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10:09 · 16.09.2017 / atualizado às 10:09 · 16.09.2017 por

Por Edison Silva

Na Assembleia Legislativa cearense, o PMDB perdeu, de fato, três deputados para a base governista. O PT terá dificuldade de formar uma chapa competitiva. Os problemas também ocorrerão quanto à disputa para a Câmara Federal Foto: José Leomar

Rodrigo Janot sai de cena, mas as consequências da sua atuação como procurador-geral da República fincam no poço da política brasileira o PT e o PMDB, além de deixarem chamuscadas algumas outras importantes legendas do cenário nacional, projetando, para o pleito do próximo ano, resultados sombrios para integrantes de todas essas agremiações, inclusive no Ceará, embora aqui não tão acentuados.
Os petistas e peemedebistas daqui tendem a sofrer uma baixa relativamente grande em relação aos números de votos conquistados no pleito de 2014, quando ambas as siglas tiveram candidatos ao Governo do Estado, por motivações outras.

PT e PMDB do Ceará, por razões diferentes, mas, enfatize-se, não propriamente por questões ligadas à Lava-Jato, mas também por ela, sequer terão quadros para apresentarem chapas completas de candidatos competitivos às vagas na Assembleia Legislativa e Câmara Federal, sobretudo agora, quando é praticamente certo não haver mais coligação partidária para as eleições proporcionais, afastando os aventureiros que postulavam cadeiras nas Casas legislativas apostando nos votos das legendas, o somatório dos votos conquistados por todos os candidatos, gerando a idiossincrasia de o eleitor votar em um nome e acabar elegendo outro.

Esses dois partidos perderam vários deputados no espaço de tempo entre os pleitos de 2014 e o do próximo ano, quase todos pelo afago ou cargos do Governo, aliado aos descontentamentos com líderes das respectivas agremiações.

E não se tem notícia de novas filiações em condições de preencher o vazio aberto, implicando, por evidente, em se enfraquecerem na busca da conquista, inclusive das vagas garantidas no pleito passado. PT e PMDB podem ficar limitados a um deputado federal cada. Na Assembleia os petistas podem ter apenas dois deputados, se confirmada a postulação de Luizianne Lins para uma das cadeiras, e o PMDB igual número.

Enérgica

O PT já não tinha a mesma força política quando Janot chegou à Procuradoria da República. O chamado “mensalão”, seguido de outros escândalos de menor potencial, comparando-se com os motivadores das recentes prisões de integrantes dos seus quadros, resultado da ação fiscalizadora enérgica do Ministério Público Federal, motivaram não só o aumento do repúdio de parte da sociedade brasileira, como serviram para consolidar o afundamento do partido.

E o PMDB, o seu primeiro aliado, pelas mesmas práticas escandalosas dos seus principais atores, passou a ser, nos últimos tempos, o principal protagonista das práticas criminosas conhecidas pelos brasileiros.

As acusações oficiais graves, sobre a prática de corrupção e outros ilícitos contra figuras importantes para os dois partidos, como o presidente Michel Temer, o ex-presidente Lula e outros dos seus respectivos grêmios são, evidente, a razão central do empecilho para novas filiações, embora possam ser apontadas algumas exceções como o caso recente do senador pernambucano Fernando Bezerra e o filho, ministro das Minas e Energia, que trocaram o PSB pelo PMDB, em razão da perspectiva de concorrer com o atual governador, a chefia do Executivo daquele Estado.

O PMDB do Ceará não tem espaço para albergar caciques. Situação diferente dessas duas siglas mais citadas é a do PP.

Esta agremiação, mesmo tendo o seu presidente nacional, senador Ciro Nogueira, bastante citado na Lava-Jato, vencidas as pendengas internas locais pelo comando do diretório estadual, poderá surgir como a segunda maior bancada da Assembleia, pós-eleição de 2014, por filiar governistas cujas relações sejam realmente inconciliáveis com pedetistas em seus respectivos locais de atuação político-eleitoral, confirmando-se, assim, a pouca interferência do processo da Lava-Jato neste Estado.

As demais outras siglas, inclusive o PSDB, só a partir do próximo mês, com a definição da legislação que disciplinará o próximo pleito, poderão ter clareado o seu patrimônio pós-eleição de 2018.

Discurso pronto

O ex-governador Cid Gomes (PDT) vai dizer a quem lhe abordar sobre uma aliança do seu partido com o PMDB do senador Eunício Oliveira, para a reeleição deste e a do governador Camilo Santana, que “quem conduz a sucessão (estadual) é o governador. O que ele (Camilo) fizer terá o meu apoio”.

No dia 2 de setembro, neste espaço, escrevemos sobre um entendimento em curso sobre a participação do senador Eunício Oliveira na chapa encabeçada pelo governador Camilo Santana, no próximo ano, fechando a chapa majoritária que incluiria, ainda, Cid Gomes como postulante a uma das duas vagas de senador e Zezinho Albuquerque como vice de Camilo.

