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Fuga de cérebros

09:01 · 28.01.2008 / atualizado às 09:01 · 28.01.2008 por

Deputado Roberto Cláudio

Presidente da Comissão de C&T da Assmbléia Legislativa

Atraídos pela escassez de oportunidades de trabalho para mão-de-obra bem qualificada, brasileiros com alto nível de instrução estão, cada vez mais, migrando para Europa e América do Norte. O fenômeno conhecido como fuga de cérebros fica claro na análise de dois dados: 1) De 1996 a 2006, o número de brasileiros que receberam visto dos Estados Unidos, dado somente a profissionais de alta qualificação, aumentou 185%. 2) De 1990 a 2000, quase dobrou – de 1,7% para 3,3% – a proporção de brasileiros com nível superior vivendo nos 30 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne, na maioria, nações ricas da Europa, Ásia e América do Norte.

 Esse aumento da fuga de cérebros do Brasil é também constatado por conceituados estudiosos em demografia. Franklin Goza, professor da Universidade Estadual de Bowling Green (Ohio) que estuda a imigração brasileira para os EUA, afirma que ela está em transição. De acordo o pesquisador, nos anos 80, a vasta maioria de brasileiros que iam para os EUA entrava ilegalmente, tinha baixa qualificação e acabava trabalhando, sem permissão, em empregos não condizentes com sua formação, como professores lavando prato em restaurantes. Hoje, no entanto, ele define a migração brasileira para lá como bi-modal. O fluxo de ilegais ainda acontece, mas cresceu significativamente o número de profissionais em situação legal.  Apesar dessa migração de talentos imposta pela competitividade global ser um cenário inexorável, é necessário que a nação se planeje para conviver eficientemente com essa realidade. Somente o crescimento econômico prolongado e sustentável pode garantir condições competitivas para a permanência da nossa mão de obra mais qualificada. Além disso, arranjos institucionais, como retornos periódicos e transferências de tecnologia, podem ser buscados para minimizar as perdas. A única certeza é que, enquanto nação, temos que reagir para reduzirmos as perdas de um dos nossos bens mais preciosos: nossos cérebros. A história recente de países como a Irlanda e a Coréia mostra que o insumo mais importante para um projeto desenvolvimentista mais ousado é definitivamente o capital humano.

Comentários 10

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Kathlen

13/05/2010 as 17:1019

Excelente posição do Deputado.Ideias bem expostas com uma linguagem ideal para uma tranquila compreensão.
* Para que o Brasil tenha possíveis reduções na perda da qualificação, é necessário, antes de tudo, que se tenha um governo comandado por um cérebro pensante, ainda que o que temos em mãos seja a disponibilidade de cérebros apenas existentes.

Ana

25/03/2010 as 15:0519

quais são os pontos positivos e negativos da fuga de cerebros?

roberto

11/02/2009 as 14:1119

uma droga

roberto

11/02/2009 as 14:1119

uma droga

marina

06/06/2008 as 18:0819

quais são os pontos positivos e negativos da fuga de cerebros?

marina

06/06/2008 as 18:0819

quais são os pontos positivos e negativos da fuga de cerebros?

Marcos Almeida

28/06/2008 as 18:0119

Pertinentes palavras do Deputado. O Brasil perde sua capacidade de produzir avanços tecnológicos em variadas áreas pois paga mal, trata mal e envergonha.

Marcos Almeida

28/06/2008 as 18:0119

Pertinentes palavras do Deputado. O Brasil perde sua capacidade de produzir avanços tecnológicos em variadas áreas pois paga mal, trata mal e envergonha.

Jadilson

28/11/2008 as 11:0119

O desenvolvimento do país está diretamente relacionado com a qualificação de sua mão de obra. O governo necessita urgentemente pensar projetos que dê condições para essas cabeças pensantes se mantenham no país!

Jadilson

28/11/2008 as 11:0119

O desenvolvimento do país está diretamente relacionado com a qualificação de sua mão de obra. O governo necessita urgentemente pensar projetos que dê condições para essas cabeças pensantes se mantenham no país!