião realizada por lideranças de partidos de oposição na última segunda-feira (8), os integrantes da bancada sequer falaram sobre a possibilidade de o senador vir a ter algum espaço em chapa formada nos próximos meses. Já na base governista, apesar dos reclames de alguns membros, a maioria das lideranças acredita que o apoio de Eunício pode ajudar o Governo na disputa eleitoral.

Carta branca

No processo para costurar uma nova aliança entre PT e MDB no Ceará, o governador Camilo Santana recebeu carta branca dos líderes locais para atuar como principal ator no diálogo entre as partes. No entanto, nenhuma questão foi fechada quanto à aliança, visto que algumas indefinições ainda impedem o prosseguimento do acordo.

Há questionamentos, por exemplo, quanto aos nomes que serão indicados como suplentes dos candidatos que vão disputar as duas vagas ao Senado, assim como as postulações a vice-governador e presidente da Assembleia, que será escolhido após o pleito eleitoral; além dos futuros candidatos a prefeito.

Até a sucessão ao Governo do Estado, em 2022, já está sendo pensada pelas partes. Deverá entrar em discussão, por exemplo, quem substituiria o governador Camilo Santana após uma eventual reeleição do atual chefe do Poder Executivo cearense.

O senador Eunício Oliveira, conforme informações, não quer esperar até o limite do prazo do calendário eleitoral para definir como ficarão acertadas as posições na disputa do pleito deste ano. No entanto, ele acredita que está em uma posição confortável, podendo disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Ceará na oposição ou na base governista. Integrantes do grupo governista e da bancada de oposição, contudo, discordam deste ponto de vista.

Demora

O líder emedebista também não quer aguardar uma reorganização da bancada oposicionista no Estado, que até o momento ainda não definiu que posições serão tomadas quanto à participação na disputa. Na disputa ao Governo do Estado, em 2014, Eunício Oliveira contava com o apoio oficial de 14 prefeitos no Ceará. Agora, ele pode ter até 70 gestores municipais alinhados com sua candidatura; alguns, inclusive, da base governista de Camilo Santana.

Na Assembleia Legislativa, todos os cinco parlamentares membros da sigla emedebista deixaram de fazer ataques à gestão de Camilo Santana, uns por conta de acordo direto com a gestão, ainda no fim de 2016, e outros, mais recentemente, por conta da aproximação entre o senador e o governador. Uma aliança já é dada como certa por opositores e governistas.

11:11 · 13.01.2018 / atualizado às 11:11 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Ainda sem definição de acordo com a base governista, o presidente do MDB no Ceará, senador Eunício Oliveira, tem dito a correligionários que não há preocupação quanto às eleições deste ano, visto que, em sua avaliação, o partido não ficará menor. Apesar de algumas intrigas entre seus membros, Eunício tem argumentado que a sigla está mais unida no Estado.

No processo de aproximação com o governador Camilo Santana, seu adversário no pleito de 2014, o senador também se reaproximou de antigos aliados, como o deputado federal Aníbal Gomes (MDB), que já teria garantido apoio nas eleições deste ano. Junto com ele, os deputados federais Cabo Sabino (PR), Genecias Noronha (SD), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Domingos Neto (PSD) e até o petista José Airton Cirilo tendem a apoiar uma candidatura do senador à reeleição.

Outras lideranças locais que até pouco tempo também estavam afastadas de Eunício, nos últimos meses, sinalizaram uma reaproximação, como os emedebistas Agenor Neto e Audic Mota, ambos integrantes da Assembleia. O senador tem afirmado a correligionários que sua intenção é disputar novamente o cargo de senador e, com isso, permanecer à frente dos trabalhos do Senado da República por mais dois mandatos.

Congresso

Enquanto sua situação não é definida no Ceará, o senador, na presidência do Congresso Nacional, deve priorizar pautas voltadas à Segurança Pública, limite de gastos do Governo e investimentos no País. Também deve pautar o veto do presidente Michel Temer ao Refis para pequenos produtores rurais, além da legalização dos jogos de azar e, ainda, a regulamentação do lobby.

09:16 · 29.12.2017 / atualizado às 09:16 · 29.12.2017 por

Por Miguel Martins

Emedebistas afirmam que, após aproximações entre Camilo e Eunício em eventos do Governo do Estado, será difícil ao governador “recuar” Foto: Helene Santos

Enquanto o governador Camilo Santana (PT) não confirma aliança oficial com o MDB no Ceará, especulações de todos os tipos são feitas por aliados e opositores. Apesar da aproximação administrativa e política entre o chefe do Poder Executivo do Estado e o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB), dirigentes partidários de siglas que dão sustentação ao Governo dizem ser difícil convencer a militância sobre uma eventual composição entre PT, PDT e a sigla emedebista.

Presidente do maior partido de sustentação da gestão Camilo Santana, o deputado federal André Figueiredo (PDT) defende que a composição local deve refletir o posicionamento da legenda em âmbito nacional. Segundo ele, os partidos que sempre fizeram parte do campo político dos aliados da sigla pedetista são bem-vindos em uma coligação. Outros, como o MDB, não.

André Figueiredo é categórico ao afirmar que o PDT faz oposição ao Governo de Michel Temer, principal líder nacional do MDB. “O PDT terá muitas dificuldades em fazer qualquer composição com o MDB e é pouco provável que essa composição se consolide. Teremos que ter cautela, e creio que nossos aliados históricos serão, de certa forma, priorizados”.

O posicionamento do dirigente, porém, não é compartilhado pela maioria dos parlamentares pedetistas no Ceará. Alguns disseram ao Diário do Nordeste que respeitam as falas de Figueiredo, mas visualizam nova composição se formando no Estado com a participação do MDB.

Emedebistas também divergem sobre a ida para o bloco governista. Aqueles que já estavam no Governo se sentem desrespeitados pela eventual aliança, e os que até pouco tempo faziam oposição à administração atual sinalizam que podem estar alinhados à gestão.

Silvana Oliveira, Audic Mota e Agenor Neto queriam participar mais ativamente das discussões do partido sobre 2018. Já Leonardo Araújo e Danniel Oliveira não veem problemas na aproximação e eventual aliança entre Camilo e Eunício.

Petistas

O governador Camilo também poderá enfrentar dificuldades entre os filiados do PT, visto que a presença do presidente do Senado em coligação com a sigla petista não agrada a muitos deles. Segundo o presidente da legenda no Ceará, Francisco De Assis Diniz, a base governista enfrentará alguns percalços, uma vez que o arco tradicional de aliança do partido ficou maior.

“Vamos ter que conviver com essa realidade. O empenho e engajamento, a que chamamos de tática estratégica, terão que ser muito bem trabalhados para uma composição com vistas à reeleição de Camilo e eleição do Lula”, defende. Há ainda no PT quem defenda que o partido mantenha a vaga no Senado, que pertence a José Pimentel.

Há também aqueles partidos que reclamam espaço dentro do Governo, como é o caso do Partido Progressista (PP). Segundo o presidente, Antônio José, a legenda não foi chamada para qualquer discussão sobre cargos ou disputa eleitoral em 2018.

A reportagem tentou ouvir o governador Camilo Santana sobre as insatisfações das direções partidárias de sua base, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Governo, ele não irá tratar de assuntos relacionados às eleições neste momento. Em entrevista ao jornalista Edison Silva, publicada no Diário do Nordeste no último fim de semana, o governador afirmou que ainda vai iniciar diálogo sobre o pleito eleitoral de 2018.

Questionado se a conversa com a base ocorreria antes ou após o Carnaval de 2018, Camilo desconversou e afirmou que iria respeitar o calendário eleitoral, mas admitiu que talvez em junho ou julho trataria mais fortemente sobre o assunto. “Vou começar também a conversar com os partidos, para saber quais serão os rumos que nós vamos tomar em 2018”.

Um dos principais opositores da gestão estadual em 2017 e, agora, disposto a fazer parte da base governista, o deputado Leonardo Araújo (PMDB) afirma que o presidente do PDT, André Figueiredo, está externando um posicionamento pessoal, uma vez que seria beneficiado com uma vaga no Senado caso não haja composição com o MDB.

“Havendo essa composição, ele não tem espaço, porque o PDT ficaria com uma vaga no Senado para o (ex-governador) Cid (Gomes) e a de vice-governador provavelmente para o (presidente da Assembleia) Zezinho (Albuquerque)”, argumentou.

