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Categoria: Dia de Sobrecarga da Terra


17:46 · 05.08.2016 / atualizado às 17:46 · 05.08.2016 por
Nossos padrões de consumo exigem mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Foto: SXC.HU
Nossos padrões de consumo têm exigido mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Ilustração: SXC.HU

Em pouco mais de sete meses, esgotamos os recursos naturais do Planeta para 2016, e a cada ano, sobrecarga tem ocorrido mais cedo. Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas

8 de agosto de 2016 é o Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), data que marca o dia em que a humanidade consumiu mais recursos naturais do que o Planeta é capaz de produzir ao longo do ano. Isso significa que o consumo global recorde fez chegar mais cedo o início do “saldo negativo” da capacidade da Terra se recuperar.

Comparado com anos anteriores, em 2016, essa sobrecarga ocorre mais cedo. Em 2015, a data foi 13 de agosto. Considerado um termômetro para acompanhar a degradação do meio ambiente ao longo do tempo, o Dia da Sobrecarga passou a ser calculado no ano 2000.

O cálculo para chegar ao Dia da Sobrecarga da Terra é complicado, mas a explicação é simples. Feita pela Global Footprint Network, seguindo o conceito de pegada ambiental, a ONG usa dados da Organização das Nações Unidas (ONU), da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de dados governamentais dos próprios países.

As demandas de consumo global, a eficiência na produção de bens e o tamanho da população são contrapostos à capacidade da natureza de prover recursos e reciclar resíduos de forma orgânica.

Duas Terras até 2050

Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas. Algumas consequências dessa super exploração dos recursos naturais é o acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a erosão do solo, o desmatamento das florestas, a sobrepesca, a diminuição da biodiversidade e as mudanças climáticas. Se nada mudar no comportamento de consumo humano, a projeção é de que precisaremos de duas Terras antes de 2050.

Calculado desde 2000, a sobrecarga dobrou nesse período, e a data acontece mais cedo a cada ano, com exceções apenas entre 2007 e 2008 (de 30/08 para 01/09) e 2008 e 2009 (de 01/09 para 06/09). No primeiro ano da medição, o esgotamento dos recursos naturais do Planeta aconteceu em 4 de outubro, quase dois meses mais tarde do que a data determinada para 2016. Também foram feitos cálculos retroativos desde 1961, concluindo que o primeiro ano de Sobrecarga da Terra aconteceu em 1970, quando a data caiu no dia 23 de dezembro.

Mudanças de atitude são fundamentais

Por outro lado, estima-se que a data poderia ser empurrada para a segunda quinzena de setembro caso, até 2030, as emissões de carbono sejam reduzidas em ao menos 30%, resultado pretendido pelo Acordo de Paris estabelecido na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), fechado em dezembro de 2015.

“Somente com a implantação bem sucedida de novas mentalidades de consumo e produção essa meta poderá ser alcançada. Do ponto de vista individual, atitudes como a diminuição do consumo em excesso e com desperdício de energia elétrica, de carne e transportes movidos a combustíveis fósseis são algumas das principais maneiras de colaborar, lado a lado com os compromissos de governos e empresas no combate ao desmatamento e recuperação de áreas degradadas no Planeta”, explica Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu.

Instituto Akatu

Criado em 15 de março de 2001, o Instituto Akatu é uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para um novo jeito de viver com consumo consciente e mais bem-estar para todos.

As atividades do Instituto estão focadas na mudança de comportamento do consumidor em duas frentes de atuação: Educação e Comunicação, com o desenvolvimento de campanhas, conteúdos e metodologias, pesquisas, jogos e eventos.

O Akatu também atua junto a empresas que buscam caminhos para a nova economia, ajudando a identificar oportunidades que levem a novos modelos de produção e consumo – modelos que respeitem o ambiente e o bem-estar, sem deixar de lado a prosperidade.

Fonte: Instituto Akatu