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Categoria: Dia Nacional da Caatinga


19:58 · 27.04.2016 / atualizado às 19:58 · 27.04.2016 por
O objetivo não é proteger o tatu-bola isoladamente, mas o meio onde ele vive. Ao preservar as florestas da Caatinga, são  resguardadas as nascentes, de onde vem a água consumida nos grandes centros urbanos Foto: Associação Caatinga
O objetivo não é proteger o tatu-bola isoladamente, mas o meio onde ele vive. Ao preservar as florestas da Caatinga, são resguardadas as nascentes, de onde vem a água consumida nos grandes centros urbanos Foto: Associação Caatinga

Comemorado anualmente no dia 28 de abril, o Dia Nacional da Caatinga é um convite para a reflexão sobre a situação deste bioma que ocupa 11% do território nacional. Restando menos de 50% da sua cobertura vegetal natural, a Caatinga enfrenta, além do desmatamento, das queimadas e da caça, um período de estiagem que já se arrasta por cinco anos consecutivos somente no Estado do Ceará.

Os impactos da seca não atingem apenas a agricultura familiar: a produção industrial é reduzida e o consumo de água nas grandes cidades precisa ser reajustado. A segurança hídrica da população depende em grande parte de florestas preservadas. Temos, portanto, um ciclo que precisa ser mantido: a mata em pé protege as nascentes que produzem água e a água mantém a própria floresta, e permite que as cidades e as indústrias continuem funcionando.

Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o nível médio dos reservatórios do Ceará é de 13,5%, por isso investir em economia e preservação dos corpos d’água é de fundamental importância para a nossa segurança hídrica.

A Associação Caatinga, instituição pioneira na defesa do único bioma exclusivamente brasileiro, desenvolve ações de preservação e conservação da Caatinga no Ceará e Piauí.

Uma das mais recentes iniciativas coordenadas pela Associação é o Programa de Conservação do Tatu-bola, apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O programa desenvolve ações nas comunidades próximas à Reserva Natural Serra das Almas para reduzir o risco de extinção do tatu-bola, mamífero típico da Caatinga, que foi mascote da última Copa do Mundo, realizado no Brasil.

O biólogo Rodrigo Castro, coordenador geral da instituição, aponta as relações de interdependência na Caatinga e como isso afeta a vida urbana. “O Programa de Conservação do Tatu-bola não se restringe à proteção de uma espécie animal. Não se protege o tatu-bola isoladamente: o meio onde ele vive tem que ser cuidado também. Preservando as florestas da Caatinga resguardamos as nascentes d’água, que é de onde vem a água consumida nos grandes centros urbanos, como Fortaleza. Tanto quanto o tatu-bola nós também precisamos destas florestas para viver”.

“As ações do Programa Tatu-bola não partem somente da Associação Caatinga. Nosso trabalho (quer) envolve também as comunidades vizinhas das áreas de ocorrência do animal na luta pela manutenção dele na natureza”, explica Flávia Miranda, coordenadora técnica do Programa Tatu-bola.

Programa de Conservação do Tatu-bola

Lançado em março deste ano, o Programa tem duração de quatro anos e envolve atividades de educação ambiental, mapeamento das áreas de ocorrência, estudos do animal para fins de reprodução e estímulo à criação de novas reservas de patrimônio natural, locais onde o tatu-bola terá condições asseguradas para sobreviver.

Dia Nacional da Caatinga

A data 28 de abril homenageia o professor João Vasconcelos Sobrinho (1908-1989), pioneiro na área de estudos ambientais nesta região do Brasil. O Dia Nacional da Caatinga foi celebrado oficialmente pela primeira vez no Seminário “A Sustentabilidade do Bioma Caatinga”, realizado nos dias 28 e 29 de abril de 2004, em Juazeiro, na Bahia.

Associação Caatinga

Reconhecida pelo Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), atua há 17 anos no Ceará e no Piauí, promovendo a conservação das terras, florestas, águas e de todas as formas de vida na Caatinga.

Fonte: Associação Caatinga