Apoio

Araújo disse que em conversa recente com o presidente do PT, De Assis Diniz, ouviu do petista que “o acordo já está fechado”. Afirmou ainda que o deputado federal José Guimarães (PT) confirmou que a sigla apoiará a candidatura de Eunício ao Senado. “É visível a aproximação política dos dois. Será difícil para o governador recuar, porque ele tem ido a palanques dizer que o Eunício é um excelente parceiro e está enviando diversos recursos para o Estado”, afirmou.

O parlamentar considera também que as críticas feitas pela base não passam de resultados de interesses contrariados, como, inclusive, estaria ocorrendo dentro do próprio MDB. “Alguns membros do MDB achavam que tinham valor numa disputa, mas com essa composição, viram que não existe essa valorização. O Camilo e o Eunício estão muito próximos e eu seguirei as orientações do partido”, disse.

09:45 · 02.12.2017 / atualizado às 09:45 · 02.12.2017 por

Por Edison Silva

O governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (PMDB) dividiram palanque, ontem, para a autorização do início das obras do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe. Hoje, estarão novamente juntos no Cariri Foto: Honório Barbosa

Antes de realmente ser uma ação administrativa, o evento de ontem no Município de Limoeiro do Norte, no fundo, constituiu-se no primeiro comício, fora de época, da campanha de candidatos a cargos majoritários no Ceará. O Estado, realmente, precisa de mais equipamentos e melhor estrutura de Saúde para minimizar o sofrimento de sua população, notadamente a mais carente, mas, mesmo com a garantia da contratação de empréstimos para construções de hospitais, não tem o erário a garantia de recursos próprios para aumentar o custeio fixo da máquina.

O Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, nos moldes do projetado, custará anualmente, na plenitude do seu funcionamento, não se sabe quando, ao menos R$ 150 milhões a preço de hoje, valores superiores à sua edificação, estimada em aproximadamente R$ 120 milhões.

O Estado ainda não foi capaz de ofertar os serviços programados para o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, inaugurado em 2014, no fim da gestão do ex-governador Cid Gomes, portanto há exatos três anos. Hoje, o Hospital de Quixeramobim está atendendo apenas com 33% da sua capacidade, custando mensalmente próximo de R$ 3 milhões. Falta dinheiro para mantê-lo como projetado.

Custeio

Hoje, segundo dados oficiais, ao contrário da década passada, dois terços de todos os recursos para a Saúde saem do erário estadual, ficando a União com apenas um terço. Houve uma inversão nas competências desses gastos. O próprio Estado, nos últimos três anos, reduziu um pouco o seu percentual no custeio da Saúde, caindo de 16% da sua Receita Corrente para 13% atualmente, equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo dados colhidos pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Felipe, aliado do governador.

Os três maiores hospitais geridos pelo Executivo estadual, através do ISGH (Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar), Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Regional do Norte, em Sobral, e o Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, têm despesas de manutenção anual perto dos R$ 700 milhões.

O ISGH também gerencia outros equipamentos do Estado, inclusive as Unidades de Pronto Atendimento, também absorvedores de volumes expressivos de recursos. Sem quadros técnicos próprios, notadamente os do Interior, são substanciais as despesas com pagamentos de serviços médicos através de Cooperativas, motivando até o questionamento, hoje, se vale apena, realmente, ter pessoal terceirizado ganhando muito além dos salários reais do Estado.

A Região do Jaguaribe carece desse empreendimento, como as demais regiões reclamavam os hospitais já construídos, mesmo que talvez só nas proximidades da campanha de 2022 o Hospital de Limoeiro esteja gerando os frutos daquilo que ontem prometeram à população, enquanto a Região Metropolitana de Fortaleza continua aguardando o Hospital Regional que seria construído, no sistema de Parceria Público Privada, no Município de Maracanaú, para desafogar a rede pública da Capital, inclusive na especialidade da traumatologia.

Amaciamento

A ordem de serviço dada, ontem, para o Consórcio Marquise/Normatel iniciar a construção do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe marca o início da série de eventos políticos envolvendo o governador Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira (hoje estarão novamente juntos no Cariri), até recentemente adversários, posto estarem rompidos desde 2014, quando disputaram o mesmo cargo de governador do Ceará.

