Direto de Miami, onde reside e onde desempenha suas funções de diplomata junto ao Consulado Geral do Brasil naquele cidade da Flórida (EUA), o leitor deste blog e jornalista Francsco César Alves acaba de postar o seguinte comentário a propósito da notaque trata da última pesquisa do Datafolha em torno da sucessão presidencial de 2010: “Há uma informação importante nessa matéria do blog (feita com base na última pesquisa da Datafolha de intenções de votos para a sucessão presidencial), que deve ser destacada e que, certamente, está sendo considerada pelo presidente Lula e por outras lideranças políticas, empresariais, sindicais e populares: quando Ciro Gomes é retirado da disputa, Serra chega a alcançar 47%, contra 17% de Heloísa Helena e 10% de Dilma Roussef. Ou seja, o principal adversário do atual governador de SP, ex-senador e ex-ministro da Saúde e do Planejamento, José Serra, é e continuará sendo o atual deputado Ffderal, ex-ministro da Integração Nacional e da Fazenda, Ciro Gomes, por vários motivos. Entre estes, destaca-se a semelhança na trajetória política e administrativa de ambos, sem falar que, até a formação do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, Ciro também fez parte do PSDB de Serra. O político cearense saiu, acertadamente, do PSDB quando percebeu que o governo FHC poderia tomar um rumo - como, aliás, aconteceu realmente depois - diferente do que seria desejado: uso do Plano Real, que Ciro defendeu como ministro da Fazenda, durante o governo Itamar Franco, em benefício de FHC (reeleição etc.) e de políticos mais próximos, destacando-se, entre eles, Serra. Este, como era previsível, foi candidato à sucessão presidencial pelo PSDB, na mesma eleição da qual Ciro participou como candidato do PPS, para, no segundo turno, apoiar naturalmente o vitorioso Lula, do PT, contrariando, inclusive, a posição do presidente do PPS, Roberto Freire, que, contraditoriamente, sempre esteve mais próximo do PSDB de FHC e de Serra, do qual hoje é aliado declarado. Fato que, inclusive, influenciou a decisão posterior de Ciro de trocar o PPS pelo PSB. A matéria comenta ainda que, no Cenário 1, Serra subiu de 38% para 41%, enquanto Ciro caiu de 20% para 15%. É natural que a ascensão de Serra tenha, praticamente, correspondido à queda de Ciro, mesmo porque este não tem ocupado espaço e tempo na mídia, nem tampouco está empenhado em fazê-lo, ao contrário de Serra. Só o fato deste ser o governador de SP já lhe garante uma presença natural na mídia, enquanto Ciro está mais voltado para as suas atividades parlamentares. O quadro da sucessão presidencial está, portanto, em aberto, mesmo porque faltam definições importantes, como, por exemplo, qual será, realmente, o(a) candidato(a) de Lula, e, também, qual será a decisão do governador Aécio Neves quanto ao seu futuro político: permanecerá ou não no PSDB, onde seu espaço tende a se tornar cada vez menor por causa da ascensão natural de Serra.