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Tag: Seca


08:51 · 12.10.2017 / atualizado às 08:51 · 12.10.2017 por

Defasado por um processo de esvaziamento, o Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs), foi assunto ontem entre deputados no plenário da Assembleia Legislativa. Em seu pronunciamento, o deputado Roberto Mesquita (PSD) reclamou maior atenção do poder público ao órgão e prioridade nos projetos de Governo dos futuros presidenciáveis.

Para Mesquita, o Dnocs é o maior banco de conhecimento que, talvez, exista no mundo, no que diz respeito a obras de convivência com a seca. Ele ressaltou o valor que tem o corpo técnico do órgão, responsável por pesquisas pioneiras no Estado, que deveriam estar sendo passadas para outras gerações e não o são, porque falta parceria e apoio das autoridades públicas.

“Na década de 70, quando o peixe cará era um peixe que não se desenvolvia, que vivia no açude e não passava de 200 gramas, aqueles técnicos já imaginaram mundo a fora, através da pesquisa, encontrar uma espécie que viesse para cá e nós pudéssemos ter um melhor aproveitamento. Foi assim que os técnicos do Dnocs viajaram para a Costa do Marfim, para a Tailândia e trouxeram a Tilápia, que se adaptou e hoje tem a cara do Brasil e do Ceará. E há dois, três anos vieram técnicos da Costa do Marfim pegar aqui aquilo que o Dnocs trouxe, que foi a tilápia”.

Mesquita destacou as obras hídricas iniciadas pelo órgão se tornaram fundamentais para o desenvolvimento de vários municípios. “Graças ao Dnocs que se conseguiu atravessar parte do século passado quando não havia esses programas sociais, e éramos assolados pela seca. Há 100 anos, o Dnocs já imaginava construir reservatórios para fazer irrigação do semiárido e foi assim que ele planejou o perímetro irrigado Curu-Paraipaba. Ainda hoje vemos a pujança que tem a Paraipaba, graças a inteligência que teve o Dnocs de fazer com que a água de seus reservatórios fossem aproveitadas para a piscicultura e a irrigação”.

Para Mesquita, todo conhecimento acumulado no órgão corre o risco de se perder, se as autoridades não cobrarem uma revitalização do Dnocs, que passou de um quadro de 15 mil servidores para cerca de 1.800, depois que muitos se aposentaram e morreram, e os quadros ainda não foram repostos.

09:00 · 14.08.2017 / atualizado às 09:01 · 14.08.2017 por

Os trabalhos na Comissão Externa que acompanha a situação hídrica dos municípios do Ceará seguem parados desde junho. A última reunião ocorreu no dia 20 de junho, quando foi realizada uma audiência pública com representantes do Ministério da Integração Nacional, do sindicato dos pipeiros do Estado e da Associação dos Prefeitos cearenses.

Já a Comissão Externa que acompanha as obras da Transposição das Águas do Rio São Francisco, cujos recursos estiveram ameaçados pelos cortes de gastos do Governo Federal, se reuniu, pela última vez, no dia 11 de julho.

O Estado considera importante a conclusão do Eixo Norte – última etapa do empreendimento – para abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza e afastar a possibilidade de racionamento. A promessa do Ministério da Integração Nacional é que a obra seja concluída até janeiro de 2018.

13:37 · 20.07.2017 / atualizado às 13:37 · 20.07.2017 por

A deputada estadual Rachel Marques (PT) destacou, em discurso na Assembleia, a política de perfuração de poços adotada pelo Governo Camilo Santana. “O Diário do Nordeste mostra em matéria de capa que os poços profundos podem substituir os carros-pipas”. A petista apontou que somente neste ano já foram perfurados 624 poços. “De 1987 até o ano de 2017 foram perfurados 10.251 poços e somente de 2015 a 2017 foram 3.160. É um feito importante do governador Camilo Santana que precisamos parabenizar”.

