Busca

Categoria: Convivência com a Estiagem


10:00 · 21.06.2016 / atualizado às 21:59 · 20.06.2016 por
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce

Por Marcelino Júnior

Iniciado em 2013, pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), com participação da Associação dos Pequenos Produtores e Apicultores do Assentamento Mandacaru, localizado a 15Km da sede deste Município, o “Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Assentamento Mandacaru com a Integração de Tecnologias de Convivência com o Semiárido e Preservação dos Recursos Naturais” promove uma série de intervenções técnicas, inteiramente voltadas para recuperação e preservação desses recursos, especialmente do solo e água, integrados às atividades produtivas e de convivência com o Semiárido.

O Projeto, que beneficia 26 famílias, das 130 nos 3.800 hectares do assentamento, foi orçado em R$ 641.749, sendo R$ 577.574, do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas – Ministério do Meio Ambiente (FNMC-MMA), e R$ 64.174 do governo do Estado. A implantação, que utilizou mão de obra da própria comunidade, está em sua etapa final, com licitação para aquisição de 250 matrizes de ovinos e mais dez animais reprodutores.

O projeto de Irauçuba, único do Ceará apresentado neste ano, foi homenageado, juntamente com outras 21 instituições, na sexta-feira (17), em Brasília, pelo Prêmio internacional Dryland Champions, promovido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em parceria com o MMA. O programa presta homenagem a iniciativas, de pessoas, organizações governamentais e empresas que contribuem para o manejo sustentável de terras, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das populações e as condições dos ecossistemas afetados pela desertificação e a seca.

O evento foi realizado pelo MMA, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), para marcar o Dia Mundial de Combate à Desertificação (17 de junho), data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a conscientização sobre o problema, que atinge 42% das terras do Planeta e 35% da população mundial.

Com o slogan “Proteger a Terra. Restaurar os Solos. Envolver as pessoas”, a UNCCD defende a importância da cooperação inclusiva para restaurar e recuperar terras degradadas e contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesta edição, o programa Dryland Champions priorizou projetos que contribuem para o manejo sustentável de solos nas áreas suscetíveis à desertificação no Brasil.

“Esse reconhecimento nos deixa satisfeitos de saber que estamos no caminho certo. O projeto foi uma reivindicação daquelas famílias, que participaram integralmente de sua elaboração e desenvolvimento para benefício delas próprias”, afirmou o assessor técnico da Ematerce e elaborador do projeto, Josualdo Justino Alves.

16:01 · 12.03.2016 / atualizado às 16:10 · 12.03.2016 por
Governo institui Câmara destinada a elaborar proposta de regulamentação das ações para reduzir os efeitos da seca Foto: Cid Barbosa
Além de frear a desertificação, novo grupo deve elaborar proposta de regulamentação das ações para reduzir os efeitos da seca Foto: Cid Barbosa

 

Foi publicada na última quinta-feira (10), no Diário Oficial da União (DOU), resolução da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD) instituindo a Câmara Técnica Temporária de Regulamentação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. A Câmara tem a finalidade de elaborar as minutas dos decretos de regulamentação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/ 2015).

Instituída em junho de 2015, a Política irá promover ações de uso dos recursos naturais e iniciativas produtivas sustentáveis nas áreas suscetíveis à desertificação para evitar a degradação do solo.

Composição

A Câmara é composta por dois representantes de instituições públicas federais, dois de Estados com áreas suscetíveis à desertificação, dois representantes da sociedade civil e um representante da Secretaria-Executiva da CNCD, além de especialistas da área jurídica que serão convidados a contribuir na elaboração dos documentos. O prazo de funcionamento é até dezembro de 2016.

Para o diretor de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e secretário-executivo da CNCD, Francisco Campello, para evitar a desertificação, são fundamentais a implantação de boas práticas de convivência sustentável que possibilitem a conservação de solo nas atividades agropecuárias; o uso correto dos recursos florestais; maior eficiência nos sistemas produtivos que promovam a segurança hídrica, alimentar, energética e que conservem as paisagens.