Estão fazendo a chamada “construção” da aliança política, o trabalho de amaciamento do eleitorado para aceitar a aliança, já acertada entre os dois, abençoada pelos primeiros apoiadores de Camilo, que reclamam a tal “construção”, para evitarem maior volume de reações adversas quando tiverem a necessidade de a tornarem pública oficialmente.

Camilo nada precisa dizer quanto à inclusão de Eunício Oliveira em sua chapa majoritária. Se não bastassem as informações circulantes sobre os encontros de ambos em Brasília, com o prefeito Roberto Cláudio ao lado, os dois últimos eventos públicos oficiais com a participação de ambos calam petistas e pedetistas ainda sonhadores de um lugar de candidato ao Senado no esquema governista. O ex-governador Cid Gomes não só tem a outra vaga de candidato ao Senado, como já declarou ser o governador Camilo Santana o condutor das alianças para a sua disputa por um segundo mandato.

O périplo dos dois pelo Interior cearense, sob o argumento de estarem trabalhando juntos para melhorarem a condição de vida dos coestaduanos, reduz o espaço de atuação dos oposicionistas, incapazes, até o momento, de organizarem uma frente para melhores condições adquirirem no momento de enfrentar a chapa governista.

A oposição só contava com Eunício Oliveira, lamentavelmente. Agora está órfã, embora isso não signifique dizer que está incapacitada de reunir forças para reagir, aproveitando-se do desejo de expressivo segmento do eleitorado sempre disposto a votar contra os governantes de plantão. Com o governador em plena campanha, a oposição está deveras atrasada, chegando no início do ano da eleição sem acordo quanto aos seus nomes para enfrentar os governistas já em plena campanha.

09:13 · 22.11.2017 / atualizado às 09:13 · 22.11.2017 por

Por Letícia Lima

A aproximação entre o governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (PMDB), até então adversários políticos, com vistas às eleições de 2018, segue repercutindo não só nos bastidores da Assembleia Legislativa, como também no Plenário 13 de Maio. Ontem, governistas defenderam ter sido “institucional” e em prol do Ceará a participação de Eunício no lançamento do programa “Juntos por Fortaleza”, realizado no Palácio da Abolição, na última sexta-feira (17). Já oposicionistas criticaram o movimento político do peemedebista, que até pouco tempo era contrário à gestão.

Ao relembrar o início da década de 1960, quando Virgílio Távora foi eleito governador em uma coligação que reuniu forças políticas antagônicas, o deputado Fernando Hugo (PP) concluiu, na tribuna, que a mesma “parceria jubilosa” tem sido vista entre Camilo e Eunício.

“Talvez o Zé Pitoco e a Chica do Babau estejam vibrando quando escutaram a grande quantidade de verbas concedidas, graças a ações de porte estadista do governador Camilo Santana e do senador Eunício Oliveira, de superarem as desavenças, as intrigas, ranços, rancores que ocorrem durante os períodos eleitorais”, sustentou.

‘Pilares’

Para Odilon Aguiar (PMB), o peemedebista comete um erro ao dar sinais de que pode se unir ao Governo. “Está confundindo o eleitor que hoje tem esperança de um novo projeto para o Estado e, dentro da política, o senador Eunício se insere ao lado dos Ferreira Gomes”, disse, acrescentando que a oposição tem, hoje, três “pilares” para apresentar “solução”: Eunício Oliveira, Capitão Wagner (PR) e o senador Tasso Jereissati (PSDB).

Já Manoel Santana (PT), que classificou o evento no Palácio da Abolição como “administrativo”, defendeu uma futura união entre as duas lideranças a favor de um projeto no Estado. “Não se faz política com ressentimento”. O oposicionista Danniel Oliveira (PMDB), por sua vez, mudou o tom de discursos na Assembleia. “O senador é o que tem hoje as melhores condições de trazer benefícios para o Estado”.

08:54 · 21.11.2017 / atualizado às 08:54 · 21.11.2017 por

Por Miguel Martins

Manoel Santana aponta que, até 2018, Camilo deve se empenhar para apaziguar a base Foto: Thiago Gadelha

O governador Camilo Santana (PT) terá que ter, segundo aliados, muita habilidade e capacidade extrema de diálogo para apaziguar questões que surgiram com a aproximação entre ele e o senador Eunício Oliveira (PMDB) para o pleito de 2018. Outro imbróglio que precisa ser equacionado pelo petista diz respeito a seu posicionamento quanto à disputa presidencial, visto que Lula, líder de seu partido, e Ciro Gomes, seu padrinho político, ainda estão colocados como pretensos candidatos.

