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Tag: Governo do Estado


09:25 · 16.08.2018 / atualizado às 09:25 · 16.08.2018 por

Por Miguel Martins

A maioria dos candidatos ao Governo do Estado escolheu o Centro de Fortaleza para iniciar a campanha eleitoral. Pelo menos quatro dos seis postulantes estarão no bairro, hoje, para atos e caminhadas durante todo o dia. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e alguns municípios do Interior também serão visitados por eles durante o fim de semana.

O governador Camilo Santana (PT), que tenta reeleição, faz visita, na manhã de hoje, ao Mercado Central, no Centro. Ao meio-dia, ele participa de caminhada no “Beco do Cotovelo”, em Sobral, e, no início da tarde, tem atividade do mandato no Hospital de Quixeramobim. Já à noite, Camilo visita a estátua de Santo Antônio em Barbalha e, no Crato, participa de atividades no entorno da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Amanhã, o governador faz campanha no Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e às 19h tem comício em Caucaia. Na manhã de sábado, ele realiza carreata em Horizonte. Ontem, em visita ao Diário do Nordeste, Camilo disse que, nos primeiros dias de campanha, deve realizar atividades com a vice-governadora Izolda Cela (PDT), o candidato ao Senado Cid Gomes (PDT) e apoiadores.

O candidato do PSDB, General Theophilo, começa a campanha na tarde de hoje, também no Centro. A caravana sairá da Praça José de Alencar até a Praça do Ferreira. Estão confirmadas as presenças dos candidatos ao Senado Eduardo Girão (PROS) e Dra. Mayra (PSDB), assim como de candidatos a deputado, além do senador Tasso Jereissati.

Já amanhã, Theophilo participa de caminhada em Crateús, no período da manhã, e de reunião com lideranças do Município de Independência, à tarde. À noite, ele faz campanha em Tauá. Para sábado e domingo, o General tem programação – até ontem ainda em definição – na Região Metropolitana de Fortaleza.

O candidato do PSOL, Ailton Lopes, também inicia a campanha no Centro de Fortaleza, onde realiza hoje, a partir das 7h, um café da manhã no Mercado São Sebastião. Em seguida, ele faz caminhada pelas ruas do bairro, com concentração na Praça Coração de Jesus. À tarde, Ailton realiza bandeiraço no cruzamento das avenidas 13 de Maio e da Universidade e, à noite, faz caminhada com correligionários, partindo da Praça da Gentilândia, ambas as ações no Benfica.

Amanhã, o postulante participa, em Morada Nova, do lançamento de candidaturas a deputado estadual e federal e, à noite, vai a Senador Pompeu, onde tem agenda no Instituto Trilhas de Arte, Cultura e Cidadania. No sábado, Ailton tem agenda em Tauá e Fortaleza. Já no domingo, ele realiza bandeiraço na Praia do Futuro.

Definições

Francisco Gonzaga, do PSTU, realiza, hoje, ato de lançamento das candidaturas do partido, com tribuna livre, na Praça José de Alencar, também no Centro de Fortaleza, a partir das 16h. Amanhã, ele visita operários em canteiro de obras na cidade.

O candidato do PSL, Hélio Gois, deve se reunir, hoje, com assessores da campanha, em atividade fechada. À tarde, ele tem encontro com lideranças evangélicas. O postulante disse ao Diário que amanhã participa de atividades de rua, mas a assessoria não confirmou a agenda.

Candidato do PCO, Mikaelton Cantarino participa de reunião com TV local para debater participação em sabatina. Amanhã, ele realiza reunião com apoiadores em Pentecoste. No fim de semana, estará em São Paulo, em reunião do PCO com os candidatos a governador.

09:14 · 13.08.2018 / atualizado às 09:14 · 13.08.2018 por

Por Miguel Martins

Ailton Lopes (PSOL), Camilo Santana (PT), Francisco Gonzaga (PSTU), General Theophilo (PSDB), Hélio Gois (PSL) e Mikaelton Carantino (PCO) Fotos: Arquivo DN/APEOC

Os seis candidatos ao Governo do Estado correm contra o tempo com o objetivo de preparar suas agendas para a campanha eleitoral deste ano, que começa oficialmente nesta quinta-feira (16). Enquanto alguns já estão concluindo as instalações dos comitês centrais, outros se articulam na construção de atividades em busca de visitar o máximo de municípios cearenses durante os 45 dias de disputa.

O Ceará tem seis nomes homologados por seus partidos para disputar o Governo do Estado em 2018: o atual governador, Camilo Santana (PT), que tenta reeleição; o general Guilherme Theophilo (PSDB), o bancário Ailton Lopes (PSOL), o advogado Hélio Gois (PSL), o operário Francisco Gonzaga (PSTU) e o professor Mikaelton Carantino (PCO). Este último, embora a legenda não tenha diretório ou comissão provisória com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi oficializado em convenção partidária. Apesar de a maioria ainda não ter fechado agenda para os próximos dias, já a partir do dia 16 eles devem iniciar atividades de campanha.

Coordenador da campanha de Camilo Santana, o chefe da Casa Civil, Nelson Martins, afirmou que ainda não há definição sobre as primeiras incursões do candidato petista já na quinta-feira, mas o objetivo do governador é comparecer ao máximo de municípios possíveis. Segundo ele, além de Camilo, a vice-governadora Izolda Cela e os candidatos ao Senado Cid Gomes (PDT) e Eunício Oliveira (MDB) participarão de atividades em comum para demonstrar entrosamento entre as chapas governistas.

“Temos as agendas dos deputados federais e estaduais e vamos contar com um apoio forte da nossa militância. Estamos programando, durante o início da campanha, alguns encontros com setores sociais organizados, como já fizemos previamente na pré-campanha”, detalhou. Reuniões do governador com prefeitos, vereadores e lideranças sociais e sindicais também serão marcadas nos próximos dias.

Debates

Boa parte da agenda de Camilo Santana será preenchida com participação em debates políticos, bem como com a gravação de programas para TV e inserções, uma vez que ele terá mais de seis minutos diários no horário eleitoral. O governador, porém, continuará exercendo suas funções de chefe do Poder Executivo e sua campanha acontecerá em horários fora do expediente, como logo cedo da manhã, ao meio-dia, no período da noite e nos fins de semana.

A executiva nacional do PT, segundo o coordenador da campanha, ainda não definiu como será feita a distribuição dos recursos para a campanha, mas a legenda no Ceará, segundo Martins, espera que “sejam destinados recursos significativos para os candidatos a governador”.

Também devem participar da equipe de coordenação da campanha de Camilo Santana, além de Cid e Nelson, o prefeito Roberto Cláudio e o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, do PDT. O comitê central do petista, localizado na Avenida Sebastião de Abreu, no Cocó, deve ser inaugurado na próxima semana.

O candidato do PSDB, general Guilherme Theophilo, terá como coordenador logístico da campanha o coronel Vilemar Ferreira Júnior. O ex-governador Lúcio Alcântara estará na coordenação política. De acordo com eles, o comitê de campanha do tucano será instalado em uma antiga fábrica de refrigerantes no cruzamento da Avenida Heráclito Graça com a Rua João Cordeiro, no Centro. Na sexta-feira, o postulante se encontrou com lideranças do partido no Município de Beberibe e, no sábado, participou de caminhada na feira pública de Cascavel.

O tucano ainda está concluindo o plano de governo, que deve ser apresentado após a instalação do comitê. Nos primeiros dias de campanha, ele pretende intensificar presença na Região Metropolitana de Fortaleza e no Interior do Estado com o senador Tasso Jereissati (PSDB) e o deputado Capitão Wagner (PROS). O PSDB nacional também não definiu quanto repassará de recursos para a candidatura. O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) deve definir agendas nos estados a partir desta semana, incluindo o Ceará.

O candidato do PSOL, Ailton Lopes, informou que a agenda da primeira semana de campanha deve ser concluída hoje, a partir das 14 horas, quando o partido também apresentará seu programa de governo. O comitê de campanha funcionará na sede da sigla, na Avenida do Imperador, no Centro.

Recursos

A coordenação política da candidatura ficará a cargo do ex-vereador João Alfredo (PSOL). Ailton Lopes afirmou ainda que, do fundo para financiamento das eleições, o PSOL deve receber apenas R$ 100 mil. “A gente vai visitar todo lugar onde exista resistência, luta e apoio às nossas pautas”, disse o candidato.

A inauguração do comitê do candidato do PSL, Hélio Gois, está marcada para o dia 16. O equipamento será instalado na Avenida Washington Soares, de acordo com a assessoria do candidato. Na ocasião, ele pretende fazer reunião com empresários e, no dia seguinte, deve gravar vídeos para a campanha.

Já Francisco Gonzaga, do PSTU, utilizará a sede do partido, na Rua Juvenal Galeno, no Benfica, como comitê. A partir do dia 16, o candidato inicia uma série de atividades no Estado, a começar pela Praça da Estação, no Centro de Fortaleza. No dia 18, Gonzaga está agendando atividade em Iguatu. De acordo com a assessoria, a legenda deve receber R$ 26 mil do fundo eleitoral para a campanha.

09:21 · 02.08.2018 / atualizado às 09:21 · 02.08.2018 por

Por Miguel Martins

Foi consenso no encontro pedetista a indicação do nome de Izolda Cela para estar na mesma chapa que foi criada para a eleição estadual de 2014 Foto: Helene Santos

Representantes do PDT e PP, isoladamente, decidiram, na noite de terça-feira, não aceitar coligação com o MDB, tanto na disputa majoritária quanto na proporcional, assim como com o PSD e SD (Solidariedade). O PDT também acertou que manterá a vice-governadora Izolda Cela na chapa do governador Camilo Santana. As coligações proporcionais dos partidos governistas só serão definidas no sábado, véspera do dia da convenção.

O ex-governador Cid Gomes, o único candidato a senador na chapa de Camilo, será o responsável pela coordenação das coligações proporcionais, adiada para o sábado em razão de compromissos dele com a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, ontem e hoje, no Rio de Janeiro.

Foi o deputado estadual Osmar Baquit o primeiro a falar no encontro da terça-feira, para exprimir o sentimento dos demais candidatos do PDT aos legislativos, estadual e federal, contrário à coligação com o MDB, o PSD e o SD, alegando os constrangimentos que integrantes desses três partidos impuseram aos governistas.

Outra questão levantada no encontro do PDT foi quanto à posição do PT, querendo ficar parcialmente fora da coligação proporcional. Os pedetistas querem que os petistas estejam na aliança tanto de deputado federal quanto de estadual. No encontro do PP, porém, esse assunto não foi tratado. O fechamento de questão dos filiados ao partido foi só em relação a não aceitação de aliança com o MDB na majoritária e proporcional e, nesta, com o PSD e SD.

O nome da vice-governadora, apontada por Cid Gomes, foi consenso nos dois partidos. Ele justificou a importância de manter a chapa que foi eleita em 2014 para o Governo do Estado, embora na sua reeleição ele tenha mudado o vice que, no seu primeiro mandato, foi o petista Francisco Pinheiro, e, no segundo, foi Domingos Filho, à época ainda filiado ao PMDB.

Senado

A convenção do PDT será no próximo domingo, último dia para a homologação de candidaturas e de coligações partidárias. Com ele, também farão convenção o PT e outras agremiações que estão no grupo de apoio à reeleição do governador.

Ainda na reunião do PDT, uma ala jovem da legenda chegou a defender que o partido reclamasse para si as duas vagas ao Senado. André Figueiredo e Cid Gomes ponderaram no sentido de estar de bom tamanho a participação do partido na chapa majoritária, com as vagas de vice e de senador, levando-se em consideração o tamanho da aliança governista.

“Como o MDB não deve se coligar formalmente com o PDT, se algum partido se coligar com o MDB, isso exclui a possibilidade de coligação com PDT e PT. Esse é o maior impeditivo e preocupação de alguns deputados, porque a equação é complexa”, ressaltou o deputado José Sarto (PDT). Segundo ele, o desafio dos integrantes dos 24 partidos aliados é montar um quebra-cabeça que mantenha tempo de TV para as candidaturas, preservando o interesse de todos os partidos.

O presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, afirmou que o resultado de todos os cálculos feitos só será concluído às vésperas da convenção de domingo próximo. O parlamentar ressaltou ainda que há dificuldades em se encontrar um denominador comum que atenda aos interesses de todos os partidos.

“É muito complicado, porque um puxa para um lado e vem outro e puxa para outro lado. Até a meia-noite de sábado é que vamos definir isso, nos últimos minutos. Enquanto tivermos tempo, cada partido vai querer participar em uma coligação que seja a melhor para ele”.

Dirigente do MDB em Fortaleza, o deputado Walter Cavalcante disse que todos estão aguardando as definições das convenções, e afirmou que a apreensão é natural, pois todos não querem prejuízos para suas demandas. “A renovação vai ser grande e isso tem preocupado os deputados. Isso deixa todos em uma expectativa muito grande. Nos colégios eleitorais os deputados tentam segurar a preferência, mas isso depende de muito diálogo com a população”.

09:14 · 31.07.2018 / atualizado às 09:14 · 31.07.2018 por
Por quase 40 minutos, Camilo Santana (PT) falou, na noite de ontem, sobre “estratégias para o desenvolvimento do Ceará” Foto: Kleber A. Gonçalves

Após encontros recentes com prefeitos e parlamentares para colocar-se, oficialmente, como pré-candidato à reeleição, o governador Camilo Santana (PT) reuniu ontem à noite, no Marina Park Hotel, em Fortaleza, uma plateia de apoiadores em um jantar-palestra para arrecadar recursos para a campanha e, também, destacar políticas implementadas no atual mandato e reconhecer desafios a serem enfrentados caso seja reeleito. Se a palestra, porém, não teve tom explícito de campanha, em entrevista ele também limitou-se a dizer que as definições pendentes no numeroso arco de aliança governista, em relação à vaga de candidato a vice-governador e à composição das chapas proporcionais, só devem ser fechadas “no dia da convenção”.

Durante quase 40 minutos, o governador falou a um público diversificado – de representantes da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) a lideranças comunitárias, como ele mesmo mencionou – sobre “estratégias para o desenvolvimento do Ceará” a partir de seis eixos: capital humano, aumento de produtividade, ambiente de negócios, uso da posição geográfica do Ceará, infraestrutura e segurança, ao ressaltar ações repressivas e preventivas à violência. Para Camilo, aliás, este deve ser o tema da eleição. Ele, sustentou, contudo, que a problemática precisa ser discutida com responsabilidade, e não com “oportunismo”.

Nas primeiras fileiras da plateia, prefeitos, deputados estaduais e federais, dirigentes partidários, secretários de governo, familiares e outros apoiadores preenchiam todas as cadeiras. Alguns, como os deputados Osmar Baquit (PDT) e Jeová Mota (PDT), sem assentos, acomodaram-se no chão mesmo, para não perderem a oportunidade de assistirem ao governador na primeira fileira.

Dali, o ex-governador Cid Gomes (PDT) e o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (MDB), também aplaudiam o aliado em comum, mas separados pelo corredor formado entre as duas linhas de cadeiras – Eunício em uma ponta, ao lado do presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, e do prefeito Roberto Cláudio, ambos do PDT, e Cid na outra, próximo da vice-governadora Izolda Cela e da primeira-dama Onélia Santana.

Em entrevista ao chegar ao evento, ao ser questionado sobre quem deve ocupar a vaga de vice na chapa governista, Camilo limitou-se a dizer, entre uma “selfie” e outra com apoiadores, que “no dia da convenção sairá o resultado”. Com poucas palavras, ele também desconversou sobre os diálogos entre os 24 partidos da base governista para a composição das coligações proporcionais. “Está tudo sendo discutido de forma democrática com os partidos para fechar aí até a data das convenções”, disse. A convenção conjunta do PT e do PDT acontece neste domingo (5). A do MDB está marcada para a véspera, sábado (4).

Ao comentar críticas feitas por oposicionistas na convenção do PSDB e do PROS, no domingo (29), o governador afirmou que não entrará “na política baixa e desrespeitosa”. “Para cada ataque que vier de lá, eu vou responder com muito trabalho”.

Senado

Cid Gomes, por sua vez, disse que a definição de sua candidatura ao Senado está bem encaminhada e informou que, em reunião do diretório estadual do PDT, hoje, defenderá que o partido lance apenas um candidato à Câmara Alta. Segundo ele, no mesmo encontro, a legenda deve ter uma “pré-posição” em relação ao nome que será indicado à vaga de vice. “A definição mesmo é no dia da convenção”, frisou. Ao contrário do que já expôs o irmão, Ciro Gomes, Cid admitiu que não tem restrição a apoio de Camilo a Eunício. “Da minha parte, não”, respondeu.

Já o senador emedebista ressaltou que tem “expectativa muito positiva” em relação à presença do MDB em coligação governista, seja majoritária ou proporcional. “Temos discutido com todas as lideranças, presidentes de partido, para fazer um entendimento que seja o entendimento do interesse do Estado do Ceará”, declarou. Ao comentar eventual apoio de Camilo fora da coligação, ele disse que “o importante é que estejamos todos unidos em prol do Ceará”.

09:03 · 28.07.2018 / atualizado às 09:03 · 28.07.2018 por

Por Edison Silva

Na próxima legislatura, a
bancada governista na AL será igual ou maior que a atual Foto: Fabiane de Paula

Nas últimas três décadas, em apenas uma eleição a oposição chegou ao Governo do Estado do Ceará e, ainda assim, por ter contado com o desmantelamento da base governista, nos estertores do Governo Lúcio Alcântara, iniciado em 2002. Os políticos cearenses são, na sua amplíssima maioria, governistas por excelência.

Nas eleições deste ano, pelo cenário posto, tudo vai ser como antes, pois os adversários do atual governante, por razões várias, não dão qualquer esperança de sucesso eleitoral, o que não deixa de ser deveras lamentável, posto resultar da ação eficiente e respeitável da oposição, o estímulo maior para uma profícua gestão.

