Gestão Ambiental

Categoria: Desertificação


15:13 · 19.11.2014 / atualizado às 15:27 · 19.11.2014 por
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário

Por Roberto Crispim

Colaborador

Juazeiro do Norte. Com a realização de palestra magna sobre o papel da universidade na construção de uma cultura de convivência com o Semiárido, proferida pelo vice-reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Ricardo Ness, no campus da instituição, em Juazeiro do Norte, será aberto logo mais, às 20 horas, o Seminário Internacional “Convivência com o Semiárido: desafios e possibilidades no âmbito das ações para o combate à desertificação”. O evento integra o I Encontro de Intercâmbio Técnico dos Países de Língua Portuguesa no âmbito das Nações Unidas para o combate à desertificação, que reúne cerca de dez países de Língua Portuguesa, ligados à Convenção das Nações Unidas para o Combate a Desertificação e a Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD).

As discussões, que vão até a próxima sexta-feira (21), contam com a participação de delegações de países da África, Europa e América do Sul. Representantes da Agência Alemã de Cooperação e Desenvolvimento, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e da Rede Espanhola de Cooperação Internacional, dentre outros órgãos e entidades.

Para o vice-diretor do Instituto de Estudo do Semiárido, localizado em Icó, no Centro-Sul do Ceará, Ives Tavares, a ação promove resultados importantes nas comunidades que ainda sofrem com os problemas originários da estiagem e que, até então, não possuem nenhum plano de ação estratégico para diminuir os impactos observados nas regiões semiáridas.

“Este é um evento importante para a região do Cariri e para o Centro-Sul, não apenas pela presença de representantes dos países de Língua Portuguesa, mas, sobretudo, pela oportunidade de discutirmos questões importantes sobre o Semiárido e sobre a desertificação no Semiárido. Além da oportunidade de demonstração das experiências exitosas que foram criadas para combater os efeitos das mudanças climáticas e da desertificação, especificamente nas duas regiões. A missão é de propor soluções e tentar entender quais são as formas e tecnologias que possuímos e que podem ser utilizadas em outros locais para combater os efeitos que a desertificação ocasiona às populações”, explicou Ives Tavares.

Amanhã (20), as palestras acontecerão no campus da UFCA, em Barbalha, onde a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), institutos e agências dos países de Língua Portuguesa debaterão sobre cooperações técnicas. No último dia (21), as universidades brasileiras protagonizam a programação, quando discutirão sobre o alcance das instituições no ensino e na pesquisa para convivência com o Semiárido.

09:58 · 16.06.2014 / atualizado às 13:17 · 16.06.2014 por
Irauçuba foi o primeiro município no Brasil a ter uma política municipal de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca Foto: Kid Júnior / Agência Diário
Irauçuba foi o primeiro município no Brasil a ter uma política municipal de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca Foto: Kid Júnior / Agência Diário

Nesta segunda-feira (16), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) comemora o Dia Mundial de Combate à Desertificação. A data oficial, instituída pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), é 17 de junho. Com o campeonato mundial de futebol no Brasil, as comemorações foram antecipadas.

Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entrega certificados a representantes de projetos reconhecidos pelo programa Dryland Champions, organizado pela UNCCD, por reconhecer indivíduos, organizações e empresas cujas ações, iniciativas ou projetos promovam a gestão sustentável do solo e o combate à desertificação e à seca.

O evento conta com a presença do representante da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) junto à UNCCD e à Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), José Procópio Lucena, do secretário de Meio Ambiente do Sergipe, Genival Nunes, e do prefeito do município de Irauçuba (CE), José Elisnaldo Mota Pinto.

Irauçuba foi o primeiro município no Brasil a ter uma política municipal de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca. De acordo com o secretário executivo da CNCD e diretor do departamento de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, as ações realizadas pelo município cearense são referência no meio. “A gestão ambiental sustentável, em parceria com o Fundo Clima, o Programa Água Doce e o Projeto Econormas, fortalece as ações do município nas áreas susceptíveis à desertificação”, afirmou Campello.

Já o estado de Sergipe tem um plano estadual de combate à desertificação, que inclui a realização de diagnóstico florestal, projetos para cerâmicas sustentáveis, ordenamento ambiental em assentamentos, apoio à elaboração de planos municipais de combate à desertificação no Alto Sertão e inventário florestal.

O Projeto “Recuperação de Área Degradada em Processo de Desertificação na Sub-Bacia Hidrográfica do Riacho do Brum no Município de Jaguaribe-CE”, que está sendo executado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), por meio de Convênio com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), também recebe o Certificado Dryland Champions.

O projeto No Clima da Caatinga, realizado pela Associação Caatinga e patrocinado pela Petrobras, com suas ações de conservação desenvolvidas na Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús (CE), também foi contemplado.

O evento é realizado agora pela manhã, no Auditório do Edifício Marie Prendi Cruz, localizado à SEPN 505, Bloco B, Asa Norte, Brasília. No local, haverá duas exposições fotográficas: uma sobre os projetos contemplados pelo Programa Dryland Champions e outra intitulada A ave na Caatinga, do fotógrafo João Vital Evangelista Souto.

Deserto contido / Deserto avança

A desertificação é um dos principais problemas do Semiárido, atingindo, segundo o MMA, quatro núcleos: Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN) e Cabrobó (PE). Já são 200 mil quilômetros totalmente degradados. Se juntarmos aos 400 quilômetros onde esse processo é mais moderados, temos 600 mil quilômetros de terras inadequadas para a agriculturas ou outras finalidades.

Nos dias 5 e 7 de abril do ano passado, por ocasião da 2ª Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (UNCCD), realizada na semana seguinte, em Bonn, na Alemanha, e que estava programada anteriormente para Fortaleza, publicamos dois cadernos especiais, no Diário do Nordeste, focando o tema.

Para isso, visitamos todos os núcleos de desertificação e constatamos que o mau uso dos recursos naturais e o manejo inadequado da terra provocaram o problema. Em Gilbués, encontramos voçorocas gigantescas; em São José do Seridó, o pasto virou pedra; em Cabrobó, o solo ficou completamente salinizado.

O processo de desertificação é lento e silencioso. A recuperação de terras degradadas é demorada e o custo é altíssimo. Tendo em vista essa realidade, procuramos mostrar o que vem sendo feito para mitigar ou até reverter o problema.

Mostramos o trabalho que a ASA vem desenvolvendo na Região, garantindo água para o consumo básico e também para a produção, de uma forma sustentável, por meio da construção de cisternas associada à troca de experiências entre os agricultores familiares para a conservação do solo e da biodiversidade para garantir a manutenção dos serviços ambientais.

Descobrimos que o Instituto do Semiárido (Insa) está fazendo novo levantamento para delimitar as áreas que sofrem com a desertificação e que também desenvolve técnicas para fazer face ao problema da desertificação com elementos da própria Caatinga, a baixo custo.

Em Afogados da Ingazeira (PE) encontramos o engenheiro mecânico José Artur Padilha, que desenvolveu o Conceito Base Zero. Por meio de barragens subterrâneas em formato de arco romando deitado, ele armazena água no subsolo, evitando a evaporação que rouba quase a metade do potencial dos nossos mananciais hídricos de superfície.

10:34 · 30.01.2014 / atualizado às 10:34 · 30.01.2014 por
O desmatamento pode acelerar o processo de desertificação em algumas regiões, como em Cabobró (PE) Foto: Agência Diário / Cid Barbosa
O desmatamento pode acelerar o processo de desertificação em algumas regiões, como já ocorre em Cabobró (PE) Foto: Agência Diário / Cid Barbosa

Cerca de 849 milhões de hectares de terra – quase o tamanho do Brasil – podem ser desmatados até 2050, caso os padrões atuais de uso da terra continuem, alerta relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançado na última sexta-feira (24) em Davos, na Suíça.

Segundo o relatório “Avaliação Global do Uso da Terra: Equilíbrio do Consumo com o Fornecimento Sustentável”, a necessidade de produzir alimentos para uma população global em crescimento levou a agricultura a ocupar 30% das terras do mundo, resultando em uma degradação e perda de biodiversidade em 23% dos solos globais.

