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Categoria: Oceanos


20:22 · 08.06.2013 / atualizado às 20:25 · 08.06.2013 por
A imensidão dos oceanos gera uma falsa ilusão de invulnerabilidade que faz crescer a pressão sobre os seus ecossistemas Foto: SXC.HU
A imensidão dos oceanos gera uma falsa ilusão de invulnerabilidade que faz crescer a pressão sobre os seus ecossistemas Foto: SXC.HU

O Dia Mundial dos Oceanos (World Ocean Day) começou a ser comemorado em 8 de junho de 1992 durante a Rio-92 (Earth Summit), no Rio de Janeiro. Sua finalidade é, a cada ano, fazer um tributo aos oceanos e aos produtos que eles fornecem, como frutos do mar. Serve também para fazer uma alerta: apesar da sua imensa proporção, a poluição mundial e o consumo excessivo de peixes, tem causado drásticas reduções nas populações de muitas espécies.

16:13 · 01.10.2012 / atualizado às 16:13 · 01.10.2012 por

 

O Governo Federal demonstra preocupação com a sustentabilidade da pesca Foto: Kid Júnior
O alerta recai tanto sobre a sobrepesca quanto sobre as atividades poluentes Foto: Kid Júnior

A preservação de áreas marinhas e costeiras marcou o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, realizado na última semana em Natal (RN). Especialistas defenderam a criação de mais áreas de proteção nos oceanos, como forma de preservar os ecossistemas.

De 1,3 mil espécies de peixes no bioma marinho, por exemplo, 19 estão em extinção. Dos recifes de corais entre o Rio Grande do Norte e o sul da Bahia, 80% também foram perdidos nos últimos 50 anos.

Os dados sobre os recifes constam de estudo inédito divulgado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no evento. A poluição industrial, o despejo de esgoto e de adubo (levado pelos rios) são os responsáveis pela morte dos corais, principalmente nas grandes cidades do Nordeste, de acordo com o professor Mauro Maida. O desmatamento da Mata Atlântica e de mangues e a retirada de calcário dos corais para a construção civil acentuaram o problema.

Ao lado dos efeitos do aquecimento global, como a elevação da temperatura do mar e a absorção em excesso de dióxido de carbono, a sobrepesca – a pesca acima do limite de reposição – tornou-se a principal inimiga dos ecossistemas marinhos, diz Maida.

“É preciso lembrar que peixe não cai do céu e que a proteção da cadeia produtiva é o papel das unidades de conservação”. Lá – já que não há ninguém matando – se dá a cria e a engorda. Com isso, os bichos saem naturalmente dessas áreas e podem ser capturados, grandes, do lado de fora”, completa o professor.

Nos 4,5 milhões de quilômetros quadrados do bioma marinho brasileiro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), identificou a necessidade de criação de pelo menos 50 reservas extrativistas, uma das categorias de unidades de conservação, até 2014.

Diante da exploração intensa e desregulada de itens com valor comercial, as atuais 59 unidades não são suficientes para proteger o uso da zona costeira e não atendem a 5% do total da área, informa o presidente do ICMBio, Roberto Vizentin.

“O mar tem toda a potencialidade em recursos para a segurança alimentar e em recursos que estão na base do crescimento industrial, como petróleo e gás. É como no território, se não tivermos uma estratégia de ordenar essa extraordinária riqueza, que já está sofrendo pressão, as atividades no ambiente marítimo ficam cada vez mais vulneráveis”, reconheceu Vizentin.

Ele pretende ampliar ainda a área no Pantanal, na Caatinga e Mata Atlântica, que são protegidos em menos de 10%.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que lançou recentemente o Pacto para os Oceanos, 3 bilhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para a própria subsistência. Com a iniciativa, o órgão multilateral quer que 10% das áreas marítimas e costeiras no mundo sejam alvo de medidas de conservação até 2020 e que até 2015 todos os países criem metas para reduzir o lançamento de poluentes ao mar, além de propor medidas de mitigação.

Fonte: Isabela Vieira (reportagem) / Graça Adjuto (Edição) – Agência Brasil

00:24 · 14.07.2012 / atualizado às 00:25 · 14.07.2012 por
Os recursos marinhos não são infinitos e a pressão é crescente Foto: Maristela Crispim

Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) informou que a comunidade internacional tem que fazer mais para garantir a pesca sustentável no mundo e alertou que quase 30% das populações de peixes correm risco de desaparecer devido à pesca excessiva.

No documento, divulgado na última segunda-feira (9 de julho), a entidade afirma que muitas das populações marinhas, mesmo aquelas já monitoradas pela FAO, continuam sofrendo uma grande pressão. “A superexploração não afeta somente de forma negativa o meio ambiente, mas também reduz a produção pesqueira, com efeitos negativos sociais e econômicos”.

Segundo a agência da ONU, para aumentar a contribuição da pesca marinha à segurança alimentar, às economias e ao bem-estar das comunidades costeiras, é necessário aplicar planos eficazes para restabelecer as populações de peixes afetados pela sobrepesca.

De acordo com estatísticas apresentadas pelo órgão, cerca de 57% dos peixes estão totalmente explorados (ou seja, o limite sustentável já está próximo de ser atingido) e apenas 13% não estão totalmente explorados. “É necessário fortalecer a governança e ordenar de forma eficaz a pesca”, disse.

Dados da FAO de 2012 mostram que o setor pesqueiro produziu a cifra recorde de 128 milhões de toneladas de pescado para consumo humano – uma média de 18,4 kg por pessoa – proporcionando 15% da ingestão de proteína animal a mais de 4,3 milhões de pessoas. Além disso, o setor emprega atualmente 55 milhões de pessoas.

O relatório da ONU sustenta que o fomento à pesca e à piscicultura sustentáveis pode incentivar a administração de ecossistemas em larga escala e defende mecanismos como a adoção de um sistema de pesca e aquicultura mais justos e responsáveis.

Rio+20

A proteção à biodiversidade marinha foi um dos principais temas debatidos pelos 188 países reunidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho.

Um dos resultados definidos no documento “O futuro que queremos”, fruto das negociações diplomáticas, é a adoção de um novo instrumento internacional sob a Convenção da ONU sobre os Direitos do Mar (Unclos), para uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar.

O documento prevê ainda, entre outras medidas, a criação de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU, além de reafirmar um dos Princípios do Rio, criado em 1992, sobre as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Este princípio significa que os países ricos devem investir mais no desenvolvimento sustentável por terem degradado mais o meio ambiente durante séculos.

Outra medida aprovada é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e o estabelecimento da erradicação da pobreza como o maior desafio global do Planeta. Para isso, o documento recomenda que “o Sistema da ONU, em cooperação com doadores relevantes e organizações internacionais”, facilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.

Esse sistema atuaria para facilitar o encontro entre países interessados e potenciais parceiros, ceder ferramentas para a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável, fornecer bons exemplos de políticas nessas áreas e informar sobre metodologias para avaliar essas políticas.

Fonte: G1

08:57 · 18.04.2012 / atualizado às 09:03 · 18.04.2012 por

Guiada por satélites, uma escuna francesa da década de 1930 vai partir, no início de maio, ao encontro do “7º continente” – uma gigantesca placa de lixo plástico que flutua no oceano Pacífico, seis vezes maior do que a França.

Chocado com a visão dos detritos no mar, durante a participação numa competição de remo, em 2009, o explorador Patrick Deixonne decidiu realizar esta expedição científica para alertar o mundo sobre a “catástrofe ecológica” em curso, no nordeste do Pacífico.

Segundo suas informações, como a placa de lixo está localizada em águas pouco navegadas, a comunidade internacional ainda não tem em mente a dimensão do problema.

Membro da Sociedade de Exploradores franceses (SEF), que patrocina a aventura, e fundador da Ocean Scientific Logistic (OSL), com sede em Caiena, na Guiana Francesa, Deixonne afirmou, em entrevista à Agência AFP que pretende mostrar o problema ao mundo.

