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Categoria: Gestão das Águas


08:00 · 19.11.2015 / atualizado às 21:47 · 18.11.2015 por
Monitoramento da Qualidade da Água é um dos seis temas ofertados nos cursos Foto: Honório Barbosa / Agência Diário
Monitoramento da Qualidade da Água é um dos seis temas ofertados nos cursos Foto: Honório Barbosa / Agência Diário

Desde ontem (18), a Agência Nacional de Águas (ANA) abriu inscrições para cinco mil vagas em cursos gratuitos, na modalidade de ensino a distância (EaD). Os interessados podem se inscrever por meio do site http://eadana.hospedagemdesites.ws/ até o próximo dia 22 ou antes desta data, caso todas as vagas sejam preenchidas. A seleção será feita por ordem de inscrição.

A Agência oferecerá os seguintes temas:

– Água na Medida Certa (1.000 vagas / 2 turmas)

– Comitê de Bacia: O que É e o que Faz? (500 vagas / 1 turma)

– Comitê de Bacia: Práticas e Procedimentos (500 vagas / 1 turma)

– Estruturação da Gestão Ambiental Municipal (1.000 vagas / 1 turma)

– Medindo as Águas do Brasil: Noções de Pluviometria e Fluviometria (1.000 vagas / 4 turmas)

– Monitoramento da Qualidade da Água (1.000 vagas / 1 turma)

Os interessados podem se inscrever em até dois cursos simultaneamente e receberão a confirmação de matrícula no primeiro dia de cada capacitação. Os alunos que conseguirem 60% de aproveitamento nas avaliações terão direito a um certificado, sendo que o tempo de duração das atividades pode ser menor que o previsto, conforme o desempenho de cada um. Para facilitar a aprendizagem, os conteúdos são estruturados por meio de uma navegação sequencial entre módulos.

Previsto para acontecer de 24 de novembro a 6 de dezembro, com carga de 20 horas, o curso Comitê de Bacia: o que É e o que Faz? busca ensinar as atribuições e responsabilidades desses colegiados, além de incentivar a participação da sociedade na gestão da água. Também com 20 horas de carga e no mesmo período, o tema Comitê de Bacia: Práticas e Procedimentos tem com foco o funcionamento da estrutura organizacional dos comitês, visando a melhorar o processo de gestão de recursos hídricos.

Com carga prevista de dez horas, o curso Medindo as Águas do Brasil: Noções de Plu e Fluviometria tem 1.000 vagas, divididas em quatro turmas. As atividades acontecem de 24 a 29 de novembro, de 30 de novembro a 6 de dezembro, de 7 a 13 de dezembro e de 14 a 20 de dezembro. A capacitação visa a ampliar o conhecimento dos alunos sobre medições e monitoramento das águas da chuva e dos rios, organização estrutural de gerenciamento das informações coletadas, uso e importância das informações coletadas, automação na coleta de dados e a Rede Hidrometeorológica Nacional.

A atividades do curso Água na Medida Certa também têm carga prevista de 20 horas. As 1.000 vagas disponíveis são para duas turmas, sendo a primeira de 24 de novembro a 6 de dezembro e a segunda de 7 a 20 de dezembro. A capacitação busca ampliar o conhecimento dos participantes sobre recursos hídricos, a partir de reflexões sobre conceitos e informações sobre a disponibilidade, distribuição e quantidades de água no planeta.

O curso Estruturação da Gestão Ambiental Municipal, oferecido pela ANA em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem carga de 40 horas e oferece 1.000 vagas. O objetivo da capacitação é apresentar linhas gerais para o fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e sua inter-relação com os demais instrumentos e atores da gestão municipal, entre os quais a Política Nacional de Recursos Hídricos. Neste caso, as atividades acontecem entre 24 de novembro a 20 de dezembro.

Para o curso Monitoramento da Qualidade da Água de Rios e Reservatórios, a ANA oferece 1.000 vagas. A capacitação também está prevista para o período entre 24 de novembro e 20 de dezembro, com carga de 40 horas. O objetivo é promover a reflexão sobre conceitos e ferramentas de monitoramento de qualidade da água em atendimento à Política Nacional de Recursos Hídricos e demais normas legais e institucionais sobre o tema.

Capacitação

A ANA realiza capacitações para as entidades que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e para toda a sociedade brasileira. O objetivo dos cursos é estimular a conservação e o uso sustentável da água, além da participação cidadã na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Em 2014, a Agência capacitou mais de 22 mil pessoas. Para 2015, a expectativa é bater este recorde com mais de 33 mil alunos. Saiba mais no Portal da Capacitação da ANA e assista à animação sobre os cursos realizados pela Agência.

Fonte: ANA

09:17 · 22.03.2015 / atualizado às 09:36 · 22.03.2015 por

 

A ANA destaca que a seca foi severa no Semiárido, com situação crítica nos Inhamuns e Sertão Central do Ceará Ilustração: Lincoln Souza
A ANA destaca que a seca foi severa no Semiárido, com situação crítica nos Inhamuns e Sertão Central do Ceará Ilustração: Lincoln Souza

Por Fernando Maia

Fortaleza. Para celebrar o Dia Mundial da Água, neste domingo, a Agência Nacional de Águas (ANA) lançou, na última sexta-feira, encarte especial sobre a crise hídrica, que acompanha o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos – Informe 2014. O documento salienta a grande quantidade de municípios no Nordeste com baixa garantia hídrica. “No triênio 2012 a 2014, destaca-se a situação extremamente crítica no Semiárido, onde foram observadas secas com tempos médios de recorrência superiores a 100 anos, em 2012 e 2013, sendo que em 2014 houve chuvas com frequência normal, mas abaixo da média”.