Pelo encaminhamento da disputa deste 2018, só vamos ter uma eleição majoritária disputada no Ceará, quando e se houver o rompimento do grupo político atualmente dominando o Poder, assim como ocorreu em 2006, pois não há nomes promissores, no cenário local, com perspectiva de despontarem como futuras lideranças.

Desde o início da década de 1980 que os governistas revezam-se na chefia do Poder Executivo estadual. Cid Gomes, então filiado ao PSB, em 2006, derrotou Lúcio Alcântara (PSDB), candidato à reeleição. Também aqui uma exceção, Lúcio foi o único candidato a um consecutivo segundo mandato a não lograr êxito na empreitada.

Pouco expressiva

Ele havia perdido o apoio do senador Tasso Jereissati, o seu principal eleitor, como este houvera sido de Ciro Gomes, na eleição de 1990. Lúcio ficou na oposição, mas nada a ela acrescentou, tanto que em 2010 voltou a disputar o Governo contra Cid, buscando a reeleição, e acabou com a votação pouco expressiva que o deixou no terceiro lugar no final do pleito.

Nas últimas oito eleições para o Executivo estadual cearense, só em 2014, com Camilo Santana representando a base governista, as oposições realmente foram expressivas. O senador Eunício Oliveira, saído do grupo de Cid Gomes, perdeu a disputa no segundo turno e por uma pequena margem de votos. Antes, também, José Airton provocou um segundo turno com a soma dos votos dados aos candidatos Welington Landim e Sérgio Machado, ambos desgarrados do grupo liderado pelo senador Tasso Jereissati.

Cid foi o governador, do período a que estamos nos reportando, com a maior base de apoio político-partidário, seguido agora por Camilo. Ambos, é imperioso se afirmar, não tiveram necessidade de fazer o tradicional trabalho de aliciamento. As adesões recentes, às vésperas das eleições, do deputado federal Genecias Noronha, do senador Eunício Oliveira, e do ex-vice governador Domingos Filho, os dois últimos protagonistas de embates verbais duríssimos com as principais lideranças governistas, são uma prova real de quanto é efêmero o compromisso de políticos de hoje com os eleitores que os sufragam.

O quadro atual, registre-se, por oportuno, não é muito diferente dos períodos anteriores, sobretudo desde quando a tal Revolução de 1964 extinguiu os partidos políticos e foram criados Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), gerando aglomerados de políticos e fazendo nascer um novo grupo de políticos, o governista, bem expressado na máxima de um conhecido vereador de Fortaleza, segundo o qual ele “não tinha culpa de o Governo mudar de quatro em quatro anos”.

Lamentável

Ele sempre tinha a marca do Governo da época dos generais e coronéis, ou por pessoas por eles indicados, no caso o municipal. O compromisso da quase totalidade dos situacionistas é, na melhor das hipóteses, exclusivamente suas eleições, ou de alguns dos seus.

Essa realidade, enfatizamos, lamentável, pode fazer com que o general Guilherme Theophilo (PSDB), o principal candidato adversário de Camilo, tenha a sorte do seu primo, o ex-presidente da Assembleia, Marcos Cals, em 2010, quando representando o PSDB concorreu com Cid Gomes, obtendo apenas 775.852 votos, pouco menos de um terço do total recebido pelo vencedor, deixando Lúcio Alcântara no terceiro lugar, ao conquistar 654.035 sufrágios. O somatório da votação de Cals e Alcântara confirma a tese da existência de um percentual de 30% do eleitorado de oposição a qualquer governante, sem a necessidade de qualquer estímulo de políticos adversários.

O individualismo dos políticos e o desejo de estarem sempre ao lado do governante são as razões motivadoras de isolarem-se, logo na própria campanha, dos candidatos ao Executivo sem perspectivas evidentes de vitória, tanto que o somatório dos votos recebidos pelos candidatos aos legislativos ficam muito aquém daqueles conquistados pelos candidatos a governador de oposição.

Afastamento

As consequências disso, porém, são um Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras Municipais cada vez mais subservientes ao chefe do Executivo de plantão, desqualificando-se e causando elevados prejuízos à sociedade.

A perspectiva de composição da Assembleia a ser eleita em outubro vindouro é a de ser tão governista quanto a atual, quando quase 90% dos 46 deputados são do governador, sempre dispostos a dizer amém, e incapazes de fazer uma crítica, até mesmo construtiva, sobre qualquer ação ou omissão governamental, para não ferirem susceptibilidade e, assim, sofrerem a punição do afastamento, situação insuportável para todos aqueles aduladores que entender ter sido eleitos para bater palmas para o governador do momento.

08:59 · 28.07.2018 / atualizado às 08:59 · 28.07.2018 por

Neste fim de semana, três das cinco pré-candidaturas já colocadas ao Governo do Estado serão oficializadas em convenções partidárias realizadas na Capital. O PSOL é o primeiro a homologar seu candidato, Ailton Lopes, neste sábado, em convenção marcada para as 10h na sede do partido, no Centro de Fortaleza. Já no domingo, o PSDB oficializará a candidatura do general Guilherme Theophilo, em evento no Ginásio da Faculdade Ari de Sá, também no Centro, às 9h. No mesmo horário, Hélio Góis será homologado candidato do PSL, na Assembleia Legislativa.

Também neste sábado, o PT, por sua vez, define estratégias eleitorais em encontro interno pré-convenção, que deve ser marcado, dentre outras questões, por discussões sobre a reivindicação – ou não – de uma candidatura petista ao Senado na chapa do governador Camilo Santana à reeleição.

Na manhã de sexta-feira (27), o Novo foi o primeiro partido a realizar convenção no Ceará para o pleito deste ano. Em evento realizado na Assembleia Legislativa, foram oficializados oito candidatos a deputado federal: Rodrigo Nóbrega, Rodrigo Marinho, Fredy Bezerra, Samara Pontes, Marcelo Medeiros, Alexandre Muzzio, Jeane Freitas e Engel Rocha. Os candidatos anunciaram que irão abrir mão do fundo partidário e pretendem custear a campanha apenas com recursos de doadores.

