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Categoria: Espécies Ameaçadas de Extinção


22:09 · 09.12.2013 / atualizado às 22:26 · 09.12.2013 por

LivroVermelhodaFloradoBrasil

O Brasil assumiu, junto à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU, o compromisso de elaborar até 2020 uma lista completa das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. Lançado oficialmente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) na semana passada, o Livro Vermelho da Flora do Brasil avalia os riscos enfrentados por 4.617 espécies nacionais e classifica 2.118 delas nas categorias Vulnerável (VU), Em Perigo (EM) ou Criticamente em Perigo (CR).

O resultado desse levantamento, realizado por 200 pesquisadores do Brasil e do exterior, servirá como base para uma atualização da Lista Oficial das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, documento legal do governo brasileiro cuja versão atual, elaborada em 2008, aponta somente 470 espécies.

Não se trata de um catálogo definitivo, já que o trabalho de identificação e classificação das cerca de 40 mil espécies da flora no Brasil, ameaçadas ou não, ainda é um processo em curso. Mesmo abrangendo um universo de 10% da flora nacional, no entanto, o Livro Vermelho, elaborado pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), órgão subordinado ao Instituto Federal de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), já pode ser considerado o principal instrumento para a orientação de políticas públicas voltadas à conservação dessas espécies, pois identifica os principais fatores que as levaram à atual situação de risco de extinção.

O Livro Vermelho relacionou 5.642 fatores de ameaça à flora brasileira. Mais de 60% desses fatores (3.400) pressionam espécies consideradas em risco de extinção. Citada em 2.970 casos, a perda de habitat e a degradação das espécies vegetais são provocadas preferencialmente pelo avanço da fronteira agrícola (36,1%), pela execução de obras de infraestrutura e planos de desenvolvimento (23,5%), pelo uso intensivo de recursos naturais (22,3%) e pelas queimadas provocadas por pessoas (11%).

A maioria das espécies ameaçadas se concentra nos sete estados das regiões Sudeste e Sul. Minas Gerais é o estado que apresenta a maior quantidade de espécies classificadas nas três categorias de risco de extinção (VU, EN e CR), em um total de 810, seguida por Espírito Santo (500), Rio de Janeiro (490), Bahia (480) e São Paulo (480).

Na análise por bioma, a Mata Atlântica e Cerrado são os que reúnem o maior número de espécies ameaçadas. Em seguida, aparecem no ranking a Caatinga e os Pampas, e só na quinta posição a Amazônia. É justamente no bioma amazônico, no entanto, que o estudo do MMA se revela mais frágil, devido às difíceis condições de acesso a determinadas regiões e também às inúmeras lacunas de informação científica ainda existentes no que diz respeito às espécies amazônicas. Outro fator que pode explicar a posição da Amazônia no ranking é o grande número de unidades de conservação e outras áreas protegidas (38% do território) existentes naquele bioma.

No que diz respeito aos grupos de espécies avaliados, as Pteridófitas (samambaias, avencas e xaxins, entre outras) são as mais ameaçadas nas três categorias de risco de extinção levadas em consideração pelo Livro Vermelho.

A família das Bromeliaceae (bromélias), no entanto, é a que apresenta o maior número de espécies (60) classificadas como CR, ou “Criticamente em Perigo”, seguida pelas famílias Orchidaceae (orquídeas) com 55 espécies e Asteraceae (margaridas, crisântemos e girassóis) com 45 espécies.

O estudo afirma ainda que entre as asteráceas encontra-se a maior quantidade de espécies (145) classificadas como EN ou “Em Perigo”, enquanto o maior número de espécies classificadas como VU ou “Vulneráveis” pertencem à família das Orchidaceae (55).

Em números absolutos, o livro aponta o gênero Begoniaceae (begônias) como aquele que tem mais espécies ameaçadas (36), seguido pelo gênero de bromélias Vriesea (35) e pelas Xyridaceae (Xyris), com 27 espécies ameaçadas.

