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10:30 · 20.02.2017 / atualizado às 19:45 · 19.02.2017 por
O seminário, que será realizado no Teatro Celina Queiroz, na Unifor, terá como um dos principais palestrantes Amyr Klink, navegador e empreendedor de expedições marítimas que irá apresentar “Quatro lições para o uso racional da água”

O II Seminário Economia Verde – “Gestão de Água: o desafio do consumo consciente” ocorrerá nesta terça-feira (21), a partir das 8h, no Teatro Celina Queiroz, na Universidade de Fortaleza (Unifor).

O evento, realizado pelo Diário do Nordeste, por meio da marca IDN – Inovação e Desenvolvimento de Negócios, terá como um dos principais palestrantes Amyr Klink, navegador e empreendedor de expedições marítimas, que irá apresentar “Quatro lições para o uso racional da água“.

Outro convidado é o presidente da Itaueira Agropecuária e representante da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) no Conselho Temático de Integração Nacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Prado, que fará uma análise do cenário local, abordando a crise hídrica e seus reflexos no desenvolvimento econômico do Ceará.

O tema será tratado juntamente com a doutoranda em Direito Ambiental Internacional pela Universidade Rovira I Virgili (Espanha) e mestre em Administração de Empresas, Bleine Queiroz Caúla.

Também será apresentado pela gerente de Meio Ambiente da Cervejaria Aquiraz, Stephanie Landim, o case da Ambev sobre ações ambientais.

O encontro será  finalizado com o debate “Gestão da água: uma causa de todos“, com a presença dos palestrantes e moderação da jornalista do Diário do Nordeste, Maristela Crispim.

Relevância

Para a gerente de Mercado Anunciante do Diário do Nordeste, Livia Medeiros, este tema é de extrema relevância, tendo em vista a situação atual. “Especialmente pelo momento que a gente vive de crise hídrica no Estado, que repercute para vários setores, é mais que uma missão o Jornal promover o uso racional da água”, destaca.

Lívia já comemora o sucesso do seminário com o término das inscrições antes do tempo esperado. A iniciativa conta com o patrocínio do Governo do Estado do Ceará, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Fiec.

Mais informações:
II Seminário Economia Verde
Data: 21 de fevereiro – 8h
Local: Teatro Celina Queiroz
Site: www.diariodonordeste.com.br/idn

06:00 · 15.02.2017 / atualizado às 19:11 · 14.02.2017 por

A Geoanalysis, empresa cearense de Assessoria e Consultoria Ambiental associada ao Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos Domésticos e Industriais no Estado do Ceará (Sindiverde), desenvolveu uma ferramenta online, em formato de checklist, gratuita, para que os empresários conheçam, em poucos cliques, a situação ambiental em que o  negócio se encontra.

Essa ferramenta serve à difusão do conhecimento das principais exigências ambientais (federais, estaduais e municipais) – as quais muitas vezes não são conhecidas pelo empresariado – trazendo como resultado uma pontuação que indica o grau de vulnerabilidade do negócio em relação aos aspectos ambientais.

De posse do resultado, os empresários poderão solicitar um diagnóstico completo para aprofundar o conhecimento quanto aos pontos críticos e suas respectivas soluções, de modo a tornar sua empresa um negócio sustentável.

São muitas as adequações ambientais a cumprir (licenças, planos, normas) para estar de acordo com as leis, o que, muitas vezes, torna-se complicado e oneroso. É possível, no entanto, contratar uma assessoria especializada e garantir que o negócio seja regularizado e fique em vantagem competitiva com a bandeira da sustentabilidade, já que a responsabilidade ambiental deixou de ser opcional há algumas décadas e hoje é um fator crítico, tanto para a imagem, quanto para a saúde financeira de todas as empresas.

Dentro desse ambiente de sustentabilidade e inovação, a Geoanalysis se posiciona como primeira empresa no Nordeste a oferecer gestão ambiental na modalidade de planos continuados de assessoramento, o Plano Empresarial de Gestão Ambiental Continuada (Pegacon).