09:13 · 27.07.2018 / atualizado às 09:13 · 27.07.2018 por
Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, que aparecem em pesquisas com potencial de terem candidaturas competitivas, lançaram-se à disputa sem vices Fotos: Agência Brasil

Com o período destinado às convenções partidárias em curso – desde 20 de julho até 5 de agosto –, as candidaturas ao cargo de vice-presidente ainda são um ponto de interrogação na maioria das chapas que se colocam à disputa pela Presidência da República em 2018. Três partidos, PDT, PSL e PSC, inclusive, lançaram seus presidenciáveis sem homologar os postulantes a vice, situação que se repete até mesmo em candidaturas que já firmaram alianças com outras legendas. Para cientistas políticos, as indefinições refletem a fragmentação de postulações em um cenário de incertezas e, também, a importância que a eleição para o Congresso Nacional deve ter no pleito deste ano.

Até o momento, cinco candidatos a presidente tiveram seus nomes homologados pelos partidos em convenções: Ciro Gomes (PDT), Paulo Rabello (PSC) e Vera Lúcia (PSTU), oficializados no último dia 20, Guilherme Boulos (PSOL), no dia 21, e Jair Bolsonaro (PSL), no dia 22. Destes, apenas PSOL e PSTU já definiram os postulantes ao cargo de vice: Sônia Guajajara e Herz Dias, respectivamente.

No PSDB, após conquistar a adesão de partidos do “centrão”, Geraldo Alckmin teve o empresário Josué Gomes (PR) cotado como companheiro de chapa, mas a aposta não se concretizou. Marina Silva, pré-candidata da Rede, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, também não têm ainda os nomes que completarão suas possíveis candidaturas.

Dificuldades

Para o cientista político Rui Martinho, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário político aponta para uma eleição marcada por uma “incerteza generalizada”, que tem afetado a formação de alianças. A dúvida sobre eventuais consequências do desgaste popular de partidos e líderes nas urnas, a redução do tempo de campanha e a imprevisibilidade de candidaturas, segundo ele, são elementos que tornam composições “muito difíceis”, especialmente em um contexto em que “não existe base programática para as alianças”.

“Como é: ‘eu só quero o seu apoio porque quero o seu tempo na televisão e a sua estrutura partidária, e vou lhe apoiar porque você é o cavalo favorito no páreo e, se você vencer, eu quero cargos. Agora, quem é o cavalo favorito não está muito claro, embora alguns nomes tenham uma posição relativamente destacada, ainda falta muito, e ninguém sabe quem vai resistir ou não ao tiroteio”, afirma.

Também professor da UFC, o cientista político Osmar de Sá Ponte avalia que “o grande motivo” para a indefinição dos postulantes a vice é a influência das disputas por vagas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal nas tratativas, além de “acordos regionalizados” em alguns partidos. “Qualquer aliança é condicionada a estar subordinada à eleição da Câmara e do Senado, e essa questão tem pautado muito essa indefinição das alianças”, observa.

Segundo Osmar, as candidaturas que estão com chances na disputa “têm um conjunto de contradições para viabilizar uma chapa competitiva”. O cientista político analisa que, no campo da centro-esquerda, enquanto o PCdoB tem tido “uma postura absolutamente altruísta ao defender uma unidade”, o PT adota “uma postura de continuar hegemonizando a esquerda”. Já no campo da centro-direita, ele vê a candidatura do PSDB como “forte”, mas “impopular” e “com apoio eleitoral muito fraco”.

“No cenário, embora esteja bem dividido programaticamente, aparece muito clara essa divisão entre dois campos, quando se aproxima mais da análise do detalhe, essa distinção não é tão radical entre a esquerda e a direita, porque esses dois campos políticos têm mais divergências internas, às vezes, do que entre os campos opostos”, opina.

Efeito

Para o professor, a ausência de vices às vésperas do início da campanha, porém, não deve prejudicar as candidaturas já colocadas. “Acho que não enfraquece (as candidaturas) por causa da complexidade do momento que estamos passando. Se não tem, é porque não tem condição de ter. A política é um conjunto de fatores onde alguém que está na proeminência como candidato tem que fechar o tabuleiro de xadrez dele, porque na política, às vezes, um mais um é zero, você soma dois partidos e perde o resto”, reflete.

Avaliação semelhante faz Rui Martinho. Para ele, não há prejuízo aos presidenciáveis na indefinição das chapas, a esta altura, porque quase todos estão “na mesma situação”. “Se estivesse assim: só o candidato A ou B não têm vice, poderiam dizer: ‘ah, esse cara não sabe fazer articulação política, não vai saber governar’, mas certamente eles vão tentar capitalizar isso (pregando): ‘não tenho vice porque não fiz aliança escusa’, embora tenham tentado”.

Dúvidas também em chapas no Ceará

No Ceará, as equações eleitorais também não estão completamente resolvidas. Ainda que Ailton Lopes (PSOL) já tenha Raquel Lima (PCB) como candidata a vice-governadora, e Hélio Góis (PSL) tenha Ninon Tauchmann (PSL) como companheira de chapa, outros três pré-candidatos ao Governo do Estado – Camilo Santana (PT), general Guilherme Theophilo (PSDB) e Francisco Gonzaga (PSTU) – ainda não anunciaram postulantes a vice. Ontem, com o anúncio de que o ex-senador tucano Luiz Pontes não disputará vaga no Senado na coligação formada por PSDB e PROS, as cartas voltaram a se embaralhar no bloco de siglas da oposição.

Para o cientista político Rui Martinho, tal conjuntura tem “um grande reflexo do quadro nacional”, mas também decorre de características do cenário político cearense. Segundo ele, a existência de apenas um grande partido no Estado, que é, na prática, o “partido governista”, afeta as composições na situação e na oposição. Além disso, diz o professor da UFC, as alianças no Ceará têm caráter personalista. “Não se faz aliança com partido A ou B, se faz aliança com tal líder. A sigla é apenas um ícone, um estandarte para o registro na Justiça Eleitoral”, aponta.

