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Tag: Oposição


08:07 · 17.01.2018 / atualizado às 08:07 · 17.01.2018 por

Por Miguel Martins

A filiação do Capitão Wagner ao PROS será oficializada em evento na Assembleia no próximo dia 25. Ele permanece, porém, no bloco de oposição Foto: José Leomar

Seguindo os mesmos passos de seu antigo aliado político, Cabo Sabino, o deputado estadual Capitão Wagner vai deixar os quadros do Partido da República (PR) e se filiar ao Partido Republicano da Ordem Social, o PROS. A oposição apostava no nome do parlamentar para uma candidatura ao Governo do Estado, mas ele disputará uma das 22 vagas do Ceará na Câmara Federal, o que fará com que o grupo volte à estaca zero, sem um postulante oposicionista ao cargo majoritário.

O anúncio da filiação de Wagner ao PROS será feito, oficialmente, na quinta-feira da próxima semana, dia 25, a partir das 9h, na Assembleia Legislativa. No entanto, a filiação só será concretizada em março próximo, na janela partidária. O deputado dialoga há alguns meses com a direção da sigla no Estado.

O presidente do PR, Lúcio Alcântara, como o Diário do Nordeste já havia noticiado, chegou a oferecer a presidência da legenda ao deputado, mas ele não aceitou o posto, visto que não teria o controle da agremiação na totalidade. Wagner não aceitava, por exemplo, que filiados da legenda, como a deputada federal Gorete Pereira, se aliassem à base do governador Camilo Santana.

Ao Diário, o parlamentar afirmou que será candidato a deputado federal pelo PROS, e não pretende disputar vaga no Senado ou o Governo do Estado, como queria a oposição. Ele tem dito que as postulações majoritárias demandam muito investimento e cita que ainda estaria pagando dívidas da campanha de 2016, quando foi derrotado por Roberto Cláudio na disputa pela Prefeitura de Fortaleza.

Apesar da decisão de não disputar o cargo de governador, Capitão Wagner garantiu que a relação com a bancada oposicionista seguirá a mesma, sem qualquer distanciamento ou desentendimento. No entanto, o mesmo não acontecerá em relação a seu antigo aliado, o deputado federal Cabo Sabino. Não há mais ânimo nem disposição entre os dois para uma relação amigável.

Rompimento

Desde o segundo semestre do ano passado, desentendimentos entre os dois parlamentares foram evidenciados nas redes sociais. Sabino havia se comprometido a apoiar Wagner na disputa ao Governo do Estado ou ao Senado, mas disse, em vídeo na Internet, que lançaria candidatura a deputado estadual, caso o colega fosse disputar uma vaga na Câmara Federal.

No entanto, após ouvir apoiadores, Sabino resolveu manter a postulação a deputado federal, o que dividirá votos dos dois. Em 2014, quando foram eleitos em dobradinha, Wagner obteve 194.239 votos e Sabino, 120.485. Ele foi o 12º deputado federal mais bem votado do Ceará, e Wagner, o candidato a deputado estadual com mais votos na história da Assembleia.

Com o senador Tasso Jereissati e Capitão Wagner fora da disputa majoritária no Estado, o ex-presidente do PSDB, Luiz Pontes, disse que a oposição já estaria no “plano D”, e não mais no B ou C. Na manhã de ontem, ele se reuniu, em um almoço, com os dirigentes do PR, Roberto Pessoa e Lúcio Alcântara, e com o ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho. A bancada decidiu que vai insistir nas pesquisas internas para definir quem será o escolhido para a disputa, e ele garante que o Estado não ficará sem um candidato oposicionista em 2018.

Dificuldades

Principal liderança do grupo no Ceará, Tasso Jereissati está no exterior, mas se reunirá com a bancada até o fim do mês. “Temos que ver logo isso, temos que colocar um nome na rua, porque agora só tem o nome do governador. Ele está sozinho e isso não é bom para a democracia”, opinou Luiz Pontes.

Para ele, o principal empecilho para apoio ao nome de Wagner foi o fator Jair Bolsonaro, visto que houve impedimento de Tasso a pedido de voto para o presidenciável. “Voltamos à estaca zero, mas ele (Capitão Wagner) vai apoiar o nosso candidato. Ele é um nome forte, não somente como candidato”, disse Pontes. Ele admitiu que a oposição tem dificuldades para encontrar um nome, mas lembrou que, em 2014, o nome de Camilo Santana só foi definido na base governista no último momento.

Presidente do PR, o ex-governador Lúcio Alcântara disse que, “no momento certo”, a oposição terá um nome, mas, por enquanto, não há candidato. No entanto, ele ressaltou que as legendas de oposição estão unidas, e isso é importante neste momento.

Questionado sobre a saída de dois membros da agremiação, o dirigente afirmou que não pode forçar ninguém a ficar no partido. “Não tenho nenhuma confirmação dele (Wagner), mas é preciso respeitar a decisão das pessoas. Lamentamos, mas sai um aqui e entra outro. Isso é um fenômeno natural da política”.

11:25 · 13.01.2018 / atualizado às 11:25 · 13.01.2018 por

Por Edison Silva

No dia 30 de dezembro, matéria do Diário do Nordeste registrava que, com a saída de Eunício Oliveira, a oposição não havia alcançado uma unidade para a eleição

Os dirigentes do PSD, Solidariedade e do PR querem ter o senador Tasso Jereissati (PSDB) no comando das articulações para a escolha do candidato da oposição ao Governo do Estado, assim como os postulantes ao Senado (dois). Tasso, que fez o primeiro encontro com os representantes desses partidos na última segunda-feira, ponderando alguns questionamentos, principalmente o relacionado à dúvida quanto à participação ou não do ex-presidente Lula na disputa presidencial, acabou por sugerir aprofundar a discussão sobre nomes de candidatos para a chapa majoritária estadual, depois de aclarados alguns pontos no cenário nacional. O senador cearense hoje está nos Estados Unidos e só volta ao Brasil no fim deste mês. Depois, ele se engajará no processo interno do PSDB para indicar o seu presidenciável.