“Como a terra é um recurso limitado, precisamos nos tornar mais eficientes na forma de produzir e consumir. As recomendações do relatório alertam líderes e contribuem para as discussões sobre o uso sustentável de recursos, incluindo novas metas para o desenvolvimento sustentável pós-2015”, afirmou o subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, no lançamento do documento.

O estudo foi produzido pelo International Resource Panel (IRP) com a participação de 27 cientistas, 33 representantes de governo e especialistas, e está disponível em inglês no site do Pnuma.

Fonte: ONU Brasil

20:40 · 14.11.2013 / atualizado às 21:29 · 14.11.2013 por

Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA) escolheram Sergipe para ser piloto no projeto desenvolvido pelo Pnud/MMA visando reduzir e mitigar a degradação de terras em áreas susceptíveis à desertificação, além de promover a manutenção de funções ambientais.

O projeto, com investimentos de US$ 4 milhões do Global Environment Facility (GEF), foi apresentado na manhã de quarta-feira (13), ao secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Genival Nunes, e dirigentes e técnicos de outras instituições com atuação em áreas do semiárido e sertão sergipano.

Segundo o diretor de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, o Governo de Sergipe desponta entre os demais Estados do Nordeste para projeto piloto do Pnud por ações desenvolvidas em projetos estruturantes. “São ações em projetos com promoção de convivências sustentáveis que visam melhorar as condições de vida, particularmente ao nível das comunidades locais, e que revertem os vetores da desertificação no Estado”, disse.

Ele ressaltou, ainda, o fato de a Secretaria de Saneamento estar hoje inserida na Convenção Nacional de Combate à Desertificação (UNCCD), com 12 ministérios e 11 Estados. “O projeto a ser executado em Sergipe vem também fortalecer o Programa de Combate à Desertificação (PAE) em Sergipe”, afirmou Campello.

Reforço

Genival Nunes considera mais uma grande conquista do governo de Sergipe o fato de o Estado ser piloto em um projeto desse porte na área ambiental. “O projeto do Pnud visa reforçar o planejamento do uso da terra em pequenas propriedades que compõem os 905 estabelecimentos rurais do Estado, por meio de flexibilização e delineamento dos processos de licenciamento ambiental e uso da terra”, declarou.

Pré-aprovado e com valor definido para execução em Sergipe, toda estrutura do projeto foi apresentada por Rosenely Diegues e Donald Sawer, ambos integrantes do Pnud – que é a agência líder da rede global de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e que trabalha principalmente pelo combate à pobreza e pelo desenvolvimento humano.

Segundo explicou Sawer, o processo de implantação de projeto em Sergipe será elaborado em inglês e português, e em seguida, todo o passo a passo do projeto a ser executado nas áreas de desertificação será reapresentado ao GEF.

Para José Holanda Neto, técnico de planejamento da Secretaria de Agricultura, o projeto impulsiona maior interesse em apoiar o exercício de práticas inovadoras e integradas, abrangendo a assistência técnica e extensão rural para essas áreas degradadas. Positivamente também sinalizou a favor do projeto o superintendente da Companhia de Desenvolvimento do Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Paulo Viana.

Entre os municípios susceptíveis à desertificação em Sergipe, estão: Poço Redondo, Canindé de São Francisco, Monte alegre, Gararu, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes e Porto da folha. A missão do PNUD e do MMA esteve nessa quinta-feira (14) em Poço Redondo. Na ocasião participou de Oficina de Marco Lógico e da apresentação do projeto Manejo Sustentável do Uso da Terra do Nordeste Semiárido do Brasil-Sergipe.

Fonte: MMA

11:21 · 06.09.2013 / atualizado às 11:27 · 06.09.2013 por
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O valor das terras secas, segundo os pesquisadores, está na sua biodiversidade, que garante a qualidade do solo e ajuda a proteger nascentes e córregos Foto: Cid Barbosa

 “As zonas áridas, semiáridas e subúmidas da América Latina e do Caribe reúnem grande parte da pobreza e do sofrimento, enquanto enfrentam uma enorme pressão sobre os recursos naturais, incluindo a água, solo e biodiversidade. As pessoas que vivem nessas regiões são as mais vulneráveis aos efeitos negativos da variação e mudança do clima e com menos possibilidades de resolvê-los”.