Cid não estava no Brasil, na oportunidade, mas já havia sido informado sobre todas as tratativas iniciadas por terceiros interessados, ligados aos dois lados. Ele não criou obstáculo para a continuidade das conversações, embora tenha ouvido opiniões divergentes de aliados sobre a concretização do entendimento, sempre lembrando, porém, ser o governador o responsável pela condução dos entendimentos pela condição de principal interessado na sua reeleição.

Eunício e Cid ainda não conversaram, mas parece não demorar muito esse diálogo acontecer, longe das câmaras e dos curiosos também por conta do distante tempo da homologação das alianças.

Dizendo-se comprometido em ajudar o irmão Ciro Gomes a ter uma boa votação no Estado como candidato a presidente da República e trabalhar pela reeleição de Camilo, Cid Gomes diz saber assimilar os discursos da política, mesmo aqueles duros, sem afronta à honra, posto resultarem das inconformações, principalmente dos resultados eleitorais, absorvidas ao longo do tempo. Ademais, comprometido com o sucesso eleitoral do governador, não será entrave para as negociações em curso.

09:25 · 07.09.2017 / atualizado às 09:25 · 07.09.2017 por

Por Miguel Martins

Danniel Oliveira teve o apoio de toda base governista para o seu projeto, ao qual foi anexado o do governador Camilo com o mesmo fim Foto: Fabiane de Paula

A prática da vaquejada está regulamentada no Estado do Ceará, após a aprovação da emenda à Constituição Federal, que autoriza a sua realização no País. Os deputados aprovaram, ontem, o projeto de regulamentação de iniciativa do deputado Danniel Oliveira (PMDB), sobrinho do senador Eunício Oliveira, ficando em segundo plano um projeto idêntico do governador Camilo Santana, cuja tramitação começou na última terça-feira.

Em outro momento, o projeto do deputado ficaria de lado pela prioridade que a base governista dá às matérias de iniciativa do governador. Alguns deputados ressaltavam esse detalhe, na sessão de ontem, corroborando as informações de bastidores que dão conta de um entendimento político entre o senador Eunício e o grupo governista cearense.

O argumento do projeto de Danniel, assim como o do governador Camilo Santana, de regulamentação da matéria, é o fato de algumas decisões, no Interior, inclusive da parte do Judiciário, impedirem a realização do evento. A regulamentação acabaria com essa dificuldade.

Nos últimos dias, após a publicação de matéria do Diário do Nordeste, no sábado passado, dando conta de entendimentos entre governistas e Eunício Oliveira, ficou cada vez mais forte a tese de que Camilo Santana e Eunício Oliveira estariam se reaproximando, podendo estar lado a lado em palanques durante o pleito de 2018. Nos bastidores da Casa esse foi um dos assuntos mais comentados e, ontem, durante a sessão plenária, parlamentares, por diversas vezes, comentavam tal aproximação.

Danniel Oliveira, até então nome do PMDB ainda se posicionando como oposição, esteve a manhã toda de ontem ao lado de governistas, segundo ele, tratando apenas de temas relacionados ao projeto de regulamentação da vaquejada. Sua proposta, que iniciou tramitação na semana passada, tem teor semelhante à matéria apresentada pelo governador.

Comedida

O parlamentar destacou que a vaquejada é todo evento de natureza competitiva, no qual uma dupla de vaqueiros num espaço determinado deita o animal bovino na área demarcada. O texto do deputado, assim como a mensagem enviada pelo Governo, afirma que a prática movimenta R$ 600 milhões por ano, promove mais de 720 mil empregos diretos e indiretos, gerando renda dentro e fora do Nordeste brasileiro.

Na terça-feira passada, o líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), chegou a propor de regime de urgência para a matéria do Executivo. No entanto, após diálogo de governistas com Danniel Oliveira, resolveram acordar e aprovar as ideias dos dois textos, e o projeto do governador foi apensado ao de Danniel, tornando-se um projeto só do governador e do peemedebista.

Desde o início de agosto, o deputado Leonardo Araújo (PMDB) reduziu o tom das críticas ao Governo, o que também aconteceu com Danniel Oliveira, que tem apresentado postura mais comedida. Com uma possível adesão de toda a cúpula peemedebista à base governista na Assembleia, o Governo Camilo Santana se fortalecerá ainda mais e passaria a ter, pelo menos, 37 representantes no Legislativo Estadual.

09:24 · 05.09.2017 / atualizado às 09:24 · 05.09.2017 por

Por Miguel Martins

A possibilidade de aproximação entre o governador Camilo Santana e o senador da República Eunício Oliveira é vista com cautela por seus liderados. Enquanto alguns acreditam que tal alinhamento será benéfico para o Estado do Ceará, outros argumentam que o eleitorado não vai acatar que antagonistas até pouco tempo estejam lado a lado no pleito do próximo ano.

Como o Diário do Nordeste abordou no domingo passado, nos bastidores da política cearense, ainda que com um pouco de descrença por alguns, há insistentes comentários sobre possível alinhamento entre o governador Camilo Santana e o grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, ambos do PDT, e o PMDB do presidente do Congresso Nacional, o senador Eunício Oliveira.