Além da indefinição do quadro nacional, ainda tem adversário de Camilo Santana admitindo a possibilidade de Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza, vir a ser o candidato a governador apoiado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, em razão da aliança de Camilo com o senador Eunício Oliveira (MDB), no entender de opositores, ser do desagrado dos irmãos, o que não é verdade.

Camilo e Eunício, antes de saírem de férias, conversaram longamente com o ex-governador Cid Gomes e outros liderados deste. Eles trataram sobre estratégias de ações políticas para eliminarem arestas ainda existentes sobre a aliança já formalizada, embora até o momento da sua oficialização, em julho próximo, quando das convenções partidárias, possa gerar inúmeras especulações.

Dos nomes conhecidos da oposição, o único disposto a concorrer com o governador Camilo Santana é Domingos Filho, um dos ex-aliados dele na disputa de 2014. Domingos não se oferece para postular o cargo, diz aos interlocutores, pelo fato de só recentemente ter chegado ao grupo oposicionista, mas respondeu assim a um dos adversários do governador, quando nesta semana a ele foi sugerido se preparar para o embate: “eu já estou preparado para essa disputa faz algum tempo”.

Sentimento de grupo

Alguns oposicionistas chegaram à conclusão de que o deputado estadual Capitão Wagner não tem sentimento de grupo, mesmo que a ele tenha sido oferecido todo o apoio para a eleição municipal de 2020, quando, sem correr risco de ficar sem mandato, pretende disputar de novo a Prefeitura da Capital.

Quando o nome dele foi citado, no encontro da última segunda-feira, como o que reúne as melhores condições para enfrentar Camilo, por sua situação eleitoral em Fortaleza, Wagner fez referências ao fato de poder ficar dois anos sem mandato, dificultando o seu projeto municipal. Além disso, fez exigências inaceitáveis, como a de ser o senhor absoluto do palanque.

Tasso foi o primeiro a reagir, ao afirmar que desceria do palanque se alguém falasse em Bolsonaro, o nome que Wagner diz ser da preferência dos seus apoiadores. E foram exatamente as exigências por ele feitas que motivaram a compreensão da maioria dos oposicionistas, de que Wagner está determinado a ser deputado federal, conquistar muitos votos em Fortaleza, fortalecendo-se para postular a sucessão de Roberto Cláudio.

Moroni Torgan (DEM) sempre obteve excelente votação na Capital para ser deputado federal. Isso o credenciava a ser candidato a prefeito, chegando até ao segundo turno, mas só conseguiu assumir a Prefeitura de Fortaleza quando aceitou ser vice, em 2016. O voto proporcional sempre é dado mais relaxadamente pelo eleitor, significando dizer que ser deputado estadual ou federal muito bem votado não garante ao parlamentar ter a mesma preferência na disputa pelos cargos de prefeito, governador ou senador. O Capitão sabe disso. Porém, sendo candidato a prefeito no exercício de mandato parlamentar, significa que só corre o risco de reduzir o patrimônio financeiro e de ficar com dívidas na praça.

Adversários de Camilo reconhecem a dificuldade experimentada na formação de uma chapa, notadamente após a saída do senador Eunício Oliveira do grupo, mas são enfáticos ao afirmarem que ela sairá, tanto pela necessidade de afirmação política de todos eles, quanto pela exigência da disputa presidencial e da eleição de deputados federais para a garantia de preservação dos partidos no contexto nacional, exigência da nova legislação eleitoral e partidária.

Aliados de Camilo

Como se isso não fosse suficiente, eles ainda são provocados por aliados de Camilo, preocupados com o desprestígio que experimentarão se o governador não tiver um adversário, primeira razão que lhe fará ser agradável aos aliados, por precisar deles para pedir votos.

Mas ela vai demorar mais um pouco para sair, como já observamos neste espaço. Para o senador Tasso Jereissati, a prioridade será a escolha do candidato do PSDB à Presidência da República, em março. Além do mais, todos devem ficar atentos aos demais nomes que poderão ser lançados, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com capacidade de atrair apoios de aliados do atual Governo Federal, um complicador para o candidato tucano que, mesmo tendo que ser realizada a prévia no partido, provavelmente será o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em razão do pequeno apoio que tem o prefeito de Manaus, Artur Virgílio, o outro pretenso postulante do PSDB.

11:11 · 13.01.2018 / atualizado às 11:11 · 13.01.2018 por

Por Miguel Martins

Ainda sem definição de acordo com a base governista, o presidente do MDB no Ceará, senador Eunício Oliveira, tem dito a correligionários que não há preocupação quanto às eleições deste ano, visto que, em sua avaliação, o partido não ficará menor. Apesar de algumas intrigas entre seus membros, Eunício tem argumentado que a sigla está mais unida no Estado.

No processo de aproximação com o governador Camilo Santana, seu adversário no pleito de 2014, o senador também se reaproximou de antigos aliados, como o deputado federal Aníbal Gomes (MDB), que já teria garantido apoio nas eleições deste ano. Junto com ele, os deputados federais Cabo Sabino (PR), Genecias Noronha (SD), Raimundo Gomes de Matos (PSDB), Domingos Neto (PSD) e até o petista José Airton Cirilo tendem a apoiar uma candidatura do senador à reeleição.