Clique aqui para acessar o checklist ambiental

 

Mais informações:

www.geoanalysis-ce.com.br

21:00 · 10.02.2017 / atualizado às 21:01 · 10.02.2017 por
O periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus), o mais ameaçado de extinção das Américas, teve projeto de conservação, no Maciço de Baturité, aprovado em uma das edições anteriores Foto: Fábio Nunes / Aquasis

O Programa de Apoio a Ações de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que já apoiou 1.493 iniciativas, visa potencializar a geração de conhecimento com pesquisas e estudos sobre a biodiversidade brasileira, além de estimular ações que promovam mudanças positivas no cenário ambiental do País.

As inscrições para a primeira chamada anual de 2017 do Edital de Apoio a Projetos estão abertas até 31 de março, no site www.fundacaogrupoboticario.org.br, na seção Editais da página inicial. Serão selecionadas iniciativas em todas as regiões brasileiras.

O edital é dividido em três linhas temáticas. Uma delas busca a criação ou ampliação de Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), além de executar ações prioritárias indicadas em seus planos de manejo.

Outra linha prioriza iniciativas para proteger as espécies brasileiras ameaçadas de extinção. Esses projetos devem ter como objetivo colocar em prática as ações previstas nos Planos de Ação Nacional (PANs), buscando melhorar os seus status de conservação. Também são previstas ações emergenciais para aquelas que ainda não possuam PANs ou que enquadrem uma espécie em listas oficiais de ameaças.

O terceiro foco do edital é voltado para iniciativas que visem minimizar as ameaças à biodiversidade dos ecossistemas costeiros e marinhos, que estão longe da meta de proteção da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) – que indica a necessidade de conservar 10% desses ambientes, sendo que o Brasil protege atualmente apenas 1,5% por meio de Unidades de Conservação (UCs).

“A partir de cada projeto selecionado, reforçamos nossa razão de existir: promover e realizar ações de conservação da natureza brasileira. Cada edital representa várias oportunidades de participarmos dos mais diversos estudos e ações práticas de conservação, que são pragmáticos e cumprirão este objetivo”, afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Para concorrer ao apoio é preciso que a iniciativa seja realizada por instituições privadas sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais. Em caso de dúvidas, os interessados podem contatar a equipe de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, pelo endereço edital@fundacaogrupoboticario.org.br.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou mais de 1.493 projetos de 493 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Mais informações:
www.fundacaogrupoboticario.org.br

www.twitter.com/fund_boticario

www.facebook.com/fundacaogrupoboticario

10:30 · 08.02.2017 / atualizado às 21:39 · 07.02.2017 por
Para aderir à iniciativa e trocar lixo por bônus na conta de energia, qualquer cliente pode solicitar o cartão Ecoenel nos postos de coleta do programa Foto: Ecoenel

Há dez anos surgiu o programa de troca de material reciclável por descontos na fatura de energia, com benefícios para a população e para o meio ambiente. Para celebrar a data, teve solenidade, nessa terça-feira, com a palestra da jornalista Marina Klink abordando o tema “Contexto do Programa Ecoenel no panorama mundial da sustentabilidade”.

Em atuação desde janeiro de 2007, o programa já atendeu 610.703 clientes cadastrados, contabilizou 77.530 toneladas de  resíduos e concedeu R$ 5.255.737 em descontos na conta de luz, com uma economia de energia na ordem de 134.129.606 kwh, representando o consumo anual de um município como Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e segunda maior cidade em quantidade de domicílios do Ceará, com 111.775 residências com o consumo médio de 100 kwh/mês.

Latas de bebida, copos, garrafas de plástico e livros velhos: todos esses materiais podem ser reciclados. E não apenas materiais sólidos. O óleo de cozinha, utilizado nas frituras da cozinha, é um resíduo que também pode ser doado e reutilizado. Inclusive, o Ecoenel arrecadou aproximadamente 213.963,15 mil litros de óleo, gerando cerca de R$ 59.262,33 mil em bônus na conta de energia.

