Os otimistas, os pessimistas e os “com dinheiro”
Egídio Serpa • Publicado às: 6:31 • 30/09/2008
Por causa da crise que a falta de mediação do Governo dos EUA provocou no seu sistema financeiro e que agora se amplia para a Europa — onde começou a estatização de bancos, o dólar ganha força e o Real desvaloriza-se. A consequência é boa para os exportadores, uma vez que se torna mais barato o que vendem para o estrangeiro, e ruim para os importadores, que passam a gastar mais com o que compram lá fora, o que pressiona a inflação — lembrem-se de que, por exemplo, dois terços do trigo de que é feito o pão nosso de cada dia são importados. Pelo que se lê e ouve, a crise veio para ficar. Em que intensidade ela afetará a economia brasileira, só os próximos dias vão dizer. Está muito claro que o crédito já escasseou, e isto pode repercutir em cronogramas de empreendimentos de longo prazo — do tipo refinaria de petróleo e siderúrgica. O BNDES, sozinho, não terá condição de sustentar as necessidades de recursos que esses projetos necessitarão. Tomar dinheiro emprestado lá fora está mais caro. Além do mais, as torneiras dos financiadores — cujo número se reduziu — estão fechadas e só reabrirão quando desaparecerem do horizonte as nuvens negras da crise. Assim, recomendam-se moderação aos otimistas, cautela aos pessimistas e perseverança aos realistas. E aos “com dinheiro” a sugestão é uma só: comprar ou recomprar ações, que nunca estiveram tão baratas.
30/09/2008 as 17:17
Sr. Egídio,
Pessoalmente, nem acredito no discurso “Alice nos país das Maravilhas” de nossa agencia de desenvolvimento local(ADECE), muito menos na crise, aqui(Brasil) nas proporçoes desastrosas que nossa elite paulista quer impor via mídia ao nosso poveco ignorantizado. Não há o menor motivo para o dolar subir tanto — e isso nao quer dizer que o Real é que está desvalorizando — senão negociatas e transacoes conhecidas de nossos especuladores brancos de SP. Tanto nao ha que sobe, sobe e depois desce. Ta com mais cara de especulaçao de banqueiro ou da quadrilha neo-liberal fascista. Agora, tampouco da para ficar ouvindo tanta asneira de nossos principais economistas. Dizer que os projetos da Ilha da prosperidade Nordestina(Ceara) nao serao afetados pela escassez de credito…. porque é Vale ou….. pelo amor de Deus! quanta tolice. A argumentacao deve ser baseada tao somente na paixao e idolatria que nossos mediocres economistas(ai falo de todos os tupiniquins)tem por grandes empresas ou pela coisa estrangeira. Finalmente, diria: — o dolar está longe de chegar ao que estava na epoca do FHC. Entao qualquer um que aumente preco está tambem especulando. Se o dolar aumentou, os fretes despencaram para niveis absurdamente inesperados. Entao, paozinho nao tem porque aumentar. Nem vinho nem nada.
Sei nao, acho que o brasileiro adoraria ver a crise se instalando no Brasil o quanto antes. Ia ser uma farra!
30/09/2008 as 22:28
Olá, Egídio.
A crise em Wall Street diminuiu exponencialmente a oferta de crédito, o que certamente causará desaceleração da economia americana e mundial à curto e médio prazo, muitas empresas nacionais precisam de captações de recursos lá fora para realizar suas transações e investimentos para atender a demanda. Estará o BNDES pronto para atender os setores brasileiros diretamente afetados pela crise?
As empresas do setor de exportação serão as mais afetadas, uma vez que uma retração econômica global tenderá a diminuir o fluxo de comércio entre os países, é momento para o país equilibrar as finanças, aumentar a oferta de crédito ao setor de produção e não apenas de consumo via crédito consignado, dentre outras medidas.
As previsões para este ano é de que o crescimento fique entre cinco e seis porcento e em 2009, entre 3 e 3,5. Como disse Nancy Pelosi, a ‘era de ouro’ em Wall Street acabou. E acabou de forma melancólica.