Outras lideranças locais que até pouco tempo também estavam afastadas de Eunício, nos últimos meses, sinalizaram uma reaproximação, como os emedebistas Agenor Neto e Audic Mota, ambos integrantes da Assembleia. O senador tem afirmado a correligionários que sua intenção é disputar novamente o cargo de senador e, com isso, permanecer à frente dos trabalhos do Senado da República por mais dois mandatos.

Congresso

Enquanto sua situação não é definida no Ceará, o senador, na presidência do Congresso Nacional, deve priorizar pautas voltadas à Segurança Pública, limite de gastos do Governo e investimentos no País. Também deve pautar o veto do presidente Michel Temer ao Refis para pequenos produtores rurais, além da legalização dos jogos de azar e, ainda, a regulamentação do lobby.

14:12 · 12.01.2018 / atualizado às 14:12 · 12.01.2018 por

Por Miguel Martins

Secretário Nelson Martins afirma que diálogos devem ser retomados após o retorno de Camilo / Francini Guedes, presidente do PSDB, diz que lideranças da oposição buscam conversas, inclusive, no Interior Foto: Fabiane de Paula

Enquanto alguns partidos, no Ceará, têm intensificado atividades neste período de recesso parlamentar, outras legendas pouco se movimentam no sentido de preparar suas bases para a disputa eleitoral. A base governista já realizou algumas simulações para a formatação de um bloco expressivo para a disputa proporcional, com possibilidade de eleição de mais de 30 candidatos à Assembleia Legislativa no pleito de outubro próximo.

De acordo com o secretário chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Nelson Martins, o objetivo dos aliados é constituir um “blocão” para deputado estadual e outro para deputado federal com todos os grêmios que apoiam Camilo Santana. Ainda que PT e PCdoB tenham sinalizado a possibilidade de irem para a disputa com chapa pura para deputado estadual, Martins afirmou que diálogos serão realizados após o Carnaval, no intuito de construir uma coligação que abranja todos da base.

A base governista realizou encontros e tomou algumas decisões durante o segundo semestre do ano passado. Atualmente, com o governador de férias até o próximo dia 19, assim como outras lideranças aliadas, o grupo aguarda que retornem para dar prosseguimento às tratativas.

O julgamento do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) será o acontecimento político com maior relevância neste mês. De acordo com alguns dirigentes, o resultado do processo também deve dar o norte a ações internas nos próximos meses.

Já lideranças da oposição se reuniram na noite da última segunda-feira (8), quando definiram que será realizada uma pesquisa para saber como o eleitor se comportará diante dos nomes colocados para a disputa. Segundo o presidente do PSDB, Francini Guedes, na reunião se sobressaiu o nome do deputado Capitão Wagner (PR) para a disputa pela oposição, assim como o do senador Tasso Jereissati.

Indefinições

No entanto, a ideia inicial é que o republicano seja o postulante ao cargo de governador. O encontro reuniu o ex-deputado federal Roberto Pessoa (PR), o presidente do Solidariedade (SD), Genecias Noronha, o ex-senador Luiz Pontes, o senador Tasso Jereissati, Capitão Wagner e o ex-presidente do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos Filho.

Ao Diário do Nordeste, Francini disse que, por enquanto, não foi discutida a candidatura para o Senado. Quanto à disputa pelo Governo do Estado, ficou acertado que, após a realização de uma pesquisa, até o dia 30 de janeiro o grupo terá uma definição sobre como a oposição deve ir para a eleição deste ano. “A oposição está fazendo movimentos, conversando com o pessoal do Interior individualmente, pedindo opinião, fazendo pesquisas”.

Capitão Wagner, por sua vez, informou que as conversas são iniciais. Ele, que dialogava com o PROS, pode disputar o Governo do Estado pelo PR. No entanto, há alguns fatores que impedem que o parlamentar tenha a densidade eleitoral desejada pela oposição, visto, por exemplo, que muitos prefeitos fecharam questão com a candidatura do senador Eunício Oliveira (MDB), que tende a se alinhar cada vez mais com a base.

Presidente do MDB, Eunício disse ao Diário que, por enquanto, o que há são especulações em torno de nomes, mas ressaltou que a sigla emedebista, apesar de problemas internos, tem construído unidade para o pleito. O dirigente frisou que o partido não sairá menor da disputa, indo sozinho ou coligado.

Outros partidos ainda não têm participado das discussões eleitorais porque seus dirigentes estão fora do Estado. Presidente do PSD no Ceará, o deputado federal Domingos Neto, por exemplo, está viajando ao exterior e só deve retornar ao Estado no próximo dia 17.

Antônio José, que preside o PP, afirmou que as atividades do partido também estão paralisadas por conta do recesso. Ele destacou que seminários realizados pela sigla serão retomados somente após o Carnaval, e apontou o nome de Oman Carneiro como uma das novidades no partido para disputar vaga na Assembleia. “Estive no partido apenas para tratar de questões mais gerais, renovando os diretórios e comissões provisórias”, citou.

Chapa própria

No PDT, o deputado André Figueiredo, que preside a sigla no Estado, também informou que ainda não há previsão de quando as discussões regionais do partido serão retomadas em 2018. A sigla é a principal aliada do governador Camilo Santana.

Já o presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, disse que não há férias no que diz respeito à discussão política. Conforme informou, porém, a tática eleitoral só será definida após o julgamento do ex-presidente Lula, marcado para acontecer no dia 24 próximo, no TRF-4, em Porto Alegre.

“Estamos apresentando uma chapa própria para a disputa (para deputado estadual) com diversos nomes, e estamos trabalhando para viabilizá-la. Vai depender da capacidade de passar por esse momento complexo pelo qual estamos vivendo”, disse.