Segundo o encarte, “a seca foi particularmente severa no Sertão, com situação crítica no Sertão dos Inhamuns e Central do Ceará, classificados como extremamente secos, em comparação com a série histórica. No triênio da seca no Nordeste, o primeiro ano foi crítico em termos climáticos, ocasionando situações dramáticas, com mananciais e estoques sendo deplecionados (descarregados) acentuadamente, seguido de dois anos com pouca precipitação, caracterizados como anos secos”.

Em termos de reserva hídrica, o documento ressalta que “nesses três anos, tem ocorrido o uso compulsório dos estoques de água sem que tenha havido chuva capaz de amenizar ou promover qualquer recarga nos açudes do Semiárido, estratégicos para a população da região. O nível dos reservatórios do Nordeste caíram de 61,7%, em maio de 2012, para 25,3%, em março deste ano. As ações de regulação no Nordeste neste período variaram da redução da vazão de defluência (sucessão) de água dos reservatórios até a fixação de dias alternados para captação de água em rios e açudes ou mesmo a suspensão temporária dos usos”.

Na mesma data, a ANA lançou o site da Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil. Segundo seus idealizadores, “o objetivo da página é apresentar as informações mais atuais sobre diversos aspectos do setor de recursos hídricos, consolidadas pela ANA, de forma simples e objetiva. No portal, há informações sobre seis grandes temas: quantidade de água, qualidade, usos do recurso, balanço hídrico, eventos críticos (secas e cheias) e gestão”.

Sem renovação

O professor de Hidrologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) Rogério Campos, que é doutor em Recursos Hídricos, lembra que, pela característica climática da nossa região, há pouca renovação das águas dos reservatórios. O especialista enfatiza que, há praticamente quatro anos, a água acumulada não sangra nos açudes. “Além desse fator, aqueles mananciais, que têm fontes poluidoras no seu entorno, se tornam mais vulneráveis do ponto de vista da qualidade da água. Quando os açudes só acumulam, ou seja, não sofrem renovação, a tendência é que exista uma concentração maior de poluentes”, explica.

Mudança

Dentre as medidas que poderiam ser adotadas para minimizar esse problema, o professor Rogério Campos sugere uma mudança de atitude. “Seria muito importante que as válvulas de fundo fossem abertas nos período de sangria para liberar as águas mais profundas, permitindo, assim, a sua renovação. Acontece que ocorre o contrário. Quando os açudes enchem, a válvulas de fundo permanecem fechadas. Com isso, a água mais profunda continua lá e a nova, fruto da recarga ocasionada pelas chuvas, vai embora pelo sangradouro”. Embora não entre nessa questão de forma direta, como faz questão de ressaltar o especialista, a evaporação, de certa forma, contribui também para tornar precária a qualidade da água, “à medida que, quanto maior a evaporação, mais os poluentes se concentram”.

Para o professor Rogério Campos, é preciso combater as fontes poluidoras que assolam nossos açudes. “Isso precisa ser feito imediatamente. Não se pode admitir que o pouco de água que temos sofra esse processo de poluição. Devemos, além de tratar os esgotos, punir quem estiver poluindo”, completa.

Conjuntura

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam para uma situação preocupante no Planeta em relação aos recursos hídricos. Segundo a OMS, sete pessoas morrem por minuto no mundo por ingerir água insalubre. Nada menos que 768 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada no Planeta, de acordo com OMS e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A falta de saneamento, que acaba poluindo os mananciais, é outra questão preocupante. A OMS e a Unicef apontam que 2,5 bilhões de pessoas vivem sem saneamento básico adequado no mundo. O que é contraditório nessa história é que cada R$ 1,00 investido em saneamento básico representa R$ 4,00 de economia gastos com a saúde, conforme cálculo da OMS.

* O texto acima integra série de reportagens especiais publicada no caderno Regional do Diário do Nordeste a partir do  Dia de São José (19 de março). A série tratou das chuvas e da religiosidade; da rede de açudagem do Ceará e da interligação das bacias; das tecnologias sociais que têm permitido que agricultores familiares convivam com as adversidades climáticas; e, por fim, no Dia Mundial da Água (22 de março), esta reflexão sobre a escassez e a qualidade do bem mais essencial à existência da vida. Boa leitura!