Para Odailton Arruda, responsável pelo Ecoenel, o programa é uma referência a ser seguida. “No início, não tínhamos ideia da quantidade de vidas que iríamos impactar. O Ecoenel não é um simples programa de desconto na conta de energia, pois essa
“simples operação” envolve várias instituições, trabalha a destinação adequada e correta dos resíduos recicláveis, ajuda no pagamento da conta de energia de muitas famílias e ainda contribui com as melhores práticas ambientas e sociais em prol da
comunidade”, reforça.

Além dos componentes de resíduos gerarem matérias-primas, a iniciativa também contribui para a redução do problema de destinação do lixo, aumenta o poder de compra da população, valoriza a cidadania e ainda contribui para reduzir o número de
clientes inadimplentes.

Como funciona

Para aderir à iniciativa e trocar lixo por bônus na conta de energia, qualquer cliente pode solicitar o cartão Ecoenel nos postos de coleta do programa. Com o cartão, basta o cliente levar o lixo reciclável ao posto de coleta e registrar os bônus para sua próxima fatura de energia, ou para uma outra unidade consumidora que ele indique.

O cartão corresponde à unidade consumidora para a qual o cliente quer creditar o desconto. Quando o consumidor leva resíduos recicláveis a um posto de coleta, os resíduos são pesados separadamente por tipo, a informação é computada em uma máquina de processamento de dados e, via web, o valor é creditado na conta de energia, de acordo com a categoria do resíduo coletado. A próxima fatura já vem com o desconto. Caso o valor da bonificação seja superior ao total da conta, o excedente é creditado automaticamente na fatura seguinte.

Reconhecimento

Por seus resultados, o Ecoenel já recebeu reconhecimentos nacionais e internacionais. Os mais recentes foram a participação no Knowledge Week promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, nos Estados Unidos. Também ficou entre os três finalistas do Prêmio Nacional de Inovação em 2013 e o Prêmio ODM Brasil, que incentiva ações, programas e projetos que contribuem efetivamente para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Entre outros, pode-se citar que foi eleito, pela Revista Exame, em conjunto com o Monitor Group, uma das 25 melhores inovações brasileiras da última década e foi um dos dez ganhadores do World Business and Development Awards (WBDA), premiação da Organização das Nações Unidas (ONU), como um dos projetos mais importantes quanto ao seu alinhamento com os princípios do Pacto Global, estando entre os 20 mais relevantes no mundo.

Além disso, foi eleito, em 2015, como um dos mais importantes projetos da América Latina alinhado aos princípios do Pacto Global (United Nations – Global Compact) e reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente como Prática de Referência Ambiental.

Ecopontos

O primeiro ponto de coleta fixo foi implantado em um posto de gasolina  na Avenida Washington Soares, em Fortaleza, dentro dos padrões estabelecidos no projeto original. O local disponibilizava troca de resíduo reciclável por bônus na conta
de energia elétrica dos clientes cadastrados, além de coletar, organizar e destinar à indústria de reciclagem os materiais recebidos.

A partir do lançamento desse primeiro ponto, a distribuidora percebeu a necessidade de ampliação do projeto. A população reconheceu o potencial do programa e a Companhia trabalhou com base na expansão da iniciativa.

Visando o atendimento de comunidades carentes, criou-se em 2012 uma rede de pontos móveis em parceria com várias associações comunitárias. Por meio de um trabalho de mobilização, as pessoas levam seus resíduos uma vez por mês, dentro de um dia específico, e realizam a troca nos caminhões itinerantes do Ecoenel. Estes circulam diariamente em diferentes comunidades do Ceará realizando a coleta com base em um calendário elaborado especificamente para atender as necessidades dos clientes.

Seguindo o mesmo modelo, a arrecadação itinerante Ecoenel promove a coleta seletiva nos condomínios de Niterói, no Rio de Janeiro, por meio do “Econdomínios”. Sendo a coleta seletiva predial um grande desafio à limpeza pública urbana, esse tipo de ação se consolida tanto na destinação adequada dos resíduos quanto na geração de novos valores em nossa sociedade.

Abrangência

O Ecoenel conta atualmente com 198 postos de coleta no Ceará e Rio de Janeiro, espalhados pela Capital e Interior.

