Busca

Tag: PSDB


09:09 · 20.11.2017 / atualizado às 09:09 · 20.11.2017 por

Por Miguel Martins

Em evento na última terça-feira na AL, petistas se revezaram nas críticas ao Governo Temer Foto: José Leomar

Apesar de serem antagonistas no cenário político nacional, no Ceará, PT e PSDB estão com discursos alinhados contra a gestão do presidente Michel Temer (PMDB). Nos últimos eventos realizados pelas duas siglas, foram muitas as críticas feitas ao peemedebista, tanto no que diz respeito às reformas propostas pelo Governo quanto à interferência do Palácio do Planalto na legenda tucana.

No PT, a aversão ao Governo de Temer é total. Já no PSDB há uma disputa de forças entre aqueles que querem permanecer na gestão e os que defendem uma saída imediata da base aliada, sob o risco de o partido ser prejudicado naquela que é sua maior pretensão: a eleição para o comando do Governo Federal.

Durante convenção estadual do PSDB, no último dia 10, todos os tucanos presentes foram uníssonos nas críticas ao Governo Federal. Da liderança maior, o senador Tasso Jereissati, ao recém-empossado presidente da legenda no Ceará, Francini Guedes, muitos destacaram a necessidade de os tucanos deixarem a administração e se dedicarem a um plano de reaproximação com a população.

Eles chegaram a dizer que o presidente nacional afastado da legenda, Aécio Neves, estaria tomando atitudes, como a de destituir Tasso da presidência interina, a mando do Planalto. Além das críticas ao Governo Temer, os discursos foram direcionados ao PT, ao governador Camilo Santana, ao senador Eunício Oliveira, que preside o PMDB do Ceará, e aos irmãos Ciro e Cid Gomes, líderes do PDT estadual.

Já o PT, durante lançamento da plataforma digital “O Ceará e o Brasil que o Povo Quer”, na última terça-feira (14), somou-se às críticas dos tucanos. Com a presença da presidente nacional do partido, a senadora Gleisi Hoffmann, foram diversas as considerações feitas contra Michel Temer, principalmente no que diz respeito à desconstrução de políticas públicas idealizadas nas gestões petistas.

Diversos petistas se revezaram nas críticas ao presidente, dentre eles os deputados federais José Guimarães e Luizianne Lins, o chefe adjunto do gabinete do governador, Fernando Santana, e os deputados estaduais Moisés Braz, Rachel Marques e Manoel Santana.

Aliados

No Ceará, poucas as lideranças partidárias se expõem como aliadas de Temer, caso do deputado federal Domingos Neto, presidente do PSD. Até mesmo entre peemedebistas há reclamações, como as que têm sido feitas pela líder do partido na Assembleia, a deputada Silvana Oliveira. Outros membros da sigla na Casa preferem o silêncio e não o criticam, mas também não fazem a defesa do presidente.

“Eu entendo que o mínimo que o partido deveria fazer seria se desligar desse mal. O partido não poderia tolerar isso. Não sofrerei avaliação nas urnas sem expor o que penso”, diz Silvana.

09:00 · 16.11.2017 / atualizado às 09:00 · 16.11.2017 por

Por Miguel Martins

Francini Guedes discursa para tucanos durante sua posse, no último dia 10. Para ele, a legenda deve levar debates à sociedade civil organizada Foto: José Leomar

O PSDB no Ceará quer se aproximar cada vez mais da população, conforme defende o novo presidente estadual da legenda, Francini Guedes. Dessa forma, o partido pretende trabalhar pautas de interesse da sociedade, tendo como meta inicial discutir assuntos como as reformas em debate no Congresso Nacional.
Nos últimos quatro anos, o trabalho do ex-presidente da sigla, Luiz Pontes, foi de reformular a legenda no Estado. Seu sucessor, agora, quer dar uma cara nova ao partido, buscando uma maior interação entre a sigla e outros setores da sociedade.

A nova executiva estadual do PSDB, empossada no último dia 10, é formada por Francini como presidente, tem o médico  Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Cabeto, na vice-presidência; e o executivo Geraldo Lucena na 2ª vice-presidência. A vereadora Emília Pessoa é a 1ª secretária; Camila Castro, a nova tesoureira; e o engenheiro João Barroso, o secretário-geral.

