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Tag: Oposição


12:07 · 19.02.2017 / atualizado às 12:07 · 19.02.2017 por
Audic Mota ingressou na base governista de Camilo Santana após ser agraciado com o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora. FOTO: JOSE LEOMAR

O clima no bloco formado por PSD, PMB e PMDB na Assembleia Legislativa parece que tende a ficar cada vez mais tenso. Depois da saída de Tomaz Holanda da sigla peemedebista e ingresso no PPS, a tendência é que Audic Mota (PMDB) e Agenor Neto (PMDB) façam o mesmo. E o recado já foi dado pelo deputado Danniel Oliveira (PMDB).

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele destacou que as lideranças de PMDB, PSD e PMB estão aliadas em fazer oposição ao Governo Camilo Santana, e em suas palavras “quem não caminhar junto dentro do bloco vai ter que procurar outro caminho”. Segundo ele, houve sensatez por parte de Tomaz Holanda ao deixar os quadros do PMDB, visto que não faz mais parte da oposição.

“O PMDB, junto com o bloco, será de oposição. Não vamos abrir mão disso, e qualquer parlamentar que tenha interesse de fazer parte do Governo por algumas regalias,  que respeite as decisões do partido”, disse Oliveira. Segundo ele, as lideranças partidárias da sigla peemedebista “não vão permitir que nenhum parlamentar constranja o partido”.

O problema de identidade do bloco não está apenas no PMDB. No PSD, por exemplo, os deputados Gony Arruda e Osmar Baquit são governistas, tanto que Baquit é secretário de Camilo Santana. No PMB, enquanto Odilon Aguiar faz oposição dura contra a gestão, Bethrose disse ainda estar avaliando a situação, não sabendo se é opositora ou governista.

09:24 · 18.02.2017 / atualizado às 09:24 · 18.02.2017 por

Por Edison Silva

Apoiadores, preocupados com as eleições do próximo ano, defendem que o Governo Camilo Santana defina uma identidade Foto: Yago Albuquerque

Preocupado com 2018, tem aliado do governador Camilo Santana reclamando uma identidade para a sua gestão. O Governo não é petista, embora o chefe do Executivo ainda seja do PT; a administração não é pedetista, apesar de sua base de sustentação majoritariamente ser do PDT; o Governo acolhe o PCdoB nas suas entranhas, mas nada tem de comunista; incluiu agora, recentemente, um indicado do PSB numa de suas mais importantes Pastas, a das Cidades, e por fim entregou o seu Planejamento a um tucano, cujos ideais administrativos e políticos são diametralmente opostos ao projeto até então colocado para o eleitorado cearense pelo governador e o grupo que o apoiou.

Para completar a mixórdia, ainda se incluem no Governo do Estado representantes do DEM e do PPS que, como o PSDB, são adversários fidagais do PT de Camilo. Não erra quem afirma que todos eles são apenas figurantes. Não têm como aplicar políticas das diretrizes de suas respectivas agremiações.

No entanto, apesar de serem apenas figurantes, desfiguram a matriz governamental, além da possibilidade de emperrarem algumas ações governamentais, posto conflitarem com os projetos que em suas agremiações estão sedimentados como os mais viáveis para o desenvolvimento do Estado. Difícil pensar o tucano Maia Júnior planejando os dois últimos anos de Camilo à luz das perspectivas de petistas e pedetistas.

Dispostas

Filiados ao PDT cearense torcem por uma candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Reservadamente, alguns admitem a dificuldade de ela ser viável, por razões diversas, inclusive a da falta de uma estrutura político-partidária, capaz de garantir a musculatura necessária ao embate, a partir do tempo para a propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

As esquerdas, com o PT à frente, não estão dispostas, pelo menos até aqui, a emprestarem o apoio a Ciro para enfrentar os demais concorrentes, sobretudo a chapa saída de uma aliança do PSDB com o PMDB e o DEM, respaldada pela estrutura do Governo Federal, e os espaços na mídia garantidos pelas respectivas legendas, detentoras de grandes bancadas na Câmara.

Uma postulação competitiva de Ciro daria importante sustentação à pretensão de um segundo mandato para Camilo. Do contrário, o sucesso do objetivo do governador (reeleição) só dependerá realmente dos resultados de sua administração e do empenho das lideranças que lhes apoiarem.

Com essa miscelânea de representantes partidários, o eleitor tende a ficar confuso quanto à identidade do Governo e, por óbvio, propenso a buscar um candidato que lhe possa garantir um governo homogêneo, como estará a oposição cearense, a persistir o quadro político atual, quando todos se unirão para derrotar a situação, no caso o grupo liderado pelos ex-governadores e irmãos, Ciro e Cid Gomes.

Entrosados

O PSDB do senador Tasso Jereissati, o PMDB do senador Eunício Oliveira, o PR do ex-governador Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa, parte considerável do PT, PSD, PMB, Solidariedade e outras siglas menores no Ceará têm o mesmo objetivo: destronar os atuais governistas.

Mesmo sem qualquer acordo formal, afinal não são amadores para fecharem aliança com tanto tempo ainda a perseguir, os oposicionistas estão bem entrosados, por conta da provocação feita pelo conselheiro Domingos Filho, parte desgarrada do grupo governista, com imensa capacidade de tratar com políticos e determinado a ser um instrumento para ajudar a defenestrar aqueles que, até bem pouco, tinha como líder, o mesmo objetivo de tucanos e peemedebistas.

Domingos, como aqui já relatado, deixa o Tribunal de Contas dos Municípios, no próximo ano, a tempo de se filiar ao PSD ou ao PMB, partidos que comanda através do filho e da mulher, respectivamente, sem preocupação com a aposentadoria de conselheiro. Até lá ele continuará tirando proveito da luta sobre a extinção ou não do órgão.

Na época de sua renúncia ao cargo, ele ainda não terá os cinco anos mínimos exigidos para a aposentadoria no cargo, mas já tem garantida uma aposentadoria parlamentar, cujos subsídios são suficientes para a manutenção de qualquer família. Ele é candidato a um cargo majoritário, preferencialmente de governador, ficando as duas vagas de senador para indicações do PMDB e do PSDB, além das suplências de senador, e o lugar de vice-governador.

09:48 · 12.02.2017 / atualizado às 09:48 · 12.02.2017 por
Tomaz Holanda e Audic Mota estão na base do Governo Camilo Santana. FOTO: José Leomar

Quantidade não é sinônimo de qualidade, e ainda que o governador Camilo Santana esteja consolidando uma base mais robusta do que a que encontrou no início de 2015, ele tende a sofrer pressões por parte da oposição, que a partir deste ano, ao que tudo indica, estará menor e menos organizada. Por outro lado, os aliados do chefe do Poder Executivo nem sempre dão o apoio quando é necessário.

Caberá, mas uma vez, à liderança formada por Evandro Leitão (PDT), Leonardo Pinheiro (PSD) e agora também por Joaquim Noronha (PRP), o papel de tentar evitar o desgaste da gestão. Os demais parlamentares aliados, com raras exceções, no ano passado, preferiram não participar de discussões desgastantes para seus mandatos.

Durante todo o ano de 2016 os líderes do Governo na Assembleia contaram com o apoio do secretário de Relações Institucionais, na pessoa de Nelson Martins, o que pode não ocorrer mais visto a extinção do cargo criado pelo governador no início de seu mandato.

Nos dois primeiros anos da administração, porém, a gestão contou com a oposição constante de Audic Mota e Agenor Neto, ambos do PMDB, que a partir da próxima semana atuarão na base do Governo, sendo que Mota foi agraciado com a Primeira-Secretaria  da Mesa Diretora. Somam-se a eles o deputado Tomaz Holanda (PMDB) e João Jaime (DEM), que recentemente oficializou apoio à base de Camilo Santana.

