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17:34 · 21.07.2017 / atualizado às 17:47 · 21.07.2017 por
O Programa Cisternas é um modelo de política construída, executada e avaliada constantemente pela sociedade civil e o Estado Foto: Cid Barbosa

O Programa Cisternas, do Brasil, é uma das seis políticas públicas selecionadas, em todo o mundo, para receber o Prêmio Internacional de Política para o Futuro de 2017 (Future Policy Award), sendo considerada uma das melhores políticas para combater a degradação do solo. O anúncio foi feito nessa quinta-feira (20), em Berlim, na Alemanha.

Característica marcante e diferenciada da iniciativa premiada é ter nascido no seio das experiências da sociedade civil, proposta como política pública pelas organizações atuantes no Semiárido e assumida pelo Estado.

Executado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o programa promove o acesso à água para consumo humano e produção para populações dispersas do Semiárido brasileiro, por meio do armazenamento da água de chuva.

Trata-se de uma política pública de Estado, como considera o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), dado que vários governos têm interagido com ele, o governo Fernando Henrique, de modo especial os governos Lula e Dilma e, atualmente, o Michel Temer.

A sociedade civil que atua no Semiárido, além de influenciar a concepção da política, também a executa, principalmente, por meio dos programas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA): Um Milhão de Cisternas (P1MC), Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Cisternas nas Escolas.

Segundo o coordenador da ASA pelo Estado da Bahia, Naidison Baptista, esta experiência é um modelo de política construída, executada e avaliada constantemente pela sociedade civil e o Estado, numa perspectiva democrática e participativa.

“A premiação significa dizer que estamos andando no caminho certo e que devemos continuar a palmilhá-lo, ampliando ainda mais as ações que possibilitam o acesso de famílias e populações tradicionais à água para consumo humano, junto aos domicílios e escolas rurais, e para produção de alimentos e criação animal”, diz Baptista.

O prêmio

Organizada pelo World Future Council, com a parceria da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a premiação escolheu seis iniciativas (Brasil, Austrália, China, Etiópia, Jordânia e Nigéria, além de uma iniciativa global) de um total de 27 analisadas de 18 países.

Entre as seis políticas selecionadas, haverá uma classificação para primeiro, segundo e terceiro lugares e menções honrosas, que será anunciada no dia 22 de agosto. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá durante a 13ª Sessão da Conferência das Partes da UNCCD, em Ordos, na China, prevista para o mês de setembro.

Para a indicação ao prêmio, foram analisadas a capacidade destas políticas públicas de proteger a vida e os meios de subsistência nas terras áridas e de promover o combate à desertificação, a restauração da terra e do solo degradados, incluindo as terras afetadas pela desertificação, a seca e as inundações.

A parte que diz respeito ao combate à desertificação e mitigação de seus efeitos faz parte do Objetivo 15 do Desenvolvimento Sustentável (meta 3).

Esta é a décima edição do prêmio e a primeira vez que aborda este tema. Edições anteriores já selecionaram, por exemplo, as melhores políticas para a Segurança Alimentar, para a Biodiversidade, para as Florestas e para o Fim das Violências contra as Mulheres.

O World Future Concil e um seleto grupo de organizações internacionais indicam as melhores políticas que influenciam o desenvolvimento sustentável para as gerações atuais e futuras.

Neste processo, também são considerados os “7 Princípios para Legislar para um Futuro Justo”, que abrange também dimensões como a equidade, a erradicação da pobreza, a participação e a resolução pacífica de conflitos.

Fonte: ASA Brasil

10:00 · 10.07.2017 / atualizado às 20:41 · 09.07.2017 por
O projeto visa a promover iniciativas multissetoriais inovadoras criando novas realidades nas cadeias de valor Foto: Eduardo Queiroz / Agência Diário

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), com o apoio do Instituto C&A e a realização do Instituto Reos, lançaram, na sexta-feira (7), o Laboratório da Moda Sustentável — por um setor do vestuário mais sustentável e justo. A iniciativa pretende abordar os principais desafios do setor de vestuário no Brasil em temas de sustentabilidade ambiental e trabalho decente, entre outros.

Entre as estratégias, está a criação de uma “aliança convocadora”, composta por OIT, ABVTEX e ABIT, com legitimidade e capacidade de influenciar mudanças no setor. A partir disto, um grupo formado por 35 líderes foi convidado a participar de oficinas de cocriação e trabalho e da plataforma de transformação.

Entre os líderes, há representantes de marcas e varejistas, associações setoriais, indústrias, sindicato dos trabalhadores, setor público, acadêmicos, sociedade civil, entre outras organizações que compõe os diferentes elos da cadeia do vestuário. Os participantes têm conhecimento de temas-chave, como informalidade, condições de trabalho precarizado ou forçado, modelo de negócio, questões ambientais, sociais e de consumo.