Essa é a introdução da Carta de Sobral (divulgada em Espanhol), resultado da 1ª Conferência Científica da Iniciativa Latinoamericana de Ciência e Tecnologia para Implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (ILACCT), realizada na semana passada, no norte do Estado do Ceará, com pesquisadores de diversos países afetados pela desertificação.

O evento foi iniciativa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com instituições como a Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal), Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas (Iadiza) e a Fundação de Meteorologia do Estado do Ceará (Funceme). A organização contou com o apoio da Prefeitura de Sobral, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará (Secitece) e da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA).

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, que é presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e à Seca (UNCCD) e assessor do CGEE, o evento foi muito bem sucedido.

Na próxima semana, ele viaja para Windhoek, capital Namíbia ,onde participa das reuniões do Comitê de Ciência e Tecnologia da UNCCD e da Conferência das Partes da UNCCD. Lá, ele completa o seu período de dois anos como presidente da CST-UNCCD, e, no fim da reunião passa a responsabilidade para o seu sucessor, ainda não definido, mas,  “provavelmente europeu”, opina.

Alinhada com a estratégia de dez anos da UNCCD 2008-2018, foi criada a ILACCT. O objetivo é capacitar e fortalecer processos participativos que facilitem as atividades de ciência e tecnologia na região.

Seguindo as recomendações da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18), realizada em Fortaleza (CE) e em Mendoza (Argentina), várias instituições da região organizaram a Conferência Científica de Sobral, que reuniu mais de 400 participantes de 15 países, incluindo cientistas e acadêmicos, técnicos do governo, representantes do setor privado e de organizações internacionais e de cooperação, bem como membros de organizações não governamentais (ONGs) e da sociedade civil.

Durante as sessões da Conferência foram intercambiados o conhecimento e as lições das últimas duas décadas sobre sustentabilidade e desenvolvimento nas terras áridas do mundo e especialmente na América Latina e no Caribe.

Os participantes constataram que países e instituições da região fizeram avanços significativos no conhecimento científico e técnico de combate à desertificação e à seca. Deixaram claro, no entanto, que “os desafios para reduzir efetivamente a pobreza e alcançar uma gestão sustentável das terras secas ainda estão presentes, o que compromete a capacidade dos países para alcançar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS)”.

A Primeira Conferência Científica ILACCT reflete os esforços da América Latina e do Caribe para a troca de conhecimentos científicos e técnicos na região, conhecer outras experiências do mundo e consolidar e ratificar a vontade de avançar na construção de uma interface entre ciência e política, e à busca do conhecimento científico e técnico suficiente para fazer por parte dos responsáveis pela elaboração e implementação de políticas de decisão informada.

As discussões abordaram a necessidade de que o melhor procedimento para o conselho científico internacional e interdisciplinar proposto pelo Aconselhamento Científico focando em desertificação / degradação do solo e as questões da seca (AGSA) para apoiar o processo da UNCCD, incluindo suporte para a consolidação dos centros regionais de ciência e tecnologia, onde a ILACCT pretende desempenhar um papel significativo.

Da mesma forma, os participantes apoiaram fortemente Programa AridasLAC como um instrumento fundamental para o desenvolvimento de redes científicas, regional, sub-regional e nacional, bem como um dos pilares da mobilização de recursos para a investigação científica e técnica na região e na produção de conhecimento científico de referência, capacitação e análise de políticas de combate à desertificação e à seca.

Eles abordaram os aspectos ambientais, econômicos, culturais e sociais da desertificação, reconhecendo que as terras secas apresentam oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Mas exigem alta prioridade dos governos nacionais e regionais, organizações internacionais e do setor privado. Estas oportunidades variam de aprender a conviver com a seca até ser transformado.

Os participantes enfatizaram, ainda, a necessidade de tratar questões mais profundas, como a desertificação, ciência e política; impactos econômicos da desertificação; impactos das mudanças climáticas sobre a desertificação; clima e previsão do clima em zonas áridas; delimitação das áreas afetadas e mapeamento da desertificação; determinantes sociais da saúde no semiárido; experiências bem-sucedidas de viver sem recursos hídricos em zonas áridas, terras secas e em desertificação; gênero; e redes científicas de combate à desertificação. Também consideraram especialmente importante reforçar as redes e programas existentes para a elaboração do Atlas da Desertificação na América Latina e Caribe.

Fonte: Carta de Sobral

21:46 · 27.08.2013 / atualizado às 09:55 · 28.08.2013 por
Juazeiro fotografado no segundo semestre de 2008, em Parambu, no Sertão de Crateús Foto: Cid Barbosa
Juazeiro (Ziziphus joazeiro), em Parambu, no Sertão de Crateús Foto: Cid Barbosa

A primeira edição da Conferência Científica da Iniciativa Latinoamericana de Ciência e Tecnologia para Implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (ILACCT) começa nesta quarta-feira ( 28) e segue até sexta-feira ( 30), no Centro de Convenções de Sobral, no Ceará.

O evento é uma iniciativa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com instituições como a Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal), Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas (Iadiza) e a Fundação de Meteorologia do Estado do Ceará (Funceme). A organização conta com o apoio da Prefeitura de Sobral, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará e da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), entre outras instituições.

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, que é presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e assessor do CGEE, com a participação de aproximadamente 400 pessoas da América Latina e Caribe, da Europa e do Brasil, durante estes três dias serão debatidas questões relativas aos processos de degradação de terras, desertificação e impactos de secas na região da América Latina, com foco na busca de soluções.

Ainda segundo suas informações, no fim do evento, representantes de instituições latinoamericanas, sob a liderança da Cepal, assinarão a criação do Programa Aridaslac, “com o objetivo de promover maior conhecimento sobre as questões de desertificação e secas e mapear as áreas da América Latina e Caribe sujeitas a esse fenômeno”.

O objetivo da reunião é tratar o conhecimento que está sendo produzido sobre o desenvolvimento sustentável das terras secas e a desertificação na América Latina e Caribe. A ideia é criar uma rede de produção de conhecimento sistematizada que possa servir de subsídio para a tomada de decisões. Representantes de 22 países participarão do encontro para acompanhar a iniciativa e debater as questões propostas.

A desertificação é um problema de alcance global. De acordo com as Nações Unidas, 41% das terras do mundo são consideradas secas, e uma em cada cinco pessoas vive em áreas afetadas pela desertificação. Cerca de 25% das terras da América Latina e Caribe são consideradas áridas e concentram aproximadamente 28% da população (145 milhões de pessoas).

Para o assessor técnico do CGEE e organizador do evento, José Roberto Lima, a conferência será um exemplo para os próximos encontros da iniciativa. “Temos pesquisadores vindo da Europa e da África para saber como a ideia pode se disseminar. Estão todos olhando para este evento, pois é a primeira vez que há uma região se organizando cientificamente para produzir conhecimento e apoiar a implementação da convenção”, explicou.

A ILACCT é uma plataforma de trabalho criada para a facilitar atividades de ciência e tecnologia na região da América Latina e Caribe. A inciativa é composta por todos os países da região, representados por seus Pontos Focais Nacionais (PFN); pelos corresponsáveis nacionais de ciência e tecnologia; por representantes de instituições científicas; organizações não governamentais; e outras partes interessadas.

A iniciativa foi implementada durante uma conferência realizada em julho de 2008, em Salvador (BA). O objetivo é promover o intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos para melhorar a formulação e implementação de estratégias e políticas de combate à desertificação, e os efeitos da seca na região.