12:26 · 29.03.2017 / atualizado às 12:26 · 29.03.2017 por

A deputada Fernanda Pessoa (PR) subiu à tribuna do Plenário 13 de Maio nesta quarta-feira (29) para pedir ao governador Camilo Santana (PT) que use seus esforços para obter recursos e reverter a crise hídrica do Ceará.

“Não sabemos como serão os próximos anos, mas o nosso povo tem sofrido há anos com a seca que assola o Estado, principalmente, homens e mulheres do campo”, disse a parlamentar ao relatar que a situação atual é uma das mais graves de todos os tempos.

Fernanda defendeu a realização de obras estruturantes para fazer com que as problemáticas relativas à seca não se prolonguem. Ela sugeriu obras como a perfuração de poços, chafarizes e usinas de salinização e criticou a transposição do São Francisco. “A transposição do São Francisco é uma obra que não termina nunca, que se arrasta com o sonho da população”, pontuou.

09:09 · 23.03.2017 / atualizado às 09:09 · 23.03.2017 por

Por Antonio Cardoso

A deputada Rachel Marques, em resposta à oposição, falou das ações do Governo para o enfrentamento do problema da seca no Ceará Foto: José Leomar

O Dia Mundial da Água, comemorado anualmente no dia 22 de março, foi lembrado ontem na Assembleia Legislativa do Ceará. O deputado Carlos Matos (PSDB), o primeiro a falar, afirmou que o dia era, de fato, especial. “É o momento ideal para reforçarmos a preocupação com a crise hídrica”.

O parlamentar reconheceu o trabalho que tem sido feito no Estado para evitar que a situação seja ainda mais agravada, mas ressaltou que na data de ontem deveriam ser renovados todos os esforços. “Temos de parabenizar a sociedade que hoje cria o Instituto das Águas no Ceará. Devemos reconhecer todo o trabalho do Dnocs, que em seus mais de cem anos fez os principais reservatórios do Nordeste”.

Pregando a necessidade de que muito mais seja feito, Matos defendeu que se crie em âmbito estadual um ambiente onde se propicie a geração de novas políticas. “Creio que essa seja uma questão que desafia sempre o Ceará. Sempre teremos seca, mas não haverá nenhum futuro para nós se não entrarmos em uma nova geração de políticas capaz de corrigir algumas imperfeições”. Ele afirmou que não daria mais para conviver com 42% de desperdício.

“Precisamos que se tenha política que dê solução. Esta Casa, no ano passado, aprovou lei de reúso (da água), mas se não houver uma política para a sua implantação, se torna inócua”, declarou. “Depois, temos o desafio de perfuração de poços. O Dnocs tem demanda de 3 mil e perfura 160. Com todo o esforço, vai chegar a 500. Precisamos avançar nessa área”, acrescentou.

Para o deputado Renato Roseno (PSOL), “o planeta não suporta mais o modo de produção e consumo que a revolução industrial nos legou. O que as mudanças climáticas disparam é um conjunto de mudanças extremas. Secas muito extremas de um lado do planeta acompanhadas de grandes ondas de calor e altas temperaturas e, de outro lado do planeta, tufões, furacões e inundações, como vemos agora com o degelo gigantesco da calota norte”, disse.

“No dia mundial da água, quero fazer este alerta e dizer como no Ceará estamos equivocados no modelo de gestão de recursos hídricos e de energia”, disse Roseno, mostrando petição elaborada por diversas entidades, que teria sido entregue ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos, para a revogação de quatro outorgas de água.

A gestão de recursos hídricos é feita com base em instrumentos, um deles é a outorga do uso da água. O governo detém o poder de outorgar a um grande consumidor quanto e para quê ele deve usar a água. “Nós aqui temos quatro outorgas que somam 1.189 litros por segundo. As quatro outorgas abasteceriam 16 cidades como Lavras da Mangabeira ou 12 Tauás”, disse.