Caderno1

Matéria1 http://bit.ly/199GyJm

Matéria2 http://bit.ly/1MXQRO8

Matéria3 http://bit.ly/1LACbcm

Matéria4 http://bit.ly/1BXekvK

Caderno2

Matéria1 http://bit.ly/1Ha99K9

Matéria2 http://bit.ly/1bk19fV

Matéria3 http://bit.ly/1xGDmv7

Matéria4 http://bit.ly/1DG8imC

Caderno3

Matéria1 http://bit.ly/1xnSEu8

Matéria2 http://bit.ly/1BZzTfk

Materia3 http://bit.ly/1CHHxyg

Matéria4 http://bit.ly/1CHHCCb

PáginaDiaMundialdaÁgua

http://bit.ly/1C1XPP7

 

13:15 · 22.07.2014 / atualizado às 13:15 · 22.07.2014 por
O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas que promovam melhores práticas na gestão, participação, comunicação, sensibilização e educação relacionados à água Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas que promovam melhores práticas na gestão, participação, comunicação, sensibilização e educação relacionados à água Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Como parte da comemoração do fim da década “Água, fonte de vida” (2005-2015), as Nações Unidas lançaram a quinta edição do prêmio organizado por sua agência ONU-Água, para promover melhores práticas na gestão desse recurso natural e no âmbito da participação, comunicação, sensibilização e educação.

O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas e não o trabalho individual. Aqueles que queiram concorrer sozinhos devem encontrar o aval e apresentar-se com o apoio de uma organização. O prazo de inscrição termina no dia 15 de setembro de 2014.

Com o tema “Água e Desenvolvimento Sustentável”, esta quinta edição do prêmio oferece ainda uma oportunidade para refletir sobre os compromissos internacionais nesse campo e sobre os esforços realizados para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento para 2015, bem como deter a exploração insustentável dos recursos hídricos.

O prêmio será entregue no dia 22 de março, durante uma cerimônia, em Nova York, por ocasião do Dia Mundial da Água. Essa é uma iniciativa organizada e coordenada pelo Escritório das Nações Unidas de Apoio à Década Internacional para a Ação “Água – Fonte de Vida” 2005-2015, que implementa o Programa ONU-Água para a Promoção e Comunicação e o Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP).

Para mais informação, clique aqui.

Fonte: ONU Brasil

15:25 · 08.11.2013 / atualizado às 15:25 · 08.11.2013 por

O2

Com o objetivo de discutir às questões ambientais e pensar alternativas em prol da sustentabilidade da natureza será realizada,em Fortaleza, a sexta edição do Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2), de 12 a 14 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, uma promoção do Instituto Hidroambiental Águas do Brasil (Ihab).
De acordo com o presidente do Ihab, o geólogo Clodionor Araújo, essa temática é vital para todos os setores sociais e econômicos:  “Segurança hídrica significa garantir que ecossistemas de água doce, costeira e outros relacionados sejam protegidos e melhorados; que o desenvolvimento sustentável e a estabilidade política sejam promovidos; que cada pessoa tenha acesso à água potável suficiente a um custo acessível para levar uma vida saudável e produtiva; e que a população vulnerável seja protegida contra os riscos relacionados à água”.
O crescimento urbano desordenado, outro fenômeno intercontinental, também será discutido no evento. Atualmente, o Brasil possui cerca de 192 milhões de habitantes e as cidades não estão preparadas, nem estruturadas e cada vez mais apresentam problemas relacionados ao uso do solo, deslizamentos, produção de lixo e saneamento básico, entre outros.
A sexta edição do O2 vai promover outros debates sobre as diversas questões ambientais e traz a Fortaleza pesquisadores internacionais, como Ricardo Sandoval Minero (do México), Bimo Nkhata (África), Eimar Karar (África) e Christopher Scott (Arizona). Além de destaques nacionais, como Vicente Andreu Guillo, da Agência Nacional de Águas (ANA); Thales de Queiroz Sampaio, do Serviço Geológico do Brasil; Lazaro Valentim Zuquette, do Departamento de Geotecnia da USP/São Carlos.
O público terá oportunidade, ainda, de conhecer estudos, experiências e ações de manejo ecológico, participar de palestras, cursos, e visitar a Feira Proeco, que apresentará negócios sustentáveis de sucesso. Uma exposição fotográfica com as mais interessantes ações de reciclagem também será uma atração do evento.
As inscrições podem ser realizadas na sede do Ihab, na Rua Ildefonso Albano, 820, Meireles ou pela Internet: www.ihab.org.br
Mais informações
Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2)
Data: 12 a 14 de novembro de 2013
Local: Centro de Eventos – Av. Washington Soares, 1141
Inscrições: IHAB – Rua Ildefonso Albano, 820, Meireles / (85) 3262.1559 / www.ihab.org.br

14:03 · 22.03.2013 / atualizado às 14:03 · 22.03.2013 por
Em avaliação do Programa Rede das Águas, da Fundação SOS Mata Atlântica, em 2012, a água do Rio Cocó, em Fortaleza, foi classificada como “regular” Foto: Tuno Vieira

Por Maristela Crispim

Hoje é o Dia Mundial da Água e, desde o começo deste mês, recebi mais de quatro dezenas de e-mails de assessorias de imprensa de empresas interessadas em mostrar ao público suas ações de sustentabilidade na área de recursos hídricos. A superlotação da minha caixa, neste caso, demonstra que, de um jeito ou de outro, alguém está preocupado pelo menos em mostrar que dá importância a esse bem fundamental à existência da vida.

Entre as informações que recebi, não de empresas ou indivíduos, mas de pesquisas ou de iniciativas globais, locais ou governamentais visando mostrar diagnósticos, mobilizar ou estruturar políticas de gestão racional dos recursos hídricos, destaco algumas abaixo.

Qualidade das águas dos rios

O projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante” da Fundação SOS Mata Atlântica, viajou por 21 cidades das regiões Sudeste e Nordeste em 2012, realizando atividades de educação ambiental. Entre essas ações, está a análise da qualidade da água de um manancial de cada cidade.