Sérgio Aguiar (PDT) é outro que, depois da disputa para a presidência do Legislativo Estadual, em dezembro passado, chegou a ameaçar trabalhar de forma independente na Casa, mas deve permanecer entre os aliados da gestão. Com isso, o governador passa a ter no seu grupo de aliados 35 deputados da Assembleia Legislativa, ficando 11 na oposição.

Camilo Santana ainda está longe de ter o tamanho da base que seu antecessor, Cid Gomes, teve quando apenas quatro ou cinco parlamentares faziam parte da oposição. Contra sua gestão estão Capitão Wagner (PR), Heitor Férrer (PSB), Fernanda Pessoa (PR), Renato Roseno (PSOL), Carlos Matos (PSDB), Ely Aguiar (PSDC), Roberto Mesquita (PSD), Aderlânia Noronha (SD), Danniel Oliveira (PMDB), Silvana Oliveira (PMDB) e Leonardo Araújo (PMDB).

Alguns deputados prometem fazer o mesmo barulho  feito em 2016, cobrando da gestão, principalmente, no que diz respeito aos temas de Saúde, Seca e Segurança Pública. No entanto, o impasse quanto à extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) deve nortear boa parte dos embates na Casa. A matéria, porém, foi apresentada e defendida por um dos opositores à gestão de Camilo, o deputado Heitor Férrer.

Parlamentares ouvidos pelo Diário do Nordeste reclamaram a falta de uma liderança junto à oposição na Assembleia, uma vez que lideranças políticas como o senador Eunício Oliveira e Tasso Jereissati têm se dedicado, quase que exclusivamente, às suas pautas no Congresso Nacional. Domingos Neto (PSD), conforme informou Odilon Aguiar, até está buscando uma maior atuação e unidade dos opositores ao Governo atual, mas tudo tem ocorrido de forma incipiente.

Roberto Mesquita é outro que reclama a falta de um “cabeça” que possa ajudar a oposição ao Governo Camilo Santana. Desde dezembro passado que parlamentares do PSD, PMB e PMDB avaliam a possibilidade de montarem um bloco de oposição que faça frente à robusta base governista na Assembleia. No entanto, a ideia deles barra, justamente, no fato de que pelo menos seis membros dessas três siglas serem aliados da gestão atual.

De acordo com Odilon Aguiar é preciso que as lideranças estejam em sintonia com os reclames das bancadas para marcar posicionamento dentro e fora da Casa Legislativa, definir pautas e estarem unidos. O único bloco de oposição formado para os próximos dois anos é composto por cinco deputados e quatro siglas: PSDB, PSDC, SD e PR. Estes, aparentemente, estão coesos, enquanto que os demais, ao que tudo indica, ainda não encontraram unidade.

09:04 · 07.02.2017 / atualizado às 09:04 · 07.02.2017 por

Por Antonio Cardoso

Secretário da Fazenda, Mauro Filho, cobra da oposição os números que estariam em desacordo com a realidade econômica do Estado Foto: Kleber A. Gonçalves

O Estado do Ceará continua como o maior investidor dentre os governos estaduais, honra o pagamento dos servidores, inclusive com o 13º salário, proeza que somente em cinco estados do Brasil se conseguiu efetivamente concretizar. A afirmação é de Mauro Filho, secretário estadual da Fazenda. “Estamos bem não só em relação ao 13º, mas também não existe nenhum outro Estado no Brasil que já tenha soltado cronograma de pagamento do servidor até o mês de dezembro”.

Ainda que o secretário fale dessa proeza, deputados estaduais não poupam nas críticas. Carlos Matos (PSDB), por exemplo, avalia que quando qualquer pessoa analisa a Proposta de Emenda à Constituição que o Governo do Estado apresentou em dezembro último para redução de gastos, percebe que são medidas duríssimas.

“O Governo Federal tomou as mesmas medidas na PEC 55, mas porque está quebrado, com R$ 170 bilhões de déficit. O Governo do Ceará diz que vai muito bem, se coloca entre os primeiros em investimentos no País, mas, ao mesmo tempo, mostra sinais de Estado apertado. Tem que tomar uma decisão. Ou mostra a situação real e toma as medidas reais, ou não tome medidas incompatíveis”.

Para o tucano, a apuração do resultado primário do Ceará é toda equivocada e diferente do que seria aceito internacionalmente. “Mostra situação de vantagem, posição financeira incompatível com a realidade e toma medidas duras. Essa é a minha crítica”, diz, acrescentando que acha que o Ceará vai bem perante outros estados.

Seca

“Mas quer mostrar que vai melhor do que está. A falta de realidade é um desrespeito ao cidadão. Com isso acaba fazendo investimentos pensando que está em situação melhor do que está”, critica. “A forma como as contas do Ceará estão sendo apuradas mostram a irrealidade e uma sensação falsa de que tem dinheiro para tudo e que pode gastar em qualquer coisa”, diz.

O secretário Mauro Filho questiona quais números estariam fora da realidade. “Quais? Precisa apontar, pois não falo sobre coisas hipotéticas. O Estado é o único que fez reajustes nos últimos nove anos, tem maior investimento sobre receita corrente líquida do País e um dos cinco que não atrasam pagamento de servidor. Acho que ele (Carlos Matos) pensa que é a Minas Gerais que foi acabada pelo PSDB e outros como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que estão definitivamente quebrados e não conseguem pagar os aposentados”, rebateu.

Roberto Mesquita (PSD) diz que o Governo se arvora na situação difícil de outros estados para mostrar a competência que, em sua visão, não teria. “Temos hoje uma quantidade de empréstimos em aberto que movimenta a economia, mas a população está sendo enganada quando no Ceará estamos sentindo os efeitos da crise e o Governo mostra que paga em dia e por isso está melhor do que os outros estados. Pelo contrário, aqui temos uma agravante que é a seca”.

09:42 · 26.01.2017 / atualizado às 09:42 · 26.01.2017 por

Por Beatriz Jucá

Movido pelo discurso sobre a necessidade de fortalecer a agenda da esquerda na atual conjuntura política brasileira, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou, ontem à noite, em Fortaleza, um ato político com a presença de senadores e deputados federais. Dentre as lideranças políticas presentes, estavam os senadores petistas Lindbergh Farias, José Pimentel e Gleisi Hoffman e os deputados federais José Guimarães (PT) e André Figueiredo (PDT).

Na oportunidade, os líderes defenderam a necessidade de união e diálogo entre os partidos de esquerda para enfrentar a pauta do governo para este ano que, segundo os parlamentares, é “conservadora” e “retira direitos”. A senadora Gleisi Hoffman destacou que um evento como o de ontem é fundamental para a “resistência” que os partidos de esquerda precisam fazer.

Também participou do evento a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela (PDT). “O momento atual exige maior articulação, união e reflexão neste momento difícil que vive o Brasil”, disse.

09:35 · 18.01.2017 / atualizado às 09:35 · 18.01.2017 por

Por Miguel Martins

Deputado Carlos Matos (PSDB) defende que, mais importante do que um bloco numeroso, é uma oposição que acompanhe os passos do Governo Foto: José Leomar
Deputado Carlos Matos (PSDB) defende que, mais importante do que um bloco numeroso, é uma oposição que acompanhe os passos do Governo Foto: José Leomar

Apesar de estarem em menor número neste ano, os opositores ao Governo de Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa do Ceará prometem intensificar cobranças em áreas que consideram prioritárias para a população cearense a partir de fevereiro, quando serão retomados os trabalhos legislativos da Casa. No entanto, ao que tudo indica, os deputados estaduais oposicionistas não estarão unidos em prol de uma pauta em comum em 2017, visto que cada um tem demandas específicas a tratar.

