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Categoria: Polinização


10:30 · 06.03.2017 / atualizado às 19:35 · 05.03.2017 por
Das 141 espécies de plantas cultivadas no País para alimentação, produção animal, biodiesel e fibras, aproximadamente 60% dependem da polinização animal, aponta a Embrapa Foto: Eduardo Queiroz / Agência Diário

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou Instrução Normativa que estabelece diretrizes, requisitos e procedimentos para a avaliação dos riscos de ingredientes ativos de agrotóxicos para insetos polinizadores.

A norma, destinada a produtos ainda não registrados no País ou em reavaliação, é a primeira a estipular critérios de decisão com base no risco, ou seja, na probabilidade de uma espécie ser afetada pela exposição a agrotóxicos. O objetivo é oferecer mais proteção a abelhas e outros polinizadores.

Das 141 espécies de plantas cultivadas no País para alimentação, produção animal, biodiesel e fibras, aproximadamente 60% dependem da polinização animal, aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A preocupação com o declínio das populações de abelhas e outros insetos é crescente em todo o mundo, o que levou governos e organizações a investigar sistematicamente o problema e suas causas.

A Instrução Normativa N° 02/2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 10 de fevereiro de 2017, condiciona registros de agrotóxicos à apresentação de informações que permitam o uso adequado desses produtos, sem efeitos que comprometam a sobrevivência, a reprodução e o desenvolvimento das abelhas.

Desde 2012 o Ibama realiza estudos para estabelecer uma metodologia de avaliação de riscos resultantes do uso de agrotóxicos para insetos polinizadores, levando em consideração as particularidades da agricultura brasileira.

Avaliação ambiental

A avaliação ambiental de agrotóxicos conduzida pelo Ibama compreende: a avaliação do Potencial de Periculosidade Ambiental (PPA) e a Avaliação de Risco Ambiental (ARA).

A primeira leva em consideração a toxicidade dos agrotóxicos e seu comportamento em ambientes diversos. A segunda, além da toxicidade, considera a exposição dos organismos aos agrotóxicos, o que inclui o modo e a época de aplicação, as doses, a cultura e o clima, entre outros fatores.

Embora específica para insetos polinizadores, a nova norma também regulamenta as bases para o procedimento de avaliação de risco ambiental para registro de agrotóxicos, que será estendido a outros organismos e ecossistemas.

Consulta pública

Um primeiro esboço da Instrução Normativa foi submetido a Consulta Pública no site do Ibama em 31 de maio de 2016, com prazo de 30 dias, prorrogado até 19 de julho.

Participaram representantes de instituições de ensino e pesquisa, órgãos governamentais, entidades  representativas do setor apícola, entidades e empresas do setor regulado, apicultores meliponicultores.

Entre os participantes da consulta, 52% se declararam “fortemente favoráveis” à proposta de norma em discussão e 27%, “favoráveis”. As contribuições oferecidas foram analisadas e parte delas foi incorporada ao texto final da Instrução Normativa.

Mais informações:
Instrução Normativa n° 02/2017
Consolidação das contribuições recebidas em consulta pública

10:58 · 04.03.2013 / atualizado às 10:58 · 04.03.2013 por
Abelhas nativas, morcegos e outros animais podem ajudar na agricultura Foto: SXC.HU

Um estudo realizado por mais de 50 cientistas de diversos países, publicado pela revista “Science”, afirma que animais silvestres são, em várias situações, polinizadores mais eficientes do que as abelhas comuns (Apis mellifera), muito utilizadas para polinizar culturas agrícolas.

Morcegos, beija-flores, besouros e abelhas de espécies diversas, não só da espécie Apis mellifera, são capazes de polinizar vários tipos de plantas. No caso de culturas agrícolas, a polinização por animais silvestres fez aumentar a frutificação em até duas vezes, ressalta Juliana Hipólito, pesquisadora de Ecologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das autoras do estudo, publicado na última quinta-feira (28 de fevereiro).

“Isso está relacionado à qualidade da deposição do pólen. Os polinizadores nativos demonstraram maior eficiência nesse quesito em certas culturas agrícolas”, diz a pesquisadora. Em todos os cultivos em que animais nativos fizeram a polinização, independente da presença da Apis mellifera, houve ganho na reprodução, afirma ela.

Sem competição

Juliana aponta que, no início do estudo, os pesquisadores imaginaram que haveria competição entre as abelhas comuns e animais polinizadores nativos, caso ambos convivessem na mesma área. A situação praticamente não ocorreu.

“Basicamente não há relações fortes de competição como a gente achava que haveria. Constatamos que polinizadores nativos, como vespas, podem ajudar na agricultura”, diz a pesquisadora. “A Apis mellifera pode ter papel complementar ao dos animais silvestres (na polinização)”.

Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e também autor do estudo, Breno Magalhães Freitas informa que foram estudadas cerca de 600 áreas agrícolas (como fazendas) em todos os continentes do mundo, exceto na Antártica.

“A prática atual da agricultura é não se preocupar com os polinizadores silvestres”, afirma. Segundo ele, quando os animais nativos são eliminados de uma área agrícola, “o produtor tende a pensar: ‘eu posso colocar colmeias de abelhas para polinizar’”, mas isso está longe de aumentar a eficiência na agricultura.

“O trabalho mostra que as abelhas comuns polinizam, mas não são muito eficientes. Os polinizadores (abelhas e outros animais) não são excludentes”, pondera o pesquisador.

A maioria dos animais polinizadores são abelhas de diversas espécies – elas representam de 70% a 80% dos seres com esta função, segundo Freitas. “Não quer dizer que uma espécie é melhor do que a outra. Elas são complementares”.

Especialistas

Os animais silvestres tendem a ser mais eficientes na polinização porque são “especialistas” em certos tipos de planta, afirma o pesquisador. “Eles atingem um grupo menor, e com isso conseguem ser eficientes naquela planta que visitam”, ressalta.

Já as abelhas comuns, também chamadas de abelhas europeias, polinizam vários tipos de plantas. “Elas não são especialistas, fazem uma polinização básica, mais geral”, diz Freitas.

Exemplos de animais polinizadores nativos do Brasil são abelhas mamangavas, essenciais para a reprodução do maracujá. Já o caju pode ser polinizado tanto por abelhas centris, um tipo nativo, quanto pela Apis mellifera. “Elas se complementam”, afirma o professor da UFC.

Orientações para os produtores rurais são evitar o desmatamento ao redor de suas propriedades, para garantir o habitat natural dos animais silvestres que podem ser polinizadores. Também é importante usar menos agrotóxicos, afirma o professor.

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo