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Categoria: Dia Mundial Sem Carro


10:23 · 22.09.2013 / atualizado às 10:23 · 22.09.2013 por

Dia Mundial Sem Carro - Ilha

Por Maristela Crispim

Hoje, 22 de setembro, é comemorado o Dia Mundial Sem Carro e a principal reflexão a ser feita é como garantir um mínimo de qualidade de vida em cidades sufocadas por um trânsito cada dia mais complicado e por uma violência que reflete o desumanização do nosso sistema?

Muitos urbanistas que estudam e pesquisam sobre o assunto defendem que o crescimento das zonas urbanas deve ser pensado de modo a garantir que as pessoas vivam perto daquilo que garante as suas necessidades básicas: trabalho, escola, supermercado, cabeleireiro, academia, padaria, médico, farmácia.

Se você tiver tudo isso numa distância que pode ser percorrida a pé ou de bicicleta, por que tirar o carro da garagem e se meter num trânsito que vai lhe tirar o bom humor? Essa mudança promove a ocupação das ruas pelas pessoas, o que dá vida à cidade e até reduz a sensação de insegurança.

É claro que esses são investimentos de médio e longo prazo e que é preciso remediar a situação. Percorrer longas distâncias a pé ou mesmo de bicicleta numa cidade como Fortaleza, situada na linha do equador, onde temos uma incidência de raios solares considerável e temperatura média de 29º C o ano inteiro requer outros investimentos.

É preciso, além de aproximar as pessoas dos seus destinos, dar segurança a ciclistas e pedestres, com mais arborização urbana que garanta sombra no percurso, calçadas, ciclovias, ciclofaixas.

O transporte coletivo também precisa ser uma alternativa viável. Já temos o bilhete único, que é uma iniciativa bacana, já adotada em muitas cidades do mundo.

Mas precisamos conseguir entrar num ônibus sem ser esmagado às 6h30 ou às 17h30, um reflexo de como ainda se vive longe das nossas necessidades. Um transporte confortável, que não polua e seja rápido também é um estímulo a deixar o carro em casa.

Providencialmente o dia 22 de setembro neste ano caiu num domingo. Que tal, então, aproveitarmos essa oportunidade para buscar um deslocamento diferente do usual? Pode até ser uma aventura interessante!

22:00 · 22.09.2011 / atualizado às 08:36 · 23.09.2011 por

Hoje, Dia Mundial Sem Carro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou o comunicado 113, tratando especialmente de Poluição Veicular Atmosférica.

Como nos lembra o comunicado, na vida em sociedade, nem sempre o indivíduo vislumbra as consequências, para a coletividade, das decisões tomadas no âmbito particular. Todos querem respirar ar puro, assim como preferem circular livremente pelas vias de transporte existentes. Todos sabem que para tanto é necessário diminuir o uso do transporte individual, andar a pé, usar bicicletas, dar e receber caronas e ter carros com tecnologia menos poluente. No entanto, ninguém quer abrir mão do conforto de se locomover em veículo próprio, sem a certeza de que os demais farão o mesmo.

Conforme os pesquisadores do Ipea, nos últimos 15 anos, o sistema de mobilidade urbana no Brasil se caracterizou pelo crescimento do transporte individual motorizado e consequente redução do uso do transporte coletivo, o que, do ponto de vista da eficiência energética e ambiental, é uma tendência bastante preocupante. Enquanto a frota de automóveis cresceu 7% ao ano e a de motocicletas, 15%, o transporte público perdeu, em geral, cerca de 30% da sua demanda no período.

O crescimento contínuo da frota de veículos automotores no Brasil resulta em impactos relevantes no ambiente urbano e, em última análise, na produtividade e qualidade de vida dos cidadãos. O efeito mais visível e imediato é um incremento dos congestionamentos no trânsito e o decorrente aumento do tempo de deslocamento casa-trabalho-escola. Outro resultado é a elevação da poluição veicular, especialmente nos grandes centros urbanos.

Poluição

A poluição gerada pelo deslocamento de bens e pessoas em um ambiente urbano refere-se, principalmente, à emissão, pelos veículos automotores, de substancias poluentes no ar (poluição atmosférica); ao excesso de ruídos produzidos por esses veículos; e à intrusão visual provocada pelo excesso de veículos nas ruas.

A intensidade dos ruídos e dos poluentes atmosféricos provoca danos sérios à saúde humana. No caso da poluição visual, os impactos geralmente estão associados à degradação e desvalorização do ambiente, com reflexos na economia local. Especificamente sobre a poluição atmosférica, apesar de o ar limpo ser considerado um requisito básico da saúde e do bem-estar humano, a sua contaminação vem sendo uma ameaça à saúde humana em todo Planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Poluentes

Os poluentes atmosféricos veiculares podem ser classificados em função da abrangência dos impactos causados por suas emissões. Os poluentes locais causam impactos no entorno de onde é realizado o serviço de transporte.

