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Categoria: Caatinga


08:00 · 01.03.2016 / atualizado às 11:40 · 01.03.2016 por
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga

O Programa de Conservação do Tatu-bola será lançado, na quarta-feira (2), às 18h, no Salão Aberto da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), pela organização não governamental Associação Caatinga, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O apoio da Fundação ao Programa para a proteção da espécie, concretizado no fim de 2015, viabilizará o desenvolvimento de ações estratégicas do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, política publica federal criada em 2014. com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Associação Caatinga, e de 22 pesquisadores e ambientalistas de todo o País.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é parceira da Associação Caatinga em iniciativas de conservação da Caatinga desde 2003 e financiou, ao longo de seus 25 anos, quase 1.500 iniciativas de conservação da natureza, em todas as regiões do Brasil.

“O apoio ao Programa Tatu-bola faz parte dos nossos esforços para ampliar pesquisas, políticas públicas e outras ações em prol da Caatinga, bioma que está ameaçado e que carece de medidas efetivas de proteção de sua singular biodiversidade”, afirma a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.

As principais ações do Programa de Conservação do Tatu-bola pelos próximos quatro anos serão identificar áreas de ocorrência do animal com potencial para a criação de Unidades de Conservação (UCs) e criar UCs em áreas prioritárias que favoreçam a permanência do tatu-bola nas florestas nativas.

Espera-se que esses esforços somados às ações de sensibilização das comunidades próximas e mobilização da sociedade por meio de ações de comunicação contribuam para a redução da taxa de perda do habitat do Tatu-bola, em outras palavras, ajudem a preservar a Caatinga.

Para o coordenador geral da Associação Caatinga, Rodrigo Castro evitar a extinção do Tatu-bola vai muito além da preocupação com o animal. “O Programa de Conservação do Tatu-bola é uma iniciativa inédita voltada a essa espécie tão ameaçada. O Programa ressalta a necessidade de preservarmos as florestas da Caatinga para o animal, para as outras espécies de animais e plantas e para a segurança hídrica no sertão. Tanto quanto o tatu-bola, nos também dependemos de florestas preservadas. Cuidar da Caatinga é garantir a vida e a produção de água num ambiente único no Planeta”, afirma.

Tatu-bola

O Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) ganhou notoriedade mundial ao ser escolhido como mascote da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a partir de campanha desenvolvida pela Associação Caatinga, por tratar-se da menor e menos conhecida espécie de tatu brasileira e corre sério risco de extinção.

Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está desaparecendo do mapa e consta da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo, nível de ameaça que está a apenas dois passos da extinção.

Fontes: Associação Caatinga / Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

16:49 · 07.05.2015 / atualizado às 16:49 · 07.05.2015 por

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Está aberto até 13 de maio o processo seletivo de candidatos ao Curso de Formação em Manejo Florestal Sustentável Integrado na Caatinga, que será ministrado de 25 de maio a 3 de junho, com carga horária de 80 horas, incluindo aulas teóricas e práticas, a serem realizadas na sede e na Estação Experimental do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande (PB).

O objetivo é oferecer formação complementar para profissionais de instituições públicas e da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) que atuam em ações de planejamento, gestão e extensão na Caatinga. A formação deve orientar esses profissionais quanto ao planejamento, elaboração, implementação e acompanhamento de planos de manejo florestal na Caatinga, bem como quanto a critérios para a elaboração e avaliação dos planos de manejo submetidos à aprovação de órgãos ambientais; capacitar técnicos de órgãos estaduais que prestam assistência técnica aos produtores rurais e aqueles que atuam, por intermédio de Organizações Não Governamentais (ONGs), junto a produtores rurais em atividades de manejo florestal.

O Curso é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), do Departamento de Combate Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (DCD/MMA) e do Centro de Produção Industrial Sustentável da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (Cepis/PaqTcPB), em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Insa, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e Fundação Araripe.

Inscrições

O Curso será destinado a engenheiros florestais e profissionais de áreas afins que trabalham no serviço público federal, estadual ou organizações da sociedade civil da região Nordeste que atuem em ações de planejamento, gestão e extensão na Caatinga.

Para se inscrever no processo seletivo o candidato deverá enviar currículo e carta de interesse, por meio da qual justifique as razões para participar do curso.

As inscrições deverão ser efetuadas pelo e-mail: cursoflorestal@cepis.org.br

A lista dos candidatos selecionados será divulgada no dia 15 de maio, pelo site: www.cepis.org.br ou www.insa.gov.br

Para acessar o edital, clique aqui

Mais informações: (83) 2101-9043

Fonte: Insa

11:59 · 28.04.2015 / atualizado às 18:11 · 28.04.2015 por

 

Por Honório Barbosa

Iguatu. O Dia Nacional da Caatinga é comemorado hoje, 28 de abril, e o transcurso da data proporciona o debate sobre a importância desse bioma, a convivência com o Semiárido e os períodos de escassez hídrica.

Depois de quatro anos de chuvas abaixo da média, discutir a preservação da cobertura florestal do sertão nordestino é cada vez mais imprescindível. Afinal, a água que chega à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e a outros centros urbanos cearenses é proveniente das bacias hidrográficas que estão no sertão.

O governo federal instituiu, em 2003, o dia 28 de abril como o Dia Nacional da Caatinga. A data homenageia o professor João de Vasconcelos Sobrinho, pernambucano, pioneiro nos estudos ambientais sobre a região no Brasil. Entidades ligadas ao setor ambiental promovem ações e debates sobre o bioma Caatinga, único no mundo, colocando em pauta a necessidade de sua conservação.