Entre janeiro e dezembro de 2012, foram analisados 30 rios de nove Estados brasileiros e nenhum obteve resultado satisfatório. Desse total, 26 foram analisados pela primeira vez. Entre os rios já analisados em outros anos, três pioraram seus índices e um se manteve na mesma classificação.

“A iniciativa tem o papel de provocar uma reflexão sobre a importância do cuidado com a água nas cidades brasileiras e mostrar como as ações cotidianas podem impactar a qualidade da água que bebemos”, afirma Romilda Roncatti, coordenadora da exposição itinerante da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para o monitoramento, foi feita a coleta de água usando um kit desenvolvido pelo Programa Rede das Águas, da Fundação SOS Mata Atlântica, que possibilita uma análise que engloba 14 parâmetros físico-químicos, entre eles transparência, lixo e odor.

O kit classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

“Esse monitoramento tem caráter educativo e não tem valor pericial, pois a proposta é apresentar uma percepção ambiental sobre a região analisada”, esclarece Malu Ribeiro, coordenadora do Programa Rede das Águas, da Fundação SOS Mata Atlântica.

Dos 30 corpos d’água monitorados, 70% foram classificados como “regular” e 30% no nível “ruim”. Nenhum dos pontos de coleta conseguiu a soma necessária para alcançar os níveis “bom” ou “ótimo”.

No caso do Ceará, foram analisados os dois principais rios da Capital, Fortaleza, de 3 a 15 de julho do ano passado. Com 30 pontos, o Rio Cocó foi classificado como “regular”; já o Rio Maranguapinho, com 26 pontos, ficou na categoria “ruim”. “Infelizmente, os monitoramentos indicam que os rios de nossas cidades estão, de maneira geral, com qualidade bem longe do ideal, um alerta para que as pessoas fiquem atentas e cobrem do poder público ações para transformar essa realidade”, conclui Malu.

Programa Rede das Águas

A Rede das Águas é um programa de informação e intercâmbio voltado à mobilização social para a gestão integrada da água e da floresta, além do fortalecimento e aprimoramento de políticas públicas e reúne os projetos da Fundação SOS Mata Atlântica relacionados ao tema água. Consolidou-se como ferramenta de mobilização no setor de recursos hídricos e possibilitou o início das atividades de educação ambiental e mobilização ligadas ao tema água em rede social.

Um exemplo é o Observando os Rios, uma metodologia composta por kits de monitoramento da qualidade da água utilizada hoje em diversas bacias hidrográficas brasileiras, de dez Estados do bioma Mata Atlântica (SP, MG, PR, SC, RS, RJ, AL, CE, PE. GO e DF).

Mais informações no site: www.rededasaguas.org.br.

Fundação SOS Mata Atlântica

Criada em 1986, a Fundação SOS Mata Atlântica é uma organização privada sem fins lucrativos, que tem como missão promover a conservação da diversidade biológica e cultural do bioma Mata Atlântica e ecossistemas sob sua influência. Assim, estimula ações para o desenvolvimento sustentável, promove a educação e o conhecimento sobre a Mata Atlântica, mobiliza, capacita e incentiva o exercício da cidadania socioambiental.

A Fundação desenvolve projetos de conservação ambiental, produção de dados, mapeamento e monitoramento da cobertura florestal do bioma, campanhas, estratégias de ação na área de políticas públicas, programas de educação ambiental e restauração florestal, voluntariado, desenvolvimento sustentável, proteção e manejo de ecossistemas.

Investir em eficiência

Um dos nossos principais entraves está na qualidade, já que temos grandes problemas no setor de saneamento. Para o Instituto Tratabrasil, o avanço do saneamento básico no País depende da melhorias na gestão do setor, em especial nas perdas. Destaca que, em 2010, as perdas de faturamento das empresas operadoras com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, alcançaram, na média nacional, 37,5%.

O estudo do Instituto Tratabrasil “Perdas de água: entraves ao avanço do saneamento básico e riscos de agravamento à escassez hídrica no Brasil”, desenvolvido pelos professores doutores Rudinei Toneto Jr., da USP-Ribeirão Preto e Carlos Saiani, do Instituto Mackenzie, destaca que no Nordeste as oscilações dos índices de perdas são notáveis, sendo menor no Ceará (21,76%) e maior em Alagoas (65,87%).

“O estudo e suas simulações mostram que mesmo pequenos ganhos, como reduções de 10% nas perdas atuais, resultariam em recursos financeiros muito importantes para melhorar o fornecimento de água, mas também a expansão das redes de esgoto e tratamento no Brasil. Níveis de perdas tão altas, como os das regiões Norte e Nordeste, fazem com que em muitos casos a arrecadação com o fornecimento de água não seja suficiente sequer para pagar os custos desses serviços. Esse quadro inibe os investimentos necessários para que muitos brasileiros tenham condições de viver dignamente”, comenta Édison Carlos, presidente executivo do Instituto.

Instituto Trata Brasil

O Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), iniciativa de responsabilidade socioambiental que visa à mobilização dos diversos segmentos da sociedade para garantir a universalização do saneamento no País.

