Gestão Ambiental

Categoria: Desertificação


14:34 · 03.09.2012 / atualizado às 14:34 · 03.09.2012 por
Especialistas apontam o uso sustentável da terra como uma das soluções de convivência com as adversidades climáticas Foto: Cid Barbosa

Por Thais Leitão / Agência Brasil

Brasília. Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.

“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando (o problema). E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.

Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.

“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.

Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.

Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.

“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes.

Prioridade

Embora o combate à desertificação seja fundamental à implementação de uma agenda consistente para o Desenvolvimento Sustentável, o tema ainda não é visto como prioridade pelos governos mundialmente. A avaliação é do presidente do Comitê Científico da Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Secas (UNCCD), Antônio Rocha Magalhães.

Segundo ele, os impactos da seca são cada vez mais severos e a interferência humana, promovendo desmatamento e erosão, por exemplo, contribui para a piora do cenário. Magalhães argumenta que a prevenção e o combate à desertificação estão diretamente relacionados aos esforços para erradicação da pobreza.

“Cerca de 2 bilhões de pessoas vivem em áreas secas, sujeitas à desertificação, que representam 40% do território mundial. Essas áreas concentram 60% da pobreza mundial, por isso, quando se fala em erradicação de pobreza tem que se olhar em particular para essas regiões. Por serem mais pobres, com recursos naturais menos promissores e atividades agrícolas mais arriscadas por causa do déficit hídrico, elas não conseguem atrair apoio político forte”, afirmou.

Antônio Rocha Magalhães, que também é assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, alertou que os recursos investidos para prevenir a desertificação são “muito menores” do que os prejuízos trazidos pelo problema.

Ele lembrou que, no ano que vem, o Brasil (Fortaleza) vai sediar a 2ª Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos de Secas (UNCCD). Durante o encontro, que faz parte do calendário oficial das Nações Unidas, serão avaliados os impactos econômicos do combate à desertificação e da implementação de políticas de mitigação de efeitos de seca.

“O que já se sabe de antemão é que o custo de não se fazer nada é muito maior, porque os impactos futuros esperados, diante do aumento da pressão sobre essas regiões, devem impor prejuízos econômicos, sociais e ambientais muito maiores do que o que seria necessário para implementar políticas de prevenção”, enfatizou.

Entre as principais consequências da degradação dessas terras estão as perdas para o setor agrícola, com o comprometimento da produção de alimentos; a extinção de espécies nativas; o agravamento da desnutrição da população local; baixo nível educacional e a concentração de renda.

O presidente do Comitê Científico da UNCCD, destacou que no Brasil o processo de desertificação atinge várias regiões principalmente do Nordeste. Os chamados núcleos de desertificação, onde a situação de degradação é mais crítica, são: Seridó, no Rio Grande do Norte, na divisa com a Paraíba; Irauçuba, no Ceará; Gilbués, no Piauí; e Cabrobó, em Pernambuco.

Magalhães ressaltou, no entanto, que o quadro mais grave mundialmente é observado na África. No continente, “a situação de pobreza é maior e é agravada pelas diferenças políticas e étnicas”, o que dificulta a implementação de uma agenda de desenvolvimento sustentável para a região.

Além disso, as projeções populacionais preveem manutenção do crescimento, enquanto no Brasil o ritmo (de crescimento populacional) já diminui e já se vislumbra uma estabilidade da população. Na África, ele continua explodindo, com taxas de até 4% ao ano em alguns países”, ressaltou.

Magalhães enfatizou que esse quadro “justifica os esforços do Brasil em estabelecer uma cooperação com a África”.

No dia 20 de junho deste ano, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), foi firmado um acordo tripartite para o combate à desertificação da África, formado por Brasil, França e um bloco de países do continente. Na oportunidade, foi lançado edital de seleção de projetos de pesquisa sobre o tema no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões).

Edição: Talita Cavalcante

18:21 · 28.08.2012 / atualizado às 18:21 · 28.08.2012 por
A desertificação não está relacionada apenas à falta de chuva, mas à degradação do solo Foto: sxc.hu

A 2ª Conferência Científica da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Combate à Desertificação (UNCCD) será realizada em Fortaleza, de 4 a 8 de fevereiro de 2013, no Centro de Eventos do Ceará. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antônio Raupp, lançou oficialmente o evento no Palácio da Abolição, sede do Governo do Estado do Ceará, na última quinta-feira (23 de agosto).

Segundo o ministro, Fortaleza foi escolhida para sediar o evento por já ter sido sede de dois outros encontros importantes, aConferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semiáridas (Icid) de 1992 e 2010.

O governo estadual será um dos financiadores do evento, em parceria com o governo federal e a ONU. A parte das Nações Unidas, será de aproximadamente US$ 2 milhões. Já o governo federal vai contribuir com US$ 600 mil, a serem cobertos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Ministério da Integração nacional (MI).

O foco temático da UNCCD será “Avaliação econômica da desertificação, da gestão sustentável da terra e da resiliência de zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas”. Os interessados em apresentar trabalhos científicos devem fazer suas inscrições até o dia 31 de agosto próximo. O site para envio dos resumos é o http://2sc.unccd.int

Desertificação no Ceará

No Estado, os dados mais recentes relativos à desertificação datam de 2004, quando foi feito um estudo específico pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) sobre áreas de oito municípios do médio Jaguaribe. De acordo com o presidente da Funceme, Eduardo Martins, a cidade de Jaguaribe é a que tem a situação mais preocupante, com cerca de 23,54% do território do município em processo avançado de desertificação.

