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Categoria: Biodiversidade


10:30 · 20.11.2017 / atualizado às 11:08 · 20.11.2017 por

As belezas enfatizadas atualmente pela novela “O Outro Lado do Paraíso” podem ser vistas de forma sistematizada, por mais de 300 fotografias inéditas,  no recém-lançado livro sobre o Parque Estadual do Jalapão, no Estado do Tocantins, feitas pelo fotógrafo mineiro Lester Scalon, especializado em natureza. O artista plástico e pesquisador da flora e fauna brasileira Tomas Sigrist é responsável pelos textos que contam a história do local, além das 600 ilustrações da fauna e também do CD, no formato MP3, com uma seleção de cantos de 100 aves da região.

Essa obra possibilita a fotógrafos, amantes da natureza, estudantes, educadores, profissionais do setor, pesquisadores e o público em geral o acesso a uma série de informações inéditas, além de extensa galeria de fotos, que retratam não apenas o encanto do Jalapão, com suas paisagens estonteantes, mas também registros culturais e humanos da região, como a comunidade quilombola ali presente.

O trabalho realizado no Jalapão faz parte da série de registros das Unidades de Conservação do Brasil que Scalon tem realizado ao logo dos últimos dez anos. “Em geral, as pessoas não conhecem esses locais, onde existem belezas naturais tão ricas no Brasil. O Jalapão, assim como a Serra da Canastra, o Pantanal e a Chapada dos Veadeiros, oferece um fascínio muito grande devido às suas peculiaridades. Nosso principal objetivo é despertar a curiosidade das pessoas em conhecer estes locais, e, ainda, mostrar um pouco da sua cultura”, afirma.

O fotógrafo explica, ainda, que a obra do Jalapão é diferenciada das suas últimas publicações, uma vez que há registros, não só do ambiente e do ecossistema, mas também da comunidade que ali vive. “Mostramos a cultura quilombola e seus artesanatos com capim dourado. Estou muito orgulhoso desta obra, porque, sem dúvida, permite ao leitor apreciar os panoramas por meio das imagens destacadas e interagir com a comunidade presente neste patrimônio natural brasileiro”, destaca Scalon.

O Parque Estadual e o ecossistema

O Parque Estadual do Jalapão, localizado no Tocantins (TO), desempenha um importante papel no cenário brasileiro, no que diz respeito à preservação da biodiversidade. A região está circundada por quatro estados brasileiros e está localizada entre os municípios de Mateiros (TO) e São Félix (BA).

De acordo com Sigrist, o Parque Estadual do Jalapão, inserido numa área de cerca de 160 mil hectares, é dotado de uma incrível variedade de ecossistemas tropicais e desempenha um papel
fundamental na preservação da biodiversidade, contribuindo para o status do Brasil como um dos países biologicamente mais ricos do mundo.

Porém, esta riqueza tem enfrentado problemas graves, como a perda da biodiversidade e a degradação ecológica induzida por desmatamentos, conversão de florestas em plantações, a introdução de espécies exóticas, como certas gramíneas utilizadas na pecuária, que competem com as espécies nativas, bem como a poluição da água a partir de assentamentos humanos nas proximidades do parque.

“Acredito que esta obra pode despertar a curiosidade das autoridades e de pesquisadores em buscar mais informações de como fazer um melhor controle da preservação destas áreas e
encontrar subsídios e planejamentos mais objetivos e certeiros de como realizar a gestão de um parque. O Jalapão é um grande
laboratório, uma vez que a comunidade ali inserida consegue sobreviver da própria cultura. Espero que esta obra contribua com a
sociedade, dando um embasamento técnico sobre a região”, declara Sigrist.

O especialista conta que uma das curiosidades encontradas no Jalapão é o raro pato-mergulhão, uma ave que só sobrevive em ecossistemas ambientalmente equilibrados, em especial aqueles em que há cursos de águas limpas e agitadas. “É uma ave que está em extinção. Há apenas poucos indivíduos na região do Jalapão.
Foi uma grata surpresa a descoberta dessa espécie; realizada por biólogos há alguns anos”, destaca Sigrist.

 

A técnica

Imagens de dunas, cachoeiras, rochas típicas em meio à vegetação do cerrado, a fauna e a flora, todas registradas com o máximo de cuidado por Lester Scalon, que dividiu suas fotos por temas, como: dunas, fervedouros de águas borbulhantes, artesanato local como o capim dourado, comunidade, paisagens, fauna e flora.

“Para as fotos das aves e da fauna em geral, que normalmente estão em movimento, usei intervalos sequenciais de seis, oito, dez, doze
fotos por segundo, para conseguir registrar o voo dos pássaros, por exemplo. Mas, de uma forma geral, o feeling é fundamental para a
realização do trabalho”, afirma.

Scalon conta que desta vez usou uma técnica diferenciada para captar algumas imagens, principalmente aéreas. “Pela primeira vez em meu trabalho, utilizei o suporte de um drone e captei imagens incríveis, uma vez que o Jalapão tem uma vasta área, rica em belezas naturais”, destaca.

Depois das fotos produzidas, houve o tratamento de imagens e a montagem. “Outro diferencial é a quantidade de imagens em página dupla, ampliadas, que conferem uma maior perspectiva do ambiente retratado, possibilitando que o leitor viaje por meio das fotos”, conclui calon.

Na obra constam cerca de 600 ilustrações feitas por Sigrist, que retratam diversas espécies de aves, répteis, anfíbios e mamíferos para que o leitor possa conhecer um pouco mais sobre a fauna local.

Conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet nº 8.313/91) e patrocínio da empresa CBMM, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração.

Lester Scalon

Nascido em 1959, o fotógrafo mineiro Lester Scalon sempre foi um apaixonado pela natureza, vivendo e convivendo com ela uma vida inteira. É artista plástico, ilustrador, desenhista e pescador esportivo profissional. No entanto, ligado em outras atividades da vida cotidiana, que lhe tomavam o tempo, viu-se obrigado, por mais de 30 anos, a abdicar da arte fotográfica.

Em 1992, começou a dar os primeiros cliques. Mas foi quando conheceu o grande amigo e fotógrafo Ruy Varella que veio o grande
incentivo. Com Varella vieram as informações e os ensinamentos técnicos, que lhe proporcionaram uma evolução muito rápida em seu
trabalho fotográfico.

Seus trabalhos focados em imagens de natureza foram capa de mais de 20 milhões de listas telefônicas do Guiatel em Minas Gerais. Em 2007 ganhou o prêmio “Abril de Jornalismo” com imagens de pesca esportiva para o Guia 4 Rodas Pesca.

Jalapão é sua sétima obra sobre Unidades de Conservação, juntamente com Serra da Canastra; Insetos – Magia, Formas e Cores; Iconografia das Aves do Brasil: Mata Atlântica; Grande
Sertão Veredas; Nossas Aves, um Voo no Imaginário Popular; e Taiamã – A Vida às Margens do Pantanal.

Tomas Sigrist

Em 1986, iniciou sua carreira como pintor naturalista, e chegou a um estilo próprio de expressão para representar elementos da fauna e
flora brasileira, trabalho para o qual desenvolve pesquisas em campo, em museus e em bibliotecas no mundo todo.

Ele escreve artigos científicos sobre aves e ilustra livros para outros autores. No começo dos anos 90, auxiliou Edwin O´Neal Willis em
seu livro “Aves do Estado de São Paulo”. O projeto durou sete anos. Em 2004 lançou “Aves do Brasil – Uma visão Artística”, a que se
seguiram “Aves do Brasil Oriental”, “Iconografia das Aves do Brasil”, Insetos: Magia Formas e cores”, “Aves da Amazônia” e o “Guia de Campo – Avifauna Brasileira”.

Mais informações:

Livro: Jalapão
Editora: Avis Brasilis
Fotos: Lester Scalon
Texto, CD e ilustrações: Tomas Sigrist
288 páginas
Capa dura
Português/Inglês
Formato 27×35 panorâmico
Preço sugerido: R$ 98,00
www.Avis Brasilis.com.br

19:24 · 24.04.2017 / atualizado às 19:39 · 24.04.2017 por
O Projeto Periquito Cara-Suja, desenvolvido pela Aquasis, no Maciço de Baturité, é um dos finalistas Foto: Fábio Nunes

Foram selecionadas 17 iniciativas que ajudam a melhorar o estado de conservação das espécies. Votação do júri popular começa
na terça-feira, 2 de maio

A Comissão Julgadora do Prêmio Nacional de Biodiversidade, instituído pela Portaria MMA nº 188, de maio de 2014, selecionou os 17 trabalhos finalistas para a segunda edição do evento, que tem como objetivo reconhecer as atividades e projetos do setor público, privado, organizações sociais e profissionais, que se destacam por buscarem a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira.

Segundo o diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ugo Vercillo, o prêmio também tem como finalidade chamar a atenção da sociedade brasileira para os projetos, programas e iniciativas que têm levado à melhoria do estado da conservação das espécies.

“Existe um baixo conhecimento da sociedade brasileira quanto à diversidade de espécies existentes no Brasil e sua importância para o nosso dia a dia, e, até mesmo, do risco que elas estão correndo. O prêmio nos dá a chance de mostrar tudo isso para sociedade e, mais do que isso, temos a chance de aproximá-la do tema e até estimular novas iniciativas”, destacou o diretor.

Vercillo ressalta que “chamar a atenção da sociedade para biodiversidade é um tema de discussão global, não é uma meta somente do ministério”.

Segundo ele, os países membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) concordam que uma das principais ações para reduzir a perda de biodiversidade é o aumento do conhecimento da sociedade sobre a importância da biodiversidade. “A Meta 1 de Aichi é exatamente aumentar esse conhecimento. E o prêmio vem contribuindo para esse processo”, informou.

A cerimônia de entrega do prêmio ocorrerá em Brasília, no dia 22 de maio, data em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade. Na ocasião, serão divulgados os vencedores de cada categoria: sociedade civil, empresas, academia, órgãos públicos, imprensa e Ministério do Meio Ambiente.

Todos os 17 finalistas receberão um certificado e uma viagem a Brasília para participar da solenidade. Os vencedores receberão o troféu do II Prêmio Nacional de Biodiversidade, feito pelo artista plástico Darlan Rosa, em reconhecimento às ações em prol da biodiversidade.

A exemplo da primeira edição, todas as iniciativas finalistas também concorrerão ao prêmio especial “Júri Popular”. O vencedor será eleito por meio de votação eletrônica, que começa na próxima terça-feira (2/5), no site do Prêmio.

10:00 · 12.12.2016 / atualizado às 20:48 · 11.12.2016 por

Confira galeria fotográfica com sete espécies e descubra onde vivem

País com enorme biodiversidade e reconhecido mundialmente por isso, o Brasil abriga mais de cem mil espécies de animais em seu território. Belas, peculiares ou curiosas, elas são responsáveis diretas pelo equilíbrio e manutenção do meio ambiente.