Osmar de Sá Ponte, por sua vez, acrescenta que, no caso da chapa de Camilo, a existência de uma base “tão ampla” – aliados do governador contabilizam até 24 partidos – gera imbróglios na distribuição das vagas. Já uma candidatura nova, como a do general Theophilo, segundo ele, pode motivar receios de adesões, especialmente de “políticos profissionais”, que dificultam definições. “Quem já tem mandato não quer perder”, diz.

Às vésperas da convenção do PSDB e do PROS, marcada para este domingo (29), ainda estavam abertas, até ontem, as vagas de postulantes a vice-governador e a senador pela legenda tucana – o empresário Luís Eduardo Girão é pré-candidato ao Senado pelo PROS. O presidente estadual do PSDB, Francini Guedes, informou que, ontem, teve reunião com Dr. Cabeto, vice-presidente da sigla, para tratar do interesse do correligionário em compor a chapa.

Segundo Francini, Dr. Cabeto, que é um dos nomes cogitados para a vaga de vice, disse estar à disposição do partido, embora tenha destacado também o compromisso que tem com a profissão. A médica Mayra Pinheiro, por sua vez, é ventilada como possível candidata ao Senado. Hoje, líderes do bloco terão outra reunião e, de acordo com o dirigente tucano, a composição da chapa deve ser definida.

09:53 · 21.07.2018 / atualizado às 09:53 · 21.07.2018 por
Camilo Santana (PT), Guilherme Theophilo (PSDB), Ailton Lopes (PSOL), Hélio Goís (PSL) e Francisco Gonzaga (PSTU): cinco pré-candidatos a governador em 2018

Ainda que, nos últimos 20 anos, o número de partidos políticos no País tenha aumentado, no Ceará, o quantitativo crescente de agremiações políticas – e do eleitorado – não tem representado, nas últimas cinco eleições para governador, uma multiplicidade proporcional do número de candidatos. Em 2018, ano em que o Brasil mais tem partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas duas décadas, aliás, o número de postulantes ao Palácio da Abolição – cinco, até o momento – deve ser um dos menores dos últimos vinte anos. Desde 1998, apenas o último pleito geral, em 2014, foi disputado por menos de cinco candidatos.

Os cinco nomes colocados para a disputa, ainda na condição de pré-candidatos, são o atual governador Camilo Santana (PT), postulante à reeleição, o general Guilherme Theophilo, recém-filiado ao PSDB, o presidente estadual do PSOL, Ailton Lopes, o advogado Hélio Góis, do PSL, e o operário Francisco Gonzaga, do PSTU. Assim, apenas cinco dos 32 partidos com representação organizada no Ceará devem lançar candidatos, enquanto aos outros 27 caberá acomodarem-se nas coligações mais viáveis para os respectivos interesses eleitorais.

Atualmente, o TSE contabiliza 35 partidos políticos existentes no Brasil. Segundo a Justiça Eleitoral, no Ceará, apenas PCB, PCO e PMB não possuem órgão definitivo ou comissão provisória com registro no Tribunal. De acordo com levantamento realizado pelo Diário do Nordeste, o número supera os registrados nas eleições gerais de 2014 (33 partidos), de 2010 (28 partidos), de 2006 (também 28), de 2002 (27 legendas) e de 1998 (28 partidos).

De uma campanha a outra, ainda que o número de agremiações, em alguns casos, tenha se mantido, também foram frequentes a criação e a extinção de partidos. Entre as eleições de 2006 e de 2010, por exemplo, o Partido Geral dos Trabalhadores (PGT) e o Partido Liberal (PL) deixaram de existir, enquanto PRB e PSOL foram fundados em 2005 e o PR, em 2006. Já em 2014, (re)nasceram o PSD, que havia sido extinto em 2002, o PPL, o PEN, o PROS e o Solidariedade (SD). Em 2015, foram criados a Rede Sustentabilidade, o Partido Novo e o PMB.

Alianças

Em 1998, quando Tasso Jereissati (PSDB) foi reeleito governador – para o terceiro mandato – em primeiro turno, com 62,7% dos votos, disputaram o cargo outros quatro postulantes: o ex-governador Luiz Gonzaga Mota (PMDB) e o petista José Airton Cirilo foram o segundo e o terceiro colocados, com 21,9% e 13,8% dos sufrágios, respectivamente, seguidos por Antônio Reginaldo Costa Moreira (PMN) e Valdir Alves Pereira (PSTU). Com 28 partidos existentes no País àquela época, apenas estes dois últimos candidatos foram para a disputa estadual com chapas puras. Todas as outras agremiações agruparam-se em três coligações majoritárias.

O pleito seguinte, em 2002, foi o que mais teve candidatos a governador nos últimos vinte anos. Sete nomes disputaram o Palácio da Abolição, e Lúcio Alcântara, à época no PSDB, em coligação com PPB, PSD e PV, venceu José Airton Cirilo (PT), em chapa formada por PT, PCdoB, PL, PMN e PCB, no segundo turno. Welington Landim (PSB), Sérgio Machado (PMDB), Cláudia Maria Meneses Brilhante (PTB), Pedro de Albuquerque Neto (PDT) e Raimundo Pereira de Castro (PSTU) – os três últimos com chapas puras – ficaram pelo caminho no primeiro turno.

Quatro anos depois, Lúcio Alcântara (PSDB) tentou reeleição, mas foi derrotado por Cid Gomes, à época no PSB, ainda no primeiro turno. Ao constituir um arco de aliança formado por nove partidos – PSB, PT, PCdoB, PMDB, PRB, PP, PHS, PMN e PV –, o pessebista obteve 62,3% dos votos e desbancou não só o então governador, em coligação formada por PTB, PTN, PSC, PPS, PFL, PAN, PTC e PSDB, mas também Renato Roseno (PSOL), José Maria de Melo (PL), Francisco Horácio Marques Gondim (PSDC) e Salete Maria da Silva (PCO).

