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Categoria: Fauna Silvestre


08:00 · 01.03.2016 / atualizado às 11:40 · 01.03.2016 por
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga

O Programa de Conservação do Tatu-bola será lançado, na quarta-feira (2), às 18h, no Salão Aberto da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), pela organização não governamental Associação Caatinga, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O apoio da Fundação ao Programa para a proteção da espécie, concretizado no fim de 2015, viabilizará o desenvolvimento de ações estratégicas do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, política publica federal criada em 2014. com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Associação Caatinga, e de 22 pesquisadores e ambientalistas de todo o País.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é parceira da Associação Caatinga em iniciativas de conservação da Caatinga desde 2003 e financiou, ao longo de seus 25 anos, quase 1.500 iniciativas de conservação da natureza, em todas as regiões do Brasil.

“O apoio ao Programa Tatu-bola faz parte dos nossos esforços para ampliar pesquisas, políticas públicas e outras ações em prol da Caatinga, bioma que está ameaçado e que carece de medidas efetivas de proteção de sua singular biodiversidade”, afirma a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.

As principais ações do Programa de Conservação do Tatu-bola pelos próximos quatro anos serão identificar áreas de ocorrência do animal com potencial para a criação de Unidades de Conservação (UCs) e criar UCs em áreas prioritárias que favoreçam a permanência do tatu-bola nas florestas nativas.

Espera-se que esses esforços somados às ações de sensibilização das comunidades próximas e mobilização da sociedade por meio de ações de comunicação contribuam para a redução da taxa de perda do habitat do Tatu-bola, em outras palavras, ajudem a preservar a Caatinga.

Para o coordenador geral da Associação Caatinga, Rodrigo Castro evitar a extinção do Tatu-bola vai muito além da preocupação com o animal. “O Programa de Conservação do Tatu-bola é uma iniciativa inédita voltada a essa espécie tão ameaçada. O Programa ressalta a necessidade de preservarmos as florestas da Caatinga para o animal, para as outras espécies de animais e plantas e para a segurança hídrica no sertão. Tanto quanto o tatu-bola, nos também dependemos de florestas preservadas. Cuidar da Caatinga é garantir a vida e a produção de água num ambiente único no Planeta”, afirma.

Tatu-bola

O Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) ganhou notoriedade mundial ao ser escolhido como mascote da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a partir de campanha desenvolvida pela Associação Caatinga, por tratar-se da menor e menos conhecida espécie de tatu brasileira e corre sério risco de extinção.

Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está desaparecendo do mapa e consta da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo, nível de ameaça que está a apenas dois passos da extinção.

Fontes: Associação Caatinga / Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

15:42 · 28.06.2013 / atualizado às 15:32 · 30.06.2013 por
A Resolução Nº 457, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que permite que pessoas físicas em todo o País possam ter a guarda provisória de até dez animais silvestres FOTO: ANTONIO CARLOS ALVES / AGÊNCIA DIÁRIO
A Resolução Nº 457, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), permite que pessoas físicas em todo o País possam ter a guarda provisória de até dez animais silvestres FOTO: ANTONIO CARLOS ALVES / AGÊNCIA DIÁRIO

Por Maristela Crispim

Na última quarta-feira, em meio ao jogo Brasil x Uruguai e a protestos por mudanças no Brasil, o Diário Oficial da União (DOU) publicou a Resolução Nº 457, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), permitindo que pessoas físicas em todo o País possam ter a guarda provisória de até dez animais silvestres, desde que os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não tenham condições de cuidar do animal apreendido. A decisão foi tomada na última reunião do Conama, em maio passado.

O objetivo da Resolução é remediar as carências dos Cetas, zoológicos ou criadores conservacionistas, dando um opção para abrigá-los, quando não é possível devolvê-los à natureza. As reações à publicação foram imediatas, principalmente nas redes sociais.

Reações

Segundo o biólogo Thieres Pinto, da Sertões Consultoria, na prática, se uma pessoa for flagrada com um animal silvestre poderá, após ser autuada por infração ambiental, ser provisoriamente sua depositária. E voluntários também poderão se candidatar a ter a guarda de animais com muito mais facilidade do que ocorre hoje com a figura do criador conservacionista, que precisa preencher uma série de requisitos legais. “A decisão fica a critério apenas do técnico do Ibama de Plantão, o que constitui um precedente perigoso”, argumenta.

O biólogo reconhece que o Conama destaca algumas exceções, de que os espécimes não apresentem risco de invasão de ecossistemas, não estejam ameaçados de extinção, não sejam vítimas de maus tratos ou tenham porte incompatível com o espaço onde estiverem alojados. Mas acredita que isso ainda seja muito pouco diante do que já ocorre.

“Isso é o poder público assumindo a incompetência para dar destinação a esses animais e ainda por cima passando a responsabilidade para quem cometeu a infração. É um grande absurdo”, afirma.

Veterinários

Por e-mail, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) enviou nota à imprensa, onde destaca diversos pontos do documento aprovado pelo Conama que “privilegiarão o tráfico de animais silvestres, promovendo a banalização de um crime que ameaça milhões de espécies da fauna brasileira diariamente”.

Especificamente em relação aos critérios do Termo de Depósito de Animais Silvestres (TDAS), conforme passa a determinar a nova Resolução, “o CFMV entende que este privilegiará ainda mais a ilegalidade, estimulando a impunidade e contrariando o conceito e a defesa de toda a classe para que haja mais rigor no combate ao tráfico de animais”.

