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Tag: PT


10:42 · 24.05.2018 / atualizado às 10:42 · 24.05.2018 por

Por Renato Sousa

O vereador Acrísio Sena (PT), presidente do partido na Capital, defendeu ontem, na Câmara Municipal de Fortaleza, que a sigla petista abra mão da vaga para o Senado na chapa majoritária deste ano. Na avaliação do dirigente, o PT já está bem representado com o governador Camilo Santana, e exigir uma vaga na Câmara Alta daria à legenda uma representação desproporcional. “Estaríamos apenas nós, um único partido, reivindicando 50% da chapa”, disse.

Atualmente, o PT tem um dos três senadores cearenses, José Pimentel, cujo mandato termina em dezembro deste ano. Acrísio, em entrevista, disse que ainda não há discussão sobre nomes. De acordo com ele, o Diretório Estadual do partido deve se reunir, na sexta (25), para definir o calendário de discussões sobre a tática eleitoral deste ano.

O vereador também declarou que o arco de alianças de mais de 20 siglas construído em torno da reeleição do governador – o que inclui as recentes adesões dos até pouco tempo oposicionistas SD e PSD – inviabiliza um “blocão” das legendas para as disputas proporcionais. Segundo ele, isso criaria dificuldades para as agremiações. “Se você for acomodar 24 partidos, inevitavelmente teremos que fazer pressões para evitar que alguns colegas seja candidatos”.

De acordo com a legislação eleitoral, a quantidade de candidatos que um partido não coligado pode lançar é de 1,5 vezes a quantidade de vagas para o cargo. No caso de coligação, sobe para duas vezes. Para Acrísio, devem surgir vários blocos de partidos governistas para o Legislativo, o que abre a possibilidade de o PT não formar coligação.

A fala foi feita um dia após o colega de bancada de Sena na Câmara, Guilherme Sampaio, ir à tribuna da Casa defender a reeleição de Pimentel. De acordo com o parlamentar, é inaceitável que o partido divida palanque com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB) – que tem se aproximado do governador nos últimos meses –, por este ter apoiado o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) – que ele chama de “golpe” – e medidas implementadas pelo presidente Michel Temer (MDB), como a reforma trabalhista e a criação de um teto de gastos federais.

“Nossa tarefa prioritária neste momento é denunciar mais esse golpe. É não apoiando quem ajudou a articulá-lo que nós vamos conseguir comunicar isso claramente à sociedade brasileira”, declarou. Ele afirmou que um grupo de correntes do PT prepara o lançamento de pré-campanha pela manutenção de Pimentel no Senado.

Lula

Na reunião do Diretório, Acrísio Sena também espera que seja ratificado o apoio ao nome do ex-presidente Lula da Silva (PT) como pré-candidato à Presidência da República. Ele cumpre mais de 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Nessa conjuntura, não temos como abrir mão do capital político do ex-presidente”, afirmou. Na última semana, o governador defendeu que o partido passe a apoiar o nome do ex-governador Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto.

19:54 · 20.05.2018 / atualizado às 19:54 · 20.05.2018 por
Roberto Freire (PPS) compôs chapa com Ciro em 1998. Na ocasião, ambos integravam o PPS, sigla que Freire ainda preside. Foto: Lula Marques

O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), natural de Pindamonhangaba (SP), mas que já foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará, pretende disputar o Planalto pela terceira vez em 2018, após ficar em 3º lugar, em 1998, e em 4º lugar, em 2002.

Naquelas duas ocasiões teve como candidatos a vice, atuais adversários políticos. Há vinte anos, Ciro concorreu em chapa pura com Roberto Freire, pelo PPS. Os dois obtiveram no pleito de 1998, um total de 7.462.190 sufrágios, o que correspondeu a 10,97% dos votos válidos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Marco Maciel (concorrendo pelo antigo PFL, hoje DEM) foram os vencedores das eleições presidenciais.

Paulinho da Força (SD) disputou o Palácio do Planalto como vice de Ciro em 2002. Na época, Paulinho estava no PTB Foto: Agência Brasil

Além da discordância de Ciro e Freire quanto ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os dois já haviam divergido politicamente durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (também do PT), quando Ciro foi ministro da Integração Nacional. O presidente do PPS queria deixar a base lulista e o rompimento do partido dele com o governo petista, resultou na saída de Ciro, que migrou para o PSB. Freire foi ministro da Cultura do governo do emedebista Michel Temer (a quem Ciro faz oposição), entre 2016 e 2017, e exerce atualmente o cargo de deputado federal por São Paulo, além de presidir a sigla.

Em 2002, ainda pelo PPS, Ciro Gomes concorreu à presidência, tendo como vice Paulinho da Força, então no PTB e hoje no Solidariedade. Naquela disputa, Ciro e Paulinho da Força receberam 10.170.882 sufrágios, ou 11,97% dos votos válidos. Lula e José Alencar (já falecido, mas que concorreu pelo antigo PL) foram os vitoriosos.

Assim como Roberto Freire, Paulinho da Força foi um dos principais apoiadores do impeachment de Dilma, diversamente do pedetista, que foi aliado da presidente deposta.

Especulações

Na atual pré-campanha, em meio às articulações para composição de sua chapa já foram especulados nomes como os dos também cotados Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e do presidente da CSN, Benjamin Steinbruch (recém-filiado ao PP).

09:19 · 06.04.2018 / atualizado às 09:19 · 06.04.2018 por

Por Letícia Lima e Renato Sousa

“Não esperem de nós, do PT, a submissão diante da injustiça, submissão diante da afronta à Constituição. Esperem do PT uma militância mais aguerrida”, afirmou da tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, o deputado Elmano de Freitas (PT). A bancada petista reagiu com críticas ao resultado do julgamento do habeas corpus ao ex-presidente Lula, no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o início do cumprimento da pena do petista, condenado, em segunda instância, a 12 anos de prisão no processo do tríplex.

O deputado destacou o direito que a Constituição assegura ao cidadão à presunção de inocência até que os recursos à sentença condenatória sejam julgados. Ele não citou entendimento adotado pela maioria do STF, em 2016, de que o réu pode começar a cumprir a pena, após decisão em segunda instância.
Para Elmano, a prisão de Lula o transformará no “novo Mandela”, fazendo referência ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. “O Lula, se for preso, vai sair da prisão para ser presidente do Brasil”, disse.

O deputado Manoel Santana, ontem já não mais integrante da bancada do PT, pois trocou o partido pelo PCdoB para disputar um novo mandato, repetiu parte do seu discurso no dia anterior, também no plenário da Assembleia Legislativa.

Para ele, “assim como diz a estrofe de uma música que ninguém pode prender um sonho e impedir alguém de lutar, ninguém pode abafar o grito dos oprimidos. Todo sonho se alimenta da história e acredito que o povo unido vencerá esse momento de dificuldades que o País atravessa”.

Na Câmara Municipal de Fortaleza, o vereador Acrísio Sena, presidente municipal do PT, disse estar indignado pelo fato da condenação de Lula não ter sido, na sua visão, baseada em argumentos jurídicos, mas em cálculos políticos. Para Acrísio, o País vive “uma grande instabilidade institucional”, e a decisão de quarta-feira poderá levar a uma “recessão democrática”.

07:49 · 04.04.2018 / atualizado às 07:49 · 04.04.2018 por
Ontem, além de reafirmar chapas próprias, o PT saiu em defesa do ex-presidente Lula na Assembleia, com discurso da deputada Rachel Marques Foto: José Leomar

Por Letícia Lima e William Santos

Em busca de pré-candidaturas que consolidem chapas puras para as eleições deste ano, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) reafirma que, até o momento, a legenda pretende ir sozinha para a disputa proporcional e, sem formar coligação, eleger cinco deputados estaduais e três a quatro deputados federais pelo Ceará. Ontem, a sigla divulgou nota em que lembra resolução do PT divulgada no ano passado e, contrariando pressões de outras siglas e “boatos” sobre coligações, reitera que “é decisão da direção do PT Ceará sair só nas eleições proporcionais”.

A nota, divulgada pela assessoria de comunicação do PT, foi uma reação a declarações de membros de partidos governistas e a notícias veiculadas na imprensa. Ao Diário do Nordeste, o presidente estadual do partido, Francisco de Assis Diniz, ressaltou que a “tese estratégica” da sigla é “construir a própria chapa para sair só”, o que já vem acontecendo internamente. Segundo o dirigente, o partido tem, atualmente, entre oito e nove pré-candidaturas a deputado federal e outras 23 a deputado estadual. Ele projeta que tal número, contudo, pode aumentar até o próximo dia 7 de abril, prazo final da janela partidária. “Queremos chegar aos 35 (pré-candidatos à Assembleia)”.