Ações

O MMA vem adotando a estratégia de combate dos principais vetores do processo de desertificação, fomentando iniciativas estruturantes para uma convivência sustentável com a semiaridez. Assim, é possível promover segurança hídrica, alimentar, energética e a conservação da paisagem com o uso de tecnologias sociais e de baixo custo adaptadas ao clima das Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). As áreas suscetíveis à desertificação (ASD) envolvem 11 Estados, têm uma área de 1.340.000 km² e uma população aproximada de 35 milhões de habitantes.

CNCD

A CNCD foi criada por meio de Decreto Presidencial de 21 de julho de 2008, e é presidida pelo MMA. É composta por 44 representantes de setores da sociedade civil e dos governos federal, estaduais e municipais e do setor produtivo relacionados com o tema.

Entre outras finalidades, cabe à CNCD deliberar sobre a implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação, em articulação com as demais políticas setoriais, programas, projetos e atividades governamentais de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca; orientar, acompanhar e avaliar a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD); e promover a integração das estratégias de erradicação da pobreza nos esforços de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca.

Fonte: MMA

08:00 · 20.11.2015 / atualizado às 09:51 · 20.11.2015 por
Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão (foto) e ao Canal da Integração Foto: Ellen Freitas / Agência Diário
Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão (foto) e ao Canal da Integração Foto: Ellen Freitas / Agência Diário

Impulsionado pela atual situação hídrica que passa o País e pelo colapso causado pela falta da água nos municípios cearenses, o Instituto Hidroambiental Águas do Brasil (Ihab) realiza, entre os dias 21 a 25 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, o VII Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2).

A seca está entre os principais assuntos em discussão no evento, já que a situação atual de todos os açudes do Ceará é a de menor reserva hídrica da década, segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Dos 153 açudes monitorados, 128 estão abaixo de 30% da capacidade. Alguns, tidos como ícones na história do abastecimento de água no Ceará, como o Castanhão, detém apenas 12,78% da capacidade.

Em busca de soluções práticas para o convívio com a seca, geólogos, geógrafos, engenheiros, jornalistas, especialistas e interessados na área do meio ambiente estarão reunidos em Fortaleza para participar do O2, que tem como tema central “Sustentabilidade: práticas de segurança hídrica, alimentar, e economia no Semiárido”.

Os profissionais irão discutir temas relacionados à segurança hídrica, alimentar, socioeconômica e ambiental. O intuito é traçar metas e estratégias públicas sustentáveis para solucionar crises. Esta sétima edição do evento reunirá, em Fortaleza, especialistas da África, Austrália, Alemanha, México, Chile, Canadá, Itália e de outros países, que irão participar de mesas, painéis e talk show.

Para o organizador do evento, o geólogo Clodionor Araújo, o grande objetivo é conscientizar por meio de capacitação, oficinas e palestras, que todos podem contribuir usando racionalmente apenas a quantidade necessária para a sua manutenção. “Ao mostrar claramente exemplos de como as pessoas vivem e utilizam os recursos naturais ajuda a orientar. A divisão de continentes é política. A natureza desconhece esta divisão e atua para atender à vida”, ressalta.

O Ihab é uma organização não governamental sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Com sede em Fortaleza, conta com a colaboração de profissionais multidisciplinares com experiências em organizações públicas, privadas e do terceiro setor para o cumprimento de sua missão e objetivos.

Evento para jornalistas

Os profissionais do Jornalismo Ambiental terão um espaço dedicado às questões da Comunicação Ambiental. Juntos, eles irão compor o Encontro Intercontinental de Jornalistas Ambientais. A entrada dos profissionais de Comunicação é gratuita para cobertura do evento e palestras da área. Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão e ao Canal da Integração.

Além do Ceará, jornalistas que trabalham em importantes publicações do gênero de Manaus, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro devem participar do encontro. Os profissionais de Fortaleza e demais regiões do Interior podem se inscrever gratuitamente e conferir a programação no site www.ihab.org.br/o2015.

Mais informações:

Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2)

Data: De 21 a 25 de novembro de 2015

Horário: Das 14h às 21h

Local: Centro de Eventos – Av. Washington Soares, 1141 – Água Fria

Inscrições: As inscrições podem ser realizadas no site www.ihab.org.br/o2015 ou na sede da entidade, que fica na rua Ildefonso Albano, 820 – Meireles

10:26 · 01.03.2015 / atualizado às 10:39 · 01.03.2015 por

O Centro de Excelência Contra a Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) lançaram três vídeos sobre os diversos programas brasileiros que ajudam a população do Semiárido a encontrar soluções para conviver com os longos períodos de seca, característicos da região.

YouTube Preview Image

Os vídeos mostram o programa de construção de cisternas de captação de água da chuva para consumo humano e para a produção agropecuária e outros programas que garantem aos produtores familiares o acesso a mercados e melhoram suas condições de vida.

YouTube Preview Image

Eles foram lançados em português em dezembro e, agora, estão disponíveis também com legendas em inglês, francês e espanhol. Os vídeos mostram como o Bolsa Família, as cisternas, a energia elétrica e a comercialização de alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) transformaram a vida dos sertanejos.

Essa produção faz parte do material de referência utilizado pelo Centro de Excelência para mostrar a outros países em desenvolvimento como os programas sociais brasileiros são complementares e os impactos que têm nas vidas das pessoas.

YouTube Preview Image

Os vídeos foram produzidos como parte do projeto Parceria para Iniciativas Nacionais de Desenvolvimento Social (PNSDI), desenvolvido pelo Centro de Excelência contra a Fome em parceria com o MDS e com o Ministério do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (DFID).

Fonte: ONU Brasil

15:13 · 19.11.2014 / atualizado às 15:27 · 19.11.2014 por
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário

Por Roberto Crispim

Colaborador

Juazeiro do Norte. Com a realização de palestra magna sobre o papel da universidade na construção de uma cultura de convivência com o Semiárido, proferida pelo vice-reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Ricardo Ness, no campus da instituição, em Juazeiro do Norte, será aberto logo mais, às 20 horas, o Seminário Internacional “Convivência com o Semiárido: desafios e possibilidades no âmbito das ações para o combate à desertificação”. O evento integra o I Encontro de Intercâmbio Técnico dos Países de Língua Portuguesa no âmbito das Nações Unidas para o combate à desertificação, que reúne cerca de dez países de Língua Portuguesa, ligados à Convenção das Nações Unidas para o Combate a Desertificação e a Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD).

As discussões, que vão até a próxima sexta-feira (21), contam com a participação de delegações de países da África, Europa e América do Sul. Representantes da Agência Alemã de Cooperação e Desenvolvimento, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e da Rede Espanhola de Cooperação Internacional, dentre outros órgãos e entidades.

Para o vice-diretor do Instituto de Estudo do Semiárido, localizado em Icó, no Centro-Sul do Ceará, Ives Tavares, a ação promove resultados importantes nas comunidades que ainda sofrem com os problemas originários da estiagem e que, até então, não possuem nenhum plano de ação estratégico para diminuir os impactos observados nas regiões semiáridas.

“Este é um evento importante para a região do Cariri e para o Centro-Sul, não apenas pela presença de representantes dos países de Língua Portuguesa, mas, sobretudo, pela oportunidade de discutirmos questões importantes sobre o Semiárido e sobre a desertificação no Semiárido. Além da oportunidade de demonstração das experiências exitosas que foram criadas para combater os efeitos das mudanças climáticas e da desertificação, especificamente nas duas regiões. A missão é de propor soluções e tentar entender quais são as formas e tecnologias que possuímos e que podem ser utilizadas em outros locais para combater os efeitos que a desertificação ocasiona às populações”, explicou Ives Tavares.