No ano passado, a bancada de oposição perdeu quatro nomes que agora fazem parte da base governista na Assembleia: João Jaime (DEM), Tomaz Holanda (PMDB), Agenor Neto (PMDB) e Audic Mota (PMDB). Por outro lado, viu uma crescente nas participações de Roberto Mesquita (PSD) e Odilon Aguiar (PMB), os quais deixaram os quadros de aliados do Governo.

Na noite de ontem, deputados de um bloco de oposição se reuniram para decidir se iriam ou não se manter unidos neste novo período legislativo. Eles se uniram em 2016 somente para participar da chapa que indicou Sérgio Aguiar (PDT) como candidato à Presidência da Casa. São membros do grupo: Fernanda Pessoa (PR), Capitão Wagner (PR), Carlos Matos (PSDB), Aderlânia Noronha (SD) e Ely Aguiar (PSDC).

Qualificação

Para Capitão Wagner, que até então é líder do bloco dos cinco parlamentares, um grupo menor “é mais fácil de se trabalhar”. Ele disse ao Diário do Nordeste que seu interesse é manter o grupo unido, visando uma maior qualificação da oposição, com participação efetiva na tribuna do Plenário 13 de Maio.

No entanto, Wagner ressaltou que não há garantia de permanência do bloco durante o ano. Ele acredita que a crise hídrica deve ser um dos principais temas tratados pela oposição junto ao Governo, pois considera que a gestão estadual tem colocado a “culpa” da falta de recursos no Governo Federal, mas não está “fazendo sua parte”. Wagner diz, ainda, que investimentos em Saúde e Segurança Pública ainda não tiveram efeito desejado pela população.

O deputado Renato Roseno (PSOL), que tem atuado de forma isolada na Assembleia, afirma que, para além dos deputados, há uma crescente da oposição na sociedade. “O reajuste fiscal do Governo Temer, reproduzido nos governos estaduais, tem gerado efeitos negativos na vida da maioria da população”, disse o parlamentar.

Já Heitor Férrer (PSB) avalia que a oposição perdeu em quantidade e qualidade, mas diz que não há necessidade de unidade entre os membros, uma vez que tal postura, para ele, ampliaria a visão da bancada oposicionista.

Heitor projeta que, mesmo com uma oposição reduzida, o Governo Camilo deve passar por dificuldades neste ano, visto que, em sua opinião, não cumpriu promessas de campanha. “Cadê o polo metal-mecânico que ele prometeu? As casas do Minha Casa, Minha vida? Cadê as UPAs nas cidades acima de 50 mil habitantes? O Governo Camilo é fraco e se arrasta insípido, inodoro e incolor”, criticou.

Trocas

Para Leonardo Araújo (PMDB), a troca de titulares da Secretaria de Justiça e da Secretaria de Segurança demonstra que Camilo Santana não vinha atuando bem no combate à violência, e este deve ser um dos pontos atacados pelos oposicionistas. Segundo ele, o Acquário Ceará também deve voltar à pauta de críticas apontadas pela bancada.

Silvana Oliveira (PMDB), por sua vez, opina que a oposição deve intensificar, nos próximos meses, fiscalização na área da Saúde. Enquanto isso, Carlos Matos (PSDB) defende que, mais importante do que quantidade, é fazer uma oposição que acompanhe os passos do governador. “Nossa oposição, apesar de pequena, é atuante, vibrante, e se dedica sobre as causas, não tratando os temas de forma superficial ou querendo jogar para a plateia”, sustentou.

09:32 · 18.01.2017 / atualizado às 09:32 · 18.01.2017 por

Por Renato Sousa

Vereador Julierme Sena disse que os opositores querem levar a discussão ao plenário antes da via judicial Foto: Helene Santos
Vereador Julierme Sena disse que os opositores querem levar a discussão ao plenário antes da via judicial Foto: Helene Santos

Vereadores de oposição ao prefeito Roberto Cláudio (PDT) decidiram dar preferência a um projeto de decreto legislativo para tentar barrar o aumento da passagem de ônibus na Capital. Consequentemente, a matéria só deve ser tratada a partir de fevereiro, quando a Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) retoma suas sessões deliberativas. O texto, porém, precisa ser aprovado pelo plenário da Casa, onde o prefeito conta com uma base de mais de 70% dos parlamentares.

A decisão foi tomada em reunião realizada nesta terça-feira (17) pelos parlamentares da oposição. Dos sete parlamentares anunciados como integrantes do bloco, quatro compareceram: Julierme Sena, Marcio Martins, Soldado Noélio (todos do PR) e Plácido Filho (PSDB).

“Antes de levar o caso à Justiça, queremos promover uma ampla discussão em plenário com os demais vereadores e ver como será o posicionamento da maioria”, afirma Julierme Sena. Ele declara que apenas no caso da negativa de seus pares é que os parlamentares devem procurar a Justiça. “Usaremos todas os recursos que tivermos à nossa disposição para defender os fortalezenses”, diz.

O decreto legislativo é ferramenta que pode ser utilizada pela Câmara Municipal quando há o entendimento de que a Prefeitura excedeu suas atribuições regulatórias. Opositores alegam que os cálculos que justificaram o aumento da passagem deveriam ter sido publicados no Diário Oficial do Município, conforme determina a Lei Orgânica (LOM), o que não teria ocorrido. A reportagem tentou acessar as edições do Diário, entretanto, o site encontrava-se fora do ar.

Justificativa

Em entrevista publicada na segunda, 16, o líder do prefeito na casa, Ésio Feitosa (PPL), afirmou que a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) tem tradição de agir dentro da legalidade.

O aumento, anunciado pela Etufor após reunião com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sindiônibus), representa um reajuste de mais de 16%, o maior desde 2003, tendo superado o aumento de 2015, de R$,035. Em termos nominais, o reajuste de R$0,45 é o maior desde a implantação do Plano Real. “Em um momento de dificuldades financeiras, o trabalhador não pode arcar com um reajuste tão alto”, defende Julierme.

Na segunda-feira, durante vistoria em obra no bairro Siqueira, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) defendeu o reajuste, que entrou em vigor no sábado. De acordo com o trabalhista, o aumento foi necessário em virtude dos reajustes dos insumos do transporte coletivo. “Nos últimos 14 meses, foram três aumentos do óleo diesel”, afirmou. O prefeito admitiu, porém, que não se tratava de uma notícia que ele gostaria de dar.

15:44 · 04.01.2017 / atualizado às 15:44 · 04.01.2017 por
O vereador defende oposição a Roberto Cláudio, enquanto Acrísio pensa diferente. FOTO: JOSE LEOMAR
O vereador defende oposição a Roberto Cláudio, enquanto Acrísio pensa diferente. FOTO: JOSE LEOMAR

Ex-secretário de Cultura do governador Camilo Santana, o vereador Guilherme Sampaio atuará como o líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal de Fortaleza para o período legislativo que se inicia. Na função, o parlamentar reafirma o papel de oposição do PT à gestão municipal e explica que o partido não comporá com o bloco de oposição formado por PR e PSDB no Legislativo.

Apesar de Acrísio Sena, do PT, defender uma postura mais independente ao lado da gestão Roberto Cláudio, Sampaio defende “uma oposição forte, combativa, consistente e qualificada ao prefeito, mas pela via da esquerda”. O vereador não pretende compor com as bancadas de oposição do PSDB e PR, que deram sustentação à candidatura de Capitão Wagner (PR), no pleito passado.