A resolução sobre as eleições parlamentares de 2018, divulgada ainda em 2017, estabelece que “a direção estadual do PT, seus dirigentes municipais, prefeitos, vereadores, setores sociais organizados, militantes em geral, deverão envidar esforços na construção de uma chapa própria de candidatos (as) a deputado (a) estadual para as eleições de 2018”.

‘Blocão’

O documento ressoa, ainda, o discurso de petistas que dizem que a sigla foi prejudicada na coligação proporcional que compôs no pleito de 2014. “O partido elegeu apenas dois deputados estaduais, quando poderia ter saído das urnas com uma bancada de quatro parlamentares na Assembleia Legislativa”.

Embora a resolução reitere que o PT deve ir sozinho para a disputa, segundo De Assis Diniz, o partido aceitará formar coligação se todos os partidos que atualmente compõem a base governista de Camilo Santana (PT) aderirem a um único “blocão”. “Se for uma aliança de A a Z, nós topamos”, afirma ele, rejeitando, porém, a possibilidade de formação de um bloco maior e de coligações menores de partidos aliados com menor potencial eleitoral. “Eu acho que o governador tem toda a força política para construir isso (‘blocão’). Não tem força o PT isoladamente, o MDB, o PDT, mas o governo tem, basta querer”, justifica.

Em matéria publicada no último dia 26 de março, o presidente do PT no Ceará havia informado que, após reunião da executiva estadual petista no dia 20, o partido aguardava uma reunião com o governador Camilo Santana para discutir as táticas eleitorais da sigla. De lá para cá, De Assis Diniz teve dois encontros com o chefe do Executivo, mas, “com agenda muito apertada” de Camilo, uma reunião para discutir as questões colocadas “com maior profundidade” deve acontecer após o fim do prazo de filiações, na próxima semana.

Nos dois primeiros encontros, de acordo com o dirigente, foram pautas a reforma do secretariado do Governo do Estado, após a desincompatibilização dos secretários que serão candidatos, e a conjuntura nacional, no contexto dos ataques à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Região Sul na última semana. A decisão do partido sobre como irá para a disputa proporcional, salienta o dirigente petista, será homologada no Encontro Estadual de Tática Eleitoral do PT, marcado para o dia 26 de maio.

Julgamento

A conjuntura nacional, aliás, também foi levada à tribuna da Assembleia, ontem, pela deputada Rachel Marques (PT). Em razão do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, marcado para hoje, no Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se ele poderá ser preso ou não, ela pregou a “unificação” dos partidos de esquerda a favor do direito de Lula disputar as eleições em outubro próximo.

Rachel Marques informou, na tribuna da Casa, que haverá mobilizações no Centro de Fortaleza, nesta quarta-feira, a partir das 15h, com a presença do pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, e da pré-candidata a vice pelo partido, Sônia Guajajara. Ela voltou a dizer, ainda, que a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula a 12 anos de prisão, no caso envolvendo o tríplex de Guarujá, foi dada “sem provas, com o intuito de tirá-lo da disputa eleitoral”.

09:06 · 26.03.2018 / atualizado às 09:06 · 26.03.2018 por
Segundo o presidente do PT Ceará, Francisco de Assis Diniz, o partido conta com 22 pré-candidatos à Assembleia e oito a deputado federal Foto: Thiago Gadelha

Embora já tenha fechado questão, em resoluções internas, sobre algumas estratégias para as eleições deste ano, o PT cearense espera por uma reunião com o governador Camilo Santana (PT) para expor as teses defendidas pela agremiação e tentar, com o chefe do Executivo estadual, estabelecer pontos de consenso em relação às demandas de outros partidos da base governista. De acordo com lideranças petistas entrevistadas pelo Diário do Nordeste, mesmo que já trabalhe, por exemplo, na construção de chapas próprias para a disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, o partido não descarta diálogo com os demais membros da base sobre a formação de um “chapão” com todos os partidos aliados.

Em reunião das executivas estadual e municipal do PT, realizada na última terça-feira (20), o partido reforçou a intenção de não compor coligação proporcional no Estado, mas o assunto ainda deve ser amplamente discutido internamente até um encontro com o governador, a ser solicitado pela agremiação.

Segundo o presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, nos próximos dias, a sigla pretende realizar reuniões com as forças políticas petistas, com os pré-candidatos até agora colocados para a disputa e com a própria executiva do partido para, depois, “defender os interesses do PT” em diálogo com o chefe do Executivo estadual.

