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Categoria: Birdwatch


22:37 · 17.10.2016 / atualizado às 22:37 · 17.10.2016 por

O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) já esteve com seus dias contados. Com apenas 250 indivíduos na natureza em 2003, o nível de ameaça à espécie era gravíssimo, com risco de desaparecer da Serra de Baturité (CE), um dos três pontos de ocorrência da espécie.

A serra, que fica a cerca de 100Km de Fortaleza, é bastante sensível, pois se trata de uma região de Mata Atlântica, ambiente natural mais ameaçado do País, em pleno sertão cearense. O local é um importante reservatório de água e abastece cerca de dois milhões de pessoas, englobando a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Para garantir a proteção desse periquito, o mais ameaçado das Américas, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza iniciou, em 2007, o apoio à ONG Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).

“São quase dez anos de suporte às iniciativas que visam a conservar a espécie, mas ainda há muito a ser feito pela proteção de todo o ambiente natural em que o periquito vive”, afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Por conta deste trabalho, neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza. Ao todo, mais de 440 filhotes nasceram nas caixas-ninho nos últimos sete anos.

O resultado é bastante significativo, pois, atualmente, estima-se que menos de mil indivíduos vivam na natureza, número muito baixo e preocupante. A espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção, sendo o psicitacídeo (grupo de aves das araras, periquitos e papagaios) mais vulnerável do País.

O periquito-cara-suja possui grande importância na floresta e para os moradores da região, pois é responsável pela disseminação de sementes maiores, que outras espécies não conseguem quebrar.

“Com o desaparecimento dele, essas árvores como o camunzé ou a guabiraba poderiam se prejudicar, empobrecendo a floresta, o que, por consequência, afeta diretamente o bem-estar das comunidades que vivem no entorno da região e dependem da floresta”, explica Alberto Campos, um dos fundadores da Aquasis.

O coordenador do projeto e pesquisador responsável pela pesquisa Fábio Nunes  afirma que a espécie, por ser bastante rara e endêmica (exclusiva) dessa região, chama muito a atenção dos observadores de aves (birdwatchers) que viajam milhares de quilômetros para visualizar o periquito.

Dessa forma, eles aquecem a economia local por meio do turismo ecológico, pois consomem nos restaurantes, lojas e hotéis da cidade. “A observação de aves é o turismo que mais cresce na Serra de Baturité e tem injetado renda significativa na economia local”, conclui.

Neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza Foto: Fábio Nunes / Aquasis
Neste ano, nasceram mais de 180 filhotes de periquitos-cara-suja na natureza Foto: Fábio Nunes / Aquasis

Ações prioritárias

Campos destaca que a espécie não tem um Plano de Ação Nacional (PAN) próprio. “Ela consta no PAN das aves da Caatinga, junto com outras 11 espécies. Não tem como definir estratégias de conservação para aves tão diferentes”, explica.

O PAN é uma política pública que tem por objetivo identificar e orientar as ações prioritárias para combater as ameaças que põe em risco as espécies e ambientes naturais brasileiros. Segundo a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário, o País deve elaborar e executar Planos de Ação para todas as espécies oficialmente ameaçadas até 2020.

Além disso, os pesquisadores destacam a necessidade da criação de unidades de conservação de proteção integral – aquelas que permitem apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, proibindo sua extração ou dano – e a urgência da fiscalização no entorno da Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual da Serra de Baturité.

Segundo eles, no caso do periquito-cara-suja, as principais ameaças são a falta de árvores de grande porte que seriam utilizadas para fazer os ninhos e o tráfico de animais silvestres. Para resolver essas questões, eles contam, foram criadas duas frentes de trabalho: uma de conscientização da população para a importância da espécie e outra de implantação de caixas-ninho.

Ilha de Mata Atlântica na Caatinga

A Serra de Baturité é uma das pouquíssimas regiões de Mata Atlântica que ainda existem no Ceará. “Considero a região prioritária para conservação devido ao conjunto de espécies de fauna e flora ameaçadas que só ocorrem ali”, explica Alberto Campos. Os pesquisadores pretendem trabalhar a conservação do periquito-cara-suja como símbolo para proteger toda a região da serra.

Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.457 projetos de 488 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Fonte:  Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

09:08 · 13.03.2013 / atualizado às 09:08 · 13.03.2013 por
A premiação casa com o que os birdwatchers gostam de fazer: observar e fotografar aves em seu ambiente natural Foto: Associação Caatinga

Quem se dedica à arte de fotografar a natureza terá a oportunidade de mostrar seu talento no 6º Concurso Avistar Fotografia de Aves, promovido pelo Encontro Brasileiro de Observação de Aves (AvistarBrasil). O objetivo do evento é promover a conservação das aves brasileiras.

É fácil participar! Basta acessar o site www.concurso.avistarbrasil.com.br, preencher o formulário on-line e enviar suas fotos. Os vencedores poderão escolher seu prêmio de acordo com a sua ordem de classificação a partir de uma lista de lugares incríveis. Dentre os prêmios, estão três diárias completas na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), reduto de mata de Caatinga mantido pela Associação Caatinga no sertão de Crateús, no Estado do Ceará.

Lá são desenvolvidas atividades de pesquisa científica, recreação e visitação escolar, além de projetos de Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável e Turismo Comunitário junto às comunidades do entorno da reserva, um prato cheio para as lentes dos birdwatchers,   fotógrafos apaixonados pela natureza.

O concurso pretende promover a conservação de aves brasileiras e, por isso, só serão aceitas fotos de aves nativas, fotografadas livres e em território nacional. As inscrições vão até o dia 20 de abril.

Fonte: Associação Caatinga