Infelizmente, vários exemplares da nossa fauna estão ameaçados de extinção. Sejam eles mamíferos, aves, anfíbios ou répteis; marinhos ou terrestres, são animais que vivem sob ameaça em diferentes locais do país. Confira na galeria a seguir alguns exemplos e descubra onde estes seres incríveis (ainda) se encontram.

Brachycephalus tridactylus

O anfíbio foi identificado pela primeira vez na Reserva Natural Salto Morato, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná. A espécie é encontrada somente nos topos de morros da Mata Atlântica, que são regiões úmidas e frias. Com três dedos nas patas traseiras, a espécie chega a 1,5 cm de comprimento. Foto: Fundação Grupo Boticário
O anfíbio foi identificado pela primeira vez na Reserva Natural Salto Morato, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná. A espécie é encontrada somente nos topos de morros da Mata Atlântica, que são regiões úmidas e frias. Com três dedos nas patas traseiras, a espécie chega a 1,5 cm de comprimento Foto: Fundação Grupo Boticário

Bicudinho-do-brejo

O bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris) pesa cerca de 10 gramas e mede em torno de 14 centímetros. Tem um voo limitado, de no máximo 25 metros. Isso, somado à degradação de seu habitat, interfere diretamente na ocorrência da espécie, que hoje vive em áreas não contínuas. É encontrado em Santa Catarina e no Paraná. Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário
O bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris) pesa cerca de 10 gramas e mede em torno de 14 centímetros. Tem um voo limitado, de no máximo 25 metros. Isso, somado à degradação de seu habitat, interfere diretamente na ocorrência da espécie, que hoje vive em áreas não contínuas. É encontrado em Santa Catarina e no Paraná
Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário

Papagaio-de-peito-roxo

Classificada como “espécie em perigo”, o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) habita as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Endêmica da Mata Atlântica, suas principais ameaças são a caça predatória e a degradação do seu habitat. A ave alimenta-se de frutos, sementes e folhas. No Sul do país, o principal alimento é o pinhão, semente da Araucária. Foto: Andrieli Rizzi/Fundação Grupo Boticário
Classificada como “espécie em perigo”, o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) habita as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Endêmica da Mata Atlântica, suas principais ameaças são a caça predatória e a degradação do seu habitat. A ave alimenta-se de frutos, sementes e folhas. No Sul do país, o principal alimento é o pinhão, semente da Araucária Foto: Andrieli Rizzi/Fundação Grupo Boticário

Tamanduá-bandeira

Encontrado em todos os biomas brasileiros, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) se alimenta principalmente de pequenos insetos. A espécie não tem dentes, o que o torna uma exceção entre os mamíferos. A captura dos seus alimentos é com sua língua comprida e também grudenta. Seu risco de extinção está ligado à perda de habitat natural. Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário
Encontrado em todos os biomas brasileiros, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) se alimenta principalmente de pequenos insetos. A espécie não tem dentes, o que o torna uma exceção entre os mamíferos. A captura dos seus alimentos é com sua língua comprida e também grudenta. Seu risco de extinção está ligado à perda de habitat natural Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário

Muriqui-do-norte

Endêmico da Mata Atlântica, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é o maior primata das Américas, podendo chegar até 15kg. A espécie é classificada como “criticamente em perigo”, o que significa que enfrenta risco extremamente elevado de extinção na natureza. Atualmente, são identificados apenas mil indivíduos que vivem todos no Brasil, sendo a maioria localizada em Minas Gerais. Curiosamente, os animais vivem em grupos e tem o hábito de se abraçarem. Foto: Acervo Biodiversitas/Fundação Grupo Boticário
Endêmico da Mata Atlântica, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é o maior primata das Américas, podendo chegar até 15kg. A espécie é classificada como “criticamente em perigo”, o que significa que enfrenta risco extremamente elevado de extinção na natureza. Atualmente, são identificados apenas mil indivíduos que vivem todos no Brasil, sendo a maioria localizada em Minas Gerais. Curiosamente, os animais vivem em grupos e tem o hábito de se abraçarem Foto: Acervo Biodiversitas/Fundação Grupo Boticário

Mico-leão-dourado

A espécie vive cerca de 16 anos e tem hábitos diurnos. Alimenta-se principalmente de frutas, animais invertebrados e pequenos vertebrados. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) habita o Rio de Janeiro e leva esse nome devido sua pelagem dourada, que está disposta na sua cabeça em forma de juba. Habita o Sudeste do Brasil. Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário
A espécie vive cerca de 16 anos e tem hábitos diurnos. Alimenta-se principalmente de frutas, animais invertebrados e pequenos vertebrados. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) habita o Rio de Janeiro e leva esse nome devido à sua pelagem dourada, que está disposta na sua cabeça em forma de juba. Habita o Sudeste do Brasil Foto: Haroldo Palo Jr./Fundação Grupo Boticário

Periquito-cara-suja

O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) tem um papel de grande importância na regeneração natural das florestas pois, ao se alimentar, dissemina sementes em diferentes áreas e que promove o nascimento de novas árvores. Considerado criticamente ameaçado de extinção, o psicitacídeo (grupo de aves das araras, periquitos e papagaios) é o mais ameaçado do país e pode ser encontrado apenas no Ceará. Foto: Fábio Nunes/ Fundação Grupo Boticário
O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) tem um papel de grande importância na regeneração natural das florestas pois, ao se alimentar, dissemina sementes em diferentes áreas, promovendo o nascimento de novas árvores. Considerado criticamente ameaçado de extinção, o psicitacídeo (grupo de aves das araras, periquitos e papagaios) é o mais ameaçado do País e pode ser encontrado apenas no Ceará  Foto: Fábio Nunes/ Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação  é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação,  já apoiou 1.493 projetos de 493 instituições em todo o Brasil.