Francini Guedes disse ao Diário do Nordeste que o objetivo da legenda, agora, é estar mais próxima da sociedade civil organizada e da população como um todo. No entanto, a formação da executiva, composta por empresários, um executivo, um médico e um engenheiro demonstra que o partido, no Ceará, ainda tem dificuldade de atrair representantes de outras classes da sociedade cearense.
Segundo ele, o desafio da legenda tucana é “lutar para criar uma nova ética no País” e, para isso, pretende apresentar o maior número de candidatos às casas legislativas em 2018.

Crise

“Ainda não temos metas, mas vamos discutir tudo isso. Disse no PSDB que não discuto mais o eu, mas o nós. Estamos vivendo uma crise muito grande, e temos líderes com ações que não são aconselháveis”, apontou.

Ainda de acordo com o dirigente, o PSDB tem bons nomes para a disputa eleitoral do ano que vem, mas é preciso construir um diálogo com outros partidos de oposição. “Não vamos discutir isso sozinhos, mas com os outros”, destacou. O tucano, porém, tem defendido o nome do senador Tasso Jereissati para a disputa pelo Governo do Estado.

Sobre o apoio do partido ao Governo de Michel Temer (PMDB), ele defendeu que “está na hora de acabar”. “Não faz mais sentido. Ele tem práticas que não são desejáveis para a sociedade, e o povo está cobrando isso”, justificou. Guedes ressaltou que o seu antecessor fez um “ótimo trabalho” no Interior do Estado, assim como junto ao PSDB Mulher e à juventude, o que fez com que esses dois setores crescessem na sigla nos últimos anos. “Em muitos municípios foram abertos diretórios que não existiam”, comemorou.

Segundo Guedes, a ideia é fazer com que o PSDB discuta “o que é bom para o País” com a sociedade civil, a juventude e empresários. “Não queremos tomar decisões sozinhos”, frisou.

Coligar

Do ponto de vista partidário, para 2018, em busca de eleger o maior número possível de nomes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal, o PSDB pretende se coligar com outras legendas no Ceará. Pela Reforma Política, a formação de coligação proporcional só será proibida a partir de 2020.
Segundo informou o ex-presidente da legenda, Luiz Pontes, o partido vai tentar eleger pelo menos três representantes à Câmara Federal e três à Assembleia Legislativa do Estado. Ele é pré-candidato a uma das 46 vagas do Legislativo Estadual.

Já há algum tempo a legenda não elege mais que um nome para as duas casas no Ceará. Atualmente, tem um senador da República, Tasso Jereissati; um deputado federal, Raimundo Gomes de Matos; um deputado estadual, Carlos Matos; e um vereador em Fortaleza, Plácido Filho. Para Luiz Pontes, caso Tasso seja candidato a governador, a possibilidade de a sigla tucana eleger mais nomes é maior.

10:33 · 12.11.2017 / atualizado às 10:33 · 12.11.2017 por

O novo presidente do PSDB no Ceará, Francini Guedes, em entrevista coletiva na sexta-feira passada, chegou a dizer  que o objetivo da legenda, a partir de agora é estar mais próxima da sociedade civil organizada e da população como um todo, buscando construir um partido do “nós” e não do “eu”. No entanto, a formação da executiva, composta por empresários, executivo, médico e engenheiro demonstra que a legenda ainda tem dificuldade de atrair para seus quadros representantes de outras classes da sociedade cearense.

O partido ainda não encontrou um discurso que se aproxime das camadas mais pobres da população. Isso foi percebido durante os discursos feitos durante a convenção partidária na sexta-feira passada, na Câmara Municipal de Fortaleza. Os pronunciamentos serviram muito mais para as críticas internas e ataques aos governos do PT e o atual, principalmente, contra Michel Temer.

A executiva estadual do PSDB é formada por Francini Guedes como presidente,  o médico  Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Cabeto, na vice-presidência; e o executivo Geraldo Luciano na 2ª vice-presidência. A vereadora Emília Pessoa passa a ser a 1ª secretária, Camila Castro a tesoureira e o engenheiro João Barroso, prefeito de Itapipoca, como secretário-geral.