Ex-bombeiro do Centro Espacial de Kourou e conhecedor da floresta guianense, Patrick Deixonne, de 47 anos, define-se como um “explorador de uma nova geração, que deve documentar os grandes problemas ambientais porque a informação é a chave da mudança”.

A missão “7º Continente” sairá no dia 2 de maio de San Diego, nos Estados Unidos, a bordo da L’Elan, uma escuna de dois mastros construída em 1938, para um mês de navegação e um périplo de 2.500 milhas náuticas (4.630 km) entre a Califórnia e o Havaí, onde o oceanógrafo norte-americano Charles Moore descobriu, por acaso, em 1997, esta incrível massa de resíduos plásticos.

Até o momento, à exceção da passagem da missão Tara-Océans pela região, para proteger o plâncton, apenas duas expedições americanas a estudaram, em 2006 e 2009.

O lixo se acumula a ponto de encontrar correntes marítimas fortes que se deslocam sob o efeito da rotação da Terra, segundo o princípio da força de Coriolis, e formam um imenso vórtice denominado “Vortex de Gyre”.

A força centrípeta aspira lentamente o lixo para o centro dessa espiral, que poderá se tornar então uma das maiores do planeta: 22.200 km de circunferência e cerca de 3,4 milhões de km2, segundo o Centro Nacional de Estudos Espaciais (Cnes), que patrocina o projeto.

“Estima-se em várias dezenas de milhões de toneladas a quantidade de detritos nos cinco pontos do globo”, explica Georges Grépin, biólogo e assessor científico da OSL Ocean Scientific Logistic.

Outros cientistas marinhos já encontraram fragmentos de plástico em todas as amostras de água do oceano obtidas na perna inicial da travessia do Projeto 5 Gyres (Giros), o primeiro estudo global sobre poluição marinha por plástico.

São “microdetritos de plástico decomposto em suspensão sobre 30 metros de profundidade. Não é verdadeiramente um continente sobre o qual pode-se caminhar, no sentido próprio”, explicou.

A escuna será guiada por dois satélites da Nasa, Aqua e Terra, para se dirigir aos locais onde a concentração de resíduos é a mais forte, para medir sua densidade.

Um captador, elaborado por alunos de Engenharia, será testado numa boia à deriva. Deverá permitir distinguir na água os plásticos dos plânctons e outras partículas vivas, depois cartografar as zonas poluídas com imagens por satélite, pela primeira vez no mundo.

Também serão soltas, durante o percurso, outras 12 boias de estudos científicos pertencentes à agência norte-americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), ao programa de estudo dos oceanos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e ao projeto Juventude Argonáutica, para permitir a milhares de estudantes no mundo realizar um estudo das correntes marítimas.

Para saber mais sobre a expedição ou acompanhá-la, o site (em francês) é: http://www.septiemecontinent.com

Fonte: AFP

09:18 · 09.03.2012 / atualizado às 09:18 · 09.03.2012 por
Para os cientistas, é preciso que a questão dos oceanos passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20 Foto: SXC.HU

Por Elton Alisson

Agência FAPESP. Os oceanos precisam passar a ganhar mais destaque na agenda de discussões dos fóruns ambientais internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

A reivindicação foi feita por pesquisadores da área de oceanografia durante o workshop preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.

O objetivo do evento foi contribuir para as discussões sobre tópicos que estarão em pauta durante a RIO+20 a partir de pesquisas realizadas no Brasil sobre clima, biodiversidade, meio ambiente e energia, entre outros temas, no âmbito dos programas BIOTA-FAPESP, FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Na avaliação de cientistas presentes no encontro, é preciso que a questão dos oceanos, que tem sido sistematicamente subestimada nas discussões ambientais, passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20.

