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Categoria: Greenwashing


14:28 · 14.06.2011 / atualizado às 14:31 · 14.06.2011 por

Por Maristela Crispim 

Na semana passada, por ocasião das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, uma avalanche de propagandas relacionadas à responsabilidade socioambiental das empresas invadiu televisões, revistas, jornais, internet, as nossas caixas postais…

Diante de tanta informação, fica até difícil para o consumidor entender quem realmente está fazendo alguma coisa para garantir a sustentabilidade ambiental das suas atividades produtivas os apenas está dizendo que faz alguma coisa para vender mais, ou pior, para disfarçar práticas indesejáveis.

Foi para regular exatamente esse tipo de prática que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) lançou, na semana passada também, um conjunto de normas éticas para apelos de sustentabilidade na propaganda.

A partir de 1º de agosto, a publicidade veiculada no Brasil não deverá mais enaltecer os atributos “verdes” de produtos ou serviços se não puder comprovar essas qualidades. O objetivo é coibir a banalização da propaganda sobre o tema e evitar que o consumidor fique confuso.

De acordo com as novas recomendações, as empresas devem seguir critérios ao anunciar benefícios sociais e ambientais de determinados produtos, como, por exemplo, destacar cumprimento de disposições legais como virtude ambiental do seu processo produtivo.

Um anúncio que cite a sustentabilidade deve conter apenas informações ambientais passíveis de verificação e comprovação, que sejam exatas e precisas, não cabendo menções genéricas ou vagas.

As informações devem ter relação com os processos de produção e comercialização dos produtos e serviços anunciados e o benefício apregoado deve ser significativo, considerando todo seu ciclo de vida.

As novas normas entram em vigor em 1º de agosto e valem para todos os meios de comunicação, inclusive a Internet.

Para ler as novas normas na íntegra, consulte a página www.conar.org.br

Greenwashing

Você já ouviu falar em greenwashing? Trata-se do um termo, em Inglês, para designar procedimento de marketing utilizado por uma organização com o objectivo de dar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dos seus serviços ou produtos, ou mesmo da própria organização. Neste caso, a organização tem, porém, uma atuação contrária aos interesses e bens ambientais.

Os sete pecados nas embalagens

A canadense TerraChoice estabeleceu os seven sins of greenwashing,(sete sinais de greenwashing) que classificam os tais apelos ecológicos em sete categorias:

Custo ambiental camuflado: se refere aos rótulos que destacam uma qualidade ambiental do produto para camuflar outras características insustentáveis que, juntas, têm um custo ambiental muito maior

Falta de prova: analisa as declarações vagas nas embalagens dos produtos, como “ambientalmente correto”, que não especificam os fatos em que são baseadas

Incerteza: se refere a expressões que provocam dúvida no consumidor, como o termo “material reciclado”, que não indica, exatamente, a porcentagem do produto que foi feita do reaproveitamento de materiais

Culto a falsos rótulos: condena as embalagens que, a partir de palavras ou imagens, querem passar a falsa ideia de endosso de entidades de renome, como a FSC

Irrelevância: se refere aos rótulos de produtos que indicam uma qualidade que, na verdade, possui benefício ambiental quase nulo

Mentira: indica embalagens que contém declarações totalmente falsas

Menos pior: se refere a produtos que, por mais que tenham qualidades ambientais, só trazem malefícios para o consumidor e para o meio ambiente, como o cigarro orgânico