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Categoria: Planeta


10:00 · 03.07.2017 / atualizado às 22:36 · 02.07.2017 por

Por Vanda Claudino Sales*

Normalmente, pensamos a Terra como sendo uma esfera ou elipsóide quase perfeita. No entanto, o Planeta  é muito movimentado e irregular. A sua topografia, representada pelas elevações e depressões criadas pelas montanhas, vales, áreas rebaixadas, planícies e planaltos, é responsável por essas inúmeras  irregularidades.

A força da gravidade tem intensidade alterada, de acordo com a topografia da Terra. Isso acontece em decorrência do princípio físico universal que define que a gravidade é sempre maior onde existe mais massa acumulada, e sempre menor onde ocorre déficit de massa.

As áreas de montanhas representam segmentos nos quais a crosta terrestre é mais espessa. Ao contrário, as áreas deprimidas são aquelas nas quais a crosta terrestre é mais fina.  As montanhas, em outras palavras, têm  mais massa que as depressões,  e assim a gravidade é mais elevada nos limites das montanhas do que no contato com áreas deprimidas.

Geóide é o nome que se dá à forma que a superfície da Terra (com oceanos) apresenta sob a influência da forca da gravidade. Corresponde à verdadeira forma física da Terra, em contraste com a forma geométrica idealizada de esfera ou elipsóide.

A superfície do geóide acompanha, de certa forma, a da topografia da Terra, embora com diferentes grandezas. Ela é mais elevada do que a esfera  idealizada quando existe mais massa, e mais rebaixada quando tem déficit de massa. Essa situação é explicitada na figura acima, que corresponde a um modelo físico elaborado pela Nasa para ilustrar o geóide e as deformações da Terra.

O geóide, em outras palavras, é um mapa do campo de gravidade da Terra. Trata-se de um modelagem física na qual, de maneira bastante simplificada,  a gravidade é tomada ao nível zero do mar e estendida para toda a superfície do Planeta.

Onde ocorrem anomalias (isto e, locais com mais ou menos massa em relação ao nível zero inicial), a linha horizontal sobe ou desce, ilustrando as irregularidades que a Terra apresenta. O geóide, assim, demonstra que a Terra tem formato mais próximo de uma batata do que de um elipsoide ou esfera!

No geóide, a superfície dos oceanos também apresenta “topografia”. Isso porque a água dos oceanos muda de densidade de um lugar para outro, em função das diferenças de salinidade e de temperatura – e quanto mais denso um corpo, maior a gravidade.

Além disso, o movimento de rotação da Terra cria deslocamentos constantes da massa d’água, gerando maiores densidades (maior gravidade) em locais diversos das bacias oceânicas. Mas, como o geóide mede a gravidade e não a real topografia, na realidade não encontramos estes  desníveis quando realizamos um cruzeiro.

Nesse modelo, que é exagerado para realçar as diferenças, o vermelho representa as áreas mais elevadas e/ou mais densas (mais massa), a azul as áreas mais deprimidas e/ou menos densas (menos massa), e o amarelo e verde as áreas com altitudes (e massas) intermediárias.

Pode-se perceber o vermelho mais intenso no Atlântico Norte e Europa, áreas de maior densidade e espessura de rochas em funcão de dobramentos antigos e da presença de aguas gélidas,  e o azul na bacia oceânia abissal e áreas de menor densidade no Oceano Índico.

Avanços no mapeamento detalhado da gravidade na superfície da Terra vem crescendo muito nos últimos anos, e hoje já existe um mapa de geóide bem detalhado, com precisão altimétrica elevada. Essa técnica propicia informação preciosa para muitos campos científicos como Oceanografia, Hidrologia, Geologia, Cartografia, Geografia e disciplinas correlatas.

Sobretudo, as análises constantes do geóide e de suas alterações mensais – o que já é feito por satélites – mostram-se como importante instrumento para trabalhar com os efeitos do aquecimento global, pois permite medir mudanças nas calotas de gelo, entender o deslocamento e a temperatura de correntes oceânicas (fundamentais para o clima), compreender  as forças que criam o “El Niño” e “La Niña” e analisar o processos de mudanças do nível do mar resultantes de aumento da temperatura e da massa de água oceânica.

Além disso, permitirá a compreensão das ação das forças internas que movem placas tectônicas e resultam em terremotos e atividades vulcânicas, fornecendo assim indícios sobre os mecanismos que produzem a dinâmica natural do Planeta. Só existem coisas positivas em relação ao geóide!

*Geógrafa

Professora-doutora do Mestrado em Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

E-mail: vcs@ufc.br

11:26 · 31.01.2012 / atualizado às 11:26 · 31.01.2012 por
Documento elaborado por especialistas da ONU afirma que capacidade dos recursos naturais da Terra já está se excedendo Foto: Agência Reuters (NASA)

Um grupo especialistas e políticos de alto nível formado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou nesta segunda-feira (30 de janeiro) a urgência de adotar novas vias de desenvolvimento para salvar o mundo de uma crise econômica até mais grave que a vivida atualmente e para assegurar sua sustentabilidade.

O Painel sobre Sustentabilidade Global, formado por 22 membros e que foi estabelecido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em agosto de 2010, apresentou seu primeiro relatório, que contém 56 recomendações para realizar uma mudança no modelo econômico atual.

O documento pretende ser uma das principais ferramentas de trabalho na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho.

Nova economia

Com o título “Pessoas resilientes, planeta resiliente: um futuro que vale escolher”, o relatório aponta um roteiro que ajudará aos governos, o setor privado e outros atores a atingir o desenvolvimento sustentável.

Além disso, ressalta a importância de outorgar mais poder à mulher e assegurar que ela desempenhe um papel importante para alcançar um sistema sustentável.

O texto sugere um novo desenho da economia mundial e apresenta um maior comprometimento com o equilíbrio sustentável da Terra. Segundo o documento, antes de 2030, o mundo deveria dobrar sua produtividade, porém, reduzindo o consumo de recursos naturais.

O relatório afirma ainda que, apesar de já estarmos excedendo a capacidade da Terra, vamos precisar de 50% a mais de comida, 45% de energia e 30% de água já no ano de 2030. Para isso, os governos deveriam implementar políticas fiscais de estímulo das energias renováveis e suprimir os subsídios às energias fósseis, entre outras medidas.

Outro ponto abordado é que o número de pessoas vivendo na pobreza está em queda, mas o número de famintos tem crescido. O documento comenta ainda que a desigualdade na distribuição dos serviços de saúde está crescendo e que o acesso à água potável vem aumentando, mas 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico

“Trata-se de uma proposta concreta e com visão de futuro para conseguir um desenvolvimento sustentável”, afirmou o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, co-presidente do painel, durante a apresentação do documento no Centro de Convenções da ONU em Adis-Abeba. “Os modelos econômicos do passado perderam fôlego e esgotou o tempo para deles”, acrescentou Zuma.

“Tanto a ciência como a economia nos dizem que as vias atuais são insustentáveis” disse Ban Ki-moon, presente durante o ato de apresentação do documento elaborado pelo Painel.

Divisão

Além de apresentar suas recomendações, o Painel pediu à ONU que forme vários organismos novos que atendam às necessidades de futuras vias de desenvolvimento, entre eles uma força conjunta que desenhe um plano para o período posterior a 2015, quando chegam ao fim os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O Painel pede a instauração de novos indicadores do desenvolvimento, além do Produto Interno Bruto (PIB), e sugere que sejam utilizados fundos públicos para impulsionar o setor privado em direção a uma economia sustentável.

Fonte: Globo Natureza