08:43 · 05.01.2018 / atualizado às 08:43 · 05.01.2018 por

Por Miguel Martins

Líder do Governo na AL, Evandro Leitão reconhece que, com a proximidade da eleição, “demandas e angústias dos deputados vão aumentar” Foto: Thiago Gadelha

Com uma base governista cada vez mais robusta, contando atualmente com 37 aliados, a liderança do Governo de Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa terá que se empenhar para aglutinar posicionamentos e atender demandas de tantos deputados no retorno dos trabalhos da Casa, em fevereiro. Já a bancada de oposição, mais reduzida, busca motivação para atuar no último ano de mandato dos parlamentares eleitos no pleito de 2014.

Enquanto o líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), aponta o diálogo e a distribuição de funções como estratégias para reduzir o impacto das críticas à gestão, oposicionistas defendem uma maior aproximação do grupo, para que isso tenha ressonância nos discursos feitos na tribuna do Plenário 13 de Maio. O retorno dos trabalhos legislativos está programado para o dia 2 de fevereiro, de acordo com o Regimento Interno da Casa.

Em 2017, Leitão encontrou dificuldades para que seus pares permanecessem em plenário durante certas discussões e até quando das votações de matérias de interesse do Governo. Os deputados Rachel Marques (PT), Leonardo Pinheiro (PP) e José Sarto (PDT), que são vice-líderes da bancada, contribuíram pouco com o pedetista.

“Neste ano, teremos que ter mais paciência para que possamos ter uma melhor postura da base. Teremos que ter atenção redobrada para manter nossa base coesa, porque sabemos que quanto mais se aproxima das eleições, mais complicado fica. É óbvio que demandas e angústias dos deputados vão aumentar”.

Ele ressaltou que é preciso ter unidade entre os membros da base aliada, e isso deve ser alcançado por meio de diálogo e transparência, visando atender as demandas de governistas no ano eleitoral. O parlamentar destacou que algumas mensagens devem chegar à Casa, como a que trata de benefícios a agentes comunitários de saúde e outra que dispõe sobre o Plano de Cargos e Carreiras dos servidores públicos da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra).

Leitão afirmou que pretende se reunir com os três vice-líderes para traçar metas a serem cumpridas nos primeiros seis meses de trabalhos na Casa em 2018. Segundo ele, a ideia é que todos participem de forma mais efetiva na defesa do Governo. Por isso, seria necessário montar uma estratégia para que estejam diariamente no Plenário 13 de Maio. “Quero que tenha mais participação de todos, então vou distribuir tarefas. O ano será assoberbado, e por isso temos que dividir tarefas”, apontou.

Relação

O secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, que tem sido uma espécie de interlocutor entre o Governo e a Assembleia, destacou que o governador Camilo tem reconhecido o apoio que recebe no Legislativo e isso tem reflexos no comportamento dos aliados. “A nossa base tem sido muito positiva, não é à toa que a base vem sendo ampliada. Não temos tido problemas com a questão das demandas, porque a maioria delas são coletivas e o Estado já tem feito”.

Já na oposição, o clima ainda é de incertezas, principalmente após o ingresso de ex-opositores na base aliada. No fim do 2017, poucas foram as interações e intervenções da bancada que tiveram um efeito desejado na tribuna da Casa. Membros do grupo apostam que limites e contradições do Governo fiquem expostos no decorrer do ano para que passem a atuar mais incisivamente. Renato Roseno (PSOL), por exemplo, deve manter ataques à gestão de Camilo, que, segundo ele, é “continuísmo da administração de Cid Gomes”.

“Os indicadores de concentração de riqueza, de pobreza e de desenvolvimento humano continuam entre os piores do Brasil, mesmo somando-se os quase 12 anos de Cid e Camilo”, afirmou.

Difícil unidade

Para Heitor Férrer (PSB), a fraqueza da oposição é decorrência do Governo Camilo, que, segundo ele, “é inodoro, insípido e incolor”. “Como é fraco, gera poucos fatos e a gente precisa fortalecer nossa bancada agora na entrada do ano”, disse. O pessebista admitiu ser muito difícil manter unidade da bancada, ainda que esta possua apenas nove integrantes. Segundo ele, após a eleição da Mesa Diretora, em dezembro de 2016, a oposição se fragilizou muito, perdendo em quantidade e qualidade.

Ely Aguiar (PSDC) disse que a oposição na Assembleia “está remando um bote contra um Titanic”. Ele defendeu, porém, que a bancada unifique seu discurso no que diz respeito à gestão do Governo do Estado na área da Segurança Pública, visto que, conforme aponta, este tem sido o ponto mais frágil da gestão. “O outro tema é saúde pública, com falta de medicamentos, atendimentos precários, corredores da morte nos hospitais públicos”.

A despeito do comportamento da oposição, <MC0>o deputado Odilon Aguiar (PMB), por sua vez, acredita que ela tende a se unir e estar mais atenta às ações do Executivo. O parlamentar projeta que, no primeiro semestre, o debate tende a ser mais propositivo, mas destacou que a ausência de alguns parlamentares tem fragilizado a bancada. “A oposição será uma caixa de ressonância dos debates que serão propostos na Assembleia”, pontuou.