“Esperamos alcançar impactos positivos no futuro do mercado de moda no Brasil que reverberem pelos próximos anos. O projeto prevê resultados alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como melhores condições de vida e trabalho no setor; e consumidores mais orientados e conscientes”, afirmou Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX.

O projeto visa promover iniciativas multissetoriais inovadoras, criando novas realidades nas cadeias de valor; estratégias e ações transformadoras para fortalecer, influenciar e incidir nos principais desafios identificados; melhores condições de vida e trabalho no setor, com destaque às questões de gênero.

Outros pontos incluem maior diversificação e inovação industrial e de serviços; uso eficiente de recursos naturais e processos produtivos com baixo impacto ambiental; impulso a políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável do setor.

O projeto terá duas fases: a construção de cenários futuros do setor do vestuário e o laboratório social. Na primeira, a intenção é construir, por meio de uma arquitetura de diálogo estratégico e inovador, um conjunto de cenários relevantes, desafiadores, plausíveis e claros para estimular a reflexão e o debate sobre o futuro do setor do vestuário. Na segunda etapa, a intenção é criar protótipos de iniciativas multissetoriais que tragam inovações para o setor de vestuário nos próximos anos.

“A indústria têxtil e do vestuário é um setor importante no mundo e no Brasil, empregando 1,7 milhão de trabalhadores na produção”, afirmou o diretor da OIT no Brasil, Peter Poschen. “A OIT está engajada em muitos países do mundo para ajudar os atores dessa cadeia de valor a melhorar as condições de trabalho, aumentar a produtividade e a renda e reduzir os impactos ambientais. O desenvolvimento sustentável dessa cadeia produtiva só pode acontecer com base num diálogo social e com a construção de parcerias entre os atores-chave”, completou.

A iniciativa tem como base as metodologias de Planejamento de Cenários Transformadores e Laboratórios Sociais, desenvolvidas e aplicadas pela Reos Partners em vários países do mundo nos últimos 20 anos. A metodologia aborda os problemas complexos de maneira sistêmica e gera impacto coletivo ao longo dos anos, em temas como educação, saúde, alimentação, energia, meio ambiente, desenvolvimento, justiça, segurança e paz.

“A colaboração entre os diferentes elos que compõem a cadeia da moda é essencial para que o setor possa ser mais justo e sustentável. Esperamos que essa iniciativa seja mais um passo nesse sentido, de construção conjunta de soluções”, declarou a diretora-executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega.

Representando mais de 30 mil empresas de têxteis e confecção no Brasil, a ABIT insere este projeto em sua área de sustentabilidade e inovação.

“A ABIT tem desenvolvido, divulgado e promovido palestras, congressos e workshops dedicados ao aprofundamento do tema com as empresas, buscando alinhar a produção e a distribuição aos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o presidente da ABIT, Fernando Pimentel.

Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT)

18:13 · 07.07.2017 / atualizado às 18:13 · 07.07.2017 por
O Programa foi lançado pela ANA em 2001 e tem foco no estímulo à política de pagamento por serviços ambientais voltada à proteção hídrica no Brasil Foto: Eduardo Queiroz

Está aberta a Seleção de Propostas de Projetos no Âmbito do Programa Produtor de Água, que receberão apoio financeiro da Agência Nacional de Águas (ANA) para realizarem trabalhos que estimulem ações de conservação de água e solo no campo por meio do pagamento por serviços ambientais (PSA) prestados por produtores rurais.

Até 1º de setembro, os interessados poderão enviar suas propostas pelo Portal de Convênios Siconv (www.convenios.gov.br/siconv). Podem participar órgãos e entidades da administração direta e indireta municipal, estadual e distrital, além de consórcios públicos de todo o País.

Para todas as propostas selecionadas, a ANA fará repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões, sendo que há um limite de R$ 1 milhão por projeto.

Estes recursos poderão ser utilizados em ações de adequação de estradas rurais, terraceamento agrícola, cercamento de remanescentes florestais e de áreas em processo de regeneração, plantio de mudas de espécies nativas de cada região, construção de barraginhas (para captação e infiltração de água da chuva e para retenção de sedimentos), saneamento rural (com instalação de fossas sépticas ou estruturas similares) e outras ações que possibilitem a melhoria da qualidade e o aumento da oferta de água que sejam consideradas adequadas pela comissão avaliadora da Agência.

Os trabalhos selecionados receberão os recursos por meio de contratos de repasse para execução dos projetos selecionados em até três anos a partir da assinatura dos contratos.

Os trabalhos qualificados que não forem contratados num primeiro momento ficarão num cadastro reserva com três anos de validade e poderão ser contratados desde que haja disponibilidade orçamentária.

As instituições que tiverem suas propostas selecionadas também deverão apresentar contrapartidas financeiras, conforme o edital do Chamamento Público nº 01/2017.