A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Mais informações:

www.fundacaogrupoboticario.org.br

www.twitter.com/fund_boticario

www.facebook.com/fundacaogrupoboticario

Material disponibilizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

19:18 · 01.11.2016 / atualizado às 21:51 · 01.11.2016 por
As pesquisas exploratórias servem não apenas para quantificar as espécies que vivem na Reserva, mas para investigar seus hábitos e desenvolver estratégias de preservação Foto: Associação Caatinga
As pesquisas exploratórias servem não apenas para quantificar as espécies que vivem na Reserva, mas para investigar seus hábitos e desenvolver estratégias de preservação Foto: Associação Caatinga

Por Honório Barbosa

Crateús.  Três felinos de grande porte foram observados recentemente na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), neste município do Sertão cearense. A Unidade de Conservação (UC) é administrada pela Associação Caatinga.

Os pesquisadores Marina Zanin, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Clotilde Estrada e Francisco Palomares da Estação Biológica de Doñana, na Espanha descobriram em suas pesquisas exploratórias que três onças pardas (Puma concolor), um macho e duas fêmeas, vivem na Reserva.
A pesquisa tem por objetivo conhecer o comportamento das onças pardas. O trabalho de campo começou no segundo semestre de 2015. As visitas tiveram por objetivo coletar fezes dos animais, que foram analisadas em laboratórios na Espanha.

A continuidade do estudo pode mostrar um número ainda maior de felinos. Além da onça parda, jaguatiricas e gatos maracajás e mouriscos também foram identificados no estudo.
Thiago Vieira, gerente da RNSA, comemorou o resultado da pesquisa e ressaltou a importância das descobertas. “As pesquisas exploratórias são interessantes não só para quantificar as espécies que vivem na Reserva, mas também para investigar seus hábitos e desenvolver estratégias de preservação”, afirmou.
Esperava-se descobrir outras espécies para estimular a criação de novas UCs. O pesquisador Francisco Palomares já trabalhou em vários países da América do Sul com as onças pintadas e pardas. Segundo ele, a RNSA concentra uma das maiores quantidades de fezes de onça parda por Km².
Os pesquisadores estiveram no Ceará entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro. O trabalho foi considerado oportuno, com bons resultados. O esforço do grupo é para manter a unidade preservada, longe de caçadores. Infelizmente, muito moradores mantêm o hábito da caça, praticam a atividade como algo comum e regular, contribuindo para eliminar espécies nativas.
A Associação Caatinga é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) voltada à proteção do único bioma originalmente brasileiro, a Caatinga. Foi fundada em outubro de 1998 e mantém a Reserva Natural Serra das Almas, localizada no sertão de Crateús, a 400 Km de Fortaleza.
Tatu-bola
Recentemente, foi realizada uma expedição pioneira ao Cânion do Rio Poty, em Crateús e em localidades do vizinho Estado do Piauí. A iniciativa foi da Associação Caatinga, com apoio da Fundação Grupo o Boticário. O objetivo foi identificar novas áreas de ocorrência do tatu-bola, mapear áreas, aprofundar pesquisas sobre o animal e propor a criação de uma UC Pública e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

22:37 · 17.10.2016 / atualizado às 22:37 · 17.10.2016 por

O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) já esteve com seus dias contados. Com apenas 250 indivíduos na natureza em 2003, o nível de ameaça à espécie era gravíssimo, com risco de desaparecer da Serra de Baturité (CE), um dos três pontos de ocorrência da espécie.

A serra, que fica a cerca de 100Km de Fortaleza, é bastante sensível, pois se trata de uma região de Mata Atlântica, ambiente natural mais ameaçado do País, em pleno sertão cearense. O local é um importante reservatório de água e abastece cerca de dois milhões de pessoas, englobando a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Para garantir a proteção desse periquito, o mais ameaçado das Américas, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza iniciou, em 2007, o apoio à ONG Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).

“São quase dez anos de suporte às iniciativas que visam a conservar a espécie, mas ainda há muito a ser feito pela proteção de todo o ambiente natural em que o periquito vive”, afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Por conta deste trabalho, neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza. Ao todo, mais de 440 filhotes nasceram nas caixas-ninho nos últimos sete anos.

O resultado é bastante significativo, pois, atualmente, estima-se que menos de mil indivíduos vivam na natureza, número muito baixo e preocupante. A espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção, sendo o psicitacídeo (grupo de aves das araras, periquitos e papagaios) mais vulnerável do País.

O periquito-cara-suja possui grande importância na floresta e para os moradores da região, pois é responsável pela disseminação de sementes maiores, que outras espécies não conseguem quebrar.

“Com o desaparecimento dele, essas árvores como o camunzé ou a guabiraba poderiam se prejudicar, empobrecendo a floresta, o que, por consequência, afeta diretamente o bem-estar das comunidades que vivem no entorno da região e dependem da floresta”, explica Alberto Campos, um dos fundadores da Aquasis.

O coordenador do projeto e pesquisador responsável pela pesquisa Fábio Nunes  afirma que a espécie, por ser bastante rara e endêmica (exclusiva) dessa região, chama muito a atenção dos observadores de aves (birdwatchers) que viajam milhares de quilômetros para visualizar o periquito.

Dessa forma, eles aquecem a economia local por meio do turismo ecológico, pois consomem nos restaurantes, lojas e hotéis da cidade. “A observação de aves é o turismo que mais cresce na Serra de Baturité e tem injetado renda significativa na economia local”, conclui.

Neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza Foto: Fábio Nunes / Aquasis
Neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza Foto: Fábio Nunes / Aquasis

Ações prioritárias

Campos destaca que a espécie não tem um Plano de Ação Nacional (PAN) próprio. “Ela consta no PAN das aves da Caatinga, junto com outras 11 espécies. Não tem como definir estratégias de conservação para aves tão diferentes”, explica.

O PAN é uma política pública que tem por objetivo identificar e orientar as ações prioritárias para combater as ameaças que põe em risco as espécies e ambientes naturais brasileiros. Segundo a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário, o País deve elaborar e executar Planos de Ação para todas as espécies oficialmente ameaçadas até 2020.

Além disso, os pesquisadores destacam a necessidade da criação de unidades de conservação de proteção integral – aquelas que permitem apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, proibindo sua extração ou dano – e a urgência da fiscalização no entorno da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual da Serra de Baturité.

Segundo eles, no caso do periquito-cara-suja, as principais ameaças são a falta de árvores de grande porte que seriam utilizadas para fazer os ninhos e o tráfico de animais silvestres. Para resolver essas questões, eles contam, foram criadas duas frentes de trabalho: uma de conscientização da população para a importância da espécie e outra de implantação de caixas-ninho.

Ilha de Mata Atlântica na Caatinga

A Serra de Baturité é uma das pouquíssimas regiões de Mata Atlântica que ainda existem no Ceará. “Considero a região prioritária para conservação devido ao conjunto de espécies de fauna e flora ameaçadas que só ocorrem ali”, explica Alberto Campos. Os pesquisadores pretendem trabalhar a conservação do periquito-cara-suja como símbolo para proteger toda a região da serra.

Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.457 projetos de 488 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Fonte:  Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

10:42 · 08.07.2016 / atualizado às 10:42 · 08.07.2016 por
Interessados têm até 31 de agosto para cadastrar propostas Foto: Haroldo Palo Jr.
Interessados têm até 31 de agosto para cadastrar propostas Foto: Haroldo Palo Jr.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza acaba de abrir as inscrições do tradicional “Programa de Apoio a Ações de Conservação”. Para esta edição, é possível concorrer em três categorias: “Apoio a Projetos”, “Apoio a Programas” e “Biodiversidade do Paraná”. As inscrições ficam abertas até 31 de agosto, neste link.

A iniciativa visa potencializar a geração de conhecimento, por meio de pesquisas e estudos da biodiversidade brasileira, além de estimular ações que promovam mudanças positivas no cenário ambiental do país. “Incentivamos projetos que tragam resultados efetivos para a proteção da biodiversidade e contribuam com o cumprimento das metas ambientais internacionais com as quais o País esteja comprometido” afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

A categoria “Apoio a Projetos” selecionará iniciativas que contribuam para a conservação da natureza no Cerrado e na Caatinga, biomas que juntos ocupam 36% do território brasileiro. “A cada edição, escolhemos um ‘recorte’ específico para promover novas iniciativas. Dessa vez, o foco será em projetos de conservação de dois biomas muito importantes para o país. Na Caatinga vivem 27 milhões de brasileiros, além de ser o único bioma exclusivamente nacional. E o Cerrado abriga nascentes de rios que abastecem as principais bacias hidrográficas do País, tanto que carrega o apelido de ‘caixa d’água do Brasil’”, afirma a diretora.

Com o ‘Apoio a Programas’, são abrangidas iniciativas de média e longa duração, que possibilitem ações de conservação da natureza de maior magnitude e que demandem mais tempo para aplicação. Já a terceira categoria – ‘Biodiversidade do Paraná’-, criada em parceria com a Fundação Araucária, seleciona propostas a serem executadas em qualquer região paranaense, como por exemplo, a área de ocorrência da Floresta com Araucárias, ecossistema característico da Mata Atlântica.

Linhas temáticas

Para concorrer em qualquer uma das três categorias, é preciso que as propostas atendam a uma das quatro linhas temáticas de apoio. A primeira trata de “Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)” e tem como objetivo a criação, ampliação e execução de atividades prioritárias de seus Planos de Manejo (documentos oficiais de planejamento das unidades de conservação). A segunda linha visa a execução de ações prioritárias para espécies ameaçadas, seguindo os Planos de Ação Nacional (PANs), documentos que elencam ações prioritárias para conservação de determinadas espécies e ecossistemas.

A terceira, “Ambientes Marinhos”, é voltada para estudos, ações e ferramentas para a proteção e redução de pressão sobre a biodiversidade marinha. Nesta edição, essa linha será destinada apenas a propostas da categoria “Biodiversidade do Paraná”.

Já a linha “Políticas Públicas”(exclusiva para “Apoio a Programas”) visa à implementação e fortalecimento de incentivos para conservação da natureza, instrumentos legais para fiscalização e proteção da biodiversidade, consolidação de áreas protegidas e parcerias para conservação.

Inscrições

Podem se inscrever no Programa de Apoio a Ações de Conservação instituições sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais (ONGs). Para a categoria “Biodiversidade do Paraná”, pessoas físicas e universidades públicas podem se candidatar através do site da Fundação Araucária.

A Fundação Grupo Boticário, ao longo dos seus 25 anos, já apoiou 1.486 projetos de 496 instituições em todo o Brasil, contribuiu para a descrição de 141 espécies e para o estudo de outras 240 espécies ameaçadas.

