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Categoria: Lixo


08:52 · 05.06.2014 / atualizado às 09:05 · 05.06.2014 por

Negocios

Por Maristela Crispim

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente e, em dezembro, a página de Gestão Ambiental do Diário do Nordeste celebra dez anos de existência. Para marcar essas duas importantes datas, o Diário inicia, com um caderno, uma série de reportagens especiais. O primeiro tema é resíduos sólidos.

Estamos a praticamente dois meses do fim do prazo dado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para o fim dos lixões em nosso País e indústria, comércio, consumidores, poderes públicos, todos são chamados à responsabilidade pelo destino dado ao que se produz, comercializa e consome.

Longe de ser encarada como mais um problema, a questão dos resíduos sólidos pode e deve ser vista como oportunidade. Muitos já estão se movimentando para mudar as coisas. Mas ainda há muito a ser feito.

Reduzir a demanda por matérias-primas virgens, reaproveitar ou usar matérias-primas recicladas, reduzir a produção de resíduos, destiná-los ao reúso e reciclagem são algumas das ações.

Mas a mudança deve começar em cada um, precisa ser individual. Necessitamos ter a consciência de que o saquinho de lixo que depositamos na calçada não desaparece de forma mágica.

O caminho apontado pela Lei é a Logística Reversa, instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos ou outra destinação final ambientalmente adequada.

A boa notícia é que já temos shopping centers, supermercados empresas de eletroeletrônico, construtoras e até mesmo a Companhia Energética do Ceará (Coelce) despontando nestas ações, antes mesmo de o consumidor tomar consciência de que pode fazer algo para mudar o rumo das coisas.

Como foi dito, este caderno especial apenas dá início a uma abordagem mais aprofundada das temáticas desenvolvidas rotineiramente pela página de Gestão Ambiental. Mês a mês outros temas serão tratados de forma especial, às quartas-feiras, no caderno de Negócios.

Referência

As discussões de temas como o impacto das Mudanças Climáticas, convivência com as adversidades climáticas do Semiárido, uso sustentável da Caatinga, Desertificação e gestão de resíduos sólidos, entre outros, têm feito do Diário do Nordeste uma referência em Jornalismo Ambiental na região, com destaque nos principais prêmios nacionais de jornalismo em Sustentabilidade.

Coluna e blog

O Diário do Nordeste é um dos poucos veículos diários do País a possuir espaços específicos para o tema sustentabilidade. A coluna Mercado Verde, publicada na página de Gestão Ambiental, aponta ações sustentáveis, ou não, no meio econômico.

Da mesma forma, o blog Gestão Ambiental há três anos tem focado as questões ambientais, principalmente aquelas relacionadas à nossa realidade regional.

18:26 · 29.05.2013 / atualizado às 18:26 · 29.05.2013 por
Segundo a Abrelpe, das 64 milhões de toneladas de resíduos geradas no ano passado, quase 24 milhões seguiram para aterros controlados e lixões; outras 6,2 milhões sequer foram coletadas Foto: Miguel Portela / Agência Diário
Segundo a Abrelpe, das 64 milhões de toneladas de resíduos geradas no ano passado, quase 24 milhões seguiram para aterros controlados e lixões; outras 6,2 milhões sequer foram coletadas Foto: Miguel Portela / Agência Diário

Os dados da 10ª edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012, divulgados ontem (28/5), pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), revelam que o Nordeste é a região que tem a maior quantidade de resíduos com destinação inadequada, um total de 38 mil toneladas por dia, que incluem 12 mil toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) por dia que não são sequer coletados.

Os dados também apontam que as regiões Centro-Oeste e Norte mantêm os piores desempenhos no que diz respeito à destinação final de resíduos no País. Nestas três regiões estão 74% dos municípios que ainda utilizam lixões e aterros controlados para depositar seus RSU.

“Apesar de o número de cidades que fazem uso diretamente de lixões, a pior forma de destinação de resíduos, ter caído cerca de 2% de 2001 para 2012, há muito que se fazer para superar os déficits encontrados da destinação final”, observa Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, ao destacar que um total de mais de 3 mil municípios no País encaminham seus resíduos para lixões e aterros controlados, os quais, do ponto de vista ambiental, pouco se diferenciam dos próprios lixões.

