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Categoria: Moda Sustentável


15:43 · 25.08.2017 / atualizado às 15:57 · 25.08.2017 por
A coleção da C&A com a Certificação Cradle to Cradle™ estará disponível em 29 lojas físicas e na loja on-line a partir de 1º de setembro, com versões feminina e masculina, em seis cores cada uma Foto: Maristela Crispim

A C&A, empresa de moda que vem oferecendo produtos e experiências que vão além do vestir, lançou, nessa quarta-feira, a sua primeira coleção circular de camisetas com certificação de nível Gold da Cradle to Cradle™.

Na ocasião, foi realizada uma mesa-redonda para debater questões como produção sustentável, os desafios da economia circular e o futuro da indústria da moda. Participaram dessa conversa o presidente da C&A, Paulo Correa; a líder da Ellen MacArthur Foundation no Brasil, Luísa Santiago; e a atriz e apresentadora Fernanda Paes Leme, com mediação da jornalista Lilian Pacce.

Participaram de mesa-redonda, no lançamento, a atriz e apresentadora Fernanda Paes Leme; o presidente da C&A, Paulo Correa; e a líder da Ellen MacArthur Foundation no Brasil, Luísa Santiago; com mediação da jornalista Lilian Pacce Foto: Maristela Crispim

Inédita na indústria da moda, a coleção é um marco para a C&A e mostrou que é possível mobilizar todos os players do mercado para desenvolver peças de forma social e ambientalmente responsáveis.

“Estamos trazendo uma história que entendemos ser um marco para o varejo de moda nacional, com o lançamento das primeiras camisetas desenhadas para serem recicladas em escala mundial. Temos a responsabilidade de liderar esse processo, já que temos o compromisso de oferecer uma moda com impacto positivo”, disse o presidente da C&A, Paulo Correa.

Paulo destacou, além da importância do pioneirismo de produzir, em escala, uma camiseta com esse conceito, que pode ser reutilizada de diversas formas no fim da sua vida útil ou simplesmente ser compostada, que a moda é uma forma de expressão pessoal que não deve ser imposta.

Dessa forma, ele ressaltou o papel de liderança num processo de transformação, que vem da dimensão filosófica da empresa familiar desde 1840: “Usar a moda para o bem é uma responsabilidade”.

Para ser mais sustentável, o futuro da moda deve ser colaborativo e construído em parceria com toda a indústria. Essa constatação é de Luísa Santiago, que também reforçou que a C&A está trazendo ao mundo coisas concretas, inspirando e de fato mostrando que é possível fazer uma economia circular regenerativa e restaurativa por princípio, que una a ideia de lucro e ganhos econômicos à de uma economia que tenha práticas positivas ao ambiente e à sociedade.

Ações como essa, especialmente quando realizadas dentro do universo da moda, têm o poder de inspirar as pessoas, pois, quando elas se tornam mais conscientes, entendem que podem contribuir para o futuro da sociedade e do meio ambiente. Do ponto de vista do consumidor, há ainda a questão da relação emocional com a peça, já que cada uma tem uma história. Mas, para Fernanda Paes Leme, o que ficam são as memórias e as peças podem ganhar novas vidas e novos significados para outras pessoas.

No evento, foram realizados workshops de customização de peças jeans, em parceria com a Malha; e de ressignificação de objetos de decoração, pelos designers do Ateliê Pistache Ganache Foto: Maristela Crispim

A preocupação da rede com a sustentabilidade também permeou a realização do evento, que contou com workshops de customização de peças de jeans, em parceria com a Malha, e de ressignificação de objetos de decoração, realizado pelos designers do Ateliê Pistache Ganache. Além disso, foram adotadas práticas para reduzir os impactos ambientais do evento: toda a emissão de carbono foi neutralizada e toda a cenografia foi pensada para que fosse evitada uma geração excessiva de resíduos.

Coleção Cradle to Cradle™

Segundo Paulo Coreia, a linha de camisetas foi produzida usando apenas materiais seguros e de forma social e ambientalmente responsável. O algodão, com certificação orgânica, por exemplo, é produzido na Índia. Além disso, houve reúso de água e foi utilizada energia renovável no processo produtivo.

O Programa de Certificação de Produtos Cradle to Cradle™ é uma forma de avaliar se os produtos e materiais são seguros para a saúde humana e para o meio ambiente. Concedida pelo Cradle to Cradle Institute, essa certificação é dividida nos níveis Basic, Bronze, Silver, Gold e Platinum.

Um dos grandes diferenciais dessa peça é que ela foi produzida, de forma que não gere excesso de resíduos e, ao fim de sua vida útil, por meio da compostagem, torne-se até mesmo nutrição para o solo.

