O texto a seguir é da professora Célia Bernardo, colaboradora dominical deste blog:
Hoje, tomo o propósito de homenagear uma mulher de atitudes valorosas, frágil nos seus 97 anos de vida, mas firme, profética, evangélica, educadora e sempre muito atuante em 70 anos de vida consagrada a Deus pelos pobres, na condição de Irmã de Caridade.
É a freira Elisabeth Silveira, versão contemporânea das grandes mulheres da Bíblia, como Sara, Ruth, Ester e Raquel. Ela nunca se sentiu ameaçada pelas intempéries. Pelo contrário, deu lições espirituais, morais, éticas e educacionais. Semeou sempre e o fez com o propósito de plantios seletos, de regas providenciais e de colheitas incalculáveis. Eu sou uma dessas sementes, que se deixaram regar pelas águas da sabedoria, da fé e da espiritualidade que me sustentam até hoje e me permitem, também, o plantio de “roçados humanos”, para colheitas satisfatórias.
A Irmã Elisabeth Silveira sempre se fez amar, porque se fez respeitar em sua conduta de mulher sábia, conselheira, prudente, generosa e humana. Arrisco-me a dizer que, em 70 anos de vocação religiosa, ela já experimentou a exigência bíblica no que se refere ao perdão: perdoar 70 vezes 7.
A Companhia das Filhas da Caridade tem motivos de sobra para a festa que hoje celebra a esse ícone que está presente em cada espaço do Colégio da Imaculada Conceição, em Fortaleza, ao qual deu a melhor parte de si mesma, o que lhe rendeu muitos e merecidos prêmios. Como bem nos diz Cora Coralina, a irmã Elisabeth Silveira tem feito a escalada da vida, removendo pedras e plantando flores, uma vez que é humanamente impossível chegar à vitória sem antes passar pela cruz. Para a irmã Elisabeth Silveira, aquilo que não nos faz mover um músculo, aquilo que não nos faz estremecer, suar e, até mesmo, desatinar, não merece compor a nossa biografia.
Parabéns, minha estimada e sempre querida Irmã Elisabeth Silveira! Tudo o que a vida lhe permitir será saldo positivo. Finalizo com a excelência das palavras da ex-aluna do Colégio Imaculada, a escritora Rachel de Queiroz: “Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece.”