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Categoria: Seca


10:30 · 06.02.2017 / atualizado às 12:05 · 10.02.2017 por

 

 

Evolução da seca no Semiárido entre 2011 e 2016

Por
Catarina Buriti, jornalista
Humberto Barbosa, meteorologista

Em 1930, Rachel de Queiroz estreava na literatura brasileira com o romance “O Quinze”. Uma contundente crítica social, a obra abordava a severa seca ocorrida no Nordeste do Brasil, mais precisamente no município de Quixadá (CE), em 1915. Apresentava as consequências devastadoras do silencioso desastre sobre pequenos produtores rurais, como migração, fome, sede, morte, falta de trabalho, entre outras. O romance também relatou o drama de personagens nos tenebrosos campos de concentração, espaços construídos pelo governo nos arredores das grandes cidades, incluindo da capital Fortaleza, para alojar “retirantes” ou “flagelados” que fugiam da seca e impedir que perturbassem os espaços urbanos.

A seca de 1915 ocorreu pouco depois da criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), em 1909, quando a seca passou a ser tratada como uma questão de Estado. Com a IOCS, buscou-se conhecer cientificamente a região, investiu-se na “política hidráulica”, baseada na construção de grandes reservatórios para armazenamento de água. Embora um passo importante para consolidar uma infraestrutura hídrica ainda inexistente na região, a construção dessas represas não beneficiou a população pobre que mais necessitava acessar políticas públicas para atravessar a seca. Grupos de poder econômico do Nordeste, como grandes latifundiários e fazendeiros influentes no cenário político regional, durante décadas, foram os maiores beneficiários dessas políticas.

Concentravam-se terra, água e poder na região, enquanto a maioria das pessoas continuava necessitando de socorros públicos para resistir aos impactos da seca. Nos momentos de crise, a ênfase do governo brasileiro recaía sobre políticas emergenciais, tardias, centralizadas, não planejadas e insuficientes. Desde 1915, o semiárido brasileiro enfrentou diversos eventos climáticos considerados de impacto severo ou extremo (1919, 1932, 1942, 1980, 1983, 1990, 1993, 1998, 2012 e 2016). Há muito a ocorrência do fenômeno é previsível pela ciência. Porém, em pleno alvorecer do século XXI, a população do Semiárido, especialmente agricultores familiares que dependiam das chuvas para manter seus sistemas de subsistência, ainda dependiam de ajuda pública para enfrentar a seca.

A paisagem de morte e de desolação representada no romance de Rachel de Queiroz, todavia, já não caracteriza a sociedade do Semiárido nos períodos secos. Nos tempos de “O Quinze”, pela falta de preparo mínimo para enfrentar a seca, perdia-se a dignidade humana e, em muitos casos, a vida de homens, mulheres, crianças e animais, grassados pela fome, a sede e as epidemias decorrentes da seca.

Mas o que mudou nas políticas públicas para o semiárido brasileiro? Nas últimas décadas, políticas sociais de distribuição de renda, embora insuficientes para provocar mudanças estruturais na região, têm contribuído para mitigar os impactos da seca. Além disso, políticas governamentais, fundamentadas na implantação de tecnologias sociais para abastecimento de água, têm provocado impactos positivos na agricultura familiar, contribuindo para a segurança hídrica e alimentar da população.

Hoje, agricultores familiares do Semiárido têm sido mais resilientes para conviver com a seca. A participação da sociedade civil na gestão de políticas públicas, com destaque para o papel da rede de organizações Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), tem contribuído para oferecer capacitação aos agricultores familiares, assegurando maior autonomia para enfrentar os períodos de seca. Políticas públicas do Estado brasileiro, com apoio dessas organizações civis, a exemplo do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), têm propiciado impactos positivos à agricultura familiar. Infelizmente, os animais ainda têm sido as maiores vítimas da escassez de água e alimentos durante esses eventos.

Em um século de secas, houve a consolidação de importantes pesquisas científicas sobre a região, que podem subsidiar a tomada de decisão sobre políticas públicas de gestão das secas. Além disso, os sistemas de alerta precoce sobre secas são cada dia mais precisos. Tecnologias de sensoriamento remoto, por exemplo, têm permitido o estudo em larga escala dos impactos das secas sobre a vegetação, os solos e a agricultura familiar.

Esses mecanismos tecnológicos têm permitido, por exemplo, a avaliação dos atuais impactos de seis anos de seca na região. Um século depois de “O Quinze”, vive-se a pior seca já registrada pela ciência no Semiárido brasileiro (2010-2016). Todavia, os governos parecem não ter atentado para a severidade do atual problema. Nesse período, não se assistiu a nenhum tipo de mobilização política sistemática e inovadora para mitigar os impactos desse evento climático. Dispomos de uma legislação bastante avançada para a gestão das águas, a exemplo da Lei das Águas que acaba de completar 20 anos. No entanto, limitações institucionais, infraestruturais, técnicas, financeiras, de pessoal, ainda fazem com que as agências governamentais atuem apenas no plano emergencial e na resolução de impactos imediatos.