Está marcada para as 15 horas de hoje sessão solene, na Assembleia Legislativa do Ceará, para a entrega da Medalha Ambientalista Joaquim de Castro Feitosa, no Plenário 13 de Maio. O evento faz parte das comemorações do centenário de nascimento do agrônomo e pesquisador da Caatinga.

Prioridade

A Caatinga é um bioma único no mundo. Entretanto está muito devastado. A sua preservação é de fundamental importância para a economia regional. A água que abastece Fortaleza e municípios da Região Metropolitana vem do Açude Castanhão, em Jaguaribara, por meio do Canal do Trabalhador e do Canal da Integração. As bacias dos Rios Jaguaribe e Salgado são de fundamental importância para o abastecimento das casas, comércio e indústria de vários municípios cearenses.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Caatinga tem 45% de sua área total desmatada no Brasil. Os dados do Ministério mostram, ainda, que, dos dez municípios que mais contribuíram para o desmatamento da Caatinga, quatro são cearenses. Boa Viagem, Tauá, Acopiara e Crateús estão entre as cidades com maior índice de degradação da vegetação original no País.

Reconhecimento

No âmbito nacional, há uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 504/10 que pretende transformar a Caatinga e o Cerrado em patrimônios nacionais. O projeto já foi votado no Senado e entrou por pelo menos três vezes na chamada “ordem do dia” da Câmara, mas não foi votada por ainda não ser percebida como pauta prioritária pelos membros da Câmara.

Se aprovada, a PEC da Caatinga e do Cerrado irá garantir o reconhecimento dos dois biomas e, por meio disso, poderá atrair mais ações de preservação ambiental e investimentos para a região e também poderá contribuir para a proteção dos recursos hídricos e segurança hídrica no Nordeste.

O desmatamento da Caatinga e o baixo índice de áreas protegidas contribuem para o desgaste do reabastecimento dos reservatórios, que já contam com pouca água. Atualmente, 112 açudes têm volume em torno de 30% do total de suas capacidades no Estado do Ceará.

“A situação é preocupante, pois, se não cuidarmos das regiões do entorno desses açudes, o risco de desaparecimento da água restante é eminente”, observou o secretário executivo da Associação Caatinga, Rodrigo Castro. “Preservar as margens dos açudes, rios, riachos e nascentes garante a preservação da água, a capacidade de armazenamento dos reservatórios e a recarga hídrica das barragens”.

Estima-se que 13 metros cúbicos de água são consumidos por segundo em Fortaleza e Região Metropolitana, utilizados no consumo humano e industrial. Destes 13, oito são provenientes do Castanhão, que atualmente conta com menos de 25% da capacidade; 3,6 m³ vêm do Canal do Trabalhador e 0,4% da água que utilizamos vem da bacia hidrográfica da Região Metropolitana. Ao todo, mais de 60% da água que abastece Fortaleza e Região Metropolitana vem do interior cearense.

Ir além

“As obras de infraestrutura, transferência de águas são importantes, mas o debate precisa ir além, pois há necessidade de investimentos em prevenção, recuperação das matas ciliares, de encostas, e de campanhas de uso racional da água”, frisou Castro. “A demanda de água é crescente, mas a oferta vem caindo. Os açudes estão armazenando menor volume por causa do assoreamento e os rios estão degradados”, salientou.

O secretário executivo da Associação Caatinga observa que não só o Nordeste, mas o Brasil enfrenta uma crise hídrica cada vez mais grave. “Onde estão as campanhas de consumo consciente, racional?”, questionou. “E as leis de punição para quem desperdiça água?”.

O coordenador do Pacto Ambiental dos Inhamuns, Jorge de Moura, chamou a atenção, ainda, para o problema de introdução de espécies exóticas que concorrem com a flora nativa.

Ontem, foi realizada, na Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra das Almas, em Crateús, caminhada ecológica alusiva ao Dia Nacional da Caatinga.

Saiba mais

– A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e foi reconhecido como uma das 37 grandes regiões naturais do Planeta, ao lado da Amazônia e do Pantanal

– É o terceiro bioma mais degradado, depois da Mata Atlântica e Cerrado. 45% de sua área já foi desmatada

– A Caatinga possui alto grau de endemismo (cerca de 1/3 de suas plantas e 56% de seus peixes são espécies exclusivas), ou seja, essa riqueza biológica não pode ser encontrada em nenhuma outra parte do mundo

– Os serviços ambientais oferecidos pela Caatinga asseguram a convivência do ser humano com o ambiente e sua biodiversidade tem grande importância econômica e social

– A Caatinga ocupa uma área de cerca de 840 mil quilômetros quadrados, o equivalente a 11% do território nacional

– Engloba os Estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais

– Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas

– Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente dos recursos do bioma para sobreviver

Mais informações:

Associação Caatinga

Fone: (85) 3241.0759

www.acaatinga.org.br

 

15:03 · 04.03.2015 / atualizado às 15:17 · 04.03.2015 por
O manejo florestal sustentável é uma forma de exploração da floresta que garante sua recuperação, regeneração e recomposição Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
O manejo florestal sustentável é uma forma de exploração da floresta que garante sua recuperação, regeneração e recomposição Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em articulação com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Associação Plantas do Nordeste (APNE), encerra hoje, em Campina Grande (PB), o 1º Seminário sobre a inserção do Manejo Florestal Sustentável da Caatinga, que discute com agricultores familiares experiências de manejo florestal da Caatinga e a viabilidade e oportunidades econômicas que o manejo florestal oferece.

O evento também conta com o apoio do Projeto de Consolidação do Programa Nacional de Florestas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) dos diversos Estados do Semiárido brasileiro.

O agricultor Sebastião Damasceno, da Cooperativa de Bancos Comunitários de Sementes Crioulas do Estado do Alagoas, que integra a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), participa do evento e já desenvolve algumas experiências em sua propriedade com sementes nativas.

Oportunidade

“A discussão do tema é excelente, pois estou necessitando, eu e alguns produtores que já vieram a mim, ter uma fiscalização, um cadastro, uma preparação, para que nossa propriedade fique em uma área licenciada e possamos conquistar alguns direitos que desejamos. Queremos realizar este sonho e a oportunidade é essa, de ter uma propriedade sustentável, diversificada, acompanhada com visita de técnicos, dentro da área da agroecologia”, destacou.

Renda

Newton Barcellos, coordenador da Unidade Regional do Nordeste, do SFB, realiza trabalho de assistência técnica para manejo florestal sustentável com agricultores assentados da Caatinga há cerca de 10 anos. Ele ressaltou a importância de também envolver os agricultores familiares para obter renda, participando, de forma digna e legalizada, deste mercado que movimenta 25 milhões de metros de lenha por ano.

“Os agricultores assentados estão participando deste mercado, porém de forma legalizada, gerando renda para conviver com os períodos de seca. Com base nessa experiência, estamos, a partir de agora, com o objetivo de envolver os agricultores familiares não assentados, que vivem em comunidades isoladas, que necessitam de informação, orientação, para que também usem os recursos da Caatinga para obter renda com a madeira”, destacou.

Uso racional

O titutar da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) do Estado do Piauí, Carlos Moura Fé, afirmou que é possível utilizar os recursos florestais da Caatinga de forma racional, com geração de renda e conservação da biodiversidade.

“A Caatinga tem grandes possibilidades de ser utilizada de forma sustentável e de forma que possa garantir renda para o homem do campo a partir de determinadas atividades. Uma delas é o manejo florestal, não só dos produtos madeireiros, mas também dos produtos não madeireiros. A partir do momento em que os órgãos ambientais tiverem essa consciência e contribuírem para que toda a demanda florestal madeireira possa ser obtida por meio de manejo florestal, certamente no mínimo que vamos conseguir manter é pelo menos 50% da Caatinga com cobertura nativa”, declarou.

Ele ainda destacou a necessidade de que os órgãos ambientais permitam a inserção do pequeno e médio agricultor no processo de realização de manejo da Caatinga, já que as normas atualmente vigentes apresentam muitas restrições para que o pequeno e médio agricultor utilize o recurso com base na utilização das técnicas de manejo.

Fortalecimento

Aldrin Perez, coordenador de pesquisa do Insa, ressaltou a necessidade de se fortalecer a prática do manejo com os agricultores familiares como estratégia de convivência com o Semiárido. “Se houver maior visibilidade e valorização dos conhecimentos que as famílias desenvolvem com manejo florestal sustentável, essas formas de uso da Caatinga não registradas e não legalizadas podem vir a se tornar políticas públicas, para que essas práticas sejam reconhecidas e aperfeiçoadas”, ressaltou.

Vantagens

Segundo o pesquisador Frans Pareyn, coordenador da APNE, o manejo florestal sustentável é uma forma de exploração da floresta que garante sua recuperação, regeneração e recomposição, visando à obtenção de benefícios econômicos e sociais, como geração de renda para os produtores, com a devida conservação da riqueza das espécies. É uma forma de utilizar os recursos florestais da Caatinga com planejamento e respeito aos limites e a capacidade de carga do bioma, retirando dele apenas o que pode oferecer.

Espera-se do evento serão a definição de algumas diretrizes no contexto da inserção do manejo florestal da Caatinga que servirão para subsidiar projetos e políticas públicas na área.

Fonte: Insa

10:40 · 28.04.2014 / atualizado às 10:40 · 28.04.2014 por
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Em agosto de 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu, por meio de decreto não numerado, 28 de abril como o Dia Nacional da Caatinga, em homenagem ao primeiro ecólogo do Nordeste brasileiro e pioneiro em estudos da caatinga, o professor João Vasconcelos Sobrinho, nascido em 28 de abril de 1908. O objetivo é fazer o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e outras instituições, governamentais ou não, promoverem campanhas de valorização e conservação deste importante bioma do nosso País.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do Planeta. Seu nome – do Tupi, “mata branca” – decorre da paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período de estiagem, quando a maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranquiçados.

O bioma ocupa aproximadamente 850.000 km², cerca de 10% do território nacional, englobando de forma contínua parte dos Estados da Paraíba, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia (região Nordeste do Brasil) e parte do norte de Minas Gerais (região Sudeste do Brasil).

Infelizmente é o mais fragilizado dos biomas brasileiros. O uso insustentável do solo e recursos naturais ao longo de centenas de anos de ocupação fazem com que a Caatinga esteja bastante degradada. Entretanto, as poucas pesquisas existentes revelam a sua riqueza em termos de biodiversidade e particularidades.

Paisagem

Do ponto de vista da vegetação, a Caatinga é classificada como savana estépica. Entretanto, a paisagem é bastante diversa, com regiões distintas, cujas diferenças se devem à pluviometria, fertilidade e tipos de solo e relevo. Uma primeira divisão é entre o Agreste e o Sertão. O Agreste é uma faixa de transição entre o interior seco e a Mata Atlântica, característica da Zona da Mata. Já o Sertão apresenta vegetação mais rústica. Estas regiões são usualmente conhecidas como Seridó, Curimataú, Caatinga e Carrasco.

Segundo esta distinção, a Caatinga Seridó é uma transição entre Campo e a Caatinga Arbórea. Cariri é o nome da Caatinga com vegetação menos rústica. Já o Carrasco corresponde a uma Savana muito densa, seca, que ocorre em topo de chapadas, caracterizada pelo predomínio de plantas caducifólias lenhosas, arbustivas, muito ramificadas e densamente emaranhadas por trepadeiras. Ocorre sobretudo na Bacia do Meio Norte e Chapada do Araripe.

Ceará

A solenidade de entrega do Prêmio Ambientalista Joaquim Feitosa para a Fundação Araripe será realizada a partir das 14 horas, no Palácio Iracema, em Fortaleza, quando, em parceria com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), serão lançadas publicações resultantes do Projeto de Conservação e Gestão Sustentável do Bioma Caatinga nos Estados da Bahia e do Ceará (Mata Branca).

A escolha foi feita pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga, presidido pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam). a Fundação Araripe foi escolhida por demonstrar experiência comprovada focada na conservação, recuperação e desenvolvimento de atividades que contribuem sobremaneira para o fortalecimento das Políticas Florestais, da Biodiversidade e de Educação e Extensão Ambiental.

Fundação Araripe fica noCrato (CE), no centro de um espaço do Nordeste que inclui territórios do Ceará (Cariri), Pernambuco Ocidental (entre outros espaços, o Polo Gesseiro) e o Piauí (ao Leste de Picos), com uma população de mais de 1.5 milhões de habitantes, distribuídos em mais de 100 municípios, desde o ano 2000.

Procura contribuir para uma gestão mais eficaz dos recursos humanos e materiais disponíveis, abrindo frentes de trabalho e participando da luta pelo desenvolvimento sustentável. A estratégia da Fundação Araripe, para avançar na direção desejada, é dialogar com os atores regionais para o estabelecimento de agendas em termos de medidas concretas que permitam o desenvolvimento da educação e da saúde, da pesquisa, da vida econômica, regional, social e cultural.

Semiárido

No dia 14 de abril de 2014 o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), completou 10 anos de criação. Com a missão de “viabilizar soluções interinstitucionais para a realização de ações de pesquisa, formação, difusão e formulação de políticas para a convivência sustentável do Semiárido brasileiro a partir das potencialidades socioeconômicas e ambientais da região”.

Para celebrar esta data será realizada uma programação especial hoje, a partir das 16 horas, em sua sede, em Capina Grande. Dentre os destaques haverá a instalação do escritório regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) na região Nordeste, por meio da assinatura de acordo de cooperação. Outra importante novidade é o lançamento da primeira fase do Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido brasileiro (SIGSAB). Além da comemoração do Dia Nacional da Caatinga.

FAO

O Governo Federal, por meio do Insa, apoiará a implantação da 2º Unidade de Coordenação de Projetos da FAO no Brasil, a outra se localiza no Paraná. Na Região Nordeste do Brasil, o escritório da FAO funcionará na sede do Insa/MCTI, em Campina Grande (PB), e apoiará projetos para fortalecer a agricultura familiar, o combate à desertificação, ações de mitigação e recuperação da degradação da terra em espaços semiáridos, a mitigação dos efeitos da seca, a produção de alimentos e o combate à fome.

Terá como parâmetros a instrumentalização da ciência, da tecnologia e da inovação para promover o uso racional do solo, água, bosques e florestas, mediante o planejamento social, econômico, ambiental e o manejo sustentável e de uso múltiplo, com ênfase na inclusão sócio-produtiva das populações mais vulneráveis, levando em consideração a relevância do conhecimento popular e a experiência exitosa de implantação da Unidade de Coordenação de Projetos da FAO na Região Sul do Brasil.

Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido

Considerando que a informação é fundamental para o desenvolvimento da região semiárida, desde 2011 o Insa, no cumprimento de seu papel institucional, concentrou esforços para estruturar e implantar o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (SIGSAB), com a finalidade de reunir e disponibilizar dados e informações econômicas, sociais, ambientais e da infraestrutura do Semiárido brasileiro. O sistema será utilizado para divulgar experiências, conhecimentos e estudos como forma de gerar novos conhecimentos nos campos da ciência, tecnologia e inovação.

Existem várias instituições envolvidas com a produção de dados e informações de interesse para o Semiárido brasileiro. O propósito do SIGSAB é reuni-las para agilizar e facilitar o acesso aos dados científicos sobre a região.

O Sistema foi planejado para operar em plataforma web e o uso de suas ferramentas poderá subsidiar a realização de estudos e pesquisas que poderão contribuir inclusive na definição de políticas públicas e investimentos tanto públicos quanto privados, para o planejamento do uso sustentável dos recursos naturais.

Os dados disponibilizados trarão benefícios para os nove estados que foram o Semiárido brasileiro (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe e Minas Gerais), beneficiando pesquisas que serão realizadas em proveito de aproximadamente 22.500.000 de brasileiros.

O Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (SIGSAB) terá dois módulos de consulta: um básico e outro avançado. O módulo básico é direcionado, gestores de políticas públicas, organizações sociais e sociedade em geral; já o módulo avançado tem como público equipes técnicas de órgãos gestores, pesquisadores de Institutos de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação, e professores de Universidades.

Os dados e informações disponibilizados no Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (SIGSAB) são provenientes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Agência Nacional de Águas (ANA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ministério do Meio Ambiente (MMA), entre outras.