Para o deputado Julinho (PDT), que faz parte da base de sustentação do Governo Camilo, “se realmente estiver havendo essa aproximação, acho que é natural, porque o governador e o Governo estão bem avaliados pela população”, disse. A petista Rachel Marques, por sua vez, disse que o foco do partido é criar uma aliança em torno da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reeleição de Camilo Santana. “O que vier nesse sentido pode ser discutido, mas aceitável”, afirmou.

Silvana Oliveira (PMDB), que tem sido uma das principais defensoras da gestão Camilo Santana na Assembleia, disse que, pelo que tem acompanhado, há uma possibilidade forte de isso acontecer. “No meu entender, essa aproximação favorece muito o Ceará”.

Para o deputado Roberto Mesquita (PSD), confirmando-se tal alinhamento, visando melhorias para o Estado do Ceará, ele vê com bons olhos. No entanto, sendo apenas para conveniências de ambos com o objetivo de salvar seus mandatos, ele se posiciona contrário. “Se cada um, com a força que tem, lutar para que o Ceará seja menos desigual, com mais Saúde e Saneamento Básico, estou ao lado dessa parceria. Se for só casamento de aparência, vejo com tristeza”, disse.

Alguns deputados chegaram a dizer que o acordo entre as duas lideranças já está fechado, faltando apenas um diálogo com suas bases. “Tem que ser explicado tudo aquilo que foi falado um ao outro ao longo desses anos. Não se pode de uma hora para a outra dizer que são amigos desde criancinha, porque se testemunhou agressões de um contra a outro”, diz Roberto Mesquita.

08:50 · 29.08.2017 / atualizado às 08:50 · 29.08.2017 por

Por Antonio Cardoso

Advogado Cristiano Zanin falou para um grupo de petistas e jornalistas em um dos auditórios da Assembleia Legislativa, na manhã de ontem Foto: Fabiane de Paula

Seguindo com o cronograma de viagens pela Região Nordeste, o ex-presidente Lula chega ao Interior do Ceará na manhã de hoje, onde fica até amanhã. O petista passará por Quixeré, Morada Nova, Quixadá, Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Ontem, advogados de Lula em processos da Lava-Jato deram entrevistas na Assembleia Legislativa cearense ao lado de alguns petistas.

O governador Camilo Santana deve se encontrar com o ex-presidente Lula no Município de Quixadá, hoje à noite. Segundo integrantes da direção do PT cearense, o governador não deverá participar de evento público com o ex-presidente. O seu encontro deverá ficar restrito ao jantar no Hotel daquela cidade. A assessoria do Palácio da Abolição até ontem não confirmava a ida de Camilo, que passou o dia em Brasília e à noite foi para a festa do chitão do Município do Marco, tradicional festa organizada pelo ex-deputado estadual Rogério Aguiar.

Trocar

Uma caravana de correligionários petistas saiu de Fortaleza ontem para recepcionar a comitiva de Lula no Município de Quixeré. Todos os deputados estaduais e vereadores de Fortaleza estavam relacionados no grupo de recepção a Lula. Da bancada federal a dúvida era quanto ao deputado José Airton. Recentemente ele disse que não tinha sido informado sobre a programação e portanto não iria. Ontem à tarde, disse que só irá ao Cariri na quarta-feira.

O deputado José Airton, segundo alguns petistas cearenses, só está aguardando a abertura da “janela” que permite ao parlamentar mudar de partido, sem sofrer consequências, para deixar o PT e se filiar a outra sigla que eles acreditam ser o PSB.

Além de títulos de cidadania nas cidades por onde passará, Luiz Inácio Lula da Silva recebe na Universidade Regional do Cariri (Urca) o título de doutor Honoris Causa e a Medalha Bárbara de Alencar. As homenagens são as mesmas que o ex-presidente tem recebido nos estados nordestinos já visitados nos últimos dias de sua peregrinação.

Defensores

Ontem, os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, que são defensores do ex-presidente Lula em processos da Lava-Jato, inclusive no que ele já foi condenado a pouco mais de nove anos de prisão, o do caso do Triplex do Guarujá, participaram de debate na Assembleia Legislativa do Ceará. Eles se encontrarão com Lula, hoje, no Interior do Ceará.

Como têm feito por onde passam, os juristas não pouparam críticas ao juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, bem como à própria Operação, que se tornou a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já registrou até então.

Antes de entrar no Auditório Murilo Aguiar, onde petistas os aguardavam, os advogados conversaram rapidamente com a imprensa. À reportagem do Diário do Nordeste, Cristiano Zanin disse que a Operação Lava-Jato teve papel importante para o combate à corrupção no País, mas ressaltou que, a partir do momento em que “se desviou para promover uma perseguição política” contra o ex-presidente Lula, ela passou a ser questionável. “O legado da Operação Lava Jato não pode ser o de desrespeito às garantias fundamentais e direitos assegurados na Constituição e no ordenamento jurídico brasileiro”, rechaçou.