Amanhã (20), as palestras acontecerão no campus da UFCA, em Barbalha, onde a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), institutos e agências dos países de Língua Portuguesa debaterão sobre cooperações técnicas. No último dia (21), as universidades brasileiras protagonizam a programação, quando discutirão sobre o alcance das instituições no ensino e na pesquisa para convivência com o Semiárido.

13:08 · 10.07.2014 / atualizado às 13:08 · 10.07.2014 por
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE

Alunos do campus Juazeiro do Norte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)  apresentarão o projeto “Água Renovada” em feira de ciência e tecnologia que ocorrerá em Medellín, na Colômbia, de 14 a 18 de julho. O projeto consiste na construção de um destilador rústico, de baixo custo, que purifica a água.

O sistema foi desenvolvido pelos estudantes do ensino médio Larissa Brenda, Júnior Nicácio e Laleska de Oliveira, sob a orientação de Ricardo Fonseca. “Para um Estado como o nosso, que enfrenta períodos de seca, a relevância é muito grande”, afirma Ricardo.

Segundo Larissa, o projeto é resultado de uma preocupação com a seca e a vontade de fazer algo pelas pessoas que sofrem com a falta de água. “A seca já chegou a atingir mais de 90% dos municípios cearenses. Em algumas cidades, o litro de água chegou a custar mais que um litro de gasolina. Encontramos uma forma de amenizar a situação sem gastar muito”, acrescenta.

Fonte: IFCE

13:21 · 06.02.2014 / atualizado às 13:36 · 06.02.2014 por
O projeto envolve a participação de agricultores experimentadores, entidades e parceiros locais Foto: Alex Pimentel
O projeto envolve a participação de agricultores experimentadores, entidades e parceiros locais Foto: Agência Diário / Alex Pimentel

Aproximadamente 100 agricultores familiares do Semiárido brasileiro serão os beneficiados diretamente por projeto do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em parceria com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).

Em cada Estado, o projeto envolve a participação de agricultores experimentadores, entidades e parceiros locais e é constituído por várias etapas, dentre as quais já ocorreram a formação dos técnicos que atuarão nos territórios e a caracterização histórica das experiências desenvolvidas pelas famílias em suas propriedades.

Esta etapa implicou no mapeamento das estratégias utilizadas pelas famílias que vivem na região para a convivência concreta com eventos extremos, como é o caso das longas estiagens.

O próximo passo do projeto será aplicar um conjunto de indicadores de avaliação de sustentabilidade dos agroecossistemas, para diagnosticar as estratégias mais viáveis que têm possibilitado que estes agricultores resistam e/ou se recuperem dos impactos dos eventos ambientais extremos.

Dentre os atributos de avaliação de sustentabilidade a serem utilizados, estão: produtividade, autonomia, resiliência, gestão, adaptabilidade, estabilidade e equidade.

Oficina de Trabalho

No período de 11 a 14 de fevereiro será realizada, em Campina Grande (PB), a 3ª Oficina de Trabalho com os pesquisadores envolvidos na execução do projeto nos diferentes Estados do Semiárido.

O objetivo será discutir o processo metodológico de sensibilização e caracterização qualitativa dos agroecossistemas realizadas nos territórios, restituir as experiências do projeto e planejar as próximas ações.

A metodologia utilizada no projeto se diferencia por priorizar a pesquisa participativa, ou seja, construir conhecimentos com base no diálogo e nas experiências implementadas nas comunidades com as famílias envolvidas com práticas de transição agroecológica.

A Oficina irá discutir como se deu o processo de apropriação da pesquisa pelos agricultores experimentadores no que se refere à sensibilização dos conceitos e ferramentas metodológicas propostas. A construção coletiva da pesquisa privilegia a interação dinâmica e multidimensional na construção dos conhecimentos.

Os estudos socioeconômicos e ecológicos nas unidades agrofamiliares, realizados nos nove Estados do Semiárido brasileiro, permitirão, no fim do projeto, a sistematização das estratégias agrícolas e sociais utilizadas pelos agricultores para a convivência com os longos períodos de estiagens.

Fonte: Insa

09:46 · 10.01.2014 / atualizado às 09:46 · 10.01.2014 por
Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios brasileiros de nove Estados Foto: Divulgação / Fundação Banco do Brasil
Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios brasileiros de nove Estados Foto: Divulgação / Fundação Banco do Brasil

Mais de 10 mil cisternas de placas foram instaladas no Semiárido brasileiro até o início de 2014. A marca alcançada pela Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) equivale a mais de 50% de um novo compromisso assumido pela instituição. A meta é que até o fim do primeiro semestre deste ano, outras 10 mil unidades sejam construídas.

A iniciativa faz parte do Programa Água para Todos, uma das ações do Plano Brasil Sem Miséria, do governo federal e tem como objetivo a universalização do acesso à água potável para consumo humano.

Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios de nove Estados. A tecnologia social minimiza o impacto da seca para 350 mil pessoas que vivem no Semiárido brasileiro. Para implantação, cada unidade tem um custo unitário de R$ 2.579,00.

A cisterna de placas é uma da tecnologias de convivência com o problema da falta de água para regiões que sofrem com a seca. O modelo é um reservatório em forma cilíndrica, coberto e semienterrado, que com um encanamento simples, recolhe do telhado das casas a água da chuva.

Cada reservatório tem a capacidade de acumular 16 mil litros de água que, se usados com moderação, podem durar até oito meses para uma família de cinco pessoas, em atividades como cozinhar, beber e escovar os dentes.

O modelo de execução e gestão desenvolvido pela Fundação BB obteve sucesso por meio do esforço conjunto da rede de agências do Banco do Brasil, Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), parceiros locais e entidades selecionadas em função de suas competências técnicas, gestão, mobilização e experiência na reaplicação da tecnologia social.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

10:25 · 07.01.2014 / atualizado às 09:15 · 08.01.2014 por
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Um estudo do Banco Mundial aponta que a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.

Pela análise de duas regiões – a Bacia de Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte, e o Rio Jaguaribe, no Ceará – o relatório “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil” analisa os efeitos do aquecimento global combinados com fatores como o crescimento populacional e o aumento da demanda por água.

Em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), entre outras instituições, os pesquisadores avaliam que a bacia de Piranhas-Açu, por exemplo, deve sofrer uma maior perda de água no solo e nas plantas, um fenômeno que os especialistas chamam “evapotranspiração”.

Ainda segundo o estudo, porém, se forem realizados constantes investimentos na modernização da irrigação, a demanda pela água na agricultura pode diminuir 40%, o que atenuaria o problema de gerenciamento da água da região.

O relatório mostra que, embora futuras compensações sobre o uso da água vão existir e deverão ser negociadas e discutidas entre os usuários, estratégias de alocação mais flexíveis poderiam tornar o setor de água no Nordeste brasileiro menos vulnerável aos impactos da demanda e das mudanças climáticas.

Agência da ONU auxilia na implementação de mudanças

Um programa financiado pelo Banco Mundial já começa a implementar mudanças na região. Uma iniciativa que atenderá 23 pequenos agricultores – com lotes de cerca de cinco hectares cada – apoia os trabalhadores rurais na compra de equipamentos que economizam água, dá assistência técnica na gestão hídrica e auxilia a expansão da rede elétrica na área do projeto, reduzindo a necessidade de água para o cultivo.

