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Tag: PDT


09:17 · 20.07.2018 / atualizado às 09:17 · 20.07.2018 por
Segundo André Figueiredo, lideranças, prefeitos, parlamentares e militantes vão à convenção Foto: Cid Barbosa

Um grupo de pedetistas cearenses estará hoje, em Brasília, para participar da convenção nacional do PDT que homologará a candidatura do ex-ministro e ex-governador do Estado Ciro Gomes à Presidência da República. De acordo com o presidente estadual da legenda, o deputado federal André Figueiredo, além das presenças de lideranças locais, prefeitos, deputados federais, estaduais e vereadores, um ônibus leva militantes do partido no Ceará para a Capital Federal. No evento, marcado para as 11h nas proximidades da sede do partido, o cearense dará, oficialmente, o pontapé inicial à terceira disputa presidencial da carreira política.

André Figueiredo já estava em Brasília, ontem, assim como o irmão e coordenador da campanha do presidenciável, o também ex-governador Cid Gomes, participando dos preparativos da convenção.

“Temos participado de diálogos com forças políticas e trabalhado para que possamos ter uma grande festa amanhã (hoje)”, afirmou o dirigente. Segundo ele, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zezinho Albuquerque, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Salmito Filho, e o prefeito da Capital, Roberto Cláudio, estão entre os cearenses confirmados na convenção. “Creio que vem uma grande quantidade de deputados, vereadores e prefeitos, para iniciar esse momento e, cada vez mais, reafirmar o compromisso com a candidatura do Ciro”.

Ao Diário do Nordeste, o deputado estadual Evandro Leitão, líder do Governo Camilo Santana (PT) na Assembleia, confirmou que viaja na manhã de hoje a Brasília, mas disse não saber quantos parlamentares da base aliada, no total, devem também comparecer à convenção.

André Figueiredo, por sua vez, destacou que a mobilização de pedetistas cearenses decorre, também, da “oportunidade histórica” que representa a convenção para o PDT, “por termos um candidato a presidente cearense que tenha condições efetivas de disputar a eleição e ganhar”.

Alianças

De acordo com ele, ainda que o PDT respeite “o tempo” de outros partidos que possam vir a apoiar Ciro Gomes, a oficialização da candidatura “não poderia ter uma espera muito prolongada”. “O Ciro já tinha sido homologado como pré-candidato e, amanhã (hoje), seremos o primeiro partido à homologá-lo, para mostrarmos que temos confiança na sua candidatura e no que ela representa para o Brasil”, enfatizou. O dirigente disse, ainda, que “não existe expectativa de nenhum anúncio (de alianças) amanhã (hoje)”, reforçando que as conversas com outros partidos prosseguem até o fim do prazo para as convenções, em 5 de agosto.

Esta será a terceira eleição presidencial a ser disputada por Ciro Gomes. Ele também disputou o Palácio do Planalto em 1998 e 2002, pelo PPS, mas em nenhuma das tentativas chegou ao segundo turno. Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada em 10 de junho, o pedetista oscila entre 10% e 11% das intenções de voto em cenários sem o ex-presidente Lula (PT), atrás de Marina Silva (entre 14% e 15%) e Jair Bolsonaro (19%). Com o ex-presidente Lula, Ciro aparece com 6%, atrás de Marina (10%), Bolsonaro (17%) e do líder petista (30%).

09:42 · 14.07.2018 / atualizado às 09:42 · 14.07.2018 por
Para Mauro Filho, “Ciro está pautando a discussão no conserto da economia brasileira” Foto: Fabiane de Paula

Coordenador econômico da campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, o ex-secretário da Fazenda Mauro Filho (PDT) disse, em entrevista ao Diário do Nordeste, que “paulatinamente” o programa econômico proposto pela candidatura do pedetista tem sido “absorvido” por representantes do setor econômico do País e pelo “povo brasileiro”. Às vésperas do início da campanha, ele sustentou que Ciro Gomes “está pautando a discussão no conserto da economia brasileira” e afirmou que propostas do pedetista tomadas como “loucura” assim que foram anunciadas, são, atualmente, pontos de convergência entre várias outras candidaturas.

Mauro Filho participou, na noite da última quinta-feira (12), de evento de mobilização do PDT chamado Movimento 12 Brasil, realizado no Pirata Bar, na Praia de Iracema. Em entrevista, ele ressaltou que tem ido com “muita frequência” a São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e a estados do Sul para mostrar ao Brasil “que o único candidato que é capaz de apresentar uma proposta que elimina o déficit fiscal primário do governo federal, que diminui o endividamento e que gera emprego na economia brasileira, chama-se Ciro Gomes”.

“Isso, paulatinamente, vem sendo absorvido pelo povo brasileiro, pelas entidades, pelas associações, e eu acredito que, num prazo de mais 15, 20 dias, inequivocamente, o futuro presidente Ciro estará, realmente, na compreensão de todo o povo brasileiro”, defendeu.

Questionado sobre a receptividade do programa de Ciro nestas incursões, especialmente entre o setor econômico, ele destacou que várias propostas têm virado “convergência” entre candidatos, entre elas, a de cobrança de imposto de renda na distribuição de dividendos, que, segundo Mauro Filho, ao ser anunciada, foi “tomada como loucura”.

“Somente o Brasil e a Estônia não cobram esse tipo de imposto para os mais ricos. Quem distribui dividendos são grandes empresas, grandes valores, que é o que está no nosso raio de preocupação. Pois acredite, e quero dar esse depoimento ao povo cearense, ao povo brasileiro: hoje, não tem nenhum candidato, nem mesmo o candidato do PSDB, que seja contrário a essa proposta que nós apresentamos desde o começo da caminhada do presidente Ciro, e hoje parece que virou integral convergência em relação a essa proposta”, declarou.