Iniciativas derivadas do programa

Doação

Ao longo dos últimos dez anos, o Ecoenel tem gerado outras ações. Uma dessas iniciativas é a Doação de Bônus. Dentro da lógica da bonificação na conta de energia elétrica, os clientes podem doar seus bônus a pessoas físicas, famílias ou a
instituições parceiras dos projetos.

Como o cliente é quem escolhe o número da unidade consumidora cadastrada no cartão, ele pode levar os resíduos e creditá-los na conta que desejar. Tanto no Ceará quanto no Rio de Janeiro, instituições, como a Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais (Apae), o Instituto da Primeira Infância (Iprede), em Fortaleza; Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes de Audição (Apada), em Niterói e tantas outras podem ser beneficiadas com a doação dos bônus dos clientes que participam do Ecoenel.

Banco de Leite

Por meio da iniciativa do Banco de Leite, o Ecoenel realiza a arrecadação de recipientes de vidro em seus pontos de coleta para os Bancos de Leite do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), em Fortaleza, e para o Hospital Universitário Antônio Pedro em Niterói, no Rio de Janeiro.

Odailton Arruda destaca que a arrecadação de potes de vidro se deve a uma solicitação dos próprios bancos de leite dos hospitais que se encontram extremamente necessitados desse tipo de material para armazenamento do leite doado por mães voluntárias. Segundo a coordenadora geral do Banco de Leite no Ceará, Erandy Cordeiro, podem ser doados vidros de café e maionese de 50g a 100g. Ela explica que esses formatos são os ideais para a coleta e pasteurização do leite humano.

Resíduos que podem ser reciclados

· Papel e papelão
· Garrafas de plástico de refrigerante (PET)
· Latas e cerveja e refrigerante
· Embalagens tipo longa vida
· Embalagens de vidro (garrafas de cerveja, refrigerantes, copos, vidro de nescafé, aguardente etc.)
· Ferros em geral, arames e pregos
· Plásticos (embalagens de detergente, água sanitária, margarina, copos etc)
· Óleo de cozinha

Fonte: Enel Distribuição

10:30 · 06.02.2017 / atualizado às 12:05 · 10.02.2017 por

 

 

Evolução da seca no Semiárido entre 2011 e 2016

Por
Catarina Buriti, jornalista
Humberto Barbosa, meteorologista

Em 1930, Rachel de Queiroz estreava na literatura brasileira com o romance “O Quinze”. Uma contundente crítica social, a obra abordava a severa seca ocorrida no Nordeste do Brasil, mais precisamente no município de Quixadá (CE), em 1915. Apresentava as consequências devastadoras do silencioso desastre sobre pequenos produtores rurais, como migração, fome, sede, morte, falta de trabalho, entre outras. O romance também relatou o drama de personagens nos tenebrosos campos de concentração, espaços construídos pelo governo nos arredores das grandes cidades, incluindo da capital Fortaleza, para alojar “retirantes” ou “flagelados” que fugiam da seca e impedir que perturbassem os espaços urbanos.

A seca de 1915 ocorreu pouco depois da criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), em 1909, quando a seca passou a ser tratada como uma questão de Estado. Com a IOCS, buscou-se conhecer cientificamente a região, investiu-se na “política hidráulica”, baseada na construção de grandes reservatórios para armazenamento de água. Embora um passo importante para consolidar uma infraestrutura hídrica ainda inexistente na região, a construção dessas represas não beneficiou a população pobre que mais necessitava acessar políticas públicas para atravessar a seca. Grupos de poder econômico do Nordeste, como grandes latifundiários e fazendeiros influentes no cenário político regional, durante décadas, foram os maiores beneficiários dessas políticas.

Concentravam-se terra, água e poder na região, enquanto a maioria das pessoas continuava necessitando de socorros públicos para resistir aos impactos da seca. Nos momentos de crise, a ênfase do governo brasileiro recaía sobre políticas emergenciais, tardias, centralizadas, não planejadas e insuficientes. Desde 1915, o semiárido brasileiro enfrentou diversos eventos climáticos considerados de impacto severo ou extremo (1919, 1932, 1942, 1980, 1983, 1990, 1993, 1998, 2012 e 2016). Há muito a ocorrência do fenômeno é previsível pela ciência. Porém, em pleno alvorecer do século XXI, a população do Semiárido, especialmente agricultores familiares que dependiam das chuvas para manter seus sistemas de subsistência, ainda dependiam de ajuda pública para enfrentar a seca.

