Roberto Cláudio
Deputado Estadual pelo PHS, Vice-líder do Governo na Assembléia Legislativa e Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa
O estudo do IPEA, “Demanda e Perfil dos Trabalhadores Formais no Brasil em 2007” aponta uma carência de 117 mil trabalhadores qualificados para o presente ano. O setor que enfrenta maior escassez de profissionais experientes e qualificados é precisamente o da indústria química e petroquímica: déficit de mais de 25 mil trabalhadores, isto numa época em que o setor petrolífero atravessa fase de atividade frenética. Em seguida vêm outros sete setores de transformação, a começar por produtos de transporte e os mecânicos. Só essas três modalidades industriais totalizam 70 mil vagas que não podem ser preenchidas – um outro tipo de apagão, técnico-profissional atravessado pelo Brasil.
Ora, essa mão-de-obra indisponível, porém, não é sempre de nível universitário, revela a pesquisa do Ipea. Na média, as vagas não-preenchidas dão preferência a profissionais com 9,3 anos de estudo. Alguns ramos mais tradicionais, como o de alimentos, se satisfazem com ensino fundamental completo; outros, como comunicação e telecomunicação, exigem o equivalente ao nível médio, sobretudo os raros egressos de cursos técnicos.
Embora o número de matrículas no ensino profissional se encontre em expansão (61% entre 2001 e 2006), ele ainda é limitado: 744.690 alunos no país, segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação. No ensino superior, havia em 2006 (de acordo com a Pnad, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 5.495.277 matriculados, clara expressão da ênfase na expansão do ensino superior, que triplicou em uma década.
O governo federal parece ter detectado a necessidade de imprimir ritmo similar à educação profissional. Anunciou há menos de dois meses o plano de investir R$ 3,5 bilhões para abrir pouco mais de 200 novos Cefets (Centros Federais de Educação Tecnológica) até 2010, além dos 140 que existem hoje.
Não basta. A demanda por esses profissionais tecnicamente qualificados parte do setor privado, e este precisa participar mais ativamente do esforço para supri-la. Aí estão os R$ 10 bilhões anuais do Sistema S, que deveriam ser carreados de modo prioritário para multiplicar o imprescindível capital humano.
Não há tempo a perder, tanto o setor público quanto o privado e a própria sociedade necessitam priorizar um ensino em que os estudantes ao saírem da escola tenham uma profissão e um emprego definidos.