Estupidez

Segundo ele, a representação da sociedade civil pede a suspensão dessas outorgas dadas às termelétricas. “É uma irresponsabilidade manter uma geração de energia movida a carvão mineral e gasto de água. No dia mundial da água, quero denunciar o que é uma estupidez”, enfatizou o parlamentar do PSOL.

A deputada Rachel Marques (PT) ressaltou que, mesmo diante de situação grave vivida nos últimos anos de seca, houve entre 2015 e 2016 ação decisiva por parte do governador Camilo Santana para garantir água a populações de norte a sul do Ceará.

Ela relatou que foram perfurados cerca de 3 mil poços, além da construção de 330 quilômetros de adutoras, instalação de 550 chafarizes, 191 sistemas de dessalinização de água e entrega de três novas máquinas perfuratrizes.

“Açudes importantes do Estado secaram e municípios inteiros ficaram sem água. Em Quixeramobim, por exemplo, foi feita, em período muito curto para que não faltasse água, uma adutora que levou água do açude Pedras Brancas, em Quixadá, para aquele município. Isso se deu em várias regiões do Estado, em ação firme por parte do governador Camilo Santana”.

Rachel também destacou a redução do uso das águas do açude Castanhão para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Ela falou da inauguração do sistema de aproveitamento de água subterrânea do aquífero Dunas do Pecém, que, conforme contou, vai fazer com que diminua toda a demanda para a área do complexo industrial.

“O investimento total foi de R$ 6,5 milhões, adicionando cerca de 200 litros de água por segundo no sistema de abastecimento metropolitano, aumentando a garantia hídrica de Fortaleza. Foi uma bateria de 38 poços interligados, duas estações de bombeamento e um reservatório, garantindo aproveitamento das águas subterrâneas”.

A petista falou ainda da Transposição. Rachel Marques apontou que as obras do eixo responsável por trazer as águas para o Ceará estão paradas por desistência da empresa responsável, mas que logo serão retomadas, para permitir que a água chegue ao Estado do Ceará.

11:53 · 15.12.2016 / atualizado às 11:53 · 15.12.2016 por

O deputado Carlos Matos (PSDB) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceara nesta quinta-feira (15) para tratar das obras de transposição de águas do Rio São Francisco, cuja Comissão Especial ele é presidente.

De acordo com o tucano, um dos grandes ganhos da proposta foi “unificar a força política do Ceará através de um manifesto, que traz a assinatura dos três senadores do Estado, 19 deputados federais e a grande maioria dos deputados estaduais”, relatou.

O parlamentar defendeu que o orçamento para o ano de 2017 não suprima os gastos para superação da crise hídrica. “Vai passar o orçamento para 2017 e alguns casos estão preservados, como educação, saúde e segurança. Esperamos que os orçamentos para a superação da crise hídrica sejam mantidos”, afirmou e acrescentou que “não há nada mais prioritário do que evitar o colapso das cidades do Ceará”.