11:21 · 30.12.2017 / atualizado às 11:21 · 30.12.2017 por

Por Edison Silva

Diferentemente de 2016, quando Capitão Wagner foi o candidato da oposição na Capital, Eunício não mais deve compor palanque do grupo em 2018 Foto: Kid Júnior

A oposição cearense, a exceção do PSOL, ainda não encontrou o nome para representá-la na disputa pelo Governo do Estado do Ceará, embora alguns dos seus integrantes tenham feito esforços para tal, nos últimos meses deste ano findo. Ainda há tempo, porém, para PSDB, PR, SD, PSD e outros acertarem uma unidade contra a pretendida reeleição do governador Camilo Santana, embora encontrando um pouco mais de dificuldade de tornar o seu nome competitivo, dadas as limitações da Legislação Eleitoral e o trabalho desenvolvido por Camilo, e seus principais aliados, no Interior e na Capital cearenses. Nesta, as perspectivas indicam que um nome do grupo oposicionista pode obter uma certa vantagem.

Os adversários do governo estadual ficaram totalmente dependentes dos movimentos organizados pelo senador Eunício Oliveira, ao longo dos últimos tempos, na certeza de ele ser novamente candidato a governador. A guinada do senador para aliar-se a Camilo deixou a todos os seus companheiros de campanha de 2014, e dos encontros regionais que ele comandou até os meses iniciais deste ano, órfãos. A dependência era grande demais.

Nenhum deles percebeu, sequer, os primeiros sinais de distanciamento de Eunício da oposição, quando ele deixou de falar em ser candidato a governador, como prometia desde o fim da última disputa ao Governo, para se lançar candidato à reeleição, desde que o senador Tasso Jereissati fosse, pela quarta vez, postulante à chefia do Executivo do Estado.

Sem Eunício, representantes das siglas já citadas, ficaram atônitos. E assim continuam, pois só muito recentemente convenceram-se de não mais contar com a participação do principal líder do MDB estadual no meio deles. Só para o mês de março, provavelmente, passadas as festas mominas em fevereiro, vai ser possível conhecermos um candidato para realmente enfrentar Camilo, com todo o merecido respeito ao PSOL e seu representante Ailton Lopes, já escolhido para disputar o cargo político mais expressivo do Estado, também como oposição.

Encantos

O governador Camilo Santana leva vantagem na disputa. A sua administração está bem avaliada, e visivelmente é grande o seu volume de campanha. Sua gestão, guardadas as restrições feitas aos segmentos da Saúde e da Segurança, esta um problemão mesmo, baldados todos os esforços desenvolvidos para reduzir a alarmante criminalidade em todo o Estado.

Isto, porém, não significa dizer que possa ter uma reeleição fácil. Não há eleição ganha antes dos votos depositados nas urnas. A oposição tem seus encantos. Uma boa parte do eleitorado está a seu lado, principalmente se ela apresenta um candidato de fácil comunicação, sem máculas e conhecedor dos problemas mais tormentosos de responsabilidade do Poder Público.

A exiguidade do tempo, reconheça-se, dificultará mais ainda aos oposicionistas a perscrutarem o tal novo na política para permitir que ele seja capaz de ampliar o eleitorado defensor de mudanças. É relativamente curta a duração da campanha, inclusive nos meios de comunicação, para um total desconhecido do eleitorado.

A última reforma feita na Legislação Eleitoral privilegiou os veteranos e aos atuais militantes ou detentores de mandatos. Portanto, é mesmo dos quadros hoje existentes que haverá de sair o concorrente de Camilo, e os demais integrantes da chapa majoritária, vice-governador, senadores e suplentes.

A apreensão no ambiente oposicionista não parece ser menor que a do próprio senador Eunício Oliveira, quanto à sua participação na chapa majoritária de Camilo. O governador tem interesse em tê-lo ao lado. São inequívocas as sinalizações dadas.

Enfraquecer

Essa aproximação deles, desde o início do segundo semestre de 2017, já rendeu frutos para a própria gestão pelo fluxo de recursos liberados do erário federal para o estadual, através de Eunício, e por desarranjar e enfraquecer a oposição. Mas não depende apenas de Camilo que o senador seja candidato à reeleição compondo a sua chapa. Os parceiros de Camilo, a partir dos irmãos Cid e Ciro Gomes, representantes do PDT que patrocina a postulação dele, podem criar dificuldades.

Óbices, não para inviabilizarem a aliança, pois para eles ela também é interessante, mas para estabelecerem algumas condições, como a de ele não poder defender, no palanque do governador, a candidatura do ex-presidente Lula, se acontecer. A postulação de Ciro Gomes à Presidência da República é, no sentir dos pedetistas, a prioridade dos patrocinadores de Camilo. Eunício tem o apoio de Lula para fazer parte da aliança com o PT do Ceará, por isso tem sido enfático que nele votará para presidente da República. O senador deve conhecer esse obstáculo.

Palanques

Mas não será apenas o palanque de Camilo que terá dificuldade de guardar os interesses dos participantes da sua coligação divididos quanto à disputa presidencial. Sendo Lula candidato, todas as atenções dos apoiadores do governador estarão voltadas para o seu comportamento, em razão dos seus vínculos políticos e da “gratidão” que ressalta ter a Ciro pelo seu comprometimento na vitória conquistada em 2014. Os petistas o querem pedindo votos para Lula.

Na oposição, o principal partido, o PSDB, liderado pelo senador Tasso Jereissati, vai pedir votos para o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enquanto outros integrantes do grupo defenderão outros nomes, dentre os quais Jair Bolsonaro, sem prejuízo de outras candidaturas porventura oficializadas até o meio do ano vindouro.