Com uma participação de quase de 26% do total de resíduos urbanos gerados do País, um volume equivalente a mais de 51,6 mil toneladas de lixo por dia, o Nordeste aparece com a pior cobertura de coleta de RSU, pouco mais de 77% dos resíduos gerados são coletados. Além disso, a região não apresentou evolução na destinação final adequada em relação a 2011, encaminhando diariamente 65% dos resíduos coletados, ou seja, mais de 25,8 mil toneladas, para lixões e aterros controlados.

O Norte gerou em 2012 mais de 13,7 mil toneladas diárias de RSU, o equivalente a 0,965 kg por habitante por dia. Do volume coletado, 35% foi destinado a aterros sanitários e 65% depositado em lixões ou aterros controlados. E ainda são maioria os municípios que não tratam adequadamente seus resíduos, representando 80% das 449 cidades da região.

No Centro-Oeste, a geração de resíduos sólidos superou as 16 mil toneladas por dia (1,251 kg diário por habitante) em 2012, um acréscimo de 1,5% em relação ao ano anterior. Do volume gerado, 92,11% foi coletado, o que representa um acréscimo de 2,3%. Entretanto, menos de 30% dos resíduos coletados tiveram destino adequado – o menor percentual de adequação do País.

Com uma geração diária de mais de 98 mil toneladas, equivalente a 1,295 kg por habitante por dia, o Sudeste ainda figura como a região que tem a melhor cobertura de coleta (96,87%). Desse total coletado em 2012, 72% teve como destino final os aterros sanitários, mantendo-se também como a região que melhor destina seus resíduos.

Entretanto, o percentual com tratamento inadequado, apesar de ser bem menor em relação a outras regiões do País, representa um volume absoluto de mais de 26 mil toneladas/dia. Quando consideradas as cidades que não tratam adequadamente seus resíduos, o percentual é de 51%, o equivalente a 854 municípios da região.

A menor geração per capita de resíduos sólidos urbanos do Brasil ainda continua sendo observada na região Sul, com 0,905 kg por habitante por dia. Em contraponto, o Sul foi o que apresentou o maior crescimento na geração de resíduos em 2012, de 2,9%, o equivalente a mais de 21 mil toneladas diárias.

Por outro lado, a região não apresentou evolução na destinação adequada e manteve o percentual do ano passado de 70% para o encaminhamento dos resíduos coletados a aterros sanitários. Dos 1.188 municípios do Sul, 41% ainda não dão destino correto aos resíduos.

Alto índice geral

A pouco mais de um ano do prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para que os municípios deem fim à destinação inadequada de resíduos, a Abrelpe constatou que, em 2012, mais de 3 mil cidades brasileiras enviaram quase 24 milhões de toneladas de resíduos para destinos considerados inadequados, o equivalente a 168 estádios do Maracanã lotados de lixo. Esses dados também fazem parte da 10ª edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012.

“A maioria desses municípios tem menos de 10 mil habitantes e não dispõe de condições técnicas e financeiras para solucionar a questão dos resíduos sólidos de maneira isolada, diante das disposições da PNRS”, explica Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, ao destacar que a carência de recursos aplicados no setor torna o problema ainda mais grave. “As mudanças demandadas pela PNRS requerem investimentos concretos e perenidade, e os avanços não vão acontecer sem sustentabilidade econômica”, acrescenta.

Apesar de ter crescido 7% em 2012, atingindo uma média de R$ 11,00/habitante/mês, o volume de recursos aplicados pelas administrações públicas ainda está longe de ser suficiente para fazer frente à coleta de resíduos sólidos e demais serviços de limpeza urbana, que são essenciais e devem atender à totalidade da população, que tem crescido, consumido mais e descartado mais resíduos.

Ainda segundo o estudo, foram geradas no ano passado quase 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que equivale a uma geração per capita de 383 kg /ano. Em relação a 2011, houve um crescimento de 1,3% no lixo por habitante, índice superior à taxa de crescimento populacional registrada no mesmo período, que foi de 0,9%.

Do total gerado, mais de 55 milhões de toneladas foram coletadas, o que representa um aumento de 1,9%, se comparado ao ano anterior, com uma cobertura de serviços superior a 90% no País. “Percebemos, nestes dez anos de estudo, que o índice de coleta tem crescido paulatinamente, indicando que a universalização desses serviços é um caminho possível”, destaca o diretor da Abrelpe.