Criado em julho de 2007, tem como proposta informar e sensibilizar a população sobre a importância e o direito de acesso à coleta e ao tratamento de esgoto e mobilizá-la a participar das decisões de planejamento em seu bairro e sua cidade; cobrar do poder público recursos para a universalização do saneamento; apoiar ações de melhoria da gestão em saneamento nos âmbitos municipal, estadual e federal; estimular a elaboração de projetos de saneamento e oferecer aos municípios consultoria para o desenvolvimento desses projetos, e incentivar o acompanhamento da liberação e da aplicação de recursos para obras.

Incentivo financeiro

Para celebrar a data de hoje, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Agência Nacional de Águas (ANA) lançaram ontem um programa de incentivo financeiro, por meio de pagamentos por resultados, para fortalecer a gestão das águas nos Estados. Além do lançamento do Pacto das Águas, foi assinado aditivo ao acordo de cooperação entre o MMA, a ANA e a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República para a criação de um núcleo de pensamentos estratégicos para a área de Recursos Hídricos.

Questão de prioridade

Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) adotou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), em 2000, a água e o saneamento ficaram relegados a um segundo plano. Desde o ano passado, quando, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), a ONU iniciou a formulação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para sua agenda posterior a 2015, há uma campanha para destacar a importância da água e do saneamento.

Por isso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou, na segunda quinzena de dezembro, a campanha Ano Internacional da Cooperação pela Água 2013, destinada ao Dia (22 de março) e ao Ano Internacional da Água.

Cinco objetivos

1. Conscientizar sobre a importância, os benefícios e os desafios da cooperação em questões relacionadas à água

2. Gerar conhecimento e construir capacidades em prol da cooperação pela água

3. Provocar ações concretas e inovadoras em prol da cooperação pela água

4. Fomentar parcerias, diálogo e cooperação pela água como prioridades máximas, mesmo após 2013

5. Fortalecer a cooperação internacional pela água para abrir caminho para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) defendidos por toda a comunidade que trata sobre água e atendendo às necessidades de todas as sociedades

Ficou a cargo da Unesco a organização das atividades, por se tratar de organização multidisciplinar que combina as ciências naturais e sociais, educação, cultura e comunicação. Dada a natureza intrínseca da água como um elemento transversal e universal, o Ano Internacional de Cooperação pela Água naturalmente abraça e toca em todos esses aspectos.

O objetivo é aumentar a conscientização, no potencial para uma maior cooperação, e sobre os desafios da gestão da água em função do aumento da demanda por acesso, distribuição e serviços.

O Ano destaca a história de iniciativas de cooperação de sucesso com o recurso, assim como identifica problemas envolvendo educação, diplomacia, gestão transfronteiriça, a cooperação de financiamento nacionais e / ou internacionais, quadros legais e apoia a formulação de novos objetivos que vão contribuir para o desenvolvimento dos recursos hídricos de forma verdadeiramente sustentável.

17:36 · 08.05.2012 / atualizado às 17:36 · 08.05.2012 por

A Região Metropolitana de São Paulo, a Bacia do Rio Copiapó, no Chile, a Bacia do Rio Bravo/Rio Grande, no México, e a Bacia do Rio Suquía, na Argentina passarão a ser um laboratório de experimentos para a descoberta e disseminação de novos métodos e ferramentas que estimulem a aplicação de tecnologias de reúso de água no mundo.

O projeto, bancado pela União Europeia, chama-se Coroado (www.coroado-project.eu) e é coordenado no Brasil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP).

As regiões escolhidas são estratégicas do ponto de vista do consumo. Este é um aspecto importante sob o prisma da condição atual de preservação dos recursos hídricos, vulneráveis a secas, infraestrutura precária, desperdício, aumento de demanda e mananciais degradados ou inacessíveis. Especialistas no assunto garantem que, se o consumo continuar no ritmo atual, até 2025 mais da metade das nações do Planeta sofrerá com a escassez de água.

Segundo a responsável pelo Coroado no Brasil, a professora e pesquisadora Monica Ferreira do Amaral Porto, vice-chefe do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli, o projeto tem um custo superior a 4.500.000 euros e terá quatro anos de duração.

“Entre as ações, deverá avaliar as diversas tecnologias de reúso e reciclagem da água, em contraste com tecnologias e capacidade locais; custos e benefícios relativos à prática do reúso; soluções eficientes e economicamente viáveis para o fornecimento de água, e para o combate da degradação de ecossistemas e reservas de água”, explica.

No Brasil, a Escola Politécnica foi escolhida para liderar o projeto em função de sua infraestrutura e competências. Um de seus laboratórios, o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), coordenado pelo professor José Carlos Mierzwa, com a colaboração do professor Ivanildo Hespanhol, é reconhecido internacionalmente por seu trabalho na área, assim como a linha de pesquisa desenvolvida pela professora Monica Porto na área de qualidade da água.

O primeiro evento internacional do projeto está sendo realizado até o dia 10 de maio, no Hotel Bourbon, em São Paulo. Trata-se de um encontro de trabalho com representantes das 13 universidades participantes do projeto, nove europeias e quatro sul-americanas.

“Haverá um dia aberto para empresários e outros convidados participarem das discussões, como a Fiesp, que tem sido uma grande incentivadora do reúso da água na indústria”, explica Monica Porto.

