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Tag: Prefeitura de Fortaleza


09:50 · 12.05.2017 / atualizado às 09:50 · 12.05.2017 por

Por Renato Sousa

Mudanças já haviam sido anunciadas em 2016, mas ontem iniciou o processo de tramitação que culminará na apreciação delas em plenário Foto: Helene Santos

Começaram a tramitar ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza, três mensagens que compõem a proposta de reforma administrativa apresentada pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT) desde o início do mandato. Uma das principais mudanças previstas é a fusão da Secretaria de Trabalho e Assistência Social com a Pasta de Direitos Humanos, que passará a responder também pelas políticas de assistência e combate à fome. Já as atribuições de qualificação profissional serão da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Também ontem, representantes da gestão municipal apresentaram, aos vereadores, ações do Executivo visando a redução de acidentes de trânsito.

A convite do líder do prefeito na Casa, Ésio Feitosa (PPL), o superintendente da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), Arcelino Lima, e o coordenador do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (PAITT), Luiz Eduardo Sabóia, foram à Câmara em razão do Maio Amarelo, mobilização em favor da redução dos acidentes nas ruas.

Os dirigentes destacaram medidas que já haviam sido anunciadas pela Prefeitura nesta semana. Entre elas, a ampliação das áreas de trânsito calmo – regiões onde a prioridade passa a ser o pedestre, com melhorias nas calçadas, instalação de passagens elevadas de pedestre e redução na velocidade de 40km/h para 30km/h. Sabóia negou, inclusive, que a iniciativa afetará vias de maior fluxo. “Isso não é para avenidas, mas para quadriláteros da cidade”.

Ele destacou, ainda, que uma nova modalidade de ampliação de esquinas, feita nas áreas de trânsito calmo, deve ser adotada. Segundo o coordenador do PAITT, a intenção da Prefeitura de Fortaleza é, também, melhorar a qualidade das placas e sinais no solo de 25 esquinas da Capital a cada mês.

Custos

As iniciativas, de acordo com Sabóia, seriam importantes em virtude dos custos humanos e financeiros da violência no trânsito. Ele citou que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os acidentados custam R$500 milhões por ano, entre gastos da União, Estados e Municípios.

O coordenador anunciou que a Prefeitura está desenvolvendo um banco de dados, em parceria com órgãos que atuam com o trânsito, para manter-se atualizada sobre os acidentes. “Só vamos ganhar essa guerra se soubermos quantos morrem, onde morrem e como morrem”, diz.

Segundo ele, os dados de 2016 estão sendo compilados, mas, no primeiro semestre, ocorreram 126 óbitos – o menor valor para o período desde o início da série histórica. Sabóia tem a expectativa de, pela primeira vez, Fortaleza ter menos de 300 mortes no trânsito por ano.

08:44 · 27.04.2017 / atualizado às 08:44 · 27.04.2017 por

Por Renato Sousa

Para Salmito Filho, não surtem efeito as políticas que visam tirar as pessoas da rua, oferecendo moradia. É precioso ressocializá-las Foto: José Leomar

O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), vereador Salmito Filho (PDT), defendeu ontem, em pronunciamento no plenário da Casa, a criação de uma Política Municipal para a População de Rua, e de uma Equipe Multidisciplinar de Abordagem Social. Ele destacou uma pesquisa feita pela Prefeitura de Fortaleza sobre o número e razões desse contingente populacional, acrescentando que “não existe cidade desenvolvida com sua população de rua completamente desassistida”.

Segundo Salmito, é de conhecimento público “a situação degradante, inclusive de falta de dignidade humana, que a população em situação de rua passa nas metrópoles e megalópoles”, inclusive na Capital cearense.

Ele disse que políticas que se limitem apenas a remover os moradores de rua estão fadadas ao fracasso, pois essas pessoas, em algum momento, acabam voltando. Em sua fala, o parlamentar afirmou que a solução para o problema da população de rua é a reconstrução de vínculos sociais que foram perdidos, sejam eles familiares ou comunitários.

Homens

De acordo com o trabalhista, foi justamente a perda desse círculo social que levou essas pessoas a essa situação. “Eu acredito muito no vínculo comunitário. É ele que estabelece os limites, os freios. A legalidade é o limite legal, mas o limite, na prática, no mundo real, são os vínculos comunitários”, afirma.

Salmito aponta que Fortaleza já possuiu uma série de informações levantadas pela Secretaria de Desenvolvimento Social sobre o assunto. Ele diz, segundo esses dados, que a imensa maioria dos 1.718 moradores de rua são homens (80%), sendo que 48% terminaram nas ruas por rompimento de algum vínculo familiar, enquanto 26% acabaram por fazê-lo em virtude do uso de drogas, mesmo que legalizadas, como o álcool. E, de acordo com o vereador, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, 71% exercem atividade remunerada. “Essas pessoas trabalham no mercado informal, como catadores, olhando carro… Elas têm uma atividade, ou, como chamam, um bico”, explica.

De acordo com o parlamentar, os dados levantados pela Secretaria – que também identificou o Centro e a Avenida Beira-Mar como as maiores concentrações de moradores de rua na Capital – são fundamentais para a formulação de políticas públicas para a área. “Nós temos tudo para fazer uma ação racional, planejada, bem elaborada, para estabelecer um vínculo com essa população”, diz.

Salmito pediu o apoio de todos os colegas para apresentarem ao prefeito Roberto Cláudio (PDT) o projeto de criação de uma Política Municipal para a População em Situação de Rua e sugere também a constituição de uma clínica de rua, com uma equipe multidisciplinar que possa assistir a essas pessoas. De acordo com ele, moradores de rua não frequentam os postos de saúde convencionais pois eles “não têm vínculo comunitário, e muito menos com o poder público”. Segundo Salmito, “o poder público tem que ir ao encontro dela (população de rua)”.

O presidente da Câmara destacou a existência de um Decreto Federal, de 2009, definindo a política nacional sobre o tema e recursos para financiar essa equipe de profissionais podem ser obtidos no Ministério da Saúde. De acordo com ele, a Pasta possui recursos que são distribuídos mensalmente apenas para a área. Salmito afirma que, caso não sejam desenvolvidas políticas adequadas, a população de rua “poderá reforçar o problema da violência urbana”.

08:36 · 26.04.2017 / atualizado às 08:36 · 26.04.2017 por

Por Renato Sousa

O vereador Raimundo Filho (PRTB) usou a tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza, ontem, para defender que a população tome consciência e contribua com a limpeza urbana da cidade. “A conscientização da população é um fator de extrema importância para que as políticas ambientais tenham sucesso”, declarou. De acordo com o vereador, a Prefeitura tem feito sua parte nesse aspecto, mas ainda é preciso uma mobilização maior da sociedade. “O lixo é gerado por todos, portanto é responsabilidade de todos”, declarou.

Para o parlamentar, a disseminação de lixo “é um dos agravantes da degradação do meio ambiente”. Ele afirmou que o poder público tem a função de disseminar a consciência ambiental na população, divulgando iniciativas como a coleta seletiva e a reciclagem. “Não há como não produzir lixo, mas é possível reduzir e reutilizar”.

Raimundo Filho apontou, ainda, as iniciativas que vêm sendo tomadas pelo Palácio do Bispo para tratar do tema. “Já temos 24 ecopontos e mais 23 serão construídos até o fim do mandato”, declarou o vereador. Ele citou também o anúncio feito pela secretária de Urbanismo e Meio Ambiente, Aguéda Muniz, de eliminar aproximadamente 200 pontos de lixo na Capital.

09:31 · 20.04.2017 / atualizado às 09:31 · 20.04.2017 por

Por Renato Sousa

O presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), Jorge Pinheiro (PSDC), apresentou projeto sugerindo a criação de duas novas secretarias municipais na Capital cearense: uma voltada para o idoso e a outra para a família. De acordo com a justificativa do primeiro projeto, ele diz que a secretaria representa “uma causa encampada por toda a Câmara Municipal de Fortaleza, fazendo valer a seriedade do compromisso dos representantes municipais com a causa de defesa da pessoa idosa”.

Pelo texto, a Pasta deverá cuidar da viabilização de “formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações”, além do “atendimento ao idoso através de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar”.

Quanto à Secretaria da Família, ele afirma que a intenção é valorizar a instituição como “central” na sociedade. Segundo ele, é importante que a família seja apreciada e fortalecida como instituição responsável por “cuidar dos seus”. Pela proposta, a função da Pasta seria trabalhar “desenvolvendo programas, projetos, benefícios e serviços destinados aos núcleos familiares”.

09:53 · 18.03.2017 / atualizado às 09:53 · 18.03.2017 por

Por Edison Silva

O prefeito Roberto Cláudio tem um projeto de obras para este ano, parecido com o de 2016, quando disputou o segundo mandato Foto: Fabiane de Paula

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) está com um esquema político-administrativo muito bem estruturado que, se mantido ao longo de todo este ano, e oferecendo os resultados planejados, o credenciará, em 2018, como um dos principais eleitores na sucessão estadual, diferente do pleito de 2014, quando, por uma série de fatores, dentre eles o de estar praticamente iniciando o Governo, após o primeiro ano de organização da sua própria arquitetura de gestão, das dificuldades financeiras para tocar as obras em andamento e a falta de uma consistente base de apoio legislativo.

Naquele ano, ainda sob a sombra do difícil resultado eleitoral da disputa municipal, bem acirrada no seu segundo turno, ele teve de assumir a candidatura ao Governo do Estado de um neófito para o eleitorado fortalezense, Camilo Santana, portanto, dependente total do trabalho político de seus aliados no maior colégio eleitoral do Estado, onde, o grupo liderado por Cid Gomes, desde o após Ciro Gomes prefeito desta cidade, eleitoralmente é bem menos expressivo em se comparando com a situação nos demais municípios cearenses. Camilo foi derrotado na Capital.

Equilibradas

As dificuldades da economia nacional, inevitavelmente, poderão tolher, de certa forma, algumas das ações planejadas pelo prefeito, mas, se não forem agravadas, as expectativas dizem que não serão, o essencial do projetado será executado, posto estar o erário municipal suficientemente capacitado para suportar os encargos a ele atribuídos nesse projeto de estabelecimento de metas para todos os setores da administração, como a de sequência das obras e da prestação dos serviços essenciais, notadamente os da Saúde, da Educação e de Mobilidade Urbana.

A partir do segundo ano do seu primeiro mandato, Roberto Cláudio colocou Fortaleza no topo das capitais brasileiras em razão dos ajustes feitos que deixaram devidamente equilibradas a sua arrecadação e as despesas. Foi e é ajudado pelo Estado, com os governadores Cid Gomes (PDT) e Camilo Santana (PT), apesar de toda crise na administração pública brasileira. A Prefeitura está apostando na autorização federal para a contratação de empréstimos externos, já pactuados com organismos internacionais, e a própria União, garantindo obras já previstas para o próximo ano.

O Governo Central pode até continuar dificultando, mas o prefeito, nos longos caminhos já percorridos para vencer a burocracia, e as reservas de peemedebistas em Brasília, tem contado com o apoio do senador Tasso Jereissati (PSDB), não como aliado político, ele sempre tem reafirmado sua posição de oposicionista, mas por ter espírito público suficiente para separar os interesses do Estado e os do seu partido e aliados. A propósito, Tasso também tem dado ajuda significativa ao governador Camilo Santana, nos pleitos do Ceará em Brasília.

Performance

Fortaleza se ressente de um líder capaz de ser um eleitor qualificado nas sucessões estaduais. Juraci Magalhães (PMDB), por uma década, após substituir Ciro na Prefeitura, e até a eleição de Luizianne Lins (PT) para sucedê-lo, mostrou ter o apoio do fortalezense, elegendo um sucessor e voltando ao cargo logo a seguir, mas pouco influenciou na disputa estadual, embora quando candidato a governador em 1994, perdendo para Tasso Jereissati, tenha conseguido uma boa performance na Capital, ao contrário do que aconteceu em 2006, quando disputou uma vaga de deputado federal, somando apenas 26.893 votos, ficando como um suplente do PL ao ter obtido somente 31.226 sufrágios em todo o Estado.

Luizianne Lins, na sua meteórica carreira até chegar à Prefeitura da Capital, tendo passado rapidamente pela Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, era apontada como uma liderança emergente. Não conseguiu fazer o seu sucessor, teve uma votação na eleição de deputada federal nada significante para uma liderança local e na última eleição municipal ficou num sofrível terceiro lugar, frustrando todas as suas próprias perspectivas e da companheirada. São poucas as chances de reconquistar as vitórias das primeiras eleições disputadas.

O eleitorado de Fortaleza, como de resto os das muitas capitais brasileiras, difere dos das demais cidades. Ele tem um nível melhor de discernimento e certo grau de independência para a escolha dos seus representantes. Roberto Cláudio sabe disso. Para não cair nos mesmos erros dos seus antecessores, tem sim de fazer diferente tanto no campo político, como, e principalmente, no administrativo, para realmente ser um eleitor qualificado, capaz até de ficar dois anos sem mandato e ser bem lembrado no pleito seguinte.

Ele quer realmente ficar no cargo até o fim do ano 2020 ao dizer que o seu candidato a governador é Camilo Santana, embora o sucesso de seu Governo, neste ano, possa colocá-lo no páreo na sucessão de Camilo.

Encontro

As principais lideranças do PDT cearense vão estar em Brasília, hoje, para a convenção nacional do partido, quando, também, o nome de Ciro Gomes será enfatizado como o candidato do partido à sucessão presidencial. O ex-governador Cid Gomes e o prefeito Roberto Cláudio, no evento, poderão ser eleitos para a direção nacional da agremiação.

Ciro, como dissemos no último fim de semana, tem sido o centro de todas as atividades públicas da agremiação no País. Nos últimos dias ele ocupou vários espaços da propaganda partidária do partido, defendendo suas posições em relação às mudanças que hoje são discutidas no Congresso Nacional.

 

 

07:25 · 16.02.2017 / atualizado às 07:25 · 16.02.2017 por

Por Renato Sousa

Vereador Julierme Sena (PR) defendeu declaração polêmica do secretário de Segurança Pública Foto: Jorge Alves

Apesar de ser, tradicionalmente, uma pauta estadual, os vereadores de Fortaleza debateram ontem, no plenário da Câmara Municipal, os problemas da Segurança Pública na Capital e a necessidade de valorização dos profissionais da área. O tema foi levantado por nomes oriundos das polícias militar e civil.

Durante o grande expediente, quem trouxe a matéria para a discussão foi o vereador Julierme Sena (PR), que é policial civil. Ele defendeu a fala do secretário estadual de Segurança Pública, André Costa, que afirmou que os criminosos teriam que escolher entre “Justiça e cemitério”, questionando, ironicamente, o que os agentes deveriam fazer no caso de um confronto. “O policial deve morrer? Deve ficar de mãos atadas? Deve dar flores para o bandido?”.

Julierme Sena fez críticas aos movimentos de defesa dos direitos humanos. “Nunca vi defensor de direitos humanos ir em enterro de policial”, apontou. Ele questionou se “os policiais não são humanos”.

Responsabilidade

Em aparte, o colega de bancada, Soldado Noélio, afirmou que há um esforço da imprensa em desmerecer os policiais. Já Evaldo Costa (PRB) sustentou que, apesar da Segurança ser, primordialmente, uma atribuição estadual, o Município tem sua parcela de responsabilidade. Em aparte, ele também defendeu a fala do secretário de Segurança. “Ele não mandou ninguém sair por aí matando bandido”, declarou.

Coube à presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, Larissa Gaspar (PPL), fazer a defesa dos militantes de direitos humanos. Ela pediu o apoio de seus pares para “desconstruir uma visão de que direitos humanos são direitos de bandidos”. A vereadora afirmou que os direitos fundamentais existem para ser garantidos a todo e qualquer cidadão, inclusive aos policiais.

Os vereadores também debateram a política de valorização dos policiais militares posta em prática pelo governador Camilo Santana (PT). Acrísio Sena (PT) destacou a promoção de mais de 11 mil PMs graças à Lei das Promoções, aprovada no primeiro ano da gestão. Já Soldado Noélio afirmou que o governo estadual supervaloriza avanços que são “muito menores” do que o Palácio da Abolição propaga.

10:05 · 03.02.2017 / atualizado às 10:05 · 03.02.2017 por
Após reajuste, desde o último dia 14 de janeiro, a tarifa do transporte coletivo na Capital ficou 16,36% mais cara, indo de R$ 2,75 para R$ 3,20 Foto: José Leomar

Vinte dias após entrar em vigor o reajuste da tarifa do transporte coletivo de Fortaleza, um grupo de parlamentares, profissionais liberais e representantes dos movimentos estudantil e sindical protocolou, ontem, uma ação popular contra o que considera “aumento abusivo” dos valores das passagens de ônibus. Desde 14 de janeiro, a tarifa municipal de transporte urbano subiu de R$ 2,75 para R$ 3,20 e, para os estudantes, foi de R$ 1,30 para R$ 1,40. Na Justiça, os autores da ação pedem medida liminar que anule o decreto municipal que atualizou as tarifas, o qual denominam “ato ilegal” do prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Assinam a peça o deputado estadual Elmano de Freitas, presidente do PT Fortaleza, o vereador Guilherme Sampaio, líder do PT na Câmara Municipal, o ex-vereador e advogado Deodato Ramalho, o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE), Wil Pereira, e os estudantes Ranyelle Neves, Matheus Figueiredo, Paula Vieira, Tamyres Gomes e Adylson Galdino, representantes de entidades do movimento estudantil. O grupo é representado pelos advogados Natasha Assumpção Auto e Paulo Pires.

Segundo a advogada, a ação, que tem 12 páginas, é resultado de um processo de diálogo entre parlamentares e representações da sociedade civil desde que o aumento da tarifa de ônibus foi anunciado pela Prefeitura de Fortaleza, no dia 10 de janeiro. A ação deve tramitar em uma Vara da Fazenda Pública. Ela explica, contudo, que não é possível ter previsão de julgamento. “Como a gente protocolou hoje (ontem), não tem como saber em qual Vara vai tramitar. Ela vai para uma Vara de Fazenda Pública, mas amanhã (hoje) à tarde a gente deve saber qual Vara foi sorteada”, detalhou.

Inflação

No texto, os autores argumentam que, de 2013, quando Roberto Cláudio assumiu a Prefeitura de Fortaleza pela primeira vez, a 14 de janeiro de 2017, já no início do segundo mandato, a tarifa de ônibus na Capital subiu 60%, enquanto a inflação, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016, teria sido de 29,8%.

A ação popular diz, ainda, que o ato da gestão fere o princípio da moralidade administrativa, pois não atenderia ao art. III da Lei Orgânica do Município, o qual pontua que é “dever do Poder Municipal assegurar a todos locomoção através de transporte coletivo adequado mediante tarifa acessível ao usuário”. Outro fator apontado é o desrespeito a preceitos do princípio da proporcionalidade, que visa equilibrar direitos individuais e anseios da sociedade.

A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos já havia informado, em nota publicada pelo Diário do Nordeste no dia 19 de janeiro, que “foram observadas todas as determinações legais com relação à publicação do decreto de revisão da tarifa do transporte público, anunciado no dia 10 de janeiro”.

A pasta argumentou, ainda, que, após análise da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), “o percentual (reajustado) obedece aos critérios de cálculo tarifário que foram analisados no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016”.

08:54 · 02.02.2017 / atualizado às 08:54 · 02.02.2017 por

Por Renato Sousa

Na abertura do ano legislativo, Roberto Cláudio entregou ao presidente da Casa, Salmito Filho, a prestação de contas do último ano da gestão Foto: Kid Júnior

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), apontou que a limpeza urbana deve ser uma das prioridades de sua administração neste ano. No tradicional discurso de abertura do ano legislativo da Câmara Municipal de Fortaleza, ontem, o pedetista afirmou que deve contratar uma consultoria para sugerir questões para tratar do tema. “Nós, enquanto líderes desta cidade, enquanto pessoas que devem estar à frente de seu tempo, temos que liderar esse esforço”, disse.

