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Categoria: Consumismo


10:14 · 15.10.2013 / atualizado às 10:14 · 15.10.2013 por

Você já parou para pensar que diariamente contribui para a exaustão dos recursos naturais do Planeta e para o acúmulo de resíduos que o ambiente não consegue absorver naturalmente? Hoje – 15 de outubro – é uma data dedicada a uma reflexão com a qual não estamos muito acostumados. E, talvez, por isso mesmo, seja bem necessária.

O Dia do Consumo Consciente foi instituído pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em 2009, para despertar a consciência do público para os problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos causados pela tendência crescente de padrões de produção e consumo excessivos e insustentáveis.

Esse marco provém de um compromisso anterior, da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002 (Rio+10), que aprovou, no Plano de Johanesburgo, a elaboração de um conjunto de programas, com duração de dez anos para apoiar e fortalecer iniciativas regionais e nacionais para promoção de mudanças nos padrões de consumo e produção.

O Processo de Marrakesh, assim chamado por ter resultado de reunião na cidade do Marrocos, teve início em 2003. Foi concebido para dar aplicabilidade e expressão concreta ao conceito de Produção e Consumo Sustentáveis (PCS). Ele solicita e estimula que cada país membro das Nações Unidas, e participante do processo, desenvolva seu plano de ação, a ser compartilhado com os demais países, em nível regional e mundial, gerando subsídios para a construção do “Global Framework for Action on SCP”.

Sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Undesa), o Processo conta também com a essencial participação de governos nacionais, agências de desenvolvimento, setor privado, sociedade civil e outros atores.

Reflexão

Enquanto o consumo surge como exercício direto da cidadania, sem avaliação dos impactos das decisões de compra, as discussões sobre preservação do meio ambiente destacam o conceito de consumo responsável, ao colocar o consumidor como determinante para as alterações sobre o meio ambiente.

A definição oficial de Consumo Sustentável é da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Organização das Nações Unidas (ONU)  (1995): “o uso de serviços e produtos que respondem às necessidades básicas de toda população e trazem a melhoria na qualidade de vida, ao mesmo tempo em que reduzem o uso dos recursos naturais e de materiais tóxicos, a produção de lixo e as emissões de poluição em todo ciclo de vida, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.”

O conceito de Consumo Consciente não nega a qualidade de vida individual, mas reconhece o ser humano como parte de uma comunidade global. A preservação do meio ambiente e o desenvolvimento justo da sociedade são as metas pretendidas pela atuação do consumidor consciente, atuando e mobilizando também sua comunidade nesta direção, para além da sua atuação individual.

Exercido de forma concreta, voluntária e cotidiana, o consumo consciente considera as variáveis de mercado, como preço, qualidade, impacto ambiental do consumo e responsabilidade empresarial. Mas, diferentemente do consumo responsável, nasce atrelado à coletividade, no exercício de uma nova e possível cidadania.

09:04 · 17.04.2012 / atualizado às 09:04 · 17.04.2012 por
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Por Maristela Crispim

“Ilha das Flores”. Vi esse curta pela primeira vez há mais de 20 anos, mas sempre que tenho a oportunidade de revê-lo, me ponho a pensar sobre o papel de nós, seres humanos, aqui neste Planeta.

Lembrei dele por causa da estreia nacional de mais um documentário com a temática lixo, que particularmente me atrai. “À Margem do Lixo” – terceiro documentário da tetralogia de Evaldo Mocarzel, que inclui “À Margem da Imagem” e À Margem do Concreto” – foi feito para dar a versão do catador sobre o tema. Ele está em cartaz em 1.109 cineclubes de 700 cidades do Brasil até o mês de maio.

De certa forma, o documentário de Vik Muniz, “Lixo Extraordinário”, também faz isso. Mas nunca é demais, considerando que todos nós consumimos bens, produzimos lixo, mas poucos param para pensar nas consequências desses atos quase automáticos.

Voltando à “Ilha das Flores”, o curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989, época em que eu era estudante universitária e ativista, me tocou profundamente (e ainda me toca).

Com um humor irônico, que usa a linguagem científica para descrever o problema, nos fala sobre desigualdade social e foi reconhecidíssmo na função à qual se propõe: fazer as pessoas pensarem sobre o consumo e as suas consequências, já que estamos falando de seres que diferem dos outros animais por suas habilidades físicas e mentais.

Enfim, quem não viu precisa ver, e que já viu, deve rever.

07:00 · 11.10.2011 / atualizado às 10:54 · 10.10.2011 por

Qual é a diferença entre consumo consciente e consumo sustentável? No primeiro caso, o consumidor faz escolhas individuais e imediatas, relacionadas à sua capacidade de optar em cada compra realizada. Já o consumo sustentável implica em uma mudança de padrão de comportamento e de hábitos adotados, e tem resultados que melhoram o planeta e a qualidade de vida da sociedade como um todo.