“Até o momento, os oceanos têm aparecido de maneira secundária na agenda ambiental e na agenda dos países, em parte pela falta de informações sobre eles. A expectativa da comunidade científica é que eles sejam contemplados de forma mais efetiva a partir da RIO+20”, disse José Henrique Muelbert, professor da Universidade Federal do Rio Grande, à Agência FAPESP.

Na opinião do cientista, apesar de os oceanos e ambientes marinhos em geral terem merecido mais de dez parágrafos no documento preparatório da RIO+20 – mais conhecido como Zero Draft –, a agenda de discussões sobre o tema na Conferência ainda está um pouco tímida.

“Existem muitos aspectos relacionados aos oceanos que ficaram de fora da agenda da conferência, e o principal é a questão da observação dos oceanos, principalmente em ambientes costeiros, onde existe uma grande relação entre a ocupação humana e os ambientes oceânicos”, avaliou Muelbert.

De acordo com o pesquisador, um dos poucos itens relacionados aos ambientes marinhos mencionados no Zero Draft diz respeito à necessidade de implantar um sistema de observação para acidificação dos oceanos.

Observado a partir da década de 1990, o fenômeno caracterizado pelo aumento na acidez da água do mar devido ao aumento de CO2 nos oceanos acelera a dissolução do carbonato de cálcio e da aragonita presentes na composição do esqueleto e exoesqueleto de muito organismos que vivem nos oceanos, como mariscos, mexilhões e ostras, que perderão suas capacidades de formar carapaças.

Em função disso, o fenômeno poderá causar o desaparecimento dessas espécies, além de outras muito importantes para os ecossistemas aquáticos, como corais e plânctons, que são fontes de alimentos de peixes e baleias e realizam fotossíntese.

“Alguns estudos recentes demonstraram que alguns oceanos, em especial o Atlântico e o Índico, vão ter uma variabilidade muito grande da taxa de pH”, disse Muelbert.

Segundo Muelbert, além da diminuição da biodiversidade marinha, outros impactos que poderão ser causados pela acidificação dos oceanos serão nas propriedades óticas e na temperatura dos mares.

Com a dissolução das carapaças dos organismos marinhos, provocada pela diminuição do pH da água do mar, os pesquisadores estimam que ocorrerá um aumento significativo da quantidade de carbonato em suspensão. Como consequência desse processo, o fundo dos oceanos poderá se tornar mais escuro e a capacidade de as plantas realizar fotossíntese e crescer nesse ambiente aquático poderá ficar restrita à superfície.

“Isso também poderá ter interferência na transferência de calor entre a coluna d’água dos oceanos e a atmosfera. A presença de mais elementos em suspensão no mar fará com que ele reflita mais luz”, explicou Muelbert.

Carência de informações

Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande, é preciso obter muito mais informações do que as disponíveis hoje para acompanhar e gerenciar os problemas relacionados em parte às mudanças climáticas globais que estão afetando os oceanos.

Segundo Muelbert, é necessário obter mais dados meteorológicos de séries temporais de 20 a 30 anos, por exemplo, que permitam aos pesquisadores da área analisar as modificações que estão ocorrendo nos oceanos a longo prazo.

“Não sabemos praticamente nada sobre o centro dos oceanos. Já em relação às regiões costeiras, onde ocorrem os maiores impactos e são mais fáceis de pesquisar, temos uma boa quantidade de informações, principalmente sobre biodiversidade”, comparou.

Nesse sentido, Muelbert avalia como louvável a iniciativa da FAPESP de financiar a aquisição de um navio oceanográfico que permitirá obter mais dados sobre áreas oceânicas. “O navio possibilitará ao Brasil atuar mais nessas regiões, das quais não dispomos de muitas informações”, afirmou.

10:05 · 02.11.2011 / atualizado às 10:05 · 02.11.2011 por
Muitas pessoas acreditam que, pelas suas dimensões, os oceanos não são afetados pelas ações humanas, mas, assim como o clima, os oceanos já sofrem, principalmente com o despejo de resíduos Foto: sxc.hu

Diversos organismos da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram, na terça-feira passada, plano para melhorar a gestão dos recursos oceânicos e de zonas costeiras, já que 60% dos mais importantes ecossistemas marítimos estão degradados ou mal utilizados.