A quantidade de resíduos que deixaram de ser coletadas chegou a 6,2 milhões de toneladas, número 3% inferior ao relatado na edição anterior. A situação da destinação final manteve-se praticamente inalterada em relação a 2011, já que 58% dos resíduos coletados, quase 32 milhões de toneladas, seguiram para destinação adequada em aterros sanitários.

A coleta seletiva também praticamente não mudou de um ano para outro. Em 2012, cerca de 60% dos municípios brasileiros declararam ter algum tipo de iniciativa nesse sentido – que muitas vezes resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária ou convênios com cooperativas de catadores.

“São muito tímidos os estímulos de parte das autoridades em favor da coleta seletiva e da reciclagem. Tanto é que, apesar do esforço da população, pouco se avançou na última década. Isso mostra que o modelo utilizado precisa ser repensado e reestruturado se quisermos ampliar os índices verificados atualmente”, alerta Silva Filho.

Já a preocupa a geração de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) vem crescendo significativamente ano a ano e, de 2011 para 2012, aumentou em 5,3%, chegando a 35 milhões de toneladas. Esse volume tende a ser ainda maior, considerando que os municípios, via de regra, coletam apenas os resíduos lançados nos logradouros públicos.

“Com base nos dados do Panorama 2012, é possível perceber que o País está evoluindo a passos bastante lentos no estabelecimento de uma gestão integrada e sustentável de resíduos sólidos. Com isso, concluímos que apenas a PNRS não é suficiente para alterar práticas correntes e corrigir desvios. Os instrumentos estão disponíveis e exemplos não faltam para que as ações adequadas sejam pensadas, planejadas, implementadas e cobradas”, conclui o diretor da Abrelpe.

Abrelpe

Criada em 1976, a Abrelpe é uma associação civil sem fins lucrativos, que congrega e representa as empresas que atuam nos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Participou ativamente, no Congresso Nacional, da aprovação e a regulamentação da PNRS e foi a pioneira na implantação de um programa de Logística Reversa de Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (REEE) em um município.

No contexto internacional, a Abrelpe é a representante no Brasil da International Solid Waste Association (ISWA) e sede da Secretaria Regional para a América do Sul da Parceria Internacional para Desenvolvimento dos Serviços de Gestão de Resíduos Junto a Autoridades Locais (Ipla), um programa reconhecido e mantido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio do Centro das Nações Unidas para o Desenvolvimento Regional (UNCRD).

Fonte: Abrelpe

11:29 · 18.05.2013 / atualizado às 11:29 · 18.05.2013 por

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Por Maristela Crispim

O Dia Mundial da Reciclagem foi comemorado ontem, 17 de maio, enquanto o nosso País, vive um momento ímpar no que diz respeito aos resíduos sólidos, com a proximidade do fim do prazo mais radical da Política Nacional de resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em agosto de 2010, após mais de 20 anos de tramitação no Congresso. Ela estabeleceu agosto de 2014 como prazo para a extinção dos lixões em nosso território.

Mas, reunidos há duas semanas em Brasília, nossos atuais prefeitos querem mais tempo e pediram isso ao Congresso. Eles alegam que seus antecessores não cumpriram os outros prazos. Na semana que passou, entrevistei o diretor-executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), André Vilhena, que foi categórico: “Eles não vão ter mais tempo. Isso é um desrespeito com os que cumpriram”, disse.

O fato é que a legislação chegou mais que em boa hora. No período pré-industrial, os resíduos não geravam grande preocupação por dois principais motivos: volume e composição. No fim de 2011, ultrapassamos a marca de 7 bilhões de habitantes e a descartabilidade cresceu tanto quanto o nosso consumismo.

De acordo a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE), cada brasileiro produz, em média, 1,1Kg de lixo em média por dia. No País, são coletadas diariamente 188,8 toneladas de resíduos sólidos. Desse total, em 50,8% dos municípios, os resíduos ainda têm destino inadequado, pois vão para os 2.906 lixões do País. Em 27,7% das cidades o lixo vai para os aterros sanitários e em 22,5% delas, para os aterros controlados.

É importante frisar que a PNRS responsabiliza todas as partes – produtor, comerciante, consumidor, e governo – pela destinação final dos resíduos e que é realmente necessário que todos cumpram o seu dever para sairmos do lugar.

Infelizmente, evitar o desperdício, reutilizar e reciclar ainda não fazem parte do dia a dia da maioria dos brasileiros. Mas isso precisa mudar urgentemente. Há quem diga que vai funcionar se afetar o bolso, como ocorreu com a obrigatoriedade com cinto de segurança. Mas eu quero acreditar que algo de diferente possa acontecer.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) destaca que o número de programas de coleta seletiva passou de 451, em 2000; para 994, em 2008. Mas esse contingente está concentrado nas regiões Sul e Sudeste, onde, respectivamente, 46% e 32,4% dos municípios informaram à pesquisa do IBGE que possuem coleta seletiva em todos os distritos.

É importante dizer que, além do fechamento dos lixões até agosto de 2014, a lei determina que só poderão ser encaminhados aos aterros sanitários aqueles resíduos que não podem ser reciclados, os rejeitos.

Se aplicadas, as novas responsabilidades definidas pela PNRS vão reduzir gastos públicos municipais e ampliar a capacidade de investimentos das prefeituras em sistemas de reaproveitamento de resíduos de forma consorciada, assim como o compartilhamento de aterros sanitários entre municípios de uma mesma região.

Reciclagem

A palavra reciclagem ganhou destaque a partir do fim da década de 1980, quando foi constatado que as fontes de petróleo e de outras matérias-primas não renováveis estavam se esgotando rapidamente, e que já faltava espaço para a disposição de resíduos na natureza.

As maiores vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis; e a minimização da quantidade de resíduos que necessita de tratamento final, como aterramento, ou incineração.

Refinando conceitos, a reciclagem serve apenas para os materiais que podem voltar ao estado original e serem transformados novamente em um produto igual em todas as suas características. O reaproveitamento ou reutilização consiste em transformar um determinado material já beneficiado em outro.

Um exemplo claro da diferença entre os dois conceitos, é o reaproveitamento do papel. O papel chamado de reciclado não é nada parecido com aquele que foi beneficiado pela primeira vez. Este novo papel tem cor diferente, textura diferente e gramatura diferente. Isto acontece devido a não possibilidade de retornar o material utilizado ao seu estado original e sim transformá-lo em uma massa que ao fim do processo resulta em um novo material de características diferentes.

Já uma lata de alumínio pode ser derretida de volta ao estado em que estava antes de ser beneficiada e ser transformada em lata, podendo novamente voltar a ser uma lata com as mesmas características.

Em alguns casos, não é possível reciclar indefinidamente o material. Isso acontece, por exemplo, com o papel, que tem algumas de suas propriedades físicas minimizadas a cada processo de reciclagem, devido ao inevitável encurtamento das fibras de celulose.

Em outros casos, felizmente, isso não acontece. A reciclagem do alumínio, por exemplo, não acarreta em nenhuma perda de suas propriedades físicas, e esse pode, assim, ser reciclado continuamente.

Resultados

Os resultados da reciclagem são expressivos tanto no campo ambiental, quanto nos campos econômico e social. No meio ambiente a reciclagem pode reduzir a acumulação progressiva de resíduos a produção de novos materiais, como por exemplo o papel, que exigiria o corte de mais árvores; as emissões de gases como metano e gás carbônico; as agressões ao solo, ar e água; entre outros tantos fatores negativos.

No aspecto econômico, contribui para o uso mais racional dos recursos naturais e a reposição daqueles recursos que são passíveis de reaproveitamento. No âmbito social, não só proporciona melhor qualidade de vida para as pessoas, por meio das melhorias ambientais, como também tem gerado muitos postos de trabalho e rendimento para pessoas que vivem nas camadas mais pobres.

No Brasil existem os carroceiros ou catadores de papel, que vivem da venda de sucatas, papéis, alumínio e outros materiais recicláveis deixados no lixo. Eles também trabalham na coleta ou na classificação de materiais para a reciclagem. Para muitas das pessoas que trabalham na reciclagem (em especial os que têm menos educação formal), a reciclagem é uma das únicas alternativas de ganhar o seu sustento.

Coleta seletiva

Coleta seletiva é o recolhimento dos materiais que são possíveis de serem reciclados, previamente separados na fonte geradora. A separação na fonte evita a contaminação dos materiais reaproveitáveis, aumenta o valor agregado destes e diminui os custos de reciclagem.

Para iniciar um processo de coleta seletiva é preciso avaliar, quantitativamente e qualitativamente, o perfil dos resíduos sólidos gerados em determinado município ou localidade, a fim de estruturar melhor o processo de coleta.