De acordo com Roberto Cláudio, em 2015, Fortaleza era a cidade que coletava a maior quantidade de lixo per capita no País. Ele aponta que a cidade tem desembolsado mais de R$200 milhões para sustentar a coleta do material. “Esse dinheiro não cai do céu. Ele sai do Tesouro”.

Por isso, o prefeito informou que, além da contratação de um estudo, medidas devem já ser tomadas em regiões onde o problema é mais grave. Ele citou, por exemplo, que, na Avenida Leste-Oeste, deve ser implantado projeto piloto em uma extensão de cerca de 1,4km com ciclomonitoramento, ecopontos e lixeiras subterrâneas. Entretanto, o projeto será caro. “Não dá para implantar em toda a cidade”, explicou. Para o pedetista, é preciso uma mudança de consciência para a solução do problema. “Não venceremos esse problema sem uma grande campanha de cidadania”, declarou.

Roberto Cláudio disse também que tem a intenção de aumentar, proporcionalmente, os gastos com Saúde e Educação. Para este ano, ele anunciou que devem ser abertas dez novas creches em tempo integral e cinco novas escolas em tempo integral. Na área da Saúde, voltou a falar sobre a criação de farmácias dentro dos terminais de ônibus. As primeiras devem ser entregues a partir de agosto e, até dezembro deste ano, cada um dos terminais deve ter uma.

Segurança

Acompanhado na visita à Câmara pelo vice-prefeito Moroni Torgan (DEM), o prefeito garantiu que Moroni deve liderar o esforço municipal na área de Segurança “que mobilize os mais diferentes setores da sociedade”. Em entrevista coletiva, porém, ele voltou a afirmar que não está convencido de que armar a Guarda Municipal seja estratégia válida para a gestão. Guardas compareceram à Câmara com faixas demandando o armamento.

O prefeito também afirmou que gostaria de manter o gabinete aberto aos vereadores, aos movimentos sociais e às demais lideranças da sociedade civil. “Eu aprendi uma coisa nesses quatro anos: trabalhar junto com vocês economiza tempo”, declarou. Roberto Cláudio prometeu separar duas tardes por semana para receber vereadores. Na presença de servidores, ele reafirmou, ainda, a capacidade de Fortaleza manter em dia o pagamento dos servidores municipais, destacando que está aberto a discutir demandas do funcionalismo.

13:41 · 21.01.2017 / atualizado às 11:29 · 23.01.2017 por

Por Renato Sousa

A Prefeitura de Fortaleza trará à capital cearense o ex-prefeito de Medellín, na Colômbia, Aníbal Gavíria, para falar sobre o papel da administração municipal na segurança pública. A vinda fará parte do “Seminário Internacional de Políticas Públicas Inovadoras para Cidades”, organizado pela Prefeitura. O evento ocorrerá entre 26 e 28 de janeiro, no Marina Park Hotel, e será restrito a convidados. Gavíria falará no primeiro dia.

Medellín tornou-se um case internacional de capacidade de planejamento e revitalização do espaço urbano. Berço do temido cartel de Medellín – império do tráfico de drogas que teve como um de seus fundadores Pablo Escobar e que é apontado como um dos responsáveis por popularizar a cocaína nos Estados Unidos -, a cidade foi considerada a capital mundial do assassinato.

No começo dos anos 1990, Medellín tinha uma das maiores taxas de homicídio do mundo, com 360 assassinatos para cada mil habitantes. Hoje, a taxa é de 19. Em Fortaleza, a taxa em 2014 – número mais recente disponível – foi de 81,5 vítimas por armas de fogo para cada 100 mil habitantes, de acordo com os dados do Mapa da Violência, publicado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO).

A segurança pública foi um dos temas centrais da campanha municipal do ano passado. O principal adversário de Roberto Cláudio, o deputado estadual Capitão Wagner (PR), fez da temática uma das principais bandeiras da disputa, prometendo, dentre outras propostas, armar a Guarda Municipal. Wagner apontava Medellín como uma das inspirações de sua campanha.

Outras áreas

Gavíria não será o único convidado. Para falar sobre ciência e tecnologia, a prefeitura convidou Sílvio Meira. O engenheiro de softwares pernambucano foi um dos criadores do Porto Digital, parque tecnológico fundado em 2000, em Recife. Com um investimento inicial de R$33 milhões, o Porto Digital é considerado o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e em número de empresas, alcançando lucros anuais de R$1,4 bilhão.

Já para a área de mobilidade social e comportamento, o seminário convidou o publicitário Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva e ex-presidente do Instituto Data Popular, especializado em consumo da nova classe média. Ele integrou a comissão da extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República que estudou a Nova Classe Média Brasileira e é autor de “Um País Chamado Favela”.

O evento será encerrado pelo ex-governador Ciro Gomes (PDT), que foi prefeito de Fortaleza, falando sobre o cenário para as cidades brasileiras pelos próximos quatro anos. O urbanista Fausto Nilo, o presidente do movimento Brasil Competitivo, Cláudio Gastal, e a ex-ministra de Saúde do Equador, Carlina Vance, também participam do evento.

09:36 · 18.01.2017 / atualizado às 09:36 · 18.01.2017 por

Por Renato Sousa

Um dia após o prefeito Roberto Cláudio (PDT) reafirmar, em declaração ao Diário do Nordeste, que a Prefeitura de Fortaleza deve cortar até 40% dos terceirizados que hoje atuam na gestão municipal, o líder do PT na Câmara Municipal, vereador Guilherme Sampaio (PT), criticou o anúncio do chefe do Executivo e cobrou mais transparência da administração em relação aos desligamentos. Para o petista, é “impossível” realizar cortes dessa dimensão sem afetar a qualidade dos serviços públicos na Capital.

O percentual de cortes estimado pela Prefeitura, entre 30% e 40%, foi anunciado pelo prefeito na segunda-feira (16), durante vistoria à construção de uma escola de tempo integral no bairro Siqueira. Na ocasião, Roberto Cláudio garantiu que o atendimento à população não seria afetado. “A gente não vai fazer um corte irresponsável, que paralise serviços públicos”, afirmou.

Segundo Guilherme, porém, saúde e educação devem ser as áreas mais afetadas, pois concentrariam a maior parcela dos terceirizados. O vereador defende que “fazer uma gestão responsável do ponto de vista fiscal, neste momento, é uma obrigação”. Entretanto, para ele, isso não pode ser feito “a qualquer custo”.

O petista informou que irá solicitar à Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão informações sobre quais profissionais estão sendo desligados e por quais razões. “Está faltando clareza da Prefeitura de Fortaleza”, criticou.

Saúde fiscal

De acordo com o prefeito, o ajuste é necessário para que se mantenha a saúde fiscal do município. Guilherme, por outro lado, afirma que, se fosse realmente possível cortar até 40% dos terceirizados sem afetar serviços, isso demonstraria “uma explícita incompetência na gestão de recursos humanos na gestão anterior”, já que as contratações não teriam sido necessárias.

O petista argumenta que há outras áreas onde a Prefeitura poderia fazer cortes sem afetar a população, como publicidade. Como líder do PT na Câmara, Guilherme já reafirmou a postura de oposição do partido à atual administração, mas o companheiro de bancada, Acrísio Sena (PT), tem defendido que a sigla busque diálogo com o PDT.

09:30 · 17.01.2017 / atualizado às 09:30 · 17.01.2017 por

Por Renato Sousa

Ontem, Roberto Cláudio voltou a mencionar a projeção de que até 40% do quadro de terceirizados da Prefeitura seja incluído nos cortes Foto: Nah Jereissati
Ontem, Roberto Cláudio voltou a mencionar a projeção de que até 40% do quadro de terceirizados da Prefeitura seja incluído nos cortes Foto: Nah Jereissati

Anunciado desde antes da posse de Roberto Cláudio (PDT) para outros quatro anos à frente da Prefeitura de Fortaleza, o pacote de medidas de enxugamento da máquina pública com o objetivo de cortar gastos ainda não foi completamente fechado. Ontem, o prefeito informou que, de acordo com estimativas do Paço Municipal, o corte de terceirizados pode chegar a 40% do total dos profissionais que compõem a gestão municipal. Ele ressaltou, contudo, que, até o momento, não há previsão de nenhuma ação que demande envio de projeto para a Câmara Municipal de Fortaleza. “É tudo por decreto e medida administrativa”, citou.

Ao mencionar o corte de terceirizados, o prefeito ponderou, ainda, que ainda não há um número exato, acrescentando que o corte não será horizontal, com determinadas áreas podendo ter reduções menores que outras, apesar de não detalhar quais.

“A gente não vai fazer um corte irresponsável, que paralise serviços públicos”, afirmou o prefeito. A declaração foi dada ontem (16), durante vistoria à construção de escola de tempo integral no bairro Siqueira.

De acordo com o prefeito, o ajuste é necessário para que se mantenha a saúde fiscal do município. “Todas as transferências de recursos – tanto federais quanto do ICMS (que é um imposto estadual) – estão em queda”, citou. Ele destaca que, ao contrário de outras capitais, Fortaleza tem conseguido honrar seus compromissos, incluindo um aumento de cerca de 8% para os servidores municipais, concedido em dezembro. “Essa é uma realidade única no Brasil”.

Preocupação

Entretanto, caso o ajuste fiscal não seja feito, esse cenário pode mudar. “Se a gente não fizer isso, não tem mágica: a gente vai ficar com a mesma situação da maioria dos outros municípios”.
Desde que foi reeleito, em outubro de 2016, Roberto Cláudio tem anunciado uma série de cortes na máquina, que envolveu desde o fim do aluguel de carros oficiais para os secretários até a fusão de secretarias.