“Esse grupo político faz oposição ao governador Camilo Santana e, nacionalmente, sustenta o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff”, ressalta ele. “Com a redução das bancadas de esquerda temos a imensa responsabilidade de sermos porta-vozes dos movimentos sociais e populares e do pensamento progressista na Câmara”.

com  assessoria

08:31 · 04.01.2017 / atualizado às 08:31 · 04.01.2017 por

Por Miguel Martins

O presidente do Partido Social Democrático (PSD) no Ceará, deputado federal Domingos Neto, busca criar um bloco de oposição na Assembleia Legislativa, unindo PSD, PMB e PMDB. No entanto, a força destes três partidos no Legislativo cearense está aquém do que se imaginava até pouco tempo, dada a adesão de membros à base aliada do governador Camilo Santana (PT).

Até o fim de 2016, o PMB era representado por quatro deputados na Casa: Bethrose, Naumi Amorim, Laís Nunes e Odilon Aguiar. No entanto, mesmo após o racha entre o grupo político de Domingos Neto e a gestão de Camilo na eleição da Mesa Diretora da Assembleia, em dezembro passado, apenas Odilon passou a atuar na oposição. Laís e Naumi renunciaram aos mandatos para assumir prefeituras e deixaram vagas para outros dois da base aliada: Fernando Hugo (PP) e Rachel Marques (PT).

No PSD, apesar de Roberto Mesquita ter protagonizado críticas ao Governo em 2016, outros dois membros do partido, Osmar Baquit e Gony Arruda, são aliados do governador. O PMDB também se viu perdendo protagonismo como bancada de oposição. Enquanto Silvana Oliveira, Danniel Oliveira e Leonardo Araújo permanecem firmes como opositores na Casa, Agenor Neto, Tomaz Holanda e Audic Mota aderiram à base.

Silvana Oliveira admite que o partido pode ir para a formatação de bloco com PMB e PSD. “A tendência é que a gente seja liderado pelo Roberto Mesquita, até porque ele se destacou muito (em 2016)”, apontou.

Roberto Mesquita, por outro lado, afirma que nada foi tratado de forma oficial ainda pelas três siglas. Segundo ele, é preciso que as “lideranças maiores” – Domingos Neto, Patrícia Aguiar, Eunício Oliveira, Tasso Jereissati e Genecias Noronha – tomem alguma atitude quanto ao trabalho da oposição. “Domingos Neto está em busca de organizar a oposição, porque ela é desorganizada. Nós enfrentamos um Governo que tem toda estrutura e a oposição não tem nada”, disse.

08:30 · 04.01.2017 / atualizado às 08:30 · 04.01.2017 por

Por Miguel Martins

Vereadores de oposição dizem que sete nomes compõem o bloco, mas nem todos confirmam fazerem parte da bancada que se opõe ao Governo Foto: José Leomar
Vereadores de oposição dizem que sete nomes compõem o bloco, mas nem todos confirmam fazerem parte da bancada que se opõe ao Governo Foto: José Leomar

A bancada de oposição na Câmara Municipal de Fortaleza participou, ontem, da reunião que o prefeito Roberto Cláudio realizou com vereadores da Casa. Pouco antes do encontro com o chefe do Poder Executivo, os membros do grupo, separadamente, escolheram o líder e o vice-líder do bloco.

O vereador Plácido Filho (PSDB), que já liderou a oposição na gestão da ex-prefeita Luizianne Lins (PT), será o líder da bancada oposicionista ao prefeito Roberto Cláudio. A vice-liderança ficará sob o comando do Soldado Noélio (PR), novato no Parlamento Municipal. Apesar de dizerem ter sete vereadores no bloco, nem todos confirmam que fazem parte da bancada.

O vereador Casimiro Neto (PMDB), por exemplo, não participou da reunião dos oposicionistas e chegou ao restaurante que recebeu também o encontro do prefeito com os vereadores pouco depois de Roberto Cláudio. Membro do PT, o vereador Acrísio Sena já deixou claro que, em hipótese alguma, faria oposição ao lado de siglas como PSDB, PMDB ou PR.

Já o vereador mais votado desta Legislatura, Célio Studart, do Solidariedade (SD), disse que manterá uma postura de independência na Casa. Embora seu partido tenha feito parte da coligação que apoiou a candidatura de Capitão Wagner (PR) na eleição de 2016, ele sequer lembrava da reunião com a oposição marcada para o início da tarde de ontem. Ao Diário do Nordeste, afirmou que estava no local devido ao convite do prefeito para apresentar o secretariado.

Independência

“É um prazer enorme poder conhecer aqueles que vão executar os projetos que serão votados pela Câmara”, disse. Perguntado sobre como atuará na Câmara pelos próximos anos, Studart respondeu que terá “independência total”. “Chegamos aqui não por mérito de qualquer outra coisa, mas pela confiança dada pela população. O que a população espera é que a gente fiscalize e crie projetos de Lei”.

O vereador ressaltou ainda que, para fiscalizar o Governo, é preciso independência. “Não vou participar de oposição por oposição”, disse, quando questionado sobre a reunião que ocorria em uma das mesas do restaurante onde foi realizado o encontro do prefeito com os vereadores. “Vamos ter postura independente. O que tiver bom terá nosso aval, e o que for negativo terá nosso voto contra”, enfatizou.

Assim como o Partido dos Trabalhadores, o Solidariedade ainda não decidiu como a legenda trabalhará na Casa nos próximos anos, e Studart destacou que vai aguardar um veredicto da sigla. Após entrevista com o Diário, o parlamentar resolveu ouvir o que tinham a dizer seus colegas de oposição.

O prefeito Roberto Cláudio, que saudou o grupo no local, frisou que quer ter uma relação aberta com os opositores. “Ela faz parte da lógica de um bom Parlamento. Nos últimos quatro anos tivemos raros atritos com a oposição, e queremos manter o nível de diálogo com eles”.

Eleito líder da bancada, Plácido Filho sustentou que, apesar de pequena, a oposição está organizada. “Estamos debatendo pontos que serão abordados a partir de fevereiro. Esperamos o retorno dos trabalhos e queremos dar uma olhada minuciosa no Orçamento para 2017”.

O vereador Noélio destacou que Segurança e Saúde devem ser dois dos principais pontos abordados pela bancada, visto que são áreas ainda críticas na Capital. Eleito primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara no domingo (1), Idalmir Feitosa (PR) disse que a presença da oposição na reunião convocada pelo prefeito Roberto Cláudio “demonstra a grandeza da nossa cultura, da nossa forma de ser oposição, porque quando se impõe é participativa”, ressaltou.

08:48 · 03.01.2017 / atualizado às 08:48 · 03.01.2017 por

Por Miguel Martins

A solenidade de posse do novo secretariado de Roberto Cláudio (PDT) reuniu muitos vereadores e ex-vereadores – três deles que, inclusive, afastaram-se dos cargos no Legislativo para assumir pastas no Governo Municipal. Dentre os presentes no evento, o petista Acrísio Sena, que pretende fazer parte da base de apoio do prefeito reeleito, destacou que não fará oposição ao lado de PMDB, PSDB e PR.

Atualmente, a oposição a Roberto Cláudio na Câmara é composta por apenas sete dos 43 vereadores, todos membros das siglas tucana, peemedebista e republicana. No âmbito nacional, esses partidos fazem parte da base de sustentação do Governo Michel Temer (PMDB), que tem no PT uma das siglas opositoras.

“Eu, em hipótese alguma, estarei no mesmo campo de oposição de PMDB, PSDB e PR. Não tem a menor possibilidade”, frisou Acrísio Sena. Há impasse no que diz respeito ao posicionamento da bancada do PT na Câmara porque Guilherme Sampaio, o outro vereador reeleito pela sigla, defende que o grêmio continue fazendo oposição ao governo, da mesma forma que o fez de 2014 a 2016.