Fontes: MMA, Conpam, Insa

10:05 · 03.01.2014 / atualizado às 10:05 · 03.01.2014 por
Umbuzeiro é uma das espécies relevantes para o manejo florestal de produtos não madeireiros Foto: Embrapa
Umbuzeiro é uma das espécies relevantes para o manejo florestal de produtos não madeireiros Foto: Embrapa

Aproximadamente 150 extensionistas que atuam na Caatinga se tornarão multiplicadores do conhecimento sobre o uso sustentável desse bioma para comunidades rurais com o auxílio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), gerido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

Os técnicos, ligados a cinco entidades dos Estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, vêm participando de um curso em módulos sobre o manejo florestal. Eles já tiveram os módulos sobre os recursos florestais, ecologia e uso múltiplo da Caatinga (como produção de mel, frutas nativas e fitoterápicos). Agora vão concluir a capacitação com o conteúdo sobre princípios técnicos e práticas do manejo.

As informações obtidas poderão ser aplicadas na assistência a pequenos produtores rurais, seja com aqueles que ainda não realizam manejo, mas desejam iniciá-lo, seja com agricultores familiares que já extraem produtos e precisam de apoio técnico.

Segundo o coordenador técnico da Associação Regional da Escola Família Agrícola do Sertão (Arefase), Nelson Lopes, os agricultores demandam assistência para manejar a Caatinga de maneira sustentável. “A gente é desafiado, como profissional, a mostrar como trabalhar de forma diferente, sustentável”, diz.

No norte da Bahia, onde a Arefase atua, uma característica marcante é o uso coletivo do fundo de pasto, áreas de até 3 mil hectares onde animais são criados soltos e a vegetação é preservada. Entre os principais interesses dos agricultores familiares está o manejo florestal dos produtos não madeireiros – como forragem para os animais, frutos e fibras – com o uso de técnicas aliadas ao conhecimento que possuem.

Com a capacitação realizada para extensionistas, o SFB busca fortalecer o manejo por meio de uma de suas principais pontas, que é o profissional atuante no campo. Ao mesmo tempo em que esse técnico leva uma alternativa de uso sustentável, contribui para geração de renda e conservação do bioma.

Calendário

As capacitações para os extensionistas começaram entre outubro e novembro e terminarão em fevereiro de 2014. A parte final da capacitação vai abordar temas como histórico da adoção do manejo, integração das práticas do manejo ao sistema produtivo tradicional, aumento da renda, mercados, além das técnicas em si do manejo madeireiro, como talhonamento e ciclo e intensidade de corte.

As instituições que recebem as capacitações são, além da Efase (escola mantida pela Arefase), o Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não Governamentais Alternativas, de Pernambuco; o Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe, de Pernambuco; o Centro de Capacitação e Assessoria Técnica, do Ceará; e o Instituto de Integração e Desenvolvimento Ambiental e Social, também do Ceará.

Fonte: Serviço Florestal Brasileiro

15:40 · 02.11.2013 / atualizado às 15:49 · 02.11.2013 por
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim

Por Maristela Crispim*

Campina Grande. Reunidos, de 28 a 31 de outubro, no 3º Encontro Nacional de Agricultores Experimentadores, esses guardiões da biodiversidade, que cultivam vida e resistência no Semiárido, trocaram de experiências em apresentações verbais, na Feira de Saberes e Sabores e em visitas temáticas para conhecer experiências de criatórios no Semiárido (potencial forrageiro da Caatinga, manejo alimentar das raças nativas e adaptadas); sementes e a diversificação produtiva dos cultivos anuais; quintais produtivos; e manejo agroflorestal das caatingas.

Organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) o Encontro reuniu aproximadamente 300 agricultores experimentadores dos nove Estados do Semiárido, de Minas Gerais até o Piauí, e mais o Maranhão.

No Encontro também teve espaço para a discussão dos avanços e desafios da assessoria técnica às redes de agricultores experimentadores. Luciano Marçal da Silveira, que é coordenador do Programa Local da Paraíba da Organização Não Governamental (ONG) AS-PTA, que trabalha Agricultura e Agroecologia no Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, explicou que, ao longo de 30 anos vigorou no País o paradigma da Revolução Verde, que associa um pacote tecnológico artificial, com adubos, agrotóxicos, irrigação e sementes de fora, o que rompeu com uma agricultura que já existia antes.

Nessa linha, explica que há uma tendência de desqualificação da agricultura familiar, de classificá-la como atrasada. “Mas há uma contracorrente, até porque a modernização da agricultura no Semiárido foi um desastre, que promoveu a multiplicação da pobreza”, afirma.

“Durante muito tempo a roça e a queima foram sustentáveis, porque no passado havia muita disponibilidade de terra para migrar. Mas, com propriedades cada vez menores, esse tipo de prática precisou ser repensado, por meio da capacidade de observação do uso dos recursos naturais disponíveis”, acrescenta.

Para ele, é preciso reverter esse quadro, vendo a Caatinga não como limitante, mas como fonte de recursos, como base para a regeneração produtiva com práticas mais sustentáveis, “que precisam, antes de mais nada, olhar para a tradição, quais são as práticas mais eficientes no uso dos recursos; promover um reencontro da ciência com o desenvolvimento local; construir condições para que a agricultura estabeleça uma produção com a base de recursos que a Caatinga oferece e isso não se constrói sem a participação inventiva do agricultor”, enfatiza.

Luciano destaca a importância de recolocar o agricultor como construtor de conhecimentos, construir ambientes coletivos de trocas em rede para aprendizados mútuos. Mas alerta que, se os agricultores estão assumindo novos papéis, é importante que os técnicos repensem seus papéis: “eles têm uma formação difusionista, com dificuldade de estabelecer uma visão mais horizontal, que contribua para o fortalecimento dessas redes”.

Para ele, é preciso fugir do daquela receita da visita individual e levar o conhecimento para ajudar na construção em ambientes coletivos. “Mas é preciso mobilização para que isso aconteça. A construção coletiva de técnicas rompe o paradigma da separação entre pesquisa e extensão e o desenvolvimento técnico nunca foi tão exigido quanto agora”, finaliza.

* A jornalista viajou a convite da ASA

09:28 · 30.07.2013 / atualizado às 09:42 · 30.07.2013 por
Entre as propostas, está a criação de política pública de manejo sustentável da Caatinga e do Cerrado, valorizando, reconhecendo e conservando as paisagens, a biodiversidade animal e vegetal (rebanho e sementes crioulas), como estratégia de estocagem visando a segurança hídrica, alimentar e energética Foto: Cid Brabosa (Agência Diário)
Entre as propostas, está a criação de política pública de manejo sustentável da Caatinga e do Cerrado, valorizando, reconhecendo e conservando as paisagens, a biodiversidade animal e vegetal (rebanho e sementes crioulas), como estratégia de estocagem visando a segurança hídrica, alimentar e energética Foto: Cid Barbosa (Agência Diário)

Mudar a perspectiva que o Estado e a sociedade brasileira têm sobre o Semiárido, e, assim, transformar as ações emergenciais defasadas em ações estruturantes, que impulsionem a convivência sustentável e harmoniosa entre agricultores, o clima e a terra. Essa foi a tônica da 1ª Conferência Temática sobre o Semiárido Brasileiro (CTSAB), realizada nos dias 25 e 26 de julho, no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU), em Fortaleza.

A temática faz parte da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (2ª CNDRSS), e o resultado foi um documento com dez propostas debatidas a partir das reivindicações e reflexões dos povos do Semiárido. As proposições farão parte do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, que será definido em outubro deste ano.

A intenção é levar as demais proposições a outros espaços e produzir materiais informativos e norteadores de outras políticas públicas. “A Conferência está construindo, dando materialidade à política de desenvolvimento rural e sustentável ao assumir compromisso com o Plano Nacional, firmando parceria entre governo federal e governos estaduais e municipais”, salientou Andrea Butto, titular da Secretaria do Desenvolvimento Territorial, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

A realização da Conferência Temática foi proposta pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) e pelo MDA e definida no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf).

Debates

Com representantes do poder público, a Conferência teve participação de secretários e assessores do MDA, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os secretários estaduais de Pernambuco, Aldo Santos e Ceará, Nelson Martins.

A sociedade civil organizada presente fomentou os debates, com a participação da ASA, Federação Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Instituto Internacional de Cooperação para Agricultura (IICA), Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cáritas e agricultores do Ceará e outros Estados.

Para facilitar a mediação de propostas, no primeiro dia aconteceram os painéis “Políticas Públicas de Convivência com o Semiárido Brasileiro para o Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário” e “Elementos estratégicos e lições tiradas de experiências para construção e gestão de políticas públicas para convivência com o Semiárido Brasileiro”.

Roberto Marinho, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), apresentou dados relacionados ao desenvolvimento rural, destacando que “o debate sobre a convivência com o Semiárido tem se ampliado” e que “nós temos mostrado o Semiárido como um lugar bonito, bom de se viver, mas sem esquecer que é uma terra de semiaridez, frágil como qualquer outro ambiente”.

Ainda nas apresentações, Naidson Quintella, coordenador da ASA, acrescentou que “apesar de todas as adversidades que existem no Semiárido, esse é um lugar vivo, capaz e que produz conhecimentos, onde é possível construir o desenvolvimento sustentável”.

Naidson apontou elementos básicos para o Desenvolvimento Rural Sustentável, como estocar água para o consumo humano e produção de alimentos; trabalhar na perspectiva da produção, gestão e estocagem de sementes; estocar alimento para o consumo familiar e animal; garantir assistência técnica; a educação contextualizada e o acesso à terra.

São coisas simples, mas estratégicas e fundamentais, que, se não forem levadas em consideração, não há desenvolvimento no Semiárido”, enfatizou.

Rocicleide Ferreira, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), durante a apresentação de programas do Plano Brasil sem Miséria, do Governo Federal, levantou a questão de concepções da família no Semiárido, sobre a necessidade de se debruçar sobre as demandas de cada componente dessas famílias, homens, mulheres, jovens e crianças.

Antônio Barbosa, coordenador do Programa Uma Terra Duas Águas (P1+2), fruto da pareceria entre ASA e governo federal, atentou para a questão política da seca, “a seca é social, vem com a estiagem. Esta vai ter sempre, já a seca pode acabar. Pois o problema não é a falta d’água, é a falta de política. Sendo assim, a cisterna é a maneira mais rápida e eficiente de garantir água para famílias do Semiárido”, concluiu.

Documento

Na manhã do segundo dia, todos os participantes se dividiram em quatro grupos, com diferentes eixos temáticos: Reforma agrária e democratização do acesso à terra no Semiárido; Democratização do acesso à água no Semiárido para Segurança Alimentar e Nutricional e Geração de Renda; Abordagem territorial como estratégia de desenvolvimento rural; Semiárido e desenvolvimento socioeconômico e ambiental e combate à desertificação no Semiárido.

Os debates em grupo resultaram na definição de propostas para a plenária e na escolha das dez proposições que representarão as demandas do Semiárido no Plano Nacional. São:

I – Construção de um Plano de Reforma Agrária para o Semiárido, com efetiva participação social, orientada pelas seguintes diretrizes estratégicas:

a) Reforma Agrária como estratégia de desenvolvimento econômico, social, ambiental, político e cultural

b) Convivência com o Semiárido numa perspectiva agroecológica e da economia solidária

c) Valorização e reconhecimento do trabalho das mulheres e jovens, priorizando o acesso e garantindo à titularidade

d) Reconhecimento dos territórios dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Operacionalizada mediante o processo de regularização fundiária, desapropriações, aquisições, ações discriminatórias, priorizando a redistribuição de terras devolutas e já arrecadadas, com a garantia de infraestrutura social, hídrica e produtiva.