A coleção da C&A com a Certificação Cradle to Cradle™ estará disponível em 29 lojas físicas e na loja on-line a partir de 1º de setembro, com versões feminina e masculina, em seis cores cada uma, sendo a feminina vendida a R$ 19,99 e a masculina a R$ 29,99.

Os estados que irão receber as peças C2C, serão 13 mais o Distrito Federal, sendo eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraná, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás, Santa Catarina, Alagoas e Paraíba. A do Ceará é a do Shopping Iguatemi Fortaleza.

Sobre a empresa

A C&A é uma empresa de moda que tem estado focada em propor produtos e experiências que vão além do vestir, conectando as pessoas a si mesmas e ao mundo à sua volta. Fundada em 1841 pelos irmãos Clemens e August, na Holanda, a marca abriu sua primeira loja no Brasil em 1976, em São Paulo. Hoje, a empresa está presente em todas as regiões e tem cobertura nacional, por meio de sua loja virtual.

*A Certificação Cradle to Cradle™ é uma marca licenciada pelo Cradle to Cradle Product Innovation Institute.

Mais informações: http://sustentabilidade.cea.com.br.

19:52 · 28.07.2017 / atualizado às 14:32 · 31.07.2017 por
Chiara Gadaleta é consultora de moda sustentável, apresentadora de TV e dedica-se ao movimento “EcoEra”, plataforma que integra a sustentabilidade unindo ética e estética

MaxiModa completa dez edições e traz grandes nomes da gestão de moda para refletir sobre o tema “O Futuro é Agora”,  no Teatro RioMar , em 18 de agosto. Cinco convidados irão compartilhar as principais práticas aplicadas nas empresas, no comércio e no ambiente da moda brasileira, e discutirão qual o real futuro não somente para o setor, mas também para os padrões de consumo no país e as estratégias a serem adotadas para criar um ambiente sustentável de convívio entre marca e cliente.

A programação do MaxiModa 2017 traz a Fortaleza: a porta-voz da moda consciente no Brasil, Chiara Gadaleta; o CEO da Arezzo e designer de sapatos exclusivos, Alexandre Birman; a especialista em tendências e comportamento, Andrea Bisker; a diretora da revista Elle Brasil, Susana Barbosa; e a presidente da Vimer Experience, agência especializada em visual merchandising, Camila Salek.

Com patrocínio do Shopping RioMar, Sebrae e Sinditêxtil, a 10ª Edição do MaxiModa tem a Universidade de Fortaleza (Unifor) como parceira acadêmica oficial e conta, ainda, com apoio educacional do Senac/Ceará e de empresas como Hotel Gran Marquise, Boana, Mollybloom, Marcas Comunicação, Elemídia, Cidade, Compasso, Bandeirantes, Toca Fina Cozinha e Indaiá.

Chiara Gadaleta é consultora de moda sustentável, apresentadora de TV e dedica-se ao movimento “EcoEra”, plataforma pioneira que integra a sustentabilidade unindo ética e estética. Atualmente coordena o projeto “Trançados do Uatumã”, uma central de artesanato na Reserva do Uatumã na Amazônia. É idealizadora do SP.Ecoera, evento inovador e pioneiro que trata da Indústria da Moda e Beleza integrada a Sustentabilidade. Assina as colunas “Eco Era” na publicação impressa e no site da Vogue Brasil.

Confira entrevista exclusiva para o Blog Gestão Ambiental:

Na sua opinião, o brasileiro está mais consciente em relação ao consumo sustentável de moda?

Sem dúvida! Há quase dez anos, quando iniciamos as operações do EcoEra, um grupo muito pequeno de profissionais estavam antenados e buscando informações sobre como a moda poderia se integrar com temas urgentes relacionados ao meio ambiente como impacto negativo da industria em rios, atmosfera e etc. e a parte social como trabalho escravo dentre outros. Hoje, depois de quase uma década, já atingimos algumas metas significativas, como mapeamento de produtos com atributos sustentáveis, elenco de marcas com práticas conscientes em sua cadeia de valor e grupos de moda com certificados. A coluna EcoEra, na revista Vogue, o Prêmio EcoEra, que já está caminhando para sua terceira edição, são sinais de que os consumidores estão cada vez mais preocupados com as marcas que escolhem.

Qual é, do seu ponto de vista, o setor da cadeia produtiva e varejista de moda mais desenvolvido em relação a práticas mais sustentáveis?

