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Categoria: Agrotóxicos


19:39 · 05.01.2013 / atualizado às 19:39 · 05.01.2013 por

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicaram nesta sexta-feira (4 de janeiro) uma norma que restringe o uso de defensivos agrícolas com quatro tipos de ingredientes ativos.

O uso de agrotóxicos com imidacloprido, clotianidina, tiametoxan e fipronil está vetado durante o período da floração das culturas, independentemente da tecnologia utilizada. A única exceção é a safra 2012/13 de algodão.

Essas substâncias são inseticidas e a decisão levou em consideração o efeito que provocam sobre as abelhas. Os insetos têm uma função importante na agricultura, pois espalham o pólen pelo campo, o que é essencial para a reprodução das plantas.

Para as demais épocas, a nova norma impõe uma série de especificações técnicas que os agricultores terão de seguir para usar os defensivos. Os produtores só poderão aplicá-los por via terrestre, exceto nas plantações de algodão, soja, cana-de-açúcar, arroz e trigo, quando a forma terrestre for inviável. A regulamentação entrou em vigor já nesta sexta.

Fonte: Globo Natureza – São Paulo

08:20 · 06.10.2012 / atualizado às 08:20 · 06.10.2012 por

Brasília. Os estudos que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem realizando sobre o impacto dos agrotóxicos em polinizadores visando a reavaliação de alguns produtos que se encontram registrados no mercado brasileiro, resultaram em uma primeira publicação que reúne informações relevantes sobre o tema.

Ela consiste em um levantamento bibliográfico que destaca a importância do serviço ambiental de polinização, os principais agentes polinizadores nas diversas regiões do País e os efeitos dos agrotóxicos na sobrevivência e manutenção de colônias de abelhas silvestres, abordando os efeitos letais e subletais de agrotóxicos sobre as abelhas silvestres do Brasil.

O trabalho foi desenvolvido pela pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maria Cecília de Lima e Sá de Alencar Rocha, com acompanhamento e supervisão da equipe técnica da Coordenação de Controle Ambiental de Substâncias e Produtos Perigosos (CCONP) da diretoria de Qualidade Ambiental do Ibama, com apoio do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD).

Entre outros aspectos, a pesquisa identifica a perda da diversidade de polinizadores devido aos principais agentes estressores dos ecossistemas presentes no mundo atual, os principais efeitos subletais em abelhas relacionados à exposição aos agrotóxicos, como:

  • Desvios comportamentais que podem comprometer a divisão de trabalho
  • Desorientação das abelhas, dificultando a localização do alimento e o retorno à colônia
  • Interferência no aprendizado olfatório e percepção gustativa etc.Além desses efeitos, há ainda aqueles relacionados à reprodução e manutenção das atividades dentro da colônia, como: efeitos reprodutivos nas rainhas e efeitos subletais em larvas o que pode comprometer a sobrevivência das abelhas em longo prazo.

No conclusão do trabalho é proposta uma metodologia para o acompanhamento dos efeitos tóxicos de ingredientes ativos associados a efeitos adversos sobre abelhas, por meio de um estudo de caso em que são sugeridas espécies e culturas a serem pesquisadas.

O papel fundamental dos polinizadores nas culturas agrícolas e na biodiversidade da flora em geral tem direcionado as pesquisas para esse campo do conhecimento. O recente fenômeno de colapso das colmeias no hemisfério norte e as consequentes perdas do serviço de polinização, tornam ainda mais importante e necessária esta área da pesquisa, que atualmente encontra-se em franco desenvolvimento.

Neste sentido, o Brasil, pela sua diversidade biológica, ocupa um papel chave no que se refere à pesquisa entorno da importância e sobrevivência de polinizadores silvestres, uma vez que a maioria das pesquisas internacionais são realizadas com a espécie europeia Apis mellifera.

Apesar de, no Brasil, existir o híbrido africanizado, mais estudado quando em comparação às nossas espécies nativas, o conhecimento mais aprofundado sobre as relações ecológicas, fisiologia e ecotoxicologia de abelhas nativas ainda é incipiente, por isso, destaca-se a importância do estudo agora publicado.

Confira o PDF da publicação “Efeitos dos agrotóxicos sobre as abelhas silvestres no Brasil”

Fonte: Ibama

10:02 · 26.07.2012 / atualizado às 10:02 · 26.07.2012 por

 

No mundo inteiro o desparecimento das abelhas é uma preocupação Foto: sxc.hu

Brasília. Mesmo na ausência de levantamentos oficiais, alguns registros sobre a redução do número de abelhas em várias partes do País, em decorrência do uso de quatro tipos de agrotóxico, levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.

Além de reduzir as formas de aplicação desses produtos, que não podem ser mais disseminados via aérea, o órgão ambiental iniciou o processo de reavaliação das substâncias imidacloprido, tiametoxam, clotianidina e fipronil. Esses ingredientes ativos foram apontados em estudos e pesquisas realizadas nos últimos dois anos pelo Ibama como nocivos às abelhas.

Segundo o engenheiro Márcio Rodrigues de Freitas, coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, a decisão não foi baseada apenas na preocupação com a prática apícola, mas, principalmente, com os impactos sobre a produção agrícola e o meio ambiente.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2004, mostrou que as abelhas são responsáveis por pelo menos 73% da polinização das culturas e plantas. “Algumas culturas, como a do café, poderiam ter perdas de até 60% na ausência de agentes polinizadores”, explicou o engenheiro.

A primeira substância a passar pelo processo de reavaliação será o imidacloprido, que responde por cerca de 60% do total comercializado dos quatro ingredientes sob monitoramento. A medida afeta, neste primeiro momento, quase 60 empresas que usam a substância em suas fórmulas. Dados divulgados pelo Ibama revelam que, em 2010, praticamente 2 mil toneladas do ingrediente foram comercializadas no País.

A reavaliação é consequência das pesquisas que mostraram a relação entre o uso desses agrotóxicos e a mortandade das abelhas. De acordo com Freitas, nos casos de mortandade identificados, o agente causal era uma das substâncias que estão sendo reavaliadas. Além disso, em 80% das ocorrências, havia sido feita a aplicação aérea.

O engenheiro explicou que a reavaliação deve durar, pelo menos, 120 dias, e vai apontar o nível de nocividade e onde está o problema. “É o processo de reavaliação que vai dizer quais medidas precisaremos adotar para reduzir riscos. Podemos chegar à conclusão de que precisa banir o produto totalmente, para algumas culturas ou apenas as formas de aplicação ou a época em que é aplicado e até a dose usada”, acrescentou.

Mesmo com as restrições de uso, já em vigor, tais como a proibição da aplicação aérea e o uso das substâncias durante a florada, os produtos continuam no mercado. Juntos, os agrotóxicos sob a mira do Ibama respondem por cerca de 10% do mercado de inseticidas no país. Mas existem culturas e pragas que dependem exclusivamente dessas fórmulas, como o caso do trigo, que não tem substituto para a aplicação aérea.

Ontem, 25 de julho, o órgão ambiental já sentiu as primeiras pressões por parte de fabricantes e produtores que alertaram os técnicos sobre os impactos econômicos que a medida pode causar, tanto do ponto de vista da produção quanto de contratos já firmados com empresas que fazem a aplicação aérea.

Freitas disse que as reações da indústria são naturais e, em tom tranquilizador, explicou que o trabalho de reavaliação é feito em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Agricultura – órgãos que também são responsáveis pela autorização e registro de agrotóxicos no país. “Por isso vamos levar em consideração todas as variáveis que dizem respeito à saúde pública e ao impacto econômico sobre o agronegócio, sobre substitutos e ver se há resistência de pragas a esses substitutos e seus custos”, explicou o engenheiro.

