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Categoria: Conservação


21:43 · 09.12.2016 / atualizado às 21:43 · 09.12.2016 por
Levantamento foi feito em áreas de Caatinga e serras, em mais 80 locais de Unidades de Conservação do Estado Foto: André Costa / Agência Diário
Levantamento foi feito em áreas de Caatinga e serras, em mais 80 locais de Unidades de Conservação do Estado Foto: André Costa / Agência Diário

O Inventário Florestal Nacional do Ceará (IFN-CE), lançado nesta sexta-feira (9), pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), é o primeira do gênero realizado no Ceará em 20 anos, com levantamento em 377 amostras diferentes de áreas de Caatinga e serras, e em mais 80 locais dentro dos perímetros das Unidades de Conservação do Estado.

Ele mostra que o Ceará tem 57% do seu território coberto por floresta, o que equivale a 8,5 milhões de hectares. A Caatinga, bioma característico da região Nordeste, representa 88% dessa cobertura vegetal. O levantamento também identificou áreas de cerrado, floresta ombrófila, estacional e pioneiras.

A Serra da Meruoca apresentou maior área com cobertura florestal, com 87% de sua extensão, enquanto Pacajus ficou com a menor cobertura, apenas 15%.
O estudo identificou ainda 776 espécies vegetais e 346 espécies de árvores, a mais encontrada foi o marmeleiro. A mais abundante em áreas fora das florestas foi a carnaúba, o vegetal símbolo do Ceará que consta inclusive do Brasão do Estado.

Na ocasião também foi apresentado o projeto de Mapeamento do Zoneamento Ecológico e Econômico do Ceará (ZEE) da Zona Costeira e Unidades de Conservação Costeiras do Estado.

Os dois documentos foram resultado do investimento de mais de R$ 6 milhões. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema), os dados apurados pelos pesquisadores serão ferramentas importantes na condução de políticas públicas de meio ambiente e nortearão a tomada de decisões de investidores interessados no desenvolvimento sustentável.

O governador Camilo Santana destacou a relevância histórica destes estudos para uma melhor gestão dos recursos naturais e o avanço nas políticas públicas voltadas ao meio ambiente.

Links:
Inventário Florestal
Zoneamento Ecológico e Econômico do Ceará (ZEE)

21:26 · 24.07.2011 / atualizado às 21:26 · 24.07.2011 por
Animais que estão no topo das cadeias alimentares são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas, como os lobos, tubarões, leões e as nossas onças Foto: stock photo

 

O acentuado declínio nas populações dos grandes predadores não é apenas uma notícia triste para quem admira animais como leões, tigres, lobos e tubarões. De acordo com estudo publicado na revista Science, do qual participaram pesquisadores de 22 instituições de seis países, a perda de espécies no topo da cadeia alimentar pode representar um dos maiores impactos da ação humana nos ecossistemas terrestres.

Segundo James Estes e outros pesquisadores do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade da Califórnia, a redução é muito maior do que se estimava e afeta muitos outros processos ecológicos em um efeito que os cientistas chamam de cascata trófica, no qual a perda no topo da cadeia alimentar impacta enormemente muitas outras espécies de animais e de plantas.

Os autores do estudo afirmam que o resultado desse declínio é tão intenso que tem afetado os mais variados aspectos do ecossistema global, como o clima, a perda de habitats, poluição, sequestro de carbono, espécies invasoras e até mesmo a propagação de doenças.

O estudo aponta que a perda desses grandes animais é a força motriz por trás da sexta extinção em massa na história do Planeta. “Temos agora evidências extensivas de que os grandes predadores são altamente importantes na função da natureza, dos oceanos mais profundos às montanhas mais altas, dos trópicos ao Ártico”, disse William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon, autor do estudo.

“De modo geral, o colapso dos ecossistemas atingiu um ponto em que isso não afeta apenas animais como lobos, o desflorestamento, o solo e a água. Esses predadores, em última análise, protegem os homens. Isso não é apenas algo sobre eles, mas sobre nós”, disse.

Entre os dados expostos no artigo está o efeito do declínio de lobos no Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos. Quando esses animais foram sendo removidos, a população de alces se alterou imediatamente. Mas também mudou o comportamento desse cervídeo, que passou a se alimentar de plantas em locais em que antes não ia porque podia ser atacado por um lobo.

Sem os lobos, pequenas árvores da família Salicaceae e gramíneas passaram a crescer menos, o que resultou na queda de alimentos para os castores, com resultante diminuição na população desses últimos. O resultado foi a cascata trófica. Com a reintrodução de lobos no parque, passou a ocorrer a recuperação do ecossistema, com as plantas voltando a crescer mais, assim como as populações de outros animais.

Outro destaque do estudo é a redução na população de grandes felinos no Utah, que levou ao aumento na população de cervídeos, à perda na vegetação, à alteração no fluxo de canais de água e ao declínio da biodiversidade.

Por muito tempo os grandes predadores foram vistos no topo da pirâmide trófica e sem terem grande influência nas espécies e na estrutura abaixo. Isso, segundo os autores do estudo, é uma compreensão fundamentalmente equivocada da ecologia.

O artigo Trophic Downgrading of Planet Earth (doi:10.1126/science.1205106), de James Estes e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Divulgação científica da Agência FAPESP