09:40 · 30.11.2016 / atualizado às 09:40 · 30.11.2016 por

O deputado Carlos Matos (PSDB), que na Assembleia Legislativa preside a Comissão Especial de Acompanhamento das Obras de Transposição de Águas do Rio São Francisco, voltou a cobrar ação por parte dos governos estadual e federal. O parlamentar relatou que na terça-feira da última semana uma comitiva cearense esteve em Brasília, onde após audiência com o ministro da Integração Nacional Helder Barbalho, começou a coleta de assinaturas para o manifesto em apoio à transposição. “Fomos a Brasília onde estivemos reunidos com deputados federais, e elaboramos o manifesto que já foi assinado pelos 3 senadores e deputados federais também estão assinando, para que o Governo Federal saiba do esforço suprapartidário. Amanhã (hoje) o deputado Moisés Braz (PT) estará com o ministro novamente, representando a nossa comissão”, informou.
Carlos Matos questionou a razão pela qual o Governo do Estado não decreta situação de calamidade pública, um dos critérios colocados pelo ministro Helder Barbalho para que assuma o risco de dispensar licitação, acelerando o processo de retomada das obras do trecho que trará águas do São Francisco ao Ceará. “O ministro deixou claro que vai dispensar se houver judicialização da licitação em vigência ou em janeiro se tivermos previsão de mais um período de estiagem. Ele disse que, como até agora não existia declaração de calamidade pública para o Estado do Ceará, não houve a dispensa. Portanto, qualquer atraso nas obras de transposição não será justo responsabilizar o Governo Federal, mas sim o Governo do Estado”.
O parlamentar criticou, ainda, que o Estado tenha optado por multar os consumidores que não atingirem a meta de redução no consumo de água e apontou que os cearenses pagam um dos valores mais baratos pelo uso do líquido, o que seria incentivo para o desperdício. Enquanto em São Paulo há incentivo para quem economiza, aqui, além de termos a quinta tarifa de água mais barata do Brasil, a política aqui implanta é a de multas, o que resultou em redução de apenas 5%, longe dos 20% impostos pleo Governo”. Matos avisou que ainda na tarde de ontem a Comissão Especial estaria reunida na Assembleia e que, no próximo dia 02 de dezembro a reunião será com o Governo do Estado.
Depois que o tucano discursou, Ferreira Aragão (PDT) subiu a tribuna também cobrar medidas que melhorem a convivência dos cearenses com longos períodos de estiagem. “Não dá para acabar com a falta de chuvas, mas dá para criar mecanismos modernos para a convivência mesmo diante de seca. O problema é que tem gente que até torce para que a chuva não caia. A indústria da seca ainda persiste e tem até quem reze a Deus para não cair água, para não ter que pagar o dinheiro que pegou emprestado no banco”, apontou.
Ferreira sugeriu também que a mão de obra carcerária seja utilizada nas intervenções como açudagem e na própria obra de transposição das águas do São Francisco. “Poderia ser utilizada, assim como aconteceu no Castelão. Mas o que não dá para ficar somente com as críticas, sem apontar solução”.
A colocação fez o presidente da Comissão Especial, Carlos Matos voltar a tribuna no tempo de liderança para rebater o colega de Parlamento. “A oposição nesta Casa procura trabalhar de maneira propositiva. Criticamos, mas também apresentamos propostas que muitas vezes são aproveitadas pelo Governo do Estado, como vemos em muitas emendas aprovadas em projetos importantes que o governador manda para apreciarmos”.