Fundação Grupo Boticário

Trata-se de uma é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Mais informações:

www.fundacaogrupoboticario.org.br

www.twitter.com/fund_boticario

www.facebook.com/fundacaogrupoboticario

13:33 · 15.09.2014 / atualizado às 13:33 · 15.09.2014 por
Papagaio-de-cara-suja é uma das espécies beneficiadas Foto: Aquasis / Fábio Nunes
Papagaio-de-cara-suja é uma das espécies beneficiadas Foto: Aquasis / Fábio Nunes

Com objetivo de reduzir a perda e alteração de habitat, a pressão de caça, o tráfico e manter ou incrementar as populações de aves, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou, no dia 8 passado, o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves Ameaçadas de Extinção da Caatinga (PAN Aves da Caatinga), que será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

O PAN Aves da Caatinga abrange dez espécies ameaçadas de extinção: Hemitriccus mirandae (maria-do-nordeste); Lepidocolaptes wagleri (arapaçu-de-wagler); Penelope jacucaca (jacucaca); Phylloscartes beckeri (borboletinha-baiana); Phylloscartes roquettei (cara-dourada); Xiphocolaptes falcirostris (arapaçu-do-nordeste); Pyrrhura griseipectus (periquito-de-cara-suja); Rhopornis ardesiacus (gravatazeiro); Sclerurus cearensis (vira-folha-cearense); e Sporagra yarrellii (pintassilgo-do-nordeste).

Combate ao tráfico

A meta é diminuir a captura e tráfico do Pyrrhura griseipectus (periquito-de-cara-suja), e a caça do Penelope jacucaca (jacucaca) e do Crypturellus noctivagus zabelê (zabelê) , além de conhecer a população e área de ocupação de Pyrrhura griseipectus. Há também outras espécies beneficiadas a exemplo do Augastes lumachella (beija-flor-de-gravata-vermelha); Formicivora grantsaui (papa-formiga-do-sincorá); Formicivora iheringi (Papa-formigas-da-caatinga) e Scytalopus diamantinensis (tapaculo-da-chapada-diamantina).

Com a execução do PAN, será possível estimar o tamanho populacional das espécies para manter ou ampliar a área de ocupação conhecida. Também se espera trabalhar para reduzir as taxas de perda de formações de Caatinga e promover conectividade de remanescentes em áreas importantes identificadas para a conservação das espécies. O plano, que será mantido e atualizado no site do ICMBio, vai vigorar até fevereiro de 2017.

Fonte: MMA

09:18 · 17.06.2014 / atualizado às 09:30 · 17.06.2014 por
O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste Foto: José Miguel de Paula / Associação Caatinga
O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste Foto: José Miguel de Paula / Associação Caatinga

Iniciada a Copa do Mundo no Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promove o Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do tatu-bola, mascote oficial do evento.

O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste, e a avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutes matacus, o tatu-bola-do-Centro-Oeste.

O tatu-bola faz parte de um grupo de 11 espécies de tatu existentes no Brasil e é primo do tamanduá e das preguiças. As principais ameaças à sua sobrevivência são, principalmente, a caça predatória e destruição do habitat causadas pela expansão da agropecuária, intensificada na última década.

Ele ganhou esse nome pois tem três cintas móveis no dorso, que o permite fechar completamente sua carapaça, formando uma bola, estratégia que ajuda-o a se proteger contra predadores naturais. Seu peso varia entre 1 kg e 1,8 kg, podendo medir de 40 a 43 cm. De hábitos noturnos, esses animais se alimentam, principalmente, de cupins, além de outros invertebrados e frutos.

O T. tricinctus, espécie exclusivamente brasileira, vive nos ambientes da Caatinga e Cerrado. Mas a caça predatória, a destruição de seus habitats e o pouco conhecimento existente sobre a espécie têm ameaçado sua sobrevivência.

Por isso integra a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, classificada como “em perigo”, e a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), na categoria “vulnerável”.

A meta do ICMBio, durante os cinco anos de vigência do plano, é reduzir o risco de extinção do T. tricinctus, elevando-o, pelo menos, à categoria de “vulnerável”.

Já o T. matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de Cerrado, porém é mais comum na Bolívia, Argentina e no Paraguai. Com o PAN, essa espécie será mais bem estudada, uma vez que se encontra na categoria Dados Insuficientes, por falta de informações em sua área brasileira.

Os tatus-bola são os menores e menos conhecidos tatus do Brasil, sendo que a espécie que habita o Nordeste e parte do cerrado só é encontrada no Brasil. A Caatinga, sistema exclusivamente brasileiro, e o Cerrado, um dos pontos ativos da biodiversidade mundial, estão entre os biomas mais ameaçados do mundo, sofrendo com o desmatamento e o acelerado processo de degradação, com acentuada perda de diversidade biológica e de serviços ambientais.

Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações, em seis objetivos específicos:

  1. Atualizar as áreas de ocorrência das espécies de tatu-bola e avaliar suas principais ameaças

  2. Mobilizar as comunidades locais e a sociedade em geral sobre a importância da proteção da espécie

  3. Ampliar o conhecimento sobre a biologia e a ecologia para o direcionamento de estratégias de conservação

  4. Ampliar, qualificar e integrar a fiscalização para coibir a caça

  5. Reduzir a perda de habitat nos próximos cinco anos

  6. Promover a conectividade entre as populações do tatu-bola-do-Nordeste

Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de orientar as ações prioritárias para conservação da biodiversidade. É uma ferramenta definida pelo governo a partir do Programa Pró-Espécie, instituído em fevereiro deste ano, que busca minimizar ameaças e o risco de extinção de espécies.

Existem, no momento, 44 planos de conservação de espécies ameaçadas sendo implantados pelo ICMBio em todas as regiões do Brasil, envolvendo 362 tipos de animais dos biomas marinho, Caatinga, Cerrado, Amazônia, Pampa e Pantanal.