O prefeito afirmou que os gastos da Prefeitura de Fortaleza com telefone, internet e passagens aéreas também serão alvos dos cortes. A expectativa é de economizar até R$300 milhões em custeio da máquina. “São pequenas economias que, somadas, vão fazer com que a gente possa pagar os servidores em dia, ampliar serviços públicos e manter investimentos”, frisou.

Ele também falou sobre o reajuste das passagens de ônibus, em vigor desde sábado (14). De acordo com o pedetista, o aumento foi necessário em virtude dos reajustes dos insumos do transporte coletivo. “Nos últimos 14 meses, foram três aumentos do óleo diesel”, justificou. O prefeito ponderou, ainda, que a nova tarifa, que chegou a R$ 3,20, não tem nenhuma relação com o ajuste fiscal.

O aumento, anunciado pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) após reunião com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sindiônibus), representa reajuste de mais de 16%, o maior desde 2003, tendo superado o aumento de 2015, de R$0,35. Em termos nominais, o reajuste de R$0,45 é o maior desde a implantação do Plano Real.

Oposição

Parlamentares da oposição já anunciaram que pretendem tomar medidas para tentar barrar o aumento da passagem. A ação deverá ser decidida hoje, em reunião dos vereadores adversários da administração.

O pedetista também comentou a decretação de estado de emergência em Fortaleza e na Região Metropolitana, assinada pelo governador Camilo Santana (PT) na última sexta-feira (13), antes de sua viagem ao Irã. De acordo com Roberto Cláudio, a estratégia foi adotada como forma de poder-se agilizar obras para evitar um colapso hídrico.

08:29 · 04.01.2017 / atualizado às 08:29 · 04.01.2017 por

Por Miguel Martins

Até mesmo a bancada de oposição ao prefeito compareceu ao encontro de ontem, realizado em um restaurante da Capital. Na foto, Roberto Cláudio cumprimenta o vereador Idalmir Feitosa (PR), um dos opositores na Câmara Foto: José Leomar
Até mesmo a bancada de oposição ao prefeito compareceu ao encontro de ontem, realizado em um restaurante da Capital. Na foto, Roberto Cláudio cumprimenta o vereador Idalmir Feitosa (PR), um dos opositores na Câmara Foto: José Leomar

Buscando maior aproximação com o Legislativo Municipal, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), se reuniu, ontem, com 42 dos 43 vereadores da Câmara Municipal da Capital. Na ocasião, ele apresentou o secretariado do Governo, destacando a função de cada um, além de propostas para o início do segundo mandato. A partir de hoje, o chefe do Executivo inicia processo de diálogo individual com as bancadas da Casa, o que deve se estender pelos próximos dias. A única ausente foi Marta Gonçalves (PEN).

No primeiro encontro, conforme informou, o diálogo deve ser com a Mesa Diretora e com a liderança do Governo na Câmara. Já amanhã, adiantou ao Diário do Nordeste, o debate será feito com a maior bancada do Legislativo de Fortaleza, que é a sigla pedetista.

“Temos um desejo grande de governar junto com a Câmara. Durante os quatro anos do meu primeiro mandato eu acertei muito mais do que errei porque mantive proximidade com os vereadores que trouxeram demandas e expectativas populares”, ressaltou Roberto Cláudio.

Ele destacou que pretende manter essa mesma proximidade no segundo mandato, colocando-se à disposição para receber os vereadores em seu gabinete. “Vamos trabalhar agora com cada uma das bancadas, e a partir de amanhã (hoje) conversaremos com a Mesa Diretora e lideranças. Na quinta-feira (amanhã) estaremos dialogando com as bancadas maiores”, reforçou.

Prioridades

O prefeito enfatizou a importância do diálogo com o Legislativo, que é quem aprova as matérias oriundas do Governo e tem maior proximidade com a população. Dentre as medidas apontadas por ele como prioritárias no diálogo com a Câmara, está a licitação para as três primeiras Areninhas do ano, um lote de revitalização de praças e edital cultural para eventos em praças públicas de Fortaleza.

Ainda na reunião de ontem, Roberto Cláudio compartilhou com os vereadores medidas de contenção de gastos que serão tomadas pela Prefeitura já nos primeiros meses do mandato, além de destacar matérias que já estão no Parlamento Municipal, como o Código de Obras e Posturas e outras. A maioria dos cortes a serem implementados pelo prefeito é de ordem administrativa e, portanto, não há necessidade de proposta de Lei.

No encontro, ocorrido em um restaurante no bairro São João do Tauape, ele ainda pontuou que 2017 tende a ser um ano difícil para a economia – nacional e localmente. Assim, para manter obras em andamento e o pagamento do funcionalismo público em dia, o prefeito disse que é necessário consenso no que diz respeito aos gastos públicos.

Roberto Cláudio também vai convidar os vereadores a participar dos eventos do projeto “Prefeitura nos Bairros”, por meio do qual, uma vez por mês, a sede da Prefeitura será instada em um bairro da Capital.

O presidente da Câmara, Salmito Filho (PDT), esteve na reunião e defendeu o trabalho de independência e harmonia que deve existir entre os dois poderes com vistas a melhorar a vida da população. “Para além de receber as demandas e fiscalizar o Governo, o nosso objetivo institucional é fazer a Câmara estar mais perto da população, através de parcerias com a sociedade civil organizada, indo aos bairros. A Prefeitura, tendo essa alternativa, é muito louvável, pois ganha a cidade de Fortaleza”.

Base

O chefe do Executivo, por sua vez, ao ser questionado sobre a possibilidade de ter apoio de membro do PT à gestão, ao contrário do que ocorreu no mandato passado, disse ficar honrado caso se confirme a ida de Acrísio Sena à base aliada, uma vez que o petista é seu amigo pessoal e “teria muito a contribuir”.

Vereador de primeiro mandato, Esio Feitosa (PPL) terá a missão de coordenar a bancada de 35 vereadores da base governista de Roberto Cláudio. No encontro, ele salientou que é um desafio que requer muita responsabilidade. O parlamentar terá um colégio de três vice-líderes para ajudá-lo nos próximos quatro anos, e destacou que tem conversado com todos os aliados em busca de unidade.

“A perspectiva é que tenhamos um ano de crise e os vereadores devem ter responsabilidade com a cidade. Queremos que eles tenham essa compreensão, de que temos que fazer muitos sacrifícios”, disse o novo líder.

08:47 · 03.01.2017 / atualizado às 08:47 · 03.01.2017 por

Por Miguel Martins

Em discurso, Roberto Cláudio também agradeceu ao vice-prefeito Moroni Torgan, às esposas dos dois e aos vereadores e partidos que o apoiam Foto: Fabiane de Paula
Em discurso, Roberto Cláudio também agradeceu ao vice-prefeito Moroni Torgan, às esposas dos dois e aos vereadores e partidos que o apoiam Foto: Fabiane de Paula

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) deu posse, na manhã de ontem, a todo o secretariado da gestão e, já no período da tarde, realizou reunião com a equipe. O chefe do Executivo da Capital se reúne, na manhã de hoje, com vereadores da Câmara Municipal de Fortaleza, quando pretende apresentar os gestores que agora compõem a nova estrutura administrativa do governo aos membros do Legislativo.

Ontem, o prefeito também anunciou, como uma das principais medidas do novo mandato, a criação do projeto “Prefeitura nos Bairros”, por meio do qual pelo menos uma vez ao mês, ao longo da gestão, ele pretende levar a estrutura da administração municipal a um dos bairros da Capital, tornando o governo mais próximo da população.

As incursões da gestão nos logradouros da cidade têm início em fevereiro, quando secretários e os demais titulares de coordenadorias passarão um dia inteiro em um bairro ainda a ser escolhido, ouvindo demandas da população no tocante a ações dirigidas ao local e adjacências. “A sede (da Prefeitura) vai ser toda lá, com secretariado e equipe municipal buscando aproximar a gestão do povo”, explicou Roberto Cláudio.

Em um discurso de mais de meia hora na solenidade de posse, o prefeito destacou que seu primeiro mandato foi de muitas realizações, mas com falhas que buscará corrigir nos próximos quatro anos. Propostas que pretende implantar serão norteadas pelo Plano Fortaleza 2040, que trata do desenvolvimento da cidade com estratégias a serem implementadas em curto, médio e longo prazos.

Ele ressaltou, ainda, que quer ouvir as pessoas e entender as angústias da população, principalmente de quem vive na periferia de Fortaleza. “É muito importante termos decência moral para que a gente busque sempre capacidade e esteja sempre se reinventando”, pontuou.

O prefeito informou que, na reunião de hoje com os vereadores, apresentará seu secretariado e pretende discutir as primeiras medidas administrativas da gestão e algumas legislativas junto aos parlamentares da Capital. Ele tem como aliada quase a totalidade da composição da Casa.

Relação com a Câmara

Algumas das medidas que ele pretende implementar ao longo do mandato já estão, inclusive, na Câmara, como a Lei de Uso e Ocupação do Solo, o Código de Obras e Posturas e a Lei de Poluição Visual. Roberto Cláudio ressaltou que, assim como no primeiro governo, espera manter com a Câmara relação “com transparência e muito respeito”.

No que diz respeito à troca de quase 70% do seu secretariado, o gestor enfatizou que a equipe foi modificada por se tratar de um novo governo. Ao longo do mês de janeiro, ele deve nomear os coordenadores com status de secretário, o que já começou na tarde de ontem. Em seguida, serão nomeados os secretários-executivos e os presidentes de autarquias. A solenidade de posse do secretariado teve início com celebração ecumênica conduzida por líderes das igrejas Católica, Evangélica e Mórmon.

09:12 · 02.01.2017 / atualizado às 09:12 · 02.01.2017 por
Roberto Cláudio tomou posse na noite de ontem, em solenidade na Câmara Municipal Foto: Fabiane de Paula
Roberto Cláudio tomou posse na noite de ontem, em solenidade na Câmara Municipal Foto: Fabiane de Paula

Após tomar posse para o segundo mandato à frente da Prefeitura de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) detalhou, em entrevista coletiva na noite deste domingo (1), ações que pretende priorizar na nova gestão. Saúde e Segurança, como havia sinalizado durante a campanha eleitoral, devem receber o que chama de “inovações” já a partir do primeiro ano de governo. Educação, Emprego e Infraestrutura – esta incluindo mobilidade urbana e urbanização – completam, segundo ele, a linha de frente do segundo mandato.

