Será possível transformar R$ 0,01 (um centavo) em R$ 7,892 bilhões?
Sim, é (quase) possível. Acompanhem esta incrível história.
No dia 16 de junho deste ano, um esperto consumidor – bem informado dos meios utilizados pela Secretaria da Fazenda do Ceará para incrementar sua receita tributária – entrou em uma farmácia na Avenida Dom Luiz, na Aldeota, onde fez uma pequena compra, pela qual pagou. De troco, recebeu exato R$ 0,01 (um centavo).
O caixa da farmácia perguntou ao cliente: “O senhor pode doar esse centavo ao Fundo Cristão Para a Criança, uma instituição que nossa empresa ajuda”. O cliente concordou. O caixa emitiu novo cupom relativo a uma compra de R$ 0,01.
Por erro de digitação ou por falha da máquina emissora, o cupom foi impresso assim: Valor da doação: R$ 0,01. Recebimento em dinheiro: R$ 7.892.840.000,00. Troco: R$ 7.892.840.999,99.
A Sefaz devolve 0,5% do valor da compra ao portador do cupom fiscal, como forma de incentivar os consumidores a exigirem a nota fiscal no ato da compra. Neste caso, 0,5% de R$ 0,01.
O esperto cliente tenta agora fraudar o Fisco, exigindo 0,5% de R$ 7,892 bilhões – ou R$ 394,642 milhões.
Para isso, ele foi à Sefaz, cadastrou-se, registrou seu milionário cupom fiscal e entrou na Justiça, cobrando o indevido.
Agora, o mais incrível da história: um juiz de Primeira Instância não se surpreendeu com o exagerado valor reclamado. Nesta semana, ele notificou a Sefaz, que está concluindo sua defesa.
Acreditem. É vero.