II – Criar a Política Nacional de Convivência com o Semiárido e os instrumentos necessários à sua implantação (Fundo Nacional de Convivência com o Semiárido e Conselho Nacional de Convivência com o Semiárido, Planapo e com os Colegiados Territoriais), garantindo ações estratégias de valorização do trabalho das mulheres e protagonismo juvenil.

III – Universalização do direito de todas as pessoas ao acesso à água para consumo humano (com priorização das cisternas de placa, sistemas simplificados) e para produção agroecológica (através das múltiplas tecnologias sociais adaptadas às realidades locais e da construção do conhecimento pautado numa metodologia participativa).

IV – Criar uma política pública de manejo sustentável da Caatinga e do Cerrado, valorizando, reconhecendo e conservando as paisagens, a biodiversidade animal e vegetal (rebanho e sementes crioulas), como estratégia de estocagem visando a segurança hídrica, alimentar e energética.

V – Criar programa de resgate e produção das sementes crioulas fortalecendo as estratégias locais de estocagem familiar e comunitária.

VI – Investir na ECSA, garantindo a publicação de material teórico e produção de material didático-pedagógico, discutindo temas centrais, como água, produção, terra, gênero, geração, raça e etnia.

VII – Implantação do Atlas do Nordeste (sistemas de tratamento, limpeza das fontes, tratamento da água).

VIII – Implementar o Plano Safra Territorial como estratégia de planejamento e efetivação de políticas públicas de inclusão produtiva.

IX – Garantia de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) pública, universal, processual, baseada nos princípios da agroecologia, da economia solidária na perspectiva da promoção da agricultura familiar camponesa, tendo as agricultoras e agricultores como sujeitos dos processos de disseminação do conhecimento para a convivência com o Semiárido.

X – Criar política para agroindústria familiar que garanta processo de produção, acesso a mercado e à proteção dos consumidores adequando os processos das normas de vigilância sanitária para a agricultura familiar no Semiárido.

Fonte: 1ª Conferência Temática sobre o Semiárido Brasileiro (CTSAB) – Monique Linhares, Rosa Nascimento e Alexandre Greco

08:12 · 19.07.2013 / atualizado às 08:12 · 19.07.2013 por
Recifes no litoral nordestino: conectividade entre recifes de corais e estuários será investigada por projeto apoiado por Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, na Paraíba Foto: Haroldo Palo Jr
Recifes no litoral nordestino: conectividade entre recifes de corais e estuários será investigada por projeto apoiado por Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, na Paraíba Foto: Haroldo Palo Jr

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza divulgou a lista das novas iniciativas de conservação da natureza que serão apoiadas a partir do segundo semestre deste ano. No total, serão doados R$ 1.388.638,19 em 19 novos projetos e programas, nos seis biomas brasileiros. Desse total, R$ 738.259,16 irão para dez iniciativas nos nove Estados do Nordeste do País.

Boa parte das iniciativas está relacionada ao ecossistema marinho da região, que terá quatro pesquisas apoiadas. Entre elas, está o projeto “Conectividade entre recifes de corais e estuários no Nordeste brasileiro: reconstruindo a vida dos peixes”, que será realizado pelo Instituto Harpia – Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Paraíba.

O objetivo é fazer uma análise da situação atual dos recifes na região, contribuindo para o entendimento da dinâmica das espécies que neles habitam, bem como propor estratégias de conservação para proteger os ecossistemas estudados. Desse modo, o projeto pretende contribuir para a implementação de ações mais efetivas de manejo para o ecossistema marinho.

Especificamente no Estado do Ceará, foi contemplado o projeto “Filogeografia, estrutura genética e conservação do facheiro-da-praia (Pilosocereus catingicola)” , da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura.

Outro estudo apoiado no Nordeste acontecerá em sete Estados da região, aplicado pelo Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan). Ele terá como foco estudar a distribuição geográfica e a conservação da lontra-neotropical (Lontra longicaudis) no Nordeste brasileiro.

A lontra-neotropical é um mamífero aquático que consta na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como “Deficiente de Dados”, desde 2000, sendo que foi considerada como “vulnerável” à extinção, por quase duas décadas.

Atualmente, são reconhecidas diversas ameaças à espécie, como desmatamento, contaminação e poluição dos ambientes aquáticos, além da caça. Apesar dos dados ineficientes sobre as populações dessa espécie, suspeita-se que ela já esteja ameaçada de extinção, o que potencializa ainda mais a importância dessa pesquisa.

Soluções a longo prazo

Além de projetos como o da lontra-neotropical, desenvolvidos em até dois anos, a Fundação Grupo Boticário também financia iniciativas de maior duração (até quatro anos). Chamadas de programas, elas visam a apoiar instituições para que empreendam ações de médio a longo prazos, resultando em medidas efetivas e práticas de conservação da natureza.

Nessa linha de financiamento serão apoiados dois programas, a partir do segundo semestre. Um deles será focado na Mata Atlântica e na Caatinga e será realizado pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil), com foco na avifauna desses biomas. Com ação em quatro Estados (São Paulo, Paraná, Bahia e Rio de Janeiro), essa iniciativa pretende registrar e monitorar aves brasileiras como ferramenta para avaliar a importância das unidades de conservação.

