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Diário do Nordeste

Egídio Serpa

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Juiz deixa de ser desembargador e fica no caso Dantas

Egídio SerpaPublicado às: 6:2319/11/2008

Da Folha de S. Paulo: O juiz federal Fausto Martin De Sanctis, 44, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, recusou ontem uma promoção para o cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e, com isso, permanecerá à frente do processo e dos inquéritos movidos contra o banqueiro Daniel Dantas. Há meses, De Sanctis, que é juiz federal há 17 anos, sabia que teria direito a substituir um desembargador que se aposentou -o único à frente dele na lista dos juízes mais antigos de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que formam o TRF-3ª Região, Odilon de Oliveira, já havia rejeitado a promoção. Com o polêmico caso Dantas e a avalanche de recursos interpostos pela defesa do banqueiro, que pediu o afastamento do juiz por questionar sua imparcialidade, criou-se uma expectativa em torno da permanência dele na Justiça Federal.
Anteontem, véspera do dia fixado para se inscrever para o TRF, o juiz deixou a Justiça Federal por volta das 20h30. Levava dois textos: um aceitando a promoção e outro recusando. Como desembargador, De Sanctis assumiria um cargo hieraquicamente superior. Teria direito a um carro com motorista e a um acréscimo de R$ 1.000 sobre o salário bruto de juiz federal, de R$ 21 mil. Foi ontem de manhã, após ter se reunido com amigos, que De Sanctis decidiu ficar no cargo. Durante esse processo de escolha não faltaram opiniões de terceiros -até mesmo porque o juiz estimulava seus interlocutores. Quando questionado sobre o dilema, perguntava: “O que você faria?”. De Sanctis sempre demonstrou receio em deixar, neste momento, a 6ª Vara Federal. Entendia que tinha muitos processos pendentes, entre eles, a Operação Satiagraha. Ele cuida ainda de outros réus famosos, como o banqueiro Edemar Cid Ferreira e o russo Boris Berezovski (MSI/ Corinthians). Antes de divulgar uma decisão, De Sanctis queria esperar o julgamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), previsto para ontem, sobre um pedido de abertura de processo administrativo contra ele. O corregedor Gilson Dipp, porém, preferiu esperar o retorno do presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, que estava no exterior, e adiou o julgamento. Por volta das 15h45, De Sanctis foi ao TRF e conversou por quase uma hora com a presidente do órgão, Marli Marques Ferreira, a quem explicou que sua decisão era “de coração”. Desde o início do dilema, De Sanctis tinha uma preocupação em deixar claro que a recusa de uma promoção não deveria ser vista como uma afronta ou um sinal de desprezo ao tribunal.
Em nota divulgada ontem, o juiz afirmou que o TRF-3ª Região e seus membros merecem grande respeito pelo que representam e realizam. “Contudo, não é possível adotar uma decisão sem estar inteiramente convencido de seu acerto.”

Polícia

2 Comentários para “Juiz deixa de ser desembargador e fica no caso Dantas”

  1. Amaury Feitosa disse:

    A atitude do juiz De Sanctis é de verdadeiro homem público. Como as provas são irrefutáveis o réu será sem nenhuma dúvida condenado, mesmo com a imprensa controlada pelos bacanas denegrindo a imagem do corajoso magistrado, coisa comum neste indigitado país. Mas que suas viuvinhas nem se preocupem, o STF o absolve ou deixa o processo prescrever como o de Romero Jucá e será o de Jáder Barbalho. VIva a República do Cinismo !!!

  2. evandro disse:

    Essa é mais uma estratégia de “alguns” interessados nesse caso DANTAS, ou seja, “vamos promover o homem, e ele não vai recusar ser desembargador, e o próximo que assumir o caso, já vai inteiramente instruido a dá uma “maõzinha” ao DANTAS. Vai ser moleza!”. Se enganaram completamente, que quando uma pessoa honesta abraça uma profissão, como essa, não há nada que o faça prevaricar.Parabéns Exelência.

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