Organismos federais, como o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e a Agência Nacional de Águas (ANA), têm o potencial de contribuir, respectivamente, com pesquisas científicas alternativas para o suprimento de água no Semiárido e para fortalecer os sistemas de gerenciamento. Universidades têm exercido um papel importante na formação de recursos humanos na região. No entanto, necessitam-se de incentivos estatais para a sistematização de dados, informações, mecanismos e ferramentas que auxiliem na gestão das secas, capazes de atender, de forma ampla e abrangente, as demandas por políticas públicas efetivas na região. A falta de planejamento na gestão das águas tem sido a principal causa que impede o desenvolvimento do Semiárido.

Atualmente, o desastre da seca ainda coloca grande parte dos municípios do Semiárido brasileiro em situação de emergência, em decorrência da falência na manutenção das atividades agropastoris em pequena escala, base da economia regional. Necessita-se de vontade política para diminuir a vulnerabilidade da população do Semiárido frente a esses eventos climáticos extremos. Isso requer o planejamento integrado de ações que fortaleçam a agricultura familiar, tornem tecnologias e conhecimentos técnicos acessíveis para que os produtores rurais possam se preparar para os períodos de seca. Também é imprescindível que disponham de recursos produtivos, como água, terra e crédito para garantirem a continuidade da produção. Essas estratégias são fundamentais para promover a adaptação dos agricultores familiares à seca e às mudanças climáticas previstas para futuro breve.

Sugestão de leitura:
PAREDES, F. J.; BARBOSA, H. A.; GUEVARA, E. Spatial and temporal analysis of droughts in northeastern Brazil. Agriscientia, v. 32, n. 1. 2015. p. 1-14.

21:24 · 24.05.2016 / atualizado às 21:24 · 24.05.2016 por

Até 31 de maio estão abertas inscrições para a premiação que destaca contribuições para o manejo sustentável da terra Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
Até 31 de maio  estão abertas inscrições para a premiação que destaca contribuições para o manejo sustentável da terra Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O programa Dryland Champions, promovido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), receberá, até 31 de maio, inscrições de projetos que contribuem para o manejo sustentável de solos nas áreas suscetíveis à desertificação no Brasil. Os interessados devem enviar o formulário de inscrição para o endereço drylandchampionsbrasil@gmail.com.

Podem se inscrever grupo de jovens e escolas, indivíduos (adultos, jovens ou crianças), agricultores, empresas, organizações não governamentais (ONGs), associações comunitárias e municípios. Os contemplados receberão os certificados em evento promovido pelo MMA durante as comemorações pelo Dia Mundial de Combate à Desertificação, em 17 de junho de 2016.

Neste ano, sob o slogan “Proteger a Terra. Restaurar os Solos. Envolver as pessoas”, a UNCCD comemora o Dia Mundial de Combate à Desertificação defendendo a importância da cooperação inclusiva para restaurar e recuperar terras degradadas e contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Programa Dryland Champions é destinado a homenagear as atividades das pessoas e/ou organizações e empresas que fazem uma contribuição prática ao Manejo Sustentável de Terras. Sob o lema Dryland Champions – “Eu sou parte da solução”, a iniciativa centra-se em primeiro lugar, sobre as pessoas, o seu empenho e esforços para melhorar as condições de vida das populações e as condições dos ecossistemas afetados pela desertificação e a seca.

A premiação reconhece um amplo leque de atividades de manejo sustentável da terra. Todas as ações, atividades, iniciativas e projetos que introduzam, facilitem, promovam ou implementem práticas e políticas em nível local ou nacional relacionados ao manejo sustentável da terra podem ser inscritas.

Para consultar o Edital e se inscrever, clique aqui

Fonte: MMA

22:04 · 24.03.2016 / atualizado às 22:28 · 24.03.2016 por
Um dos efeitos esperados com o Aquecimento Global é o aumento de eventos extremos, como as secas Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário
A ferramenta, apresentada no Dia Mundial da Água 2016, visa acompanhar o fenômeno da seca do Semiárido brasileiro Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário

Agência Nacional de Águas (ANA), Ministério da Integração Nacional (MI), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e governos do Nordeste lançaram, nesta semana, o Monitor de Secas do Nordeste do Brasil, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Água. A ferramenta traz mapa elaborado com a colaboração de técnicos locais que enfrentam a seca no dia a dia.

O Monitor de Secas é um instrumento que mostra a magnitude da seca no Nordeste e seus impactos. O principal produto é um mapa mensal que acompanha a situação da seca, disponibilizando as informações de forma ilustrativa, depois de validadas por técnicos locais que vivenciam a seca em seu cotidiano.

O mapa leva em consideração dados de monitoramento e os impactos concretos no abastecimento, agricultura e pecuária, dentre outras áreas, para apresentar o retrato mais recente e fiel possível da seca de maneira periódica.