O outro programa selecionado será realizado em diversas regiões brasileiras, inclusive em áreas da Caatinga nordestina, pela Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape), de Goiás, e pretende incentivar a adoção de novas políticas públicas para criação e gestão de Unidades de Conservação (UCs). Para isso, será avaliado como diferentes estratégias de proteção do meio ambiente no país consideram os impactos das mudanças climáticas em suas propostas de ações.

Resultados

Em 23 anos de atuação, a Fundação Grupo Boticário já se firmou como uma grande financiadora, ligada à iniciativa privada, de iniciativas de conservação da natureza brasileira. Ao todo, 1.353 iniciativas já foram apoiadas em todos os estados brasileiros.

Para conferir a lista completa das 17 novas iniciativas selecionadas no Edital de Apoio a Projetos, bem como os respectivos técnicos e instituições responsáveis por cada uma delas, acesse o site www.fundacaogrupoboticario.org.br, no caminho O que fazemos > Editais > Projetos aprovados.

Inscrições abertas

O apoio a iniciativas de conservação da natureza feito pela Fundação Grupo Boticário é estruturado em três linhas de financiamento: dois editais de chamada pública (para projetos de até dois anos) e o Apoio a Programas, que contempla iniciativas de até quatro anos e com maiores valores de financiamento, em torno de R$400 mil.

As inscrições para os editais podem ser realizadas até 31 de agosto, no site www.fundacaogrupoboticario.org.br, por meio do link O que fazemos > Editais > Como inscrever.

Para o mais tradicional deles, o Edital de Apoio a Projetos, são aceitos projetos que contribuam para a conservação da natureza em todo o Brasil e que sejam realizados por instituições sem fins lucrativos, como organizações não governamentais ou fundações ligadas a universidades.

Já para o edital conjunto Fundação Grupo Boticário & Fundação Araucária, podem ser inscritos projetos de instituições paranaenses que contribuam para a conservação da natureza no Paraná, com prioridade para a região da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucárias) e para a região litorânea do Estado.

Para a linha de financiamento de Apoio a Programas, criada em 2010, é necessário enviar, até 10 de setembro, uma carta-consulta para o e-mail picn@fundacaogrupoboticario.org.br, com informações gerais sobre a iniciativa a ser proposta.

Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.353 projetos de 465 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Projeto Oásis.

Fonte: Fundação Grupo Boticário

08:47 · 17.07.2013 / atualizado às 08:47 · 17.07.2013 por

ResilientecomoaCaatinga

Ela tem 89 anos e foi uma das pioneiras das lutas ambientais no Ceará, juntamente com o marido, Joaquim Feitosa (Feitosinha). A sobralense Dolores Feitosa fez parte do grupo de cidadãos que lutou pela criação do Parque Adahil Barreto, entre as atividades realizadas, muitas reuniões e um animado convescote debaixo dos cajueiros.

No espaço, hoje destinado à preservação ambiental, seria construído o prédio do Banco do Nordeste, no entanto, devido à pressão popular, foi decidido que o bairro Passaré abrigaria o Banco. Esta é uma das muitas histórias que serão contadas no livro “Dolores Feitosa – resiliente como a Caatinga”, escrito pela jornalista e escritora Luiza Helena Amorim, que será lançado nesta sexta-feira (19), às 19h30, no Ideal Clube.

Ao narrar fatos da vida particular e da vida pública da biografada, a obra retrata um pouco da história do Ceará e do Brasil. E mostra as bandeiras de luta de Dolores Feitosa, como a preservação do bioma da Caatinga.

Ela e o seu Feitosinha participaram ativamente da mobilização pela ida do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) para o Ceará, mais precisamente para o Sertão dos Inhamuns. A Fundação Bernardo Feitosa, a qual ela preside, realizou debates e buscou articulações com a sociedade civil, universidades, entidades não governamentais e lideranças municipais.

Segundo Dolores Feitosa, foram coletadas mais de 5 mil assinaturas justificando ao Ministério da Ciência e Tecnologia os motivos para levar o Instituto para Tauá. No entanto, foi escolhida a cidade de Campina Grande, na Paraíba.

“Já que o propósito do governo era promover a inclusão, deveria ter olhado mais para Tauá e para a Região dos Inhamuns, porque existe um grande potencial para o turismo científico e para as diversas pesquisas na área ambiental”, critica a ambientalista. Na época, ela enviou uma carta com um desabafo, ao então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Com o falecimento do esposo, Dolores Feitosa deu continuidade ao trabalho iniciado pelo seu Feitosinha. E ainda tem fôlego para encampar outras lutas, como a questão cultural e patrimonial, por meio da Fundação Bernardo Feitosa, da qual ela é presidente e cuja área de atuação abrange o Museu Regional dos Inhamuns, em Tauá.

“A principal causa de Dolores Feitosa sempre foi o social, por isso não consigo rotulá-la. Vimos a atuação dela, por exemplo, defendendo os direitos da população se manifestar nas ruas contra a Ditadura Militar, depois se aprofundando nas questões ambientais, como a implantação do Parque Adahil Barreto”, explica Luiza Helena Amorim.

Para a jornalista e historiadora Isabel Lustosa, que assina o prefácio da obra, “o patrimônio histórico, natural e arqueológico do sertão cearense deve muito à ação que Dolores Feitosa empreendeu e continua empreendendo, mesmo com quase 90 anos”. O livro traz, ainda, uma coletânea de artigos, discursos e poemas inéditos de Dolores Feitosa. Aos leitores fica o convite para reflexão e ação em prol de um mundo mais justo social, econômico e ambiental.

Serviço

Lançamento do Livro “Dolores Feitosa – resiliente como a Caatinga”

Ideal Clube

19 de julho, às 19h30