Divisão

O Livro Vermelho da Flora do Brasil é dividido em três partes:

1. Contextualiza a importância das avaliações de risco de extinção para a conservação de plantas no Brasil e no mundo, e apresenta as metodologias de trabalho e os principais resultados alcançados”.

2. Capítulos específicos sobre cada uma das famílias botânicas avaliadas e traz o resultado das avaliações nacionais de risco de cada espécie apontada como ameaçada de extinção.

3. Esclarece aspectos técnicos da obra e traz o “Sistema de Categorias e Critérios de Risco de Extinção” adotado para as avaliações, além de tabelas de classificação de habitats e de um índice remissivo.

O instrumento mais prático do Livro Vermelho, entretanto, é a lista das ameaças que incidem sobre a flora brasileira, acompanhada pelas respectivas ações de conservação sugeridas pela equipe de pesquisadores do CNCFlora.

Para a classificação do nível de ameaça, foi utilizado o sistema da Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), método considerado mais rigoroso que os anteriormente usados no Brasil: “Esse sistema permite que as informações sobre a flora brasileira sejam comparadas às de outras regiões do mundo e incluídas em análises globais de espécies ameaçadas”, afirmou Gustavo Martinelli, coordenador do CNCFlora e organizador, ao lado de Miguel Ávila Moraes, do Livro Vermelho.

Metas

O governo tem o Livro Vermelho da Flora do Brasil como a primeira etapa para a elaboração de uma atualizada e bem estruturada Lista Oficial das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, compromisso assumido pelo governo brasileiro durante uma das Conferências das Partes (COPs), da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU: “A previsão é que o Livro Vermelho seja renovado a cada cinco anos, mas uma versão on line, que estará disponível no site do CNCFlora na internet, terá contribuições permanentes e será atualizada anualmente”, disse Martinelli.

A ministra Izabella Teixeira qualificou o livro como “um marco na pesquisa brasileira”, e afirmou que, com esse lançamento, cumpre “o desafio de resgatar a pesquisa” assumido quando chegou ao MMA. E deu um recado a todos os pesquisadores: “Apliquem bem o conhecimento adquirido a partir deste livro e continuem trabalhando e construindo um caminho de consolidação do resgate da biodiversidade da flora brasileira”.

Fonte: ((o))eco

12:27 · 12.09.2012 / atualizado às 15:40 · 12.09.2012 por

 

O soldadinho-doararipe habita as nascentes das encostas da Chapada do Araripe, no sul do Ceará Foto: Cid Barbosa

Por Maristela Crispim

Cinco espécies brasileiras de animais – entre elas o nosso soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni) – estão entre as cem destacadas em publicação lançada ontem (11 de setembro), pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), no Congresso Mundial de Conservação, na Coreia do Sul.

As espécies brasileiras citadas no livro, que pode ser traduzido como “Inestimável ou Sem Valor?”, incluem também o macaco muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), duas borboletas (Actinote zikani e Parides burchellanu) e uma espécie de preá (Cavia intermedi).

A lista abrange 48 países diferentes. “Todas as espécies listadas são únicas e insubstituíveis. Se elas desaparecerem, não haverá dinheiro que as traga de volta”, disse Ellen Butcher, da ZSL, co-autora do relatório, no evento.

“Mas, se tomarmos ações imediatas, podemos dar a elas chances de lutar pela sobrevivência. Mas isso requer que a sociedade apoie a posição moral e ética de que todas as espécies têm direito de existir”, acrescentou.

O soldadinho-do-araripe vive apenas na Chapada do Araripe, no Ceará. A população é calculada em 779 indivíduos, que, devido aos hábitos reprodutivos restritos às nascentes, só existem ali e são muito vulneráveis. O relatório destaca que a principal ameaça é a “destruição do habitat, devido à expansão da agricultura, unidades de recreação e parques aquáticos”

O biólogo cearense Weber Andrade de Girão e Silva é co-responsável pela descoberta do soldadinho-do-araripe. Ele era ainda estudante de Biologia quando, em 1996, participou da descoberta e esse episódio influenciou a sua trajetória profissional e pessoal. Há 15 anos ele vem desenvolvendo o Projeto Soldadinho-do-Araripe na área de incidência da ave, e, por isso, acabou se mudando para a região, no sul do Ceará.