O mesmo ocorre, segundo ele, em relação à proposta de acabar com a “pejotização”, expressão que caracteriza uma empresa de uma pessoa só, “que, em vez de pagar a alíquota de imposto de renda normal, fica pagando alíquotas menores, diferenciadas, em prejuízo do governo federal e dos estados e dos municípios brasileiros”, explicou. “São medidas que convergem, hoje, para quase todas as candidaturas”.

Ações fundamentais

De acordo com Mauro Filho, o programa econômico proposto por Ciro tem duas ações fundamentais: “uma é a questão da geração de emprego, que fortalece, portanto, a relevância dessas medidas que nós estamos tomando, e a outra é, exatamente, melhorar o sistema tributário brasileiro, que hoje penaliza os menos favorecidos em detrimento dos mais ricos, que não pagam nada. Nós vamos inverter esse processo: cobrar mais tributos da classe mais alta e desonerar, ou seja, diminuir, os impostos, sobretudo o imposto sobre consumo”.

Perguntado sobre como tem conciliado o trabalho na pré-campanha do presidenciável com os esforços em prol da própria pré-candidatura a deputado federal, o ex-secretário disse que tem dividido dias da semana entre os dois projetos. “Tenho passado segunda e terça em São Paulo ou nos estados brasileiros, às vezes segunda, terça e quarta, mas o resto, quinta, sexta, sábado e domingo, tenho estado aqui no Ceará tentando levar o meu nome, também junto com outros colegas, junto com o Cid, junto com o Camilo, enfim, levando ao Estado do Ceará todo um trabalho que foi feito”.

09:39 · 14.07.2018 / atualizado às 09:39 · 14.07.2018 por

Por Edison Silva

Ciro Gomes anunciou o nome do deputado André Figueiredo (de camisa verde), ao seu lado no evento pedetista da última quinta-feira, em Fortaleza, como o seu candidato ao Senado Federal nas eleições deste ano Foto: Kleber A. Gonçalves

Aproximadamente metade da bancada federal cearense não será reconduzida à Câmara dos Deputados. Neste momento que antecede a realização das convenções partidárias, para a homologação das candidaturas e das coligações, é maior a preocupação dos candidatos à Câmara, como de resto a dos pretendentes às vagas na Assembleia Legislativa, pois da composição das convenções depende a sorte de muitos dos pretendentes a mandatos proporcionais. Neste ano, o quociente eleitoral, isto é, o número mínimo de votos para um candidato ser eleito deputado federal pelo Ceará é mais ou menos 200 mil votos.

Nas projeções dos experientes políticos cearenses, da relação de possíveis candidatos, hoje apenas dois poderão chegar ou superar esse número de sufrágios: o Capitão Wagner (PROS) e Mauro Filho (PDT), sendo a projeção para o Capitão bem maior que a deste.

Em razão disso, todos os demais dependerão dos votos das legendas, sobretudo aqueles sufrágios dados aos candidatos menos votados, chamados “buchas”, ou das coligações, o somatório dos votos dados a todos os concorrentes dos partidos agrupados. É em razão dessa realidade que continua sendo grande a corrida em busca de votos no Interior, e as negociações para formação de blocos que lhes possam beneficiar.

Além dessa natural preocupação de quase todos os candidatos, ainda há a expectativa quanto à disposição do eleitor, desencantado, por razões várias, inclusive quanto à má avaliação do desempenho dos atuais políticos, de ter ânimos para ir votar no dia 7 de outubro vindouro.

Recadastramentos

Na última eleição, quando os partidos e seus representantes eram bem menos execrados, 1 milhão e 900 mil eleitores deixaram de votar no Estado, por não terem comparecido às seções eleitorais ou inutilizando o voto. Esse número gerou um percentual de 30,84% dos eleitores aptos a votar, um total de 6 milhões, 268 mil e 909 pessoas devidamente habilitadas junto à Justiça Eleitoral cearense.

Hoje, o número de eleitores no Estado registra uma pequena variação, chega a 6 milhões, 342 mil e 684, após as intensas campanhas da Justiça Eleitoral para os recadastramentos de eleitores em muitos municípios do Estado. A expectativa de um quociente eleitoral de aproximadamente 200 mil votos é feita com base numa abstenção, votos nulos e brancos na mesma proporção do pleito anterior.

Este resultado é encontrado quando é feita a divisão dos votos válidos com o número de cadeiras para a Câmara Federal: 22. Em 2014, o total de votos válidos somou 4 milhões 367 mil e 020, gerando um quociente de 198 mil e 501 votos para a eleição direta de cada deputado.

O trabalho de captação de votos, nas eleições deste ano, promete ser mais difícil que nos pleitos anteriores, sobretudo para deputado federal, até pelo seu distanciamento do eleitorado ao longo dos últimos anos.

Dependentes

Além de ficarem bem mais dependentes do dinheiro para os “vaqueiros”, aqueles responsáveis pela intermediação, inclusive prefeitos e vereadores, aos parlamentares federais, em dosagem bem maior que aos seus colegas estaduais, são atribuídas responsabilidades pela má gestão do Governo Federal, assim como aos escândalos constantes, realmente degradantes, que conseguiram indignar muitos brasileiros.

A expectativa dos observadores é que o PROS do Capitão Wagner, sem coligação, e a aliança liderada pelo PDT dos irmãos Ciro e Cid Gomes, capitalizarão a grande maioria dos votos proporcionais para o Legislativo Federal. Wagner admite somar para sua legenda pouco mais de 600 mil votos, contando com a possibilidade de só ele chegar perto dos 400 mil, elegendo até quatro deputados. Há restrições a essa avaliação dele. Os governistas esperam ter votos para eleger uma bancada entre 14 e 15 parlamentares. Também esta avaliação é questionada.