Também em entrevista, Valeska Zanin, da equipe de defesa do ex-presidente, afirmou que desde o início, são “constantes” e “grosseiras” as violações de direitos humanos na Operação Lava-Jato. “Isso nós discutimos sempre que, de violação em violação, o Estado de Direito vai se ruindo. É isso o que tentamos demonstrar para a população e para o mundo jurídico”, afirma.

Os defensores de Lula foram recebidos na Assembleia pelos deputados estaduais Elmano Freitas (PT) e Rachel Marques (PT). Juiz do Trabalho aposentado e advogado, Inocêncio Uchôa também compôs a mesa, assumindo a função de moderador. O deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, José Airton Cirilo, compareceu, mas ali ficou por pouco tempo.

Aos que acompanharam, Cristiano Zanin ressaltou que no âmbito da Operação Lava-Jato foram implementadas diversas medidas “ilegais”, e que essas ainda são utilizadas de forma “arbitrária”, o que tiraria das pessoas as garantias fundamentais.

10:29 · 27.08.2017 / atualizado às 10:29 · 27.08.2017 por

       

Segundo o presidente do PT no Ceará, Francisco De Assis Diniz, o governador Camilo Santana recepcionará o ex-presidente Lula Foto: Lucas de Menezes

O ex-presidente Lula (PT), pré-candidato à disputa pelo Palácio do Planalto na eleição do ano que vem, chega ao Ceará no início desta semana. De acordo com o sindicalista De Assis Diniz, presidente estadual do partido, o presidenciável chega ao Estado no dia 29, pelo município de Quixeré, vindo do Rio Grande do Norte. A expectativa é de que ele seja recebido pelo governador Camilo Santana (PT). De lá, Lula segue para Morada Nova e, na sequência, para Quixadá. Nas duas cidades, ele participa de manifestações.

O ex-presidente segue, no dia 30, para o Crato, onde, de acordo com De Assis, deve ser agraciado com a medalha Bárbara de Alencar e o título de cidadão da cidade, além de receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Regional do Cariri (Urca). O presidente deve partir depois para o Piauí.

Segundo o dirigente do partido, a expectativa é de que a caravana tenha “mais a cara dos movimentos sociais do que da política tradicional”. Ele afirma que o ex-presidente deve ter encontros com representantes de diversos movimentos sociais, de mulheres e de juventude, além do movimento negro. De Assis declara que a vinda do presidente servirá como forma de animar a militância petista. “Lula está muito convencido do papel que ele tem”, declara. Segundo o dirigente petista, o papel do ex-presidente seria o de liderar a “resistência ao golpe”, que é como ele classifica o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a consequente ascensão de Michel Temer (PMDB) ao cargo.

Avaliação semelhante faz o líder da bancada do PT na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), Guilherme Sampaio, que já anunciou que deverá acompanhar a passagem de Lula pelo Ceará. Para ele, a função da vida do presidente também é de “mobilizar a militância”, mas não só “a militância filiada ao Partido dos Trabalhadores”. De acordo com o vereador, a caravana também anima os “movimentos sociais, do povo do sertão, da serra e das praias do Ceará”.

Assim como De Assis, ele também avalia que cabe ao ex-presidente “construir uma resistência política capaz de barrar esse golpe em curso”. Para Sampaio, Lula também aproveita a caravana para construir sua nova candidatura ao Planalto. “Também é um momento de escuta”, declara.

O petista compara a viagem de agora com as Caravanas da Cidadania, uma série de viagens que Lula entre 1993 e 1996. De acordo com Sampaio, “a única coisa que não mudou é o compromisso de Lula com o povo”. Ele afirma que, naquele momento, a democracia brasileira passava por um processo de consolidação, recém-saída de mais de 20 anos de ditadura militar. Agora, o sistema democrático encontraria-se sob ataque. “Trata-se de uma conjuntura de desmonte do Estado brasileiro”, declara, citando como exemplos os anúncios de privatizações feitas pelo governo federal, bem como cortes entre os beneficiários do Bolsa Família.

A caravana realizada pelo ex-presidente Lula iniciou-se na quinta-feira, 17, pela Bahia. Além do Rio Grande do Norte, o petista já visitou Sergipe e Alagoas, onde dividiu palanque com o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB).

08:12 · 19.08.2017 / atualizado às 08:12 · 19.08.2017 por

Por Miguel Martins

Para as eleições de 2018, PDT, PCdoB e PT já adotam discurso de que pretendem pelo menos manter as bancadas que já têm na Assembleia Foto: José Leomar

Enquanto algumas lideranças partidárias estão atentas ao que pode ser aprovado como Reforma Política no Congresso Nacional, outras legendas já estão em constante movimento no tabuleiro da política local, com vistas ao pleito de 2018. PDT, PT e PCdoB, siglas que fazem parte da base de apoio do governador Camilo Santana, se articulam com o intuito de aumentar suas participações, principalmente, nas casas legislativas.

No Ceará, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), por exemplo, é o que está mais adiantado no sentido de unir seus filiados e, em encontros regionais, tem atraído apoios e indicado nomes para a disputa do ano que vem. A agremiação dá quase como certo o apoio à reeleição de Camilo, candidatos próprios na disputa pelas vagas no Senado e a indicação de Ciro Gomes como candidato a presidente.