Justamente por ser uma cadeia de valor, TODOS os setores necessitam estar alinhados. Das comunidades agrícolas até as empresas de reciclagem de fios. Das empresas que estampam as peças que usamos até os estabelecimentos que revendem as peças em desuso, aumentando sua vida útil, evitando descarte inapropriado. A boa notícia é que todos estão empenhados em criar uma indústria mais conectada com os nossos tempos: de sustentabilidade ambiental e social. Nesse contexto, algumas iniciativas merecem destaque, dentre elas, o desenvolvimento de fios biodegradáveis, apoio de comunidades de algodão orgânico no Nordeste do País, metas de resíduos zero e criação de centrais de upcycling.

Você acha que essa tendência, mostrada no programa ‘Menos é demais’, de empréstimos, trocas e mesmo compra de peças usadas vai pegar em todo Brasil, considerando as diferenças culturais de cada região?

As questões que envolvem o desenvolvimento sustentável de um mercado especifico, que por sua vez envolvem os pilares social, ambiental, econômico e cultural, são altamente LOCAIS. Cada região, cada Estado, cidade, município, bairro, grupo de pessoas possuem suas características particulares. Exatamente por esse motivo, as pesquisas do EcoEra são feitas se aprofundando cada vez mais na situação local da empresa, seu entorno e sua comunidade local. E a partir desse dados traçar planos para alcançar impactos positivos com mais amplitude. Portanto, respondendo sua pergunta, acreditamos que as práticas apresentadas no programa são customizáveis, ou seja, podem ser ajustadas a cada região e até mesmo a cada situação.

Quais são, para você, os principais desafios a serem vencidos para avançarmos em direção a um consumo de moda sustentável?

No nosso entendimento, o principal desafio é estabelecer um critério satisfatório de transparência em toda cadeia de valor. Essa cadeia vai da produção da matéria prima até o descarte da peça pelo consumidor final. O desafio é que todos os envolvidos tenham as informações necessárias para que encontremos JUNTOS soluções eficazes e replicáveis em todo o mercado de moda, beleza e design. Cada etapa da cadeia produtiva de uma peça de roupa possui um fator determinante, uma questão seria em relação ao impacto social e ambiental de cada processo e ao mesmo tempo, para cada situação de risco existe uma oportunidade para melhoria. A missão do movimento EcoEra, que hoje também atua como consultoria para pequenas, medias e grandes empresas, é pilotar e proporcionar soluções para que as marcas se tornem agentes de transformação social e ambiental e inspirem boas práticas em seus mercados de atuação.

10:00 · 10.07.2017 / atualizado às 20:41 · 09.07.2017 por
O projeto visa a promover iniciativas multissetoriais inovadoras criando novas realidades nas cadeias de valor Foto: Eduardo Queiroz / Agência Diário

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), com o apoio do Instituto C&A e a realização do Instituto Reos, lançaram, na sexta-feira (7), o Laboratório da Moda Sustentável — por um setor do vestuário mais sustentável e justo. A iniciativa pretende abordar os principais desafios do setor de vestuário no Brasil em temas de sustentabilidade ambiental e trabalho decente, entre outros.

Entre as estratégias, está a criação de uma “aliança convocadora”, composta por OIT, ABVTEX e ABIT, com legitimidade e capacidade de influenciar mudanças no setor. A partir disto, um grupo formado por 35 líderes foi convidado a participar de oficinas de cocriação e trabalho e da plataforma de transformação.

Entre os líderes, há representantes de marcas e varejistas, associações setoriais, indústrias, sindicato dos trabalhadores, setor público, acadêmicos, sociedade civil, entre outras organizações que compõe os diferentes elos da cadeia do vestuário. Os participantes têm conhecimento de temas-chave, como informalidade, condições de trabalho precarizado ou forçado, modelo de negócio, questões ambientais, sociais e de consumo.

“Esperamos alcançar impactos positivos no futuro do mercado de moda no Brasil que reverberem pelos próximos anos. O projeto prevê resultados alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como melhores condições de vida e trabalho no setor; e consumidores mais orientados e conscientes”, afirmou Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX.

O projeto visa promover iniciativas multissetoriais inovadoras, criando novas realidades nas cadeias de valor; estratégias e ações transformadoras para fortalecer, influenciar e incidir nos principais desafios identificados; melhores condições de vida e trabalho no setor, com destaque às questões de gênero.

Outros pontos incluem maior diversificação e inovação industrial e de serviços; uso eficiente de recursos naturais e processos produtivos com baixo impacto ambiental; impulso a políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável do setor.

