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Categoria: Conservação e Manejo da Biodiversidade


11:21 · 06.09.2013 / atualizado às 11:27 · 06.09.2013 por
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O valor das terras secas, segundo os pesquisadores, está na sua biodiversidade, que garante a qualidade do solo e ajuda a proteger nascentes e córregos Foto: Cid Barbosa

 “As zonas áridas, semiáridas e subúmidas da América Latina e do Caribe reúnem grande parte da pobreza e do sofrimento, enquanto enfrentam uma enorme pressão sobre os recursos naturais, incluindo a água, solo e biodiversidade. As pessoas que vivem nessas regiões são as mais vulneráveis aos efeitos negativos da variação e mudança do clima e com menos possibilidades de resolvê-los”.

Essa é a introdução da Carta de Sobral (divulgada em Espanhol), resultado da 1ª Conferência Científica da Iniciativa Latinoamericana de Ciência e Tecnologia para Implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (ILACCT), realizada na semana passada, no norte do Estado do Ceará, com pesquisadores de diversos países afetados pela desertificação.

O evento foi iniciativa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com instituições como a Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal), Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas (Iadiza) e a Fundação de Meteorologia do Estado do Ceará (Funceme). A organização contou com o apoio da Prefeitura de Sobral, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará (Secitece) e da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA).

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, que é presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e à Seca (UNCCD) e assessor do CGEE, o evento foi muito bem sucedido.

Na próxima semana, ele viaja para Windhoek, capital Namíbia ,onde participa das reuniões do Comitê de Ciência e Tecnologia da UNCCD e da Conferência das Partes da UNCCD. Lá, ele completa o seu período de dois anos como presidente da CST-UNCCD, e, no fim da reunião passa a responsabilidade para o seu sucessor, ainda não definido, mas,  “provavelmente europeu”, opina.

Alinhada com a estratégia de dez anos da UNCCD 2008-2018, foi criada a ILACCT. O objetivo é capacitar e fortalecer processos participativos que facilitem as atividades de ciência e tecnologia na região.

Seguindo as recomendações da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18), realizada em Fortaleza (CE) e em Mendoza (Argentina), várias instituições da região organizaram a Conferência Científica de Sobral, que reuniu mais de 400 participantes de 15 países, incluindo cientistas e acadêmicos, técnicos do governo, representantes do setor privado e de organizações internacionais e de cooperação, bem como membros de organizações não governamentais (ONGs) e da sociedade civil.

Durante as sessões da Conferência foram intercambiados o conhecimento e as lições das últimas duas décadas sobre sustentabilidade e desenvolvimento nas terras áridas do mundo e especialmente na América Latina e no Caribe.

Os participantes constataram que países e instituições da região fizeram avanços significativos no conhecimento científico e técnico de combate à desertificação e à seca. Deixaram claro, no entanto, que “os desafios para reduzir efetivamente a pobreza e alcançar uma gestão sustentável das terras secas ainda estão presentes, o que compromete a capacidade dos países para alcançar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS)”.

A Primeira Conferência Científica ILACCT reflete os esforços da América Latina e do Caribe para a troca de conhecimentos científicos e técnicos na região, conhecer outras experiências do mundo e consolidar e ratificar a vontade de avançar na construção de uma interface entre ciência e política, e à busca do conhecimento científico e técnico suficiente para fazer por parte dos responsáveis pela elaboração e implementação de políticas de decisão informada.

As discussões abordaram a necessidade de que o melhor procedimento para o conselho científico internacional e interdisciplinar proposto pelo Aconselhamento Científico focando em desertificação / degradação do solo e as questões da seca (AGSA) para apoiar o processo da UNCCD, incluindo suporte para a consolidação dos centros regionais de ciência e tecnologia, onde a ILACCT pretende desempenhar um papel significativo.

Da mesma forma, os participantes apoiaram fortemente Programa AridasLAC como um instrumento fundamental para o desenvolvimento de redes científicas, regional, sub-regional e nacional, bem como um dos pilares da mobilização de recursos para a investigação científica e técnica na região e na produção de conhecimento científico de referência, capacitação e análise de políticas de combate à desertificação e à seca.

Eles abordaram os aspectos ambientais, econômicos, culturais e sociais da desertificação, reconhecendo que as terras secas apresentam oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Mas exigem alta prioridade dos governos nacionais e regionais, organizações internacionais e do setor privado. Estas oportunidades variam de aprender a conviver com a seca até ser transformado.

Os participantes enfatizaram, ainda, a necessidade de tratar questões mais profundas, como a desertificação, ciência e política; impactos econômicos da desertificação; impactos das mudanças climáticas sobre a desertificação; clima e previsão do clima em zonas áridas; delimitação das áreas afetadas e mapeamento da desertificação; determinantes sociais da saúde no semiárido; experiências bem-sucedidas de viver sem recursos hídricos em zonas áridas, terras secas e em desertificação; gênero; e redes científicas de combate à desertificação. Também consideraram especialmente importante reforçar as redes e programas existentes para a elaboração do Atlas da Desertificação na América Latina e Caribe.

Fonte: Carta de Sobral

09:43 · 27.03.2013 / atualizado às 09:43 · 27.03.2013 por

Resta apenas um mês para a entrega de propostas a serem apoiadas pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) por meio de Demanda Espontânea. Até 26 de abril, representantes de organizações não governamentais e de órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal poderão enviar projetos voltados para áreas como recuperação florestal, conservação e manejo da biodiversidade, educação ambiental, entre outras. Ao todo, dez propostas serão contempladas pela seleção do FNMA deste ano.

O Fundo oferece R$ 3 milhões para o programa, destinado a iniciativas formuladas por entidades públicas e privadas sem fins lucrativos. O custo de cada um dos projetos pode variar entre R$ 100 mil e R$ 300 mil. O prazo de implantação e conclusão dos projetos deve ser de, no máximo, 18 meses.

Três eixos

Os recursos são destinados a projetos em três diferentes eixos. Na área de água e florestas, serão aceitas propostas ligadas à recuperação de áreas degradadas, agroecologia e uso múltiplo de vegetação nativa. A segunda temática se refere a iniciativas de conservação e manejo da biodiversidade. Por fim, serão contemplados, ainda, projetos no eixo sociedades sustentáveis, que inclui educação ambiental e fortalecimento da gestão ambiental e de cooperativas de catadores de lixo.

Mais informações sobre a seleção podem ser encontradas no endereço eletrônico www.mma.gov.br/fnma. Os interessados deverão enviar as propostas para análise do Fundo por meio do Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv). Para conhecer a plataforma, os usuários poderão acessar o portal www.convenios.gov.br. Dúvidas sobre a Demanda Espontânea do FNMA podem ser enviadas para o e-mail fnma@mma.gov.br.

Criado pela lei nº 7.797 de 10 de julho de 1989, o FNMA é o mais antigo fundo ambiental da América Latina. É uma unidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem a missão de contribuir,como agente financiador, para a implantação da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). Ao longo dos 23 anos de existência, o Fundo apoiou 1,4 mil projetos socioambientais e investiu R$ 230 milhões em iniciativas de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.

Fonte: MMA / Lucas Tolentino