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Categoria: Investimento Social


09:34 · 04.04.2012 / atualizado às 09:38 · 04.04.2012 por
No 7º Congresso Gife, o economista francês Ignacy Sachs falou sobre as perspectivas do Desenvolvimento Sustentável Foto: Divulgação

Mais de mil lideranças de governos, sociedade civil organizada, academia e investidores sociais, 115 palestrantes e 60 mesas, paralelas e oficiais, marcaram o 7º Congresso Gife, realizado entre os dias 26 e 30 de março, no Sheraton, em São Paulo. A interatividade das atividades foi o grande destaque desta edição do maior encontro sobre investimento social do Brasil.

Gife significa Grupo de Instituições, Fundações e Empresas, uma rede sem fins lucrativos que reúne organizações de origem empresarial, familiar, independente e comunitária que investem em projetos com fins públicos.

A plenária de abertura em formato de arena, que contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro Gilberto Carvalho, e o espaço Open Space, deram a oportunidade dos convidados participarem do debate. No “espaço aberto” os participantes puderam construir a agenda do encontro liderando pequenos grupos de discussão.

Entre as discussões  levantadas pelo Congresso, o economista francês de origem polonesa Ignacy Sachs – que se diplomou no Brasil e se doutorou na Índia e participou de todas as conferências sobre desenvolvimento sustentável desde Estocolmo, em 1972 – destacou suas propostas para a Rio + 20, que incluem a contrução de um fundo de desenvolvimento ambiental socialmente includente e ambientalmente sustentável e uma cooperação técnico-científica internacional entre biomas semelhantes. A entrevista completa com Ignacy Sachs está disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1122893

Sob o tema “Novas fronteiras do Investimento Social”, o Congresso mostrou a necessidade crescente de uma interlocução mais ampla com outros setores e experiências, articulando as dimensões de relacionamento e conhecimento. “Trata-se de uma nova etapa para o Gife, em que múltiplos olhares e demandas tencionam as práticas de investimento quanto ao seu planejamento, alcance, legitimidade, impacto, conteúdo e articulação com outros setores”, disse Denise Aguiar, presidente do Conselho de Governança do Gife.

Segunda ela, o tema proposto centraliza essa preocupação atual e reflete novos tópicos para os desafios futuros. “Exemplos disso são os movimentos para cidades sustentáveis, a Rio+20, o crescimento dos negócios sociais, investimentos na Amazônia e o legado social que esperamos que tragam os grandes eventos esportivos nos próximos anos”, completou ela.

Para encerrar as atividades do 7º Congresso, foi promovida uma plenária final, na tarde da sexta-feira (30 de março), com o objetivo de fomentar o diálogo entre três instituições distintas, mas que de forma vigorosa, fazem-se presentes na linha de apoio e intervenção dos processos privados voltados ao desenvolvimento social sustentável.

Na mesa, Fernando Rossetti, secretário-geral do Gife (investimento social), Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos (responsabilidade social de empresas), e Marina Grossi, presidente do Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Na mediação, Ana Toni, do conselho do Greenpeace Internacional e representante da Fundação Carlos Chagas.

O diálogo entre os representantes colocou em pauta uma estrutura conceitual esclarecedora que, na mesma medida, pontuou diferenças de abordagens e apontou possibilidades palpáveis de congruências e complementaridades. Após apresentação sobre cada entidade, os três representantes iniciaram um debate que salientou, mais do que divergências, a certeza de que organizações desta ordem – apesar de suas distintas abordagens – têm como se articular na criação de agendas ainda mais amplas para a promoção do desenvolvimento.

“Nenhum tipo de rivalidade aqui faz sentido. Sem dúvida o melhor que temos a fazer é promover ainda mais diálogos como este e trabalharmos cada vez mais de maneira articulada” apontou Marina Grossi. O desejo de mudança e transformação e as responsabilidades diante das novas perspectivas – trazidas por eventos como o Rio+20 – permearam as exposições das três entidades.

Investimento social no Brasil

O Congresso Gife é o principal encontro sobre investimento social do Brasil, realizado desde 2000 a cada dois anos. O evento reúne as principais lideranças de investidores sociais do País, além de dirigentes de organizações da sociedade civil, acadêmicos, consultores e representantes de governos, proporcionando um espaço para aprendizado, relacionamento e troca de experiências entre os diversos atores envolvidos em ações sociais, culturais e ambientais.

A escolha dos temas dos congressos sempre foi baseada na missão do Gife, “de aperfeiçoar e difundir conceitos e práticas do uso de recursos privados para o desenvolvimento do bem comum, contribuindo assim para a promoção do desenvolvimento sustentável do Brasil”, mas também no contexto tanto do País quanto do cenário do Investimento Social Privado (ISP), pois como um importante palco de discussões e reflexões, o congresso antecipa tendências e rumos dos investimentos.

A rede Gife facilita a presença constante de palestrantes e participantes internacionais, o que amplia ainda mais o intercâmbio de informações e referências entre práticas de ISP no País. A sétima edição do Congresso GIFE, em 2012, teve patrocínio master da Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho e Fundação Vale.

Confira a cobertura completa do 7º Congresso Gife no site www.congressogife.org.br/2012/