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Categoria: Lixo Espacial


10:43 · 16.01.2012 / atualizado às 10:43 · 16.01.2012 por

A sonda russa Phobos-Grunt foi a terceira nave a cair na Terra em um período de menos de quatro meses. Em 24 de setembro de 2011, destroços do satélite americano Uars se lançaram sobre o Oceano Pacífico. Em 23 de outubro, foi a vez de o alemão Rosat encontrar seu fim nas águas do Índico.

A verdade é que quase todos os dias algum objeto do espaço entra na atmosfera da Terra. Na maior parte, são objetos pequenos, pedaços de foguetes ou satélites, que viajam a velocidades muito altas, acima de 25 mil km/h. A resistência do ar gera atrito e, por consequência, eleva a temperatura, o que faz com que esses objetos se desmanchem.

Segundo a Nasa, há cerca de 19 mil objetos com pelo menos 10 cm na órbita da Terra. Com entre 1 e 10 cm, são em torno de 500 mil. Os fragmentos ainda menores são dezenas de milhões.

É considerado lixo espacial qualquer objeto criado pelo homem que esteja na órbita do Planeta e já não tenha mais utilidade. Era o caso dos satélites Uars e Rosat, que estavam aposentados e sem controle havia anos, antes de caírem na Terra em 2011.

“Você não vai jogar fora um satélite que opera perfeitamente. Você só quer jogar fora quando ele já está falhando e, quando ele está falhando, fica difícil retirá-lo de lá. É como se o seu carro estragar e você o abandonar na beira da estrada”, compara Petrônio Noronha de Souza, chefe do Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A região mais congestionada da órbita fica cerca de 800 km acima da superfície da Terra. Objetos nessa altitude levam décadas para reentrar na atmosfera. A 600 km, eles caem em questão de poucos anos, e o processo leva séculos se a altitude passa de 1.000 km.

“O prejuízo que seria causado para a sociedade moderna se ela perdesse a capacidade de usar os serviços dos satélites seria muito maior do que o provocado pela queda de uma peça na Terra”, aponta Noronha de Souza.

“Nós gostamos que os objetos caiam, porque isso diminui o risco de colisões no espaço”, concorda Darren McKnight, do Conselho de Pesquisa Nacional dos EUA, um dos autores de um estudo publicado em setembro sobre os riscos impostos pelo lixo espacial.

Para ele, o risco que uma pessoa tem de ser alvejada em terra por um destroço espacial é comparável à de ser alvejado por um raio. “Já houve grandes pedaços caindo antes. Eu não diria que o risco está aumentando”, avalia o especialista.

O que preocupa McKnight são os anos por vir. “Não sabemos exatamente como o futuro vai se desdobrar nessa área”, admite. “Só sabemos que vai piorar, mas não sabemos se vai piorar muito ou pouco”.

Do ponto de vista do pesquisador, o processo de despoluição dos céus já deveria ter começado. “Temos capacidade, mas não temos justificativa econômica para fazer isso por enquanto”, ele diz, ponderando que o alto custo é um problema para convencer as autoridades.

Para ele, a situação é semelhante à vivida pelos norte-americanos antes dos atentados de 11 de setembro. “Todos sabiam que havia risco de um ataque em nosso solo, mas ninguém ia ter a disposição de tirar cintos e sapatos na revista do avião sem um bom motivo para isso”, ele compara.

Além disso, McKnight considera o novo modelo de exploração espacial adotado pelos EUA, que incentiva os investimentos privados, um problema.

“Eles vão economizar muito e são muitas companhias diferentes indo para o espaço”, prevê. A consequência, na linha de raciocínio do pesquisador, seria o aumento na produção de objetos, sem grandes preocupações com o descarte do lixo, uma vez que investimentos a mais nessas tecnologias poderiam prejudicar os lucros.

Fonte: G1

07:00 · 30.10.2011 / atualizado às 18:49 · 29.10.2011 por
Esta imagem faz parte de um conjunto divulgado pelo Centro de Operações Espaciais Europeu

Um projeto do governo norte-americano tem como plano reciclar o lixo espacial. Além de reduzir o risco de que as peças caiam sobre a Terra, a ideia pode economizar muito dinheiro. Depois que um satélite deixa de funcionar, há muitos componentes que continuam em perfeito estado, e a estimativa é de que haja mais de US$ 300 bilhões na órbita do Planeta.

O desenvolvimento de tecnologias que permitam essa reciclagem é o objetivo do programa Phoenix, da Agência de Projetos de Pesquisa Avançados de Defesa (Darpa). “Se esse programa der certo, lixo espacial vai virar recurso espacial”, afirma Regina Dugan, diretora do órgão.

Com a tecnologia disponível hoje ainda é muito difícil interceptar um satélite para recuperar suas peças. “Os satélites em órbita não foram feitos para serem desmontados ou consertados, então não é uma questão de apenas tirar um ou outro parafuso”, lamenta David Barnhart, gerente do programa.

“Isso exige nova tecnologia de robótica e de imagens remotas, assim como ferramentas especiais para prender, cortar e modificar sistemas complexos, uma vez que as juntas são moldadas ou soldadas”, aponta Barnhart, que lembra ainda: “tudo com gravidade zero”.

Fonte: G1

12:56 · 26.09.2011 / atualizado às 12:57 · 26.09.2011 por

Esta imagem faz parte de um conjunto divulgado pelo Centro de Operações Espaciais Europeu

O Satélite de Pesquisa da Atmosfera Superior Terrestre (UARS), que pesava quase seis toneladas e que foi lançado há 20 anos pela Nasa caiu sobre a Terra no início deste sábado (24 de setembro), de acordo com a agência espacial americana.