08:06 · 29.11.2016 / atualizado às 08:06 · 29.11.2016 por

A Comissão Especial criada na Assembleia Legislativa para acompanhar o andamento das obras da transposição das águas do Rio São Francisco, liderada pelo deputado estadual Carlos Matos (PSDB), volta a se reunir na tarde de hoje no Salão Nobre da presidência do Legislativo estadual para discutir os desafios diante do cenário de colapso hídrico e possíveis soluções preventivas. Além dos deputados que compõem a frente parlamentar, participam do encontro representantes de entidades civis e do setor produtivo.
Na terça-feira da última semana um grupo de deputados estaduais, membros da comissão especial esteve em Brasília, onde em audiência com o ministro da Integração Nacional Helder Barbalho, discutiu ações prioritárias para amenizar os efeitos da estiagem prolongada no Ceará. Lá o grupo foi recepcionado por parlamentares federais tendo a frente o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB), presidente da subcomissão da Câmara Federal cujo objetivo é o mesmo do colegiado cearense.
Na audiência em questão, o ministro negou que haja paralisação nos trabalhos e que, pelo contrário, há a “continuidade plena”, exceto no trecho que era de responsabilidade da empresa Mendes Júnior, exatamente o que deve garantir a chegada das águas no Ceará. “A partir da decretação da sua inidoneidade pela Controladoria Geral a União, ela própria formalizou a incapacidade de continuar a frente das obras. Mas todos os outros lotes e metas estão em andamento. Inclusive já estamos em processo de checklist com as empresas para que façam a nivelação de modo que, quando pronto o trecho em questão, possamos dar início a passagem de água”, explicou o ministro paraense.
Dentro das médias de repasse de recursos, Helder Barbalho afirmou em entrevista ao Diário do Nordeste que, a partir de julho de 2016, comparado com as médias anteriores, passou a ser registrado montante maior do que nos meses anteriores. “Para o Cinturão das Águas, havia repasse médio de R$ 10 milhões por mês, passamos para R$ 30 milhões por mês, a partir da nossa gestão”, contou o ministro. “Por orientação do presidente Michel Temer, a partir de julho de 2016 houve a ampliação, chegando a ser três vezes maior que a média mensal de repasse aos estados para a conclusão destas obras estruturantes”, continuou.
Semana passada o Governo Federal anunciou que estaria enviando o montante de R$ 40 milhões para obras de segurança hídrica no Ceará. Antes, mais necessariamente no dia 13 de setembro, o Cinturão das Águas do Ceará, executado pelo governo estadual, recebeu repasse de R$ 30 milhões do Ministério da Integração Nacional. Com recursos federais, o trecho 1 do CAC será interligado à barragem Jati do Projeto de Integração do Rio São Francisco, cuja água chegará até Fortaleza após abastecer riachos existentes na região e os principais açudes do Estado como o Orós e Castanhão.
Embora tenha afirmado que não poderia dispensar a licitação neste momento, por receio de ser cobrado posteriormente por sua decisão, Barbalho assumiu o compromisso com a representação cearense que assim fará em janeiro caso o cenário de crise hídrica persista ou haja problemas de cunho judicial que atrase ainda mais os trabalhos. “A obra é prioritária e estão assegurados orçamentariamente e financeiramente os recursos para a execução plena e conclusão em 2017. Nós estamos absolutamente em dia com o pagamento de todos os lotes”, relatou. “Agora não posso me comprometer dispensando a licitação se o TCU (Tribunal de Contas da União) não nos deu aval para tanto. Corro o risco, de mais na frente ser questionado por uma pessoa que não tomou conhecimento dessa situação e me comprometer. Mas se em janeiro a licitação for judicializada ou se não houver mudança no mapa de chuvas vou assumir esta responsabilidade”, pregou.
O Diário do Nordeste conversou com parlamentares estaduais e federias que participaram da audiência. Nenhum se mostrou satisfeito com o que foi colocado, mas relataram que as palavras ouvidas diretamente do ministro da Integração, sem mediadores, trouxeram um certo alento.
Carlos Matos considera compreensível a posição do ministro de não autorizar, por enquanto, a dispensa de licitação. “Na hora em que toma decisão sob hipótese que pode ou não haver chuvas, é uma coisa, quando há a confirmação de que não haverá, dá o efeito da dispensa, sendo feito da forma que ele assegurou”, conta, acrescentando que, enquanto não houver a certeza de que as coisas estão acontecendo a comissão não pode descansar. “A burocracia é grande em Brasília e o Ministério tem muitos projetos, o que pode, indiretamente, causar o atraso por mais alguns meses na obra. Estamos em quinto ano de seca e não podemos silenciar diante do colapso social e também econômico que se desenha”.
Alternativas
Matos acusa o Estado de não ter agido a tempo de evitar o cenário “assustador” que só se agrava em todo o Ceará. “Não tem mais reserva porque o dever de casa não foi feito. Leva-se 14 meses para fazer um dessalinizador e a pergunta que fica é qual a razão de o Estado não ter feito antes. Temos 40% de perda de água da Cagece. Isso é inadmissível quando enfrentamos a falta desse líquido tão precioso. O Governo do Estado diz que reduziu 70% da oferta de água para a irrigação, no entanto não foi proibida a irrigação por inundação. Assim como não foi proibido lavar carros. É preciso acordar. A crise tem que nos dar essa lição. A situação não é tão simples para colocar panos mornos”.
Sobre a colocação de Helder Barbalho o presidente da comissão diz não se dar por satisfeito, mas ressalta que a resposta poderia ser bem pior. “Primeiramente temos que trabalhar para vermos o que pode ser feito para que não haja atrasos ainda maiores. O segundo ponto é levantar o que podemos ter de projetos estruturantes. Poderia fazer campanha mais intensiva, ter uma tomada de consciência maior. Mas é interessante colocar que as forças políticas estão pacificadas por esse interesse maior”.
Por sua vez o presidente da comissão externa da Câmara, Raimundo Gomes de Matos (PSDB) também afirmou que o colegiado federal não vai “sossegar” enquanto não ver as águas passando pelos canais da transposição em terras cearenses. “É inegável a preocupação com a celeridade desta obra. A população precisa de água e em muitos locais já há a falta dela até para as necessidades mais básicas”.
Durante a audiência realizada na Capital Federal, Gomes de Matos se mostrou preocupado com o contingenciamento de recursos previsto para o orçamento de 2017, e questionou o ministro se isto poderia interferir na celeridade. “Está assegurado a esta comissão que recursos estão garantidos e que não há qualquer possibilidade de parada sob a ótica orçamentária e financeira, mesmo havendo o processo de necessidade por parte do Governo Federal de encontrar caminhos orçamentários”, respondeu Helder Barbalho.
Além da parada dos trabalhos no trecho em destaque, o tucano chama atenção para outro empecilho que pode ganhar corpo com a burocracia. “Esperamos que não haja nenhum problema com as bombas, pois se houver, leva dias para consertar e será mais uma longa espera, o que significa mais maus-tratos para quem carece de água”, alerta.
O deputado Domingos Neto (PSD) avalia ser evidente que a solução através de dispensa de licitação, no volume da obra, seria algo que, por si só poderia gerar muitos riscos para a administração direta, principalmente na atual situação do país. “A postura do ministro é compreensível quando não quer se precipitar por receio de se tornar alvo de ação do Tribunal de Contas da União. Temos que pensar ainda que numa dispensa de licitação você tem que fazer toda a estimativa de preço, o que pode gerar outro problema jurídico, que é exatamente o que nos preocupa”, aponta. “Portanto, vamos precisar de todo jeito, ter campanhas propositivas junto ao povo de Fortaleza, para que abracem o racionamento e economizem água. É evidente que nós estamos em risco iminente e se deixarmos para fazer campanha de racionamento apenas no ano que vem, teremos prejuízos ainda maiores”, alerta.
Vitor Valin (PMDB) conta que o ministro mostra o empenho de querer solucionar o problema, demonstrando atenção “concreta” com o Estado do Ceará, tanto que triplicou o recurso que vinha sendo colocado pelo governo de Dilma, findado após o impeachment ser concretizado já neste ano. “Além de ampliar o dinheiro destinado, por enquanto estamos trabalhando com a hipótese de que poderemos ter mais um inverno ruim, havendo esse cenário, em janeiro o ministro deixa claro que abrirá a dispensa de licitação. Mas para isso, precisa que o Governo do Estado declare calamidade por conta da seca. Assim ficaria mais confortável para o ministro fazer a dispensa de licitação. O que não é mais possível é deixar o povo esperar”.
Outro que participou da reunião com o ministro foi Odorico Monteiro (PROS). Ao Diário ele disse que mantém sua preocupação diante da situação de quase calamidade. “Não podemos assistir a mais de 3 milhões de pessoas com dificuldade no abastecimento de água. Inclusive reivindiquei que a audiência tivesse ocorrido alguns meses antes porque a cada dia que passa temos um agravamento e aumenta o risco de colapso”.
Segundo Odorico, se a dispensa ocorresse agora, levando em conta as evidências que se apresentam, teríamos alguns meses de vantagem. “Qualquer alternativa que tivermos para o futuro não atende. Se pensarmos na dessalinização, não se consegue construir uma planta de dessalinização em menos de dois anos. Se formos aos municípios vemos a dificuldade para encontrar água subterrânea”. Ele aponta que hoje, uma das maiores angústias nos municípios do Interior consiste em perfurar poços e deles não sair água. “Para nós, a solução mais eficiente seria apressar a transposição e, nos preocupa muito saber que a obra será estendida por talvez mais um ano. Todavia, estamos falando de apenas um componente que é a transposição, que vai resolver parte do problema na Região Metropolitana, que representa 30% do Estado. Mas há todas as outras regiões que podem entrar em colapso”.
O deputado estadual Roberto Mesquita (PSD) faz parte da comitiva cearense que foi a Brasília. Ele coloca que é preciso cobrar o engajamento de prefeitos dos municípios da Região Metropolitana, pois caso a água venha a acabar, eles serão diretamente atingidos. “Uma estiagem vai impactar toda a região e, para evitar problemas maiores, as câmaras de vereadores e prefeitos devem estar alinhados. A força social deve ser nossa maior arma”. Porém, o parlamentar ressalta que tudo o que está sendo feito é, na prática, um seguro para caso a licitação seja judicializada ou outros problemas maiores aconteçam. “Se não for por esses empecilhos, ela seguirá seu rumo normal, pois como o próprio ministro afirmou, diferente de outras ocasiões, desta vez tem recurso. Isso, de certa forma, alivia nossa angústia, que não é de hoje”.