Antes, em discurso no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, onde ocorreu a solenidade de posse dele e do vice-prefeito, Moroni Torgan (DEM), o pedetista já havia listado realizações do primeiro governo e pretensões para o segundo, mas, aos jornalistas, citou ações com previsão de prazo para serem executadas. Ao tratar de Saúde, disse que regularizará o estoque de medicamentos básicos dos postos ainda neste ano. Ele também informou que deseja inaugurar o IJF2 em 2018.

“É preciso que Saúde continue a ser a área em que a cidade mais investe ao longo de quatro anos, que a gente também qualifique e dê mais eficiência a esses gastos, e o mais importante: que a gente, agora, faça o que não foi possível ser feito no primeiro mandato”, afirmou.

Roberto Cláudio falou, ainda, de políticas de Segurança que envolvem a atuação da Guarda Municipal em parceria com o Raio. Segundo ele, a Prefeitura de Fortaleza pretende instalar, ao longo dos próximos quatro anos, pelo menos 50 pontos de observação da Guarda Municipal em espaços públicos da Capital, definidos a partir da incidência de crimes violentos.

“A Guarda Municipal contará com uma cabine, com câmeras de segurança no seu entorno, dois guardas municipais fixos em cada uma dessas cabines e dois volantes no entorno delas. Para cada duas cabines dessas, e com elas já se estabelece o novo sistema de monitoramento e fiscalização que não existia antes, a ideia, em integração com o Governo, já negociada com o governador, é que uma equipe do Raio possa dar suporte a essas duas equipes da Guarda Municipal nesses territórios”, explicou. De acordo com Roberto Cláudio, um plano deve ser lançado neste primeiro semestre, mapeando as áreas de implementação.

Equipe de governo

Hoje, às 9 horas, o prefeito dá posse aos novos secretários no Paço Municipal e, em seguida, realiza a primeira reunião com a equipe. O secretariado desta gestão, anunciado no dia 23 de dezembro, tem 67% de renovação em relação à equipe de governo do primeiro mandato. Segundo ele, a composição do chamado segundo escalão, formado por secretários-executivos e outros cargos da administração municipal, será anunciada “progressivamente” ao longo do mês de janeiro.

Questionado sobre como buscou equilibrar critérios técnicos a arranjos que atendessem aos 18 partidos que o apoiaram no pleito durante a escolha do secretariado, Roberto Cláudio argumentou que seu “grande compromisso” foi montar “um bom governo”.

“Minha satisfação sempre, e mais importante, é com a população. É a gente obviamente mediar, conciliar, conversar, mas ao final de tudo montar um secretariado que, na minha perspectiva, responda às expectativas da população e aos nossos compromissos. Esse foi o único e principal critério. Na conversa com os partidos, nós tentamos buscar perfis que pudessem conciliar uma dupla habilidade: alguma vivência política, algum tipo de habilidade ou de convivência com a política, e do outro lado conhecimento técnico na área em que irá exercer a sua missão, a sua função”, disse.

O pedetista pontuou, ainda, que “grande parte” do secretariado não tem filiação partidária. “São técnicos que foram escolhidos pela sua competência, pela sua história. Alguns são novas apostas da gestão, e outros nós buscamos em partidos pessoas que, dentro da nossa base de governo, pudessem conciliar essas duas habilidades”, completou.

09:08 · 02.01.2017 / atualizado às 09:08 · 02.01.2017 por

Por Beatriz Jucá

Na solenidade de posse de Roberto Cláudio e Moroni, o vereador Salmito Filho convidou para compor a mesa o governador Camilo, o deputado Zezinho Albuquerque, o ex-governador Cid Gomes e o procurador Plácido Rios Foto: Fabiane de Paula
Na solenidade de posse de Roberto Cláudio e Moroni, o vereador Salmito Filho convidou para compor a mesa o governador Camilo, o deputado Zezinho Albuquerque, o ex-governador Cid Gomes e o procurador Plácido Rios Foto: Fabiane de Paula

Com o discurso voltado à transformação de Fortaleza em uma cidade pacificada e mais competitiva economicamente, o prefeito Roberto Cláudio foi empossado, ontem, para o seu segundo mandato na Prefeitura da Capital. A solenidade, realizada na Câmara Municipal de Fortaleza, durou cerca de 50 minutos e marcou ainda a posse do vice-prefeito Moroni Torgan. Na ocasião, o prefeito prometeu ampliar políticas e ações iniciadas no primeiro mandato, como as areninhas e a construção de creches e de novos equipamentos de saúde, além de investimentos para um transporte público mais célere.

A sessão solene de posse foi aberta por volta das 19h pelo presidente recém-eleito da Câmara, vereador Salmito Filho. Na oportunidade, foram convidados para compor a mesa o governador Camilo Santana; o presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque; o ex-governador Cid Gomes, e o procurador Plácido Rios. Após os ritos constitucionais de juramento e assinatura do termo de posse, o prefeito Roberto Cláudio agradeceu a apoiadores, mas também à contribuição dos vereadores ao seu primeiro mandato, destacando a proximidade deles aos problemas dos bairros e a importância do diálogo com o Executivo.

O prefeito ainda afirmou que o momento é de renovação dos compromissos com a cidade e das alianças políticas. “Tenho consciência de que este é um novo momento e que o segundo mandato deve superar o primeiro. Vamos tentar inovar e nos reinventar permanentemente”. Segundo Roberto Cláudio, Fortaleza tem caminhado rumo à modernidade e está em processo para superar históricas desigualdades sociais. “A Prefeitura de Fortaleza deve intervir nesse processo como mediadora, não apenas realizando ações positivas, mas estimulando o mercado e gerando mais emprego”.

Roberto Cláudio disse querer estimular uma relação de pertencimento com a cidade promovendo ações de estímulo à utilização do espaço público. Ele citou como exemplo de ações que impulsionam isso a criação de novas praças e das areninhas, o Bicicletar, a criação de faixas exclusivas para ônibus e as medidas com o objetivo de tornar o transporte público mais rápido.

Para ele, uma cidade menos desigual e com maior sentimento de pertencimento não é utópica, mas algo possível de alcançar com um planejamento eficaz. Nesse sentido, ele citou as metas previstas no Fortaleza 2040. “O plano traça caminhos para uma Fortaleza mais acessível e acolhedora”, apontou, antes de ressaltar que o segundo mandato será dedicado a colocar em prática ações previstas no documento.

Política fiscal

O prefeito também destacou a importância de ter adotado uma política fiscal austera, o que, segundo ele, garantiu a continuidade da oferta dos serviços públicos e de investimentos no atual período de recessão econômica brasileira. O prefeito ainda comentou algumas conquistas do seu primeiro mandato, como a ampliação dos postos de saúde, a criação de 250 novos leitos hospitalares, a construção de novas creches e a implementação de escolas em tempo integral.

Para o segundo mandato, Roberto Cláudio disse que exigirá que a equipe gestora cumpra o projeto político aprovado pela população de Fortaleza nas urnas. Conforme o prefeito, o objetivo da nova gestão é investir na qualificação e na ampliação dos serviços públicos. Nesse sentido, ele prometeu, por exemplo, a criação de novas praças e areninhas, a criação de novas creches, a universalização do acesso à pré-escola e a duplicação das vagas nas escolas de tempo integral.

Na saúde, Roberto Cláudio pretende, nos próximos quatro anos, regularizar o estoque de medicamentos nos postos de saúde e ampliar as policlínicas com sistema de saúde escola. Além disso, o prefeito prometeu obras de pavimentação em 60 comunidades já selecionadas e a universalização de wifi e ar-condicionado na frota de ônibus. “Vamos fazer novos binários e novas avenidas em áreas que ainda não chegamos”, afirmou.

Mas as áreas que deverão ganhar atenção especial são a Segurança e a Economia. A primeira terá um programa de prevenção à violência conduzido pelo vice Moroni Torgan, que deve apresentar algumas informações ao secretariado na reunião de hoje (2).

Já na Economia, Roberto Cláudio pretende implantar políticas de incentivo tributário, desburocratização para a criação de empresas, iniciar novas parcerias com a iniciativa privada e ampliar as ações de profissionalização de jovens e adultos. “Isso vai tornar Fortaleza mais atrativa para investimentos. Daqui a quatro anos, desejo olhar na janela e ver uma Fortaleza mais pacificada e competitiva frente às grandes metrópoles”.

12:08 · 01.01.2017 / atualizado às 12:08 · 01.01.2017 por

Por Renato Sousa

Atual presidente da Câmara, o vereador Salmito Filho (PDT) deve manter-se no cargo. Será dele, portanto, a tarefa de dar posse ao prefeito Foto: Jorge Alves
Atual presidente da Câmara, o vereador Salmito Filho (PDT) deve manter-se no cargo. Será dele, portanto, a tarefa de dar posse ao prefeito Foto: Jorge Alves

Neste domingo (1), nos 184 municípios cearenses, acontecem as solenidades de posse dos prefeitos e vereadores eleitos em outubro passado. Alguns poucos ainda têm pendências com a Justiça Eleitoral. O mandato deles é de quatro anos. Em Fortaleza, a solenidade acontecerá no fim da tarde, na Câmara Municipal. Serão empossados, inicialmente, os 43 vereadores, e logo depois o prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Os vereadores são empossados primeiro em razão de ser o presidente da Câmara, a ser eleito imediatamente após a posse, o designado a receber o juramento do prefeito. Pelo entendimento já existente, o vereador Salmito Filho (PDT) será reeleito presidente da Câmara, para mais um período de dois anos.

