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Tag: Oposição


09:03 · 28.07.2018 / atualizado às 09:03 · 28.07.2018 por

Por Edison Silva

Na próxima legislatura, a
bancada governista na AL será igual ou maior que a atual Foto: Fabiane de Paula

Nas últimas três décadas, em apenas uma eleição a oposição chegou ao Governo do Estado do Ceará e, ainda assim, por ter contado com o desmantelamento da base governista, nos estertores do Governo Lúcio Alcântara, iniciado em 2002. Os políticos cearenses são, na sua amplíssima maioria, governistas por excelência.

Nas eleições deste ano, pelo cenário posto, tudo vai ser como antes, pois os adversários do atual governante, por razões várias, não dão qualquer esperança de sucesso eleitoral, o que não deixa de ser deveras lamentável, posto resultar da ação eficiente e respeitável da oposição, o estímulo maior para uma profícua gestão.

Pelo encaminhamento da disputa deste 2018, só vamos ter uma eleição majoritária disputada no Ceará, quando e se houver o rompimento do grupo político atualmente dominando o Poder, assim como ocorreu em 2006, pois não há nomes promissores, no cenário local, com perspectiva de despontarem como futuras lideranças.

Desde o início da década de 1980 que os governistas revezam-se na chefia do Poder Executivo estadual. Cid Gomes, então filiado ao PSB, em 2006, derrotou Lúcio Alcântara (PSDB), candidato à reeleição. Também aqui uma exceção, Lúcio foi o único candidato a um consecutivo segundo mandato a não lograr êxito na empreitada.

Pouco expressiva

Ele havia perdido o apoio do senador Tasso Jereissati, o seu principal eleitor, como este houvera sido de Ciro Gomes, na eleição de 1990. Lúcio ficou na oposição, mas nada a ela acrescentou, tanto que em 2010 voltou a disputar o Governo contra Cid, buscando a reeleição, e acabou com a votação pouco expressiva que o deixou no terceiro lugar no final do pleito.

Nas últimas oito eleições para o Executivo estadual cearense, só em 2014, com Camilo Santana representando a base governista, as oposições realmente foram expressivas. O senador Eunício Oliveira, saído do grupo de Cid Gomes, perdeu a disputa no segundo turno e por uma pequena margem de votos. Antes, também, José Airton provocou um segundo turno com a soma dos votos dados aos candidatos Welington Landim e Sérgio Machado, ambos desgarrados do grupo liderado pelo senador Tasso Jereissati.

Cid foi o governador, do período a que estamos nos reportando, com a maior base de apoio político-partidário, seguido agora por Camilo. Ambos, é imperioso se afirmar, não tiveram necessidade de fazer o tradicional trabalho de aliciamento. As adesões recentes, às vésperas das eleições, do deputado federal Genecias Noronha, do senador Eunício Oliveira, e do ex-vice governador Domingos Filho, os dois últimos protagonistas de embates verbais duríssimos com as principais lideranças governistas, são uma prova real de quanto é efêmero o compromisso de políticos de hoje com os eleitores que os sufragam.

O quadro atual, registre-se, por oportuno, não é muito diferente dos períodos anteriores, sobretudo desde quando a tal Revolução de 1964 extinguiu os partidos políticos e foram criados Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), gerando aglomerados de políticos e fazendo nascer um novo grupo de políticos, o governista, bem expressado na máxima de um conhecido vereador de Fortaleza, segundo o qual ele “não tinha culpa de o Governo mudar de quatro em quatro anos”.

Lamentável

Ele sempre tinha a marca do Governo da época dos generais e coronéis, ou por pessoas por eles indicados, no caso o municipal. O compromisso da quase totalidade dos situacionistas é, na melhor das hipóteses, exclusivamente suas eleições, ou de alguns dos seus.

Essa realidade, enfatizamos, lamentável, pode fazer com que o general Guilherme Theophilo (PSDB), o principal candidato adversário de Camilo, tenha a sorte do seu primo, o ex-presidente da Assembleia, Marcos Cals, em 2010, quando representando o PSDB concorreu com Cid Gomes, obtendo apenas 775.852 votos, pouco menos de um terço do total recebido pelo vencedor, deixando Lúcio Alcântara no terceiro lugar, ao conquistar 654.035 sufrágios. O somatório da votação de Cals e Alcântara confirma a tese da existência de um percentual de 30% do eleitorado de oposição a qualquer governante, sem a necessidade de qualquer estímulo de políticos adversários.

O individualismo dos políticos e o desejo de estarem sempre ao lado do governante são as razões motivadoras de isolarem-se, logo na própria campanha, dos candidatos ao Executivo sem perspectivas evidentes de vitória, tanto que o somatório dos votos recebidos pelos candidatos aos legislativos ficam muito aquém daqueles conquistados pelos candidatos a governador de oposição.

Afastamento

As consequências disso, porém, são um Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras Municipais cada vez mais subservientes ao chefe do Executivo de plantão, desqualificando-se e causando elevados prejuízos à sociedade.

A perspectiva de composição da Assembleia a ser eleita em outubro vindouro é a de ser tão governista quanto a atual, quando quase 90% dos 46 deputados são do governador, sempre dispostos a dizer amém, e incapazes de fazer uma crítica, até mesmo construtiva, sobre qualquer ação ou omissão governamental, para não ferirem susceptibilidade e, assim, sofrerem a punição do afastamento, situação insuportável para todos aqueles aduladores que entender ter sido eleitos para bater palmas para o governador do momento.

10:54 · 10.07.2018 / atualizado às 10:54 · 10.07.2018 por
Chapa do bloco liderado por Tasso Jereissati tem, até o momento, o empresário Eduardo Girão (esq.) e o general Guilherme Theophilo (dir.) Foto: Kleber A. Gonçalves

Com a proximidade da convenção que oficializará, no próximo dia 29, os candidatos da coligação PSDB-PROS para as eleições deste ano, o PROS lançou ontem, na Assembleia Legislativa, a pré-candidatura do empresário Luís Eduardo Girão ao Senado. Em entrevista, o senador Tasso Jereissati (PSDB), principal líder do bloco, afirmou que, com os nomes de Luís Eduardo Girão e do general Guilherme Theophilo (PSDB) – este como pré-candidato ao Governo do Estado – já lançados, a segunda vaga para o Senado na chapa oposicionista, a ser ocupada por um tucano, bem como o nome que será indicado pré-candidato a vice-governador, devem ser definidos até o fim da próxima semana.

O evento reuniu os presidentes estaduais do PROS, deputado estadual Capitão Wagner, e do PSDB, Francini Guedes, além de outras lideranças, deputados estaduais e federais cearenses e outros apoiadores do postulante ao Senado. De outros estados, participaram do lançamento os senadores Magno Malta (PR-ES) e José Medeiros (Podemos-MT), o deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e o vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM-SP), um dos coordenadores nacionais do Movimento Brasil Livre (MBL).

Os discursos pregaram a união de diversos setores para a eleição de mais parlamentares alinhados a pautas de defesa da vida, da família tradicional e de luta contra a legalização da maconha e dos jogos de azar, dentre outras, em um movimento de “renovação” do Congresso.

Em discurso, Magno Malta ressaltou que, mesmo que possam divergir doutrinariamente, “na defesa da vida e dos valores nós temos que nos unir, hoje muito mais que antes”. “Eu acho que as pessoas não aguentam mais. Nós chegamos ao fundo do poço, então o momento agora é de ação pelo bem, pela paz, pela vida”, frisou, por sua vez, Luís Eduardo Girão. Ele defendeu um discurso de “pacificação”.

Tasso, por sua vez, disse, em entrevista, que o bloco não tem pressa para fechar a chapa. “Temos que amadurecer aqueles que têm melhores condições não só de compor a chapa, de ajudar a chapa como um todo. A chapa é um time, vai funcionar como um time, então nós estamos avaliando, internamente, quais são os que têm melhores condições. Acho que até o final da próxima semana devemos ter uma ideia”, informou.

Ao tratar, ainda, do cenário nacional, em que o PSDB tem dificuldades para atrair alianças à pré-candidatura de Geraldo Alckmin a presidente, ele negou rumor de que poderia disputar a eleição para vice-presidente. “A nossa ideia é ter na vice-presidência um partido aliado, que possa somar forças conosco, dar mais consistência, dar mais estrutura à nossa candidatura do Alckmin”.

08:05 · 31.05.2018 / atualizado às 08:05 · 31.05.2018 por

Por Letícia Lima

Depois do óleo de peroba, foi a vez de uma flanela ser levada, ontem, à tribuna da Assembleia Legislativa, pelo deputado Heitor Férrer, para protestar contra o PSD e o seu próprio partido, o Solidariedade, que mudaram de “lado” e se tornaram aliados do governo estadual. Heitor, que enfatizou estar “livre” na legenda, criticou a postura do conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Filho, cuja família comanda o PSD no Ceará. Ele disse que só uma flanela poderia dar “polimento” à “cara-de-pau” da “politicalha”.

Heitor lembrou as críticas que recebeu, inclusive de Domingos Filho, quando começou a tramitar proposta de sua autoria, em 2016, para extinguir o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), à época presidido por Domingos. A matéria foi aprovada após racha do grupo de Domingos com o grupo dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

“A politicalha do Ceará funciona no interesse e na conveniência. Eu comparo essa mudança da oposição com o sabido macaco que pula de galho em galho na busca do fruto mais gostoso, mais suculento. Estou aproveitando o óleo de peroba e quero polir a politicalha dos que ontem diziam que tudo no governo era errado e, de ontem para hoje, o governo acertou em tudo”.

Já no final do discurso, Heitor admitiu que o Solidariedade está incluído no grupo que acompanhou o PSD e migrou para a base governista. No entanto, ele disse que, ao tratar do assunto com o presidente da legenda, deputado Genecias Noronha, foi autorizado a permanecer “livre” no partido para fazer oposição. Heitor disse que continuará na “pisada” ora de independência ora de oposição na Casa.

11:13 · 23.05.2018 / atualizado às 11:13 · 23.05.2018 por

Por Letícia Lima

Deputado Roberto Mesquita levou para o plenário da Assembleia, ontem, vários vidros de óleo de peroba, distribuindo-os com colegas Foto: José Leomar

O deputado Roberto Mesquita (PROS), um dos que mais defenderam o conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Filho, quando do rompimento deste com o grupo do governador Camilo Santana e no curso do processo de extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), surgiu ontem na Assembleia com vidros de óleo de peroba. Para o parlamentar, “o que estamos assistindo hoje é um verdadeiro disparate: pessoas se unindo para manterem seus empregos e, pasmem, que são os mandatos legislativos”, disse ele, referindo a adesão do próprio Domingos e outros ao grupo representado por Camilo.

O anúncio da saída de Domingos Filho, de seus liderados e do deputado federal Genecias Noronha, presidente estadual do Solidariedade, da oposição, para integrarem-se ao grupo governista, foi o principal tema levado à sessão ordinária do Legislativo estadual, na terça-feira, por alguns oposicionistas. Os governistas, a maioria surpresos com os fatos noticiados, só tratavam do assunto nos corredores que levam ao plenário da Assembleia.

Exibindo garrafas de óleo de peroba da tribuna da Assembleia, Mesquita criticou aqueles que praticam a “política da cooptação” em nome do poder. “Se hoje te amo, amanhã te odeio. Nós precisamos usar essa tribuna para fazer com que o óleo de peroba venda menos para que os homens públicos não sejam como os marinheiros, que deram origem a essa expressão e saíam por aí mentindo”, disse o deputado que, no ano passado, fazia pronunciamentos defendendo Domingos Filho.

Antes de Mesquita, o deputado Ely Aguiar (PSDC), que se classifica como “independente”, criticou o comportamento de políticos que mudam de “lado” visando apenas ganhar “benefícios”. Ele também colocou dois vidros de óleo de peroba sobre o púlpito, durante seu pronunciamento, dedicando-os aos políticos “caras de pau”.

“Poucos têm hombridade moral, posição correta, para não ficar passando para o lado A, para o lado B, para o lado C. Não existe ideologia política e você passa de um lado para o outro com a finalidade de ganhar benefícios para si ou para seus familiares ou para algum correligionário que você queira prestigiar”.

Prato

“Esses acordos, esses conchavos são feitos com a utilização do recurso público. Acho que a política é para pessoas que têm vergonha na cara. Para muitos políticos brasileiros, usar óleo de peroba é pouca coisa”, continuou. O deputado ainda demonstrou indignação com aqueles que “cuspiram no prato que comeram, depois voltaram a comer no mesmo prato que cuspiram”.

Para o deputado Carlos Matos (PSDB), hoje o “que vale é o interesse pessoal, não é o que é melhor para o Estado. Alguém que muda radicalmente uma posição da noite para o dia é o que? Um dia, um deputado chega aqui e faz uma crítica enorme ao Governo. Parece oposição de barganha, para ver se vale mais e, depois, valendo muito, já não fala mais. A cooptação que o governo fez de boa parte da oposição mostra que a política precisa, de fato, de uma grande reforma no País, para que sejam mais coerentes os caminhos e que a sociedade não fique tonta”.

Diferentemente do deputado Genecias Noronha, que acertou sua ida para o Governo e nada disse aos oposicionistas, Domingos Filho, na segunda-feira (21), comunicou sua decisão ao senador Tasso Jereissati (PSDB).

11:11 · 23.05.2018 / atualizado às 11:11 · 23.05.2018 por

Por Miguel Martins

A frase proferida pelo senador Tasso Jereissati (PSDB) durante o anúncio da pré-candidatura do general Guilherme Theophilo (PSDB) ao Governo do Estado, quando reconheceu que desde 1986 nunca esteve tão só, pegou oposicionistas de surpresa. Para além do poder de convencimento da base governista, alguns opositores atribuem a debandada de membros do grupo à falta de unidade do bloco diante de um distanciamento de suas lideranças.

No início da atual Legislatura, ao menos 15 deputados se diziam opositores ao Governo Camilo Santana (PT). No grupo, restaram apenas PSDB e PROS, após a ida do MDB, do PSD e do Solidariedade para a base governista. Os dois partidos têm quatro deputados: Capitão Wagner, Roberto Mesquita, Fernanda Pessoa e Carlos Matos.

Ely Aguiar (PSDC), apesar dos ataques que faz à gestão, diz ser “independente”, e o PSOL, com um deputado, faz oposição de forma isolada. Soma-se a estes Heitor Férrer (SD), que não deve se alinhar ao posicionamento majoritário do Solidariedade como aliado de Camilo.

Na opinião de Roberto Mesquita (PROS), a fala do senador tucano pode ser interpretada como um apelo para que a coerência volte às discussões no processo eleitoral. Ele disse ainda que o ambiente na Assembleia é de “tristeza” dos dois lados. Na oposição por não ter conseguido se arregimentar, e do lado do Governo por não ter identidade. “Da mesma forma que a oposição pecou em não se unir, o Governo exagera na fala de identidade pelas alianças que faz”.

A deputada Fernanda Pessoa afirmou que prevaleceram interesses particulares na debandada de ex-opositores. “Não acredito que tenha sido essa questão da falta de apoio (do grupo), mas de egoísmo mesmo”. Para Carlos Matos, porém, é difícil fazer um julgamento da oposição quando o Governo não se importa com as diferenças ideológicas de partidos. “A política está podre. Tivemos ofensas pessoais e seria quase impossível que essas pessoas estivessem juntas”.

09:09 · 22.05.2018 / atualizado às 09:09 · 22.05.2018 por

Por Miguel Martins

Senador Tasso Jereissati chega ao local do evento, no Iguatemi Empresarial, com o general Guilherme Theophilo, candidato ao Governo do Ceará Foto: Kid Júnior

O senador Tasso Jereissati (PSDB), ao apresentar o general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (PSDB) como candidato a governador do Estado do Ceará, declarou que nunca esteve tão só na política como agora. No evento, que contou apenas com as presenças de políticos do PROS e PSDB, ficou explicitado que o PSD e o Solidariedade não faziam mais parte do grupo, pois tinham acertado aliança com a base governista de Camilo Santana. Tasso foi pessoalmente informado por Domingos de sua saída do bloco oposicionista.

Em seu discurso de apresentação aos militantes presentes, o general tentou demonstrar conhecimento da máquina pública e fez diversas críticas à gestão de Camilo Santana. Ele também aproveitou o momento para lamentar as ausências de lideranças outrora de oposição, neste caso, do deputado Genecias Noronha (SD) e Domingos Filho, líder político do PSD.

Segurança Pública, Saúde, Educação e Geração de Emprego devem ser o foco do candidato tucano, conforme ele informou ao Diário do Nordeste, ontem, após a realização do evento. “Precisamos trabalhar com ética e profissionalismo, sem pedir nada em troca. Esse é o PSDB em que acredito”, disse. “Conhecido no Ceará eu sou, não sou conhecido da classe política. E eu prefiro não ser conhecido dessa classe política”, completou.

‘Desastre’

Nos últimos meses, Theophilo iniciou uma série de incursões em alguns equipamentos do Estado e, segundo ele, a Saúde do Ceará está um “desastre”, com índice de mortalidade infantil ainda preocupante. “Vi coisas que não tinha visto nem em países em situação de guerra. Pessoas, praticamente, parindo no chão. Fossa estourada no meio da Casa de Saúde, no hospital que leva o nome do meu avô, César Cals. Foi um choque muito grande”, lamentou.

Ele apontou também uma série de problemas no sistema de Segurança Pública do Estado, afirmando que a solução é simples. “Precisamos investir em inteligência, formar uma ilha no nosso Estado. Precisamos de coragem, porque o que está faltando é autoridade”, defendeu. Na Educação, o postulante afirmou que números estariam sendo “maquiados”, visto que a situação ainda é crítica, principalmente, no Interior do Estado.

Guilherme Theophilo quer implantar no Ceará a “Administração 4.0”, com foco na inovação. Ele disse que apresentou, ainda enquanto general da ativa, um projeto ao prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e ao governador Camilo Santana, mas não obteve respostas positivas sobre a implantação da iniciativa. “Precisamos investir na garotada e não construir obras monstruosas que não são prioridade para nosso Estado”, criticou.

Sobre a crise hídrica no Ceará, o militar apontou que há, sim, uma “Indústria da Seca”, visto que, há quase 20 anos, existiam 83 municípios necessitando de abastecimento de carros-pipa, o que não mudou desde então. “Temos que acabar com a ‘Indústria da Seca’. O Exército recebe R$ 1,5 bilhão para distribuição de água. Fortaleza pode ser abastecida através da dessalinização”.

Conchavos

No discurso, Theophilo afirmou também que pretende fazer um Governo de renovação, buscando “acabar com grupos políticos que dominam há muito tempo. Quero trazer o orgulho de ser cearense”. Durante o evento, poucas foram as lideranças políticas do Estado que se fizeram presentes. Dentre eles estavam o presidente estadual do PROS, Capitão Wagner; e o vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB).

Tasso Jereissati, em um discurso enfático, criticou “conchavos” políticos que estariam sendo realizados e que teriam resultado na saída do Solidariedade e do PSD da base oposicionista. “Eu acredito que se não fosse aqui o meu amigo Capitão Wagner… Eu, na minha vida política, desde 1986, nunca estive tão só. Isso é inédito. Estamos aqui, apenas esses dois partidos”, lamentou o senador tucano. Ele destacou ainda que “ganhar ou perder faz parte. Feio é se omitir por comodidade”.

“Hoje mesmo estamos vendo uma rodada de negociações lá pelas bandas do Governo. Eu quero dizer que a candidatura do general Guilherme significa que nós não vamos, nesta eleição, participar de conchavos, negócios, trocas, acordos de nenhum tipo, sejam quais forem as vantagens”, apontou Tasso.

A debandada de opositores teve início com a aproximação do senador Eunício Oliveira (MDB) ao Governo Camilo Santana. Para o senador Tasso Jereissati, o emedebista tem comportamento estranho. “Quando sai da fronteira do Ceará, ele é Temer. Quando entra no Ceará ele é Lula. Temos que entender melhor a posição dele”, ironizou.

Ainda de acordo com o parlamentar, o sistema político faliu e muitos políticos vêm se comportando de forma “promíscua” utilizando dinheiro público. “Por isso estamos trazendo aquilo que é melhor para o Ceará. Um homem sério, fora da política, que não aceita esse tipo de política antiga. Correto, sem Lava-Jato”, disse, referindo-se ao general com o slogan: “Bota moral, General”, concluiu.

Roberto Pessoa, por sua vez, fez críticas aos até recentemente aliados, que tornaram-se aliados do Governo. “Quando o barco está para afundar, os ratos são os primeiros a pular fora. Só que o barco não está afundando”, disse, afirmando que o Solidariedade já estaria ao lado da atual gestão e que o PSD “está indo”.

17:43 · 21.05.2018 / atualizado às 18:10 · 21.05.2018 por

 

Domingos Filho foi a ausência mais notada no lançamento do nome do general Guilherme Thephilo a governador do Ceará, no fim da tarde desta segunda-feira Foto: José Leomar

Domingos Filho foi a ausência mais notada no evento de agora há pouco, de lançamento da candidatura a governador do Ceará do general Guilherme Theophilo. Domingos, representando o PSD, e o deputado federal Genecias Noronha, presidente estadual do Solidariedade, não mais fazem parte da oposição ao Governo Camilo Santana.

Domingos, conselheiro do extinto Tribunal de Contas dos Municípios, agora em disponibilidade, conversou com o ex-presidente do PSDB,  Luiz Pontes, e hoje com o senador Tasso Jereissati, comunicando sua impossibilidade de participar do evento de lançamento do nome do general Guilherme Theophilo.

Na ocasião, ele afirmou ter reatado sua amizade com o ex-governador Cid Gomes, com quem conversou antes de viajar para a Inglaterra, onde passou uma semana, voltando ao Ceará no último sábado à noite.

No domingo, Domingos voltou a conversar com Cid Gomes. O deputado Genecias Noronha também acertou sua ida para o esquema do Governo Camilo, com o próprio governador.

18:35 · 18.05.2018 / atualizado às 18:35 · 18.05.2018 por
Genecias Noronha tem se colocado contra a indicação do general Guilherme Theophilo pela oposição. FOTO: Kléber A. Gonçalves

Além da proximidade que tem com o senador Eunício Oliveira (MDB), o deputado federal Genecias Noronha (SD) possui relação amistosa com o prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PDT), e essa isso pode ser positivo em caso de uma possível aliança  do Solidariedade com o Governo de Camilo Santana.

Noronha já apoiou a candidatura de Ivo Gomes no pleito de 2010, e desde então os dois possuem uma relativa aliança política. No pleito daquele ano, por exemplo, a dobradinha entre os dois fez com que Ivo tivesse mais de 10 mil votos no Parambu, colégio eleitoral de Genecias.

Genecias Noronha tem se colocado contra a indicação do general Guilherme Theophilo pela oposição e teria procurado dialogar com o governador Camilo Santana para tratar de alianças políticas. Além do MDB e PR, existe a possibilidade da gestão atrair para si o Solidariedade.

Ainda que algumas lideranças vejam com espanto a possibilidade de ingresso do Solidariedade na base governista de Camilo Santana, Ivo Gomes é um dos que acreditam em tal viabilidade. Resta saber a opinião dos outros irmãos, Cid e Ciro Gomes, ambos lideranças no grupo político da base governista.

A propósito, no próximo sábado, no Beco do Cotovelo, em Sobral, o prefeito Ivo Gomes vai receber o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira, quando será anunciado investimentos da ordem de R$ 40 milhões para o Município.

O gestor, inclusive, em entrevistas que concedeu a rádios da Região Norte, disse que fazia questão da presença do senador emedebista, para agradecer seu empenho para a liberação de tais recursos junto ao Governo Federal.

08:59 · 15.05.2018 / atualizado às 08:59 · 15.05.2018 por

Por Letícia Lima

Além de estar em menor número – são apenas nove dos 46 deputados estaduais -, a oposição, na Assembleia Legislativa, está longe de encontrar uma unidade. Poucos foram os oposicionistas que ocuparam a tribuna da Casa neste mês. O fato de a bancada oposicionista ter decidido não se agrupar em um único bloco partidário é apontado por alguns parlamentares entrevistados pelo Diário do Nordeste como mais um motivo para o grupo se “dispersar”. A definição em torno do candidato que representará a oposição na disputa ao Governo do Estado é vista como solução para unir a bancada na Casa novamente.

Uma consulta feita às atas das sessões plenárias, disponíveis no portal da Assembleia, mostra que, nas duas últimas semanas deste mês de maio, apenas quatro dos nove oposicionistas na Casa ocuparam a tribuna do Plenário 13 de Maio durante o Primeiro Expediente – período que disponibiliza seis tempos com 15 minutos cada para os grandes discursos. Entre os parlamentares está Ely Aguiar (PSDC), que se considera “independente”, embora adote posicionamentos contrários à gestão estadual. Hoje, por exemplo, dos seis tempos previstos no Primeiro Expediente, inscreveram-se os deputados Capitão Wagner (PROS) e Heitor Férrer (SD).

Nos bastidores, deputados da base governista, inclusive, ironizam, perguntando pela presença dos opositores, já que eles prometeram disputar os espaços na tribuna durante as sessões ordinárias. Líder do PROS na Assembleia, o deputado Capitão Wagner, por outro lado, justificou que a maioria dos colegas estava envolvida em compromissos nas últimas semanas e por isso não pode estar presente em Plenário.

“Acredito que a partir desta semana se normaliza a situação. E o pessoal, logicamente, está se organizando para as campanhas, (é) natural que cada um esteja com os seus partidos. A gente está tendo a definição do candidato a governador e acho que agora os ânimos se acalmam. A gente vai formatar o restante da chapa e vai intensificar o trabalho aqui na Casa”, avaliou.

Para o parlamentar, a definição da chapa majoritária do grupo oposicionista poderá unir a bancada na Assembleia em torno de uma “pauta comum”. “Porque se a gente for ver os quadros da oposição, cada um está fazendo um trabalho de forma dispersa, e acho que o nosso desafio é tentar se organizar para ocupar os espaços da tribuna. Dia de votação a gente está até tendo um debate razoável, mas a gente precisa, de fato, se organizar. Quando a gente tinha um bloco era mais fácil fazer isso, com cada partido com sua liderança, aí cada líder tem que chamar, apesar de serem poucos integrantes, geralmente dois, ou até um deputado, mas é um pouquinho mais complicado”, observou.

Ânimo

O deputado Ely Aguiar também aposta que a consolidação do nome do general Guilherme Theophilo (PSDB) como o pré-candidato da oposição ao Governo do Estado poderá trazer um “ânimo” novo. “Acho que, quando aparecer o nome da oposição, vai ter mais entusiasmo. Costumo dizer que o general está vindo de moto e eu estou dizendo: ele não desceu nem da moto, já está todo mundo com medo, imagina quando esse homem descer da moto”, refletiu.

Para o deputado Heitor Férrer, uma candidatura ao Governo do Estado “sempre agrega”. “A oposição tem que ter um candidato ao governo. Sem uma candidatura ela tende a desaparecer. Por isso que o nome do general deve ser muito bem recebido por todos os partidos que fazem oposição ao Governo do Estado”.

08:58 · 15.05.2018 / atualizado às 08:58 · 15.05.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado federal Genecias Noronha é ligado ao senador Eunício Oliveira (MDB), que se aproxima da base governista Foto: Saulo Roberto

O deputado Genecias Noronha, presidente do Solidariedade (SD) no Ceará, confirmou ao Diário do Nordeste que, diante da situação de incômodo com a indicação do general Guilherme Theophilo (PSDB) para a disputa majoritária pela oposição, ele poderá se aproximar da base governista de Camilo Santana. “Não descarto conversar”, disse ele, ao ser questionado sobre uma aproximação da legenda com os partidos aliados do Governo do Estado.

Genecias Noronha é ligado ao senador Eunício Oliveira (MDB), que, em entrevista ao Diário do Nordeste no fim de semana, confirmou reunião com o ex-governador Cid Gomes (PDT) para tratar sobre possível aliança com a bancada governista no pleito deste ano. Noronha também não descartou a possibilidade de estar fora de uma aliança com a oposição caso Guilherme Theophilo seja o indicado pela bancada oposicionista para ser o candidato ao Governo.

Questionado pelo Diário do Nordeste sobre seu posicionamento quanto a escolha do militar para o pleito deste ano, ele se limitou a dizer que ainda não definiu se continuará como membro do bloco de oposição. Já há algum tempo o parlamentar vem demonstrando descontentamento com a indicação do nome do general para a disputa.

Ele segue defendendo que Capitão Wagner (PROS) ou Tasso Jereissati (PSDB) sejam as escolhas da bancada para a disputa. “Ainda não tem nada definido, mas pode (haver aproximação com a base governista). Não descarto conversar”, afirmou.

A deputada Aderlânia Noronha (SD) disse ao Diário do Nordeste que não há nada fechado com a base governista ou qualquer decisão quanto a permanência na oposição. De acordo com ela, Genecias Noronha, que é seu marido e  padrinho político, tem repetido nos encontros dos quais participa com a bancada que não vai apoiar “nome desconhecido da população e que não tenha capacidade para a disputa eleitoral”.