Nos últimos anos, o MMA promoveu inúmeras ações no Dia do Consumidor, sempre comemorado no dia 15 de outubro. A partir deste ano, o Ministério inaugura o Mês do Consumo Sustentável, com atividades de mobilização e conscientização de consumidores e de diferentes setores da sociedade.

De acordo com a gerente de produção e consumo sustentável do MMA, Fernanda Daltro, serão lançadas neste período três novas campanhas, como a de coleta de eletroeletrônicos, que será promovida em estações de metrô de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Entre 21 e 26 outubro, serão disponibilizados postos de coleta em locais escolhidos pela intensa movimentação de passageiros.

Os consumidores serão estimulados a levar equipamentos antigos ou que estão fora de uso, como TVs, eletrodomésticos, monitores, cabos de computadores, telefones, celulares, CDs, DVDs, fitas VHS e afins.

Nesta campanha, o MMA conta com as parcerias da Phillips, Carrefour e de duas empresas de coleta e reciclagem, a Descarte Certo e a Oxil, que vão realizar a coleta, triagem e destinação adequada a recicladores.

Fernanda explica que esta é também uma maneira de preparar o consumidor para o processo de logística reversa, prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Esperamos sensibilizar o consumidor a não realizar o descarte de eletroeletrônicos no lixo comum, pois tal prática tem alto impacto ambiental, uma vez que os produtos possuem componentes químicos e tóxicos. Além disso, o descarte inadequado gera desperdício de materiais que podem ser reaproveitados, como plástico, vidro e metais”, avalia a gerente de consumo sustentável.

Cadernos Sustentáveis

O MMA também vai lançar a série Cadernos de Consumo Sustentável, que serão exemplares explicativos e lúdicos, com informações sobre o consumo sustentável e suas colaborações para a sociedade e o meio ambiente.

As publicações serão lançadas periodicamente e contarão com a parceria de instituições especializadas em assuntos relacionados ao tema. O primeiro número será produzido com o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) com a temática consumo sustentável e reciclagem.

Os próximos cadernos vão abordar os temas do consumo sustentável relacionado à água e ao público infantil. “Vamos mostrar como a sociedade pode ter uma postura responsável relacionada a estas temáticas”, explica Fernanda Daltro.

Redução de sacolas

A partir de 20 de outubro, haverá ainda a segunda fase da campanha educativa direcionada à redução do uso de sacolas plásticas pelos consumidores. A primeira etapa deste processo de conscientização foi a campanha “Saco é um Saco”, que ressaltou a importância de se reduzir o consumo de sacolas plásticas e conseguiu reduzir a produção de cerca de cinco bilhões destas embalagens, entre 2007 e 2011.

Para se ter uma ideia, em 2007, havia 17, 9 bilhões de sacolas plástica sendo produzidas por ano. Em 2010, este número já foi reduzido para 14 bilhões, segundo uma pesquisa de sustentabilidade produzida pela rede Walmart. “Conseguimos iniciar um processo de sensibilização com a sociedade, e provocamos ainda o debate com diferentes setores que foram mobilizados”, explica a gerente.

A nova fase da campanha vai receber o título “Vamos tirar o planeta do sufoco”, e além de promover os conceitos de consumo consciente e de redução do uso do plástico, vai motivar a sociedade a adotar novas alternativas. O MMA e parceiros pretendem estimular o uso de sacolas reutilizáveis, embalagens de papelão, carrinhos de feira e outras embalagens reaproveitáveis.

O lançamento da campanha será nacional, mas a Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA pretende estimular a implementação do projeto em cada estado da federação, bem como os municípios.

As grandes redes de supermercado também já estabeleceram metas de redução do uso de sacolas plásticas, com o objetivo de alcançarem a eliminação (ou a utilização mínima) destas embalagens até 2012. Estas metas se tornaram compromissos que vão constar do Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentável.

Boas práticas

Se analisarmos toda a cadeia envolvida no processo de consumo, perceberemos que os consumidores podem optar por escolher melhor seus produtos, além de diminuir o consumo de água e energia, prática que também pode ser adotada pelo varejo e pelo setor produtivo. O comércio do varejo também pode oferecer produtos mais sustentáveis e promover a gestão de resíduos, além de estimular o consumidor a praticar o consumo sustentável.

Os fornecedores, desde o momento de fabricação até o de distribuição, podem adotar medidas de redução de água, energia e de insumos. Podem ainda instituir o critério da sustentabilidade ao comprar matérias-primas feitas a partir de manejo e de outros critérios, como a reposição de elementos à natureza.

Na hora de desenvolver os produtos, podem optar por uma criação que seja desde o princípio sustentável, com a redução de embalagens desnecessárias e a elaboração de produtos mais concentrados.

Já o governo, pode dar um impulso importante ao ciclo do consumo sustentável ao realizar compras públicas de produtos que tenham critérios de sustentabilidade, uma vez que é classificado como o maior consumidor individual de cada país.

Fernanda Daltro ressalta que, quando são colocados critérios ambientais nestas compras, ocorre o estímulo para a reestruturação do mercado, e que atitudes assim têm o poder de influenciar e motivar todos os envolvidos na cadeia de consumo a realizar escolhas melhores.