De acordo com o Regimento Interno do Legislativo Municipal, a sessão de instalação da legislatura – na qual parlamentares são empossados – é conduzida pelo mais votado da eleição, no caso, Célio Studart (SD), que teve 38 mil votos. Caberá a ele e a um vereador a ser escolhido para secretariar os trabalhos colher, de cada um dos parlamentares, o juramento de defesa das constituições federal e estadual, além da Lei Orgânica do Município. Célio é quem também deve conduzir a eleição da Mesa.

Durante a instalação da legislatura e a eleição da Mesa Diretora, apenas os vereadores terão acesso ao plenário da Câmara Municipal. Cada participante poderá levar seis convidados, que serão acomodados na Galeria do Povo Dom Helder Câmara e no auditório da Casa, onde deve ser instalado um telão<MC0>.

A expectativa é de que apenas uma chapa concorra e que Salmito mantenha-se na Presidência da Casa. Em 14 de novembro, após reunião com os parlamentares eleitos, o pedetista divulgou carta com o apoio de 34 vereadores ao seu nome, inclusive da oposição. Soldado Noélio (PR), um destes opositores, afirmou em entrevista que o ideal era que fosse possível lançar uma chapa de nomes críticos ao Palácio do Bispo, mas ponderou que, “infelizmente, a oposição não teria força para eleger o presidente”.

Renovação

A próxima legislatura já começa diferente da anterior. Aproximadamente 60% dos parlamentares que estarão na Câmara durante os próximos quatro anos não a compuseram nos quatro últimos. Cerca de 20% da composição eleita em 2012 escolheu nem mesmo disputar uma vaga.

Entretanto, com a indicação do novo secretariado do prefeito – e a ida de Evaldo Lima (PCdoB) para a Cultura, Elpídio Nogueira (PDT) para os Direitos Humanos e Antônio Henrique (PDT) para a Regional III –, três nomes com experiência devem retornar à Casa: Carlos Mesquita (Pros), Dr. Eron (PP) e Eliane Gomes (PCdoB).

Tal renovação, porém, não deve se refletir na composição da Mesa. Conforme apurou o Diário do Nordeste, dos seis nomes que comporão a chapa com Salmito para vice-presidências e secretarias, apenas dois chegam à Câmara agora: Bruno Martins (PRTB) e Idalmir Feitosa (PR). Este, contudo, já foi vereador por cinco mandatos. Ainda não há informações sobre as presidências das comissões temáticas ou sobre os vogais<MC0>.

Após a eleição do presidente do Legislativo Municipal e da Mesa Diretora, caberá a ele dar posse a Roberto Cláudio (PDT) e a seu vice-prefeito, Moroni Torgan (DEM). Com a posse de Moroni – e sua renúncia ao posto de deputado federal –, o peemedebista Vaidon Oliveira deve ser alçado à Câmara Federal.

Roberto Cláudio elegeu maioria no Parlamento Municipal. Apenas seu partido conquistou 11 das 43 cadeiras da Casa. Em segundo lugar vieram o PR e o PRTB, tendo elegido quatro parlamentares cada um. O PPL elegeu três, enquanto SD, PEN, PSD, PT, PTC, PRP e PPS conseguiram um par de representantes cada. Por fim, PSDB, PMDB, PTN, PSL, PCdoB, PSDC e PRB garantiram sua presença na próxima legislatura pela bancada mínima. Com a volta de Dr. Eron, o PP também passa a ser representado na Câmara.

Oposição

Há outras diferenças em relação à legislatura anterior. Em 2012, o prefeito enfrentou uma oposição que era majoritariamente de esquerda – a maioria dos opositores vinha do PT e do PSOL. Agora, o cenário é diferente. Nenhum parlamentar do PSOL foi eleito e a bancada do PT foi reduzida pela metade, indo de quatro para dois vereadores. Os membros da oposição serão, em um primeiro momento, oriundos de partidos com perfil mais inclinado para a centro-direita, principalmente daqueles que compuseram a coligação que apoiou Capitão Wagner (PR) na eleição para prefeito.

19:12 · 31.12.2016 / atualizado às 19:12 · 31.12.2016 por

Por Beatriz Jucá e Edison Silva

Roberto Cláudio afirma que, ao fim de sua segunda gestão na Prefeitura de Fortaleza, pretende entregar uma cidade mais cidadã, planejada e com melhores indicadores na Educação, na Saúde e na Mobilidade Urbana Foto: Fabiane de Paula
Roberto Cláudio afirma que, ao fim de sua segunda gestão na Prefeitura de Fortaleza, pretende entregar uma cidade mais cidadã, planejada e com melhores indicadores na Educação, na Saúde e na Mobilidade Urbana Foto: Fabiane de Paula

Reeleito em outubro último para mais uma gestão no Executivo da Capital, o prefeito Roberto Cláudio diz planejar uma administração diferente do primeiro mandato, priorizando principalmente as áreas da economia e da Segurança Pública. Segundo ele, Educação, Saúde e Mobilidade Urbana também terão atenção especial. O prefeito diz que iniciará o mandato reunindo, no dia 2 de janeiro, o secretariado para discutir ações para os próximos anos. Já no dia 3 de janeiro, ele planeja um encontro entre a equipe administrativa e os vereadores de Fortaleza para apresentar as mudanças planejadas para a segunda gestão e também a preparação de mensagens a serem enviadas para a Câmara Municipal. No restante do mês, o prefeito ainda dedicará parte de sua agenda para receber vereadores e ouvir deles as principais demandas dos bairros.

A sua nova administração será igual à anterior?

Certamente que não. Será um novo governo. É um novo momento do Brasil, com novas demandas da população. Claro que tem a mensagem da reeleição, que é de aprovação de medidas e políticas implantadas no primeiro governo. As que foram bem avaliadas serão ampliadas, como as areninhas, a iluminação de luz branca e de led, as praças públicas, as creches e as escolas em tempo integral. Há uma demanda para que elas cheguem em novos bairros. Entretanto, neste ano a população também tem novas expectativas. Tenho dito que o grande desafio que temos é manter a marca de um governo inovador e moderno, mas também ter muita sensibilidade para entender os desafios sociais e físicos de quem mora na periferia, que ainda é muito deficiente de estrutura e de serviços públicos. Neste segundo governo, queremos manter essas duas marcas das políticas de inovação e da modernidade, como as que fizemos na Mobilidade Urbana, e ao mesmo tempo casar isso com políticas que cheguem à periferia, mudando a face de infraestrutura física e de serviços públicos básicos, como Educação e qualificação profissional. É um novo momento, um novo governo, e por isso que mudamos quase 70% da equipe. Demos novas missões e trouxemos novas pessoas justamente para que a gestão não fique na zona de conforto e possa se reinventar neste segundo governo com a mesma indignação com o que está errado, com o mesmo dinamismo e a mesma capacidade criativa de realização que norteou os secretários neste primeiro governo. É isso que procuraremos manter já a partir do dia 1º de janeiro.

Que Fortaleza o senhor imagina entregar para a população ao fim da sua gestão?

Subjetivamente, eu diria uma cidade que promova uma nova relação de cidadania e de comprometimento entre o cidadão que vive nela e a própria cidade. Esta é uma ação que passa pelo poder público, mas que não é só do poder público. Quando iniciamos as ciclofaixas de lazer, recuperamos espaços públicos, criamos as areninhas, implantamos o bilhete único e as faixas exclusivas para ônibus; quando entregamos obras de infraestrutura na cidade, e as pessoas passam a sair de casa e usufruir esses espaços, passa a ter nova relação de solidariedade e interação com as pessoas que vivem no entorno. Quando fazemos isso, estamos valorizando o verdadeiro sentido de uma cidade, que não é só um ajuntamento de pessoas no mesmo território. Uma cidade envolve sentimentos de identidade, de pertencimento, de solidariedade e, por fim, o que é mais importante, de cidadania. Se você me pergunta subjetivamente qual é a minha maior ambição, é que em oito anos a gente possa construir uma relação de cidadania com a cidade. Obviamente isso passa muito pelo papel estimulador do poder público. Do ponto de vista mais prático, eu diria que espero entregar uma Fortaleza mais planejada. O Fortaleza 2040 vai nos ajudar a ter uma noção de futuro. Uma cidade precisa pensar em longo prazo para que as de curto prazo tenham coerência com essa visão estratégica de longo prazo. Então, eu diria que espero deixar uma cidade planejada, uma cidade que traga mais oportunidades de infraestrutura e de serviços públicos para bairros e comunidades historicamente alijadas do desenvolvimento de Fortaleza. Ao mesmo tempo, a gente poder olhar pra trás e sentir que nas mais diversas áreas de atuação da Prefeitura houveram mudanças de indicadores. Queremos entregar uma Educação com maior número de matrículas e mais qualidade, uma Saúde com melhor cobertura, um transporte público que esteja mais ágil e mais confortável. São estas as minhas ambições: a da cidadania, a da mudança e a de indicadores de qualidade melhores nos serviços públicos essenciais.

Durante a campanha, em outubro, o debate que mais foi travado diz respeito à Saúde e à Segurança. Esses dois pontos têm projetos especiais?