Segundo o documento, também existem grandes áreas degradadas nos municípios de Jaguaretama (17%), São João do Jaguaribe (8,74%), Jaguaribara (8,4%), Alto Santo (7,02%), Iracema(2,75%),Potiretama(3,34%), Morada Nova (1,38%) e Limoeiro do Norte (0,38%).

Ainda de acordo com o presidente da Funceme, não há previsão para quando estes estudos deverão ser atualizados.

Antes da 2ª Conferência Científica da ONU, irá acontecer, em Sobral, entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, a Conferência Latino-Americana e Caribenha sobre Desertificação. A intenção é reunir algumas propostas para serem apresentadas durante o evento maior de fevereiro.

Fonte: Kelly Garcia / Diário do Nordeste

07:22 · 21.06.2012 / atualizado às 07:22 · 21.06.2012 por
Um milhão de euros são mobilizados por instituições francesas, brasileiras e africanas para a luta contra a desertificação

Rio de Janeiro. Uma parceria inédita, que marca mais uma iniciativa na luta de combate à Desertificação, foi lançada nesta quarta-feira, 20 de junho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Em solenidade realizada no Pavilhão Brasil, no Parque dos Atletas, a Agência Inter-organismos de Pesquisa para o Desenvolvimento (AIRD), da França, a Agência Panafricana da Grande Muralha Verde (APGMV), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), do Brasil, lançaram um Edital de seleção de projetos de pesquisa sobre o combate à desertificação na África, no valor de um milhão, que será financiado conjuntamente.

Recursos para cooperação científica

O edital para esse programa de pesquisa está aberto e até o dia 20 de outubro de 2012 e objetiva estruturar uma comunidade científica tricontinental de apoio à luta contra a desertificação na África, reforçar as capacidades científicas deste continente e consolidar o laço entre ciência e sociedade de modo à contribuir à uma gestão sustentável das zonas áridas e semiáridas.

Ele é destinado aos pesquisadores, aos professores-pesquisadores de instituições de ensino e de pesquisa franceses, brasileiros e africanos.

A luta contra a desertificação na África também faz parte do programa que também destaca o melhoramento da segurança alimentar e da redução da pobreza nas zonas áridas e semiáridas.

As temáticas científicas apontadas são variadas e focam na agricultura e alimentação, na gestão dos recursos naturais (água, solo, biodiversidade, entre outros), na adaptação às mudanças climáticas, no desenvolvimento sustentável e humano, na governança, na tecnologia e na inovação.

Os projetos combinam ações transversais multitemáticas com o âmbito de produzir novos conhecimentos, valorizando-os socioeconomicamente.

Autoridades prestigiaram evento

O evento contou com as presenças da ministra Miriam Belchior, do Planejamento e dos ministros da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp e da Integração Nacional, Fernando Bezerra. O governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, também prestigiou o evento.

Dentre as autoridades internacionais, Idriss Deby Itno, presidente do Chade, compareceu ao lançamento. Já a ministra francesa de Ensino Superior e Pesquisa, Geneviève Fioraso, enviou uma mensagem que foi lida pelo presidente do IRD, Michael Laurent.

O presidente do CGEE, Mariano Laplane e do CNPq, Glaucius Oliveira,além do Secretário-executivo da APGMV, Abdoulaye Diae Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial. Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, leu uma mensagem especial do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, ressaltando a importância da parceria com a África.

Todas as informações sobre o projeto tripartite estão disponíveis no site : www.aird.fr

Fonte: CGEE (Brasil)

07:00 · 03.10.2011 / atualizado às 20:05 · 02.10.2011 por

A Comissão Nacional de Combate à Desertificação reuniu-se nesta quinta-feira (29 de setembro), no auditório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília, para discutir os desafios e prioridades para combater o processo de degradação do solo no semiárido brasileiro. No encontro, foram apresentadas ações internacionais e atividades de fomento que estão em curso para conter o fenômeno.

De acordo com o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Vizentin, não será possível progredir e combater devidamente a desertificação sem o fortalecimento de uma estratégia de ações conjuntas, que deve ser adotada por todas as entidades que atuam na região.

Para o diretor de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, deve haver um “esforço concentrado” da Comissão para a implementação do Plano Nacional de Combate. “Estamos dando prosseguimento a uma estratégia de gestão participativa nos níveis federal e estadual, que deve ser replicada nas ações do Plano Nacional,que ainda não foi implantado”, esclareceu.

A comissão é presidida pelo MMA e foi criada para ajudar no processo de articulação e na definição de diretrizes para a implementação do Plano Nacional de Combate à Desertificação.

O representante da ONG Articulação do Semiárido(ASA), Paulo Pedro Andreas, afirmou que a pobreza do semiárido brasileiro está ligada também ao processo de desertificação, e que a região já está sendo afetada pelo aumento da temperatura e pela diminuição das precipitações.

Participaram da reunião representantes da sociedade civil e dos governos de Estados brasileiros do Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais, dos ministérios do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, de Ciência e Tecnologia, Confederação Nacional da Indústria, e de ONGs que atuam no Nordeste.

Fonte: Carine Corrêa/ MMA

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