O PAN Tatu-bola foi anunciado formalmente em 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, com outras medidas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a preservação de espécies ameaçadas, incluindo o tatu-bola. O pacote de ações de proteção da fauna brasileira foi publicado no Diário Oficial da União (DOU).

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo ICMBio, com o apoio da Associação Caatinga, Organização Não-Governamental (ONG) cearense que lançou a proposta de tornar a espécie mascote do Mundial de Futebol de forma a colaborar para a sua visibilidade e consequente preservação; e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás (Asasg) da IUCN e colaboração de representantes de outras 15 instituições.

O plano tem a coordenação executiva da Associação Caatinga e será acompanhado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat) e pela Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas (CGesp) do ICMBio.

Fontes: MMA / Agência Brasil

14:08 · 23.05.2014 / atualizado às 14:08 · 23.05.2014 por
A população das jubarte saltou de 500 animais em 1980 para cerca de 15 mil em 2012 Foto: Instituto Baleia Jubarte/ Enrico Marcovaldi
A população das baleias jubarte saltou de 500 animais em 1980 para cerca de 15 mil em 2012 Foto: Instituto Baleia Jubarte/ Enrico Marcovaldi

No Dia Internacional da Biodiversidade, comemorado ontem (22), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou o inventário da fauna brasileira, onde foram analisadas mais de 7,6 mil espécies, entre 2010 e 2014. Na Avaliação do Risco de Extinção da Fauna Brasileira, realizada por 929 especialistas do Brasil e do mundo, 14% das espécies, 1.051 do total, ainda estão em risco de extinção, sendo 121 com risco agravado. O último mapeamento da fauna brasileira feito pelo ICMBio foi lançado em 2003 e tem 1,4 mil espécies catalogadas. Desse total, 627 eram consideradas com risco de extinção.

Unidades de Conservação

Entre as espécies ameaçadas, 73% estão sob regime de proteção, em Unidades de Conservação (UCs) ou dentro de um Plano de Ação Nacional. Para o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, não há dúvida que a criação de UCs é uma medida necessária para proteger as espécies: “em uma realidade como a brasileira, em que a dinâmica de ocupação dos habitats naturais é muito intensa”.

De acordo o diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da biodiversidade do ICMBio, Marcelo Marcelino, o número de espécies em extinção registrou aumento em razão de o número das identificadas também cresceu.

“O número de espécies em extinção cresceu, mas porque a lista de espécies que temos identificadas hoje é muito maior. O inventário anterior, de 2003, tinha apenas 18% do número total de espécies que temos agora”, declarou.

Segundo Marcelino, a expectativa é que no próximo ano o instituto tenha catalogado mais de 10 mil espécies. O diretor informou que o foco do instituto nos próximos meses é criar medidas para proteger animais que hoje não possuem ação de conservação. “Nosso foco agora é ter planos para 282 espécies que hoje não têm ações de conservação ou não estão dentro de unidades de conservação, como parques e reservas ecológicas.”

Para reforçar o trabalho dentro dessas unidades, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinou portaria que permite a aplicação de recursos de compensação ambiental, em até 10%, em atividades para a conservação de espécies ameaçadas.

“Saímos de 1.022 para mais de 7 mil espécies inventariadas e nós queremos 14 ou 15 mil nesse catálogo, para isso precismos ter estratégia de médio e longo prazo, de redes de pesquisa de áreas prioritárias, como também recursos para serem dirigidas. Então estamos vinculando às unidades de conservação recursos com vistas à pesquisa e proteção dessas espécies”, afirmou.

A ministra anunciou a retirada de 77 espécies da lista de espécies ameaçadas de extinção, que será publicada pelo ICMBio, no segundo semestre deste ano. Uma dessas espécies é a baleia jubarte, encontrada na costa da Bahia e do Espírito Santo entre junho e novembro. A população das jubarte saltou de 500 animais em 1980 para cerca de 15 mil em 2012.

Segundo Izabella Teixeira, um conjunto de ações permitiram a saída da jubarte da lista, como “a visão de longo prazo com a estratégia de aumentar a proteção dos animais, de proibir a captura, somados ao grande programa de conservação feito pelo Instituto Baleia Jubarte, de estudar o comportamento da espécie, mapear as rotas migratórias e estabelecer, nestas áreas, medidas de manejo e conservação.”

A definição de rotas das embarcações para evitar colisões, a criação do santuário das baleias no Brasil e da Unidade de Conservação de Abrolhos também foram fundamentais a preservação da espécie. Foram contabilizados 15 mil exemplares, enquanto, na década de 1980, o total era de apenas 500 espécies vivas.

O governo brasileiro também anunciou uma campanha mundial pela criação do Santuário Internacional do Atlântico Sul para as Baleias. A proposta será avaliada em setembro pela Comissão Baleeira Internacional e tem o objetivo de impedir a caça comercial nessa área do oceano, onde ainda vigora a moratória internacional sobre a captura desses animais.

Além disso, o ministério apresentou um conjunto de medidas destinadas a proteger toda a fauna brasileira, como a criação de uma força tarefa especial dedicada ao combate ao tráfico ilegal das espécies ameaçadas de extinção.

Segundo Izabella Teixeira, o Ibama, ICMBio, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal já estão realizando ações, de caráter permanente, em torno de espécies como o peixe-boi da Amazônia, boto cor-de-rosa, arara-azul de lear, onça-pintada e o tatu-bola.