Sim. Eu até ampliaria o escopo. Governar uma cidade é tratar de vários assuntos e de todos os territórios ao mesmo tempo. Temos que dar resposta aos vários problemas que surgem, da drenagem que está jorrando água em um bairro a uma grande política de planejamento urbano. Então, é impossível que em quatro anos nós mudemos a realidade de uma cidade por inteiro. Por isso que é tão importante planejar e realizar ações prioritárias. Temos quatro áreas estratégicas que deverão receber atenção especial nos próximos quatro anos de governo. A primeira é a Educação. Nós queremos ampliar matrículas e universalizar a pré-escola. Mesmo abrindo mais de 80 creches, há 4 mil crianças ainda não atendidas. Queremos universalizar isso e duplicar as vagas nas escolas em tempo integral. Queremos também todas as escolas de Fortaleza ensinando a ler e a escrever na idade certa. Outra área estratégica é a mobilidade, queremos ampliar e capilarizar as políticas vencedoras do primeiro governo, das ciclofaixas, das faixas exclusivas, dos binários. Temos como meta garantir a universalidade da frota com ar-condicionado e Wifi. Mas há três áreas que deverão receber políticas especiais, que são a economia local, a Saúde e a Segurança municipal. Esta última não é atribuição do município, mas daremos a ela uma atenção especial. Numa crise, a economia local acaba repercutindo e a consequência mais dura é o desemprego. Então é importante que os municípios se tornem espaços atrativos para investimentos. No primeiro semestre do ano, teremos ações para tornar Fortaleza competitiva. Essa área terá quatro ações: política de incentivos tributários; arranjos público-privados, que envolvem PPPs e concessões; a terceira ação é a da capacitação e formação para o mercado de trabalho; a quarta, que já iniciamos, é prática. Tornar Fortaleza a cidade mais desburocratizada do Brasil para emissão de licenças, alvarás de funcionamento de atividades econômicas e abertura de empresas. Na Segurança, o vice Moroni liderará o papel de monitoramento e de prevenção de violência do Município. Haverá uma articulação com a guarda municipal e o Raio, e isso já foi conversado com o governador Camilo. Do outro lado, também vamos integrar políticas sociais de prevenção de violência em territórios com maior incidência de mortes violentas e assaltos. Isso envolverá luz, pavimentação, areninhas, políticas para jovens e um conjunto de ações sociais. E na Saúde, que recebeu muitos investimentos no primeiro governo, vamos incorporar novas ações. Há um segundo passo que precisa ser dado, algumas metas específicas. A primeira é garantir no primeiro ano a regularização dos 84 medicamentos básicos da atenção primária em todas as farmácias e postos da Prefeitura. A segunda é integrar os postos à nossa rede de hospitais. Temos reformas e adaptações em andamento nos hospitais. O desafio é primeiro integrá-los entre si e depois integrá-los aos postos. Também iremos implantar mais três policlínicas, inaugurar o IJF 2. Temos também a ideia de aproveitar uma estrutura já existente da cidade que não é bem aproveitada, que são as universidades que ofertam cursos de Saúde. A nossa ideia é criar um modelo de cogestão em alguns territórios da cidade entre a Prefeitura e a rede de ensino, que tem profissionais e estudantes excelentes. Isso pode trazer modernidade e inovações para a nossa rede de assistência. Essa discussão ainda está no início.

Educação e Saúde são áreas caras. Para a Educação, há recursos garantidos, mas não para a Saúde. Como fazer uma Saúde de qualidade no município com a dificuldade de recursos?

53% do gasto global do Município está concentrado em duas áreas: Educação e Saúde. Há determinação constitucional de gastar 25% com a Educação, nós gastamos 26%. Na Saúde, é 15%, e nós chegamos a 27%. Respondendo à sua pergunta, acho que a saída para os municípios tem sido priorizar gastos em Saúde em detrimento de outras áreas. O orçamento é uma peça que não tolera discursos. Quando você olha para a LOA, você vê o que de fato o governo priorizou. Não tem como investir em Saúde sem retirar de outras áreas. Uma saída de vários municípios brasileiros tem sido aumentar a parcela de recursos próprios para essa área. O que a gente tem feito também é captar recursos externos para a Saúde. As policlínicas, por exemplo, e o próprio IJF 2, nós estamos fazendo com recursos em parceria. Um com o Estado e outro com organismos internacionais, justamente para tentar reduzir a utilização de recursos próprios no financiamento desses investimentos. No entanto, no custeio, é diferente. No IJF, temos 72% de custeio da Prefeitura de Fortaleza e 28% da União e do Governo do Estado. Planejamos para o IJF 2 alguns tipos de atividades assistenciais que são financiadas pela União, principalmente expansão de leitos e serviços de alta complexidade. Isso permitirá que o Município modifique a proporção de gastos, embora não reduza drasticamente em números absolutos. Entretanto, municípios e estados têm ficado com essa responsabilidade de financiar e expandir os serviços de Saúde. Enquanto não houver um novo pacto federativo, uma nova responsabilidade de financiamento da Saúde, a saída para os municípios que priorizam essa área é gastar mais e com eficiência. A despeito da gente ter uma grande quantidade de funcionários que não são públicos, temos que concentrar nossos recursos nos nossos equipamentos. Depois que eles estiverem bem custeados é que poderemos expandir serviços a prestadores da rede filantrópica e conveniada ao SUS.

O senhor disse que administrar a Prefeitura tem uma capilaridade grande e Fortaleza precisa crescer neste momento de crise nacional. Como Fortaleza pode crescer proporcionalmente à sua evolução demográfica?

Numa perspectiva de longo prazo, para que a cidade possa cumprir essa tarefa de planejamento de 24 anos que o Fortaleza 2040 propõe, é importante que a gente estruture um plano econômico. A gente precisa maximizar nossas potencialidades econômicas, dinamizar o que já existe e, inclusive, estruturar novas atividades que a cidade oferta. A economia do mar, por exemplo. Nós temos 33 quilômetros de costa, e o Fortaleza 2040 entende que um dos setores que a cidade nunca priorizou ou valorizou foi esse potencial da economia do mar, que envolve da pesca ao turismo. Uma ambição nossa junto com o Governo do Estado é ter um arrojado plano turístico. Há muitos lugares do mundo que conseguem transformar causos e prédios antigos em fatos turísticos, em atração de curiosidade para quem visita. Queremos construir itinerários e roteiros em Fortaleza, seja gastronômico, histórico ou cultural. Precisamos valorizá-los e vendê-los. Essa é uma política para o Turismo que não envolve grandes investimentos em infraestrutura, mas que tem um apelo muito forte junto a quem tem interesse em nos visitar. O plano econômico do Fortaleza 2040, dinamizando atividades atuais e estruturando atividades econômicas como esta, é o futuro para que a cidade não dependa unicamente dos repasses de outros entes. Quanto mais pujante a economia local, mais receita o município vai ter para poder fazer as compensações necessárias e atender o tamanho da demanda e da expectativa da população. Então, fundamentalmente, no longo prazo, a cidade depende de um plano econômico que a dinamize e que reduza a dependência aos repasses. Esta é uma questão. A outra é aproveitar a boa situação fiscal de Fortaleza comparada às outras capitais, e a sua grande capacidade de endividamento para de forma planejada captar investimentos de outras fontes, principalmente de organismos internacionais. Temos uma carteira de mais de R$ 2 bilhões já negociados ou em negociação, uma forma de investir sem precisar retirar do tesouro. E a expectativa é de uma nova economia para quando começarmos a pagar. Por isso, nós em quatro anos de uma crise, conseguimos parcerias com bancos e organismos internacionais. Essas ações permitirão que Fortaleza possa investir nos próximos anos mais ainda do que investiu na primeira gestão.

O senhor foi eleito com uma coligação que envolveu grande quantidade de partidos políticos. Como compatibilizar o interesse da administração com o político neste contexto?

Agindo com muita verdade e proximidade. Eu vim do Parlamento, então digo que o que o parlamentar mais precisa é de canais de diálogo com o Executivo. Comecei com o apoio de apenas um terço da Câmara e terminei com o apoio de dois terços. Nunca perdi o hábito de recebê-los e ouvir as demandas do bairro. Já começo, inclusive, a estabelecer essa relação no dia 3 de janeiro. No dia 2, teremos a primeira reunião do secretariado e, a partir do dia 3, convidarei os vereadores para uma reunião com o secretariado para falar um pouco sobre as prioridades, as ações da gestão para os próximos quatro anos e para ouvirmos as demandas dos parlamentares. O contato com eles ajuda uma relação de entendimento do próprio Executivo com a cidade e valoriza o trabalho do parlamentar. Fiz uma escolha de um secretariado extremamente técnico, claro que procuramos para algumas áreas perfis que unissem a técnica e a política. Tenho um profundo respeito pela Câmara. Sem ela, costumo dizer que não teria conseguido fazer tudo o que fizemos na primeira gestão. Eu tive o hábito de, além de receber vereadores toda semana e de andar com eles nas comunidades, abrir todo semestre legislativo. Quero continuar porque acho que isso é uma questão de respeito e reverência em relação ao trabalho da Câmara Municipal de Fortaleza. Quero registrar aqui que estou tendo o enorme privilégio de mais um mandato, apesar deste ano tão conturbado político e economicamente para o País. Quero assumir com o fortalezense o compromisso de continuar trabalhando para tornar a cidade melhor. Posso ter errado em alguns momentos, mas sempre dei o melhor de mim. E é isso que eu quero continuar fazendo para que as pessoas possam viver melhor na nossa cidade.

10:21 · 24.12.2016 / atualizado às 10:21 · 24.12.2016 por

Por Renato Sousa

O anúncio do novo secretariado de Roberto Cláudio foi feito nessa sexta-feira e modifica composição da Câmara Foto: José Leomar
O anúncio do novo secretariado de Roberto Cláudio foi feito nessa sexta-feira e modifica composição da Câmara Foto: José Leomar

A Prefeitura de Fortaleza anunciou, nessa sexta-feira (23), os nomes que comporão a segunda gestão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), reeleito em outubro deste ano. A renovação dos quadros foi de 67%. Entretanto, os principais nomes da equipe econômica foram mantidos, como o secretário de Planejamento, Philipe Nottingham, e o secretário de Finanças, Jurandir Gurgel.

A atual titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, Águeda Muniz, também segue no posto, assim como o secretário de Conservação e Serviços Públicos, João Pupo, o Procurador Geral do Município, José Leite Jucá, e o chefe de gabinete do prefeito, Queiroz Maia. O coordenador de articulação política, Lúcio Bruno, também continuará no cargo.

Samuel Dias, atual secretário de Infraestrutura, assumirá a Secretaria de Governo, até então ocupada pelo irmão de Roberto Cláudio, Prisco Bezerra. Segundo a Prefeitura, a saída de Prisco ocorre por razões pessoais. Nomes do segundo escalão deverão ser divulgados em janeiro. Já foi anunciada, contudo, a permanência de Eudoro Santana, ex-deputado estadual e pai do governador Camilo Santana (PT), a frente do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor).