A queda de um equipamento de tal magnitude sobre a superfície do nosso Planeta dá conhecimento a muitas pessoas de que tem mais objetos sobre nossas cabeças que aviões e helicópteros.

Ponto crítico

Segundo pesquisadores dos Estados Unidos mesmo, a quantidade de lixo no espaço atingiu um nível limite e perigoso. Olhando vídeos e fotos da Nasa, a órbita da Terra parece um imenso espaço vazio, mas no espaço, onde estão mais de mil satélites, meteorológicos militares e de comunicação, também circundam o planeta milhares de pedaços de sucata espacial. São partes de satélites desativados e detritos resultantes de choques na órbita terrestre.

Tudo isso está voando à velocidade de 28 mil quilômetros por hora. O problema é tão sério que existe até uma agência que monitora a posição de 16.094 pedaços de metal que voam soltas e sem controle pelo espaço. Por várias vezes, técnicos da Nasa foram obrigados a corrigir a rota dos ônibus espaciais para evitar colisões.

Além de ameaçar os astronautas, o volume de lixo espacial que vaga na órbita terrestre ameaça também o mercado das telecomunicações civis e militares.

Estudo do Conselho de Pesquisa Nacional dos Estados Unidos revelou que a quantidade de lixo espacial chegou a um ponto crítico. Já há detritos suficientes para gerar uma reação quase interminável de colisões que vão gerar ainda mais destroços.

Queda

As autoridades dos Estados Unidos ainda desconhecem exatamente o local onde os destroços atingiram o Planeta. Segundo informações da Nasa, o UARS e seus detritos provavelmente tenham caído em grande parte sobre o Oceano Pacífico, sem ter ferido ninguém ou causado danos materiais.

Apesar da constatação de que o satélite entrou na atmosfera terrestre em algum lugar sobre o Pacífico, a Nasa e a Força Aérea dos Estados Unidos ressaltam que isso não significa necessariamente que todos os destroços caíram no mar. A Nasa aguarda a divulgação de mais detalhes da Força Aérea, que ficou responsável por rastrear os detritos.

De acordo com o especialista do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, Jonathan McDowell, a nave entrou sobre a costa de Washington. Ele disse que muitos dos fragmentos provavelmente caíram sobre o Oceano Pacífico, embora sua trajetória sugere que alguma partes possam ter caído em cima de áreas mais povoadas nos Estados Unidos e no Canadá.

O Satélite UARS, de 3 x 10 metros, pesava 5.900 quilos, foi levado ao espaço em 1991. Tinha dez instrumentos para medir as reações da camada de ozônio e foi desativado em 2005 pela Nasa.

Ele foi o maior satélite da Nasa a cair sobre a superfície terrestre depois do Skylab, que se precipitou na zona ocidental da Austrália em 1979. Espera-se que se desprendam do satélite 26 fragmentos, com peso variando entre um e 158 quilos.

14:00 · 02.09.2011 / atualizado às 11:06 · 02.09.2011 por
Esta imagem faz parte de um conjunto divulgado pelo Centro de Operações Espaciais Europeu (ESA)

O volume de entulho orbitando a Terra chegou a um “ponto extremo” para colisões, o que gera mais detritos e põe em risco astronautas e satélites, segundo estudo de uma instituição norte-americana de pesquisas divulgado nesta quinta-feira (1º de agosto).

A agência espacial norte-americana (Nasa) precisa de um novo plano estratégico para diminuir os riscos impostos por carcaças de foguetes usados, satélites descartados e milhares de outros pedaços de lixo espacial voando ao redor do Planeta à velocidades de 28.164 km/h, afirmou o Conselho de Pesquisa Nacional dos Estados Unidos – uma organização privada e sem fins lucrativos que fornece consultoria científica.

Os detritos em órbita representam uma ameaça para os cerca de mil satélites comerciais, militares e civis na órbita do planeta – parte de uma indústria global que gerou US$ 168 bilhões em receita no ano passado, de acordo com dados da Associação da Indústria de Satélites.

O primeiro choque espacial ocorreu em 2009, quando um satélite de telecomunicações da Iridium e um satélite russo não-operacional colidiram 789 quilômetros acima da Sibéria, gerando milhares de novos detritos em órbita.

A colisão aconteceu após a destruição, em 2007, por parte da China, de um de seus satélites climáticos fora de uso como parte de um teste amplamente criticado de mísseis anti-satélite.

O volume de detritos em órbita monitorados pela Rede de Vigilância Espacial saltou de 9.949 objetos catalogados em dezembro de 2006 para 16.094 em julho de 2011. Quase 20% dos objetos são provenientes da destruição do satélite chinês Fengyun 1-C, afirmou o Conselho de Pesquisa Nacional.

Alguns modelos computacionais mostram que a quantidade de lixo em órbita “chegou a um nível extremo, com detritos suficientes em órbita para causar colisões contínuas e criar ainda mais destroços, o que aumenta o risco de falha de viagens espaciais”, disse o conselho em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, como parte de seu relatório de 182 páginas.

Além de mais de 30 descobertas, o painel fez recomendações para a Nasa sobre como diminuir e melhorar a situação do lixo espacial, o que incluiria a colaboração do Departamento de Estado para desenvolver um sistema para regular a remoção de lixo espacial.

Atualmente, por exemplo, acordos internacionais proíbem países de remover ou coletar objetos espaciais de outros países.

Fonte: Agência Reuters