De acordo com a professora Monica Porto, o relatório final com os resultados do projeto servirá de base para a União Europeia canalizar investimentos em locais com grande potencial de aplicação de tecnologias de reúso. “Pois um dos objetivos do projeto é justamente incentivar o poder público a adotar tecnologias de uso e reciclagem da água”, acrescenta.

Aplicação

A pesquisadora lembra que a aplicabilidade do reúso da água é ampla e deve ser estimulada pelos governos. “Em setores industriais estratégicos, como a petroquímica e a siderurgia, muitas indústrias chegam a reutilizar 90% de sua água, representando também uma grande economia do ponto de vista financeiro”, ensina.

A tecnologia tem sido muito empregada também na agricultura irrigada e até mesmo na limpeza urbana. Em São Paulo, por exemplo, ruas do Centro são lavadas com água de reúso. Muitos codomínios têm incluído no projeto equipamentos para o reaproveitamento da água usada pelos moradores na lavagem de roupas ou de alimentos.

Fonte: Poli/USP

08:47 · 26.12.2011 / atualizado às 08:47 · 26.12.2011 por

Uma batalha virtual entre quem leva mais ou menos tempo na ducha. Assim é “Guerra dos Banhos”, novidade lançada pelo site do Movimento CYAN – Quem vê água enxerga seu valor, ampla iniciativa da Ambev para mobilizar a sociedade sobre o uso racional desse recurso natural.

Simulando uma batalha virtual, o site dá início a uma amostragem das menções espontâneas no Twitter, uma das redes sociais mais visitadas no Brasil, do tipo de banho que os usuários pretendem tomar.

Cada vez que alguém escrever no microblog que vai para um “banho rápido” ou para um “banho demorado”, por exemplo, a página registra a menção. Posteriormente, o usuário recebe uma mensagem com um elogio, em caso de ducha de curta duração, ou com um alerta sobre a importância de preservar a água, caso o banho tenha longa duração.

A página www.movimentocyan.com.br/guerradosbanhos  tem um contador, sinalizando quem vence a disputa – os banhos rápidos ou demorados – e conteúdo relacionado. “Nosso objetivo com a ação é sensibilizar as pessoas sobre a importância de cuidar de água do Planeta, adotando ações sustentáveis no dia-a-dia”, afirma Diana Nascimento, gerente de Relações Socioambientais da Ambev.

Chuveiro aberto

De acordo com a concessionária de água Sabesp, parceira da Ambev no Banco CYAN, um banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência.

Movimento CYAN

Um dos mais completos acervos de informação geral sobre água em língua portuguesa, o site do Movimento CYAN contém mais de 400 reportagens produzidas especialmente para o portal, acompanhadas de vídeos, fotografias e infográficos sobre a água em diversos contextos: cultura, saúde, tecnologia, meio ambiente e consumo consciente. O conteúdo é atualizado diariamente.

O site conta ainda com informações sobre os projetos da iniciativa, como a atuação da Ambev na área ambiental, as parcerias da companhia com instituições governamentais e não governamentais, além de dicas e informações sobre consumo responsável da água.

“Criamos e mantemos a plataforma para disseminar a importância – e os crescentes problemas de escassez – desse recurso natural, contribuindo com informações para ampliar a conscientização sobre o assunto”, explica Ricardo Rolim, diretor de Relações Socioambientais da Ambev.

O conteúdo é divulgado em uma multiplataforma digital, integrando o site a diversas redes sociais: Facebook, Twitter, YouTube, entre outras e o projeto foi desenvolvido pela agência TV1 em parceria com a TV1 RP.

Movimento CYAN na web

Site: www.movimentocyan.com.br

Facebook (Fanpage): www.facebook.com/movimentocyan

Twitter: www.twitter.com/movimentocyan

YouTube: www.youtube.com/movimentocyanoficial

Guerra dos Banhos: www.movimentocyan.com.br/guerradosbanhos

07:00 · 21.10.2011 / atualizado às 08:24 · 21.10.2011 por

Todos precisamos de água e, sendo assim, devemos assumir nossas responsabilidades pela sua preservação Imagem: SXC.hu

Por causa de vazamentos, grande volume de água se perde no Brasil entre a captação e a torneira do consumidor, principalmente nas grandes cidades. De acordo com dados do Atlas do Saneamento 2011, divulgado nesta quarta-feira (19 de outubro) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008. seis em cada dez municípios com mais de 100 mil habitantes apresentam perdas entre 20% e 50% do volume de água captada. Nas cidades com população inferior, a perda fica em torno de 20%.

Segundo Daniela dos Santos Barreto, uma das pesquisadoras do projeto, esse é um problema grave que pode ser ainda maior. “Em tempos de escassez de água, essas perdas são um problema sério, causadas por vários fatores, como insuficiência do sistema, redes antigas e sem manutenção adequada, além de furtos de água. Com tudo isso, o volume que se perde é até difícil de ser mensurado pelas operadoras e pode ser ainda maior.

O Atlas revela, ainda, que a água fornecida à população brasileira pela rede geral é obtida, sobretudo, pela captação em poços profundos – como ocorre em 64,1% dos municípios brasileiros – e pela captação superficial (56,7%). A água também pode ser obtida por meio de captação em poço raso ou via adutora de água bruta ou adutora de água tratada provenientes de outro distrito ou município.