07:58 · 18.12.2017 / atualizado às 07:58 · 18.12.2017 por
Dirigentes partidários dizem que as decisões para a eleição levarão em conta a maioria dos filiados Fotos: Fernanda Siebra/José Leomar/Nah Jereissati

A menos de um ano para as eleições de 2018, partidos políticos no Ceará têm apostado na realização de encontros regionais para atrair filiados e sondar candidaturas para o ano que vem. Apesar de pregarem democracia interna, em alguns casos, porém, o poder de decisão sobre os rumos do pleito está concentrado em pequenas cúpulas, que, em diálogos reservados apenas a poucos nomes, já traçam estratégias e ensaiam a definição de alianças sem consultar diretamente a totalidade das agremiações. Dirigentes de partidos da base de sustentação ao governo de Camilo Santana (PT) e também da oposição, contudo, apontam que, apesar da influência que determinadas lideranças têm nas siglas, as decisões para a disputa serão tomadas em conjunto, levando em conta o pensamento majoritário dos filiados.

Nas últimas semanas, conversas restritas a lideranças partidárias têm ganhado espaço no noticiário político e apontado possíveis movimentações de governistas e oposicionistas de olho no pleito de 2018. Do lado governista, aproximações públicas entre Camilo Santana e o senador Eunício Oliveira (PMDB) em eventos do governo alimentam especulações sobre possível aliança eleitoral. Na oposição, líderes do PR, do PSD, do Solidariedade e do PSDB estiveram reunidos, no dia 16 de novembro, em jantar no apartamento da deputada Fernanda Pessoa (PR) para a definição de estratégias eleitorais. Desde então, outros diálogos têm apontado a movimentações no grupo oposicionista.

Isso porque, no encontro de novembro, eles definiram três nomes nos quais o bloco deve apostar para as eleições do ano que vem. O senador Tasso Jereissati (PSDB), o deputado estadual Capitão Wagner (PR) e o conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Filho, são os cotados. Desta lista devem sair o candidato a governador e o postulante a uma vaga no Senado em 2018. Movimentações semelhantes também ocorrem entre partidos da base aliada do governo, cujos líderes têm discutido a formação das chapas proporcionais e até mesmo uma eventual aliança estadual do bloco governista com o PMDB do senador Eunício Oliveira.

Concentração

Dirigentes, contudo, negam que tais negociações sejam reflexo de uma concentração de poder das cúpulas partidárias e afetem a democracia interna nas agremiações. Presidente estadual do PR, o ex-governador Lúcio Alcântara, por exemplo, reconhece que, no partido, diálogos eleitorais têm sido centralizados em detentores de mandatos, sejam prefeitos ou parlamentares, e “algumas lideranças mais expressivas”, como o vice-presidente de Maracanaú, Roberto Pessoa, sem a promoção de “reuniões institucionais” sobre a disputa eleitoral. Segundo ele, porém, as conversas restritas a poucos, “na convivência, na troca de ideias”, não prejudicam a democracia interna da sigla no que diz respeito às definições eleitorais da legenda no Ceará.

“Quem discordar pode manifestar sua opinião, ter outra ideia, outra opinião. Nós não estamos impondo nada. Essas lideranças, como o próprio nome diz, têm o dever, a obrigação de liderar, e essa coisa vai acontecendo naturalmente. Ninguém pode forçar decisões de um partido, porque ele termina com dissidências, com discrepância, e a gente vai procurando conduzir dessa forma”, argumenta.

Lúcio Alcântara foi convidado, mas não esteve no jantar da oposição oferecido por Fernanda Pessoa. Apesar disso, ele ressalta que, dentre os nomes colocados no encontro, não há preferências do bloco, mas possibilidades. “Tem que ser avaliada, no âmbito dos partidos que fazem a coligação, a receptividade do nome, qual consegue empolgar mais”, considera o dirigente.

Além disso, ainda que no PR, assim como em outros partidos, o poder de decisão esteja restrito a poucos nomes, o presidente da sigla no Ceará sustenta que é preocupação do grêmio a formação de novas lideranças. “Basta que você veja o seguinte: qual é a maior nova liderança da política do Ceará? Capitão Wagner. De onde ele vem? Do PR. Nós somos um partido aberto. Veja, na Câmara Municipal, na bancada do PR todos são vereadores de primeiro mandato. Estamos abertos, receptivos, até porque o PR, nos últimos anos, tem se colocado como um polo de oposição”, afirma o ex-governador.

Na semana passada, aliás, Lúcio Alcântara teve encontro, na Assembleia Legislativa, com o deputado estadual Capitão Wagner, a quem foi oferecido o comando da legenda no Ceará para que não deixe os quadros do PR. O parlamentar, que também dialoga com lideranças do PROS, afirmou ao Diário do Nordeste que aceitaria a oferta, contanto que tenha, de fato, o controle da agremiação no Estado, e não sirva como dirigente apenas “no papel”.

Tucanos

No PSDB, embora Francini Guedes tenha assumido a presidência estadual do partido em convenção realizada no último mês de outubro, o discurso de renovação que sustentou a composição da nova direção está lado a lado com a influência central do senador Tasso Jereissati nas decisões da sigla, o que é consenso entre tucanos do Ceará.

Tendo realizado já uma primeira reunião do diretório estadual para tratar da formação de alianças e de candidaturas tucanas para o ano que vem, Guedes ressalta, contudo, que não tem estilo de tomar decisões sozinho na legenda. “A decisão (de coligação) não pertence a mim, pertence ao partido, que é composto por várias pessoas. Se você pegar o diretório, nós vamos discutir com a juventude, com as mulheres, com os diretórios do Interior”, aponta.

Segundo o presidente estadual do PSDB, um grupo técnico trabalha na sigla para a construção de um trabalho que possa ser apresentado na campanha à população. O poder de decisão do senador Tasso Jereissati, conforme ressalta, é “forte” no partido, mas não afeta a participação de outros filiados nas decisões do grêmio. “Ele foi governador por muito tempo, é senador da República, tem o passado limpo, correto, mas nós vamos discutir com ele e com mais pessoas”, coloca. Sobre a gestão à frente do diretório cearense do PSDB, Francini Guedes reafirma a intenção de liderar em conjunto. “Eu sempre disse que o PSDB não sou eu, somos nós”, sustenta o dirigente tucano.

Sair da sigla

O PSD, por sua vez, é comandado no Ceará pelo deputado federal Domingos Neto, mas o pai dele, Domingos Filho, e a mãe, a ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, dividem a influência estadual da agremiação em família. O perfil do grupo político, entretanto, de acordo com o parlamentar, é “de muito diálogo”. “Nosso partido, diferente do que possa parecer, tem um grupo muito coeso. No PSD, quem não se identifica com o partido teve a oportunidade de sair. Perdemos alguns quadros que já saíram ou anunciaram que sairão do partido em 2018. Outros, que estavam em outro partido, se identificam com o nosso projeto e se filiaram ao PSD”, pondera.

Com a pretensão de que a sigla consiga chegar a dois ou três deputados federais cearenses em 2019, o dirigente também ressalta que, na formação das chapas proporcionais, os parlamentares do partido terão “voz marcante” sobre o desejo de construir coligação ou não.

Novos nomes

Em ritmo semelhante, o presidente do PCdoB no Ceará, Luiz Carlos Paes, destaca que a legenda tem buscado consolidar pré-candidaturas novas em municípios do Interior do Estado, já que pretende eleger três nomes para a Assembleia Legislativa e dois para a Câmara dos Deputados em 2018. O partido, no entanto, também tenta oferecer às lideranças do bloco governista a pré-candidatura da deputada estadual Augusta Brito ao Senado.

A composição da chapa, contudo, depende não só da pré-candidatura do ex-governador Cid Gomes (PDT), mas também de uma outra vaga que é reivindicada pelo PT, que hoje ocupa uma das cadeiras do Ceará no Senado, com José Pimentel, e pode ser novamente ocupada pelo PMDB, com Eunício Oliveira.

Ao tratar das especulações sobre aliança com o PMDB de Eunício, o presidente estadual do PT, Francisco de Assis, por sua vez, tem afirmado que, até agora, “nós não estamos discutindo diálogo com absolutamente ninguém”. Embora aponte a presença de lideranças importantes na sigla, ele ressalta que o momento é de “mobilizar a nossa base social e construir com a nossa base social uma relação”.

“Dizer hoje que há qualquer perspectiva de acordo ou não é precipitado. Nós vamos estar mobilizando a nossa base, é com esta base social que nós queremos construir o palanque do Camilo e do Lula”, defende o petista. Ele diz, porém, que a estratégia do partido é “produzir uma aliança com todos aqueles que querem revogar as medidas” adotadas pelo Governo Temer.

07:00 · 15.12.2017 / atualizado às 07:00 · 15.12.2017 por

Por Miguel Martins

A oposição ao Governo Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa encerra os trabalhos de 2017 desestabilizada e desestimulada. Além de não conseguir emplacar projetos e requerimentos, os discursos e críticas feitos pela bancada reduziram muito neste fim de atividades, o que acaba se justificando por conta do impasse das lideranças políticas quanto à formação de uma chapa competitiva para a disputa eleitoral no próximo ano.

Em menor número, após ingresso de antigos oposicionistas na base governista, parlamentares da oposição também não se entendem quanto a algumas pautas, e outros sequer têm comparecido às sessões ordinárias. Na plenária da última terça-feira, por exemplo, somente Odilon Aguiar (PMB) fez críticas às matérias que estavam sendo votadas no Plenário 13 de Maio.

Atualmente, a oposição na Assembleia é formada por nove parlamentares. Na sessão de ontem, alguns opositores compareceram ao plenário, mas apesar de pronunciamentos contra atos e mensagens do Governo, não houve discussão mais abrangente sobre os temas. Capitão Wagner (PR), por exemplo, discursou sobre a situação da Saúde. Já Renato Roseno (PSOL) reclamou da administração dos recursos hídricos e das políticas de enfrentamento à seca.

2018

“Não estou entendendo esse momento e como as coisas estão. Aqui na Assembleia os deputados estão tentando fazer o entendimento político de recondução de seus mandatos, acredito que seja isso. Há uma inércia da oposição, mas eu não sei o que houve para ficarmos assim”, lamentou Odilon Aguiar.

A deputada Fernanda Pessoa (PR), por sua vez, apontou que uma oposição mais participativa no próximo ano dependerá de que chapa será formada pelos oposicionistas. “Se for uma chapa competitiva, lógico que os ânimos se alteram e cada um vai defender seu nome”, disse.

09:30 · 09.12.2017 / atualizado às 09:30 · 09.12.2017 por

Por Edison Silva

O ex-governador Lúcio Alcântara conversou demoradamente com o senador Eunício Oliveira, domingo, sobre o quadro político local Foto: Saulo Roberto

Eu tenho “disposição e vontade” de disputar o Governo do Estado, em 2018. Como eu votei no Camilo não poderia chegar nas oposições como candidato a governador. Me coloquei no fim da fila, disse Domingos Filho, numa conversa sobre os últimos movimentos dos adversários do Governo, para a definição de nomes capazes de formarem uma chapa majoritária para enfrentar os governistas. O senador Eunício Oliveira deixou a oposição cearense órfã. Sua conversa com Lúcio Alcântara, nesta semana, por ele provocada, não motivará qualquer mudança.

Hoje, enfatiza-se o momento em razão da velocidade como os fatos e ações políticas acontecem, só dois nomes são citados como prováveis adversários de Camilo, nas eleições do próximo ano: o senador Tasso Jereissati (PSDB) e Domingos Filho. O primeiro tem sido categórico em negar qualquer ânimo de voltar a disputar o Governo do Ceará, após tê-lo exercido a governança em três oportunidades.