A paisagem de morte e de desolação representada no romance de Rachel de Queiroz, todavia, já não caracteriza a sociedade do Semiárido nos períodos secos. Nos tempos de “O Quinze”, pela falta de preparo mínimo para enfrentar a seca, perdia-se a dignidade humana e, em muitos casos, a vida de homens, mulheres, crianças e animais, grassados pela fome, a sede e as epidemias decorrentes da seca.

Mas o que mudou nas políticas públicas para o semiárido brasileiro? Nas últimas décadas, políticas sociais de distribuição de renda, embora insuficientes para provocar mudanças estruturais na região, têm contribuído para mitigar os impactos da seca. Além disso, políticas governamentais, fundamentadas na implantação de tecnologias sociais para abastecimento de água, têm provocado impactos positivos na agricultura familiar, contribuindo para a segurança hídrica e alimentar da população.

Hoje, agricultores familiares do Semiárido têm sido mais resilientes para conviver com a seca. A participação da sociedade civil na gestão de políticas públicas, com destaque para o papel da rede de organizações Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), tem contribuído para oferecer capacitação aos agricultores familiares, assegurando maior autonomia para enfrentar os períodos de seca. Políticas públicas do Estado brasileiro, com apoio dessas organizações civis, a exemplo do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), têm propiciado impactos positivos à agricultura familiar. Infelizmente, os animais ainda têm sido as maiores vítimas da escassez de água e alimentos durante esses eventos.

Em um século de secas, houve a consolidação de importantes pesquisas científicas sobre a região, que podem subsidiar a tomada de decisão sobre políticas públicas de gestão das secas. Além disso, os sistemas de alerta precoce sobre secas são cada dia mais precisos. Tecnologias de sensoriamento remoto, por exemplo, têm permitido o estudo em larga escala dos impactos das secas sobre a vegetação, os solos e a agricultura familiar.

Esses mecanismos tecnológicos têm permitido, por exemplo, a avaliação dos atuais impactos de seis anos de seca na região. Um século depois de “O Quinze”, vive-se a pior seca já registrada pela ciência no Semiárido brasileiro (2010-2016). Todavia, os governos parecem não ter atentado para a severidade do atual problema. Nesse período, não se assistiu a nenhum tipo de mobilização política sistemática e inovadora para mitigar os impactos desse evento climático. Dispomos de uma legislação bastante avançada para a gestão das águas, a exemplo da Lei das Águas que acaba de completar 20 anos. No entanto, limitações institucionais, infraestruturais, técnicas, financeiras, de pessoal, ainda fazem com que as agências governamentais atuem apenas no plano emergencial e na resolução de impactos imediatos.

Organismos federais, como o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e a Agência Nacional de Águas (ANA), têm o potencial de contribuir, respectivamente, com pesquisas científicas alternativas para o suprimento de água no Semiárido e para fortalecer os sistemas de gerenciamento. Universidades têm exercido um papel importante na formação de recursos humanos na região. No entanto, necessitam-se de incentivos estatais para a sistematização de dados, informações, mecanismos e ferramentas que auxiliem na gestão das secas, capazes de atender, de forma ampla e abrangente, as demandas por políticas públicas efetivas na região. A falta de planejamento na gestão das águas tem sido a principal causa que impede o desenvolvimento do Semiárido.

Atualmente, o desastre da seca ainda coloca grande parte dos municípios do Semiárido brasileiro em situação de emergência, em decorrência da falência na manutenção das atividades agropastoris em pequena escala, base da economia regional. Necessita-se de vontade política para diminuir a vulnerabilidade da população do Semiárido frente a esses eventos climáticos extremos. Isso requer o planejamento integrado de ações que fortaleçam a agricultura familiar, tornem tecnologias e conhecimentos técnicos acessíveis para que os produtores rurais possam se preparar para os períodos de seca. Também é imprescindível que disponham de recursos produtivos, como água, terra e crédito para garantirem a continuidade da produção. Essas estratégias são fundamentais para promover a adaptação dos agricultores familiares à seca e às mudanças climáticas previstas para futuro breve.