“Queremos chegar na reunião com o governador com uma posição acumulada com as correntes políticas, em reunião com a bancada dos deputados estaduais, deputados federais, senador e secretários e com a executiva”, relata o dirigente, ponderando, porém, que a postura do partido não será de irredutibilidade nas discussões. “Não vamos chegar com a faca nos peitos do governador. Ele é a principal liderança do partido. Vamos ouvir o governador e defender os interesses do PT”, afirma.

Meta

De Assis Diniz expõe que a “tática” do PT é “eleger cinco deputados estaduais, quatro deputados federais e discutir o futuro com o Camilo, no que diz respeito à composição do governo e ao programa de governo”. Segundo ele, até o momento, o partido conta com 22 nomes para disputar vagas na Assembleia e outros oito pré-candidatos a deputado federal, mas tal número pode ser alterado até o fim do prazo legalmente previsto para novas filiações e trocas de partidos na janela partidária. “Até o dia 7 (de abril) iremos consolidar essas candidaturas”, coloca.

O vereador da Capital Acrísio Sena, presidente municipal do PT em Fortaleza, por sua vez, destaca que “a posição do partido é de manter a resolução de sair só para federal e estadual”, mas pontua que o PT tem “abertura” para discutir com Camilo o “chapão”, caso seja formado por todos os partidos que compõem a base governista. O PDT e o PP, partidos com bancadas maiores que a do PT na Assembleia, são favoráveis à composição de um grande bloco governista.

“O sentimento é de que o partido está preparado, tem chapas prontas para disputar tanto para federal quanto para estadual. Politicamente, para o partido, o melhor caminho seria sair sozinho, mas se for um ‘chapão’ para valer, com todo mundo junto, o partido tem uma disposição de dialogar”, argumenta Acrísio.

Segundo ele, está fora de discussão para o PT, contudo, a tese, defendida por alguns partidos da base, de construção de uma chapa maior e outras coligações menores, formadas por partidos com menor densidade eleitoral. “Porque aí ou é o ‘chapão’ ou é a avaliação de cada partido”, justifica o vereador. Acrísio Sena demarca, porém, que até o momento “não houve nenhuma mudança na resolução”.

Alguns petistas têm defendido que a legenda repense a decisão de não compor coligação proporcional no Estado. O secretário da Casa Civil, Nelson Martins, por exemplo, contradisse ao Diário do Nordeste, em matéria publicada na última terça, o argumento de correligionários que sustentam que o PT saiu prejudicado do pleito de 2014, pois poderia ter conquistado mais vagas de deputado estadual se não tivesse formado coligação. “Mesmo tendo eleito apenas dois deputados, em momento algum (o PT) teve menos do que quatro deputados nesta legislatura. Em determinado momento, esteve até com cinco”, afirmou.

Senado

Outro ponto indefinido no partido que, segundo Acrísio Sena, ainda depende da conversa com o governador, é a reivindicação – ou não – da vaga ocupada pelo PT do Ceará no Senado, atualmente com o senador José Pimentel. Resolução nacional do partido do ano passado, endossada recorrentemente por nomes como a deputada federal Luizianne Lins, determina que, nos estados onde o PT tem senador atualmente, a legenda deve reivindicar a manutenção da vaga nas eleições de outubro.

Na coligação governista que se desenha, entretanto, aliados já dão como certo que a chapa do grupo para o Senado será composta pelo ex-governador Cid Gomes (PDT) e pelo senador Eunício Oliveira (PMDB). Isso porque, para alguns partidos, o PT não deve reivindicar a vaga, uma vez que já tem o principal cargo da chapa majoritária, de governador.

“É um ponto que nós precisamos debater com o governador, para saber se a aliança com o PMDB é para valer”, diz Acrísio. Segundo o vereador, isso deve ser pauta de um outro encontro de tática eleitoral do partido, marcado para 26 de maio, após a reunião com o governador Camilo Santana.

08:51 · 20.03.2018 / atualizado às 08:51 · 20.03.2018 por

Por Miguel Martins

Deputados de diferentes partidos da base governista na AL acreditam que o governador, no momento certo, ajudará nas negociações Foto: Yago Albuquerque

Apesar de ter aglutinado a maioria dos partidos políticos no Ceará em torno de uma eventual candidatura à reeleição, o governador Camilo Santana (PT) tem pela frente alguns desafios internos a serem solucionados na base governista. Um deles diz respeito à insistência do seu partido, o PT, em querer disputar isolado vagas na Assembleia Legislativa. Aliado histórico da sigla petista, o PCdoB, por sua vez, tem defendido a tese de disputar sozinho algumas das 22 cadeiras do Ceará na Câmara Federal.