Mais informações: www.ilacct.org

Fonte: CGEE

11:10 · 11.07.2013 / atualizado às 11:48 · 11.07.2013 por
Área em processo de desertificação em Cabrobó (PE) visitada por nossa equipe em março deste ano Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
Área em processo de desertificação, em Cabrobó (PE), visitada por nossa equipe em março deste ano Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O manejo florestal integrado de uso múltiplo é uma das prioridades apontadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para áreas semiáridas, no sentido da combate à desertificação. Para discutir o tema e subsidiar o Banco do Nordeste (BNB) e o Fundo Clima nas ações de crédito da atividade, o MMA promove, hoje (11), na sede do BNB, em Fortaleza, oficina de capacitação sobre manejo florestal de uso múltiplo. O evento reúne profissionais da área florestal, técnicos do governo e representantes da sociedade ligados à agenda.

“Dentre os compromissos do MMA para o combate à desertificação, o fortalecimento do manejo florestal integrado de uso múltiplo é uma das prioridades nos espaços semiáridos, fazendo frente ao desmatamento, sendo alternativa para a questão energética, o suporte forrageiro e os produtos não madeireiros”, analisa o diretor do Departamento de Combate à Desertificação da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Francisco Campello, que também é secretário-executivo da Comissão Nacional de Combate à Desertificação.

Segundo o MMA, as atividades de incentivo ao uso do manejo florestal integrado de uso múltiplo são implantadas pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) com apoio do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério e o Núcleo Caatinga.

“O MMA por meio do Fundo Clima, do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA), em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF) o Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal, vêm trabalhando numa agenda para dar visibilidade a esse importante instrumento que promove a segurança alimentar, hídrica, energética e da biodiversidade”, explica Campello.

Ele destaca o esforço do Fundo Clima para aprimorar as ações com o BNB visando linha de crédito que possa difundir as práticas de manejo florestal associada ou não à melhoria tecnológica dos segmentos cerâmico e gesseiro.

Para ele, a abordagem técnica do tema requer o questionamento de alguns pontos, como o financiamento do manejo silvipastoril, cujo objeto é a segurança alimentar dos rebanhos, formação de pastagem apícola e o subproduto é lenha que pode ser incorporada no mercado de biomassa florestal e como criar capital de giro para as atividades de custeio.

Reportagem especial

A desertificação é um dos principais problemas do Semiárido, atingindo, segundo o próprio MMA, quatro núcleos: Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN) e Cabrobó (PE). Já são 200 mil quilômetros totalmente degradados. Se juntarmos aos 400 quilômetros onde esse processo é mais moderados, temos 600 mil quilômetros de terras inadequadas para a agriculturas ou outras finalidades.

Sobre o tema, o Diário do Nordeste publicou dois cadernos especiais, nos dias 5 e 7 de abril de 2013, intitulados “Deserto avança” e “Deserto contido”. Para isso, visitamos todos eles e constatamos que o mau uso dos recursos naturais e o manejo inadequado da terra provocaram o problema. Em Gilbués, encontramos voçorocas gigantescas; em São José do Seridó, o pasto virou pedra; em Cabrobó, o solo ficou completamente salinizado.

O processo de desertificação é lento e silencioso. A recuperação de terras degradadas é demorada e o custo é altíssimo. Tendo em vista essa realidade, procuramos mostrar o que vem sendo feito para mitigar ou até reverter o problema.

Mostramos o trabalho que a Articulação do Semiárido (ASA) vem desenvolvendo na Região, garantindo água para o consumo básico e também para a produção, de uma forma sustentável, por meio da construção de cisternas associada à troca de experiências entre os agricultores familiares para a conservação do solo e da biodiversidade para garantir a manutenção dos serviços ambientais.

Descobrimos que o Instituto do Semiárido (Insa) está fazendo novo levantamento para delimitar as áreas que sofrem com a desertificação e que também desenvolve técnicas para fazer face ao problema da desertificação com elementos da própria Caatinga, a baixo custo. Até o fim do ano pretende lançar uma cartilha orientando os agricultores a lidar com a degradação extrema de terra.

Em Afogados da Ingazeira (PE) encontramos o engenheiro mecânico José Artur Padilha, que desenvolveu o Conceito Base Zero. Por meio de barragens subterrâneas em formato de arco romando deitado, ele armazena água no subsolo, evitando a evaporação que rouba quase a metade do potencial dos nossos mananciais hídricos de superfície.