“Temos duas funções muito claras. A do Guilherme e a minha, que é a que estabeleçamos um diálogo em Fortaleza com o PDT. Nem defendo adesão e muito menos oposição a qualquer custo”. Visando o pleito de 2018, ele disse que não visualiza PT e PDT sem um grau de integração.

Ontem, foram empossados secretários os vereadores Elpídio Nogueira (PDT), Evaldo Lima (PCdoB) e Antônio Henrique (PDT). Com isso, assumirão na Câmara os suplentes Eron Moreira (PP), Eliana Gomes (PCdoB) e Carlos Mesquita (PROS).

09:29 · 28.12.2016 / atualizado às 09:29 · 28.12.2016 por

Por Renato Sousa

O Ceará é, entre as bancadas da Câmara Federal, uma das com o menor índice de apoio ao presidente Michel Temer (PMDB). De acordo com a ferramenta “Basômetro”, do site Estadão Dados – que mede a frequência com que os parlamentares votam conforme à orientação da liderança do governo -, o Ceará tem o terceiro menor índice de lealdade ao Palácio do Planalto, com 73% de votos a favor dos interesses do governo. O pódio é completado pelo Mato Grosso do Sul, com 72% de votos pró-Temer, e Acre, cujos os deputados votaram de acordo com a orientação de Temer em 55% das vezes. Em média, a Câmara tem uma taxa de adesão ao Planalto de 81%.

A situação é inversa a dos últimos momentos da gestão Dilma Rousseff (PT). Naquele período, a Câmara tinha uma média de lealdade a então mandatária de 70%, enquanto o Ceará alinhava-se com a petista em torno de 73% das votações. Ceará foi um dos três únicos Estados que tiveram maioria contrária à abertura do processo de impeachment, juntamente com Amapá e Bahia. Aqui, foram nove votos pela abertura do processo contra Dilma, enquanto 12 parlamentares opuseram-se. Um deputado, Aníbal Gomes (PMDB), faltou à votação.

Dentro da bancada, a menos governista é a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT). Ela votou com o governo em apenas 5%. Em 91 votações, Luizianne apoiou o governo em apenas cinco, tendo se abstido em uma sexta. Nas outras 85 oportunidades, Luizianne votou contra o governo. A taxa de governismo de Luizianne só não é inferior a de seus correligionários Wadih Damous (RJ) e Rejane Dias (PI), com 2% e 0%, respectivamente. Entretanto, esta participou de apenas duas votações – tendo se abstido em ambas -, enquanto aquele participou de 41, com um voto de acordo com a orientação do governo e outros 40 contrários.

No outro extremo, o Ceará tem 4 parlamentares que votaram conforme a orientação do governo em todas as oportunidades que tiveram: Aníbal Gomes, Genecias Noronha (SD), Mauro Benevides (PMDB) – que exerceu o mandato durante licença médica de Aníbal – e Domingos Neto (PSD), que chegou a votar contra a abertura do processo de impeachment. Com apenas um voto contrário ao governo, Raimundo Gomes de Matos (PSDB) tem uma taxa de governismo bem próxima do máximo, 99%. Somando todas as bancadas, 125 deputados votaram com o governo em 100% das oportunidades, e 54 apoiaram Temer em 99% das votações.

Sustentação

De acordo com o cientista político Uribam Xavier, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), mesmo com o Ceará estando entre os menores apoios ao presidente, a bancada do estado ainda deve ser computada como base de sustentação do Palácio do Planalto. “Não é como se aqui nós tivéssemos uma reação mais à esquerda ou de oposição”, afirma.

De acordo com o professor, o apoio a Temer é determinado especialmente pela parcela que partidos de oposição, como o PT de Luizianne ou o PDT dos ex-governadores Cid e Ciro Gomes. “Eventualmente, as bancadas estaduais podem ter uma participação maior ou menor (de partidos da oposição)”, declara. Ele cita a provável eleição do senador Eunício Oliveira (PMDB) como próximo presidente do Senado como exemplo do governismo dos legisladores do Ceará. O senador concorre contando com a simpatia de Temer. “Como uma bancada de oposição poderia estar elegendo o sucessor de Renan Calheiros?”, questiona.

Entretanto, de acordo com o cientista político, a base de Temer, apesar de expressiva, pode não ser tão sólida quantos os números podem expressar. “É uma base muito fisiológica, e isso pode atrapalhar”, afirma. Ele cita elementos como o avanço da Operação Lava-Jato, uma piora na situação econômica ou mesmo rusgas durante a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado – ambos previstos para o começo do ano que vem – podem tensionar a base de Temer além do que ela seria capaz de suportar.

10:23 · 24.12.2016 / atualizado às 10:23 · 24.12.2016 por

Por Edison Silva

No primeiro fim de semana deste mês de dezembro, o anúncio do rompimento do governador com Domingos Filho antecipou sua movimentação de postulante ao Governo Foto: José Leomar
No primeiro fim de semana deste mês de dezembro, o anúncio do rompimento do governador com Domingos Filho antecipou sua movimentação de postulante ao Governo Foto: José Leomar

Domingos Filho, o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) hoje em disponibilidade por conta da extinção deste Tribunal, é, agora, o quadro mais importante da oposição cearense para concorrer ao cargo de Governador do Estado, em 2018, sua pretensão antiga.

A fortaleza de Domingos, no entanto, está em ser o elemento que faltava ao PSDB e PMDB a se credenciarem, de fato, a ter um nome eleitoralmente capaz de representá-los. Ele não esperava ser forte por servir de instrumento da oposição, mas pelo trabalho pessoal em desenvolvimento no TCM, concomitantemente com o realizado no PSD e PMB, partidos que controla através da mulher, Patrícia, e do filho, deputado federal Domingos Neto.

Livre das amarras legais, Domingos, diluída a emoção do momento, trabalhará obstinadamente a unidade dos partidos de oposição e a estruturação de sua campanha, mesmo ainda muito distante do pleito. Precisa formular uma estratégia de oposição, como fazia para sobreviver na década passada, ainda integrando os quadros do PMDB.

Será ajudado, por certo, pelos adversários dos irmãos Cid e Ciro Gomes, representados pelos senadores Eunício Oliveira e Tasso Jereissati. O primeiro querendo ser reeleito, sobretudo tendo o álibi de Domingos ter a preferência por algumas razões. E o segundo, pela discordância como tem sido gerido o Estado nos últimos anos.

A extinção do TCM o alcança como quem é vítima de um grave acidente. Ele esperava ser hostilizado pelo esquema governista de que fazia parte, há mais de uma década. Estava certo da perda dos cargos ocupados por afilhados seus no Governo do Estado, e na Prefeitura de Fortaleza, mas nunca o exercício do cargo vitalício muito mais prazeroso e proveitoso politicamente do que propriamente pelo subsídio e as garantias proporcionadas ao seu titular.

Luxo

Os seus mais novos adversários também não projetavam a extinção do Tribunal, mas se aproveitaram da insinuação do deputado Heitor Férrer (PSB), numa conversa com deputados, imediatamente após a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia, e atingiram de cheio a Domingos Filho.

Heitor, eleitor de Zezinho Albuquerque para presidente da Assembleia, contra a eleição de Sérgio Aguiar, participava da roda em que os deputados criticavam a interferência dos conselheiros Domingos Filho e Francisco Aguiar, este, pai de Sérgio Aguiar, na disputa pela presidência da Assembleia.

Em determinado momento diz Heitor que é um luxo do Ceará ter dois Tribunais de Contas, e o dos Municípios deveria desaparecer. Interrogado se toparia encabeçar o movimento, aceitou de pronto, e 24 horas depois a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já estava pronta, e os deputados João Jaime e Tin Gomes se encarregaram de colher as assinaturas dos demais deputados, quase todos governistas. Daí para frente o governador Camilo Santana tomou conta do processo.