De acordo com deputados governistas entrevistados pelo Diário do Nordeste, o chefe do Poder Executivo terá que se empenhar muito em resolver tais questões, principalmente com a base aliada mais robusta. O petista Manoel Santana, por exemplo, opina que, para equacionar a questão, o governador terá que ter muita habilidade política e administrativa para poder aglutinar interesses muitas vezes distintos e até conflitantes.

“Isso, obviamente, vai estar relacionado ao cenário nacional. O Lula sendo candidato e o Ciro mantendo seu nome, como fica? No que tange a uma composição do PMDB com a base, haverá uma equação dos conflitos entre o senador e os irmãos Ciro e Cid Gomes?”, questionou.

Para Elmano de Freitas (PT), porém, o governador não está se dedicando à resolução dessas questões agora, visto que procura se concentrar em concluir projetos da gestão. “Acho que ele está correto em concentrar seu tempo em governar. Aguardar o cenário nacional se resolver e, após isso, debater e deliberar as alianças no Estado”, destacou.

O pedetista Sérgio Aguiar argumenta que essas são duas questões problemáticas para o governador. No entanto, ele diz acreditar que é possível equacionar tanto o ponto da senatoria quanto o do apoio a candidato presidencial com compartilhamento de ações no Governo e, acima de tudo, com espírito público por parte dos integrantes da aliança, que poderiam abrir mão de suas pautas em prol de um bem maior.

Distribuição

Um dos deputados com mais mandatos no Parlamento estadual, José Sarto (PDT) aponta que, no que diz respeito às vagas ao Senado na base governista, uma deve ser indicada pelo PDT, neste caso a de Cid Gomes, e a outra pelo PMDB, de Eunício Oliveira. Ao PT caberá ter a cabeça de chapa, com Camilo Santana sendo o candidato à reeleição. Sarto destaca, porém, que ainda há a vaga de candidato a vice-governador e as primeiras suplências para o Senado. “Tem é muita vaga”, salientou.

09:56 · 18.11.2017 / atualizado às 09:56 · 18.11.2017 por

Por Edison Silva

A conversa dos três, como se até bem pouco tempo não fossem adversários, só não agradava ao senador José Pimentel, ao lado, que não terá chance de participar da chapa majoritária encabeçada por Camilo Santana Foto: Helene Santos

Representantes do PR, do PSD e do Solidariedade, com a aquiescência do tucano Luiz Pontes, decidiram, quinta-feira, no apartamento da deputada estadual Fernanda Pessoa (PR), após uma longa discussão sobre a sucessão estadual cearense e a análise das últimas pesquisas relacionadas ao quadro político do Estado, se fixarem nos nomes, pela ordem de preferência, do senador Tasso Jereissati (PSDB), Capitão Wagner (PR) e do conselheiro Domingos Filho (ainda sem partido), para deles sair o candidato a governador em 2018 e um dos postulantes ao Senado. Dos três, só Tasso não participou do encontro.

O senador tucano está chegando ao Ceará neste fim de semana, após uma rápida temporada nos Estados Unidos, cuidando de assuntos de seu interesse particular. Ele tem reafirmado não pretender disputar mandato no próximo ano (ele é senador até 2022), mas continua sendo o nome preferido das oposições para enfrentar o governador Camilo Santana (PT) disputando a reeleição. A prioridade de Tasso Jereissati, até o próximo mês, será a disputa pela presidência nacional do PSDB. As questões relacionadas ao PSDB e às oposições no Ceará ficarão para o próximo ano, embora os demais representantes das siglas adversárias do Governo tenham pressa em definir o seu candidato.

Condicionantes

O Capitão Wagner admite disputar o Governo do Estado. Faz ponderações e algumas condicionantes, dentre elas, segundo um dos participantes do jantar, oferecido pela deputada Fernanda Pessoa, estar livre na coligação que bancar sua candidatura ao Executivo estadual, para escolher o seu próprio candidato à Presidência da República, que ele não especificou quem. Pelas últimas pesquisas em poder dos oposicionistas, Wagner estaria muito bem situado, tanto para postular o Governo do Estado quanto para uma das duas vagas de senador, ficando aquém apenas do senador Tasso.