O MMA também lançou um hotsite sobre consumo sustentável que traz informações sobre as ações promovidas pelo Ministério e instituições parceiras, posts e dicas de consumo sustentável.

O endereço é : hotsite.mma.gov.br/mesdoconsumosustentavel

Fonte: Carine Corrêa/ MMA

08:54 · 07.07.2011 / atualizado às 08:54 · 07.07.2011 por

Por Vilmar Berna*

Somos, por natureza, seres consumidores e estamos no topo da cadeia alimentar. Logo, consumir é nosso destino natural, o problema são os excessos. Excesso de gente, que já está demais e que continua se multiplicando globalmente, embora se reduza em diversos países e regiões. Cada boca que nasce demanda por mais recursos naturais, que não são infinitos. Mas existe um excesso ainda pior, o da desigualdade social, que permite que uns poucos possam se apropriar de mais recursos que a maioria, ou seja, não adiantará muito diminuir o excesso de gente sem também diminuir a ganância.

O mundo atual se construiu em torno da falsa ideia de que o mercado será capaz de suprir as necessidades humanas, a ponto de aceitarmos a organização da sociedade em classes sociais em função do poder de consumo. Quem pode consumir muito pertence às classes altas, os remediados, à classe media, e os pobres, às classes baixas. A reboque do conceito do poder aquisitivo surge quase que naturalmente a falsa noção de que os que têm muito são mais importantes e com mais direitos do que os que não têm, e isso é absolutamente falso, pois somos todos iguais em dignidade e direitos. O mercado só consegue ser solução para os que têm dinheiro. Para os demais, é preciso políticas públicas.

O problema não está só no colapso ambiental, mas no colapso ético e moral que nos põe em risco enquanto humanidade e civilização muito antes de desaparecermos enquanto espécie. Se as pessoas aceitarem a ideia de uma sociedade que valoriza o dinheiro acima dos valores humanos, acumular riquezas pode se tornar um fim em si mesmo em vez de meio de vida, aliás, a própria ideia de vida pode se empobrecer a ponto de se resumir a produzir numa ponta e consumir na outra. Bem longe da ideia de viver em abundância e plenamente. Em vez de nos tornarmos mais solidários e cultivarmos bons valores e a cidadania, acabaremos valorizando muito mais o individualismo, o materialismo, a competição desmedida, a insensibilidade com os menos favorecidos.

E tudo isso baseado numa mentira, a de que se todos alcançarem os mesmos padrões de consumo dos mais ricos, será possível haver recursos naturais para todos. Fazer com que todos acreditem nesta mentira é conveniente para os que dominam e controlam os recursos e as riquezas, pois em vez de pedir por mudanças, as pessoas irão querer que tudo continue como está na esperança de que um dia chegará a sua vez e que só não chegou ainda por que não foram capazes ou merecedores o suficiente. Não é de se admirar que seja tão difícil ser sustentável e compatibilizar progresso e meio ambiente.

Mas não é impossível. Não só outro mundo é possível como já vemos por todos os lados os sinais dessa mudança. Por mais que alguns gostem de se iludir com falsas promessas de consumo, elas percebem os sinais de esgotamento do Planeta. Um novo mundo já esta nascendo do velho mundo, e o que assistimos são as dores do parto.

Precisamos é de coragem para persistir nos caminhos da mudança e valorizar escolhas diferentes das que trouxeram a humanidade à beira do colapso.

Não temos que comprar tudo o que vemos nas prateleiras. Não temos de acreditar em tudo o que se diz nas propagandas e devemos duvidar das informações tendenciosas, mentirosas e manipuladores. Não temos que seguir a moda e descartar um produto que ainda serve. Não precisamos de nenhum bem de consumo para amar e ser amados, ou para sermos felizes, ou para nos sentirmos importantes e reconhecidos socialmente.

Da mesma maneira que temos a liberdade de consumir o que nosso dinheiro ou crédito a perder de vista nos permite, também temos a liberdade de recusar o consumo desperdiçador de recursos. Podemos escolher consumir criteriosamente, apenas para atender a necessidades objetivas e realmente necessárias, preferir produtos socioambientalmente responsáveis, recicláveis, que fortaleçam as cadeias produtivas locais e a criatividade de nossos trabalhadores e artesãos. Podemos consumir de maneira planejada em vez de agir por impulso. Temos o poder de dizer sim e também de dizer não. Somos nós o poder do mercado.

Não foi o consumismo que nos fez assim. Ele apenas aproveitou a oportunidade por sermos assim e encheu as lojas e prateleiras e nossos sonhos e desejos de bugigangas e objetos que no final podem nem ser tão importantes para vivermos uma vida plena e feliz.

Os inimigos não estão fora de nós. Para resolvermos a crise socioambiental em que nos metemos, teremos de ter a coragem de admitir que somos uma parte importante do problema – e também da solução.

 

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental ( www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente ( www.portaldomeioambiente.org.br ). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – www.escritorvilmarberna.com.br