O lixo orgânico (deteriorável), também conhecido como lixo molhado, composto pelos restos de alimentos, deve ser separado do lixo chamado seco, podendo ter como destino os aterros sanitários ou entrarem num sistema de compostagem ou de biogás.

Classificação

Porta a Porta – Veículos coletores percorrem as residências em dias e horários específicos que não coincidam com a coleta normal de lixo. Os moradores colocam os recicláveis nas calçadas, acondicionados em contêineres distintos.

Posto de Entrega Voluntária (PEV) – Utiliza contêineres ou pequenos depósitos, colocados em pontos físicos no município, onde o cidadão, espontaneamente, deposita os recicláveis.

Posto de Troca – Troca do material a ser reciclado por algum bem ou benefício.

Programa Interno de Coleta Seletiva (PIC) – Realizado em instituições públicas e privadas, em parceria com associações de catadores ou empresas.

14:52 · 09.05.2013 / atualizado às 14:53 · 09.05.2013 por
O prazo estabelecido pela PNRS para por fim aos lixões é agosto de 2014, mas prefeitos admitem inacapacidade de cumprir e pedem prorrogação Foto: Fabiane de Paula

O prazo para que todos os lixões a céu aberto do País sejam desativados é 2 de agosto do ano que vem. Mas, se depender de muitos prefeitos brasileiros, essa profecia não se cumpre em 2014. A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), reunida na semana passada, em Brasília, anunciou que vai negociar com o Congresso e com o governo federal a prorrogação do prazo.

O recém-empossado presidente da entidade, José Fortunati (PDT), de Porto Alegre, declarou que é impossível grande parte das cidades cumprir a lei. Ele já buscou apoio dos presidentes da Câmara e do Senado para que seja alterada a lei que criou a PNRS. Pediu prazos distintos, de acordo com a realidade de cada cidade. Ele argumentou que 72% dos prefeitos vitoriosos nas eleições de 2012 não estavam no cargo. Por isso, culpam as gestões anteriores pelo atraso na adaptação à lei.

Relator da lei que instituiu a PNRS, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) criticou a proposta dos prefeitos. Ele disse que a legislação tem que premiar posturas e punir quem não segue uma regra e colocou-se terminantemente contrário a qualquer dilatação do prazo.

Novos prazos

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) estima que apenas 20% dos 5.565 municípios brasileiros concluíram os projetos ou solicitaram verbas para sua elaboração até 2 de agosto de 2012, quando expirou o prazo legal para esta etapa do processo.

O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Saburo Takahashi, revelou que o órgão deve soltar, em breve, uma nova chamada para os municípios que perderam o primeiro prazo. Ele disse que, para atender os 80% que restam, é preciso tomar pé da situação e verificar como o governo pode apoiar os municípios que ainda não têm planos.

LixoesnoBrasil

O que diz a lei

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) passou duas décadas em tramitação no Congresso Nacional até virar lei, em 2010. Um dos principais objetivos é fazer com que o Brasil atinja o índice de reciclagem de resíduos de 20% até 2015, que é uma das metas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima. Ela foi criada com um horizonte de 20 anos, com previsão de atualização a cada quatro anos.

Uma dos destaques é a logística reversa, que determina a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, fornecedores, comerciantes e consumidores de produtos para garantir que os resíduos sejam descartados de forma ambientalmente correta. Também institui programas de coleta seletiva, educação ambiental e inclusão dos catadores de material reciclável em todos os municípios. Exige, ainda, padrões sustentáveis de produção, consumo e reciclagem de resíduos.

Mas o ponto mais polêmico é a exigência que estados e municípios desativem todos os lixões e instalem aterros sanitários até 2 de agosto de 2014. A lei admite que os municípios formem consórcios para a gestão dos resíduos sólidos. Segundo o texto, o prefeito que não cumprir o prazo pode ser processado por improbidade administrativa. As cidades tiveram dois anos para se adequar à política nacional, mas a maioria sequer elaborou o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, que é a primeira etapa do processo.

Auxílio

O Ministério das Cidades fará, até julho deste ano, uma série de seminários regionais para orientar os gestores na preparação de seus Planos Municipais de Saneamento Básico. Ele será cobrado a partir de 2014 como condição para que os municípios recebam recursos na área, de acordo com a Lei nº 11.445/2007, regulamentada pelo Decreto n° 7.217/2010.

Os seminários “Política e Plano Municipal de Saneamento Básico” têm como objetivo capacitar os entes políticos no cumprimento das normas legais, pois os municípios deverão ter seus planos aprovados e suas instâncias de participação social instituídas até 2014.

As capacitações serão realizadas em todas as regiões do País buscam apresentar e discutir aspectos relacionais aos planos com o apoio na legislação em vigor; estimular a formação de multiplicadores para a difusão da metodologia de elaboração dos planos; além de fortalecer a capacidade institucional de estados e municípios para a promoção da política de saneamento básico.

Os seminários ocorrem em parceria com a Caixa Econômica Federal e tem como público-alvo os gestores, técnicos, profissionais, entidades envolvidas no setor de saneamento e sociedade civil, que também poderá contribuir para a preparação do plano.

Seminarios_Saneamento

As inscrições podem ser feitas previamente pelo site www.capacidades.gov.br. Caso o número de interessados ultrapasse as vagas oferecidas, gestores e técnicos em saneamento terão prioridade de participação.

Fontes: Agência Brasil / MMA/ Ministério das Cidades

 

12:35 · 31.01.2013 / atualizado às 12:35 · 31.01.2013 por
Se depender do governo, os lixões têm data para acabar em 2014 Foto: Alex Pimentel

Brasília. O Brasil joga no lixo, a cada ano, cerca de R$ 10 bilhões por falta de reciclagem e destinação adequada de resíduos sólidos, e de uma política de logística reversa que gerencie o retorno de embalagens e outros materiais descartados de volta à indústria.

É esta realidade que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) pretende transformar com a implantação, em todo o País, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), tema de oficina realizada no início da tarde de ontem (30 de janeiro), último dia do II Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Dentro da PNRS, a meta do governo federal é eliminar os lixões de todos os municípios brasileiros até o fim de 2014, explicou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Pedro Wilson Guimarães.

Os governos estaduais e municipais deverão providenciar a substituição dos lixões por aterros sanitários, pois, a partir de 2014, a liberação de recursos da União estará condicionada à existência de planos estaduais e municipais de gestão de resíduos sólidos e de saneamento básico.

De acordo com anúncio feito pela presidenta Dilma Rousseff, na segunda-feira, durante a abertura do encontro, os prefeitos terão, em 2013, R$ 35,5 bilhões para investir em obras de saneamento, pavimentação e mobilidade urbana selecionadas no final de 2012.

Desperdício

“Os lixões são um problema sério que precisa ser enfrentado por todos os gestores”, disse o analista de Infraestrutura da SRHU, Eduardo Rocha Dias Santos. Ele afirmou que os prejuízos são enormes para o meio ambiente, com queda na qualidade de vida, no bem-estar e na saúde pública, além de gerar desperdícios econômicos e impactos sociais significativos. A proposta é não gerar resíduos sólidos, mas reduzir, reutilizar e reciclar, tratando e dando destinação adequada.

Santos salientou que apenas a Lei Nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não é suficiente para implantar o que se deseja. “Mas já é um começo”, admitiu.

A lei define o compartilhamento de responsabilidades entre as três esferas de governo, o planejamento de ações de gestão e a implantação de infraestrutura adequada, priorizando-se a educação ambiental e a cobrança pela prestação desse serviço público com o objetivo de dar sustentação financeira à PNRS.

Fonte: MMA

07:45 · 04.01.2013 / atualizado às 07:45 · 04.01.2013 por
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As imagens de um lixão deixam marcas em quem caminha sobre os restos produzidos pela nossa “civilização”. Mas, como, para muitos, essa é uma imagem distante, quase ficcional, vez por outra alguém se aventura a fazer essa exposição, mesmo que por meio da arte. Chamar as pessoas a refletirem sobre essa desgradável consequência do consumo é o objetivo do documentário “Trashed” – Para Onde Vai Nosso Lixo.

Dirigido por Candida Brady e estrelado pelo ator Jeremy Irons, ele está em cartaz desde dezembro nos Estados Unidos e tem estreia sul-americana prevista para o primeiro semestre de 2013. Mostra a saga do lixo produzido em todo o mundo e as consequências do descarte inadequado no meio ambiente e na saúde da população.

Em uma das primeiras cenas, o premiado ator britânico aparece rodeado de lixo na praia de Sidon, no Líbano. No cenário, uma montanha de lixo hospitalar, restos de comida, animais mortos e todo tipo de resíduo produzido pela cidade nos últimos 30 anos dão um ideia da gravidade do problema.

Dali, Irons parte para uma viagem a diversos países do Hemisfério Norte apresentando e debatendo o que devemos fazer com bilhões de toneladas de lixo que são produzidas diariamente em todo o Planeta.

O documentário exibe não apenas a situação crítica do excesso de lixo produzido em países como Líbano, Estados Unidos e Grã-Bretanha, mas também as práticas pouco inteligentes, como aterros e a combustão dos resíduos, o que acaba causando problemas ainda maiores.

Visualmente emocionalmente, o filme é tanto terrível quanto belo: um jogo de interesse humano e despertar político. Mas termina em uma mensagem de esperança: mostrando como os riscos para a nossa sobrevivência pode ser facilmente prevenidos por meio de abordagens sustentáveis, soluções que já estão sendo adotadas por algumas cidades e podem, de fato, colocar as populações no rumo certo para uma meta “Lixo Zero”.

O filme, que foi selecionado para o Festival de Cannes 2012, é reforçado por depoimentos de cientistas e de vítimas das consequências do lixo tóxico, e por números e estatísticas resultantes de anos de pesquisa da diretora.

Saiba mais em www.trashedfilm.com

Fonte: Portal EcoD

09:04 · 17.04.2012 / atualizado às 09:04 · 17.04.2012 por
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Por Maristela Crispim

“Ilha das Flores”. Vi esse curta pela primeira vez há mais de 20 anos, mas sempre que tenho a oportunidade de revê-lo, me ponho a pensar sobre o papel de nós, seres humanos, aqui neste Planeta.

Lembrei dele por causa da estreia nacional de mais um documentário com a temática lixo, que particularmente me atrai. “À Margem do Lixo” – terceiro documentário da tetralogia de Evaldo Mocarzel, que inclui “À Margem da Imagem” e À Margem do Concreto” – foi feito para dar a versão do catador sobre o tema. Ele está em cartaz em 1.109 cineclubes de 700 cidades do Brasil até o mês de maio.

De certa forma, o documentário de Vik Muniz, “Lixo Extraordinário”, também faz isso. Mas nunca é demais, considerando que todos nós consumimos bens, produzimos lixo, mas poucos param para pensar nas consequências desses atos quase automáticos.

Voltando à “Ilha das Flores”, o curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989, época em que eu era estudante universitária e ativista, me tocou profundamente (e ainda me toca).

Com um humor irônico, que usa a linguagem científica para descrever o problema, nos fala sobre desigualdade social e foi reconhecidíssmo na função à qual se propõe: fazer as pessoas pensarem sobre o consumo e as suas consequências, já que estamos falando de seres que diferem dos outros animais por suas habilidades físicas e mentais.

Enfim, quem não viu precisa ver, e que já viu, deve rever.

08:55 · 22.02.2012 / atualizado às 18:44 · 22.02.2012 por
Lixo acumulado em uma praia de Paracuru, litoral oeste do Ceará, durante o Carnaval de 2012 Foto: Rodrigo Carvalho

 

Por Maristela Crispim

Hoje é Quarta-Feira de Cinzas e, depois de quatro dias de descontração, para católicos ou não, é um dia para se refletir sobre os nossos atos.

Como no Brasil o ano começa “pra valer” só após o Carnaval, aproveito para propor um desafio de ano novo a todo mundo: que tal refletirmos mais sobre o que consumimos e descartamos.

O montinho de lixo retratado acima pelas lentes do fotógrafo Rodrigo Carvalho, em uma praia de Paracuru, durante o Carnaval que passou, é apenas uma pontinha da encrenca.

A nossa produção diária de lixo, enquanto sete bilhões de habitantes deste Planeta, é gigantesca. Mas a maior parte dela está nos países / cidades / lares que vivem essa fase de consumo crescente.

É claro que é impossível voltarmos a um passado onde o nosso lixo era orgânico, a população era bem menor e o Planeta dava conta de reinseri-lo no ciclo da vida sem prejuízos. Mas, se cada um tiver consciência do que consome e descarta, pode dar uma senhora contribuição para amenizar o problema.

Fica a ideia e Feliz Ano Novo, para todo mundo!