São exemplos a fuligem expelida pelos escapamentos, que se acomodam nas ruas, passeios e fachadas dos imóveis, e a névoa formada pela concentração de ozônio2 (O3) no ar, o chamado efeito “smog”. Nessa categoria, estão ainda os poluentes que se deslocam de uma região para outra pelas correntes de ar, muitas vezes sobre fronteiras de países, como é o caso dos gases que causam a chuva ácida.

Os poluentes globais, por sua vez, alcançam a atmosfera e impactam todo o Planeta como no caso da emissão de gases causadores do efeito estufa (GEE). O principal poluente nessa categoria, devido à grande quantidade emitida na queima de combustíveis, é o dióxido de carbono (CO2), que serve também como unidade de equivalência para os demais GEEs.

Os principais poluentes veiculares locais são o monóxido de carbono (CO); os Hidrocarbonetos (HC), ou compostos orgânicos voláteis (COV); os materiais particulados (MP); os óxidos de nitrogênio (NOx) e os óxidos de enxofre (SOx). Em geral, eles resultam da queima de combustíveis fósseis.

A despeito da tendência de aumento do uso do transporte individual motorizado, o Brasil vem adotando uma série de políticas mitigadoras das emissões de poluentes veiculares nos últimos anos, com resultados positivos em se tratando principalmente poluentes locais, mas pouco efetivos, devido ao crescimento da frota, quando se trata de GEE.

De acordo com o Inventário de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários de 2011, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), os veículos motorizados lançaram na atmosfera, em 2009, cerca de 170 milhões de toneladas de CO2. Automóveis e caminhões responderam pelos maiores percentuais de emissões, cada um com cerca de 40% do total.

Os dados do estudo mostram que de 1980 a 2009 as emissões de CO2 cresceram, em média, a uma taxa de 3,6% ao ano, mas as previsões indicam que esse crescimento passe para 4,7% ao ano de 2009 a 2020, muito em função da tendência de aumento vertiginoso da frota de veículos automotores no país.

Transportes coletivos

Mesmo que os veículos de transporte público coletivo emitam mais GEE por quilômetro, quando se analisam as emissões por passageiro transportado, verifica-se que os usuários de transporte privado emitem mais GEE do que os do transporte público coletivo.

A explicação está na maior produtividade apresentada pelos veículos coletivos, que transportam quantidade de passageiros superior aos veículos privados. Um usuário de automóvel, por exemplo, emite quase oito vezes mais CO2 que um usuário de ônibus e 36 vezes mais que um usuário de metrô.

Isso indica um caminho importante para as políticas públicas de mitigação das emissões dos gases de efeito estufa: estimular o uso do transporte público coletivo nos deslocamentos cotidianos da população.

Biocombustíveis

Quando se trata de mitigação das emissões de GEE veiculares, o Brasil apresenta certo avanço em relação a outros países em função da bem sucedida experiência de uso de biocombustíveis, notadamente o programa de álcool hidratado veicular. A vantagem do álcool é que as emissões provenientes da queima no motor são absorvidas no cultivo da cana por se tratar de um combustível renovável.

Mesmo com a introdução de biocombustíveis na matriz energética do transporte, o percentual de emissões de CO2 proveniente da queima de combustíveis renováveis ainda é baixo em relação ao total, apesar da tendência de crescimento nos últimos anos. Inventário do MMA prevê que os renováveis respondam por 27% das emissões em 2020, ultrapassando as da gasolina.

O diesel sempre foi e continuará sendo a principal fonte veicular de emissão de CO2, pois, a despeito da política nacional de consolidação dos biocombustíveis na matriz energética do transporte, primeiro com o álcool e recentemente com o biodiesel, não há sinalização de que os combustíveis fósseis percam o seu papel hegemônico nos próximos anos ou mesmo décadas, principalmente com a descoberta das reservas de petróleo da camada Pré-Sal.

Acompanhamento

Até meados da década de 90, houve forte aumento das emissões veiculares totais dos principais poluentes locais. O crescimento da frota e a baixa eficiência dos motores contribuíam com essa tendência. Mas desta época até os dias de hoje, têm-se observado no Brasil uma clara redução das emissões de vários poluentes locais, como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e material particulado.

Essa redução influencia os índices de qualidade do ar nos grandes centros urbanos. De acordo com o relatório do IBGE Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, de 2010, houve uma tendência estacionária ou de declínio das concentrações máxima e média de poluentes atmosféricos nos pontos de monitoramento da maior parte das regiões metropolitanas brasileiras. A publicação imputa esse resultado, pelo menos em parte, ao Programa de Redução de Emissões de Veículos Automotores (Proconve).

Mas, se de um lado observa-se claramente a redução de poluentes locais nas duas últimas décadas, como resultado de políticas de controle veicular, de outro, a emissão de poluentes globais, especialmente GEE, aumentaram de modo contínuo.

Mais do que isso, considerando que as tecnologias tradicionais com base na queima de combustíveis fósseis já atingiram um nível de eficiência alto, com ganhos incrementais baixos a partir de 15 agora, o cenário de inversão da queda de emissões totais dos poluentes locais torna-se bastante provável face ao aumento da frota e dos congestionamentos urbanos.

