publicado em 02/03/2010 - 13:19 por Egídio Serpa
Sylvio Montenegro – Colaborador do Blog
Tenho andando muito por este Estado que tanto amo e aqui por esta Fortaleza que me viu nascer em um dia de junho, e sendo do signo de câncer como dizem os astrólogos, muito ligado à preservação do patrimônio histórico, do meio ambiente, ligado às tradições, extremamente sentimental e essencialmente família. Nestes pontos os astrólogos acertaram na mosca! Pois é com este espírito que ando por uma praça, por uma igreja, por casarios antigos, uma rua etc, e quanto mais antigo o lugar, mais viajo e volto ao passado pensando nos acontecimentos ali ocorridos e nas pessoas, nas gerações que um dia por ali perambularam. Vez por outra vejo as fotos da antiga Fortaleza do acervo de algum colecionador e fico com o coração partido ao ver por exemplo algumas fotos do antigo Castelinho da Santos Dumont, cruelmente demolido. Bem ali onde é hoje o feio centro de artesanato Luiza Távora. Quantas vezes passei em frente aquele monumento e me deslumbrava ao ver sua belíssima arquitetura. É coisa daqui sabe? É coisa de nossa pobre gente. Nossa Fortaleza é linda, mas o povo, em sua maioria é feio! Feio nos modos, feio no tratamento da coisa pública! Feio no avanço ao direito do próximo! Pelo interior vejo que as pessoas são muito mais ordeiras e cuidam de seu patrimônio! Tenta jogar um papel de bombom no chão em Curitiba pra você ver o que acontece! Os próprios habitantes chamam a atenção caso este fato ocorra! Isso se chama educação amigos, civilidade e muitos aqui dos nossos chamam de “frescura”. Moro aqui para os lados de Messejana e já se vão aí 28 anos. Quando da primeira urbanização da Lagoa de Messejana que acompanhei bem de perto, vi a boa vontade dos arquitetos responsáveis em deixar a Lagoa de Iracema com um ar típico europeu: Muretas contornando a lagoa em tijolinho vermelho, quiosques muito bem acabados, pier do lago em madeira, bancos, luminárias ao alcance da mão, tudo muito bonito e de muito bom gosto. Lembro que comentei com minha esposa ao ver as luminárias, falei: ” Olha, não dou um mês para estar tudo depredado.” Errei por muito, pois 10 dias depois de inaugurada, algumas lampadas já tinham sido arrancadas! É isso que me entristece, e comparar um logradouro ou qualquer monumento de uma cidade da Europa com um dos nossos é coisa de anos luz de distância. Vejo a repetição destes erros, erros não no sentido da beleza, mas erro no sentido do povo que vai se servir daqueles benefícios. Ali na Avenida Raul Barbosa por exemplo, a urbanização das margens do Rio Cocó. Está tudo muito bonito, mas se não for colocado policiamento ostensivo, vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com a Lagoa de Messejana. As luminárias ali não estão ao alcance da mão, mas estão muito baixas e colocadas em troncos de madeira facilmente escaláveis, os bancos com troncos cortados ao meio e com acabamento das laterais muito frágeis sendo muito fácil de arrancar, e algumas laterias já se encontram com rachaduras. As lixeiras seletivas coloridas colocadas com esmero, algumas já se encontram pichadas. Flagrei numa manhã destas um cidadão com carro de mão despejando lixo no canteiro que está sendo preparado para a jardinagem próximo a cabine da polícia. Protestei, mas o cidadão, se é que se pode chamar assim, respondeu: “- Eu coloco é aí mêrmo meu patrão, e é todo dia!” Pois é… é esse o nosso povo, pensei. Passo pela manhã ou à tarde e vejo as pessoas usufruindo daquele passeio público. Gente caminhando, fazendo cooper, dá gosto ver. A juventude na pista de skate que é outra atração da grande urbanização ali realizada pelo governo do estado. As autoridades até que estão tentando nos colocar com “coisas” de primeiro mundo. Resta ao povo, ao nosso povo se conscientizar de seu papel e protestar e chamar as autoridades competentes quando vir algum vândalo destruindo o que é seu, é meu, e infelizmente daquele ignorante também! Quanto a gente de primeiro mundo aqui!? Só daqui a dois ou três séculos!
Lucas
em 2 de março de 2010
A Europa e todos os países considerados de primeiro mundo também tem seus podres caro Sylvio, menos que aqui, mas também têm. O que acontece por lá é que além do povo ser bem educado, não falo só em escolas e universidades, mas a educação doméstica, a punição é severa em caso de fatos que para nós aqui do lado tupinquim é besteira. Estive em Paris no ano passado e vi os proprietários de cãezinhos com saquinhos para colocar a titica deles em caso de necessidade. Como você mesmo colocou aí no post, se isso fosse obrigatório aqui seria considerado frescura. Colocar lixo em local proibido é punido com alta multa. A verdade é que tenho que admitir que a diferença é bem grande. Parabéns pela abordagem do tema.
Aloisio Nobre
em 2 de março de 2010
Sylvio, quer uma passagem só de ida pra terra de gente de primeiro mundo? Passa aqui na minha agência. É GRÁTIS!
Gilberto Carlos Nunes
em 2 de março de 2010
Tem os mal educados e imbecis dos paredões que nos azucrinam o juizo. Isso aqui é Brasil e mais do que Brasil, isso aqui é nordeste, e mais do que nordeste, isso aqui é Ceará, e mais do que Ceará, isso aqui é Fortaleza. A terra é maravilhosa mesmo, mas o povo, quase todo é tosco demais.
alexandre
em 2 de março de 2010
impunidade só isso, mais no dia em que alquem criar uma maneira de punir no bolso todo e peuqueno deslise de conduta se acaba esses problemas, sendo flagrado, pichando, sujando ruas, depedrando o patrimônio alheio, tem mais é que multar e na hora, confere a identidade ou cpf e lavra uma multa e que se não pagar cadastrar no serasa, aí eu queria ver gente sujando, depedrando, porque nós brasileiros só respeitamos as leis quando doi no bolso.
Rafael Jereissati
em 2 de março de 2010
Lendo esse post e os comentários me dão até vontade de chorar. Chorar pq amo essa terra, nasci aqui, toda, ou quase toda minha família é daqui e me orgulho desse pedacinho de Brasil.Mas confesso que me decepciono a cada dia com esse povo, com suas atitudes e sua falta de educação e civilidade. Às vezes parecem uns trogloditas na idade da pedra, eu tb já passei por esse constrangimento de chamar a atenção de um “cidadão” por jogar entulho na calçada que acabara de ser limpa pela emlurb e me foi arremessado uma pedra como resposta, já liguei pra policia pq um ignorante estava com suas 100 cornetas numa picape as 02hs da manha com um som que todo o bairro do Cocó ouvia mas a cada vez que a policia chegava ele baixava e novamente aumentava o som, zombando de nós, pobre contribuintes que trabalhamos e acordamos às 05hs para o dia de labuta.
Estive em Curitiba de férias e me encantei com os jardins floridos em toda a cidade, a limpeza lá é algo que deixa qq cidade nordestina constrangida(digo pq conheço todas) e me veio aquela inveja de não poder usufruir em minha casa de toda essa organização e comprometimento dos meus vizinhos fortalezenses.
Triste mas agora já sei onde vou morar daqui a 5 anos qd me aposentarei, até apto já estou comprando em Curitiba pois com certeza lá terei um sono tranquilo, limpo e sem os idiotas dos paredões para zombar de minha educação.
Tobias
em 2 de março de 2010
Pronto Sylvio Montenegro, aí está o nosso povo espelhado no depoimento do leitor Aloisio Nobre dando uma passagem pra você. Ele é que deveria se mandar daqui. Mais do que provado que você esta coberto de razão, só daqui a três séculos mesmo. Abraço.
Outono, Verão e Inverno
em 3 de março de 2010
A verdade dói, mais é verdade. Quem teve oportunidade de ver outras culturas, digo culturas mesmo camarada! Não é essa cultura inrrustida daqui não. Amo a Fortaleza que nasci, mas seu povo ainda vai ter que crescer muito na mentalidade para isso aqui ser rotulado de paraíso tropical.
Laercio Ramos
em 3 de março de 2010
É verdade amigo, basta olhar o Estádio do Castelão para ver a barbaridade. Reformado e praticamente demolido pela ação dos vandalos. Banheiros, cadeiras etc em petição de miséria. Estou aqui já pensando o que será do metro, se sair, nas mãos do “indian people” Sabe aquela história do cara que colocou o porco na sala de visita não é? O porco fuçou, fuçou até encontrar uma laminha por baixo do assoalho aí deliciou-se. Fico pasmo de ver tanta falta de civilidade por aqui. Como os de bom censo aí em cima já disseram, amo isso aqui, mas minha cabeça, desculpem conterrâneos, é de outro nível.
Junior Nuno
em 3 de março de 2010
O comentário do Aloisio, deixa claro o quanto você tem razão, Sylvio…
Paulo Sales
em 4 de março de 2010
Na real, isso aqui é lindo demais, e acho que devemos dar uma chance ao povo. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Sou de São Paulo e o agravante aqui para a incivilidade do povo é a falta de recursos, para não falar pobreza, apesar de encontrar muitos trogloditas no “high society” também, principalmente os emergentes, estes são os piores. Mas acho que o nordeste chega lá, mesmo depois de 2 séculos.