Trata-se de uma ferramenta importante, que estará disponível nas páginas das instituições parceiras, para dar apoio aos tomadores de decisão do setor público e privado, contribuindo para a melhor gestão de secas e para o planejamento coordenado e proativo de ações de preparação e de resposta.

O mapa do Monitor de Secas passa a ser publicado mensalmente na página monitordesecas.ana.gov.br, junto com a descrição do processo de elaboração, incluindo indicadores e evidências. É possível visualizar a progressão da situação da seca em cinco categorias: excepcional, extrema, grave, moderada e fraca. O mapa também identifica e delimita as áreas de impactos de curto e longo prazo.

O Brasil tem um longo histórico de secas, principalmente no Semiárido. A seca extrema que atinge a região desde 2012 vem estimulando ainda mais esforços para melhorar a gestão e adotar medidas permanentes de monitoramento e de preparação.

Por isso, o governo federal, junto com agências de água, clima e meio ambiente e órgãos de governos estaduais e federais que atuam nos nove Estados do Nordeste, empenharam-se na construção e implementação de uma ferramenta inspirada em metodologias já consolidadas e adaptada à realidade brasileira.

A iniciativa contou com o apoio do Banco Mundial no desenho e implementação experimental da ferramenta e de parceiros internacionais como o National Drought Mitigation Center (Centro Nacional de Mitigação de Secas), dos Estados Unidos e a Comisión Nacional del Água do México (Conagua).

Para saber mais assista ao vídeo na página do monitor de secas ou no canal da ANA no youtube.

O Lançamento do Monitor de Secas do Nordeste do Brasil foi no âmbito do “Seminário sobre a crise hídrica e a segurança de barragens no Brasil”, evento em comemoração ao Dia Mundial da Água 2016, promovido pela ANA e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O evento fez outros lançamentos importantes, como o Mestrado Profissional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, uma parceria entre a ANA e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com coordenação da Universidade Estadual Paulista (Unesp); o novo portal do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) e relatórios das Nações Unidas e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre Água e Saneamento.

Página do Monitor de Seca: monitordesecas.ana.gov.br

Fonte: ANA

16:01 · 12.03.2016 / atualizado às 16:10 · 12.03.2016 por
Governo institui Câmara destinada a elaborar proposta de regulamentação das ações para reduzir os efeitos da seca Foto: Cid Barbosa
Além de frear a desertificação, novo grupo deve elaborar proposta de regulamentação das ações para reduzir os efeitos da seca Foto: Cid Barbosa

 

Foi publicada na última quinta-feira (10), no Diário Oficial da União (DOU), resolução da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD) instituindo a Câmara Técnica Temporária de Regulamentação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. A Câmara tem a finalidade de elaborar as minutas dos decretos de regulamentação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/ 2015).

Instituída em junho de 2015, a Política irá promover ações de uso dos recursos naturais e iniciativas produtivas sustentáveis nas áreas suscetíveis à desertificação para evitar a degradação do solo.

Composição

A Câmara é composta por dois representantes de instituições públicas federais, dois de Estados com áreas suscetíveis à desertificação, dois representantes da sociedade civil e um representante da Secretaria-Executiva da CNCD, além de especialistas da área jurídica que serão convidados a contribuir na elaboração dos documentos. O prazo de funcionamento é até dezembro de 2016.

Para o diretor de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e secretário-executivo da CNCD, Francisco Campello, para evitar a desertificação, são fundamentais a implantação de boas práticas de convivência sustentável que possibilitem a conservação de solo nas atividades agropecuárias; o uso correto dos recursos florestais; maior eficiência nos sistemas produtivos que promovam a segurança hídrica, alimentar, energética e que conservem as paisagens.

Ações

O MMA vem adotando a estratégia de combate dos principais vetores do processo de desertificação, fomentando iniciativas estruturantes para uma convivência sustentável com a semiaridez. Assim, é possível promover segurança hídrica, alimentar, energética e a conservação da paisagem com o uso de tecnologias sociais e de baixo custo adaptadas ao clima das Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). As áreas suscetíveis à desertificação (ASD) envolvem 11 Estados, têm uma área de 1.340.000 km² e uma população aproximada de 35 milhões de habitantes.

CNCD

A CNCD foi criada por meio de Decreto Presidencial de 21 de julho de 2008, e é presidida pelo MMA. É composta por 44 representantes de setores da sociedade civil e dos governos federal, estaduais e municipais e do setor produtivo relacionados com o tema.

Entre outras finalidades, cabe à CNCD deliberar sobre a implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação, em articulação com as demais políticas setoriais, programas, projetos e atividades governamentais de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca; orientar, acompanhar e avaliar a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD); e promover a integração das estratégias de erradicação da pobreza nos esforços de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca.

Fonte: MMA

13:08 · 10.07.2014 / atualizado às 13:08 · 10.07.2014 por
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE

Alunos do campus Juazeiro do Norte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)  apresentarão o projeto “Água Renovada” em feira de ciência e tecnologia que ocorrerá em Medellín, na Colômbia, de 14 a 18 de julho. O projeto consiste na construção de um destilador rústico, de baixo custo, que purifica a água.