10:25 · 27.11.2016 / atualizado às 10:25 · 27.11.2016 por

 

Deputado Heitor Férrrer
Deputado Heitor Férrrer

Para o deputado estadual Heitor Férrer (PSB) não é novidade afirmar que o Estado do Ceará passa por um dos piores momentos no que diz respeito a crise hídrica, mas que aqueles que habitam na Capital, como os parlamentares estaduais e federais, ainda não estariam sentindo na pele as suas consequências. “Quem sabe o que é a seca é quem precisa de um copo de água para beber e não tem, quem amanhece o dia e, para fazer café não tem água. Essas pessoas conhecem o drama de uma seca” e elas não moram na Capital.
Segundo ao parlamentar, aqueles que construíram o Brasil sempre inverteram as prioridades por nunca terem enfrentado diretamente as aflições causadas pela falta de água.

“Temos a obrigação de deixar para quem nos suceder uma herança diferente, melhor. Dom Pedro já dizia que venderia a última pedra de sua coroa, se necessário, para acabar com a seca no Nordeste. A coroa está em exposição, com todos os seus brilhantes”, apontou. “Claro que era uma simbologia, mas a frase foi tão forte que ainda hoje a repetimos”.
Heitor relata que a situação entrou em estágio emergencial por estarem os reservatórios com níveis muito abaixo do ideal, como o Castanhão, com apenas 6% de sua capacidade. “Já disse aqui e repito que no Governo Cid Gomes, a maior obra hídrica idealizada foi o Aquário, a casa de peixe onde foram enterrados R$144 milhões, para nada. Apenas para satisfazer projeto megalomaníaco de um governante, referendado pelos deputados da gestão anterior e com dois votos contrários, meu e de Roberto Mesquita”, lembrou.

Agora, continua o deputado, o governador Camilo Santana comemora o fato de o Estado do Ceará vir a receber R$ 40 milhões do Governo Federal. “Isso é o que chamo de complexo de vira-latas. O governador há poucos dias foi a imprensa dizer que precisava de pelo menos R$ 110 milhões para tratar do sofrimento causado pela seca, e agora vem o Governo Federal dando R$ 40 milhões para tratar de algo vital, que é a sede dos cearenses”, criticou. “nas casas dos sertanejos não há água sequer para matar a sede de uma galinha. Não se compra mais garrotes porque os rebanhos estão praticamente exterminados”, disse. “Camilo, querendo fazer agenda positiva, viaja para a Ásia trazendo de volta a ilusão da refinaria. Não me iludo”.
Voltando a usar o termo forte de “complexo de vira-latas”, Heitor Férrer lamentou que os governantes continuem indo a Brasília “de pires na mão”, pedir R$ 40 milhões, quando para Copa do Mundo e Olimpíada foram gastos R$ 70 bilhões. “Só para as Olimpíadas, nas obras que alimentaram a corrupção no Brasil, gastaram R$ 40 bilhões. Por muito menos teriam concluído as obras da transposição de águas do São Francisco”.

07:56 · 23.11.2016 / atualizado às 07:56 · 23.11.2016 por

Por Miguel Martins

A seca que assola o Estado do Ceará, há praticamente seis anos, ainda que seja um dos principais temas dos pronunciamentos de deputados da Assembleia Legislativa, assim como Segurança Pública e Saúde, ainda é assunto pouco utilizado nas proposições parlamentares. O Diário do Nordeste entrevistou alguns parlamentares da Casa que apontaram medidas que podem ser adotadas pelo Poder Legislativo visando uma a melhoria da convivência da população com a estiagem.
O deputado Carlos Felipe (PCdoB), por exemplo, apresentou ao presidente da Casa, Zezinho Albuquerque (PDT), um ofício solicitando a presença de personalidades políticas locais para tratar do assunto durante sessão ordinária da Casa. Dentre os convidados estão o governador do Estado, Camilo Santana, representantes do Ministério da Integração Nacional, deputados federais e os três senadores cearenses.
A iniciativa do parlamentar aconteceu exatamente no dia de ontem quando vários deputados estavam em Brasília, tratando de definir estratégia para cobrar do Governo Federal a conclusão, imediata, das obras de transposição de águas do Rio São Francisco, a única solução para evitar um colapso total de água vários municípios cearenses.
Segundo Felipe, apesar da presença da Frente Parlamentar de acompanhamento das obras da do Rio São Francisco em Brasília, uma pressão maior só poderia ocorrer com a união de todos aqui. As soluções apresentadas até aqui, segundo ele, não são viáveis e somente a conclusão das obras do São Francisco dariam margem para minorar o problema de seca no Estado.
O vice-líder do Governo Camilo Santana, deputado Julinho (PDT), também defende que os deputados aproveitem a peça orçamentária na Casa para tentar alocar o maior número de recursos possíveis para a situação da seca, através de suas emendas. “Estamos enfrentando o sexto ano de seca. Além da Frente Parlamentar do São Francisco, temos que chamar secretários do Governo para discutir ações efetivas no combate à seca”, disse.
Pressionar
Líder do Governo, o deputado Evandro Leitão (PDT), destacou que a situação é crítica, ressaltando ainda que é função do parlamentar repassar para a população a problemática da seca, bem como cobrar, efetivamente, medidas para minorar os efeitos da estiagem. Segundo ele, há na Casa alguns projetos que tratam da construção de adutoras, poços e outras medidas, mas a única solução para o problema seria a Transposição de Águas do São Francisco.
Tomaz Holanda (PMDB) disse que apresentou uma emenda ao Orçamento 2017 para a construção de um açude no Município de Quixeramobim, que deve atender até seis localidades. Para Zé Ailton Brasil (PP), o trabalho dos deputados visa acompanhar as obras em andamento e a situação de seca nos diversos municípios do Estado, para aí cobrar do Governo políticas públicas que visem melhorar a situação dessas localidades.
Segundo ele, o debate é necessário, além da denúncia para que obras como a da transposição não fiquem abandonadas. “Nós, deputados cearenses, temos que nos unir, pressionar o Governo Federal para continuar com essa obra. Através das emendas que temos direito, a gente pode destinar recursos para obras hídricas, visando melhorar a situação”, apontou.
Conforme destacou, como os investimentos são de valores expressivos, somente o Governo Federal pode aportar mais recursos. “Os deputados precisam fazer uma Frente para que, a partir de agora, possam desenvolver um projeto que seja para o futuro, já que a seca é um problema histórico”. Segundo ele, a exemplo do que foi feito no debate sobre a Educação, e agora na questão de homicídios de jovens e adolescentes, é preciso também se debruçar sobre políticas de convivência com a seca.