Sem citar nomes, observadores mais atentos especulam que o PROS, com o somatório dos votos do Capitão Wagner, fará uma bancada de 3 deputados federais, o PT reelegeria 2, o PSDB faria 2, o MDB também 2, seguidos de PSD, PTB, SD (Solidariedade), PCdoB, DEM, PR e uma coligação de pequenos, todos com um deputado federal cada, ficando as 4 restantes vagas para o pessoal do PDT, com 8 candidatos. Só algumas surpresas, avaliam os diversos patronos desse quadro, poderão alterar a posição de uma ou outra agremiação.

Majoritária

No evento da última quinta-feira, em Fortaleza, Ciro Gomes voltou a se posicionar contra a participação do senador Eunício Oliveira (MDB) na chapa majoritária do PDT com o governador Camilo Santana, ao destacar ser a favor da candidatura do deputado federal André Figueiredo ao Senado.
O outro candidato ao Senado Federal, na chapa de Camilo, é Cid Gomes, que, recentemente, admitiu ter a coligação apenas um candidato àquela Casa legislativa, sinalizando que o governador poderia votar em Eunício, se este for candidato à reeleição de forma avulsa.

Ciro, no mesmo momento que defendeu a candidatura de André ao Senado, foi mais uma vez cáustico na adjetivação ao citar os nomes de quem o processou por conta de suas acusações, como o presidente Michel Temer, o senador Eunício Oliveira e Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, hoje cumprindo pena por crime de corrupção. Ele enfatizou que nunca foi processado por pessoas humildes, mas só por “puro corrupto, puro picareta, puro assaltante do dinheiro do povo”. Quando citou Eunício, disse que só do senador responde a mais de 70 ações.

Nenhum dos políticos realmente próximos de Ciro e Cid acreditam na coligação do PDT com o MDB cearense, para contentar uma candidatura à reeleição do senador Eunício. Cid, mais contido, não faz pronunciamentos públicos como os de Ciro, contra. Aliás, ao longo de todo este tempo de aproximação das relações do governador Camilo Santana com Eunício, Cid só conversou com o senador uma vez, quando o emedebista foi ao seu apartamento. A conversa de ambos, no entanto, não chegou ao ponto desejado por

Eunício, pois nenhuma esperança foi lhe dada de formalização da coligação.
Agora, depois da defesa de Ciro de uma candidatura do deputado André ao Senado, só resta esperar mais uns dias, até 5 de agosto, quando o Calendário Eleitoral fixa tempo final para a oficialização das candidaturas e das coligações partidárias.

09:41 · 13.07.2018 / atualizado às 09:41 · 13.07.2018 por
Cercado por aliados, Ciro Gomes discursou, ontem, a uma plateia de apoiadores no Pirata Bar, em evento chamado Movimento 12 Brasil Foto: Kleber A. Gonçalves

A oito dias da convenção nacional do PDT, que oficializará, em 20 de julho, a candidatura do cearense Ciro Gomes à Presidência da República, o partido tem intensificado diálogo não apenas com lideranças do PSB, apontado em vários momentos como aliado prioritário pelo próprio presidenciável, mas também com legendas do Centrão, como DEM, PP e Solidariedade (SD). Com imbróglios internos nestas siglas que dificultam a concretização de uma coligação, Ciro ressaltou ontem, em entrevista, que “as tratativas estão acontecendo à luz do dia”, mas ponderou que, no momento, é preciso ter “calma” para esperar o tempo de cada partido.

As declarações foram dadas em entrevista coletiva na noite de ontem, em evento de mobilização nacional do PDT chamado Movimento 12 Brasil. O ato político-cultural, realizado no Pirata Bar, na Praia de Iracema, teve apresentações de artistas regionais e discursos políticos e reuniu, além do presidenciável, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente da sigla no Ceará, deputado federal André Figueiredo, e o ex-governador Cid Gomes, além do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Também estiveram presentes no evento a vice-governadora do Estado, Izolda Cela, os presidentes da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Fortaleza, Zezinho Albuquerque e Salmito Filho, respectivamente, além de outros deputados federais e estaduais, prefeitos de municípios da Região Metropolitana de Fortaleza e do Interior do Estado, vereadores e pré-candidatos do partido nas eleições deste ano. De acordo com André Figueiredo, as mobilizações do Movimento 12 Brasil ocorrerão, também, em Porto Alegre, em12 de agosto, e no Rio de Janeiro, em 12 de setembro.

Ao tratar de alianças, Ciro Gomes disse aos jornalistas que o “PSB tem sido corretíssimo conosco”, mas ponderou que, no cenário em que o PSB de São Paulo quer aliança com o PSDB e, em Pernambuco, a legenda pessebista defende coligação com o PT, é preciso ter “calma” e dar “tempo” à sigla. “Essas coisas a gente tem que ter muita paciência, porque essa é uma eleição complexa, é uma eleição geral, não é uma eleição só para presidente da República, são 27 candidaturas a governador do Estado em 27 estados diferentes”.

O pedetista disse, porém, estar “muito animado” com as tratativas não só com o PSB, mas também com partidos do Centrão. No caso destes, ele citou que siglas que compõem o governo federal têm sido “ameaçadas publicamente” pelo presidente Michel Temer (MDB), que já sinalizou retirar cargos de legendas da base aliada caso fechem aliança com Ciro, numa postura que chamou de “crime eleitoral praticado à luz do dia”.

Segundo ele, contudo, tais siglas poderiam fazer história ao fechar coligação com o PDT. “Seria a primeira eleição desde a redemocratização em que nós conseguiríamos construir o núcleo de poder, para sustentar um projeto nacional de desenvolvimento, independentemente da confrontação odienta entre PSDB e PT, que só deu protagonismo ao PMDB corrupto. Isso é o que está em discussão”.