12:44 · 11.11.2017 / atualizado às 12:44 · 11.11.2017 por

Depois de quatro anos à frente da sigla, Luiz Pontes  já não é mais o presidente do PSDB no Ceará. A partir de agora, ele trabalhará  sua candidatura para deputado estadual, mas ainda terá influência nas decisões partidárias. Durante convenção da sigla, na Câmara Municipal de Fortaleza, na última sexta-feira, ele voltou a defender que o senador Tasso Jereissati seja o candidato da oposição no pleito do próximo ano.

No mesmo evento, porém, o senador afirmou que o ideal seria a renovação e que apoia um nome de “gente boa” para o cargo. No entanto, Luiz Pontes acredita que seu líder político ainda não é carta fora do jogo. “O nome do Tasso não está descartado, por mais que ele diga que não é candidato. Além disso temos outros nomes, como do Geraldo Luciano, do Dr. Cabeto”.

Geraldo Luciano foi outro que na mesma convenção descartou ser candidato ao Governo do Estado, ressaltando ainda que o partido não pensa nessa possibilidade. Questionado sobre o que fará a partir de agora, Luiz Pontes disse que vai disputar uma das 46 vagas da Assembleia Legislativa, “vou voltar ao início da minha vida pública”.

12:41 · 11.11.2017 / atualizado às 12:41 · 11.11.2017 por

Apesar do discurso de que toda a oposição que esteve unida em 2014 deva continuar junta para o pleito de 2018, o que vem sendo mostrado através das movimentações políticas no Ceará demonstra que isso não será possível. Durante convenção do PSDB, na sexta-feira (10), só compareceram representantes de dois partidos: PR e PSD.

Em 2014, para se ter uma ideia, a coligação que apoiou o então candidato ao Governo do Estado, Eunício Oliveira (PMDB), era formada, oficialmente, por PMDB, PSC, DEM, PSDC, PRP, PSDB, PR, PTN e PPS. Apesar de  contar agora com o PSD, a bancada oposicionista daquele ano perdeu os apoios de PSC, DEM, PRP, PTN e PPS, correndo ainda o risco de ficar sem o PMDB.

Durante a convenção do PSDB estiveram presentes os presidentes do PSD, Domingos Filho, e do PR, Lúcio Alcântara, mas este se ausentou antes mesmo do início da convenção. Roberto Pessoa e Fernanda Pessoa, ambos do PR, também compareceram. Questionados sobre o tamanho da oposição no Ceará, as lideranças políticas não chegaram a citar o PMDB ou o PMB como membros de tal bancada.

12:36 · 11.11.2017 / atualizado às 12:36 · 11.11.2017 por

O deputado federal Domingos Neto (PSD)  esteve presente na convenção do PSDB na sexta-feira (13) e comentou o processo de estranhamento entre tucanos em nível nacional. Segundo informou, na semana que passou, conversas em Brasília davam conta de que haveria a possibilidade de alguns insatisfeitos com os rumos que a sigla estava tomando desembarcarem do partido.

De acordo com o parlamentar, caso isso aconteça o PSD poderia abrigar alguns deputados, mas ele disse que não é de bom tom pensar na divisão de um partido aliado para se fortalecer. “Ouvi muito em  Brasília que, caso esse clima no PSDB se estique, haveria a saída de deputados do partido. Para nós é importante que o partido esteja unido e forte”, disse.

 

07:33 · 11.11.2017 / atualizado às 07:33 · 11.11.2017 por

Por Miguel Martins

O senador Tasso Jereissati fala, no encerramento da convenção do PSDB, na Câmara Municipal de Fortaleza, ao lado da esposa, Renata Jereissati, e do novo presidente do diretório estadual, Francini Guedes Foto: José Leomar

O senador Tasso Jereissati (PSDB) voltou a defender, ontem, na convenção de seu partido, em Fortaleza, uma renovação dos quadros para a disputa majoritária no Ceará, reafirmando que não pretende ser o candidato a governador do Estado. Durante seu pronunciamento, o líder político fez críticas à gestão de Michel Temer, a quem chamou de “Governo de cooptação”, e disse que a sigla tucana, em muitos momentos, perdeu o rumo da história, necessitando, agora, “separar o joio do trigo”.

O senador afirmou que tem travado uma luta dentro da agremiação, e se empenhado em recuperar aquilo que sempre foi seu capital mais forte, a credibilidade. “O PSDB tem característica, e mesmo aqueles que não votavam no PSDB, que não queriam o PSDB por ideologia, respeitavam o nosso partido por sua credibilidade”.