Nesse sentido, é necessário pensar em avanços estruturantes que permitam, ao mesmo tempo, lidar com o contínuo aumento da emissão de gases de efeito estufa e manutenção/redução da emissão de poluentes locais.

Estratégias

A melhoria da qualidade do transporte coletivo, por exemplo, pode ser classificada como política regulacional porque os efeitos econômicos podem ser nulos. Em tese, melhoria do conforto e redução do tempo de deslocamento – com maior oferta de veículos e horários – trariam maior número de passageiros e, portanto, maior equilíbrio financeiro ao sistema.

De um lado, ter-se-ia possivelmente, a melhoria da mobilidade geral do sistema urbano com ganhos de produtividade e competitividade para as firmas e redução de problemas de saúde pública vinculados. De outro lado, podem ser gerados desincentivos à indústria automobilística, com suas sabidas consequências econômicas danosas.

O estudo aponta, ainda, uma política de tarifação do transporte urbano pela distância coordenada a alterações nas regras de uso e ocupação do solo que permitam, até os limites da infraestrutura urbana, uma ocupação mais densa do território, favorecendo menores distâncias entre locais de moradia e de trabalho.

Ações dessa ordem poderiam resultar rapidamente em reduções nos níveis de congestionamentos, com imediato resultado na melhoria da eficiência do transporte coletivo, já que os congestionamentos das vias urbanas nos horários de pico são prioritariamente causados pelos veículos particulares e que o aumento nos tempos de deslocamento afetam, igualmente, transporte público e privado.

O estudo sugere, ainda, investimentos em expansão de vias urbanas rápidas, transporte não-motorizado e incentivo ao desenvolvimento tecnológico alternativo.

Cenário otimista

O cenário mais otimista é o de conscientização da sociedade em relação à interação entre políticas públicas de diferentes ordens que impactam vários aspectos simultâneos nas questões da mobilidade urbana, da poluição urbana e de saúde pública, cujas recomendações podem ser resumidas da seguinte forma: o transporte coletivo urbano deve ser prioridade nos vários níveis de políticas públicas, de forma concomitante à restrição crescente à circulação de veículos automotores individuais e à ênfase em soluções urbanas que favoreçam a redução da necessidade de transporte motorizado e a prioridade do transporte não motorizado.

Poluente e seus impactos

Monóxido de carbono (CO) – Atua no sangue, reduzindo sua oxigenação, e pode causar morte após determinado período de exposição à determinada concentração

Óxidos de nitrogênio (NOx) – É parte do “smog” fotoquímico e da chuva ácida. É um precursor do ozônio (O3), que causa e/ou piora problemas nas vias respiratórias humanas. Também provoca danos a lavouras.

Hidrocarbonetos – compostos orgânicos voláteis – (HC) – Combustíveis não queimados ou parcialmente queimados formam o “smog” e compostos cancerígenos. É um precursor do ozônio (O3).

Material particulado (MP) – Pode penetrar nas defesas do organismo, atingir os alvéolos pulmonares e causar irritações, asma, bronquite e câncer de pulmão. Degrada os imóveis próximos aos corredores de transporte.

Óxidos de enxofre (SOx) – Formam a chuva ácida e degradam vegetação e imóveis, além de provocarem problemas de saúde.

Fonte: Ipea

07:00 · 15.09.2011 / atualizado às 10:44 · 14.09.2011 por

 

Quase todo dia lemos notícias sobre o trânsito difícil na cidade de Fortaleza, que, como outras metrópoles, enfrenta os problemas decorrentes da opção predominante pelo transporte rodoviário individual.

No dia 22 de setembro, o mundo celebra o World Car Free Day, ou, em Português claro, o Dia Mundial Sem Carro, uma estratégia de divulgação que vem sendo apoiada por um número crescente de cidades em todo o mundo.

Nesta data, criada na França, em 1997, são realizadas atividades em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. O objetivo principal é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto.

A proposta é que essas pessoas experimentem, pelo menos neste dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.

O Car Free é um movimento internacional que advoga a revitalização das cidades, buscando garantir um futuro sustentável. O movimento e seus apoiadores entendem que a opção das cidades em favor do automóvel foi equivocada por tratar-se de um meio de transporte altamente poluidor e destruidor do espaço urbano.

Como alternativa, propõem a reconversão das cidades para favorecer meios sustentáveis de mobilidade, elegendo a bicicleta e os meios de transporte coletivos como expressão da sustentabilidade.

Com cidades tendo um trânsito mais calmo, as pessoas tenderiam a caminhar mais, resgatando os espaços públicos e alcançando um novo conceito de qualidade de vida.

Em Fortaleza, os já tradicionais passeios ciclísticos noturnos farão alusão à data durante a semana. No dia 22, será aberta a exposição de fotografias Dia Mundial Sem Carro, às 9h30min, na Câmara Municipal de Fortaleza (Salão Branco).