A análise das propostas será realizada por uma equipe técnica da ANA, que pontuará cada trabalho segundo o edital. Serão avaliados os seguintes aspectos de cada proposta: a qualificação técnica e operacional do conjunto de instituições envolvidas, os aspectos gerais da proposta e o estágio de implementação do pagamento por serviços ambientais em cada região candidata a receber os recursos.

Após as análises da Agência, o resultado será divulgado no site da ANA (www.ana.gov.br) até 22 de setembro às 18h.

Programa Produtor de Água

O Programa foi lançado pela ANA em 2001 e tem foco no estímulo à política de pagamento por serviços ambientais voltada à proteção hídrica no Brasil. A iniciativa estimula práticas conservacionistas em propriedades rurais de forma a melhorar a qualidade da água e aumentar sua vazão, revitalizando as bacias hidrográficas.

Consiste em remunerar o produtor rural com valores proporcionais aos serviços ambientais prestados, que beneficiam a sociedade que vive numa determinada bacia hidrográfica, além de oferecer assistência técnica para a recuperação ambiental da propriedade.

A iniciativa apoia projetos que busquem reduzir a erosão e o assoreamento de mananciais no meio rural em parceria com instituições públicas, privadas ou com organizações do terceiro setor. No total, 38 projetos do Produtor de Água estão vigentes pelo País, como o de Extrema (MG) e do Pipiripau (DF).

Saiba mais:

www.ana.gov.br/produagua

Animação sobre o Produtor de Água

Anexos do edital:
Anexo A – Modelo de proposta prévia
Anexo B – Portaria ANA Nº 196/2013

Mais informações:

E-mail: produtordeaguaedital2017@ana.gov.br
Telefones: (61) 2109-5609 /5262/ 5356/ 5296

14:17 · 05.07.2017 / atualizado às 14:17 · 05.07.2017 por

O uso da tecnologia Inverter em ar-condicionado começou há poucos anos, quando pesquisadores da área consideraram os benefícios que ela poderia trazer ao equipamento e, consequentemente, ao consumidor. Entre as vantagens deste modelo está a economia de energia elétrica de cerca de 40% em relação ao equipamento convencional.

Antes de entender a diferença do ar-condicionado Inverter, é necessário entender como funciona um ar-condicionado comum.
O princípio de todo aparelho é a troca de temperatura do ambiente por meio da passagem do ar pela serpentina da evaporadora – a parte interna do equipamento, depois o ar-refrigerado é devolvido ao ambiente. Nesse meio tempo ocorrem picos de energia.

Funcionamento do ar-condicionado convencional

1 – O ventilador presente dentro da evaporadora suga o ar do ambiente, fazendo-o passar por um conjunto de serpentinas.

2 – Nessas serpentinas se encontra o fluido refrigerante, popularmente conhecido como gás, que refrigera ou esquenta o ar de acordo com a temperatura que foi escolhida pelo consumidor. O responsável pela circulação do gás dentro do aparelho é o compressor.

3 – Depois que o ar entra pela evaporadora e passa pelas serpentinas, é devolvido ao ambiente. O ciclo se repete inúmeras vezes para que se atinja a temperatura escolhida.

4 – Quem mede a temperatura do ar que volta para o ar-condicionado é o termostato. Quando ele percebe que o ar do ambiente já atingiu a temperatura desejada pelo consumidor, desliga o compressor, mantendo apenas a ventilação do ar-condicionado.

5 – Com o tempo, a temperatura do ambiente começa a variar. Com isso, o compressor é acionado novamente para fazer circular o gás que vai esfriar ou esquentar o ar.

Esse ciclo de “liga e desliga” do compressor se repete várias vezes, gerando picos de tensão. É isso que causa o excesso de consumo de energia dos aparelhos de ar-condicionado.

Funcionamento do Inverter

A grande diferença é que os aparelhos de ar-condicionado split Inverter mantêm a temperatura constante, com pouca oscilação de energia.

O compressor Inverter opera com velocidade de rotação variável, sem desligar o tempo todo. Em vez de dar picos de energia para ligar e desligar, ele se mantém estável. Isso faz com que a temperatura não oscile no ambiente e não haja a necessidade de gastar mais energia ligando e desligando o compressor. É esta a grande diferença que faz do modelo Inverter um aliado da economia.

Outra característica é o gás refrigerante usado nesses tipos de aparelho: o R410A. Ele é chamado de “gás ecológico” porque não atinge a camada de ozônio.

10:00 · 03.07.2017 / atualizado às 22:36 · 02.07.2017 por

Por Vanda Claudino Sales*

Normalmente, pensamos a Terra como sendo uma esfera ou elipsóide quase perfeita. No entanto, o Planeta  é muito movimentado e irregular. A sua topografia, representada pelas elevações e depressões criadas pelas montanhas, vales, áreas rebaixadas, planícies e planaltos, é responsável por essas inúmeras  irregularidades.

A força da gravidade tem intensidade alterada, de acordo com a topografia da Terra. Isso acontece em decorrência do princípio físico universal que define que a gravidade é sempre maior onde existe mais massa acumulada, e sempre menor onde ocorre déficit de massa.

As áreas de montanhas representam segmentos nos quais a crosta terrestre é mais espessa. Ao contrário, as áreas deprimidas são aquelas nas quais a crosta terrestre é mais fina.  As montanhas, em outras palavras, têm  mais massa que as depressões,  e assim a gravidade é mais elevada nos limites das montanhas do que no contato com áreas deprimidas.

Geóide é o nome que se dá à forma que a superfície da Terra (com oceanos) apresenta sob a influência da forca da gravidade. Corresponde à verdadeira forma física da Terra, em contraste com a forma geométrica idealizada de esfera ou elipsóide.

A superfície do geóide acompanha, de certa forma, a da topografia da Terra, embora com diferentes grandezas. Ela é mais elevada do que a esfera  idealizada quando existe mais massa, e mais rebaixada quando tem déficit de massa. Essa situação é explicitada na figura acima, que corresponde a um modelo físico elaborado pela Nasa para ilustrar o geóide e as deformações da Terra.

O geóide, em outras palavras, é um mapa do campo de gravidade da Terra. Trata-se de um modelagem física na qual, de maneira bastante simplificada,  a gravidade é tomada ao nível zero do mar e estendida para toda a superfície do Planeta.

Onde ocorrem anomalias (isto e, locais com mais ou menos massa em relação ao nível zero inicial), a linha horizontal sobe ou desce, ilustrando as irregularidades que a Terra apresenta. O geóide, assim, demonstra que a Terra tem formato mais próximo de uma batata do que de um elipsoide ou esfera!

No geóide, a superfície dos oceanos também apresenta “topografia”. Isso porque a água dos oceanos muda de densidade de um lugar para outro, em função das diferenças de salinidade e de temperatura – e quanto mais denso um corpo, maior a gravidade.

Além disso, o movimento de rotação da Terra cria deslocamentos constantes da massa d’água, gerando maiores densidades (maior gravidade) em locais diversos das bacias oceânicas. Mas, como o geóide mede a gravidade e não a real topografia, na realidade não encontramos estes  desníveis quando realizamos um cruzeiro.

Nesse modelo, que é exagerado para realçar as diferenças, o vermelho representa as áreas mais elevadas e/ou mais densas (mais massa), a azul as áreas mais deprimidas e/ou menos densas (menos massa), e o amarelo e verde as áreas com altitudes (e massas) intermediárias.

Pode-se perceber o vermelho mais intenso no Atlântico Norte e Europa, áreas de maior densidade e espessura de rochas em funcão de dobramentos antigos e da presença de aguas gélidas,  e o azul na bacia oceânia abissal e áreas de menor densidade no Oceano Índico.

Avanços no mapeamento detalhado da gravidade na superfície da Terra vem crescendo muito nos últimos anos, e hoje já existe um mapa de geóide bem detalhado, com precisão altimétrica elevada. Essa técnica propicia informação preciosa para muitos campos científicos como Oceanografia, Hidrologia, Geologia, Cartografia, Geografia e disciplinas correlatas.

Sobretudo, as análises constantes do geóide e de suas alterações mensais – o que já é feito por satélites – mostram-se como importante instrumento para trabalhar com os efeitos do aquecimento global, pois permite medir mudanças nas calotas de gelo, entender o deslocamento e a temperatura de correntes oceânicas (fundamentais para o clima), compreender  as forças que criam o “El Niño” e “La Niña” e analisar o processos de mudanças do nível do mar resultantes de aumento da temperatura e da massa de água oceânica.

Além disso, permitirá a compreensão das ação das forças internas que movem placas tectônicas e resultam em terremotos e atividades vulcânicas, fornecendo assim indícios sobre os mecanismos que produzem a dinâmica natural do Planeta. Só existem coisas positivas em relação ao geóide!

*Geógrafa

Professora-doutora do Mestrado em Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

E-mail: vcs@ufc.br

17:01 · 19.06.2017 / atualizado às 17:14 · 19.06.2017 por
O Semiárido brasileiro apresenta um alto grau de vulnerabilidade, o que exige a adoção de soluções de convivência para impedir o avanço da desertificação Foto: Maristela Crispim

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou editais para recuperação de áreas no Semiárido, com inscrições que vão até 27 de junho.

“Não há muito o que comemorar ainda. Queremos chamar a atenção das pessoas e dos governos sobre a urgência e gravidade do problema da desertificação nas terras secas”, destacou o diretor de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA, Valdemar Rodrigues

O Dia Mundial de Combate à Desertificação,  instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU),  em 1994, é comemorado, a cada ano, no dia 17 de junho.

O MMA traçou uma estratégia para a implementação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad) e redução da vulnerabilidade climática na região semiárida brasileira.

Por meio de editais, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para contratação de instituições implementadoras, serão atendidos pelo projeto seis estados, nove municípios e cerca de 15 comunidades.