O agricultor Jean Azevedo acredita que o novo projeto ajudará os produtores que continuam procurando oportunidades no campo. Ele vive em Cruzeta (RN), uma região onde caem, em média, menos de 800 mm de chuva por ano – um volume de precipitação similar ao de países da África Subsaariana – e onde praticamente não chove entre julho e dezembro.

Preservar esse recurso natural tão valioso é um dos principais objetivos de Vitoriano Alves dos Santos, colega do Azevedo na Associação de Produtores de Cruzeta. “Ainda tenho acesso a uma fonte de água, mas me aflige ver a quantidade gasta todos os dias com a irrigação”, afirma.

Fonte: Nações Unidas no Brasil

15:40 · 02.11.2013 / atualizado às 15:49 · 02.11.2013 por
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim

Por Maristela Crispim*

Campina Grande. Reunidos, de 28 a 31 de outubro, no 3º Encontro Nacional de Agricultores Experimentadores, esses guardiões da biodiversidade, que cultivam vida e resistência no Semiárido, trocaram de experiências em apresentações verbais, na Feira de Saberes e Sabores e em visitas temáticas para conhecer experiências de criatórios no Semiárido (potencial forrageiro da Caatinga, manejo alimentar das raças nativas e adaptadas); sementes e a diversificação produtiva dos cultivos anuais; quintais produtivos; e manejo agroflorestal das caatingas.

Organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) o Encontro reuniu aproximadamente 300 agricultores experimentadores dos nove Estados do Semiárido, de Minas Gerais até o Piauí, e mais o Maranhão.

No Encontro também teve espaço para a discussão dos avanços e desafios da assessoria técnica às redes de agricultores experimentadores. Luciano Marçal da Silveira, que é coordenador do Programa Local da Paraíba da Organização Não Governamental (ONG) AS-PTA, que trabalha Agricultura e Agroecologia no Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, explicou que, ao longo de 30 anos vigorou no País o paradigma da Revolução Verde, que associa um pacote tecnológico artificial, com adubos, agrotóxicos, irrigação e sementes de fora, o que rompeu com uma agricultura que já existia antes.

Nessa linha, explica que há uma tendência de desqualificação da agricultura familiar, de classificá-la como atrasada. “Mas há uma contracorrente, até porque a modernização da agricultura no Semiárido foi um desastre, que promoveu a multiplicação da pobreza”, afirma.

“Durante muito tempo a roça e a queima foram sustentáveis, porque no passado havia muita disponibilidade de terra para migrar. Mas, com propriedades cada vez menores, esse tipo de prática precisou ser repensado, por meio da capacidade de observação do uso dos recursos naturais disponíveis”, acrescenta.

Para ele, é preciso reverter esse quadro, vendo a Caatinga não como limitante, mas como fonte de recursos, como base para a regeneração produtiva com práticas mais sustentáveis, “que precisam, antes de mais nada, olhar para a tradição, quais são as práticas mais eficientes no uso dos recursos; promover um reencontro da ciência com o desenvolvimento local; construir condições para que a agricultura estabeleça uma produção com a base de recursos que a Caatinga oferece e isso não se constrói sem a participação inventiva do agricultor”, enfatiza.

Luciano destaca a importância de recolocar o agricultor como construtor de conhecimentos, construir ambientes coletivos de trocas em rede para aprendizados mútuos. Mas alerta que, se os agricultores estão assumindo novos papéis, é importante que os técnicos repensem seus papéis: “eles têm uma formação difusionista, com dificuldade de estabelecer uma visão mais horizontal, que contribua para o fortalecimento dessas redes”.

Para ele, é preciso fugir do daquela receita da visita individual e levar o conhecimento para ajudar na construção em ambientes coletivos. “Mas é preciso mobilização para que isso aconteça. A construção coletiva de técnicas rompe o paradigma da separação entre pesquisa e extensão e o desenvolvimento técnico nunca foi tão exigido quanto agora”, finaliza.

* A jornalista viajou a convite da ASA