Segundo o presidente do partido no Estado, deputado federal André Figueiredo, o grêmio deve realizar mais encontros até outubro, quando ocorrerá uma convenção partidária para indicar a composição das executivas estadual e de Fortaleza.

No início do ano, pedetistas disseram que havia dificuldade no partido para encontrar nomes para a disputa por vagas na bancada cearense na Câmara Federal, visto que parlamentares com mandato pela sigla já sinalizaram que não tentarão reeleição. No entanto, após a realização dos encontros regionais, o partido já trabalha com vistas a aumentar participação na Casa, bem como manter as 12 vagas na Assembleia Legislativa.

No que diz respeito às vagas de senador, visto o término dos mandatos de oito anos de José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), a sigla pedetista tem reiterado o interesse em lançar Cid Gomes e André Figueiredo à disputa. O PT, aliado de primeira ordem do PDT, porém, tem sinalizado, na figura do presidente estadual da legenda, Francisco de Assis Diniz, interesse na candidatura do deputado federal José Guimarães à eleição para o Senado. Informações dão conta, ainda, de que Pimentel tem interesse em disputar a vaga mais uma vez.

O PT criou um grupo de trabalho para discutir as eleições de 2018, mas, segundo o deputado estadual Elmano de Freitas, o colegiado ainda não se reuniu. Ele disse, ainda, que o processo sucessório do próximo ano passa pela candidatura ou não do ex-presidente Lula, pois, dependendo da presença do petista no pleito, o partido definirá posições. “Se o PT tem um senador e um governador é natural que queira manter”, ressaltou.

Congresso

O PCdoB, conforme explicou o deputado Carlos Felipe, trabalha com vistas a realizar um congresso no mês de outubro, tratando das definições para 2018. Segundo o parlamentar, alguns nomes estão colocados já para a disputa do próximo ano. Ele não descarta, inclusive, a possibilidade de o deputado Manoel Santana, hoje no PT, se candidatar a deputado estadual pela sigla.

Segundo Felipe, o deputado Chico Lopes deve ser indicado para disputar, mais uma vez, uma vaga na Câmara Federal. O secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda, que já foi senador, deve ser um dos cotados para a Assembleia, assim como Augusta Brito, que deve tentar reeleição. Em agosto e setembro, o PCdoB realiza ações municipais e estaduais com vistas ao pleito de 2018.

12:55 · 15.08.2017 / atualizado às 12:55 · 15.08.2017 por
Elmano de Freitas usou dados da violência de 2014 e 2015 para justificar seu projeto. FOTO: DIVULGAÇÃO

O deputado Elmano Freitas (PT) quer obrigar as empresas de transporte coletivo municipal e aos carros-fortes a instalação de um botão de emergência no interior de seus veículos, a fim de possibilitar a tomada de iniciativas contra a violência. O parlamentar, que é do mesmo partido do governador Camilo Santana, justifica a medida diante o aumento no número de assaltos a ônibus por dia na Capital.

“Infelizmente, no segundo semestre de 2015 houve, em média, quatro registros de assalto a ônibus por dia na Capital. Os assaltos aumentaram 30% no período com relação aos últimos seis meses de 2014. A Capital não registrava crescimento na estatística desse tipo de crime desde janeiro de 2014”, justifica o petista utilizando números dos anos de 2014 e 2015. Nos últimos meses o número da violência em todo o Estado do Ceará só cresceu.

Ainda segundo ele, entre julho e dezembro do último ano (2015), 867 roubos a coletivos foram registrados na cidade. No mesmo período de 2014, foram 554 ações. “Diante dessa realidade, sugerimos a presente proposta, que já tem aplicação em outros Estados, e vem dando resposta positiva para a diminuição desse tipo de ação criminosa”.

A matéria diz que para efeitos desta Lei, compreende-se botão de emergência como o dispositivo instalado nos veículos de transporte coletivo intermunicipal e nos veículos de transporte de valores capaz de acionar, quando pressionado, a Central de monitoramento respectiva, a fim de possibilitar a tomada de iniciativas contra a violência, dependendo do caso.
Ele explica ainda que o botão de emergência servirá como alerta de perigo iminente ao motorista, passageiros e ao cobrador do veículo, tais como assaltos, roubos, casos de violência contra os funcionários e entre passageiros e destruição do veículo.

As empresas responsáveis pela administração dos serviços deverão instalar, em cada veículo, equipamentos que garantam sinal de GPS ou WIFI em todo o Estado do Ceará. O botão de emergência deverá ficar em local de fácil acionamento.

No interior de cada veículo deverá ser afixado um cartaz informando aos passageiros sobre a existência do botão de emergência.
As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta das empresas de transporte coletivo intermunicipal e de transporte de valores.

A não instalação dos dispositivos de botão de emergência previstos nessa Lei implicará em multa diária no valor de R$ 2 mil por veículo, que deve ser revertida ao Estado.

09:42 · 07.08.2017 / atualizado às 09:42 · 07.08.2017 por
A vinda de Lula ao Ceará está marcada para o fim de agosto. FOTO: JL ROSA.