“Precisamos criar ações transformadoras da realidade, porque as informações teóricas já temos todas. O investimento no projeto das Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas vai melhorar nossa capacidade de adaptação para reduzir a vulnerabilidade no Semiárido”, destacou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Integração

As Urads têm como unidade de trabalho as microbacias hidrográficas e conjugam ações ambientais, sociais e produtivas, com o envolvimento direto das comunidades e prefeituras.

Na área ambiental, o projeto prevê a recuperação de área de pastagem degradada por meio de cordões de pedra, terraceamento (técnica de conservação do solo), barragens sucessivas em pedra ou madeira, barragem subterrânea, produção de mudas para replantio e incentivo à Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

Do ponto de vista social, que deve ser integrado ao ambiental, as URADs devem garantir a segurança hídrica, o saneamento básico, fogões ecológicos (que diminuem o consumo de madeira e lenha e não geram fuligem ), e capacitação.

Já as ações produtivas atendem às necessidades das comunidades com incentivo e suporte técnico à avicultura, ovinocultura, apicultura, hortas, artesanato, bordados, horticultura e beneficiamento de frutas, entre outros.

“É um trabalho de formiguinha, mas, se não fizermos assim, não resolveremos o problema”, explica o diretor Valdemar Rodrigues. Entre os resultados esperados a curto prazo, estão a mitigação dos efeitos da seca e a geração de emprego e renda.

A médio prazo, a recuperação ambiental, melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento de tecnologias de adaptação e redução de vulnerabilidades.

Pernambuco

No dia 21 de junho, as cidades de Triunfo (PE) e Serra Talhada (PE) vão inaugurar um projeto monitorado pelo Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA.

O projeto chama-se Implantação de Módulos de Manejo Sustentável da Agrobiodiversidade para o Combate à Desertificação no Semiárido Pernambucano e será desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, por meio de convênio com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Entre as atividades previstas, estão a inauguração de equipamentos que apoiam a produção rural sustentável, como casas de beneficiamento de frutas, e das “mandalas”, instalações que conjugam horticultura com a criação de galinhas.

Suscetíveis à desertificação

No Brasil, as áreas suscetíveis à desertificação correspondem a aproximadamente 15% do território nacional (1.344.766 km²), abrangendo 1.491 municípios em nove estados da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, com população estimada de 37,1 milhões de habitantes (IBGE, 2016).

Os estados mais comprometidos em termos absolutos são Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A desertificação, definida como a degradação de terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, motivou a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), da qual o Brasil é signatário, ao lado de 192 países, desde 1997.

Para favorecer o cumprimento das metas da UNCCD, o Brasil criou a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/2015), cuja regulamentação depende da assinatura de decreto, já encaminhado, com mecanismos de informação, financiamento, envolvimento da sociedade e monitoramento.

Fonte: MMA

10:17 · 08.06.2017 / atualizado às 10:29 · 08.06.2017 por
A primeira Semana do Mar é realizada por um coletivo de entidades independentes que operam, estudam ou produzem conhecimento no mar Foto: Ruver Bandeira

Por Melquíades Júnior

Hoje comemora-se o Dia Mundial dos Oceanos e a saúde do ecossistema marinho está entre os principais assuntos abordados na Primeira Semana do Mar (Semar), que acontece de 8 a 11 de junho (quinta a domingo), no Iate Clube de Fortaleza. Evento inédito no Nordeste, traz diversas palestras, oficinas e exposições com temas voltados ao mar. Serão comemorados os 20 anos de criação do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, a única Unidade de Conservação (UC) marítima do Ceará.

Duas importantes palestras movimentam esta quinta-feira. O Instituto Povo do Mar, com o Projeto Limpando o Mundo, traz o tema “Educação Ambiental Marinha e os desafios no combate do ‘lixo marinho’ no litoral cearense”; e o Eco Museu do Mangue traz o tema “Conservação e Educação Ambiental do Manguezal do Rio Cocó/ Sabiaguaba”.

Durante o evento, haverá exposições de fotografias subaquáticas, peças de antiguidade náuticas, barcos de rádio controle, venda de peças de cristais resgatados do fundo do mar e o lançamento do livro “Atlas de Naufrágios do Ceará“.

A primeira Semana do Mar é realizada por um coletivo de entidades independentes que operam, estudam ou produzem conhecimento no mar, como a Operadora de Mergulho Mar do Ceará e tem o apoio da Marinha do Brasil, Universidade Federal do Ceará (UFC), Capitania dos Portos, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza e o Iate Clube de Fortaleza.