O intento das duas agremiações não tem agradado à maioria dos membros da base aliada no Estado. Alguns deputados disseram ao Diário do Nordeste que a intenção inicial do grupo é constituir uma ampla coligação que agregue todos os partidos governistas. No entanto, representantes de legendas aliadas acreditam que a definição final deve ser pela criação de um “blocão”, formado por candidatos com maior densidade eleitoral, e outros dois ou três para atender às demandas de siglas com menor potencial de votos.

No início de fevereiro, o secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, que é filiado ao PT, disse ao Diário do Nordeste que discordava da tentativa do PT de se lançar sozinho para a disputa proporcional estadual. O gestor desconstruiu o argumento da legenda, que tem dito que foi prejudicada na coligação proporcional de 2014, visto que teria votos para eleger até quatro nomes e elegeu apenas dois, devido à coligação da qual participou.

“Mesmo tendo eleito apenas dois deputados, em momento algum teve menos do que quatro deputados nesta Legislatura. Em determinado momento, esteve até com cinco”, mencionou Nelson Martins. Ex-presidente do PT de Fortaleza e membro da direção do partido, o deputado estadual Elmano de Freitas contesta as alegações do secretário, pois, segundo ele, se tivesse terminado o último pleito com quatro deputados eleitos, o PT poderia ter tido seis ou até mais membros na Assembleia ao longo da atual Legislatura.

“Pelas falas do Nelson, ele vai propor mudanças na linha de pensamento do PT. Acho que isso vai depender muito da avaliação que faremos das chapas que estão sendo construídas. Estamos montando chapa para irmos sozinhos, e queremos nos antecipar à nova legislação eleitoral, para não termos maiores dificuldades no futuro”. A partir de 2020, não será mais possível formar coligações proporcionais no Brasil, conforme aprovado na Reforma Política de 2017.

Resolução

A resolução do PT Ceará, aprovada em dezembro passado, diz que o partido irá se esforçar para a construção de uma chapa própria de candidatos a deputado estadual para as eleições de 2018, “estimulando suas lideranças nas diversas regiões do Estado a se candidatarem, num esforço coletivo de afirmação do protagonismo do PT”. Diz ainda que a chapa do partido para a Câmara Federal “será construída em parceria com a direção nacional, ouvidos os atuais parlamentares e pré-candidatos”.

Segundo Elmano, o governador Camilo Santana, autoridade política maior do Estado, tem o direito de sugerir mudança na decisão petista devido às circunstâncias políticas. “Nós vamos avaliar e tomar a decisão, buscando consenso com o PT e os deputados. O que não podemos é deixar acontecer o que aconteceu em 2014. O PT tinha votos para eleger quatro e, por ter se coligado, fez apenas dois”.

O petista disse ainda que o argumento de Nelson Martins não se justifica, “porque é melhor termos quatro efetivos e, se tivermos, suplentes, podendo ter mais dois que poderão ou não assumir. É razoável se ter as cadeiras na proporção dos votos. Algum eleitor pode não estar se sentindo representado, porque coligamos e a vaga foi para outro partido”, reclamou.

Cláusula

Membro do PCdoB na Assembleia, o deputado Carlos Felipe afirmou que a tendência é que o partido vá sozinho para a disputa a deputado federal. Segundo ele, as reclamações na base têm partido principalmente de membros do PDT, mas há justificativa na intenção do partido, que seria manter o percentual da cláusula de desempenho. “É importante mantermos o percentual para continuarmos representando o povo brasileiro”.

O deputado Sérgio Aguiar, do PDT, afirmou que Camilo Santana será o “grande condutor da aliança”, destacando ainda que “a aliança não é feita de um ou dois partidos, mas de mais de uma dezena de partidos, que devem se coligar para defender a ideia de manutenção desse projeto político”. Segundo o pedetista, o governador, no momento certo, vai convencer a todos a tomarem a melhor decisão para condução de seu Governo.

Líder do bloco PDT, PP, PEN e PHS na Assembleia, o deputado Ferreira Aragão (PDT) acredita que a janela partidária, até 7 de abril, definirá os rumos de muitos políticos no Estado. “Até o presente momento, só muita conversa em torno do que pode acontecer. Qualquer decisão até lá pode ser prematura”.