Convicção

Carlos Lupi, por sua vez, disse que tem conversado diariamente com líderes do PSB e, também, com o DEM, o PP, o SD e o PR, embora o diálogo com este seja, segundo ele, “uma situação mais difícil, porque eles avançaram muito em outra direção”. Assim como Ciro, o dirigente nacional do PDT pregou cautela sobre as negociações, mas disse ter “muita convicção que essa aliança com o PSB vai se consumar”. O candidato a vice da chapa só será fechado após a oficialização de uma coligação.

“Eu costumo dizer o seguinte: a legenda PDT mais PSB é uma fotografia que sequer precisa ser explicada. Só as duas legendas juntas, que têm uma história de mais de meio século, se explica”, defendeu. Ele sustentou, ainda, que a aproximação do PDT com o Centrão não distancia Ciro da centro-esquerda. “Se fosse assim, a candidatura do Lula, com a presença do PR, de José Alencar, seria uma candidatura de direita. Não existe isso, o que representa uma candidatura são as ideias, os projetos”.

07:21 · 22.06.2018 / atualizado às 07:21 · 22.06.2018 por

Por Miguel Martins

Na AL, petistas Rachel Marques e Elmano de Freitas estão alinhados ao PDT de Tin Gomes e Evandro Leitão, mas uma possível coligação é incerta Foto: José Leomar

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa não tem interesse em formar coligação proporcional com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), e aposta em chapa própria ou em aliança com legendas com menor potencial de votos. Os petistas querem se reunir, mais uma vez, com o governador Camilo Santana, para dialogar sobre as pretensões da legenda e, após isso, definir rumos no Encontro de Tática Eleitoral do partido, marcado para acontecer no fim de julho, antes da convenção de agosto.

Em Fortaleza, o PT deixará de ser comandado pelo vereador Acrísio Sena e passará a ser presidido pelo ex-vereador Deodato Ramalho, que toma posse hoje. Prestes a entregar o cargo, Acrísio Sena defendeu unidade em torno da candidatura de Camilo Santana. Já o deputado estadual Elmano de Freitas sustentou que, “acima da candidatura do governador, tem a candidatura do presidente Lula. Em segundo, o governador e, em terceiro, a candidatura proporcional”.

“O essencial, nos próximos dias, é que o Partido dos Trabalhadores mantenha o clima de união em torno do nome de Camilo Santana para o Governo do Ceará. Meu desejo é que a frente ampla, com PT e PDT, leve adiante o projeto de reeleição do governador e de derrotar quem apoia o atual Governo ilegítimo de Temer”, declarou, em nota, o vereador Acrísio Sena.

Elmano de Freitas, por sua vez, disse que uma aliança com o PDT não beneficiaria o PT. “O PT tem votação menor e não tem porque repetir aliança para eleger deputados do PDT e o PT ficar como suplente”, afirmou o deputado. “Queremos uma aliança que tenha chance de disputa e, com o PDT, a coligação dificulta as eleições de deputados petistas. Se não interessa ao PT, não nos interessa”.

Segundo ele, a sigla dialoga com outros partidos para avaliar o melhor cenário para a disputa. Conversas estariam em curso com PP, PSB e PCdoB. De acordo com Elmano, o partido pretende se reunir com o governador Camilo Santana para discutir pendências antes do Encontro de Tática Eleitoral, visto que, segundo ele, não há acordo sobre a ausência de candidatura petista ao Senado e coligação proporcional, pontos tratados com o chefe do Executivo há algumas semanas.

“O PT já corre o risco de não ser reconhecido na chapa majoritária, já que a coligação tende a lançar apenas um senador ou fazer aliança com o senador Eunício. Já vamos perder uma vaga no Senado. Vamos perder também as de deputado? Não tem sentido”, explicou.

Rachel Marques, apesar de não ter opinião formada sobre o assunto, ressaltou que é preciso avaliar os interesses da base para tentar agregar com os do partido. “O PT tem voto de legenda muito forte e, por isso, é melhor que esteja sozinho, sem coligação. Mas vamos ouvir as posições e pensar no fortalecimento da base do governador Camilo”.

Sem consenso

Manoel Santana e Moisés Braz, este presidente em exercício do PT estadual, disseram acompanhar a postura de Elmano de Freitas. “Ficar (em coligação proporcional) com o PDT é difícil, até porque não sabemos quantos candidatos o PT tem e que estão dispostos a retirar seus nomes para fortalecer em outra condição de disputa. Uma chapa própria é muito defendida pelo conjunto, mas ainda não é consenso”, disse Santana. Dedé Teixeira, por sua vez, opinou que, “com o PDT, qualquer partido sai prejudicado na eleição”.

O parlamentar afirmou que há discussões sobre a formação de três chapas na base: uma com MDB, PSD e SD; outra liderada pelo PT e uma terceira encabeçada pelo PDT. “Todo mundo está fazendo, de forma natural, seus cálculos”, justificou.

09:10 · 13.06.2018 / atualizado às 09:10 · 13.06.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado Moisés Braz ocupa, interinamente, a presidência estadual do PT. Ele garante legenda a Camilo mesmo apoiando Ciro Foto: Saulo Roberto

O governador Camilo Santana não terá dificuldade para realizar o registro de sua candidatura à reeleição, ainda que apoie o nome do pré-candidato à Presidência da República do PDT, Ciro Gomes. A afirmação é do presidente em exercício do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual Moisés Braz. Ele, porém, defende que o PT lance um candidato a presidente de seu próprio quadro de filiados, caso o ex-presidente Lula seja impedido pela Justiça Eleitoral.