Sugestão de leitura:
PAREDES, F. J.; BARBOSA, H. A.; GUEVARA, E. Spatial and temporal analysis of droughts in northeastern Brazil. Agriscientia, v. 32, n. 1. 2015. p. 1-14.

14:30 · 23.01.2017 / atualizado às 21:32 · 22.01.2017 por
Com a redução na conta na energia, o retorno de investimento total, orçado em R$ 6 milhões, será totalmente recuperado ao fim de cinco anos Foto: André Costa / Agência Diário
Com a redução na conta na energia, o retorno de investimento total, orçado em R$ 6 milhões, será totalmente recuperado ao fim de cinco anos Foto: André Costa / Agência Diário

Por André Costa

Juazeiro do Norte. Em novembro de 2015, o Centro Universitário Unileão deu início ao projeto de implantação de energia solar em um de seus três campus neste Município, cujo investimento inicial foi de R$ 1,5 milhões, para instalação de 816 painéis solares oriundos do Canadá, com capacidade para produzir 220 KW de energia limpa e renovável. A implantação da primeira parte do projeto ficou pronta no início do ano passado.

Após exatos doze meses, os resultados já estão sendo colhidos. A energia solar, além de ser uma boa opção na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente, reduz drasticamente a conta de energia.

Em um ano, a Faculdade, que conta com mais de 10 mil estudantes nos três campi do Cariri, e outro em Icó, na região Centro-Sul, já economizou 2.052.89 Kwh. Essa redução representa um economia de R$ 20 mil.

Segundo o diretor-presidente da Faculdade Leão Sampaio (FLS), Jaime Romero, a quantidade de energia produzida pelos primeiros painéis instalado é suficiente para abastecer toda a demanda de energia elétrica normalmente utilizada no campus Lagoa Seca.

Com a continuidade das outras etapas, a UniLeão será a Instituição de Ensino Superior (IES) com o maior investimento em produção de energia solar do País, segundo a empresa cearense Satrix responsável pela instalação das placas na Faculdade e que responde por mais de ¼ dos projetos de energia renováveis no Brasil.

Além de abastecer toda a energia elétrica do campus, a carga gerada pelas placas em momentos de inatividade, como feriados, fins de semana e férias, será revertida em crédito pela Enel Distribuição Ceará. “Estaremos ajudando o meio ambiente, pois outras instituições poderão adquirir a nossa energia limpa”, pontua.

Ao fim da última etapa do projeto, prevista para este ano, os campi Lagoa Seca e Icó, terão, juntos, três mil placas instaladas, capazes de produzir até 850 KW de energia, o que equivale a uma economia prevista de R$ 100 mil por mês.

Com a redução na conta na energia, Jaime acredita que o retorno de investimento total orçado em R$ 6 milhões será totalmente recuperado ao fim de cinco anos.

Autossuficiência

Em cinco anos, além de recuperar todo o investimento, a unidade de ensino passará a produzir tudo aquilo que é consumido, isto é, “será autossuficiente”, conforme afirma o diretor-presidente.

“A economia no consumo de energia e, consequentemente, a redução da conta de luz, que hoje é a segunda maior despesa do grupo, ficando atrás apenas da folha salarial, pagará o montante gasto na implantação em breve”, acrescenta Jaime.

Conforme cálculos da Enel Distribuição Ceará, com a economia de energia gerada somente na primeira etapa, 13 toneladas de resíduos, por mês, deixarão de poluir a água, a terra e o ar.

“Esse dado mostra a importância do projeto”, destaca Romero. O investimento em energias limpas impacta diretamente no meio ambiente. Até 12 de janeiro, a redução no consumo da UniLeão equivale a 177,45 árvores que foram salvas, afirma estudo realizado pela Faculdade.