O plano, apresentado na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), durante a 36ª Conferência Geral, será analisado na durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio+20), em junho do próximo ano.

As quatro organizações responsáveis pelo conteúdo do plano foram a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da Unesco; o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud); a Organização Marítima Internacional (OMI); e a Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Com o plano, será possível criar um mercado mundial do “carbono azul”, ou seja, utilizar o dióxido de carbono (CO2) armazenado nos oceanos para obter benefícios econômicos diretos.

O relatório também reforça a disposição da ONU sobre o Direito do Mar, a fim de solucionar lacunas de governança relativa ao alto-mar, reformando e reforçando as organizações regionais de gestão dos recursos oceânicos.

Os autores do relatório destacam que, embora os oceanos cubram 70% do Planeta, apenas 1% da superfície está protegida, e lamentam que nos últimos 50 anos a extensão dos recifes de coral tenha diminuído 20%, resultado direto da vulnerabilidade nas zonas litorâneas densamente povoadas.

Os responsáveis pelo plano convidam as autoridades a reforçarem suas capacidades institucionais para a observação científica dos oceanos e das áreas litorâneas, para promover a pesca e a exploração responsável, além de apoiar a economia verde nos países menos desenvolvidos.

Além disso, o plano busca fomentar a pesquisa sobre a “acidificação” dos oceanos, já que este fator representa uma ameaça para algumas variedades de plâncton, ou seja, para a cadeia alimentícia marinha e para as atividades socioeconômicas que de dependem.

As quatro organizações também pretendem fortalecer os marcos jurídicos para tratar a questão da extinção das espécies aquáticas, além de reforçar a eficiência do sistema da ONU em suas atividades relacionadas aos oceanos.

Embora alguns dos alertas não sejam novidades, o plano mostra que a situação está se agravando com influência de outros fatores, como as mudanças climáticas, a intensificação das atividades humanas e os avanços tecnológicos.

As organizações insistem que, embora a comunidade internacional tenha concordado em tratar esses problemas com a criação das cúpulas do Rio de Janeiro (1992) e Johanesburgo (2002), os compromissos firmados nesses encontros continuam sem serem cumpridos e os objetivos, sem serem alcançados.

07:30 · 25.03.2011 / atualizado às 17:37 · 24.03.2011 por

 

Manguezais da Ilha de Madagascar Foto: Keith A. Ellenbogen/iLCP

Ação urgente é necessária para desacelerar as emissões de carbono causadas pela destruição e degradação dos ecossistemas marinhos, que armazenam até 50 vezes mais carbono do que florestas

24 de março de 2011 (Arlington, EUA/Gland, Suíça/Paris, França) – A destruição dos ecossistemas costeiros, como manguezais, brejos e terrenos alagadiços à beira-mar, que armazenam grande quantidade de carbono, está liberando grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) no oceano e na atmosfera, de acordo com o Grupo de Trabalho Internacional para Carbono Azul Costeiro.

O grupo, formado por 32 cientistas de 11 países, revelou, em reunião em Paris, que o conhecimento existente sobre estoques de carbono e emissões causadas pela degradação ou conversão de ecossistemas costeiros é “suficiente para justificar ações imediatas de melhoria do manejo desses ecossistemas”.

O Grupo de Trabalho foi criado como um passo inicial no avanço das metas científicas, políticas e de manejo da Iniciativa Carbono Azul, cujos membros fundadores incluem a Conservação Internacional (CI), a União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês), e a Comissão Intergovernamental Oceanográfica (IOC) da UNESCO.

Apelidado de “carbono azul” por sua habilidade de sequestrar e armazenar grandes quantidades de carbono, tanto nas plantas quanto nas camadas mais profundas do solo, esses ecossistemas marinhos podem conter até cinco vezes mais carbono do que em florestas tropicais. Em algumas áreas eles contêm até 50 vezes mais carbono do que em algumas áreas de florestas.