Domingos Filho, a terceira opção para o Governo e nome também apontado para o Senado, está disposto a entrar na luta por um mandato no próximo ano. Sem mais razões para questionamentos sobre a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), posto considerado estar o fato consumado,

Domingos dá os primeiros passos para ter o exercício pleno da cidadania, no caso ser votado. Ele requer nos próximos dias o restabelecimento de sua condição plena de advogado, reabilitando-se na secção cearense da Ordem dos Advogados do Brasil, para cuidar da aposentadoria e filiar-se ao PSD, o partido dominado pela sua família neste Estado.

Fim das esperanças

A ida do senador Eunício Oliveira ao Palácio da Abolição, ontem, para um evento com características eminentemente políticas, ao lado do governador Camilo Santana, do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e de outros governistas, foi o fim de toda e qualquer esperança dos oposicionistas cearenses de que ainda poderia haver uma chance do senador continuar sendo oposição a Camilo e com ele concorrer novamente ao Governo do Estado, ou ajudá-los a formar uma chapa competitiva contra os governistas. O encontro de Eunício com a cúpula palaciana foi bem mais aberto do que os já ocorridos.

09:54 · 18.11.2017 / atualizado às 09:54 · 18.11.2017 por

Por Miguel Martins

Governador Camilo Santana cumprimenta o senador Eunício Oliveira, no salão do Palácio, embora antes já tivessem conversado no Gabinete Foto: Helene Santos

O governador Camilo Santana, do PT, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), estiveram juntos pela primeira vez em evento oficial, na manhã de ontem, no Palácio da Abolição. Denominado “Juntos por Fortaleza”, o programa de desenvolvimento da Capital cearense também serviu como uma espécie de termômetro da opinião pública para com a reaproximação das duas lideranças políticas, que até pouco tempo eram antagônicas. Eunício disputou o Governo do Estado contra Camilo.

Apesar de alguns petistas, inclusive a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann, afirmarem, em Fortaleza, que não veem com bons olhos uma possível aliança entre o chefe do Poder Executivo Estadual e o parlamentar peemedebista, pelos comentários feitos por aliados de ambos os lados, ontem, a parceria dos dois para 2018 está praticamente fechada, como adiantou o Diário do Nordeste, no início de setembro deste ano.

Eunício Oliveira foi o mais aclamado durante a solenidade, tanto pelo governador quanto pelo prefeito Roberto Cláudio. Logo que chegou à sede do Poder Executivo Estadual, o senador era aguardado por Camilo, o prefeito e outras lideranças. Eles conversaram demoradamente no gabinete do governador antes de descerem para o local do evento, onde já estavam outros políticos a eles ligados.

Se juntaram a eles o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), e o senador José Pimentel (PT), último a chegar à solenidade. Eles passaram aproximadamente uma hora na solenidade, tratando da importância da programação do evento e de outros assuntos. Logo após o encerramento do evento, voltaram a se reunir no gabinete de Camilo.

Durante entrevista coletiva, Camilo Santana e Roberto Cláudio evitaram comentar sobre questões eleitorais. No entanto, não faltaram elogios de ambos os lados. Ao Diário, o prefeito disse que se comprometeu a não falar de eleição neste ano. “Não quero contaminar o que realmente interessa, que é o grande esforço e compromisso com a cidade de Fortaleza. Eleição é para o próximo ano”, enfatizou o pedetista.

Parceria

Camilo Santana também se desvencilhou das perguntas sobre política eleitoral, e disse que focaria seus pronunciamentos apenas no que dizia respeito ao evento em si. Embora todos venham mantendo um discurso de que só tratarão de eleição no próximo ano, coube a Eunício Oliveira fazer as considerações sobre uma eventual parceria partidária para o próximo ano.

A última vez que PMDB e PT estiveram juntos no mesmo palanque, no Ceará, foi em 2012, quando o partido apoiou a candidatura de Roberto Cláudio para a Prefeitura de Fortaleza e indicou o vice-prefeito, Gaudêncio Lucena, na chapa que se consagrou vitoriosa. Durante coletiva, Eunício disse que o tratamento com o governador sempre foi cordial, mesmo durante as duas disputas eleitorais de 2014 e 2016, quando estiveram em lados opostos. Na primeira, Eunício foi o principal adversário de Camilo. Na segunda, Camilo apoiou Roberto Cláudio e Eunício votou em Capitão Wagner.