O CFMV considera, ainda, que “a Resolução instituirá uma série de conflitos frente aos interesses dos criadouros comerciais – já constituídos pela Resolução Nº 169 do Ibama (08/12/2011) – que assumem um papel importante no combate ao tráfico e no desenvolvimento de conhecimento técnico para a reprodução, nutrição, manejo e cuidados sanitários”.

Na avaliação do Conselho, “a Resolução irá comprometer ainda mais a responsabilidade que foi transferida aos Estados para gestão e fiscalização da fauna em cativeiro, conforme determina a Lei Complementar Nº140/2011, uma vez que todas as unidades federativas ainda encontram-se em processo de adaptação e estruturação”.

Por fim, destaca que “o CFMV, como representante dos mais de 100 mil profissionais da Medicina Veterinária e da Zootecnia em todo o País, cobra um posicionamento do Governo Federal para que os esforços no combate ao tráfico e os riscos à proteção da fauna brasileira não sejam negligenciados”.

Reposta

Ontem mesmo, nota oficial do Ministério do Meio Ambiente (MMA) destacou que “o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou proposta dos setores de fiscalização das Organizações Estaduais de Meio Ambiente (Oemas) no sentido de fortalecer o controle e a guarda provisória de espécies da fauna silvestre apreendidos”.

Ressaltou, ainda, que a Resolução Nº 457 foi discutida durante três anos pelo colegiado e “lista uma série de animais que não podem, em hipótese alguma, permanecer no local de apreensão. Entre eles, estão os ameaçados de extinção, os potenciais invasores de ecossistemas e os que têm tamanho e comportamento incompatíveis com o espaço disponibilizado pelo interessado”

Por fim, enfatizou que “o Conama é uma instância colegiada e, embora seja presidido pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, suas resoluções necessitam de aprovação pelo voto da maioria dos integrantes. Das 90 entidades presentes na votação da Resolução Nº 457, apenas uma foi contrária”.

Clique aqui e leia a Resolução Nº 457 na íntegra.

10:58 · 04.03.2013 / atualizado às 10:58 · 04.03.2013 por
Abelhas nativas, morcegos e outros animais podem ajudar na agricultura Foto: SXC.HU

Um estudo realizado por mais de 50 cientistas de diversos países, publicado pela revista “Science”, afirma que animais silvestres são, em várias situações, polinizadores mais eficientes do que as abelhas comuns (Apis mellifera), muito utilizadas para polinizar culturas agrícolas.

Morcegos, beija-flores, besouros e abelhas de espécies diversas, não só da espécie Apis mellifera, são capazes de polinizar vários tipos de plantas. No caso de culturas agrícolas, a polinização por animais silvestres fez aumentar a frutificação em até duas vezes, ressalta Juliana Hipólito, pesquisadora de Ecologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das autoras do estudo, publicado na última quinta-feira (28 de fevereiro).

“Isso está relacionado à qualidade da deposição do pólen. Os polinizadores nativos demonstraram maior eficiência nesse quesito em certas culturas agrícolas”, diz a pesquisadora. Em todos os cultivos em que animais nativos fizeram a polinização, independente da presença da Apis mellifera, houve ganho na reprodução, afirma ela.

Sem competição

Juliana aponta que, no início do estudo, os pesquisadores imaginaram que haveria competição entre as abelhas comuns e animais polinizadores nativos, caso ambos convivessem na mesma área. A situação praticamente não ocorreu.

“Basicamente não há relações fortes de competição como a gente achava que haveria. Constatamos que polinizadores nativos, como vespas, podem ajudar na agricultura”, diz a pesquisadora. “A Apis mellifera pode ter papel complementar ao dos animais silvestres (na polinização)”.

Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também autor do estudo, Breno Magalhães Freitas informa que foram estudadas cerca de 600 áreas agrícolas (como fazendas) em todos os continentes do mundo, exceto na Antártica.

“A prática atual da agricultura é não se preocupar com os polinizadores silvestres”, afirma. Segundo ele, quando os animais nativos são eliminados de uma área agrícola, “o produtor tende a pensar: ‘eu posso colocar colmeias de abelhas para polinizar’”, mas isso está longe de aumentar a eficiência na agricultura.

“O trabalho mostra que as abelhas comuns polinizam, mas não são muito eficientes. Os polinizadores (abelhas e outros animais) não são excludentes”, pondera o pesquisador.

A maioria dos animais polinizadores são abelhas de diversas espécies – elas representam de 70% a 80% dos seres com esta função, segundo Freitas. “Não quer dizer que uma espécie é melhor do que a outra. Elas são complementares”.

Especialistas

Os animais silvestres tendem a ser mais eficientes na polinização porque são “especialistas” em certos tipos de planta, afirma o pesquisador. “Eles atingem um grupo menor, e com isso conseguem ser eficientes naquela planta que visitam”, ressalta.

Já as abelhas comuns, também chamadas de abelhas europeias, polinizam vários tipos de plantas. “Elas não são especialistas, fazem uma polinização básica, mais geral”, diz Freitas.

Exemplos de animais polinizadores nativos do Brasil são abelhas mamangavas, essenciais para a reprodução do maracujá. Já o caju pode ser polinizado tanto por abelhas centris, um tipo nativo, quanto pela Apis mellifera. “Elas se complementam”, afirma o professor da UFC.

Orientações para os produtores rurais são evitar o desmatamento ao redor de suas propriedades, para garantir o habitat natural dos animais silvestres que podem ser polinizadores. Também é importante usar menos agrotóxicos, afirma o professor.

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo