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Categoria: Semiárido


17:01 · 19.06.2017 / atualizado às 17:14 · 19.06.2017 por
O Semiárido brasileiro apresenta um alto grau de vulnerabilidade, o que exige a adoção de soluções de convivência para impedir o avanço da desertificação Foto: Maristela Crispim

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou editais para recuperação de áreas no Semiárido, com inscrições que vão até 27 de junho.

“Não há muito o que comemorar ainda. Queremos chamar a atenção das pessoas e dos governos sobre a urgência e gravidade do problema da desertificação nas terras secas”, destacou o diretor de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA, Valdemar Rodrigues

O Dia Mundial de Combate à Desertificação,  instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU),  em 1994, é comemorado, a cada ano, no dia 17 de junho.

O MMA traçou uma estratégia para a implementação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad) e redução da vulnerabilidade climática na região semiárida brasileira.

Por meio de editais, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para contratação de instituições implementadoras, serão atendidos pelo projeto seis estados, nove municípios e cerca de 15 comunidades.

“Precisamos criar ações transformadoras da realidade, porque as informações teóricas já temos todas. O investimento no projeto das Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas vai melhorar nossa capacidade de adaptação para reduzir a vulnerabilidade no Semiárido”, destacou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Integração

As Urads têm como unidade de trabalho as microbacias hidrográficas e conjugam ações ambientais, sociais e produtivas, com o envolvimento direto das comunidades e prefeituras.

Na área ambiental, o projeto prevê a recuperação de área de pastagem degradada por meio de cordões de pedra, terraceamento (técnica de conservação do solo), barragens sucessivas em pedra ou madeira, barragem subterrânea, produção de mudas para replantio e incentivo à Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

Do ponto de vista social, que deve ser integrado ao ambiental, as URADs devem garantir a segurança hídrica, o saneamento básico, fogões ecológicos (que diminuem o consumo de madeira e lenha e não geram fuligem ), e capacitação.

Já as ações produtivas atendem às necessidades das comunidades com incentivo e suporte técnico à avicultura, ovinocultura, apicultura, hortas, artesanato, bordados, horticultura e beneficiamento de frutas, entre outros.

“É um trabalho de formiguinha, mas, se não fizermos assim, não resolveremos o problema”, explica o diretor Valdemar Rodrigues. Entre os resultados esperados a curto prazo, estão a mitigação dos efeitos da seca e a geração de emprego e renda.

A médio prazo, a recuperação ambiental, melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento de tecnologias de adaptação e redução de vulnerabilidades.

Pernambuco

No dia 21 de junho, as cidades de Triunfo (PE) e Serra Talhada (PE) vão inaugurar um projeto monitorado pelo Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA.

O projeto chama-se Implantação de Módulos de Manejo Sustentável da Agrobiodiversidade para o Combate à Desertificação no Semiárido Pernambucano e será desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, por meio de convênio com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Entre as atividades previstas, estão a inauguração de equipamentos que apoiam a produção rural sustentável, como casas de beneficiamento de frutas, e das “mandalas”, instalações que conjugam horticultura com a criação de galinhas.

Suscetíveis à desertificação

No Brasil, as áreas suscetíveis à desertificação correspondem a aproximadamente 15% do território nacional (1.344.766 km²), abrangendo 1.491 municípios em nove estados da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, com população estimada de 37,1 milhões de habitantes (IBGE, 2016).

Os estados mais comprometidos em termos absolutos são Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A desertificação, definida como a degradação de terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, motivou a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), da qual o Brasil é signatário, ao lado de 192 países, desde 1997.

Para favorecer o cumprimento das metas da UNCCD, o Brasil criou a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/2015), cuja regulamentação depende da assinatura de decreto, já encaminhado, com mecanismos de informação, financiamento, envolvimento da sociedade e monitoramento.

Fonte: MMA

10:00 · 19.04.2017 / atualizado às 20:18 · 17.04.2017 por
Entre os resultados levados para Roma, destaca-se o acesso à água para consumo humano para 2,4 milhões de pessoas Foto: ASA Brasil

A experiência da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) na gestão e implementação de políticas de acesso à água para famílias agricultoras da região será apresentada como boa prática no seminário Mudança Climática e Pobreza, promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O evento será na sede da entidade em Roma, na Itália, nesta quarta-feira (19).

O seminário é uma das etapas que antecedem a finalização da 1ª Estratégia e Plano de Ação para as Alterações Climáticas da FAO. O Plano vai orientar os esforços do organismo para impulsionar os países no cumprimento de três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) voltados para o fim da pobreza, da fome e mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo a organização da ONU, as respostas políticas atuais produzirão resultados mistos e, em alguns casos, prejudiciais para as pessoas pobres e marginalizadas.

Ao convidar a ASA para apresentar sua experiência de democratização de água, a FAO demonstra interesse em conhecer as soluções construídas pelas organizações da sociedade civil que formam a Articulação brasileira.

Além da experiência da ASA, também será apresentada a iniciativa Plataforma Semiárido na América Latina pelos representantes da Articulação Rede Chaco e da Plataforma Semiáridos Argentina.

“O seminário possibilita que a nossa experiência seja partilhada no sentido de fortalecer as relações Sul-Sul e também vai proporcionar trocas e aprendizados com outros países e experiências. Além disso, também será uma oportunidade de reforçar as parcerias internacionais da ASA”, assegura Valquíria Lima, da coordenação executiva da ASA Brasil pelo Estado de Minas Gerais, que participará como debatedora do painel “Perspectivas e parcerias para a criação de uma Plataforma Semiárida na América Latina”, no seminário em Roma.

No Semiárido brasileiro, vivem 11,8% da população nacional, entre os quais se encontram um quarto dos brasileiros em situação de miséria. Apesar dos graves problemas sociais, acentuados pelas estiagens e por políticas públicas inadequadas de combate à seca, o Semiárido também é uma região com potencial enorme de produção de alimentos uma vez que abriga um terço das famílias agricultoras de todo o País.

No entanto, segundo a FAO, é justamente essa população rural, dependente da agricultura e meios de subsistência rurais para sua renda e segurança alimentar, a primeira afetada pelas mudanças climáticas.

Segundo Antônio Barbosa, coordenador dos programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Sementes do Semiárido, que faz parte da comitiva da ASA em Roma, a apresentação da Articulação no seminário da FAO mostrará os resultados alcançados pelos quatro programas da Articulação e também vai abordar elementos que são fundamentais para que a intervenção provoque mudanças reais na vidas das famílias camponesas.

“A nossa grande fonte de inspiração é o conhecimento das próprias famílias que vivem na região há séculos, convivendo com a irregularidade das chuvas. O que a ASA faz é sistematizar esse conhecimento local para propor políticas públicas adequadas e capazes de promover a convivência da população com o Semiárido. Também não podemos esquecer que tudo isto só é possível devido à parceria entre Estado e sociedade civil organizada”, atesta Barbosa.

Resultados da ASA

Entre os resultados levados para Roma, destaca-se o acesso à água para consumo humano para 2,4 milhões de pessoas e a estruturação de 98,4 mil propriedades com tecnologias que guardam água da chuva para produção de alimentos. As famílias que passam a gerir a água acumulada nestas tecnologias também participam de cursos, eventos e intercâmbios para a construção de conhecimentos.

Além das ações de ampliação do estoque de água para as famílias, a ASA também desenvolve o Programa Cisternas nas Escolas para prover o abastecimento das instituições de ensino no campo.

O quarto programa da ASA fortalece a prática que as famílias agricultoras possuem de guardar sementes crioulas para o próximo plantio. Esse fortalecimento acontece por meio da reforma ou construção de bancos de sementes para uso comunitário. Assim, além das sementes estocadas em casa, as famílias dispõem de um reserva extra no banco comunitário.