Toda a discussão travada, no rápido curso de tramitação da emenda de extinção do TCM, foi eminentemente política, partidarizada, com rancor, consequentemente desprovida de consistência, mesmo sabendo-se da determinação de fazer dos governistas, com o objetivo, registre-se, diferente do da moralização e da redução de gastos, embora os dois sejam alcançados com o desfecho, inesperado e inimaginável da coisa, posto de se ter falado nela uma única vez, há dez anos.

Lances

Como aqui foi registrado, no último dia 10, “conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios ousaram muito. Há notícia de atos e ações individualizadas incompatíveis com a atividade de magistrado que as leis e a toga conferem a cada um e à Instituição”. A redução de gastos, pode-se afirmar, não era o cerne do objetivo alcançado.

Todos os lances da política cearense, notadamente no campo governista, se desenrolam, muito antes da disputa municipal de outubro passado, objetivando a disputa estadual de 2018. E Domingos Filho foi quem deu a partida. Ele conseguiu assumir o controle de duas legendas: PSD e PMB.

A elas filiou deputados e prefeitos governistas, incomodados por uma ou outra razão, mas interessados em continuar sob a sombra da frondosa árvore do Governo. No pleito municipal suas legendas apresentaram vários candidatos a prefeito e vereadores, e com isso ele passou a reclamar mais espaços na administração estadual, chegando a incomodar até certo ponto.

Contava

Acreditando estar fortalecido com uma base de prefeitos e vereadores, além da garantia de sair presidente do Tribunal de Contas, avançou na disputa pelo primeiro cargo de comando da Assembleia Legislativa.

A eleição do deputado Sérgio Aguiar, do modo como foi trabalhada, contrária às pretensões do Governo, engordaria mais ainda o projeto de Domingos, pois facilitaria mais ainda suas incursões junto aos deputados.

Ele não imaginava um desfecho, também inesperado para muitos. E começou a perder prefeitos e deputados com os quais contava, pois a ação direta do governador devastou a sua plantação, reduzindo expressivamente a sua bancada parlamentar orientada para eleger Sérgio presidente da Assembleia, e outros projetos de futuro.

Alguns desses parlamentares, inclusive, com quem contava, ajudaram a fechar as portas do seu trunfo maior para o projeto de 2018, no caso o TCM, principalmente após a sua chegada à presidência da Corte extinta, também pela facilidade de atender diretamente aos prefeitos, sempre necessitados, por recalcitrantes na prática de malfeitos com os recursos públicos, e por isso generosos no atendimento a pedido de votos.

Os deputados, amigos e filiados aos partidos que comanda o traíram. Mas ele, conhecedor dos modos de fazer política atualmente, não deve ser surpreendido. Afinal, eles também só lhes faziam companhia por conta da sua proximidade com o Governo e a promessa das ajudas reclamadas para si e os aliados prefeitos.

10:54 · 11.12.2016 / atualizado às 10:54 · 11.12.2016 por
A eleição entre Zezinho e Sérgio geraram todo o mal-estar na base de Camilo. FOTO: José Leomar
A disputa entre Zezinho e Sérgio geraram todo o mal-estar na base de Camilo. FOTO: José Leomar

Ao que tudo indica o processo de eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, encerrado no primeiro dia deste mês, está sendo mais traumático do que se previa. Logo após o resultado da disputa, que reelegeu Zezinho Albuquerque (PDT) para o biênio 2017-2018, parlamentares chegaram a dizer que com o tempo os ânimos ficariam amenos, mas não é isso que está se configurando.

O deputado Odilon Aguiar (PSD) já disse que, a partir de agora, fará oposição ao Governo Camilo Santana, logo ele que há algumas semanas estava em uma das secretarias da administração do petista. Outros parlamentares das siglas PSD e PMB ainda aguardam uma reunião com o líder oficial do grupo, Domingos Neto, presidente do PSD, para tomarem uma posição.

Neto, por sua vez, já parece determinado a consolidar o rompimento com o grupo político dos Ferreira Gomes, tanto que se reuniu na sexta-feira passada com Eunício Oliveira e Gaudêncio Lucena,respectivamente, presidente e vice-presidente do PMDB.  Nas redes sociais, Domingos Neto postou a foto ao lado dos dois dirigentes peemedebistas com a frase “estamos juntos”. Oliveira foi derrotado por Camilo Santana nas eleições de 2014 ao Governo do Estado, enquanto que Lucena foi derrotado nas eleições deste ano pelo prefeito reeleito, Roberto Cláudio. Gaudêncio foi candidato a vice na chapa encabeçada por Capitão Wagner,do PR. Antes, Domingos Neto havia postado uma foto sua com o senador Tasso Jereissati, após um encontro dos dois no escritório do senador em Fortaleza.

Domingos Neto já se articula com a oposição a Camilo. FOTO: DIVULGAÇÃO
Domingos Neto já se articula com a oposição a Camilo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ainda na semana passada, um golpe foi sentido no grupo do PMB e PSD no Ceará, quando o deputado Heitor Férrer (PSB) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a fusão dos Tribunais de Contas dos Municípios (TCM) e Tribunal de Contas do Estado (TCE), no Ceará. Acontece que Domingos Filho, pai de Domingos Neto, é o presidente recentemente eleito para o TCM.

Alguns denunciariam que Férrer foi usado como “soldado” dos Ferreira Gomes para se vingar de Domingos Filho, que teria participado ativamente da disputa para a presidência da Assembleia, apoiando o candidato derrotado Sérgio Aguiar (PDT), que saiu da base governista de Camilo e agora se diz “independente”.

Filho aguarda ser chamado em audiência pública para dizer da inconstitucionalidade da matéria, bem como anunciou que acionaria a Justiça para que Ivo Gomes (PDT), prefeito eleito de Sobral, explique declarações feitas nas redes sociais, em que diz que o TCM estava sendo utilizado para beneficiar prefeitos “picaretas” e atacar os bons prefeitos.

Camilo Santana espera reunir o maior número possível de aliados

Enquanto isso, os ânimos no Poder Legislativo Estadual seguem alterados, e o governador Camilo Santana espera, nesta segunda-feira, reunir o máximo de apoiadores possíveis para fechar questão em torno de matérias polêmicas que devem chegar à Assembleia nesta semana, dentre e mudanças na administração pública, um “pacote de austeridade” e uma PEC que trata de alterações na previdência social do Estado.

Apesar de não contar com o apoio de alguns, até pouco tempo aliados, Camilo Santana terá reforço da participação de Audic Mota e Agenor Neto, ambos do PMDB e que apoiaram a candidatura do candidato do governador,  Zezinho Albuquerque à presidência da Casa. Agora, espera-se que esses apoiem à causa do Governo.

14:18 · 31.07.2016 / atualizado às 16:42 · 31.07.2016 por

 

Em convenção realizada na manhã deste domingo, no ginásio poliesportivo do Colégio Farias Brito, foi o cializada a candidatura do Capitão Wagner (PR) para a Prefeitura de Fortaleza
Em convenção realizada na manhã deste domingo, no ginásio poliesportivo do Colégio Farias Brito, foi o oficializada a candidatura do Capitão Wagner (PR) para a Prefeitura de Fortaleza

Em convenção realizada na manhã deste domingo, no ginásio poliesportivo do Colégio Farias Brito, foi oficializada a candidatura do deputado Capitão Wagner (PR) para a Prefeitura de Fortaleza. Em um evento que contou com as presenças dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), o postulante afirmou que dará prioridade para as áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública.

>> Convenções neste domingo oficializam mais quatro candidatos à Prefeitura de Fortaleza

Segundo ele, para gerar emprego e renda é necessário que a população esteja bem educada, e para se ter uma população saudável é necessário gerir a saúde pública de forma diferente. Ainda em seu discurso quando da convenção, o candidato disse que há muito preconceito pelo fato de ele ser militar, mas ressaltou que durante os 45 dias de campanha, através dos programas de Rádio e Televisão, bem como durante os debates propostos, tentará mudar essa impressão que parte da sociedade tem do militar.

Segundo Wagner, ele não é nem da extrema direita e nem da extrema esquerda, mas, sim, procurará trabalhar diretamente com o povo e para o povo. “O principal aliado da gente nesse momento é o povo. Nossa ideia é estar mais próximo da população, não só durante a campanha, mas também durante a gestão. Queremos ter esse sentimento do que é mais importante para a população de Fortaleza”, disse.

Além dos senadores Eunício Oliveira e Tasso Jereisssati, também estiveram presentes o presidente do PR, Lúcio Alcântara, do PSDB, Luiz Pontes, do Solidariedade, Genecias Noronha, além de deputados estaduais e federais. Apesar de em seu discurso, o senador Eunício Oliveira ter falado em unidade partidária em torno do nome de Wagner, o deputado federal Vitor Valim não compareceu à convenção. Ele era um dos nomes peemedebistas cotados para a disputa, mas recuou da candidatura.

08:59 · 16.05.2016 / atualizado às 08:59 · 16.05.2016 por

Por Miguel Martins

Partidos como PSOL, PC do B, PT e PDT devem fazer oposição ao governo do presidente em exercício Michel Temer. De acordo com parlamentares cearenses com pensamento ideológico alinhado à esquerda, este espectro da política brasileira deve sair fortalecido durante o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff e, com isso, se reaproximar cada vez mais da maior parte da população.

Para o deputado Renato Roseno, representante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Assembleia Legislativa, nos últimos anos houve avanços das ideias conservadoras no País porque a sociedade acabou identificando o “péssimo governo Dilma” como sendo uma gestão da esquerda, o que é contestado por ele. Segundo o parlamentar, o Brasil passa por uma crise política e econômica e quem está à frente do governo acaba sendo aquele que é mais atacado.

“A Dilma não conseguiu apresentar um projeto de Nação que, de fato, pudesse permitir à sociedade vislumbrar a diferença entre eles e outros aliados do governo. Acho que vai demorar um tempo para que os movimentos sociais consigam mostrar para a sociedade que um projeto de esquerda é um projeto de justiça social, de transferência de riqueza e de reforma política”, opina o parlamentar.

Renato Roseno ressaltou, ainda, que o governo de Michel Temer será mais restritivo, e devido a isso os partidos de esquerda terão que estar ao lado das pessoas “lutando pelos direitos que serão tolhidos. Temos que estar ao lado do povo, lutando pela manutenção dos seus direitos. O momento agora é de resistir”.

Representatividade

O deputado petista Elmano de Freitas, por outro lado, acredita que a esquerda permanece firme em representatividade no Brasil. Segundo ele, a esquerda brasileira tem porcentagem de força política independente de estar no Governo Central, devido às bancadas de deputados e senadores, além de governadores e um conjunto de militantes populares em todo o País.

Elmano disse que a sociedade vai se movimentar contra as medidas adotadas pelo governo provisório, já que, em sua análise, a ideia do programa “neoliberal” de Temer é reduzir direitos. “Acredito que a esquerda vai crescer mais e mais”.

Augusta Brito (PC do B) sustenta que a esquerda voltará ao poder fortalecida e mais madura, já que reconheceu seus erros e a população perceberá que muitos foram os avanços da sociedade nos últimos 13 anos. “Ela vai voltar mais forte e mais amadurecida”, destacou.

09:54 · 21.04.2016 / atualizado às 09:54 · 21.04.2016 por

A deliberação de uma moção de repúdio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), por homenagear, na votação sobre o impeachment, no último domingo, um torturador da ditadura militar levou os vereadores da oposição da Capital a fazer críticas ao esvaziamento dos debates e à ausência de colegas nas sessões plenárias da Câmara Municipal de Fortaleza.

Mais uma vez, a decisão do colégio de líderes de se discutir requerimentos nas comissões permanentes foi questionada.

Tendo retornado à Casa Legislativa em março, após ocupar o cargo de secretário estadual de Cultura por mais de um ano, Guilherme Sampaio (PT) apontou estar impressionado desde a sua volta com o esvaziamento dos debates e com a pouca presença de vereadores nas sessões plenárias. O parlamentar destacou que a situação tem relação com a montagem de uma operação política da base do Governo para esvaziar o debate político.

“Eu estou impressionado com uma operação política forte em andamento sustentada pela base do governo para esvaziar o debate político. Esse plenário é vazio o tempo todo, não debate as matérias polêmicas, jogou os pronunciamentos (para o momento) que ninguém mais acompanha o debate”, acusou.

07:26 · 19.04.2016 / atualizado às 07:26 · 19.04.2016 por
Raimundo Gomes de Matos diz que o PSDB já decidiu que enviará para Michel Temer pontos do plano de governo de Aécio Neves de 2014 FOTO: Fernanda Siebra
Raimundo Gomes de Matos diz que o PSDB já decidiu que enviará para Michel Temer pontos do plano de governo de Aécio Neves de 2014 FOTO: Fernanda Siebra

O resultado da votação na Câmara Federal que autorizou a instauração de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff já começa a alterar a rotina dos parlamentares. De um lado, segundo deputados federais do Ceará, está uma oposição aparentemente tranquila e que avança nas negociações para possível governo do vice-presidente Michel Temer. Nomes contrários ao impeachment, por sua vez, ainda estão digerindo a sucessão de traições que o governo Dilma amargou no domingo. Quem ocupa cargo na gestão já se prepara para o desembarque.

Esse é o caso do ministro das Comunicações, o deputado federal licenciado André Figueiredo (PDT). Na tarde de ontem, Ariosto Holanda (PDT), suplente em exercício na vaga de André, estava no gabinete do ministro para conversar sobre o provável retorno de Figueiredo para a Câmara. “Na hora que o Senado acatar, ele retorna. (Os ministros da Dilma) vão esperar, não vão sair antes, porque caracterizaria abandonar o governo”, disse.

Ariosto Holanda explica ainda que, entre parlamentares que são contrários ao impeachment, o clima ainda é de surpresa pela quantidade de votos considerados de traição contra o governo. Um deles é o do cearense Adail Carneiro, que se reuniu no domingo com o ex-ministro Cid Gomes e a presidente Dilma Roussef e confirmou apoio à petista, mas, na hora da votação, declarou “sim” ao impeachment.

“Achei aquilo um papel ridículo, ele bateu foto, ficou do lado da presidente para colocar foto no Facebook e faz um papelão desse”, criticou Ariosto. “O choque foi total, nunca vi tanta traição e falta de palavra. O próprio PDT vai expulsar seis deputados que votaram contra o partido”, complementou o parlamentar.

Estratégia

O deputado Chico Lopes, do PCdoB, única legenda 100% fiel ao governo federal, além do PT, confirma que, no momento, ainda não há estratégia entre governistas para enfrentar a próxima etapa do processo de impedimento, que segue para o Senado Federal. “Nem tem reunião e parece que não vai ter. Vamos reunir para discutir o quê? Não tem o que se discutir. A nossa luta é continuar com os movimentos populares da sociedade”, relata.

O deputado ressalta que “há uma certa calmaria” entre integrantes da oposição favorável ao impeachment. “Eles acham que resolveram o problema”, destaca, completando que o governo federal, apesar de estar pessimista sobre a votação no Senado, nutre alguma esperança de que o processo seja rejeitado.