O sistema foi desenvolvido pelos estudantes do ensino médio Larissa Brenda, Júnior Nicácio e Laleska de Oliveira, sob a orientação de Ricardo Fonseca. “Para um Estado como o nosso, que enfrenta períodos de seca, a relevância é muito grande”, afirma Ricardo.

Segundo Larissa, o projeto é resultado de uma preocupação com a seca e a vontade de fazer algo pelas pessoas que sofrem com a falta de água. “A seca já chegou a atingir mais de 90% dos municípios cearenses. Em algumas cidades, o litro de água chegou a custar mais que um litro de gasolina. Encontramos uma forma de amenizar a situação sem gastar muito”, acrescenta.

Fonte: IFCE

13:14 · 22.01.2014 / atualizado às 13:19 · 22.01.2014 por
Com a perspectiva de a seca se prolongar por mais um ano, é preciso mais que fé e determinação para que o sertanejo continue em sua terra Foto: Agência Diário / José Leomar
Com a perspectiva de a seca se prolongar por mais um ano, é preciso mais que fé e determinação para que o sertanejo continue em sua terra Foto: Agência Diário / José Leomar

O Fórum Econômico Mundial (FEM) publicou, no fim da semana passada, a nona edição do relatório Riscos Globais 2014 (Global Risks 2014), que aponta quais são os riscos mais prováveis que o mundo enfrentará nos próximos meses. Entre os problemas mais destacados figuram as mudanças climáticas e os extremos meteorológicos.

Um estudo divulgado pela Nasa, ontem, aponta que o ano de 2013 foi o sétimo mais quente desde que a temperatura começou a ser medida sistematicamente, em 1880. Segundo a agência norte-americana, em 2013 foi mantida a tendência de longo prazo de um aquecimento global das temperaturas. Os anos mais quentes registrados são 2010 e 2005. Dos 10 anos mais quentes da história, nove ocorreram desde 2000, sendo 1998 a exceção.

O trabalho, realizado no Instituto Goddard de Estudos Espaciais da agência espacial americana, mostra que a temperatura média global do ano passado foi de 14,6ºC, 0,6ºC acima da média do século XX. Além disso, há 38 anos, em nenhum deles a temperatura média se situou abaixo dessa média de 14,6ºC.

El Niño

Um outro estudo, conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores, ligados a instituições como a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade da Austrália (CSIRO) e o Centro de Excelência para Ciência do Sistema Climático (CoECSS), publicado nesta semana no periódico Nature Climate Change, afirma que o aquecimento das temperaturas médias do Planeta acarretará em uma maior ocorrência do El Niño (aquecimento anormal nas águas do Oceano Pacífico) em sua forma mais intensa, resultando em mais eventos climáticos extremos em diversas partes do globo. Segundo Agus Santoso, do CoECSS, atualmente temos um forte El Niño a cada 20 anos e o trabalho mostra que teremos um a cada 10 anos.

Em conferência da ONU-Água, realizada nesta semana, em Zaragoza (Espanha), representantes das agências das Nações Unidas, governos, empresas, organizações não governamentais e especialistas da indústria de todo o mundo discutiram a importância da água e da energia em preparação para o Dia Mundial da Água de 2014 (22 de março).

Em meio às discussões: “a demanda por água pode exceder em 44% os recursos anuais disponíveis até 2050, enquanto a demanda de energia pode experimentar um aumento de 50% até o mesmo ano”. Isso porque a necessidade de água para gerar energia primária está crescendo conforme o crescimento econômico, as mudanças demográficas e as mudanças de estilos de vida.

Estiagem

Ontem, após dois dias de discussões, os pesquisadores da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgaram que há probabilidade de a estiagem que aflige a região há dois anos se prolongar em 2014. A previsão climática para os próximos três meses no Ceará aponta 40% de probabilidade de que as chuvas fiquem abaixo da média até abril, 35% de chance de termos chuva em torno da média e 25% de probabilidade de precipitações acima da média.

Neste momento, é preciso fé, determinação e apoio que permitam ao sertanejo continuar em suas terras até que venham dias melhores. No que depender do que diz a comunidade científica, o horizonte não é nada animador.

Com informações do Instituto Carbono Brasil e da Funceme

11:36 · 25.10.2013 / atualizado às 11:39 · 25.10.2013 por
Entre 28 e 30 de outubro, evento multisetorial reúne tomadores de decisão do Governo Federal e dos estados nordestinos para discutir o atual ciclo de estiagem Foto: José Leomar / Agência Diário
Entre 28 e 30 de outubro, evento multisetorial reúne tomadores de decisão do Governo Federal e dos estados nordestinos para discutir o atual ciclo de estiagem Foto: José Leomar / Agência Diário

Banco Mundial, Ministério da Integração Nacional (MI), Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e Governo do Estado do Ceará realizam, nos dias 28, 29 e 30 de outubro o “Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas – Uma Análise da Seca de 2012-2013 no Nordeste e Contribuições para uma Política Nacional sobre Secas”.