Com informações do MMA

08:01 · 17.06.2013 / atualizado às 11:13 · 17.06.2013 por

WDCD2013

O Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação é celebrado anualmente no dia 17 de junho, desde 1995, o ano em que o dia foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Neste dia pretende-se promover a sensibilização pública relativa à cooperação internacional no combate à desertificação e os efeitos da seca. O tema escolhido para o ano de 2013 é a seca e a escassez de água.

De toda a água na Terra, apenas 2,5% é doce. E, de tudo isto, o fornecimento total utilizável para os ecossistemas, incluindo o ser humano, é inferior a 1%. E, matematicamente falando, quando a demanda por água excede a oferta disponível, resulta em escassez.

As terras secas são particularmente vulneráveis à escassez de água e a intensificação projetada de escassez de água doce irá causar maiores tensões em zonas áridas. Embora cada pessoa precise de pelo menos 2.000 metros cúbicos de água para o desenvolvimento do bem-estar humano e sustentável a cada ano, em média, as pessoas nas terras áridas têm acesso a apenas 1.300 metros cúbicos.

Mapa da escassez de água

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O objetivo do Dia Mundial de Combate à Desertificação de 2013 é criar consciência sobre os riscos de seca e escassez de água no sertão e, além, chamar a atenção para a importância de manter os solos saudáveis, como parte da agenda pós-Rio +20, bem como a agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015.

O slogan deste ano, “Não deixe que o nosso futuro secar” apela para que todos possam tomar medidas para promover a preparação e a resiliência à escassez de água, desertificação e seca. O slogan encarna a mensagem de que todos nós somos responsáveis pela água e conservação do solo e uso sustentável, e que existem soluções para estes graves problemas de recursos naturais. A degradação da terra ameaça o nosso futuro.

Dentro da campanha, a hashtag #WDCD2013 foi proposta para todas as postagens relacionadas ao tema. Ela chama todos a compartilhar fotos e notícias de eventos na sua página no Facebook.

Em Fortaleza

Em comemoração ao Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Conselho de Políticas e Gestão do Meio ambiente (Conpam) realiza hoje, a partir das 14h, evento na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O objetivo é difundir as ações do Estado relacionadas à desertificação.

Estão previstas palestras sobre os temas “Experiências do Projeto Mata Branca na Convivência com o Semiárido”, ministrada pela assessora de projetos especiais do Conpam, Tereza Farias; “A Funceme no contexto da desertificação”, chefe do Núcleo de Meteorologia, Meiry Sayuiri Sakamoto; e “Ações Ambientais do Projeto São José”, assessor ambiental da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Hermínio José Moreira Lima. Também será lançado o livro “Levantamento de reconhecimento de média intensidade dos solos – Mesorregião do Sul Cearense”.

No Ceará, as áreas mais fortemente atingidas, conforme o professor Marcos Nogueira, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), apresentam uso desordenado dos recursos naturais com práticas agrícolas primitivas, queimadas indiscriminadas e inadequação dos sistemas produtivos. O processo pode ser verificado nos municípios de Irauçuba, Jaguaribe e Inhamuns, o que corresponde a um espaço territorial de quase 30 mil km², cerca de 23% da área do Estado.

Fontes: UNCCD e Conpam

15:59 · 25.04.2013 / atualizado às 10:13 · 26.04.2013 por
O economista cearense Antonio Rocha Magalhães discursa no painel Impactos econômicos e sociais da desertificação, da degradação dos solos e a seca Foto: UNCCD

O economista cearense Antônio Rocha Magalhães, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, fez abertura, no dia 9 de abril, da 2ª Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (UNCCD), em Bonn (Alemanha). Esta Conferência estava programada para Fortaleza (CE), em fevereiro passado. Talvez a distância tenha arrefecido seus efeitos por aqui.

Ele destacou os principais temas da conferência: avaliação econômica de Desertificação, Degradação das Terras Secas (DLDD), resiliência e gestão sustentável da terra. Destacou, ainda, a meta estabelecida na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), para melhorar o conhecimento técnico e científico sobre os aspectos econômicos da Gestão Sustentável das Terras (SLM). Desse modo, o envolvimento do cientistas é fundamental no caminho para a neutralização da degradação dos solos.