Em 2008, em todas as regiões do País, a água disponibilizada à população por meio de rede geral recebeu algum tipo de tratamento. Na Região Norte, entretanto, o avanço alcançado no percentual de água tratada distribuída à população, que passou de 67,6%, em 2000, para 74,3%, em 2008, não foi suficiente para que a região se aproximasse dos índices nacionais porque a quantidade de água que não recebe nenhum tipo de tratamento, 25,6% de toda a água distribuída à população, ainda permanece bem acima dos 7,1% que representam a média nacional.

Nas demais regiões, mais de 90% da água distribuída recebe algum tipo de tratamento. A Região Sul, por sua vez, teve um incremento de 10% no volume de água distribuída à população, porém, não teve um acompanhamento no percentual de água tratada.

O estudo mostra que 78% dos municípios brasileiros investem em melhorias na rede de distribuição de água e a Região Sul é a que apresenta o maior percentual de municípios que se incluem nessa situação (86,4%), de investir em melhorias nesse serviço público. Outra parte do processo de abastecimento que vem recebendo grande investimento por parte da maioria dos municípios (67,8%) é o das ligações prediais.

Além disso, estão sendo feitas, em menor escala, melhorias na captação (49,5% dos municípios); no tratamento (43,7%); na reservação (36,1%) e na adução (19,9% dos municípios brasileiros).

Redes de esgoto não acompanham população

As políticas públicas de saneamento básico, sobretudo as voltadas à implantação e ampliação de redes coletoras de esgotos, não conseguiram, na última década, acompanhar o crescimento demográfico da população brasileira nas áreas urbanas. A falta de sistemas de esgotamento sanitário atinge quase metade (44,8%) dos municípios brasileiros. A Região Norte é a que apresenta a situação mais grave. Apenas 3,5% dos domicílios de 13% dos municípios da região têm acesso à rede coletora de esgoto.

A pesquisa aponta que, dos serviços de saneamento, o esgotamento sanitário é o que apresenta menor abrangência municipal. Em 2008, 68,8% do esgoto coletado no País recebeu tratamento. Essa quantidade, porém, foi processada por apenas 28,5% dos municípios brasileiros, confirmando acentuadas diferenças regionais. Enquanto 78,4% das cidades paulistas ofertam sistemas de coleta e tratamento de esgotos à população, no Maranhão esse percentual é só 1,4%.

São Paulo é o único Estado em que quase todos os municípios aparecem providos de rede coletora de esgoto, com exceção de Itapura (no noroeste do estado). Acre, Amazonas, Alagoas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentam taxa inferior a 50% de municípios assistidos.

A maioria dos municípios sem sistema está em áreas rurais e tem população dispersa, menos de 80 habitantes por quilômetro quadrado. Nesses locais, os dejetos são jogados em fossas sépticas, valas a céu aberto, fossas rudimentares ou diretamente em rios, lagoas, riachos ou no mar.

Fonte: Flávia Villela/ Agência Brasil

07:00 · 13.09.2011 / atualizado às 03:05 · 13.09.2011 por

O coordenador do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Snis), do Ministério das Cidades, Ernani Ciríaco de Miranda, disse que a situação é grave no Brasil em relação às perdas de água tratada, porque os números, “com raras exceções, são sempre muito altos”.

Segundo ele, o País vem trabalhando há alguns anos com um patamar de perda de água entre 37% e 42%. “Esse fato é bom, porque mostra que está estabilizado. Só que em um patamar muito alto. Esse é o lado ruim da história”, ponderou.

Miranda estimou que uma média de perda de água tratada aceitável para o Brasil seria 25%. Explicou que, para isso, o País tem de melhorar o sistema de distribuição à população, o que envolve conserto de vazamentos e solução para o problema da não contabilização de água, seja por roubo, por falta de aparelhos ou por erros de medição.

Transformando o volume de água perdida em valor financeiro, o Snis constatou que o prejuízo atingiu R$ 7 bilhões em 2008. Desse total, 60%, ou o correspondente a R$ 4,2 bilhões, poderiam ser recuperados, “se fosse melhorada a eficiência”.

A perda de água tratada na distribuição subiu 0,5 ponto percentual no Brasil entre 2008 e 2009, passando de 41,1% para 41,6%. O número tanto pode indicar uma acomodação, como uma tendência, disse Miranda. Para uma análise mais conclusiva, será necessário aguardar os próximos resultados do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto, acrescentou.

Já a perda de faturamento, que compara o volume de água disponibilizado para ser distribuído com o volume que é faturado, mostrou índice de 37,1%, o menor valor da série iniciada em 1995. No ano anterior, a perda do faturamento foi 37,4%. Ela embute vazamento na rede e tudo que é desviado por meio de ligações clandestinas e erros de medição, entre outros fatores.

“A perda no faturamento é menor do que na distribuição porque os critérios de faturamento das operadoras e autarquias no Brasil acabam levando a uma situação onde se fatura mais do que aquilo que é consumido”, explicou o coordenador do Snis.

Como o valor faturado acaba sendo maior que o consumido, a perda no faturamento resulta menor que na distribuição. Miranda observou, porém, que uma parte significativa da perda de água chega ao consumidor, “porque ele tem uma ligação clandestina, ou submedição de hidrômetro. A água é consumida, mas não é contabilizada. Existem diversos fatores que fazem com que a companhia compute como perda, mas o cidadão usa”.