Mas são persistentes os estímulos de seus correligionários e demais adversários do governador pretendente a segundo mandato. Na próxima semana, passada a convenção nacional do PSDB, neste sábado, novas investidas serão feitas com o objetivo de sensibilizar o senador a assumir a condição de postulante ao Governo.

Muito cedo

Domingos Filho também defende o nome de Tasso, consciente de ser a segunda opção para enfrentar Camilo, depois de descartados alguns nomes, e outros desinteressados, dentre eles o deputado estadual Capitão Wagner, disposto mesmo a conquistar uma vaga de deputado federal, embora, como Eunício Oliveira dizia até bem pouco tempo, ele deixa a entender que, se Tasso for candidato a governador, ele disputará o mandato de senador.

A direção do PR o relaciona como candidato à Câmara dos Deputados. Assim, o nome do candidato a governador, em lugar de Eunício, só será conhecido depois das festas carnavalescas, em fevereiro de 2018.

Os esforços desenvolvidos no sentido de reunir os postulantes ao Governo do Estado e às duas vagas de senador, até o fim deste ano, como previam, resultaram infrutíferos. Sabem os oposicionistas, mesmo reconhecendo ser realmente ainda muito cedo para a definição de nomes de candidatos majoritários, estarem em desvantagem em relação à campanha desenvolvida pelo governador.

Camilo, já de algum tempo, a pretexto de fazer eventos administrativos nos vários municípios do Interior do Estado, principalmente a partir dos últimos dias quando Eunício foi incluído na caravana governamental, sob o mesmo argumento. Se Tasso estiver à frente de alguns eventos, que poderão ocorrer nos próximos dias no Interior, admitem alguns, a esperança de sua candidatura reacenderá em todo grupo adversário.

A pretensão de Domingos de disputar o Governo, aqui já registrada em outras oportunidades, vem desde quando era discutida a sucessão do ex-governador Cid Gomes, e ele Domingos era o vice-governador.

Punição

Perdeu o espaço para Camilo Santana, mas não descartou a possibilidade de ser candidato ao Executivo estadual cearense, nem mesmo quando chegou ao Tribunal de Contas dos Municípios, hoje extinto, também como uma punição pelo seu projeto político, após alcançar a presidência daquela Corte e, concomitantemente, trabalhar a eleição do deputado Sérgio Aguiar ao comando da Assembleia Legislativa contra o indicado pelo governador, deputado Zezinho Albuquerque.

Disposto e estimulado a concorrer pela segunda vez a chefia do Executivo cearense (ele perdeu para Camilo em 2014), Eunício era apontado pelos aliados do pleito estadual passado como o candidato natural a governador. Chegou a ser guindado à condição de líder das oposições.

A reviravolta conhecida publicamente em setembro, como destacado neste espaço, surpreendeu a todos que com ele partilhavam o sentimento oposicionista. Até bem pouco, alguns ainda esperavam não ser real a aliança dele com os governistas, alimentando a possibilidade de tê-lo novamente como integrante do grupo.

Café da manhã

Foi no domingo passado, após os “comícios” daquele fim de semana, em Limoeiro do Norte e no Crato, quando ele e Camilo estiveram juntos, a propósito de autorizarem início de obra e inauguração de outras, que Eunício teve o primeiro contato sobre o momento político com a direção local do PR. Ele convidou para um café da manhã alguns comandantes da sigla, mas só o ex-governador Lúcio Alcântara lá esteve para o desjejum.

E parece não ter ficado satisfeito, não com o café, mas pelo que ouviu, e teria, como diz um seu amigo, sido forte ao protestar contra o fato de o senador não ter comunicado aos aliados sua disposição de se integrar ao esquema governista. Eunício disse que ainda não tem acordo político firmado com Camilo.

Lúcio, como todo experimento político, sabe só faltar para a concretização da aliança de Camilo com Eunício, a homologação da coligação partidária, nas convenções de escolha dos candidatos na metade do próximo ano, mesmo sabendo todos que, até lá, muita coisa ainda pode acontecer.

Sem o beneplácito de Cid Gomes, representado em todos esses encontros entre o governador e o senador, mesmo extraoficialmente, pelo prefeito Roberto Cláudio e o presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, dois dos mais importantes aliados de Cid, o clima não chegaria ao ponto que chegou, agora já cumprindo um segundo estágio, o de tornar o acordo assimilado pelo eleitorado, ainda um tanto quanto ressabiado, por razões óbvias.

09:44 · 26.11.2017 / atualizado às 09:44 · 26.11.2017 por
Ao fazer uma ligação para a sede do Podemos, no Ceará, você será atendido por um assessor do deputado federal. Foto: Fabiane de Paula

Sem sede própria no Ceará,  a executiva estadual do Podemos (antigo PTN) está atendendo a todas as suas demandas partidárias no gabinete do deputado federal Cabo Sabino, em Fortaleza. Se por acaso um filiado, um eleitor ou alguma liderança política quiser falar com um representante da legenda, terá que ligar ou se dirigir até  ao gabinete do parlamentar, que ainda é membro do Partido da República, o PR.

O Diário do Nordeste apurou que, além de funcionar como gabinete do deputado federal, o local atua como sede do novo partido. O Podemos no Estado é comandado pelo ex vice-prefeito de Pacatuba, Paulo Neto, que tem ligações políticas com o deputado federal e com o Governo Camilo Santana, inclusive, quando da convenção partidária do PDT, em outubro passado, com a presença do governador, Paulo foi um dos dirigentes aliados que esteve presente ao evento.