No Brasil, a relação entre o uso dessas substâncias nas lavouras e o desaparecimento de abelhas começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O diagnóstico foi feito em outros continentes, mas, até hoje, nenhum país proibiu totalmente o uso dos produtos, mesmo com alguns mantendo restrições rígidas.

Na Europa, de forma geral, não é permitida a aplicação aérea desses produtos. Na Alemanha, esse tipo de aplicação só pode ser feito com autorização especial. Nos Estados Unidos a aplicação é permitida, mas com restrição na época de floração. Os norte-americanos também estão reavaliando os agrotóxicos compostos por uma das quatro substâncias.

Fonte: Agência Brasil / Reportagem: Carolina Gonçalves / Edição: Lana Cristina

14:12 · 05.09.2011 / atualizado às 14:12 · 05.09.2011 por

 

“O veneno está na mesa”, documentário do cineasta Sílvio Tendler que traz à tona a discussão sobre o modelo de produção de alimentos no Brasil, será lançado em Fortaleza, amanhã, 6 de setembro. O filme mostra os danos gerados pelo uso de agrotóxicos à saúde da população e ao meio ambiente.

Alertando para o fato de que o Brasil é o maior consumir de agrotóxicos no mundo, discute como o modelo de desenvolvimento que tem sido adotado no País beneficia grandes empresas transnacionais, em detrimento da agricultura familiar.

Após a exibição, haverá um debate com a participação de Tendler; da integrante da Via Campesina, Lourdes Vicente; e da professora do Departamento de Saúde Comunitária da UFC e coordenadora do Núcleo Tramas (Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade), Raquel Rigotto.

Lourdes apresentará a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que objetiva ampliar o debate sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, articulando ações que fortaleçam a agricultura camponesa e a produção de alimentos saudáveis. Pretende-se que, a partir desta terça, a campanha ganhe força também no Ceará.

Raquel Rigotto abordará a problemática dos agrotóxicos no Ceará, especialmente na Chapada do Apodi, onde grandes empresas de fruticultura usam intensamente esses químicos, inclusive através da pulverização aérea, contaminando o meio ambiente e até a água usada para consumo humano.

Tratando da realidade local, em seguida será apresentado o curta “Sucata de Plástico”, da produtora Nigéria Filmes, que retrata a prática diária dos trabalhadores de uma usina de reciclagem em Quixeré, interior do Ceará, que manejam material contaminado por agrotóxicos.

 Serviço

Lançamento do documentário “O veneno está na mesa”, de Sílvio Tendler, e do curta “Sucata de Plástico”, da produtora Nigéria Filmes

Data: 06 de setembro, 19horas

Local: Auditório Rachel de Queiroz (Avenida da Universidade, 2762, Benfica)

 Sinopses

O veneno está na mesa”

O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública. O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas.

Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. Por isso, a ideia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente.

O filme mostra, ainda, uma pesquisa realizada com 62 mulheres no Mato Grosso, todas com agrotóxico no leite. Apresenta alternativas ao atual modelo de produção, como a história de um pequeno agricultor e a experiência da Argentina, onde a presidenta, Cristina Kirchner, abriu investigação oficial sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde.

A película também traz dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que mostram que, em 2009, 30% de cerca de 3 mil produtos analisados traziam níveis acima dos toleráveis de agrotóxicos.

Sucata de Plástico”

O veneno invisível dos agrotóxicos se revela de forma subjetivo na prática diária da pequena usina de reciclagem de Quixeré, no Interior do Ceará.

Ficha Técnica: Argumento e Direção: Nigéria Filmes | Direção de Produção: Roger Pires | Entrevista: Iara Moura | Produção: Domitila Andrade, Thiago Rodrigues | Finalização: Yargo Gurjão | Som direto: Bruno Xavier e Yargo Gurjão | Direção de Fotografia: Bruno Xavier