Na ocasião, Walter J. Ammann, presidente e CEO de Fórum Global de Risco de Davos, enfatizou a importância de aumentar a consciência mundial sobre a desertificação como uma questão premente na agenda de desenvolvimento global. Descreve a degradação de terras secas como um processo lento e silencioso, levando a desastres econômicos e sociais, se não tomadas, agora, as medidas necessárias.

Na plenária sobre Impactos Econômicos e Sociais da Desertificação e da Degradação dos Solos e a Seca, Anneke Trux, líder do time que elaborou o Projeto da Convenção de Combate à Desertificação (CCD Projeto), da Divisão Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Agência de Cooperação Internacional do Governo da Alemanha (GIZ), discorreu sobre os impactos econômicos e sociais da desertificação, a degradação dos solos e a seca, afirmando que não podemos considerar a degradação da terra como um problema ambiental só.

“Temos que entender e avaliar melhor as políticas de DLDD. A pobreza leva à degradação da terra e vice-versa. Se a inércia é mais cara do que ação, estamos no caminho certo? É menos dispendioso para a terra evitar a degradação do que lidar com as suas consequências”, afirmou.

Baixo custo e retorno positivo

As sessões paralelas mostraram que os baixos custos de investimento em gestão sustentável do solo têm retorno positivo sobre os investimentos:

– A fim de combater DLDD e enfrentar os desafios de uma população crescente, é necessária a mobilização do local ao global, com a aplicação de uma abordagem integrada.

-A ciência tem a oferecer o melhor do conhecimento, que deve ser compartilhado globalmente e adaptada às necessidades na perspectiva da política local.

– Como a agricultura tem sido intensificada, fornecendo alimento adicional para a população local, sistemas silvo pastoris fornecem uma alternativa viável para alcançar uma gestão sustentável da terra.

– Precisamos mostrar às partes interessadas resultados mensuráveis, visíveis, por meio da implementação de interfaces gráficas. Tomadores de decisão precisam de confiança nos dados, a fim de fazer escolhas mais inteligentes.

– Variação espacial dos custos de investimento das tecnologias de manejo sustentável da terra e da distância para mercados devem desempenhar um papel fundamental na definição de estratégias e políticas de SLM apropriadas.

– Abordagens personalizadas são necessárias para Gestão Sustentável das Terras (SLM) em zonas áridas e zonas úmidas. Há grande potencial para valorizar as zonas úmidas. No entanto, uma estratégia de ação precisa ser desenvolvida sem impor pressão sobre os recursos naturais.

Fonte: UNCCD

13:34 · 14.02.2013 / atualizado às 13:58 · 14.02.2013 por

A 2ª Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (UNCCD) será realizada em Bonn, na Alemanha, nos dias 9 a 12 de abril, e não em Fortaleza, como o governo brasileiro chegou a divulgar antes.

O evento estava previsto, inicialmente, para o período entre os dias 4 e 8 de fevereiro de 2013. Em sua última comunicação (31 de janeiro de 2013), a Embaixada do Brasil na Alemanha  sugeriu ao Secretariado a indicação de nova data em maio. Diante dessa indefinição, a UNCCD decidiu realizar a Conferência na cidade-sede do seu Secretariado, Bonn, durante mês de abril.

A Conferência foca a “avaliação econômica da desertificação, gestão sustentável da terra e resiliência de zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas”, com o objetivo de transpor os resultados das pesquisas na área para políticas públicas aplicáveis.

A perspectiva é que o evento reúna de 600 a 800 participantes, incluindo os delegados oficiais das 195 partes da Convenção, cientistas de diferentes áreas do conhecimento, profissionais, políticos, gestores, representantes de organizações não governamentais (ONGs) e do setor privado.

A terceira Sessão Especial da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST S3) e a Conferência Internacional Científica serão realizadas entre 09 e 12 de abril. Já a 11ª sessão da Comissão para a Revisão da Implementação da Convenção (CRIC11), ficou agendada para 15 a 19 de abril.

Fonte: UNCCD 2nd Scientific Conference

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