O evento acontece no Auditório Waldyr Diogo, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e reunirá representantes do Governo Federal e dos Estados nordestinos para uma discussão multisetorial dos efeitos e da convivência com a estiagem.

O Nordeste brasileiro vem enfrentando, desde 2012, uma das secas mais severas dos últimos 50 anos, com enormes impactos econômicos, sociais e ambientais. A sociedade e o governo, ou os governos, vêm reagindo através de diversas formas, buscando minorar os impactos e melhorar a convivência com a adversidade.

Segundo Antônio Rocha Magalhães, assessor do CGEE, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com as mudanças climáticas, as secas podem tornar-se ainda mais frequentes e severas.

“Com este Seminário, busca-se documentar a seca de 2012-2013, discutir a experiência do Nordeste e de outros lugares do mundo no enfrentamento de secas e extrair lições que possam ser úteis para melhorar a convivência e aumentar a resiliência do Nordeste ao fenômeno, promovendo melhor adaptação às variações atuais e futuras do clima”, explica.

Política Nacional

Outro objetivo relevante do evento é avançar em aspectos importantes para a consolidação de uma política nacional sobre secas, sob a liderança do Ministério da Integração Nacional, com o apoio de outras instituições nacionais e internacionais.

Assim, estarão reunidos no Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas tomadores de decisão em áreas diversas como agricultura, pecuária, meio ambiente, recursos hídricos, meteorologia, defesa civil, pesca, energia, ciência e tecnologia.

Para Meiry Sakamoto, assessora técnica da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) além do planejamento em longo prazo para a convivência com o problema da seca, o encontro também deve orientar ações imediatas.

“Estamos vivenciando um ciclo severo de seca e ainda é prematuro falarmos em previsão para a estação chuvosa de 2014. Dessa forma, um evento como este tem grande relevância para que os governos, agentes públicos e sociedade civil compreendam a real situação do Nordeste para que seja traçado um planejamento de ações visando diminuir os impactos dessa estiagem e de um possível prolongamento dela”.

Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas

Data: 28 a 30 de Outubro de 2013

Local: Auditório Waldyr Diogo, Fiec (Avenida Barão de Studart, 1980, Aldeota – Fortaleza – CE)

Organização: Governo do Estado do Ceará, CGEE

Apoio: Ministério da Integração Nacional, Federação das Indústrias do Estado do Ceará, Banco do Nordeste do Brasil, Banco Mundial

28/10/2013 – Primeiro Dia

A SECA E SEUS IMPACTOS

Horário

Programação

9h-9h30

Boas Vindas

Domingos Filho – vice-governador do Estado do Ceará

Roberto Macêdo – presidente da Fiec

Antonio Rocha Magalhães – assessor do CGEE

Luiz Gonzaga Paes Landim – superintendente da Sudene

Nelson Martins – secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará

9h30-10h30

Palestras Magnas

Em Direção a Uma Política Nacional sobre Secas

Francisco Teixeira – ministro da Integração Nacional

Secas e Água no Nordeste

Paulo Varella – Diretor de Gestão da ANA

10h30-11h

Uma Viagem pelo Sertão – março de 2013”

Presidente da Mesa: Domingos Filho – vice-Governador do Estado do Ceará

Apresentação:

Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Eduardo Martins (Funceme)

11h-11h30

Intervalo para Café

11h30-12h

Sistema de Informação sobre Secas: Rumo a um Monitor de Secas para o Nordeste do Brasil

Presidente da Mesa: ministro Francisco Teixeira (MI)

Apresentação:

Erwin de Nys (Banco Mundial)

Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

Eduardo Martins (Funceme)

12h-12h30

A Seca de 2012-2013: Monitoramento e Previsão

Presidente da Mesa: Paulo Varella (ANA)

Apresentação:

Antonio Divino Moura (INMET)

Gustavo Luedemann (MCTI)

Eduardo Martins (Funceme)

12h30-14h

Intervalo para Almoço

14h-14h45

Impactos da Seca de 2012-2013 no Nordeste

Presidente da Mesa: Wellington Damasceno (Etene/BNB)

Apresentação:

Luciano Ximenes (Etene/BNB)

Comentários: Flávio Ataliba (Ipece)

14h45-16h15

Painel 1 – Impactos Econômicos, Sociais e Ambientais da Seca nos Estados

Presidente da Mesa: José Mauro Couto (MI)

Painelistas: Representantes dos Estados do Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia, Paraíba

16h15-16h45

Intervalo para Café

16h45-18h15

Painel 2 – Impactos Econômicos, Sociais e Ambientais daSeca nos Estados

Presidente da Mesa: Nelson Martins (SDA)

Painelistas: Representantes dos Estados do Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais, Maranhão

18h15-18h45

Discussão

29/10/2013 – Segundo Dia

AS RESPOSTAS GOVERNAMENTAIS E SOCIAIS

Horário

Programação

09h-10h

O Sistema Nacional de Defesa Civil e a Força Tarefa do Governo Federal: Enfrentamento da Seca de 2012-2013

Presidente da Mesa: General Adriano Pereira (SNDC) a confirmar

Apresentação: Elcio Barbosa (Cenad/SNDC)

Discussão

10h-11h

Painel 3: Defesa Civil nos Estados

Presidente da Mesa: Coronel Hélcio Costalima (Defesa Civil do Estado do Ceará)

Participantes: Estados

11h-11h30

Intervalo para Café

11h30-12h

Legislação sobre Secas no Brasil

Presidente da Mesa: Paulo Varella (ANA)

Apresentação:

Sheila Pitombeira (Ministério Público do Estado do Ceará)

12h-12h30

Discussão

12h30-14h

Intervalo para Almoço

14h-15h

Painel 4 – A Questão da Água e as Secas: Impactos e Respostas

Presidente: Cesar Pinheiro (SRH)

Joaquim Gondim (ANA)

Representante (Dnocs)

Renys Frota (Cogerh)

André Facó (Cagece)

Marcelo Asfora (Apac)

15h-15h50

Painel 5 – Mecanismos de Proteção Social: Crédito Rural, Seguro Safra, Bolsa Estiagem, Bolsa Família

Presidente da Mesa: Eudoro Santana (Iplan/Fortaleza)

Painelistas:

Luis Sérgio Farias Machado (BNB)

Francisco Sombra (MDA)

Expedito José do Nascimento (Aprece)

15h50-16h10

Intervalo para Café

16h10-16h50

A Questão da Alimentação Animal

Presidente: Antonio Rodrigues Amorim (SDA)

Apresentação: Francisco Agenor Pereira (Conab)

Comentário: Estados

16h50-17h30

Painel 6: Ciência, Tecnologia e Inovação para a Convivência com as Secas

Presidente da Mesa:Renê Barreira (Secitece)

Evandro Vasconcelos Holanda Júnior (Embrapa Caprinos e Ovinos)

João Ambrósio (UVA)

Ricardo Marques (SRH)

17h30-18h10

Experiência do Setor Privado e Sociedade Civil

Presidente: Carlos Prado (Fiec)

Participantes:

Flávio Saboya (Faec)

Luis Carlos Ribeiro de Lima (Fetraece)

Leonildo Peixoto (Instituto Agropolos)

 

30/10/2013 – Terceiro Dia

PLANEJAMENTO E POLÍTICAS SOBRE SECAS

Horário

Programação

09h-10h

Políticas, Planos e Instituições sobre Secas

Presidente: Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Apresentação: José Machado (MI)

Comentários: Otamar de Carvalho (Consultor MI); José Mauro Couto (MI); Sudene

Discussão

10h-10h40

Iniciativas Municipais e Planos Estratégicos

Presidente: Domingos Filho (Vice Governador do Estado do Ceará)

Apresentação: Francisco de Assis de Souza Filho (UFC)

10h40-11h

Intervalo para Café

11h-11h40

Estudos de Casos: Milhã, Piranhas-Açu e Pirapama

Presidente da Mesa: Francisco de Assis de Souza Filho (UFC)

Apresentação: Equipe Banco Mundial

11h40-12h20

Políticas Nacionais de Secas: Um Estudo Comparativo de Cinco Países (EEUU, Austrália, México, Espanha e Brasil)

Presidente da Mesa: Marcelo Ásfora (Apac)

Apresentação: Erwin de Nys e Nathan Engle (Banco Mundial)

12h20-13h

Sistemas Nacionais de Informação sobre Secas

Presidente da Mesa: Luiz Gonzaga Paes Landim (Sudene)

Apresentação: Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

13h-14h30

Intervalo para Almoço

14h30-15h30

Painel 7: Elementos para um Plano Nacional sobre Secas

Presidente da Mesa: Eduardo Martins (Funceme)

Painelistas: Representantes de Estados, MI, Banco Mundial (setores de Recursos Hídricos, Agricultura, Meio Ambiente e Defesa Civil)

15h30-16h30

Monitoramento e Previsão Climática

Presidente da Mesa: Hélio Camargo (Cemaden)

Apresentação:

Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

José Aravéquia (CPTEC/Inpe)

Eduardo Martins (FUNCEME)

16h30-17h

Intervalo para Café

17h-18h

Implicações para as Políticas Públicas de Adaptação aos Impactos das Secas

Presidente: Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Participantes: Representantes do MI, Governo Ceará, BNB, WB

18h

Encerramento

Fonte: Funceme

11:21 · 06.09.2013 / atualizado às 11:27 · 06.09.2013 por
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O valor das terras secas, segundo os pesquisadores, está na sua biodiversidade, que garante a qualidade do solo e ajuda a proteger nascentes e córregos Foto: Cid Barbosa

 “As zonas áridas, semiáridas e subúmidas da América Latina e do Caribe reúnem grande parte da pobreza e do sofrimento, enquanto enfrentam uma enorme pressão sobre os recursos naturais, incluindo a água, solo e biodiversidade. As pessoas que vivem nessas regiões são as mais vulneráveis aos efeitos negativos da variação e mudança do clima e com menos possibilidades de resolvê-los”.