A bancada estadual do PT se reúne nesta segunda-feira, e tem como pauta  a recepção que será dada ao ex-presidente Lula nos dias 29 e 30 nos municípios de Quixadá, Crato, Juazeiro e Barbalha, além de discussões sobre a conjuntura estadual, composição estratégica e propostas que devem ser levadas ao diretório.

O partido realiza tais encontros pelo menos uma vez no mês, e agora em agosto havia a possibilidade de se juntar os deputados federais ao diálogo, bem como o senador José Pimentel, o que não vingou.

“O que estamos defendendo é consolidar a reeleição do governador Camilo Santana. Essa estratégia está vinculada ao potencial do voto do presidente Lula. Em nossas últimas pesquisas, identificamos que ele tem a preferência de 69% do eleitorado do Ceará, o que não é pouca coisa”, disse De Assis Diniz, presidente do PT Estadual.

Sobre as viagens de Lula a alguns estados nordestinos, hoje, o Painel da Folha de S.Paulo tem o seguinte registro:

PT quer aproveitar caravana de Lula pelo Nordeste para ampliar número de filiações ao partido

Por Painel

O útil ao agradável

O PT vai aproveitar o giro de Lula pelo Nordeste para realizar atos de filiação em massa ao partido. Em ao menos dois Estados, Pernambuco e Paraíba, o ex-presidente chancelará a ficha de novos militantes. A sigla tenta dar continuidade ao crescimento do número de filiados que ocorreu após a condenação do ex-presidente pelo juiz Sergio Moro. Apenas entre os dias 12 e 31 de julho, a legenda recebeu 4.836 pedidos de ingresso em suas fileiras. Ao todo, no mês, foram 5.141 pedidos.

Identidade Os petistas decidiram promover debates temáticos durante a passagem da caravana de Lula por alguns Estados. Em Pernambuco, o foco será o que a sigla chama de “desmonte” da atividade econômica, explorando a paralisação de obras vinculadas à Petrobras.

Em memória Haverá também um ato público no parque do Recife que foi batizado com o nome da mãe do ex-presidente Lula, Dona Lindu. Já no Ceará, o mote das mobilizações será o programa Mais Médicos.

Aquecimento Considerado o “plano B” a ser acionado pelo PT caso Lula se torne inelegível, o ex-prefeito Fernando Haddad embarca nesta semana para o Recife. Vai ministrar palestras em universidades do Estado —e também conversar com o governador Paulo Câmara (PSB).

 

09:28 · 07.08.2017 / atualizado às 09:28 · 07.08.2017 por

Por Letícia Lima

A mais de um ano para a disputa presidencial de 2018, a crise no cenário político brasileiro mobiliza partidos rumo à eleição. Na ala da esquerda não há consenso sobre a construção de um bloco para o ano que vem. Pelo que líderes nacionais do PDT, PSB, PT e PCdoB afirmaram ao Diário do Nordeste, cada uma dessas siglas deverá apostar em candidaturas próprias na corrida ao Palácio do Planalto. Embora frisem que na política tudo é possível, o espírito geral dos dirigentes é por mais “porta-vozes” de tais legendas concorrendo ao pleito.

Os desdobramentos da Operação Lava-Jato sobre a classe política brasileira acenderam o alerta vermelho nos partidos em relação a quais táticas e quadros serão elencados para a disputa de 2018. Até agora, a esquerda parece estar fragmentada e disposta a apresentar várias alternativas. Se de um lado o PT, que defende a candidatura do ex-presidente Lula – condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro –, quer liderar uma frente com o PDT, o PSB e o PCdoB, não é bem assim que pensam esses partidos.

Segundo o vice-presidente de Relações Governamentais do PSB, Beto Albuquerque, a sigla não cogita nova aliança com o PT em âmbito nacional. Ele afirma que a hora é de defender um projeto político próprio e já colocar candidatos pessebistas para “circular no Brasil”.

“O PT não é nossa prioridade. Um partido, para ser de esquerda, não precisa estar agarrado com o PT, e com o PT aprendemos o que deve fazer e o que não se deve fazer”, diz. Segundo ele, “quem não se mostrar na eleição de 2018 vai se assumir ineficaz perante a sociedade brasileira”. Beto acredita, porém, que a hora não é de decidir nomes.

O PSB, portanto, dialoga com o PCdoB, a Rede e o PDT, que também não está atrás na corrida presidencial. A sigla pedetista já lançou a pré-candidatura “irreversível” do ex-ministro Ciro Gomes. O presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, considera que o cearense deveria encabeçar uma frente da esquerda com vistas a 2018. “Eu acho que a aliança é boa. O PT já teve o seu ciclo e agora é um novo ciclo”, defende. Lupi lembra que o PDT já apoiou o PT e espera o mesmo nas próximas eleições.

Já a presidente nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos, vai além e analisa que é preciso ter mais candidaturas no campo da esquerda, para alcançar aqueles que ainda não se sentem representados. Ela concorda que as candidaturas de Ciro e de Lula são naturais, assim como poderá ser a do PCdoB. “Há muita fragmentação das nossas forças e avaliamos que, diante da fragmentação, vale a pena afirmar algumas bandeiras que para nós são muito caras”.

Prioridade

Por outro lado, o PT não abre mão de lançar Lula como representante do bloco de esquerda. Para o vice-presidente nacional do partido, deputado federal Paulo Teixeira, a condenação proferida pelo juiz Sergio Moro, em julho, será revertida. Ele reconhece ser boa a possibilidade de uma chapa formada por Lula e Ciro, mas descarta outro nome senão o de Lula para concorrer à presidência pelo PT.

“O PT tem nomes nacionais que podem ter sucesso, mas precisamos discutir tendo em vista que Lula tem que ser candidato. Não vai haver um desgaste (com a condenação do Lula), está havendo um sentimento de solidariedade de que foi cometida uma injustiça”, pondera Teixeira.

08:57 · 15.07.2017 / atualizado às 08:57 · 15.07.2017 por
De Assis Diniz, Luiz Pontes e Gaudêncio Lucena, presidentes do PT, do PSDB, e vice-presidente do PMDB, respectivamente Fotos: Lucas de Menezes/José Leomar/Alex Costa

Em meio a uma crise de representatividade que atinge a credibilidade de partidos políticos, dirigentes das maiores siglas partidárias do Ceará têm dito que o momento é de buscar atrair novos quadros, apesar do distanciamento resultante de sucessivos escândalos de corrupção que fragilizam as agremiações, e fortalecer a participação e a democracia interna considerando os atuais filiados que, embora associados a determinadas siglas, não têm participado de discussões e tomadas de decisões dentro das legendas. São estratégias que, segundo eles, vão além de interesses eleitorais.

De acordo com registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dez partidos com maiores números de eleitores filiados em território cearense são PT, PSDB, PMDB, PP, PTB, PDT, DEM, PPS, PSB e PR. O Diário do Nordeste buscou dirigentes dos cinco maiores para conversar sobre a relação das direções partidárias com os filiados e a participação destes em questões de interesse das respectivas legendas. A sigla petista tem, atualmente, 79,9 mil filiados no Ceará, seguida pelos tucanos, que são 57,6 mil. O número de filiados peemedebistas é de 48,1 mil, enquanto PP e PTB têm 37,3 mil e 34,7 mil eleitores filiados, respectivamente.

Na outra ponta da lista de 35 partidos com registro na Justiça Eleitoral, PCO, com apenas 14 filiados no Estado, NOVO, com 164, e PCB, com 353, são os grêmios com menores quantitativos de eleitores associados. Completam a relação das legendas partidárias mais reduzidas em termos de filiações no território cearense a REDE, que soma 796 filiados, e o PSTU, que possui 2,1 mil. Segundo dados do TSE referentes ao último mês de junho, o Ceará tem, hoje, 6,3 milhões de eleitores, dos quais 545,5 mil são filiados a algum partido.

Participação

Não são todos estes, porém, que têm, de fato, vida partidária. Ainda que o argumento de que é preciso “reencantar a militância” venha sendo propagado em discursos de diversos petistas desde a campanha eleitoral de 2016, o presidente do PT em Fortaleza, vereador Acrísio Sena, informou em entrevista recente ao Diário do Nordeste que, do total de 20 mil filiados ao partido na Capital, pouco mais de 3 mil participaram da eleição interna que definiu o atual diretório municipal da sigla no último mês de maio. Em outras 16 legendas que não possuem diretórios estaduais instituídos no Ceará, mas apenas comissões provisórias, não há sequer processo eleitoral para escolha de dirigentes que dê direito de voto aos respectivos filiados.

Presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz reconhece que, como dirigente, “falar para atingir as pessoas” é desafio. Exemplo disso, cita ele, foi a convocação da última greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária, que, embora representasse pautas que atingem diretamente “o cotidiano dos trabalhadores”, não teve, nas palavras dele, “a dimensão que deveria ter”.

“Há uma dificuldade muito grande, porque as pessoas passam a incorporar um conceito metodológico sobre sua vida e sobre seu partido que, na grande maioria, é uma linguagem que não é compreensível e, muitas vezes, não está falando aos interesses imediatos do conjunto. Se você identifica pontualmente esse distanciamento, é porque a direção do partido não fala sobre as questões que são de interesse imediato daquele trabalhador”, diz. “Isso é da sociedade brasileira, não é só do PT, porque tem seus canais de diálogo, a sua estrutura de relacionamento com os filiados, mas o partido não consegue ter interlocução para o conjunto da classe”, avalia.

Mobilizar

Apesar disso, ele ressalta que o PT tem olhado com atenção para questões mobilizadoras que tragam os filiados para o conjunto do partido. São atividades de bairros, atividades de núcleos e organização setorial que, de acordo com o dirigente, envolve movimentos sociais, sindicais, de juventude, de mulheres e outros grupos sociais. “O partido tem que ter um sentido valorativo da relação da sociedade com as suas políticas, e é exatamente esse o elemento que organiza e mobiliza a nossa base social”.