Alana Gandra / Agência Brasil

10:56 · 21.07.2011 / atualizado às 10:56 · 21.07.2011 por
Em Cariré, no Norte do Ceará, a população teve dificuldade com o abastecimento d'água no ano passado Foto: Cid Barbosa

 

O Nordeste perdeu, entre outubro de 2009 e outubro do ano passado, 20% dos reservatórios de água que possuía no período anterior. Essa é uma das constatações da Agência Nacional das Águas (ANA), que, na última terça-feira, divulgou o “Informe 2011 da Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil”, com ênfase em aspectos como disponibilidade, qualidade e gestão. Essa perda se deu especialmente no Ceará (-25%), Rio Grande do Norte (-24%) e Paraíba (-23,4%).

Segundo a agência, a perda de reservatórios na região se deve à menor quantidade de chuvas. Mas a definição leva em conta, além da disponibilidade e o uso de água, a presença ou ausência de vegetação nativa e como é realizado o tratamento dos resíduos sólidos. Presente na divulgação do informe, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou a importância do saneamento para a melhoria da qualidade das águas brasileiras.

Qualidade

Com 12% da oferta de água do Planeta, o Brasil tem apenas 4% de seus recursos hídricos com qualidade considerada ótima, percentual que caiu seis pontos de 2008 para 2009. Segundo o informe, cem rios estão em situação ruim ou péssima.

Para avaliar o índice de qualidade da água, a agência usa nove parâmetros, que levam em conta principalmente a contaminação dos rios pelo lançamento de esgoto. Essa centena de rios em situação precária não consegue depurar naturalmente a quantidade de resíduos que vêm recebendo.

Segundo a ANA, embora o governo argumente que está fazendo investimentos em políticas públicas de saneamento, mais da metade das cidades do País – 2.926 municípios – não têm tratamento de esgoto.

A água de pior qualidade se concentra perto das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador e das cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG).

Entre os rios cuja água é de péssima ou má qualidade, estão o Tietê, que corta a capital paulista, o Iguaçu, que forma as famosas Cataratas do Iguaçu, e o Guandu-Mirim, no Rio de Janeiro – os dois últimos ficam dentro de unidades de conservação, o Parque Nacional do Iguaçu e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Guandu, respectivamente.

Entre 2008 e 2009, a água de qualidade péssima no País se manteve em 2%; a ruim aumentou de 6% para 7%; a regular passou de 12% para 16% e a boa subiu de 70% para 71%. Nesse período, o número de pontos monitorados caiu de 1.812 para 1.747.

O superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Ney Maranhão, que coordenou a pesquisa, mostrou-se satisfeito com os resultados: “Temos 90,6% dos rios num estado satisfatório de qualidade e de disponibilidade. Apenas 2% não apresentam resultado satisfatório”.

Eventos críticos

Em 2010, 563 municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública devido à ocorrência de cheias, causadas por chuvas acima da média histórica. São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Bahia e os eEtados da região Sul foram os mais atingidos.

Já o Semiárido e a região Amazônica concentraram a maior parte dos 521 municípios (aproximadamente 9% do total nacional) que tiveram que decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública em decorrência de seca. Em comparação a 2009, o número de ocorrências de 2010 caiu de 1967 para 1184.

Irrigação

Ainda segundo o informe, a irrigação é responsável por 69% do consumo de água no Brasil (986,4 mil litros de água por segundo). A maior parte das áreas irrigadas está concentrada nas bacias do Paraná (no Centro-Sul), Atlântico Sul (de SP a RS) e São Francisco (DF, GO, MG, BA, PE, AL e SE). Em seguida, aparecem o consumo animal (12%), urbano (10%), industrial (7%) e o rural (2%).

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que as áreas de irrigação podem ser remanejadas caso coloquem em risco a oferta de recursos hídricos no futuro: “O que nós temos de entender é se essas áreas de irrigação estão colocadas em áreas vulneráveis, por exemplo, de oferta de recursos hídricos no futuro para que você possa assegurar a produção agrícola com oferta de água ou se você vai ter que redirecionar em função dos cenários que possam ser apresentados”.

Informe

O informe é uma ferramenta de acompanhamento sistemático e anual da condição dos recursos hídricos e de sua gestão em escala nacional, por regiões hidrográficas, em temas fundamentais para o setor de recursos hídricos, como volume de chuvas; ocorrência de eventos hidrológicos críticos (secas e cheias); disponibilidade hídrica nas diferentes regiões do Brasil; os usos múltiplos da água (irrigação, saneamento, hidroeletricidade); qualidade das águas; a evolução dos comitês de bacias; o planejamento, a regulação e a cobrança pelo uso.

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, é uma ferramenta importante para que o País conheça a realidade da condição de suas águas: “O acompanhamento e a avaliação da situação dos recursos hídricos em escala nacional subsidiam a definição das ações e intervenções necessárias para a melhora da quantidade e da qualidade das águas”.

Para a elaboração do Informe 2011, a ANA contou com a parceria da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (SRHU/MMA), Departamento Nacional de Obras contras as Secas (DNOCS), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de todos os órgãos gestores estaduais de recursos hídricos e meio ambiente.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da ANA

Acesse o informe na íntegraem : http://conjuntura.ana.gov.br/conjuntura/