O presidente do Poder Legislativo, Zezinho Albuquerque (PDT), por outro lado, afirmou ao Diário do Nordeste que Camilo Santana tem compromisso com Ciro e Cid Gomes, visto que eles foram responsáveis por sua eleição, em 2014, enquanto os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff não estiveram aqui, na campanha, apoiando o governador eleito e nem foram à TV pedir votos para Camilo. No pleito daquele ano, tanto Camilo quanto seu adversário, Eunício Oliveira (MDB), eram aliados do Governo petista.

O presidente do PT cearense disse que o seu partido já definiu como prioritária a reeleição do governador Camilo Santana. De acordo com Moisés Braz, a ausência de Camilo em evento de lançamento de pré-candidatura de Lula gerou algum mal estar no partido, mas ele ressaltou que alguns deputados federais cearenses também não estiveram lá. “A presença dele, claro que seria importante, mas não compromete em nada nossa posição quanto à sua reeleição ao Governo do Ceará. Isso não está em debate”, disse.

Segundo o petista, o posicionamento de apoio de Camilo a Ciro ainda não ficou claro, e o que o governador defendeu em reunião da legenda foi apoio a um nome do “campo progressista”, caso Lula seja impedido de concorrer ao pleito deste ano. Dos nomes deste campo, o chefe do Executivo estadual defende apoio ao postulante pedetista, já no primeiro turno da campanha. “O Lula sendo candidato, o palanque do Camilo, do PT, será do Lula. O governador não terá nenhum risco de não ter legenda para sua reeleição. Não existe essa história. Ele terá legenda, porque é o nosso candidato à reeleição”, defendeu.

Servia

Presidente do Poder Legislativo Estadual, o deputado Zezinho Albuquerque destacou que o governador Camilo “tem gratidão” a Ciro e Cid Gomes, e que por isso tende a apoiar o nome de Ciro Gomes. “Nem Lula e nem Dilma estiveram aqui apoiar o Camilo. E eles sabem que a política também se faz com gratidão. Ele é muito grato com quem esteve com ele o tempo todo. Ele está lá como governador, hoje, porque teve o apoio de Cid e Ciro”, afirmou Zezinho.

O pedetista ressaltou ainda que Lula não pode ser candidato e defendeu que a legislação eleitoral seja seguida. “Segundo as leis, ele não pode ser candidato. Se o Lula não é candidato, o PT tem direito de lançar outro candidato, mas o governador Camilo está trabalhando na linha de ter Ciro como presidente e (Fernando) Haddad como vice. (O PT) está apostando em uma coisa que não é possível, já que ele (Lula) foi condenado e não pode ser candidato. Por que ele pode e outros que estavam impedidos no passado não puderam? Para aqueles (a Lei) servia e para o Lula não serve? A Justiça é para todos”, enfatizou.

Apesar de alguns petistas terem dito que Camilo votaria em Lula, o deputado Manoel Santana (PT) afirma que a tendência é que o governador vote em Ciro Gomes. Elmano de Freitas (PT) disse que o partido terá que “dialogar bastante”, e lembrou que o partido definiu que Camilo é candidato do partido à reeleição com candidatura vinculada a uma eventual postulação de Lula. Segundo ele, porém, não seria interessante para o “campo progressista” um atrito com o PDT, aliado do Partido dos Trabalhadores no Ceará há mais de uma década.

09:09 · 12.06.2018 / atualizado às 09:09 · 12.06.2018 por

Por Miguel Martins

Deputado André Figueiredo, presidente estadual do PDT, evita fazer comentários sobre a posição do PT em relação à disputa presidencial Foto: Cid Barbosa

A direção nacional do PT quer que os diretórios estaduais da agremiação só façam coligação, preferencialmente, com o PSB, o PCdoB e partidos que apoiem a pretensa candidatura de Lula à Presidência da República. A decisão foi tomada no último sábado (9), após a festa de lançamento da pré-candidatura do petista, em Minas Gerais, na sexta-feira (8). O governador Camilo Santana, porém, não foi para aquele evento, e membros do PDT no Ceará não têm dúvidas sobre o apoio do petista a Ciro Gomes, no pleito deste ano.

Pedetistas, contudo, avaliam com cautela a não ida do chefe do Executivo ao evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula. Segundo informaram ao Diário do Nordeste, por defenderem uma união do que se convencionou chamar de centro-esquerda, eles preferem evitar qualquer atrito com os membros do Partido dos Trabalhadores (PT). Os petistas, por outro lado, afirmam que Camilo ficará com Lula.

Presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Ceará, o deputado federal André Figueiredo destacou que a não participação de Camilo no evento de lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Lula foi uma decisão pessoal, visto que o governador preferiu participar de eventos de inaugurações de obras do seu Governo e da Prefeitura de Fortaleza.

Preferência

De acordo com o pedetista, já há algum tempo o chefe do Poder Executivo estadual tem dado demonstração de que tende a apoiar Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial deste ano, representando, inclusive, o que defende parte do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda que esta parte seja minoritária.

Segundo ele, não cabe à legenda pedetista interferir nas discussões intrapartidárias de outra legenda, mas o dirigente ressalta que o PDT continuará defendendo a gestão de Camilo. “O PDT sabe muito bem dos posicionamentos dele, mas a posição que ele defende é minoritária, apesar de que quase todos os governadores, da Bahia, do Piauí e do Ceará, sejam iguais. Então, lamentamos que o PT não esteja conosco no primeiro turno”.

Para ele, porém, no segundo turno as duas legendas tendem a estar juntas e, caso Ciro Gomes siga para a disputa no segundo momento, todas as forças do campo de esquerda poderão estar unidas.

De acordo com o deputado Sérgio Aguiar (PDT), o governador Camilo Santana, sendo um dos quadros mais expressivos do PT no momento, tem um peso diante de suas decisões. “Essa defesa dele do nome de Ciro como a melhor alternativa para representar a centro-esquerda faz parte de um grande projeto nacional para que o País não corra o risco de presenciar uma reedição do Collor configurada”.

O petista Manoel Santana afirma que o governador Camilo Santana estará apoiando a pré-candidatura de Lula até o momento em que ele for candidato. Não sendo o ex-presidente o postulante do PT, Camilo já demonstrou sua preferência, que é a pré-candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. Os petistas cearenses dizem acreditar que Lula será candidato.

19:54 · 20.05.2018 / atualizado às 19:54 · 20.05.2018 por
Roberto Freire (PPS) compôs chapa com Ciro em 1998. Na ocasião, ambos integravam o PPS, sigla que Freire ainda preside. Foto: Lula Marques

O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), natural de Pindamonhangaba (SP), mas que já foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará, pretende disputar o Planalto pela terceira vez em 2018, após ficar em 3º lugar, em 1998, e em 4º lugar, em 2002.

Naquelas duas ocasiões teve como candidatos a vice, atuais adversários políticos. Há vinte anos, Ciro concorreu em chapa pura com Roberto Freire, pelo PPS. Os dois obtiveram no pleito de 1998, um total de 7.462.190 sufrágios, o que correspondeu a 10,97% dos votos válidos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Marco Maciel (concorrendo pelo antigo PFL, hoje DEM) foram os vencedores das eleições presidenciais.

Paulinho da Força (SD) disputou o Palácio do Planalto como vice de Ciro em 2002. Na época, Paulinho estava no PTB Foto: Agência Brasil

Além da discordância de Ciro e Freire quanto ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os dois já haviam divergido politicamente durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (também do PT), quando Ciro foi ministro da Integração Nacional. O presidente do PPS queria deixar a base lulista e o rompimento do partido dele com o governo petista, resultou na saída de Ciro, que migrou para o PSB. Freire foi ministro da Cultura do governo do emedebista Michel Temer (a quem Ciro faz oposição), entre 2016 e 2017, e exerce atualmente o cargo de deputado federal por São Paulo, além de presidir a sigla.

Em 2002, ainda pelo PPS, Ciro Gomes concorreu à presidência, tendo como vice Paulinho da Força, então no PTB e hoje no Solidariedade. Naquela disputa, Ciro e Paulinho da Força receberam 10.170.882 sufrágios, ou 11,97% dos votos válidos. Lula e José Alencar (já falecido, mas que concorreu pelo antigo PL) foram os vitoriosos.

Assim como Roberto Freire, Paulinho da Força foi um dos principais apoiadores do impeachment de Dilma, diversamente do pedetista, que foi aliado da presidente deposta.

Especulações

Na atual pré-campanha, em meio às articulações para composição de sua chapa já foram especulados nomes como os dos também cotados Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e do presidente da CSN, Benjamin Steinbruch (recém-filiado ao PP).

11:09 · 14.04.2018 / atualizado às 11:09 · 14.04.2018 por

Por Miguel Martins

Ciro Gomes disse ontem, em visita ao Sistema Verdes Mares, que quer recrutar um empresário do Sul ou do Sudeste para ser seu candidato a vice Foto: José Leomar

Próximo a enfrentar a terceira candidatura à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) tem pela frente algumas barreiras a serem superadas, como o desconhecimento que parte da população tem de sua figura política e o temperamento, que no passado foi um de seus principais opositores.

Mais compenetrado, como ele mesmo diz, o pedetista afirmou ao Diário do Nordeste que está com mais experiência e, caso seja eleito presidente, vai “pintar o Ceará de ouro”. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a aproximação entre o governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (MDB) no Estado, e também sobre o candidato a vice que busca para sua chapa.

Qual é a avaliação que o senhor faz da sua campanha, hoje, em relação às duas últimas em que disputou a Presidência da República?

É natural que este momento seja de especulação. O Brasil ainda verá muitas questões centrais se consumarem para termos mais clareza. Hoje eu vejo como se estivéssemos nos treinos livres da Fórmula 1. Nesses treinos livres têm cinco carros que estão ali mais favoráveis que são o Lula, eu, a Marina, o Bolsonaro e o Alckmin. Correndo por fora, agora, chegou o Joaquim Barbosa que representa, pelo menos no adjetivo, uma mudança política. Mas ainda há muitas questões a serem respondidas.

Haverá candidatura do Lula? Essa é a grande imponderabilidade. Pela Lei, hoje, ele não fica. Claro que isso me dói o coração. O Lula, para mim, não é figura que conheço pela televisão ou jornal. É um velho camarada que discordo e concordo há mais de 30 anos. E nos últimos 16 anos ajudei o Lula sem faltar um dia. É muito dolorido assistir e ver parte da sociedade, por ódio, soltar foguetes com prisão de um homem que serviu ao País com muito esforço para projetar o Brasil para o mundo. Ando fazendo palestras por outros países e as pessoas me perguntam aí fora: o que aconteceu com o Lula? E isso preocupa o mundo.

Qual a expectativa do senhor quanto às alianças partidárias que poderão ser feitas para fortalecer a sua campanha? Já existe uma preocupação com o nome para vice na chapa?

Essa preocupação existe, e é bom que se preocupe com o vice, porque é impressionante a quantidade de vices que chegaram lá. Temos o Michel Temer mais recentemente, mas já tivemos o Sarney e o Itamar (Franco) lá atrás, que foi o presidente que fez o Real. O Fernando Henrique fraudou a história, mas foi o Itamar o responsável pelo Real. Eu estou observando, mas quero ver se recruto um empresário do Sul, do Sudeste, alguém ali de Minas Gerais ou de São Paulo para completar um pouco a chapa. Tem que colocar um cara mais conservador, porque as pessoas acham que eu sou um pouco agressivo. Mas eu só sou agressivo para cima. É porque o pessoal não sabe, mas R$ 57,70 de R$ 100 que arrecadamos foram para os banqueiros, para 10 mil barões do sistema financeiro. É isso o que eu conto, e as pessoas querem satanizar o carteiro para não receber a carta.

O senhor espera herdar alguma parcela do quinhão petista, no caso de Lula não ser candidato?

Se ele não é candidato, a minha responsabilidade cresce muito. E isso começa a ser percebido. Eu tenho que entender que vou ser muito provado, muito insultado. Tentarão criar obstáculos a quem pretende unir o Brasil em torno de um novo projeto de desenvolvimento. Com isso que está acontecendo ao Lula, minha responsabilidade está crescendo. O Lula fez muito pelo povo, principalmente, pelos pobres, Tudo indicando que não deixarão ele participar da eleição, minha responsabilidade cresce muito.

O noticiário nacional registrou que o senhor, na Espanha, recentemente, disse estar preocupado com a lisura na disputa deste ano, sobretudo com relação ao “Caixa Dois”. Que preocupação é essa?

O Brasil vive procurando atalho para problema sério, que é problema sério do mundo. A relação de dinheiro e política é problema sério da democracia no mundo todo. Temos aqui no Brasil o problema da corrupção e relação do dinheiro com política. E o Tribunal (Supremo Tribunal Federal), sem Lei, resolveu que não vamos ter mais financiamento empresarial de campanha e que agora ele é privado e individual. Mas o poder econômico é um dado irremovível ou não da sociedade? A resposta é sim. E o poder político também é um dado irremovível da sociedade. O poder econômico sempre vai procurar se relacionar com o poder político.

Qual a melhor solução para isso? É melhor colocar luz para que a população veja e entenda como funciona ou colocar tudo para debaixo do tapete como eles fizeram? O pior dos mundos é o que eles fizeram. Agora vai ficar a mentira de que o financiamento é individual. Os honestos vão cumprir a Lei e os salafrários vão fazer “Caixa Dois”, como estamos vendo aí. Isso vai perdurar até aprendermos o caminho correto, que é a transparência ou o financiamento público de campanha. Mas neste momento está inapropriado, porque o País está em uma crise tremenda. Como o governante diz que falta dinheiro para a Segurança e coloca R$ 1 bilhão para político fazer campanha?

O que de novo o senhor pretende oferecer aos brasileiros, para sensibilizá-los a sufragar o seu nome para presidente?

Eu sou a mesma pessoa, só que mais estudada e mais velho. Fui prefeito com 29 anos, fui o governador mais jovem, com 32 anos, e o mais jovem ministro da Fazenda, com 36 anos. É natural, como pessoa super exposta, que eu seja conhecido por vários ângulos. Você fala a vida inteira e sempre tem uma fala fora do lugar, um gesto mais duro. E as pessoas cobram de mim que tenho que segurar a língua, e estou muito compenetrado. Mas agora é mais fácil, porque completei 60 anos, sou avô, estudei muito nesse período todo, me afastei da política porque quis. Se eu conseguir chegar à Presidência do Brasil, vou pintar este Estado todo de ouro, isso no sentido metafórico. Porque é a ele que tudo devo. Só tenho a agradecer ao povo cearense.

“Se eu conseguir chegar à Presidência do Brasil, vou pintar este Estado todo de ouro, isso no sentido metafórico. Porque é a ele que tudo devo”, afirma o pedetista Foto: José Leomar

Que choques o novo presidente precisará dar para começar a mudar o que hoje temos de errado no Brasil?

Estou trabalhando em um grande projeto nacional de desenvolvimento, uma proposta sofisticada. Existem mais de 500 pessoas trabalhando nisso, e temos que desenvolver a condição para que o País cresça para resolvermos três grandes gargalos. O primeiro é o explosivo endividamento das famílias e das empresas. São 60 milhões com endividamento no SPC e as empresas têm dívidas de R$ 2 trilhões, dos quais R$ 600 bilhões já estão nas contas dos bancos como crédito de recuperação duvidoso. Se não resolver isso, não teremos investimento privado para tocar o crescimento. A outra grande tarefa é sanear as contas públicas. O Brasil está completamente falido. Falta dinheiro para tudo. Terminou o ano passado com a menor taxa de investimento. As obras da Transposição de Águas do Rio São Francisco, faltando apenas 3%, foram paralisadas. A Transnordestina, quando eu estava lá, tinham 5 mil pessoas trabalhando, e agora está parada, o investimento foi para o chão. Precisamos consertar as contas públicas.

E terceiro: o Brasil está proibido de crescer porque qualquer possibilidade de crescimento, como não se preparou a produção brasileira, nós geramos importação grande que pressiona a taxa de câmbio, e o Brasil quebra. Qualquer crescimento, o Brasil importa demais, não tem como pagar e quebra. É preciso resolver isso. E eu estou focando nisso para poder atender às demandas populares, que na ordem de preocupação do povo é Saúde, Emprego, Segurança, Corrupção, e aí vem Moradia, Educação e uma série de outras tarefas.

Como o senhor avalia a situação de corrupção que atinge o Brasil e o que fazer para reduzir esse mal em nossa sociedade?

Às vezes as pessoas me acusam de ser bocão, mas o flagelo da corrupção precisa ser enfrentado e denunciado. Quando eu denuncie o Michel Temer, lá trás, eu sabia do que estava falando. Quando denunciei o Eduardo Cunha, eu sabia o que estava falando. Infelizmente, o País vai ignorando essas denúncias e cai nessa esparrela. A corrupção tem dois efeitos mortais: tira o dinheiro que falta para a Saúde, Segurança, etc, e tira a confiança do povo no sistema democrático.

Hoje, todos pensam que a política é um pardieiro de pilantras sem exceção. Isso é uma coisa grave. Os jovens perderam a confiança, e não faltam razões para isso. O que temos que responder é com exemplos. Tem que dizer o que acontece, passar uma radiografia e mostrar a vida do candidato. É preciso separar o joio do trigo, como está na Bíblia. A segunda coisa necessária é inovação permanente, porque a corrupção no setor público vai mudando de forma de fazer. É um problema sério que estamos tendo que enfrentar com inovação institucional.

Qual seu posicionamento sobre a Reforma da Previdência?

Nosso sistema previdenciário foi montado quando éramos um país muito jovem. Nós tínhamos seis brasileiros trabalhando para um aposentado que não chegava aos 60 anos de idade. Hoje temos estatística de 1,5 para cada aposentado com expectativa de 73 anos. Isso, de fato, precisa ser posto em debate porque no futuro vamos ter problemas muito sérios. Entretanto foi proposto para déficit de R$ 180 bilhões por ano para reforma, perseguindo os mais pobres, que iria economizar R$ 360 bilhões para 10 anos. Ou seja, era mentira, não tinha reforma e era muito injusta.

Na prática, o grande problema da previdência, na partida, é que 2% dos beneficiários levam quase um terço de tudo. E quem são? Juízes, políticos, promotores, grandes corporações do serviço público. E a reforma não mexeu nada porque são os poderosos da República. É preciso consertar isso. O trabalhador ganha, no máximo, em média R$ 1,8 mil de aposentadoria. No serviço público tem aposentadoria de R$ 40 mil.

Eu, por exemplo, teria direito a três pensões que dariam quase R$ 80 mil. Imagina se eu teria condições de andar na rua se aceitasse isso. É preciso aceitar esse problema, que é fácil de falar, mas é difícil de fazer, porque mexe com os poderosos da República.

No Ceará, qual é a participação do senhor na formação da chapa governista?

Tenho mantido certa distância, até porque o (governador) Camilo é quem tem que conduzir esse processo. Eu voto nele e quando for procurado, quando for consultado, com a experiência que tenho, vou recomendar que sigamos coerentes com nossos valores e evitemos determinados tipos de conchavos que são mal entendidos pela população como conversa de gabinete para tirar o povo da jogada. Mas vou falar se for perguntado, porque quem decide é ele.

O senhor já assimilou uma possível aliança do governador Camilo com o seu desafeto, o senador Eunício Oliveira?

Não.

E se o Camilo estiver ao lado de Eunício Oliveira na disputa eleitoral deste ano, como o senhor irá se comportar?

Ele (Camilo) é quem manda. Mas eu, muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa.

Como vai ser fazer campanha no Ceará pedindo votos para Camilo, do PT, com os petistas pedindo votos para Lula ou outro candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência?

Isso é natural. Vai acontecer no Brasil inteiro. Por exemplo, eu apoio o governador do Piauí, Wellington Dias, que é do PT e apoio o candidato do PT na Bahia. O PT, por outro lado, não apoia nenhum candidato do PDT em lugar algum do Brasil. Paciência.

08:57 · 12.04.2018 / atualizado às 08:57 · 12.04.2018 por

Por Letícia Lima

De olho na disputa eleitoral de 2018, lideranças e militantes do PDT no Ceará voltam a percorrer municípios do Interior do Estado, a partir de hoje, na caravana “Rumo 12”. O objetivo, conforme destacou, ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Sérgio Aguiar (PDT), é buscar uma “integração” com partidos aliados e fortalecer o nome do pré-candidato do partido à Presidência da República, Ciro Gomes, como uma “alternativa para o nosso País sair desse lamaçal em que se encontra”.

A incursão começa, na tarde desta quinta-feira, por municípios da Região Norte do Estado (Varjota, Reriutaba, Guaraciaba do Norte e São Benedito), e segue até o próximo sábado (14), passando pela Serra da Ibiapaba (Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Viçosa do Ceará, Granja e Camocim) e pelo Litoral Norte (Jijoca de Jericoacoara, Marco e Acaraú). Esta é a segunda edição da “Rumo 12”, que, em março, visitou 11 municípios cearenses em três dias.

Naquela oportunidade, Ciro Gomes fez críticas ao Governo do presidente Michel Temer (MDB) e tratou, principalmente, de questões como o desemprego e a violência.
Sérgio Aguiar destacou que as incursões têm o objetivo de “levar para boa parte da população o ‘Rumo 12’, que trata de um Brasil de gente que ousa fazer diferente”.

“Com isso, vamos fortalecer essa atuação, tendo a oportunidade de fazer com que haja integração do PDT e dos partidos aliados, tendo em vista que, mais uma vez, o Estado do Ceará já (está) bem mais experiente e preparado para governar um País com tantas vicissitudes, como é o caso do nosso pré-candidato, Ciro Gomes. Iremos fazer parte desse movimento, sugerindo uma alternativa para o nosso País sair desse lamaçal”.

Agenda na Capital

A caravana deve contar, mais uma vez, com a presença do irmão de Ciro, o ex-governador Cid Gomes (PDT), além de deputados, prefeitos e outras lideranças do PDT, sendo oportunidade também para o fortalecimento de pré-candidaturas do partido para a eleição deste ano.

Ao mesmo tempo, Ciro Gomes cumpre agenda em Fortaleza até amanhã. Nesta quinta, ele ministra palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), para tratar da conjuntura política nacional e desafios para o País. Já na sexta, o presidenciável deve participar de solenidade, no Paço Municipal, em homenagem a ex-prefeitos da Capital.