Para dar sequência ao sucesso na preservação de espécies ameaçadas de extinção, foi anunciada a criação do Prêmio Nacional da Biodiversidade. O objetivo é consagrar entidades nacionais que atuem na conservação da biodiversidade. “É preciso integrar a ciência com as questões sociais e de conservação ambiental”, declarou Izabella. O Instituto Baleia Jubarte e a Petrobras receberam uma menção honrosa por conta dos serviços prestados à proteção da espécie e, segundo a ministra, são as entidades a inaugurar a premiação.

Também foi foi destacada a Bolsa Verde para comunidades que vivem em regiões relevantes para conservação de espécies ameaçadas, a reintrodução do peixe-boi-marinho no Caribe e acordos com os ministérios da Pesca e Aquicultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Instruções normativas dos ministérios do Meio Ambiente e da Pesca e Aquicultura estabelecerão regras para a captura de diversos animais. A partir de janeiro de 2015, será iniciada a moratória da pesca e comercialização da piracatinga por cinco anos, com o objetivo de proteger o boto vermelho e os jacarés, usados como isca. “O compartilhamento de competências tem ocorrido com foco no equilíbrio entre a conservação da biodiversidade e as questões ligadas ao pescador”, garantiu o ministro Eduardo Lopes.

Principais medidas

1. Menção honrosa para o Instituto Baleia Jubarte e a Petrobrás SA pelos serviços prestados à conservação da baleia jubarte.

2. Criação do Prêmio Nacional da Biodiversidade, com assinatura de portaria para instituições nacionais que promoverem melhoria no estado de conservação das espécies ameaçadas de extinção.

3. Aplicação dos recursos da compensação ambiental em projetos de conservação de espécies em Unidades de Conservação.

4. Força-tarefa de fiscalização do Ibama, ICMBio e Polícia Federal para o combate a ilícitos ambientais, como a caça de fauna ameaçada (peixe-boi da Amazônia, boto cor-de-rosa, arara azul de lear, onça pintada, tatu-bola, tubarões, muriqui e arraias de água doce). Estados e municípios podem aderir.

5. Bolsa Verde para comunidades em situação de vulnerabilidade social econômica ou baixa renda que vivem em regiões relevantes para a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

6. Proposta de Santuário Internacional do Atlântico Sul para as Baleias, para a Comissão Baleeira Internacional (CBI), com o objetivo de impedir a caça comercial nesta área do oceano, na qual ainda vigora a moratória internacional sobre a captura destes cetáceos.

7. Reintrodução do peixe-boi-marinho, no Parque Nacional de Guadalupe, ilha francesa no Caribe.

8. Acordos com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA):

– Instrução Normativa interministerial proibindo a pesca acidental e comercialização das espécies de tubarão martelo e lombo preto.

– Instrução Normativa com medidas de prevenção da captura de albatrozes e tartarugas durante a pesca.

– Moratória da pesca e comercialização da piracatinga, a partir de janeiro de 2015, por cinco anos. O objetivo é proteger o boto vermelho e os jacarés que são utilizados como isca para pesca desse peixe.

9. Acordos com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI):

– Inserção do tema Espécies Ameaçadas nos programas permanentes de pesquisa em biodiversidade do MCTI, integrantes do Plano Plurianual (PPA), como o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).

– Edital específico para bolsas de pesquisa sobre espécies ameaçadas para instituições que atuam na área.

– Ferramentas de tecnologia de informação para avaliação do risco de extinção, planos de ação e organização de bases de dados sobre espécies ameaçadas.

Fontes: MMA / Agência Brasil

13:40 · 22.05.2014 / atualizado às 14:28 · 22.05.2014 por

Capa Sumario Pan Tatu-Bola

O dia 22 de maio foi a data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para comemorar o Dia Internacional da Biodiversidade, com o objetivo de aumentar a conscientização mundial para a importância da diversidade biológica, e para a necessidade da proteção da biodiversidade do Planeta. A comemoração foi instituída em 1992, data da aprovação do texto final da Convenção da Diversidade Biológica (Convention on Biological Diversity).

Para marcar a data neste ano, foi lançado hoje, em Brasília, o Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação do Tatu-bola , elaborado durante a Oficina realizada de 12 a 16 de maio na Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús. O evento foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que na ocasião assinarão iniciativas em prol da preservação da fauna brasileira.

A oficina do Plano de Ação foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) do ICMBio, contando com o apoio da Organização Não Governamental (ONG) Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás (ASASG) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e com a participação de outras 15 instituições entre universidades, órgãos estaduais e federais de meio ambiente e ONGs.

O PAN Tatu-bola terá coordenação executiva da Associação Caatinga e será acompanhado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat) e pela Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas (CGESP) do ICMBio.

O PAN Tatu-bola enfoca as duas espécies do gênero Tolypeutes. Para T. tricinctus o objetivo é reduzir o risco de extinção, já o T. matacus é necessário ampliar o conhecimento sobre ele para poder avaliar adequadamente seu estado de conservação. Para atingir este objetivo em cinco anos, foram estabelecidas 38 ações ordenadas em seis objetivos específicos, e foi constituído um Grupo de Assessoramento Estratégico composto por dez membros, de sete instituições.

Paralelamente, a sociedade está sendo mobilizada pela campanha “Eu Protejo o Tatu-bola” que visa fortalecer ainda mais o apelo pela preservação do animal que inspirou o mascote da Copa do Mundo 2014. Os membros da Associação Caatinga destacam que, “infelizmente, esta estratégia não os protege da caça praticada pelos humanos e, isto, em conjunto com a destruição de seus habitats, tem ameaçado a sua sobrevivência”.

A expectativa é de que a execução das ações previstas possa ser iniciada já no segundo semestre de 2014.

Fonte: Associação Caatinga