Jaime Romero ressalta que a instituição de ensino, para além da economia financeira, possui uma preocupação com as questões ambientais. “Penso que a Faculdade não deve somente ensinar as teorias, mas, sobretudo, dar o exemplo, se preocupar com as questões sociais e buscar soluções para eles”.

Além das placas de geração de energia solar, a UniLeão investe no tratamento de água e esgoto, com uma estação própria, instalada em 2009 a um custo de R$ 500 mil. O projeto realiza o reúso da água em 100%. Por dia, segundo a direção da Faculdade, são 50 mil litros tratados.

Mais informações:
Faculdade Leão Sampaio (FLS)
Endereço: Avenida Maria Letícia Leite Pereira, S/N – Bairro Lagoa Seca – Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 2101-1046

19:02 · 16.01.2017 / atualizado às 19:12 · 16.01.2017 por
Micro e Minigeração Distribuída de energia elétrica tem um grande potencial a ser explorado na região Foto: Alex Pimentel / Agência Diário
A micro e minigeração distribuída de energia elétrica tem um grande potencial a ser explorado na região Foto: Alex Pimentel / Agência Diário

O governador Camilo Santana sancionou, na sexta-feira (13), Lei que cria o Fundo de Incentivo à Eficiência Energética e Geração Distribuída (FIEE)

O objetivo é incentivar o desenvolvimento e financiamento de projetos de eficiência energética e de micro e minigeração de energia elétrica como estímulo à energia com base nas fontes renováveis, bem como no apoio à modernização das instalações elétricas dos órgãos e entidades da administração pública.

A partir de agora, o governador fica autorizado a abrir crédito adicional especial na importância de R$ 10 mi para destinar ao Fundo de Incentivo à Eficiência energética. Um conselho gestor foi criado com o intuito de analisar e escolher os projetos que receberão recursos e definir as diretrizes de aplicação de tais recursos.

O Conselho irá encaminhar relatório semestral à Assembleia Legislativa sobre todos os programas desenvolvidos pelo FIEE, que será gerido financeiramente pela Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra).

Receitas do FIEE:

  • Dotações orçamentárias consignadas no orçamento fiscal do Estado
  • Recursos de encargos específicos cobrados das empresas beneficiárias do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI)
  • Recursos obtidos da economia promovida pelas ações técnicas de eficiência energética e/ou implantação da micro e minigeração distribuída de energia elétrica, no percentual de 20% do valor economizado da conta de energia elétrica
  • Recursos decorrentes de acordos, ajustes, contratos e convênios celebrados com órgãos e entidades da administração pública federal ou municipal
  • Convênios, contratos e doações realizadas por entidades públicas ou privadas, pessoas físicas ou jurídicas do País ou do exterior

Seleção dos projetos

A Enel Distribuição Ceará abriu chamada pública para inscrição de projetos de eficiência energética no Ceará. Clientes e empresas de todo o Estado podem submeter projetos até o dia 31 de março pelo site http://enel-ce.chamadapublica.com.br/.

Nesta terça-feira (17), a distribuidora realizará um workshop, na sede da companhia, em Fortaleza, para tirar dúvidas sobre os processos de inscrição e seleção de projetos.

Os projetos selecionados serão desenvolvidos pela empresa ao longo do ano de 2017 e devem ter foco em ações que envolvam consumo consciente de energia, eficiência nas instalações elétricas e atividades educacionais.

O processo de seleção é conduzido por uma consultoria externa (Nepen), sob supervisão e orientação da Enel Distribuição Ceará. Todo o cronograma do processo está disponível no edital da Chamada. Os interessados podem tirar dúvidas pelo e-mail chamadapublica.enel@nepen.org.br.

O Programa de Eficiência Energética da Enel Distribuição Ceará existe desde 1998 e já investiu aproximadamente R$ 160 mi em 141 projetos com foco no consumo consciente de energia, melhoria das instalações elétricas e ações educacionais.

Ele é regido pela legislação federal, em especial a Lei N° 9.991, de 24 de julho de 2000 e da regulamentação emanada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).