A programação completa pode ser conferida no link: https://goo.gl/qVjzxz
Mais informações: 

I Semana do Mar (Semar)

Data: 8 a 11 de junho

Horário: 8h às 20h

Local: Iate Clube de Fortaleza, Av. Abolição, 4813 – Mucuripe

Entrada gratuita

10:58 · 05.06.2017 / atualizado às 10:58 · 05.06.2017 por

 

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para lembrar a data, o Diário do Nordeste publica o caderno especial de Gestão Ambiental sobre Moda Sustentável. Ainda no clima de Semana do Meio Ambiente, promove, amanhã, o III Seminário Economia Verde – Moda Sustentável: como agregar valor ao seu negócio, amanhã (6), às 19h, na Praça Central do Shopping Parangaba (piso L1), com o especialista em Sustentabilidade Jair Kievel. O evento se insere no Fórum Fortaleza Sustentável, cinco dias de palestras, oficinas e apresentações culturais alusivas à temática sustentabilidade, promovido pelo Shopping Parangaba, em parceria com o Instituto Íris.

Sustentabilidade é um termo a cada dia mais presente no mundo. Muitas mudanças ocorreram desde que a expressão Desenvolvimento Sustentável foi cunhada, há décadas. Passamos por várias conferências ambientais e climáticas até que alguns setores começaram a incorporar a preocupação com o ambiente que nos abriga e fornece matéria-prima. Não é diferente como mercado da moda.

No início da humanidade, o ato de vestir era uma forma de se proteger, principalmente do frio. Com o tempo, passou a significar uma forma de se distinguir na sociedade e mesmo de se expressar. Vestir de forma mais sustentável requer, primeiramente, reflexão, que deve começar diante do guarda-roupas. Se há algo que não se veste há mais de seis meses, é hora de pensar se realmente é necessário manter. Reunião de trocas entre amigos ou mesmo grupos virtuais são meios de se desfazer daquelas peças que não combinam mais com o estilo ou de renovar o guarda-roupas constantemente sem grandes gastos.

Outro momento importante de ponderação está na hora da compra. Primeiro questionamento: é necessário? Depois vem uma reflexão mais complexa. Hoje, algumas grandes redes varejistas, como a multinacional holandesa C&A, estão buscando investir em cadeias sustentáveis, incluindo o estímulo à produção de algodão orgânico.

Há também iniciativas individuais, muitas vezes idealistas, como a VIDA BR, que produz camisetas com tecidos feitos de fios PET reciclados com estampas cujas cores ressaltam quando expostas à luz solar e que ainda pode servir como crédito na compra de uma nova ao atingir o fim da sua vida útil.

Esse é o momento de refletir mais a fundo sobre a cadeia de fornecedores de cada peça. Os preços podem ainda não ser os mais acessíveis, pelas dificuldades de produção em escala e os investimentos para redução dos impactos da produção sobre o equilíbrio ambiental, mas certamente essas ações fazem a diferença ao mobilizarem os consumidores para a importância de repensar o consumo.

10:42 · 04.06.2017 / atualizado às 12:51 · 04.06.2017 por

 


A área do Rio Cocó constitui  um dos mais importantes espaços verdes da cidade de Fortaleza Foto: Fernando Travessoni / Agência Diário

A assinatura, pelo governador Camilo Santana, hoje, 4 de junho de 2017, na abertura da Semana do Meio Ambiente, da regulamentação definitiva da poligonal do Parque do Cocó é, como disse o secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, “a concretização de um sonho de cerca de 40 anos, acalentado por gerações de ambientalistas e cidadãos fortalezenses. Foram várias e várias lutas, de diversos segmentos sociais organizados, até se conseguir a legalização”.

Na oportunidade estão sendo homenageadas 19 personalidades que contribuíram para a criação, desenvolvimento e regulamentação do Parque, com a comenda “Amigo do Parque”. Confira a lista completa a seguir:

Flávio Tores, Marília Brandão e Joaquim Feitosa (post mortem), que foram dirigentes da Socema, e lideravam o movimento, no fim dos anos 70, pela criação do Parque do Cocó.
João Saraiva, Vanda Claudino Sales e Samuel Braga, que lideraram a luta pela criação do Parque do Cocó nos anos 80.
João Alfredo, um dos parlamentares que, desde os anos 80, mais se envolveram nesta luta.
Evandro Ayres de Moura (Post Mortem) e Lúcio Alcântara, prefeitos que criaram o Parque Adahil Barreto (Primeiro Parque do Cocó).
Maria Luíza Fontenele, prefeita que criou a APA do Vale do Rio Cocó em Fortaleza, em 1986.
Tasso Jereissati, Adolfo Marinho e Renato Aragão, que lideraram a criação do atual Parque do Cocó no fim dos anos 80 e início dos 90.
Cid Gomes, que cercou o Parque do Cocó e tentou regulamentá-lo.
Alessander Salles, que liderou as ações na Justiça para a existência do Parque.
Ciro Gomes, que decretou o aumento da área do Cocó.
Fátima Limaverde, que liderava as mobilizações pela criação do Parque nos anos 80 e 90.
Tenente Araújo, que comandou a Polícia Militar Ambiental do rio e sua navegação.
José Bozarcchiello da Silva, geógrafo, professor da UFC.