Líder do PMDB na Casa, a deputada Silvana Oliveira defendeu que “ou todos vão juntos em bloco ou cada um vai sozinho”. O PMDB, apesar de ainda não fazer parte da base, oficialmente, tem se alinhado com o Governo Camilo Santana desde o fim de 2016. “Quer dizer que eu estou aliado só porque me beneficia aqui e ali não? Eu saio de uma composição dessa, e vou dizer na tribuna, caso isso aconteça”.

09:42 · 10.03.2018 / atualizado às 09:42 · 10.03.2018 por

Por Miguel Martins

Presidente do PT, Francisco de Assis Diniz, argumenta que o partido teria votos para eleger mais deputados do que conseguiu na última eleição Foto: José Leomar

Concluído o processo de filiações a partir da janela partidária, que teve início na semana passada e se dará até abril próximo, lideranças políticas estarão empenhadas na formatação de coligações que darão sustentabilidade às candidaturas para o pleito deste ano. Um dos principais problemas enfrentados pela base governista de Camilo Santana diz respeito justamente à legenda a que ele é filiado, o Partido dos Trabalhadores (PT), que pretende tomar um rumo diferente das demais legendas aliadas.

Enquanto quase todos os partidos que fazem parte da base de sustentação do petista trabalham com a possibilidade de formar uma coligação proporcional com todas as legendas aliadas, o PT defende estar isolado na disputa por vagas de deputado estadual e coligado na eleição para federal. A intenção da sigla não vem agradando aos demais presidentes partidários.

O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, disse que a ideia é construir um palanque próprio para a disputa estadual. Segundo ele, se durante o processo houver qualquer barreira, o partido vai se preparar para estar isolado em toda a disputa proporcional.

Questionado sobre o ineditismo do que propõe o partido, uma vez que o eventual “cabeça de chapa”, o governador Camilo Santana, é filiado ao PT e estaria sem sua legenda na coligação proporcional, De Assis Diniz sustentou que o que o partido não quer é ter votos suficientes para eleger uma bancada de quatro ou cinco deputados e ficar apenas com dois. “Mas vamos conversar e muito. E vamos estar, sim, na chapa majoritária”.

Também membro do PT, o secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, destacou que continua trabalhando para que a sigla participe da coligação governista para deputado estadual e federal. Ele também disse esperar que o PCdoB, que já sinalizou a possibilidade de ir sozinho para a disputa, também esteja na coligação geral.

“A tendência é que ambos participem da coligação geral, sem dúvida. Mas existem alguns deputados que podem estar com mais dificuldades do ponto de vista eleitoral, porque a coligação ampla requer muitos votos”, citou. De acordo com os cálculos feitos por parlamentares, quem participar do chamado “blocão” precisa ter, pelo menos, 40 mil votos, o que poderia inviabilizar algumas candidaturas.

Ao menos 12 deputados foram eleitos para esta legislatura com menos de 40 mil votos: Joaquim Noronha (38.751), Carlomano Marques (37.422), Walter Cavalcante (33.094) e Bethrose (31.666), além de Carlos Matos (29.036), Carlos Felipe (28.881), Audic Mota (28.509), Bruno Pedrosa (27.793), Ferreira Aragão (27.607), Tomaz Holanda (25.875), Zé Ailton Brasil (25.401) e Julinho (23.624).

Alternativas

Nelson Martins afirmou que, apesar de a ideia inicial apontar para a construção de um grande bloco envolvendo todos os aliados, não há problemas em trabalhar outras alternativas de coligações. “Se formar duas coligações é possível contemplar todo mundo. Nosso objetivo é ter um apoio forte para o Camilo e nossos senadores, em nível federal, bem como contemplar uma bancada de apoio na Assembleia, que seja grande e forte”.

Já o deputado Osmar Baquit (PSD), que deve se filiar ao PDT no próximo dia 23, disse acreditar que, apesar das posições de lideranças do PT e PCdoB, o governador Camilo Santana deve contornar a situação.

Para o presidente estadual do PCdoB, Luiz Carlos Paes, uma das melhores alternativas é a construção de chapa própria para deputado federal e estadual ou coligação de partidos com o mesmo potencial de votos que a legenda tem. “Essas são as duas melhores alternativas. O ‘chapão’ não é bom, embora não possa ser descartado. Estamos trabalhando em duas hipóteses principais, sem desconsiderar qualquer outra”, defendeu.