‘Formalidade’

O anúncio da nova equipe foi feito pelo coordenador de comunicação da Prefeitura, Moacir Maia. O prefeito não compareceu, de acordo com o jornalista, por avaliar que o anúncio era “mera formalidade”. Ele também alegou cansaço, uma vez que, segundo Moacir, havia deixado o Paço Municipal às duas da manhã de sexta-feira.

Uma das intenções de Roberto Cláudio com a renovação da equipe é incutir entusiasmo na administração. “O novo secretariado combina experiência de alguns que já estão no governo com sangue novo e disposição”, afirmou Maia. O coordenador de comunicação sustentou que trata-se de uma equipe de competência técnica comprovad<MC0>a.

Segundo o jornalista, a Secretaria de Segurança Cidadã, criada pelo atual prefeito em seu primeiro mandato, terá maior destaque no segundo governo. O atual secretário, Francisco Veras, será substituído por seu secretário executivo, o policial federal Antônio Azevedo. De acordo com o assessor, o vice-prefeito eleito Moroni Torgan (DEM) terá papel fundamental nesta área. “O vice-prefeito Moroni Torgan terá uma atuação na articulação entre os órgãos que trabalham nessa temática da segurança pública nos diferentes níveis de governo”, detalhou.

A primeira reunião com a equipe de governo ocorrerá no dia 2 de janeiro, logo após a posse coletiva do novo secretariado. Na sequência, o prefeito deverá conduzir uma reunião de trabalho, colocando a equipe a par das prioridades da gestão. Moacir Maia afirmou que os próximos quatro anos já deverão ter como norte a agenda do Plano Fortaleza 2040, lançado nesta última semana<MC0>.

Duas pastas serão fundidas na nova gestão. A Secretaria do Trabalho une-se à pasta de Desenvolvimento Econômico, tendo como titular Mosiah de Caldas Torgan, filho de Moroni. Já as secretarias de Assistência Social e de Direitos Humanos passarão a ser a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Combate à Fome, sob comando do vereador Elpídio Nogueira (PDT), que foi secretário de Turismo.

A fusão é parte do esforço do pedetista em cortar gastos. Roberto Cláudio anunciou esta semana o objetivo de reduzir R$ 300 milhões em custeio da máquina. Moacir Maia defendeu que as fusões também buscam dar eficiência à gestão. “No lugar de você imaginar ações pontuais ou segmentadas, você tem uma única pasta capaz de pensar a área de forma sistêmica”.

Câmara

Além de Elpídio, dois outros vereadores integrarão a nova equipe. O atual líder do prefeito na Câmara, Evaldo Lima (PCdoB), substitui o jornalista Magela Lima na pasta da Cultura, e Antônio Henrique (PDT) assumirá a Secretaria Regional III no lugar da engenheira Fátima Canuto.

Com as indicações, três vagas são abertas na Câmara Municipal. A ex-secretária municipal de Desenvolvimento Habitacional (Habitafor), Eliana Gomes (PCdoB), retorna à Casa com a saída de Evaldo; Dr. Eron (PP) assume a vaga de Antonio Henrique, e Carlos Mesquita (Pros) deve ocupar cadeira de Elpídio.

A saída de Evaldo também levantou questões sobre quem poderia assumir a liderança do Palácio do Bispo na Câmara Municipal. De acordo com Moacir Maia, as negociações sobre o tema estão em curso e o anúncio deve ocorrer antes do Ano Novo. “Este é um trabalho (administrar Fortaleza) que a gente sabe que Executivo sozinho não faz e precisa dessa articulação com o Poder Legislativo”.

09:17 · 20.12.2016 / atualizado às 09:17 · 20.12.2016 por
Roberto Cláudio exibe o diploma, que acabara de receber, ontem, ao lado do pai, da mulher e das duas filhas. Nesta semana, ele anuncia o seu novo secretariado Foto: Kléber A. Gonçalves
Roberto Cláudio exibe o diploma, que acabara de receber, ontem, ao lado do pai, da mulher e das duas filhas. Nesta semana, ele anuncia o seu novo secretariado Foto: Kléber A. Gonçalves

A equipe de secretários do novo governo do prefeito Roberto Cláudio (PDT) deve ser anunciada na próxima sexta-feira (23). Ele admite mudanças em até metade do atual secretariado e fusão de pastas, mas nem todos os nomes já foram definidos, informou ontem o pedetista, ao chegar à cerimônia de diplomação dos eleitos na capital cearense, no Centro de Eventos do Ceará. A ideia, resumiu, “é manter alguns secretários onde estão, mudar de missão alguns outros e trazer novas caras ao governo”.

A composição, contudo, só será fechada, segundo Roberto Cláudio, após diálogos com os atuais secretários e também com os partidos que o apoiaram na eleição de outubro deste ano – a coligação do pedetista foi composta por 18 siglas no total.

“Tenho conversado com os atuais secretários, tenho conversado com instituições, comecei hoje (ontem) a conversar com o primeiro partido. Temos até sexta para conversar com os partidos, todos ou parte deles, que nos deram apoio, para até sexta-feira a gente tomar uma decisão mais pública e coletiva do secretariado”, disse. Alguns secretários, como Socorro Martins, titular da Pasta da Saúde; João Pupo, da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos; e Paola Braga, secretária executiva da Secretaria da Cultura (Secultfor), estiveram na solenidade.

O prefeito também voltou a falar de um pacote de medidas para redução de gastos municipais que prometeu anunciar “já no primeiro dia de gestão”. Questionado se as mudanças terão semelhanças com as medidas anunciadas recentemente pelo Governo do Estado e pelo Governo Federal sob o mesmo argumento, Roberto Cláudio disse que o pacote tem “semelhanças e diferenças”.

“Eu não vou antecipar nada até ele estar pronto. O que posso dizer é que é um conjunto que tem metas, uma meta de poder produzir uma economia entre R$ 250 e R$ 300 milhões ao Município sem que isso prejudique as ações de serviços públicos, de investimentos e pagando o pessoal em dia”, garantiu.

Ações

Como na campanha, ele citou, ainda, áreas prioritárias para o início da segunda gestão. O prefeito afirmou que buscará inovações em Saúde e Segurança Municipal (as políticas nesta área estarão sob o comando do vice-prefeito eleito, Moroni Torgan), além de ações que tornem Fortaleza mais competitiva para investimentos, como desburocratização de processos e capacitação de mão-de-obra.

Ele também disse que pretende trabalhar uma pauta de “reforma tributária municipal” que torne a Capital mais atrativa e “arranjos públicos e privados”, a exemplo de concessões, parcerias público-privadas e operações urbanas consorciadas.

09:29 · 05.11.2016 / atualizado às 09:29 · 05.11.2016 por

Por Edison Silva

Roberto Cláudio venceu as duas últimas eleições sendo a primeira, em 2012, como candidato da oposição à prefeita Luizianne Lins Foto: José Leomar
Roberto Cláudio venceu as duas últimas eleições sendo a primeira, em 2012, como candidato da oposição à prefeita Luizianne Lins Foto: José Leomar

Venceu o melhor. Roberto Cláudio (PDT) tem sido, de fato, um dos melhores prefeitos de Fortaleza nas últimas décadas. O mandato consecutivo tem mostrado a história, é mais difícil que o anterior e, por certo, a partir de janeiro do próximo ano, o prefeito há de se superar para vencer os empecilhos trazidos pelas consequências negativas da economia, responsáveis pelo empobrecimento da população e daí as cobranças por mais e melhores serviços nas áreas da Saúde e da Educação, por parte das muitas famílias que não mais podem pagar um plano de Saúde e a escola particular.

Além disso, a população cobra mais do que vem sendo feito em todos os demais setores da administração, obrigando ao governante, não apenas dar continuidade às ações coadjuvantes de sua reeleição, mas avançar nelas e produzir outras novas, não só para atender as necessidades cada vez mais crescentes da população, como, e principalmente, para contentar o eleitorado que apostou no prefeito fazer mais e que para ele, partícipe do sucesso, valeu a pena não engrossar o cordão oposicionista que é tão alargado em Fortaleza, como têm mostrado os resultados das últimas eleições com as expressivas votações alcançadas pelos candidatos que confrontam os governistas.

A propósito, cabe observar, para desmistificar os incensos dirigidos aos reconhecidos como mais oposicionista dos candidatos pelos eleitores, a votação a ele dada é contra o governista, de protesto, não um reconhecimento de ser o opositor um líder para merecer o seu voto em disputas futuras.

Segurança

Os exemplos são muitos: Juraci Magalhães, antes de se reeleger, elegeu sucessor, no momento representando a oposição ao Governo Tasso Jereissati. Depois, não conseguiu se eleger deputado federal. Luizianne se reelegeu, os fortalezenses não enxergaram nos seus opositores um verdadeiro e competente oposicionista para derrotá-la. A votação que teve para se eleger deputada federal, em 2014, foi ínfima em Fortaleza.

E mais. O deputado federal Moroni Torgan, hoje eleito vice-prefeito, responsável pela introdução do tema Segurança ao debate na eleição municipal, como oposição chegou até a disputar um segundo turno, mas não alcançou o reconhecimento de ser um oposicionista capaz de administrar a Capital ou ter um outro mandato majoritário. Ele tem tido muito boa votação para deputado federal. E por último, mas recentemente, em 2012, o deputado estadual Elmano de Freitas, que obteve 576.435 sufrágios na disputa com Roberto Cláudio pela Prefeitura de Fortaleza, acabou, dois anos depois, com uma votação pífia, na Capital, para o Legislativo estadual: 28.888. Heitor Férrer está no mesmo barco. O eleitor não o reconhece como um opositor capaz de chegar à Prefeitura.

Assim, os votos do eleitor fortalezense contra os candidatos da situação não são daqueles que representaram a oposição no momento da disputa, são, como se tem constatado, de qualquer um adversário do Governo de plantão. Dessa forma, essa votação não credencia ninguém a ser chamado de líder oposicionista, e muito menos é garantia para o sucesso de uma disputa majoritária futura.