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Categoria: Protocolo de Kyoto


16:00 · 15.12.2011 / atualizado às 16:00 · 15.12.2011 por

 

O Canadá ainda tem obrigação legal sob as regras da Organização das Nações Unidas (ONU) para reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa, apesar da retirada do país do Protocolo de Kyoto, afirmou nesta terça-feira (13 de dezembro) a secretária-executiva da ONU para Mudança Climática, Christiana Figueres.

“Seja membro ou não do Protocolo de Kyoto, o país tem a obrigação legal nos termos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) para reduzir suas emissões e uma obrigação moral de si mesmo e das gerações futuras para liderar o esforço global”, disse Christiana.

Na segunda-feira (12 de dezembro), o ministro do Meio Ambiente canadense, Peter Kent, justificou a saída do país do acordo obrigatório para redução de emissões de gases devido ao aumento considerável da poluição atmosférica no país e possível risco de pagamento de multas equivalentes a US$ 14 bilhões.

“É lamentável e é um tapa na cara dos esforços da comunidade internacional que o Canadá deixe o Protocolo de Kyoto num momento em que a reunião de Durban, como todos sabem, obteve um importante progresso ao garantir uma segunda fase de compromisso com o Protocolo”, disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa.

A China, maior emissor global de gases decorrentes da atividade humana, insiste que Kyoto continua sendo a base dos esforços globais contra a mudança climática. O país articulou pela prorrogação do acordo, mas também cedeu à pressão para negociar um novo tratado que obriga todos os grandes emissores a fazerem cortes.

“Também esperamos que o Canadá encare suas responsabilidades e deveres, continue cumprindo seus compromissos e assuma uma atitude positiva e construtiva com relação à participação na cooperação internacional para responder à mudança climática”, complementou Weimin.

Repercussão negativa

O ministro japonês do Meio Ambiente, Goshi Hosono, também lamentou a decisão canadense, e pediu ao governo do Canadá que a reconsidere, alegando que o Protocolo de Kyoto contém “importantes elementos” para o combate à mudança climática. Mais cedo, o ministério das Relações Exteriores da França afirmou que o anúncio era uma “má notícia”.

Já o negociador da pequena nação insular de Tuvalu, no Pacífico Sul, Ian Fry,foi mais direto em suas críticas, qualificando a atitude canadense como “um ato de sabotagem”. Um funcionário do governo indiano disse que a decisão canadense pode colocar em risco os avanços conseguidos em Durban.

Como funciona

Criado em 1997, o tratado obriga as nações desenvolvidas do Hemisfério Norte (chamado de Anexo 1) a reduzir suas emissões em 5,2%, entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Países da Europa já tomaram medidas para reduzir suas emissões.

Por consenso dos países reunidos na COP 17, que encerrou no último domingo (11), o acordo foi renovado por um novo período, que se inicia em 2013 e tem prazo para terminar em 2017 ou 2020 – a data final ainda não foi definida.

O tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil.

Fonte: Globo Natureza

07:00 · 31.08.2011 / atualizado às 19:14 · 30.08.2011 por
As mudanças climáticas globais são atribuídas ao incremento humano nas emissões de CO2 Foto: Stock.XCHNG

A publicação “O acordo de Copenhague e as decisões de Cancún no contexto da Convenção do Clima”, lançada nesta segunda-feira (29 de agosto), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), trata, entre outros pontos, da não execução do Protocolo de Kyoto.

O documento informa também que o Brasil deve mudar sua postura quanto às emissões atuais e futuras de CO2 devido ao estágio de desenvolvimento econômico que se encontra atualmente.

O compromisso firmado por 37 países industrializados em 1997 previa que estes reduzissem 5,2% de suas emissões de gases que aquecem o Planeta, em relação às emissões de 1990. O instituto lembra que a data limite para esse compromisso termina em 2012, ainda assim, muitos países aumentaram os gases poluentes que lançam na atmosfera.

A recusa dos Estados Unidos em assinar o acordo de Kyoto foi outro ponto debatido pelo Ipea.

A pesquisa aponta que apenas os países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda defendem que a meta de redução de 5,2% deve ser seguida e critica o fato de a maioria das nações industrializadas, os maiores poluidores historicamente, recusarem-se a aceitar que o acordo seja a única solução para a crise climática do país.

Mudança de postura

A participação crescente dos emergentes no ranking dos maiores poluentes é outro ponto do documento. A China, a Índia e o Brasil são apontados como países que devem mudar a postura em relação aos acordos climáticos e começar a ter uma responsabilidade maior em relação às emissões de CO2.

Segundo dados do Instituto de Recursos Mundiais (WRI), os chineses já estão em segundo lugar no ranking dos maiores poluidores do mundo, ficando atrás apenas dos EUA.

Para o Ipea, um dos avanços da última conferência, no México, foi a oficialização do objetivo de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. Além disso, o acordo de Cancún trouxe compromissos de mitigação indicados para quase todos os países.

Outro ponto positivo foi a criação do Green Climate Fund, que prevê investimentos anuais de US$ 100 bilhões até 2020 com foco na elaboração de projetos de adaptação e desenvolvimento de baixo carbono em países de menor desenvolvimento.

Apelo

A conclusão da publicação é um apelo para que a próxima Conferência (COP17), que vai acontecer no fim deste ano em Durban, na África do Sul, trate de três questões fundamentais. A primeira é de ordem geopolítica: o fim da polarização entre os Estados Unidos e a China, o que pode viabilizar um novo acordo com metas ambiciosas por meio tanto da criação de barreiras comerciais quanto pela competitividade tecnológica.

A segunda é a criação de sanções comerciais, que alguns países desenvolvidos já propõem: leis climáticas nacionais que penalizem a importação de produtos dos países que não tenham redução de emissões reconhecidas pelas Nações Unidas.

E a terceira é um confronto dirigido para a conquista de mercados internacionais, onde as lideranças econômicas mundiais podem se engajar por um novo paradigma de concorrência via um crescimento econômico limpo, com efeitos indiretos para todos os países.

Fonte: Globo Natureza