Fidelidade

Tasso disse ainda que Aécio Neves não quer que ele conduza o processo de renovação da legenda, pois está em linha diferente, “fazendo o que pode, no intuito de deixar tudo como está. A história do PSDB foi erguida em cima de muita luta, muita ética, enfrentando resistência”.

“O PSDB desses caras que estão aí não é o meu PSDB, nem de Mário Covas ou Fernando Henrique. Estamos pregando para ficar de fora do Governo, porque esse Governo do Temer não tem nada a ver com a gente. Esse espetáculo de fisiologismo, onde seis de seus principais assessores, dos mais próximos e importantes, estão na cadeia, presos. Esse não é o tipo de Governo que apoiamos”.

Tasso também fez críticas àqueles que trocam de partido quando há mudança de gestão, e aproveitou para elogiar o novo presidente da legenda, Francini Guedes, que permaneceu no partido mesmo com todas as adversidades. Atualmente, o PSDB do Ceará é composto por um senador da República, um deputado federal, um estadual e um vereador em Fortaleza.

“Não sou candidato, e por enquanto não temos nomes, mas eu defendo o nome de gente boa”, disse. No entanto, em seu discurso, apesar de ser enfático, não deixou tão claro que não seria o candidato ao pleito do próximo ano. “O PSDB não pode depender de um nome só. Tem tanta gente boa, nova, com faca nos dentes, pronta para brigar. Às vezes, o mais cômodo é disputar com o mais conhecido, que já foi governador, pode ser. Mas está na hora de a gente mudar”, defendeu o tucano.

Oligarquia

“Nós temos a prova, no Brasil e no Ceará, do mal que fez ao País os dez anos de petismo. Eles deixaram a maior recessão e maior desemprego da história do Brasil. Esses dez anos levaram à maior escalada de corrupção do mundo. O petismo trouxe a desvalorização dos valores da sociedade brasileira”, atacou.

“Temos uma oligarquia aqui. Depois da oligarquia dos Accioly, nós voltamos a ter uma onde um irmão é candidato disso, o outro daquilo, a irmã daquilo e o governador é mandado por eles. Isso não podemos aceitar. Nós não temos medo de enfrentar, nós somos de luta”, apontou.

Além de Francini Guedes na presidência estadual do PSDB, a executiva conta agora com o médico  Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Cabeto), na vice-presidência; e Geraldo Lucena na 2ª vice-presidência. Emília Pessoa é a 1ª secretária, Camila Castro, a tesoureira, e João Barroso, o secretário-geral.

09:35 · 14.10.2017 / atualizado às 09:35 · 14.10.2017 por
a quantidade de partidos políticos existentes no Brasil é um ponto que deveria ter sido revisto na Reforma Política aprovada no Congresso. Foto: Agência Brasil

A cada Legislatura que passa, a impressão que o brasileiro tem é de que a representação partidária nas casas legislativas só piora. Em 2014, o Congresso Nacional eleito foi considerado o mais conservador desde a ditadura militar de 1964, e, com o passar dos anos, se configurou como um dos mais envolvidos em esquemas de corrupção da história do País desde a redemocratização.

De acordo com estudiosos, a situação política do País tende a ser melhorada nos próximos anos, mas também pode seguir negativa, visto a permanência de alguns que atuam de forma fraudulenta, e seguem influenciando o Poder Legislativo.

Para o cientista político e professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Santoro, atualmente vivemos a crise não de um Governo ou partido, mas de todo o sistema político criado na redemocratização.

Segundo ele, o questionamento profundo por parte da sociedade brasileira sobre seus representantes é motivado pela recessão – a pior da história da República, pelas revelações a respeito de esquemas de corrupção envolvendo os principais partidos, e pela dificuldade dos líderes políticos em responder a várias demandas sociais, como as apresentadas nas grandes manifestações de 2013.

O estudioso explica ainda que nos últimos anos houve um esvaziamento político do Congresso Nacional, com ausência de lideranças expressivas, e repetidos escândalos de corrupção, tanto na Câmara quanto no Senado, o que demonstra, em sua avaliação, que o Legislativo tem, sim, piorado ao longo dos anos. Para ele, a renovação da política brasileira virá no longo prazo, talvez a partir de 2022, e não em 2018, como alguns apontam.