“Há algum tempo já sabemos da importância dos ecossistemas costeiros para a pescaria e a proteção contra tempestades e tsunamis. Agora estamos vendo que, se destruídos ou degradados, esses ecossistemas costeiros se tornam grandes emissores de CO2, e essa emissão é feita de forma lenta, por muitos anos. Em outras palavras, é como uma hemorragia longa e lenta, difícil de estancar. Então, precisamos urgentemente interromper a perda desses ecossistemas ricos em estoque de carbono para desacelerar as mudanças climáticas”, afirma a Emily Pidgeon, diretora do Programa Marinho de Mudanças Climáticas da Conservação Internacional.

A drenagem de terrenos alagadiços à beira-mar, como manguezais e brejos, libera um quarto de milhão de toneladas de CO2 por quilômetro quadrado para cada metro de solo que é perdido. Dados globais mostram que brejos e manguezais estão sendo degradados ao longo das regiões litorâneas de todo o mundo a um ritmo acelerado.

Entre 1980 e 2005, 35 mil quilômetros quadrados de manguezais foram destruídos globalmente – uma área do tamanho da Bélgica. Essa área ainda continua a liberar até 0.175 giga-toneladas de CO2 a cada ano – equivalente às emissões anuais de países como a Holanda ou a Venezuela.

“Estudos científicos têm demonstrado que, apesar de alguns manguezais, terrenos alagadiços e brejos representarem menos de 1% da biomassa total das plantas em terra e em florestas, neles circulam quase a mesma quantidade de carbono que os 99% restantes. Dessa forma, o declínio desses ecossistemas tão eficientes em estocar carbono é uma causa válida de preocupação”, alerta Wendy Watson-Wright, diretor da IOC.

No decorrer de três dias de reuniões em Paris, cientistas apresentaram as prioridades e recomendações para ações imediatas, que incluem:

Intensificação nas pesquisas nacionais e internacionais: tais como desenvolvimento de metodologias de inventário e contabilidade para carbono costeiro; realização de inventários de carbono; realização de pesquisa e monitoração para quantificar com mais precisão as emissões de gases de efeito estufa causados pela perda de ecossistemas costeiros; e o estabelecimento de rede de demonstrações em campo para aumentar a capacitação e colaboração de comunidades.

Melhoria do manejo local e regional: tais como identificar e reduzir as principais causas da degradação de sistemas costeiros ricos em carbono – entre elas o desenvolvimento urbano, a agricultura, a aquicultura, a poluição, a drenagem e a introdução de construções artificiais –, o reforço das políticas de proteção de sistemas costeiros ricos em carbono e a restauração de sistemas perdidos/degradados.

Maior reconhecimento internacional dos ecossistemas costeiros ricos em carbono: por meio de entidades internacionais estabelecidas tais como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Os cientistas enfatizaram que a melhoria no manejo de ecossistemas costeiros não visa a se tornar um bloqueio para o desenvolvimento dos países, e sim uma estratégia para priorizar a conservação de zonas costeiras específicas, únicas, de alto potencial para estocar CO2. Eles recomendam que os tomadores de decisão reconheçam mais os serviços vitais que essas áreas oferecem à humanidade e priorizem sua proteção.

“A capacidade das zonas costeiras de reduzir a mudança climática ao capturar e armazenar CO2 é considerável, mas tem sido ignorada”, declara Jerker Tamelander, gerente de Oceanos e de Mudança Climática da IUCN. “Se valorizados e geridos adequadamente, os ecossistemas costeiros podem ajudar muitos países a cumprir com suas metas de mitigação ao mesmo tempo em que ajudam com a adaptação em áreas costeiras vulneráveis.”

O grupo de trabalho se reunirá novamente em agosto e continuará seu estudo científico colaborativo. A Fundação Waterloo, a NASA e o Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma) financiaram os trabalhos do grupo.

Fonte: Conservação Internacional Brasil