Para além das “lutas” contra as reformas propostas pelo governo Temer, ele destaca que o partido realiza desde o ano passado debates, plenárias e seminários que permitam a participação dos filiados, além dos atos políticos que têm marcado a posse dos novos diretórios municipais no Ceará. Nos últimos dias 13 e 14, um foi realizado na Região Centro-Sul e outro na Região dos Inhamuns. Ao contrário de Acrísio, que defende a realização de uma campanha de novas filiações ao PT, entretanto, De Assis Diniz considera que o mais importante no momento é fazer uma atualização cadastral dos que já fazem parte da sigla.

“Temos 25 mil (filiados na Capital), dos quais 20 mil têm cadastro e votaram 3.600, o que dá demonstração de que o problema não é filiar, é acompanhar, estar presente, participar”, diz o presidente do PT no Ceará.

Tucanos

Diferentemente do dirigente petista, o presidente estadual do PSDB, Luiz Pontes, aponta que o partido tem buscado novas filiações ao passo em que volta as atenções também a ouvir os filiados sobre “deficiências e carências” da legenda, visando a preparação de uma boa chapa para as eleições de 2018. “Nós tivemos uma mobilização muito grande nas eleições municipais, tanto é que, no Ceará, pelo número de votos alcançados nas eleições anteriores, tínhamos mais comissões provisórias e só cinco diretórios municipais. Nessa eleição de 2016, o partido pulou para 65 diretórios municipais, então mostra que teve um bom desempenho”, salienta.

O dirigente explica que, a partir de resolução interna, o partido exige um percentual mínimo de votos por município para que as comissões provisórias tornem-se diretórios. O aumento destes últimos, segundo Luiz Pontes, contribui para uma maior participação dos filiados em questões da sigla. “Comissão provisória não tem direito a voto na convenção estadual, nem na nacional, tem cinco membros só, é uma coisa mais simples. Já o diretório é executiva, tem várias funções e modos de participar”, aponta. De acordo com o tucano, em 2017, o PSDB busca movimentações internas “com novas filiações” e reuniões em Fortaleza e no Interior do Estado.

Frequência

Para mobilizar filiados, encontros regionais também têm sido prioridade no PMDB cearense, segundo Gaudêncio Lucena, vice-presidente estadual da legenda. No primeiro semestre, contabiliza ele, foram três encontros: um em Fortaleza, outro em Limoeiro do Norte e um terceiro na Região do Cariri. “Este ano, realizamos apenas três encontros regionais. Deveria ter sido realizado um outro e, provavelmente, isso se dará agora no mês de julho, mas esse momento político nacional tem prendido a atenção e a presença do presidente estadual do partido em Brasília (o presidente do Senado, senador Eunício Oliveira), o que fez com que houvesse um atraso nessa programação”.

Gaudêncio afirma que, com a proximidade das eleições de 2018, a expectativa é de que haja um encontro regional por mês ao longo do segundo semestre. Ele pondera, contudo, que os eventos não têm apenas intenção eleitoral. “São a oportunidade onde a gente tem relacionamento mais próximo com os nossos prefeitos, vice-prefeitos, lideranças, filiados, pessoas que têm uma simpatia pelo partido, então fazemos esses encontros em todas as regiões do Estado e, com isso, a gente consegue fazer uma aproximação”, sustenta.

O peemedebista reconhece, porém, que é difícil ter, nos encontros, presença “maciça” de filiados. “Reunir duas, três mil pessoas é muito significativo. Poucos são os partidos que conseguem uma presença maciça nos encontros regionais”, coloca. Embora os encontros sirvam, também, para atrair novas filiações, Gaudêncio Lucena observa que o quadro de falta de credibilidade de partidos políticos tem dificultado no PMDB, do presidente Michel Temer, a adesão e a formação de novas lideranças.

Desestímulo

“Evidentemente, essa turbulência política no Brasil faz com que alguns fiquem desestimulados da política, mas é exatamente nesse momento que nós temos que apresentar para a juventude um modo diferente do que alguns pregam. Devemos incentivar a participação política, o ingresso de novas pessoas no partido, para que a gente possa injetar um sangue novo no partido e tenha, logo num futuro muito próximo, lideranças políticas com outro pensamento”, diz.

Discurso semelhante é adotado por Luiz Pontes, do PSDB, partido que, assim como o PMDB e o PT, tem nomes envolvidos em escândalos de corrupção. “Essa política deixa a pessoa muito frustrada de se envolver. A gente tem que trazer as pessoas boas para dentro para conter essas pessoas que não têm o compromisso da ética”.

O petista Francisco de Assis Diniz, por sua vez, ressalta que “todo e qualquer partido que imagine longevidade tem que ter inserção social e capacidade de renovar e reciclar as suas lideranças”. Um caminho para isso no PT, destaca ele, é que, por resolução do partido, 20% dos cargos de direção da legenda são, atualmente, ocupados por jovens filiados. A reportagem entrou em contato com os presidentes do PP, Antônio José, e do PTB, Arnon Bezerra, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta matéria.