Essa é a introdução da Carta de Sobral (divulgada em Espanhol), resultado da 1ª Conferência Científica da Iniciativa Latinoamericana de Ciência e Tecnologia para Implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (ILACCT), realizada na semana passada, no norte do Estado do Ceará, com pesquisadores de diversos países afetados pela desertificação.

O evento foi iniciativa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com instituições como a Comisión Económica para América Latina y el Caribe (Cepal), Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas (Iadiza) e a Fundação de Meteorologia do Estado do Ceará (Funceme). A organização contou com o apoio da Prefeitura de Sobral, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará (Secitece) e da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA).

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, que é presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e à Seca (UNCCD) e assessor do CGEE, o evento foi muito bem sucedido.

Na próxima semana, ele viaja para Windhoek, capital Namíbia ,onde participa das reuniões do Comitê de Ciência e Tecnologia da UNCCD e da Conferência das Partes da UNCCD. Lá, ele completa o seu período de dois anos como presidente da CST-UNCCD, e, no fim da reunião passa a responsabilidade para o seu sucessor, ainda não definido, mas,  “provavelmente europeu”, opina.

Alinhada com a estratégia de dez anos da UNCCD 2008-2018, foi criada a ILACCT. O objetivo é capacitar e fortalecer processos participativos que facilitem as atividades de ciência e tecnologia na região.

Seguindo as recomendações da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18), realizada em Fortaleza (CE) e em Mendoza (Argentina), várias instituições da região organizaram a Conferência Científica de Sobral, que reuniu mais de 400 participantes de 15 países, incluindo cientistas e acadêmicos, técnicos do governo, representantes do setor privado e de organizações internacionais e de cooperação, bem como membros de organizações não governamentais (ONGs) e da sociedade civil.

Durante as sessões da Conferência foram intercambiados o conhecimento e as lições das últimas duas décadas sobre sustentabilidade e desenvolvimento nas terras áridas do mundo e especialmente na América Latina e no Caribe.

Os participantes constataram que países e instituições da região fizeram avanços significativos no conhecimento científico e técnico de combate à desertificação e à seca. Deixaram claro, no entanto, que “os desafios para reduzir efetivamente a pobreza e alcançar uma gestão sustentável das terras secas ainda estão presentes, o que compromete a capacidade dos países para alcançar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS)”.

A Primeira Conferência Científica ILACCT reflete os esforços da América Latina e do Caribe para a troca de conhecimentos científicos e técnicos na região, conhecer outras experiências do mundo e consolidar e ratificar a vontade de avançar na construção de uma interface entre ciência e política, e à busca do conhecimento científico e técnico suficiente para fazer por parte dos responsáveis pela elaboração e implementação de políticas de decisão informada.

As discussões abordaram a necessidade de que o melhor procedimento para o conselho científico internacional e interdisciplinar proposto pelo Aconselhamento Científico focando em desertificação / degradação do solo e as questões da seca (AGSA) para apoiar o processo da UNCCD, incluindo suporte para a consolidação dos centros regionais de ciência e tecnologia, onde a ILACCT pretende desempenhar um papel significativo.

Da mesma forma, os participantes apoiaram fortemente Programa AridasLAC como um instrumento fundamental para o desenvolvimento de redes científicas, regional, sub-regional e nacional, bem como um dos pilares da mobilização de recursos para a investigação científica e técnica na região e na produção de conhecimento científico de referência, capacitação e análise de políticas de combate à desertificação e à seca.

Eles abordaram os aspectos ambientais, econômicos, culturais e sociais da desertificação, reconhecendo que as terras secas apresentam oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Mas exigem alta prioridade dos governos nacionais e regionais, organizações internacionais e do setor privado. Estas oportunidades variam de aprender a conviver com a seca até ser transformado.

Os participantes enfatizaram, ainda, a necessidade de tratar questões mais profundas, como a desertificação, ciência e política; impactos econômicos da desertificação; impactos das mudanças climáticas sobre a desertificação; clima e previsão do clima em zonas áridas; delimitação das áreas afetadas e mapeamento da desertificação; determinantes sociais da saúde no semiárido; experiências bem-sucedidas de viver sem recursos hídricos em zonas áridas, terras secas e em desertificação; gênero; e redes científicas de combate à desertificação. Também consideraram especialmente importante reforçar as redes e programas existentes para a elaboração do Atlas da Desertificação na América Latina e Caribe.

Fonte: Carta de Sobral

10:01 · 03.05.2013 / atualizado às 10:11 · 03.05.2013 por
O aquecimento global causa o derretimento do gelo polar e uma série de mudanças no clima do Planeta com consequências para todos os seus habitantes Foto: Agência Reuters
O aquecimento global causa o derretimento do gelo polar e uma série de mudanças no clima do Planeta com consequências para todos os seus habitantes Foto: Agência Reuters

Uma bomba em forma de notícia foi lançada ontem (2 de maio), pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O relatório anual sobre mudanças climáticas “Atlas da Saúde e do Clima”, que relaciona as mudanças no clima e os eventos climáticos extremos à saúde das pessoas, alerta para um degelo recorde no Ártico entre agosto e setembro de 2012. Segundo o documento, o ano de 2012 foi um dos nove mais quentes desde 1850.