Os resultados positivos do projeto, em conservação de habitat e da espécie, dependem do envolvimento de proprietários das áreas de ocorrência, bem como da comunidade local. Para isso o pássaro foi transformado na espécie bandeira da região, influenciando no fortalecimento das Unidades de Conservação (UCs) públicas e incentivo à criação de UCs particulares e outras modalidades de conservação de áreas naturais na região.

Emblemáticas

Em entrevista exclusiva, ao blog Gestão Ambiental, Weber destaca que o livro selecionou cem espécies emblemáticas no Planeta que constam na lista das criticamente em risco de extinção para alertar sobre a importância da preservação da biodiversidade.

“É importante destacar que é impossível dizer quem são as cem mais ameaçadas porque há várias situações. Há, por exemplo, populações de mil indivíduos que estão em declínio e outras de 500 que estão e restabelecendo”, explica.

Weber esclarece que a publicação não é um artigo científico, mas um belo livro que chama a atenção para a necessidade da conservação e, neste sentido, destaca o texto da abertura, do duque de Cambridge, His Royal Highness:”Este livro não se limita a dizer-nos quais espécies estão mais ameaçadas, ele nos mostra como podemos salvá-las. Desafia-nos a assumirmos o compromisso de assegurar o nosso patrimônio natural de valor inestimável para as futuras gerações”.

Sobre o soldadinho-do-araripe, Weber acredita que o fato de  já ser considerado um ícone pela BirdLife International, entidade internacional voltada à preservação das aves, deve ter ajudado na seleção. Disse, ainda, que a notícia foi recebida com grande alegria por todos que trabalham pela preservação da espécie.

Outras espécies

O muriqui-do-norte, maior macaco das Américas, só encontrado na Mata Atlântica, no Sudeste do País. A população é calculada em menos de mil macacos, principalmente em algumas dezenas de reservas privadas e do governo.

“O desmatamento em larga escala e um passado de corte seletivo de madeira reduziu o ecossistema único do muriqui-do-norte para uma fração de sua extensão original, e as pressões de caça também afetaram as populações locais”, destaca o relatório.

A publicação cita também o preá Cavia intermedia, que existe apenas nas Ilhas Moleques do Sul, em Santa Catarina, tem população de apenas 40 a 60 indivíduos, e que sugere que haja mais fiscalização no parque estadual onde estão as ilhas, além de regulamentação do acesso à área.

As borboletas Actinote zikani, que vive na Serra do Mar, perto de São Paulo, e a Parides burchellanus, com uma população de menos de cem indivíduos no Cerrado brasileiro, completam a lista.

Incentivo

Em maio passado, projeto de Weber Girão foi selecionado como representante do bioma Caatinga no Programa Empreendedores da Conservação (E-CONS). Iniciativa da ONG curitibana Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) em parceria com o HSBC, com o objetivo de reconhecer e estimular o trabalho de pessoas comprometidas com a conservação da biodiversidade em diferentes biomas brasileiros.

A perda da biodiversidade é considerada preocupante no Planeta, pois, com a redução de áreas naturais, perdem-se também os serviços ambientais prestados por essas áreas. Alguns exemplos desses serviços são o controle de pragas e polinização para a agricultura, controle de erosão de solos, recarga e manutenção de recursos hídricos, essências de medicamentos e fontes de inspiração para novas tecnologias. O trabalho dos E-CONS contribui diretamente para a manutenção desses e outros serviços ambientais, que geram inúmeros benefícios à sociedade.

Acesse aqui a publicação  “Priceless or Worthless?”

Com informações da Agência Reuters

19:20 · 08.01.2012 / atualizado às 19:20 · 08.01.2012 por
A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é endêmica do Brasil. Originalmente encontrada nas matas, hoje é vista raramente e o seu estado de conservação é crítico. Pode ser encontrada no interior do estado da Bahia Foto: Ciro Albano

 

Espécies nativas, que vivem em áreas específicas, podem ser as primeiras a desaparecer devido à mudança climática, indica uma pesquisa feita por cientistas dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira (4 de janeiro).

Segundo os autores, especialistas em biologia das Universidades de Connecticut e de Washington, estudos já realizados e que abordam o aquecimento global não contemplariam interações que já ocorrem na biodiversidade (animais e vegetais), como a movimentação e competição entre espécies. Tais fatores não considerados até então podem subestimar a extinção de espécies.

De acordo com Mark Urban, principal responsável pelo estudo, já existem provas de que animais e plantas já se movem em resposta às alterações no clima.

Ele cita como exemplo que, devido à elevação da temperatura, espécies que não podem receber calor devem se deslocar para altitudes mais elevadas, onde o frio é predominante. Entretanto, de acordo com os cientistas, nem todas as espécies conseguirão se dispersar rapidamente e podem morrer por isso, tendo seu lugar ocupado por outra espécie.

De acordo com um sistema matemático desenvolvido nesta pesquisa, animais endêmicos (que só existem em regiões específicas) poderão ser extintos mais rapidamente devido à dificuldade de dispersão.

Em regiões tropicais do Planeta, o que incluiria a América do Sul (e o Brasil), poderiam ser afetadas diretamente pelas alterações climáticas.

Fonte: Globo Natureza

07:00 · 18.10.2011 / atualizado às 11:01 · 17.10.2011 por
No Brasil, a onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como jaguar, está cada vez mais próxima da extinção porque seu modo de vida requer grandes extensões de território. É a única espécie do gênero Panthera encontrada nas Américas, sendo o terceiro maior felino do mundo após o tigre e o leão, e o maior do Hemisfério Ocidental Foto: Silvana Tarelho (24/06/2006)

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai intensificar ações para a redução da lista de espécies da fauna ameaçadas de extinção. Até 2014, anuncia ter planos de ação para a proteção de todas as espécies que correm risco de desaparecer.

“Esse é um dos compromissos assumidos pelo Brasil na COP 10, em Nagoya”, observou o secretário de Biodiversidade e Florestas, Bráulio Dias, na quinta-feira passada, quando participou do seminário Construção da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção, no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Bráulio Dias estava se referindo à conferência das Nações Unidas na cidade japonesa de Nagoya, realizada no ano passado, com 193 países, para preservação do Planeta. O secretário citou que o País já avançou muito nas ações para a proteção da fauna “como a revisão periódica da lista e instalação de comitês de planejamento das iniciativas”, mas são ainda necessárias outras estratégias.

Entre as novas estratégias, Bráulio Dias citou a Aliança Brasileira para Extinção Zero, iniciativa do MMA “para a análise de lacunas entre os critérios usados para a criação de unidades de conservação”. Ele explicou que isso significa analisar a relação das áreas protegidas e os resultados de ações de conservação. O secretário ainda citou a necessidade de parcerias com o setor privado e com os governos estaduais.

“Pulamos de 2% pra 23% os planos de ação para proteção de espécies na atual lista de ameaçadas de extinção. Até o fim do ano chegaremos a 35% e até o fim do Governo Dilma vamos alcançar 100%”, disse Rômulo Mello, presidente do ICMBio.

O presidente do ICMBio comentou iniciativas do Governo Federal para a conservação das unidades de conservação como o Bolsa Verde, que paga por serviços ambientais a famílias de baixa renda, e a aliança que a ministra Izabella Teixeira firmou com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, para estimular cada vez mais o conhecimento científico para a preservação do meio ambiente.

Fonte: MMA