O que significa a regulamentação

Segundo o governo, A regulamentação do Parque é a adequação desta área verde como Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), conforme a Lei Federal Nº 9985/2000. A adequação ao Snuc indica que a área criada como Parque deve ser de posse e domínio público, dando a titularidade do terreno ao poder público, para fazer o controle e a proteção deste espaço.

Com a transformação em UC de proteção integral, o regime jurídico fica bem mais restritivo e protetivo, com previsão também na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal Nº 9985/2000) e no seu Decreto Regulamentador de Nº 6514/2008. Inclusive neste decreto, tem uma subseção que estipula a dosimetria das Infrações Cometidas Exclusivamente em Unidades de Conservação.

Toda essa previsão legal deve dar maior embasamento à atuação da gestão ambiental, pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), à atuação da fiscalização e monitoramento, pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e à atuação policial (Batalhão de Policiamento Ambiental).

Histórico da criação do Parque

A primeira área do Rio Cocó a ser protegida, em 29 de março de 1977, quando declarada de utilidade pública para desapropriação, foi fruto de intensa mobilização social, que impediu a construção ali do que seria a sede do BNB.

Em 11 de novembro de 1983, o Decreto Municipal Nº 5.754 deu a denominação de Parque Adhail Barreto àqueles 10 hectares. Em 5 de setembro de 1989, o Decreto Estadual Nº 20.253 criou o Parque Ecológico do Cocó, expandido em 8 de junho de 1993.

No entanto, não houve a consolidação do Parque do ponto de vista legal, o que gerou diversas invasões em seu entorno. Os dois decretos de desapropriação caducaram e a regularização fundiária não foi plenamente efetuada.

O projeto atual

Pelo atual projeto do governo, discutido com a sociedade por meio de audiências, inclusive com o Fórum Permanente pela Regulamentação do Cocó, que reúne 25 entidades públicas e não-governamentais, se chegou à concretização de um dos maiores parques naturais em áreas urbanas do mundo. O Parque do Cocó terá 1.571ha, superando o Ibirapuera, em São Paulo (221ha), e o Central Park (341ha), em Nova York.

Os estudos realizados para subsidiar o decreto de criação do Parque Estadual do Cocó, de acordo com a legislação pertinente, que demandaram investimentos por parte do Estado e do Município, foram:

1. Diagnóstico Ambiental do baixo curso da bacia do Rio Cocó- R$ 474.537,52 (contratado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza)
2. Diagnóstico Sócioambiental das ocupações inseridas na poligonal proposta- R$ 375.000,00 (contratado pela Sema)
3. Materialização georeferenciada da poligonal que compreende o trecho entre a BR-116 e a foz do rio Cocó-R$ 275.692,00 (contratado pela Sema)
4. Levantamento topográfico para delimitação da poligonal compreendida entre o Quarto Anel Viário e a BR-116 (Contratado pela secretaria das Cidades)

Os demais estudos foram realizados pelo Grupo de Trabalho (GT do Rio Cocó), coordenado pela equipe técnica da Sema, sem ônus para o Estado. O Decreto Nº 4.340 de 22 de agosto de 2002 trata em seu Art. 33 sobre a aplicação dos recursos da compensação ambiental, explícito em seu inciso IV a utilização deste recurso para realização de Estudos para criação de novas UC, o que permitiu à Sema utilizar este recurso, a partir da aprovação do projeto pela Câmara de Compensação Ambiental.

Concurso Nacional de Ideias

Além de definir o espaço, o governo estadual realizará um concurso nacional de ideias para dotar o equipamento com estruturas que proporcionem condições para que a população desfrute ainda mais do Parque, mediante atividades de educação ambiental, lazer, esporte, estudo ou para contemplação. Estas intervenções serão realizadas em áreas degradadas.

O Parque é considerado de grande importância tanto para a cidade, como para a biodiversidade protegida dentro de seus limites, com diversas espécies de vida animal e vegetal, algumas inclusive ameaçadas. Do ponto de vista climático, serve para reduzir a temperatura, além de formar uma bacia que previne enchentes em quadras chuvosas mais intensas.

Estão sendo realizadas também ações para recuperar o rio, da nascente até a foz, por meio de parcerias entre governo do Estado, prefeituras e sociedade civil, no chamado Pacto pelo Cocó. A navegabilidade do Cocó já foi restabelecida em vários trechos, inclusive com a restauração do passeio de barco entre as avenidas Sebastião de Abreu e Engenheiro Santana Júnior, num processo de limpeza, feito em parceria com a Secretaria de Infraestrutura do Município de Fortaleza (Seinf) que já retirou mais de duas mil toneladas de resíduos sólidos do rio e que foi escolhido como um dos dois melhores projetos ambientais de órgãos públicos do País, no Prêmio Nacional da Biodiversidade, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Continuidade

O debate não para com a regulamentação de hoje. Continua com a implantação do Plano de Manejo e a possibilidade de incorporação de outras áreas, como as dunas nos bairros Cocó, Cidade 2000 e Praia do Futuro. No momento, o governo do Estado justifica falta de recursos para as desapropriações necessárias.