“A luta também se torna mais rígida, mas o Renan (Calheiros, presidente do Senado) é um cidadão diferente do presidente da Câmara (Eduardo Cunha), que tem 200 deputados que seguem orientações dele”, salienta.

O deputado Ronaldo Martins (PRB), que é favorável ao impeachment, informa que deve haver uma reunião na próxima semana do seu partido para discutir como os filiados com mandato vão se comportar nos próximos dias, com o envio do processo para o Senado Federal. “O papel da Câmara já foi feito, agora esperamos que o Senado faça sua parte”, justificou.

Um dos desafios que opositores podem enfrentar é a rejeição do eleitorado aos sucessores de Dilma, o vice-presidente Michel Temer e, de forma mais complicada, o dirigente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por atos de corrupção. “Ele será o próximo”, resumiu Ronaldo Martins, alegando que o PRB não tem interesse em que Cunha permaneça no cargo<MC0>.

Acordo

Sobre o mesmo tema, o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB) nega que haja uma espécie de clemência a Cunha por parte de tucanos em prol da aprovação do impeachment. “O nosso posicionamento para o afastamento do Cunha está desde o início. Todo o comportamento dos membros da comissão processante é acelerar o processo, não há um acordo do PSDB nesse sentido”, sustenta.

Gomes de Matos afirma que, logo após a votação do impeachment, no domingo à noite, integrantes do PSDB já se reuniram para pensar propostas da campanha à Presidência da República do tucano Aécio Neves de 2014 a um eventual governo Temer. Ele rechaça que o PSDB esteja querendo negociar cargos, mas já aponta possíveis nomes cotados para os ministérios de Temer.

“Não vamos dizer que queremos um Ministério da Fazenda, mas comenta-se que o Serra vai para a Saúde”, aponta. “Logo após o processo inicie no Senado, deputados vão manter o contato com o senador Aécio, da executiva nacional, para um posicionamento em termos de garantir a governabilidade com as propostas dentro da nossa agenda (de campanha) de 2014”.

11:14 · 20.02.2016 / atualizado às 11:14 · 20.02.2016 por
Em pronunciamento, o deputado Renato Roseno (centro) destacou a gravidade do aumento de crimes de execução contra policiais no Ceará e cobrou pronunciamento de Camilo sobre os 100 dias da chacina da Messejana Foto: Fabiane de Paula
Em pronunciamento, o deputado Renato Roseno (centro) destacou a gravidade do aumento de crimes de execução contra policiais no Ceará e cobrou pronunciamento de Camilo sobre os 100 dias da chacina da Messejana Foto: Fabiane de Paula

O líder do Governo na Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Evandro Leitão (PDT), antes do retorno dos trabalhos legislativos deste ano, disse que iria procurar unir cada vez mais a base governista. No entanto, passadas três semanas do início das atividades parlamentares, os aliados seguem cada vez mais dispersos, enquanto a bancada de oposição se une para atacar a gestão de Camilo Santana.

Durante sessão ordinária de ontem, mais uma vez os oposicionistas dominaram, praticamente, todos os tempos dos pronunciamentos fazendo críticas à Segurança Pública do Estado, uma vez que mais um policial militar foi assassinado no Ceará. Há pouco mais de uma semana, também em uma sexta-feira, as críticas foram semelhantes. A oposição, inclusive, já havia desafiado os governistas na Casa quando, em sessão plenária, não havia parlamentares da base aliada.

Na plenária de ontem, 24 deputados registraram presença, dentre eles a maioria da base governista. Durante o primeiro expediente, ao invés de fazerem uso da palavra, os aliados cederam seus tempos para deputados da oposição. Foi o que fizeram Manoel Duca (PROS), que cedeu tempo para Wagner Sousa (PR); Fernando Hugo (SD), para Fernanda Pessoa (PR); e Lucilvio Girão (SD), para Renato Roseno (PSOL). Os outros tempos foram utilizados pelos opositores Ely Aguiar (PSDC) e Silvana Oliveira (PMDB).

Somente Ferreira Aragão (PDT), da base de apoio, tratou do tema Segurança Pública em seu discurso, como algo inerente ao Governo Federal, que deveria, segundo ele, combater o narcotráfico. Ao Diário do Nordeste, no entanto, percebendo a apatia dos aliados, ele disse que é necessário mais “vigor” por parte dos governistas ao defender a administração de Camilo. Para Roberto Mesquita (PV), que é defensor do Governo, a oposição está “vencendo” os debates propostos em todas as semanas, mesmo estando em menor número.

“A base está acabrunhada, escondida, não defende com ênfase o Governo. Há um problema do Governo com sua base, e eu tenho que ver onde estou falhando e onde o Governo está, porque estamos perdendo de forma muito feia”, afirmou.

Para defender a gestão estadual das duras críticas, os líderes têm se esforçado em buscar informações para combater as denúncias levadas pelos opositores. No entanto, os demais se calam diante dos opositores. Na sessão de ontem, o líder do Governo, Evandro Leitão, não se pronunciou sobre o assunto e após registrar presença se ausentou da Casa. Já Leonardo Pinheiro (PSD) chegou ao Plenário 13 de Maio por volta das 10h30, quando o debate já havia começado.

Amenizar críticas

Coube ao vice-líder, Júlio César Filho (PMB), tentar amenizar as críticas feitas à Secretaria de Segurança Pública. O parlamentar explicou que o fato de 2016 ser ano eleitoral contribui para as ausências nos debates. Segundo ele, é preciso reunificar e fortalecer o Governo Camilo Santana, e por isso há um planejamento por parte do Poder Executivo de reunir toda a base junto aos secretários, o que deve ocorrer a partir da próxima semana.

“Isso foi feito no ano passado e a liderança do Governo solicitou a realização dessa explanação das pastas para toda a base. Aqueles que se identificarem mais em determinadas áreas, vamos colocar um canal direto com a secretaria. Para trazermos aqui as ações que foram e serão feitas, não só para defender. Na próxima semana faremos uma reunião de todo o secretariado e toda a base”, esclareceu.

Por volta das 11 horas de ontem, outros governistas começaram a chegara à sessão, mas, após os debates, a base não tratou mais sobre a defesa do Governo. A assessoria do secretário de Relações Institucionais, Nelson Martins, chegou a orientar o deputado Leonardo Pinheiro para que ele rebatesse as criticas feitas durante o primeiro expediente. Os três deputados petistas, Elmano de Freitas, Rachel Marques e Moisés Braz, registraram presença, mas não participaram da sessão ordinária.

Joaquim Noronha (PP) também esteve presente na sessão de ontem e, para ele, o Governo tem estado sintonizado e coeso com sua base, ressaltando que a unidade pode ser observada durante as votações. “Na verdade, eu, pessoalmente, tenho participado das sessões. Agora, durante a semana, se analisar, o Governo está bem sintonizado. Realmente, as sextas-feiras, como são mais relaxadas sobre decisão do plenário, a oposição tem utilizado de forma mais forte”.

09:23 · 28.12.2015 / atualizado às 09:23 · 28.12.2015 por
O deputado Zezinho Albuquerque reconhece um maior engajamento da oposição na Assembleia Legislativa
O deputado Zezinho Albuquerque reconhece um maior engajamento da oposição na Assembleia Legislativa

O deputado Zezinho Albuquerque (PROS) completa o primeiro ano da atual legislatura como presidente da Assembleia do Ceará com a certeza de que deputados de oposição estão mais qualificados, além de estarem em maior número em relação a legislaturas passadas. Em contrapartida, a base governista, que passou por renovação significativa, está mais dispersa e menos coesa. O chefe do Legislativo estadual quer evitar que parlamentares façam uso da tribuna da Casa como palanque eleitoral em 2016, ano de eleições municipais. Leia a entrevista completa no site do Diário do Nordeste ou assista aqui.