Do Diário do Nordeste de hoje, 29, em matéria assinada pela repórter Samira de Castro: Estudos preliminares indicam que o Ceará tem capacidade para exportar, anualmente, 12 milhões de toneladas de minério de ferro. A informação é do presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), Antônio Balhmann. Ele confirma que o governo cearense foi procurado, desde o ano passado, por empresários chineses interessados em prospectar o potencial geológico do território alencarino. ´Recebemos pelo menos três missões. Os chineses estão pesquisando o mundo todo, em busca de minério de ferro para suprir a demanda da siderurgia no seu país´, disse Balhmann.
A intenção dos chineses foi antecipada ontem, com exclusividade, pelo colunista Egídio Serpa do Caderno de Negócios, do Diário do Nordeste. Conforme o presidente da Adece, a prospecção geológica indica a região dos Inhamuns como uma entre quatro com potencial de exploração de minério de ferro em afloramento. ´Não se trata de uma jazida do porte da de Carajás, no Sudoeste do Pará, que é explorada pela Vale do Rio Doce. É de pequenas jazidas espalhadas pelo mundo que eles (os chineses) estão de olho´, adianta. Carajás tem recordes pouco prováveis de serem batidos, como o de 91,7 milhões de toneladas produzidas em 2007.
Questionado se o minério de ferro aqui explorado não poderia ser utilizado na futura usina siderúrgica do Ceará, Balhmann informou que os players (grupos empresariais) envolvidos nos projetos são diferentes. ´A Vale é parceira da siderúrgica, junto com a coreana DongKuk Steel, e trará o minério de ferro de Itaqui, no Maranhão. Não cabe ao Estado se envolver nas parcerias. O importante é viabilizar que as vocações econômicas regionais sejam exploradas, notadamente no Interior´, argumentou. O presidente da Adece acrescentou que algumas empresas nacionais de menor porte — em relação à Vale — estão apostando no mercado de siderurgia nacional, explorando projetos mais modestos. É o caso da MMX, de Eike Batista, e da CSN. Esta última é proprietária da Mina da Casa de Pedra, em Minas Gerais, que ostenta números expressivos: reservas comprovadas de 1,6 bilhão de toneladas e capacidade para produzir 85 milhões de toneladas ao ano, quando atingir seu auge, a partir de 2013.
A reportagem procurou o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) — responsável pela concessão de autorizações para estudos e exploração geológica no Brasil — para saber sobre os possíveis estudos feitos por investidores no Ceará. A assessoria de imprensa do órgão informou que só pode fornecer dados mediante a apresentação do CNPJ da empresa solicitante. ´Primeiro, é solicitado alvará de liberação de estudo, num processo que dura cerca de seis meses. Após concluído o estudo, identificando se há jazidas, em quais regiões e quais os materiais a serem explorados, a empresa solicita a concessão de lavra´, disse um assessor.
Para o presidente da Adece, a possibilidade de exploração da matéria-prima mais demandada no mercado asiático representa a possibilidade, no curto prazo, de mudar o paradigma de economia cearense. Questionado sobre as condições logísticas para escoamento do minério de ferro, ele frisou a importância da ferrovia Nova Transnordestina, ainda em fase inicial de implantação. Um dos ramais da estrada de ferro ligará Missão Velha, no interior do Estado, até o Pecém. Balhmann disse, ainda, que o Estado conta com dois portos, em vias de receberem investimentos para ampliação de calado. ´No Pecém, por exemplo, a CearáPortos vai investir na aquisição de novas correias transportadoras, exatamente para escoamento do minério de ferro para a siderúrgica´, lembrou. As esteiras estão orçadas em R$ 60 milhões e terão recursos do BNDES.