Em 2010, embora sete postulantes a governador tenham registrado pedidos de registro de candidatura à Justiça Eleitoral, apenas seis participaram da campanha: Cid Gomes (PSB), Lúcio Alcântara (PR), Marcos Cals (PSDB), Soraya Tupinambá (PSOL), Francisco Gonzaga (PSTU) e Marcelo Silva (PV). Maria da Natividade, do PCB, foi considerada “inapta” para a disputa. Apoiado por sete partidos – <MC0>PRB, PDT, PT, PMDB, PSC, PSB e PCdoB –, Cid obteve 2,43 milhões de votos e foi reeleito com facilidade em primeiro turno.

Acirramento

Quatro anos depois, a eleição não foi fácil para o indicado de Cid Gomes ao Palácio da Abolição. Após dois mandatos, o então pessebista recrutou 18 partidos para a coligação de Camilo Santana (PT): PRB, PP, PDT, PT, PTB, PSL, PRTB, PHS, PMN, PTC, PV, PEN, PPL, PSD, PCdoB, PTdoB, SD e PROS. Já ao lado de Eunício Oliveira (PMDB) marcharam nove siglas: PSC, PMDB, DEM, PSDC, PRP, PSDB, PR, PTN, PPS. Com 53,35% dos votos no segundo turno, o petista venceu o peemedebista, que teve 46,65% dos sufrágios. Eliane Novaes (PSB) e Ailton Lopes (PSOL) terminaram o primeiro turno em terceiro e quarto lugar, respectivamente.

Para este ano, após dissidências recentes na oposição, o governador Camilo Santana deve disputar reeleição em um arco de alianças ainda mais amplo – aliados contabilizam até 24 siglas na base governista. Já o PSOL, de Ailton Lopes, disputará o Governo do Estado em coligação com o PCB, enquanto o PSDB, do general Guilherme Theophilo, tem consigo o PROS. O PSL, de Hélio Góis, e o PSTU, de Francisco Gonzaga, até o momento, vão para a disputa com chapas puras.

Falta projeto político a partidos, dizem analistas

A desproporcionalidade entre o número de partidos no País e a quantidade de pré-candidaturas colocadas, até o momento, ao Governo do Estado é reflexo, de acordo com cientistas políticos, de características do sistema político brasileiro que se mantêm apesar de mudanças propostas em reformas políticas recentes. No contexto de uma crise de representatividade, analistas políticos observam, ainda, que faltam à maioria das legendas projetos políticos próprios que possam ser apresentados em uma disputa eleitoral.

Ao refletir sobre o agrupamento de tantos partidos em torno de poucas candidaturas, o cientista político Osmar de Sá Ponte, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que é preciso considerar que a política, no Brasil, “é baseada no financiamento da campanha”. Em meio a disputas caras, portanto, há, conforme analisa, poucos partidos “afeitos a alianças programáticas” no País. Em esfera estadual, avalia o cientista político, a maioria das legendas “não tem projetos para o Ceará”. “O partido se transforma numa empresa, e não num organismo de natureza política”, afirma.

Segundo ele, variáveis de valor eleitoral, como tempo de propaganda em rádio e televisão e negociações de cargos, são “interesses menores” que determinam estratégias eleitorais. “Isso torna a nossa política aquilo que ela é. Você vê que, nacionalmente, tem muitos candidatos, e localmente, muito poucos. As alianças locais deveriam refletir alianças nacionais para ter o mínimo de coerência programática. Não têm”, diz. “Só querem eleger bancada, portanto, estão sujeitos a se aliar a todas as forças que são mais convenientes a esse projeto”, completa.

Professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o cientista político Josênio Parente, por sua vez, argumenta que o reduzido número de pré-candidaturas em meio a um universo de tantos partidos decorre, também, de uma “crise de representação”. “As pessoas falam muito dos candidatos majoritários que devem ter projetos para mobilizar e ter a possibilidade de ganhar a eleição. Partidos são como times de futebol: eles têm que fidelizar o eleitor”, sustenta. “Tem partidos que não têm torcedores, então, no fundo, estão procurando vender seu passe, na medida em que a nossa representação está em crise”, acrescenta.

Neste mosaico de fatores, contradições emergem das coligações. No bloco governista, por exemplo, DEM e PCdoB, ideologicamente divergentes, dividem espaço no arco de aliança do governador Camilo Santana. O partido deste, por sua vez, após rompimento local e nacional – que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) –, ensaia reaproximação com o MDB no Ceará.

Mudança

Para Osmar de Sá Ponte, a pluralidade de partidos que formam coligações numerosas é, em muitos casos, “fisiológica”. Um caminho para modificar tal lógica, sustenta ele, não seria a limitação do número de legendas em uma democracia, mas a regulamentação “do que se conhece como partido”. “Os partidos deveriam ser acompanhados pela sociedade. Não dá para ter um partido político que surge e simplesmente tem uma existência intocada pela sociedade, principalmente porque o partido é a expressão da sociedade”.

Josênio Parente faz avaliação semelhante. “A lógica da política não é a lógica da moral, é a lógica de juntar forças para ganhar”, afirma. Apesar disso, diz ele, a crise de representação tem despertado uma consciência de cidadania em parte do eleitorado – manifestada, por vezes, em uma radicalização de discursos –, que pode, aos poucos, exigir mudanças no jogo eleitoral. “Quando a cidadania despertar, que é soberana, os partidos terão que ter compromisso com ela”.

09:06 · 19.07.2018 / atualizado às 09:06 · 19.07.2018 por
Ex-opositores Genecias Noronha, Aderlânia Noronha e Leonardo Araújo chegaram à Residência Oficial com Cabo Sabino, que diz ser independente Foto: Kid Júnior

Nos primeiros atos oficiais de pré-campanha, o governador Camilo Santana (PT) tem reforçado relação de proximidade com prefeitos e parlamentares que serão cabos eleitorais nos municípios durante a campanha que está por vir. Os gestores municipais, por sua vez, dizem que as movimentações eleitorais devem se intensificar apenas na campanha, mas, ainda que esta seja uma eleição geral, já trabalham pela reeleição do chefe do Executivo estadual e também pelo êxito eleitoral dos respectivos candidatos ao Legislativo. Muitos têm familiares na disputa, e afirmam que uma avaliação positiva das gestões municipais deve ser o fator que mais pode influenciar na transferência de votos a seus apoiados.

Na noite da última terça-feira, 119 prefeitos, de acordo com o Governo do Estado, participaram de encontro com Camilo Santana no Hotel Praia Centro, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Ontem à noite, foi a vez de deputados federais e estaduais governistas irem ao encontro do petista, em reunião fechada realizada na Residência Oficial do Governo do Estado.

De acordo com a assessoria do Palácio da Abolição, 38 deputados estaduais e 10 deputados federais participaram do encontro. O secretário da Casa Civil, Nelson Martins, disse que o teor da reunião foi o mesmo da que havia sido realizada na véspera com prefeitos e que o governador convidou todos os deputados aliados para participarem do jantar-palestra de adesão no próximo dia 30.

Já entre os prefeitos, o apoio ao petista é dado como certo, mas, segundo alguns relataram ao Diário do Nordeste, a pré-campanha ainda tem sido tímida no Interior do Estado. Bismarck Maia (PTB), prefeito de Aracati, informou que, em 1º de setembro, tirará férias do cargo para “participar da campanha livremente”. “Vou participar da campanha do Eduardo (Bismarck), do governador, do Cid, dos candidatos que a gente vai apoiar. Até lá, deixarei bem claro que a minha posição é foco na gestão”.

Eduardo Bismarck (PDT), filho de Bismarck Maia, é pré-candidato a deputado federal. Para o prefeito, a avaliação da gestão deve influenciar na capacidade de transferência de votos neste pleito. “Sempre se diz que quem está na prefeitura carrega, pelo menos, boa parte dos votos”, opinou. Segundo Maia, porém, em Aracati a pré-campanha ainda não se intensificou nas ruas. “Tem muita conversa daquelas pessoas que são geralmente os protagonistas. A população não está envolvida ainda”, relatou.

Prefeito de Quixadá, Ilário Marques (PT), por sua vez, disse que a eleição deste ano no município tem um “fato inédito”: seu grupo político uniu-se ao grupo do deputado estadual Osmar Baquit (PDT) e, após cinco pleitos disputando votos, eles trabalharão juntos para a eleição da deputada estadual Rachel Marques (PT), mulher de Ilário, à Câmara dos Deputados, e a reeleição de Baquit à Assembleia.

Expectativa

Ele também acredita que uma boa avaliação da gestão pode favorecer aliados. “Tenho me esforçado muito para conduzir a gestão municipal a ponto de que a população esteja satisfeita. Se a população está satisfeita, eu posso ter algum sucesso no processo eleitoral. O meu foco, de todo esse período, foi o foco da gestão. Nós temos, em Quixadá, um partido muito atuante. Para você ter ideia, o PT tem quase 3.500 filiados em Quixadá”.

O prefeito de Senador Pompeu, Maurício Pinheiro (PDT), faz parte do grupo político do senador Eunício Oliveira e torce para que, mesmo sob resistência do PDT, a aproximação “administrativa” entre o governador e o presidente do Senado evolua para a oficialização de aliança. “Nós, que fazemos parte do PDT, esperamos a orientação dos nossos líderes, mas, aqui embaixo, um grande número de prefeitos, seguindo orientação também por parte do governador, espera essa composição”, destacou.

09:04 · 19.07.2018 / atualizado às 09:04 · 19.07.2018 por

Por Miguel Martins

General Guilherme Theophilo, segundo o presidente estadual do seu partido, Francini Guedes, tem o apoio de uma dezena de prefeitos Foto: Natinho Rodrigues

O governador Camilo Santana, que nesta semana iniciou participação em eventos oficiais de sua pré-campanha à reeleição, conta com o maior arco de aliança entre todos os pré-candidatos ao Governo do Estado. Além de ter se reunido com 119 prefeitos municipais na terça-feira passada e com deputados, ontem, o chefe do Poder Executivo pode ter ao seu lado mais de duas dezenas de partidos políticos e a quase totalidade dos atuais membros da Assembleia Legislativa.

Ao Diário do Nordeste, ainda em fevereiro passado, o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, afirmou que a coligação que dará sustentação à tentativa de reeleição do petista no pleito de outubro poderá contar com até 21 agremiações aliadas.

O MDB, do senador Eunício Oliveira, ainda é uma incógnita na coligação, visto que as principais lideranças do grupo político do qual Camilo Santana faz parte, Ciro Gomes e Cid Gomes, ambos do PDT, não querem aliança formal com a legenda.

Atualmente, além de Camilo Santana, outros quatro nomes foram lançados como pré-candidatos ao Governo do Estado. São eles: General Guilherme Theophilo, pela coligação PSDB e PROS; Ailton Lopes, que contará com as siglas PSOL e PCB; Francisco Gonzaga, do PSTU; e Hélio Gois, do PSL.

O presidente estadual do PSDB, Francini Guedes, afirmou ao Diário do Nordeste que, ao todo, a sigla tucana teria pouco mais de 10 prefeituras aliadas a uma eventual candidatura do General Guilherme Theophilo. Apesar da pouca expressividade das lideranças locais que poderão estar ao lado da candidatura tucana, Francini ironiza o quantitativo que tende a apoiar Camilo. Ele ressaltou ainda que nem todo prefeito terá capacidade de transferência de votos, visto a realidade local de cada uma das prefeituras.

Destacou ainda que, mesmo não tendo prefeituras, há opositores locais que estarão do lado do General no Interior do Estado. “Depende de cada situação. Há lugares em que oposição e situação estão com o Governo, mas há lugares em que a oposição ou a situação estão com a gente”, acrescentou.

Também pré-candidato, Ailton Lopes afirmou que o PSOL não tem prefeitos aliados, mas está alinhado com os movimentos sociais em cada localidade. “A gente sabe que os prefeitos não são donos do voto do povo”, disse. O PSL, de Helio Gois; e o PSTU, de Francisco Gonzaga, são legendas que também não contam com apoios de prefeitos para suas candidaturas.