O projeto terá duas fases: a construção de cenários futuros do setor do vestuário e o laboratório social. Na primeira, a intenção é construir, por meio de uma arquitetura de diálogo estratégico e inovador, um conjunto de cenários relevantes, desafiadores, plausíveis e claros para estimular a reflexão e o debate sobre o futuro do setor do vestuário. Na segunda etapa, a intenção é criar protótipos de iniciativas multissetoriais que tragam inovações para o setor de vestuário nos próximos anos.

“A indústria têxtil e do vestuário é um setor importante no mundo e no Brasil, empregando 1,7 milhão de trabalhadores na produção”, afirmou o diretor da OIT no Brasil, Peter Poschen. “A OIT está engajada em muitos países do mundo para ajudar os atores dessa cadeia de valor a melhorar as condições de trabalho, aumentar a produtividade e a renda e reduzir os impactos ambientais. O desenvolvimento sustentável dessa cadeia produtiva só pode acontecer com base num diálogo social e com a construção de parcerias entre os atores-chave”, completou.

A iniciativa tem como base as metodologias de Planejamento de Cenários Transformadores e Laboratórios Sociais, desenvolvidas e aplicadas pela Reos Partners em vários países do mundo nos últimos 20 anos. A metodologia aborda os problemas complexos de maneira sistêmica e gera impacto coletivo ao longo dos anos, em temas como educação, saúde, alimentação, energia, meio ambiente, desenvolvimento, justiça, segurança e paz.

“A colaboração entre os diferentes elos que compõem a cadeia da moda é essencial para que o setor possa ser mais justo e sustentável. Esperamos que essa iniciativa seja mais um passo nesse sentido, de construção conjunta de soluções”, declarou a diretora-executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega.

Representando mais de 30 mil empresas de têxteis e confecção no Brasil, a ABIT insere este projeto em sua área de sustentabilidade e inovação.

“A ABIT tem desenvolvido, divulgado e promovido palestras, congressos e workshops dedicados ao aprofundamento do tema com as empresas, buscando alinhar a produção e a distribuição aos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o presidente da ABIT, Fernando Pimentel.

Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT)

10:58 · 05.06.2017 / atualizado às 10:58 · 05.06.2017 por

 

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para lembrar a data, o Diário do Nordeste publica o caderno especial de Gestão Ambiental sobre Moda Sustentável. Ainda no clima de Semana do Meio Ambiente, promove, amanhã, o III Seminário Economia Verde – Moda Sustentável: como agregar valor ao seu negócio, amanhã (6), às 19h, na Praça Central do Shopping Parangaba (piso L1), com o especialista em Sustentabilidade Jair Kievel. O evento se insere no Fórum Fortaleza Sustentável, cinco dias de palestras, oficinas e apresentações culturais alusivas à temática sustentabilidade, promovido pelo Shopping Parangaba, em parceria com o Instituto Íris.

Sustentabilidade é um termo a cada dia mais presente no mundo. Muitas mudanças ocorreram desde que a expressão Desenvolvimento Sustentável foi cunhada, há décadas. Passamos por várias conferências ambientais e climáticas até que alguns setores começaram a incorporar a preocupação com o ambiente que nos abriga e fornece matéria-prima. Não é diferente como mercado da moda.

No início da humanidade, o ato de vestir era uma forma de se proteger, principalmente do frio. Com o tempo, passou a significar uma forma de se distinguir na sociedade e mesmo de se expressar. Vestir de forma mais sustentável requer, primeiramente, reflexão, que deve começar diante do guarda-roupas. Se há algo que não se veste há mais de seis meses, é hora de pensar se realmente é necessário manter. Reunião de trocas entre amigos ou mesmo grupos virtuais são meios de se desfazer daquelas peças que não combinam mais com o estilo ou de renovar o guarda-roupas constantemente sem grandes gastos.

Outro momento importante de ponderação está na hora da compra. Primeiro questionamento: é necessário? Depois vem uma reflexão mais complexa. Hoje, algumas grandes redes varejistas, como a multinacional holandesa C&A, estão buscando investir em cadeias sustentáveis, incluindo o estímulo à produção de algodão orgânico.

Há também iniciativas individuais, muitas vezes idealistas, como a VIDA BR, que produz camisetas com tecidos feitos de fios PET reciclados com estampas cujas cores ressaltam quando expostas à luz solar e que ainda pode servir como crédito na compra de uma nova ao atingir o fim da sua vida útil.

Esse é o momento de refletir mais a fundo sobre a cadeia de fornecedores de cada peça. Os preços podem ainda não ser os mais acessíveis, pelas dificuldades de produção em escala e os investimentos para redução dos impactos da produção sobre o equilíbrio ambiental, mas certamente essas ações fazem a diferença ao mobilizarem os consumidores para a importância de repensar o consumo.