Nas eleições do próximo ano existirão esforços da atual elite política em manter ou reocupar cargos que lhes deem acesso ao foro privilegiado. “Ex-governadores ou senadores atingidos pelos escândalos de corrupção buscarão um posto de deputado para garantir que só o STF (Supremo Tribunal Federal) possa julgá-los”, disse, Santoro.

O estudioso ressaltou ainda que a esquerda brasileira sofreu uma grande derrota eleitoral nas eleições municipais de 2016, na esteira do impeachment e da crise do Governo Dilma. No entanto, ele afirmou não estar claro que essa tendência continue, ainda que haja uma intenção da direita nesse sentido. Ele ressaltou, por exemplo, que as intenções de voto em Lula têm crescido, ainda que ele tenha sido condenado em primeira instância, pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, em Curitiba.

“O PSOL se fortaleceu em algumas cidades, em especial no Rio de Janeiro, onde virou principal força de oposição. A rejeição às reformas trabalhista e previdenciária e o descontentamento generalizado com o presidente Temer podem ser fatores que levem a uma reconstrução eleitoral da esquerda em 2018”, afirmou o cientista. Atualmente, nomes como os de Lula, Ciro Gomes, João Dória, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Marina Silva seguem sendo apontados como os principais potenciais candidatos à Presidência em 2018. No entanto, nem todos são considerados lideranças políticas capazes de aglutinar um grande número da massa eleitoral.

Santoro ressalta que os líderes políticos são importantes apenas na medida em que constroem instituições, como partidos, com capacidade de representar demandas sociais juntos às instituições, reunir políticos e especialistas em torno de um projeto de Governo.

Lideranças
“Lula conseguiu isso, ao menos durante certo tempo. Marina tem falhado em seus esforços de construir um partido e Ciro e Bolsonaro passaram por diversas siglas. Dória e Alckmin talvez se enfrentem num duro embate pelo apoio do PSDB, o que enfraquecerá um partido já bastante debilitado pelas denúncias de corrupção”, disse o cientista.

A quantidade de partidos políticos existentes no Brasil é outro ponto que deveria ser revisto na opinião dos estudiosos. Aliás, este tem sido um assunto controverso entre cientistas políticos de todo o Brasil. Enquanto uns acreditam que não se deva restringir o número de siglas partidárias, para não dificultar a ascensão de novas lideranças, com ideias renovadas, outros ressaltam que há um número excessivo de agremiações no País.

“Minha posição, no entanto, é que o Brasil tem um número excessivo de partidos – quase 30 com representação no Congresso, o que favorece tornar o legislativo fragmentado um balcão de negócios. Não há comparação na Europa ou nos Estados Unidos.

A cláusula de barreira, estabelecendo um percentual mínimo de votos para que um partido pudesse eleger deputados foi o melhor a ser apresentado pela Reforma Política. Isso é comum nos países ricos”, destacou Maurício Santoro.
Para o sociólogo Celso Barros, doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford, o Legislativo brasileiro pode não ter piorado por causa da participação de novos quadros, mas devido aos que lá já estavam há muito tempo, e são, corriqueiramente, citados em esquemas de corrupção. “Apesar de termos congressistas ruins, muitos dos que lá estão já estiveram à frente de esquemas fraudulentos no passado. Eles já estão aí faz muito tempo”, o que, na avaliação do estudioso, seria apenas a continuidade daquilo que nunca deixou de acontecer, em um poder nada exemplar.

No entanto, o sociólogo afirmou que há uma sinalização de melhoria no pós eleições de 2018, principalmente, porque o Governo Central passará pelo teste das urnas, o que não aconteceu no caso da indicação do presidente Michel Temer (PMDB), que assumiu a Presidência da República após a queda da ex-presidente Dilma Rousseff. “Com essa legitimidade, fica bem mais fácil tomar as medidas e decisões que o Brasil precisa para sair da crise”, explicou o cientista político.

Lava-Jato
Por outro lado, ele aponta que não se deve ter expectativas altas demais com relação ao novo presidente, pois este vai ter que compor com forças políticas atrasadas, que ainda estão no Parlamento há muito tempo. “Seja quem for, vai ter que compor com forças políticas atrasadas, que ainda estarão no parlamento. Se conseguir não se comprometer demais com elas, se permitir que as investigações da Lava-Jato continuem, já será um saldo bastante positivo. E a economia já deve começar a melhorar ano que vem, o que ajuda”, salientou o sociólogo Celso Barros.