As melhorias já feitas no Parque

1 – A construção do Espaço Cine Cocó, destinado prioritariamente à ações de educação ambiental
2 – Revitalização de equipamentos esportivos (quadra poliesportiva, quadras de vôlei de areia,campos de futebol)
3 – Identificação em pedra cariri (nome científico e popular) das principais espécies da flora do Parque. E inserção de dezenas de placas educativas e informativas no entorno do anfiteatro e trilhas
4 – Construção de um calçadão (1,2km) destinado a práticas esportivas (caminhada e cooper) e construção de rampas de acessibilidade com piso tátil, com ampliação do sistema de iluminação
5 – Revitalização e manutenção constante de trilhas e pontes, além das calçadas das avenidas adjacentes
6 – Retomada dos passeios de barco no Rio Cocó
7 – Criação de áreas de convivência (mesinhas e banquinhos) confeccionadas com árvores tombadas
8 – Aquisição de equipamentos de atividade física em parceria com Unimed e Prefeitura de Fortaleza, merecendo destaque a academia ao ar livre, “Praça amiga da Criança”
9 – Retorno do arvorismo (equipamentos de ecoaventura com 10 estações)
10 – Retomada do Projeto “Viva o Parque”, que ocorre aos domingos com diversas atividades culturais, de lazer e de entretenimento

Fonte principal: Sema

09:22 · 27.05.2017 / atualizado às 09:22 · 27.05.2017 por

 

Hoje, 27 de maio, é comemorado o Dia da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do Brasil, que acaba de ganhar duas novas espécies de pererecas. Uma delas tem apenas dois centímetros com grandes tímpanos para seu gênero, batizada de Phyllodytes megatympanum. A outra, chamada de Dendropsophus nekronastes, possui a forma da cabeça mucronada (pontiaguda), o que é uma característica diferente da dos outros anfíbios do mesmo grupo.

As espécies, até então desconhecidas, foram encontradas na Bahia por cientistas apoiados pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O primeiro indivíduo, encontrado em Ilhéus (BA), foi localizado pelo som emitido entre folhas de bromélias no topo das árvores.

“Suspeitávamos que as bromélias poderiam esconder uma nova espécie, pois escutamos um canto e não conseguimos associá-lo a nenhuma já conhecida”, afirma Mirco Solé, coordenador técnico do projeto Diversidade e Estrutura Genética dos Anfíbios do Corredor Central da Mata Atlântica do Sul da Bahia – desenvolvido pelo Instituto Dríades de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade.

A espécie, que estava a seis metros do chão, tem uma coloração marrom relativamente uniforme, mantendo as características do gênero Phyllodytes, do qual fazem parte espécies como Phyllodytes luteolus, popularmente conhecidas como perereca-das-bromélias. Além do tímpano maior que o normal, a mancha amarela entre as pernas também é uma característica específica.

Solé acredita que a perereca recém-descoberta deva ser classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como ameaçada, mas com ressalvas pela falta de dados, já que habita locais de difícil acesso e foi descrita há pouco tempo – o artigo de descrição da espécie foi publicado em março pela revista Zootaxa.

Já a espécie Dendropsophus nekronastes foi encontrada em um corpo d’água próximo ao cemitério da cidade de Almadina, também localizada na Bahia.

“Por causa da história peculiar, a perereca foi batizada com a nomenclatura “nekronastes”, que remete a algo que vive entre os mortos”, relata o pesquisador Iuri Ribeiro Dias, que também fez parte do projeto.

Além da forma da cabeça, a perereca encontrada possui cor avermelhada, com faixas mais claras no dorso em forma de moldura e uma faixa central, que a difere das outras do grupo. O artigo que a descreve foi publicado na revista Plos One.

Com essas duas pererecas, chega-se ao número de 150 espécies encontradas por meio de iniciativas apoiadas pela Fundação Grupo Boticário.

Rica biodiversidade

A descoberta de novas espécies em áreas ameaçadas pela destruição de habitats, como é o caso da Mata Atlântica, é uma notícia que alegra ambientalistas e pesquisadores, mas nem por isso diminui a preocupação com a conservação.

“Não podemos ficar abusando e achar que, mesmo desmatando mais de 80% do bioma, ainda teremos diversidade de espécies. Em algum momento vamos atingir um limite no qual nem os anfíbios conseguirão sobreviver nestas áreas”, alerta Solé.

Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a revelação de espécies desconhecidas é um passo necessário para a ciência: “Isso marca o início da possibilidade da implementação de medidas de conservação para um animal até então desconhecido aos olhos da ciência”, analisa.

Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza.

Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.510 projetos em todo o Brasil.

A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

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