09:11 · 27.01.2018 / atualizado às 09:11 · 27.01.2018 por

Por Letícia Lima

Membros de siglas de esquerda e centro-esquerda, como PCdoB, PDT, PSOL e PSB, participaram de atos em defesa da candidatura de Lula na quarta Foto: José Leomar

Diante da condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nesta semana, ganhou força entre petistas o discurso de unir a esquerda em torno da candidatura do ex-presidente. Embora siglas que orbitam esse campo ideológico, como PCdoB, PDT e PSB, defendam o direito de Lula ser candidato nas eleições de 2018, lideranças de alguns desses partidos no Estado, entrevistadas pelo Diário do Nordeste, fazem ressalvas ao modo como vem sendo construída a unificação pretendida.

Mesmo antes do julgamento do recurso de Lula no caso do tríplex de Guarujá, na última quarta-feira (24), o PT já enfatizava o desejo de unir os demais partidos de esquerda em torno do nome dele na disputa presidencial. Apesar de acharem que o campo da esquerda deve marchar junto nas eleições de outubro, algumas legendas, no entanto, não hesitaram em lançar pré-candidaturas próprias.

O PDT, por exemplo, aposta na candidatura do ex-ministro Ciro Gomes, e não deve abrir mão dela, pelo menos, no primeiro turno, como defende o presidente estadual da legenda, deputado federal André Figueiredo. Para ele, as forças de esquerda devem marchar juntas na eleição, principalmente no caso de eventual segundo turno, seja com candidato petista ou de outra sigla. André reconhece “acertos” dos governos petistas, mas critica o fato de o PT não dar “espaço” para outras legendas encabeçarem esse movimento e lembra que posicionamentos do partido no passado levaram à ruptura com o PDT.

Falta de espaço

“Não vejo, sinceramente, espaço para o PT pregar união das forças de esquerda se está sempre colocando o partido em primeiro lugar e trata seus aliados como partidos subservientes. Esse hegemonismo, infelizmente, é característica que deveria ser objeto de autocrítica por parte do PT”, apontou.

O deputado estadual do PSOL, Renato Roseno, questiona o resultado do julgamento de Lula que, segundo ele, demonstrou uma “seletividade secular do nosso sistema de Justiça criminal”. Ele cita que outras figuras do mundo político, como o senador Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (MDB), sobre as quais também recaem suspeitas, seguem sem serem julgadas. O parlamentar, porém, lança críticas à conduta e às alianças dos governos petistas, apesar de considerar que a teia de corrupção entre o poder público e a iniciativa privada não foi uma “invenção” do PT.

“As alianças com setores econômicos dominantes e a flexibilização das condutas foram os grandes erros do PT. Não me parece que os setores do petismo que querem fazer autocrítica consigam fazê-lo. O outro problema foi contar com a condescendência dos setores dominantes. Quando a crise (econômica) estourou em 2008, a arquitetura petista deixou de ser útil”.

Presidente do PSB no Ceará, o deputado federal Odorico Monteiro concorda que é preciso construir uma “unidade popular progressista” para as eleições de 2018, mas não aponta “erros” cometidos pelo PT.

Odorico, que foi filiado à sigla petista, atribui às “crises significativas” no País o atual momento vivido por Lula e seu partido, especialmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A gente vive uma crise constitucional, o País está judicializado, fruto também de um ativismo jurídico singular”.

09:08 · 27.01.2018 / atualizado às 09:08 · 27.01.2018 por

Por Letícia Lima

Após a condenação de Lula em segunda instância, membros do PT no Ceará até apontam “erros” no modo de fazer política dos governos petistas, mas priorizam o discurso de que o debate a ser feito, agora, deve ser em torno da construção de um “projeto democrático popular”.

Filiado ao PT há quase 30 anos, o deputado estadual Elmano de Freitas afirma que o partido mudou a vida do povo brasileiro, mas sem a “devida conscientização”. Ele reconhece que nenhum governo vive apenas de acertos e enumera os erros que, na visão dele, merecem ser revistos pelo partido.

“O maior, a meu ver, foi no segundo mandato da presidenta Dilma, de querer aplicar um conjunto de propostas contrárias ao que sempre defendemos. Segundo, não aproveitamos o período de maior força na sociedade para aprovar reformas: reforma do Estado, reforma tributária, reforma agrária, reforma política, democratizar a comunicação no País”, defende.

Segundo Elmano, as alianças do PT, no governo, ficaram presas a cálculos eleitorais. “Não fizemos trabalho político na mudança de consciência na sociedade articulado com as conquistas realizadas em nossos governos”.

Já o vereador de Fortaleza Guilherme Sampaio diz que problemas e erros do PT já são discutidos internamente. Por isso, defende que essa reflexão seja feita “dentro de casa, com os seus eleitores”. Para o petista, o foco do debate, agora, deve ser a construção de um projeto democrático para o País.