Conforme estudos mostraram, em 2014, o eleitorado brasileiro elegeu o Congresso Nacional mais conservador desde a ditadura militar, em 1964, e para o sociólogo, isso tende a se repetir no pleito de 2018, visto que a esquerda não se renovou após as acuações de corrupção contra o presidente Michel temer, que segue sendo o gestor mais impopular da história.
Apesar de ter ido às ruas, protestar contra o chefe do Poder Executivo Central, a esquerda pouco avançou em sua pauta contra o gestor, e teve pouca inserção popular nas demandas apresentadas. “Ainda não sabemos se o voto de protesto vai se expressar no aumento da bancada de esquerda ou vai se fragmentar entre candidatos de identidade partidária fraca, como celebridades, pastores, etc”.

PT e PSDB
O estudioso acredita também que o problema mais grave no Brasil, atualmente, não é a falta de grandes lideranças, mas talvez a grave crise dos partidos políticos, o que poderia ter sido revertido com uma Reforma Política consistente, o que não aconteceu, na opinião da maioria dos cientistas políticos ouvidos pelo Diário do Nordeste.

Atualmente, as agremiações que lideram a disputa política no Brasil ao longo dos últimos 20 anos, PT e PSDB, atravessam dificuldades profundas para a disputa, o que pode acabar por influenciar que outros nomes se fortaleçam em outros grupos para o pleito vindouro. “Minha maior esperança é que alguma reorganização de siglas aconteça o mais rápido possível e nos ajude a restaurar a governabilidade em bases mais saudáveis”.

Para ele, a quantidade de partidos políticos existentes no Brasil é um ponto que deveria ter sido revisto na Reforma Política aprovada no Congresso, para evitar negociatas que reinam nos parlamentos Brasil afora. “Sem dúvida alguma esse é um problema. Mas acho que as propostas apresentadas sobre cláusula de barreira e proibição de coligações nas eleições proporcionais (para deputados) devem ajudar bastante nesse sentido”.

09:19 · 29.09.2017 / atualizado às 09:19 · 29.09.2017 por

por Letícia Lima

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do exercício de seu mandato e obrigá-lo ao recolhimento noturno, para não atrapalhar as investigações contra ele, foi chamada de “incursão despossuída” pelo deputado Fernando Hugo (PP) ontem na Assembleia Legislativa. Mesmo afirmando estar decepcionado com o tucano, a quem chama de “delinquente”, o parlamentar disse que não houve flagrante e saiu em defesa da atuação do Poder Legislativo.

Para o parlamentar, o Judiciário interferiu no outro Poder de forma inconstitucional, para tomar uma decisão que considerou arbitrária. “O Aécio era para estar preso na “Papuda”, no IPPOO, pelo bandido que é e que, hoje em dia, temos ciência dos seus atos criminosos, mas vivemos uma ‘esculhambaria’ jurisdicional. Não existe qualquer amparo para que se possa interceder num poder sobre o outro. Tirar da vida política um senador com mandato, que não foi flagrado?”, questionou.

Para o deputado, o pedido de prisão que havia sido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em junho passado, do senador Aécio neves – denunciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro -, sem julgamento, é um absurdo. Ele frisou que não defende o tucano, mas sim, o Legislativo.

“Eu não posso de forma alguma aceitar quieto essa incursão totalmente despossuída do Supremo dentro do Senado, sequestrando um senador, que não foi flagrado. Não podem deixar de criticar o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público Federal que, de tanto errar na sequência dos desastres do senhor procurador Rodrigo Janot, chega a ser hoje debochado. Como é que um procurador vai para um bar, dialogar de óculos escuro com o advogado do grupo que está sendo polemizado no País? Isso é a falta de pudor total”, disse Hugo.

08:58 · 25.08.2017 / atualizado às 08:58 · 25.08.2017 por

Por Miguel Martins

Deputado Cabo Sabino reclama mais ação dos oposicionistas e diz que o evento de amanhã não é da oposição, mas do PMDB que os convidou Foto: Fabiane de Paula

Apesar de a oposição ao Governo Camilo Santana estar tentando se reaglutinar, a bancada oposicionista ainda não se recuperou após a perda de seis de seus representantes na Assembleia Legislativa do Ceará, somente nos últimos meses. O grupo tentará, amanhã, reunir suas principais lideranças num evento no Município de Massapê, na Zona Norte do Estado, terra do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque, um dos principais articuladores do esquema governista, cidade em que o prefeito é seu irmão e adversário político.