De acordo com o estudo, as temperaturas acima da média foram observadas na maior parte das áreas terrestres e foram mais notadas na América do Norte, no Sul da Europa, na Rússia (Ocidental), em áreas do Norte da África e no Sul da América do Sul.

Entre agosto e setembro de 2012, a cobertura de gelo no Ártico era 3,4 milhões de quilômetros quadrados, o que representa um decréscimo de 18% na comparação com o ano de 2007, ano do registro anterior. “O aquecimento contínuo da atmosfera é um sinal preocupante”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jaurrad.

Ele chamou a atenção para “muitos outros extremos” registrados em 2012, como as secas e os ciclones tropicais. “A variação natural do clima sempre deu origem a estes extremos, mas as características físicas do tempo e do clima estão cada vez mais sendo moldadas pelas mudanças climáticas”, destacou. Revelou, ainda, que o nível do mar aumentou 20 centímetros desde 1880 e que, com isso, tempestades, como o Furacão Sandy, causam muitas inundações costeiras.

O semiárido brasileiro, que viveu em 2012 a pior seca em 50 anos, está incluído com destaque neste rol de anomalias climáticas mais importantes do planeta no período, que afetou 1,1 mil municípios, um quinto de todas as cidades brasileiras. O auge da seca foi registrado entre março e maio, com um déficit de chuva de 300 milímetros, o que, segundo o estudo, põe em risco a Segurança Alimentar da população. Em resumo, no continente sul-americano, incluindo o Brasil, a onda de calor fez as temperaturas médias ficarem entre 1ºC e 2°C acima do normal.

Segundo Jarraud, o aquecimento mundial varia devido a uma série de fatores, incluindo os fenômenos meteorológicos como El Niño e La Niña – que contribuem para o aquecimento e degelo, do Oceano Pacífico, assim como as erupções vulcânicas. De acordo com ele, “o aquecimento vai continuar”, em decorrência do aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa (GEE).

O atlas apresenta exemplos práticos de como o uso do tempo e de informações sobre o clima podem proteger a saúde pública e está disponível em árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol.

Com informações da OMM, Agência Brasil

 

ATLAS OF HEALTH AND CLIMATE
Clique na imagem da capa para ter acesso à publicação em Inglês
16:39 · 19.03.2013 / atualizado às 08:40 · 26.03.2013 por
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, falou sobre a experiência do Ceará num dos eventos paralelos Foto: WMO & UNCCD

O Encontro de Alto Nível sobre Políticas Nacionais sobre Secas (HMNDP), na sua sigla em Inglês foi realizado em Genebra, na Suíça, entre 11 e 15 de março. O evento foi uma promoção da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Organização Meteorológica Mundial (OMM) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O HMNDP contou, ainda, com o apoio do Ministério da Integração Nacional e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Brasil.

O evento reuniu chefes de Estado, ministros, representantes de governos e cientistas do mundo inteiro, para discutir os impactos e as políticas de combate aos efeitos de secas, nos diversos continentes.

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, assessor do CGEE e presidente do Comitê de Ciência e Tecnologia da UNCCD, que participou do Encontro, os chefes de Estado e ministros aprovaram por aclamação a Declaração do Encontro, recomendando a todos os países que desenvolvam políticas para enfrentamento dos efeitos de secas, uma vez que se trata do fenômeno natural que mais prejuízos causa à humanidade; e que, com as mudanças climáticas, as secas poderão ser mais intensas e frequentes no futuro.

Ainda segundo Rocha Magalhães, a Declaração também recomenda que os países desenvolvidos apoiem os esforços dos países em desenvolvimento, sobretudo da África, em virtude das trágicas consequências das secas nesses países.

A negociação da Declaração foi coordenada pessoalmente por Rocha Magalhães, enquanto a sessão plenária em que a Declaração foi aclamada foi presidida por outro brasileiro, Antonio Divino Moura, primeiro vice-presidente da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e diretor geral do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Também tiveram participação destacada o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Martins, e o Secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Francisco José Coelho Teixeira, que representou o Ministro Fernando Bezerra.

Segundo Eduardo Sávio Martins, o evento foi resultado de uma preparação que levou aproximadamente dois anos. “Antes ocorreram reuniões de grupos de trabalho em Washington, Boulder, Brasília e Genebra. Eu tive oportunidade de participar em todas elas, menos do último evento preparatório, também ocorrido em Genebra, anterior ao High Level Meeting on National Drought Policy. O grande objetivo é ressaltar a importância de uma Política Nacional de Secas para os vários países”, destacou.

Mais informações: www.hmndp.org