“Estivemos em uma disputa política local em 2014, e eu nunca, em nenhum momento, desrespeitei a pessoa, o ser humano e o cidadão Camilo. A recíproca é verdadeira, e eu nunca fui desrespeitado”, declarou. De acordo com ele, há uma convergência de ideias em prol do Estado do Ceará. “Essa aliança não pode servir apenas para beneficiar ou reeleger A ou B”, disse.

Lula

O senador ressaltou ainda que sendo de interesse do povo cearense, a parceria, que hoje é apenas administrativa, poderá evoluir para algo mais consistente, como aliança político-partidária. Ele afirmou que não vê qualquer impedimento nisso. “A relação com o governador e com o prefeito tem sido respeitosa, assim como foi com o ex-governador Cid Gomes. Sempre foi republicana, visando o interesse do Estado do Ceará”.

Na semana passada, o senador Tasso Jereissati (PSDB), até pouco tempo um dos principais aliados de Eunício Oliveira (formou com ele a chapa majoritária de 2014 e estiveram juntos na disputa municipal de 2016), disse que a sigla tucana não estará em mesmo palanque de quem apoiará candidaturas petistas. Eunício Oliveira, porém, reiterou que votará, sim, em Luiz Inácio Lula Silva, caso o PMDB não lance candidatura para o Palácio do Planalto.

“Eu já disse que se meu partido não tiver candidato, se minha aliança não me obrigar a ter uma posição divergente, vou votar no presidente Lula”. Questionado sobre as falas do tucano contra seu posicionamento, Eunício apenas sorriu.

Recursos

Para evitar a conotação política do evento, a presença de Eunício era justificada em razão da sua contribuição para permitir que o Governo Federal liberasse recursos para algumas das obras que foram anunciadas pelo governador Camilo e o prefeito Roberto Cláudio.

Mesmo antes do evento, em várias outras oportunidades, o governador e o prefeito já haviam destacado a colaboração de Eunício para a liberação de recursos e autorizações para que o Estado e a Prefeitura da Capital tivessem condições de contratar empréstimos externos, emperrados desde ainda o Governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em seu pronunciamento, Eunício Oliveira chegou a mencionar que recursos foram encaminhados para o Município de Barbalha, cujo prefeito não é seu aliado e nem do Governo do Estado. A Prefeitura é administrada pelo tucano Argemiro Sampaio Neto, que contou com o apoio do PMDB no pleito do ano passado.

Muitas personalidades da política local estiveram prestigiando o lançamento do projeto “Juntos por Fortaleza”, como deputados federais, inclusive o presidente do PDT, André Figueiredo, deputados estaduais e vereadores. Dentre os vereadores estava o opositor tucano, Plácido Filho, que serviu de motivo de brincadeiras, em alguns momentos, por seus pares aliados do prefeito Roberto Cláudio.

Dos peemedebistas da Assembleia estavam Audic Mota e Leonardo Araújo, este, até pouco tempo o mais crítico da gestão Camilo Santana. Danniel Oliveira, sobrinho de Eunício, não compareceu. Ele foi um dos primeiros a arrefecer seu modo de fazer oposição ao Governo. Walter Cavalcante, apesar de estar no PP, disse a seus colegas que era “peemedebista de corpo e alma”.

08:58 · 01.11.2017 / atualizado às 08:58 · 01.11.2017 por

Por Miguel Martins

Zezinho Albuquerque diz que apoio será “bem-vindo”, mas só deve ser fechado em 2018 Foto: Fabiane de Paula

O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), em entrevista, ontem, afirmou que o senador Eunício Oliveira (PMDB) vem ajudando o Ceará e que um possível apoio do peemedebista à reeleição do governador Camilo Santana (PT) seria bem-vindo. Parlamentares da base governista já sinalizam simpatia a um acordo no Ceará, o que ainda é rechaçado por alguns opositores.

Albuquerque disse que todos os partidos estão em conversação, inclusive aqueles que fazem oposição ao Governo Camilo Santana. Segundo ele, porém, o fechamento de questão em torno de alianças ficará apenas para 2018. “Temos um projeto e quem quiser se somar será muito importante para nós”, disse.

O deputado destacou, por exemplo, o empenho que Eunício Oliveira vem tendo na liberação de empréstimos e recursos para o Ceará. “O Eunício está ajudando muito o Ceará, e nós já fizemos aliança no passado com ele. Eu mesmo votei no Eunício para senador”, lembrou.

Há algumas semanas, tanto oposição quanto base aliada demonstravam receio quanto a possibilidade de aliança entre Camilo Santana e Eunício Oliveira. No entanto, com os últimos movimentos do senador, pelo menos a base já sinaliza estar menos preocupada com a questão.

De acordo com Carlos Felipe (PCdoB), não há qualquer restrição pessoal ao partido do senador, até porque ele tem exercido seu trabalho de forma coerente. O problema, no entanto, é o posicionamento de Eunício quanto às reformas apresentadas pelo presidente Michel Temer. “A dificuldade é que a gente faz todo um debate contra o golpe e, de repente, volta a esse ponto”.

Manoel Santana (PT) afirmou que o partido tem discutido a possibilidade na informalidade e ressaltou que Eunício já disse que votaria em Lula para presidente. “Acho que essa é uma construção em nível nacional que pode se repetir muito bem no Ceará. No PT, algumas pessoas podem ser contra e outras a favor, mas a gente tem que dizer que o PT, no Senado, aprovou o Eunício como presidente”.

Anúncio

A peemedebista Silvana Oliveira reclamou que, quando se aliou a Camilo Santana, foi criticada pela legenda, mas destacou que, para que a eventual aliança não seja prejudicada, é importante o governador e o senador irem a público expor o alinhamento. “Eu entendo que eles fazem parte de um projeto para o Ceará, mas esse clima de incertezas pode prejudicar tudo”, disse.

Capitão Wagner (PR) afirmou que a única certeza que tem é de que não ficará no mesmo palanque que as lideranças da base governista Ciro e Cid Gomes. “Se alguém do meu partido se aliar, eu saio do partido. Se não tiver nenhum candidato, eu voto no candidato do PSOL”.

09:24 · 05.09.2017 / atualizado às 09:24 · 05.09.2017 por

Por Miguel Martins

A possibilidade de aproximação entre o governador Camilo Santana e o senador da República Eunício Oliveira é vista com cautela por seus liderados. Enquanto alguns acreditam que tal alinhamento será benéfico para o Estado do Ceará, outros argumentam que o eleitorado não vai acatar que antagonistas até pouco tempo estejam lado a lado no pleito do próximo ano.

Como o Diário do Nordeste abordou no domingo passado, nos bastidores da política cearense, ainda que com um pouco de descrença por alguns, há insistentes comentários sobre possível alinhamento entre o governador Camilo Santana e o grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, ambos do PDT, e o PMDB do presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira.

Para o deputado Julinho (PDT), que faz parte da base de sustentação do Governo Camilo, “se realmente estiver havendo essa aproximação, acho que é natural, porque o governador e o Governo estão bem avaliados pela população”, disse. A petista Rachel Marques, por sua vez, disse que o foco do partido é criar uma aliança em torno da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reeleição de Camilo Santana. “O que vier nesse sentido pode ser discutido, mas aceitável”, afirmou.

Silvana Oliveira (PMDB), que tem sido uma das principais defensoras da gestão Camilo Santana na Assembleia, disse que, pelo que tem acompanhado, há uma possibilidade forte de isso acontecer. “No meu entender, essa aproximação favorece muito o Ceará”.

Para o deputado Roberto Mesquita (PSD), confirmando-se tal alinhamento, visando melhorias para o Estado do Ceará, ele vê com bons olhos. No entanto, sendo apenas para conveniências de ambos com o objetivo de salvar seus mandatos, ele se posiciona contrário. “Se cada um, com a força que tem, lutar para que o Ceará seja menos desigual, com mais Saúde e Saneamento Básico, estou ao lado dessa parceria. Se for só casamento de aparência, vejo com tristeza”, disse.

Alguns deputados chegaram a dizer que o acordo entre as duas lideranças já está fechado, faltando apenas um diálogo com suas bases. “Tem que ser explicado tudo aquilo que foi falado um ao outro ao longo desses anos. Não se pode de uma hora para a outra dizer que são amigos desde criancinha, porque se testemunhou agressões de um contra a outro”, diz Roberto Mesquita.