Parlamentares ouvidos pela reportagem do Diário do Nordeste chegaram a dizer que já tinham marcado eventos particulares em outras regiões do Estado com antecedência, o que inviabilizaria a participação no evento que é encabeçado pelo PMDB. Nos últimos meses, conforme disseram, o grupo esteve distanciado, visto a agenda de suas principais lideranças em Brasília. A oposição é composta por membros do PMDB, PSDB, PR, SD, PSD e PMB.

Ausência

O último encontro realizado com a presença de todos os membros da oposição, diga-se suas principais lideranças, ocorreu em abril passado, e tal demora para um novo evento fez com que alguns representantes do grupo fizessem críticas públicas. O evento de amanhã, que até pouco tempo contaria apenas com a participação de peemedebistas, foi estendido para filiados de PSDB, Solidariedade, PSD, PR e PMB. O objetivo, segundo disseram, é debater projetos estratégicos para o Estado, além de discutir conjunturas para o pleito de 2018.

Segurança Pública e abastecimento hídrico, além da interiorização do Ensino Superior, devem dar o tom das discussões. No entanto, a ausência de seis membros do bloco parlamentar formado por PMDB, PSD e PMB será sentida no evento programado para acontecer no Município de Massapê, na região Norte do Estado.

Os deputados estaduais Silvana Oliveira, Audic Mota, Agenor Neto, todos do PMDB, mais Bethrose, Gony Arruda e Osmar Baquit, do PMB e do PSD, estão em rota de colisão com seus respectivos partidos e a tendência é que, muito em breve, eles deixem os quadros de tais siglas, pela expulsão, no caso dos peemedebistas, e por disposição própria, os demais que estão integrados ao grupo governista.

Apesar de alguns membros da oposição não considerarem que essa dissidência no bloco represente uma perda para o grupo, os seis parlamentares juntos representam um total de mais de 274 mil votos, o que faria falta em uma provável disputa que a bancada de oposição travasse com a situação, além de estarem defendendo as ideias do Governo, com Camilo Santana se preparando para disputar um novo mandato.

Somando os votos dos deputados citados, e mais os de Walter Cavalcante (PP) e Tomaz Holanda (PPS), que foram eleitos pela oposição mas também aderiram ao Governo, a quantidade de votos recebidos por esse grupo, em 2014, foi de mais de 333 mil votos. Para se ter uma ideia, no pleito passado, a diferença de votos entre o governador eleito, Camilo Santana, e o candidato derrotado, Eunício Oliveira (PMDB), foi de 303 mil votos.

Planejamentos

Coordenador da Bancada Cearense na Câmara Federal, o deputado Cabo Sabino (PR), que vem cobrando mais entrosamento entre a oposição, afirmou que não sabe se poderá participar do evento, pois estará em outro encontro no Município de Ipu. Ele destacou que os encontros são necessários, ressaltando ainda que a reunião de amanhã não é do colegiado de opositores, mas do PMDB que convidou alguns aliados.

“É importante que a oposição esteja junta, e não apenas em eventos públicos, mas em planejamentos internos. Os deputados que não fazem mais parte da oposição e aderiram ao Governo devem sair desses partidos nas ‘janelas partidárias’ e seguir para partidos aliados ao governador”, disse Sabino.

O deputado Roberto Mesquita (PSD) pode participar do evento, e destacou que a oposição deve se reunir mais para discutir pontos convergentes e apresentar propostas para o pleito do ano que vem, além de fazer com que haja sintonia entre seus membros. “Essa dissidência que há no grupo de oposição prejudica muito o nosso trabalho”, lamentou o parlamentar.

Para Carlos Matos (PSDB), o evento significa “atitude política”, buscando estar próximo à população. “Queremos dar um sentido de cooperação entre os partidos. Política se faz com compartilhamento de ideias e sensibilidade para encontrar as melhores respostas aos desafios”. O presidente do PSD, deputado Domingos Neto, afirmou que estará presente ao evento, destacando que os partidos estão unidos em nível regional e nacional.