“O debate público central, hoje, é o desmonte do Estado brasileiro, da Constituição de 1988 e dos seus direitos, de um projeto democrático popular. No momento em que se está em jogo o golpe praticado do jeito que foi praticado, uma presidente deposta por causa de pedalada, é um erro estratégico a pauta central ser os problemas e erros do PT”, sustenta o vereador.

09:13 · 26.01.2018 / atualizado às 09:13 · 26.01.2018 por

Por Miguel Martins

Ontem, Camilo Santana participou de evento da executiva nacional do PT, em São Paulo, que marcou o lançamento da pré-candidatura de Lula. Na foto, os dois estão acompanhados de Tião Viana, governador do Acre Foto: Ricardo Stuckert

Após decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) pela condenação do ex-presidente Lula (PT) em segunda instância, petistas e outros aliados do governador Camilo Santana no Ceará aguardam um posicionamento dele quanto às pré-candidaturas à Presidência da República até agora colocadas. Enquanto lideranças do PT avaliam que o chefe do Executivo estadual deve apoiar o candidato da sigla, pedetistas apontam a possibilidade de Camilo compor, na campanha, mais de um palanque na base aliada do Governo do Estado.

As falas do governador durante evento de lançamento da pré-candidatura de Lula, ontem, em São Paulo, foram recebidas de formas diferentes por seus correligionários no Ceará. Durante discurso, Camilo destacou os feitos do líder político, afirmando que ele foi “o melhor presidente da história desse País”. O governador disse ainda que Lula é “a esperança” para que o povo brasileiro resgate “as grandes conquistas dos últimos anos”. “Nada apagará o brilho da história do nosso querido presidente Lula. A luta continua e a democracia sempre”, sustentou.

O presidente do PT no Ceará, Francisco de Assis Diniz, destacou que, além de estar presente no encontro, Camilo fez questão de tirar uma foto com o ex-presidente e outros governadores. “Isso é mais que simbólico, é um gesto. E, na política, vivemos de gestos e fatos”, ressaltou.

O dirigente salientou que Lula é o único candidato do partido e que não há outros planos para a disputa. “Conversamos permanentemente com o Camilo e ele está completamente comprometido no processo de construção da chapa, de palanque”, disse. No entanto, não há consenso nem mesmo na bancada petista sobre que rumos o governador deve tomar, uma vez que ele foi e é apoiado pelo grupo político liderado no Ceará por Cid e Ciro Gomes – este, pré-candidato a presidente pelo PDT.

O presidente estadual do partido, André Figueiredo, destacou que, em 2014, nem Lula ou Dilma Rousseff estiveram no palanque de apoio a Camilo. “Isso deve ser levado em conta, porque ele teve apoio integral do PDT do passado e de agora”.

De acordo com o pedetista, a base de sustentação de Camilo participará de mais de um palanque no Estado, mas a maioria das forças estará ao lado da candidatura de Ciro Gomes. “Ele (Camilo) é sensato e vai tomar um posicionamento correto, na hora certa”, disse. O pedetista ressaltou que é preciso encontrar um caminho que não signifique riscos para a reeleição de Camilo e que possa potencializar uma boa votação de Ciro no Ceará, “para que isso se reflita em outros estados”.

Alternativa

Outros pedetistas acompanham o ponto de vista de André Figueiredo. O deputado José Sarto afirmou que é natural que o governador se manifeste em apoio a Lula. No entanto, ele acredita que haverá dois palanques da base no Ceará, sem maiores tensões. Já Sérgio Aguiar projeta que haverá fortalecimento da postulação de Ciro a partir de agora, como uma alternativa de centro-esquerda no País.

O petista Elmano de Freitas, por sua vez, afirmou que o partido aprovou que a candidatura de Camilo estará vinculada a de Lula. No entanto, ele salientou que o governador mantém boas relações com Ciro Gomes e que é preciso manter a proximidade com “candidaturas de resistência ao neoliberalismo”. Presidente municipal do PT, o vereador Acrísio Sena afirmou que o governador tende a respeitar todos os partidos da sua base. “Como filiado ao PT, o candidato dele, oficialmente, é o Lula”.

A reportagem tentou falar com o governador sobre os próximos passos a serem dados diante do impasse quanto às candidaturas a presidente. A assessoria de Camilo afirmou que detalhes sobre nomes e candidaturas serão tratados apenas mais adiante.