Até o momento, a ASA possibilitou que 640 comunidades rurais tenham um lugar, que representa um segundo nível de segurança para esse material genético, para guardar as sementes crioulas que fazem parte da sua cultura alimentar e produtiva há várias gerações.

Mas a demanda por água ainda é grande no Semiárido do Brasil: estima-se que mais de um milhão de famílias precisem de tecnologias que estocam água da chuva para seus plantios e para matar a sede dos animais que criam. E cerca de 350 mil famílias ainda estão sem as cisternas que guardam água para beber, cozinhar e escovar os dentes.

“Consideramos que, no momento político atual de perda de direitos e diminuição de investimentos públicos nos programas sociais, precisamos reforçar a necessidade da continuidade das Políticas Públicas que fortalecem a Convivência com o Semiárido, uma proposta que vem contribuindo efetivamente para a redução da fome e da miséria na região”, reforça Valquíria.

Missão na Europa

Após a participação no seminário, a comitiva da ASA vai aproveitar a estada na Europa para prospectar novos parceiros internacionais para que as ações de convivência com o Semiárido não parem.

Atualmente, mais de 90% das ações desenvolvidas pela ASA provém de investimentos públicos, via Governo Federal. No entanto, desde o ano passado, os recursos destinados às ações propostas pela ASA foram muito reduzidos.

A delegação da ASA participará de reuniões com ONGs, Agências de Cooperação Internacional e parlamentares de seis países europeus: Itália, Alemanha, Suíça, Áustria, Espanha e França, até o dia 9 de maio.

Fonte: ASA Brasil

10:30 · 06.02.2017 / atualizado às 12:05 · 10.02.2017 por

 

 

Evolução da seca no Semiárido entre 2011 e 2016

Por
Catarina Buriti, jornalista
Humberto Barbosa, meteorologista

Em 1930, Rachel de Queiroz estreava na literatura brasileira com o romance “O Quinze”. Uma contundente crítica social, a obra abordava a severa seca ocorrida no Nordeste do Brasil, mais precisamente no município de Quixadá (CE), em 1915. Apresentava as consequências devastadoras do silencioso desastre sobre pequenos produtores rurais, como migração, fome, sede, morte, falta de trabalho, entre outras. O romance também relatou o drama de personagens nos tenebrosos campos de concentração, espaços construídos pelo governo nos arredores das grandes cidades, incluindo da capital Fortaleza, para alojar “retirantes” ou “flagelados” que fugiam da seca e impedir que perturbassem os espaços urbanos.

A seca de 1915 ocorreu pouco depois da criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), em 1909, quando a seca passou a ser tratada como uma questão de Estado. Com a IOCS, buscou-se conhecer cientificamente a região, investiu-se na “política hidráulica”, baseada na construção de grandes reservatórios para armazenamento de água. Embora um passo importante para consolidar uma infraestrutura hídrica ainda inexistente na região, a construção dessas represas não beneficiou a população pobre que mais necessitava acessar políticas públicas para atravessar a seca. Grupos de poder econômico do Nordeste, como grandes latifundiários e fazendeiros influentes no cenário político regional, durante décadas, foram os maiores beneficiários dessas políticas.

Concentravam-se terra, água e poder na região, enquanto a maioria das pessoas continuava necessitando de socorros públicos para resistir aos impactos da seca. Nos momentos de crise, a ênfase do governo brasileiro recaía sobre políticas emergenciais, tardias, centralizadas, não planejadas e insuficientes. Desde 1915, o semiárido brasileiro enfrentou diversos eventos climáticos considerados de impacto severo ou extremo (1919, 1932, 1942, 1980, 1983, 1990, 1993, 1998, 2012 e 2016). Há muito a ocorrência do fenômeno é previsível pela ciência. Porém, em pleno alvorecer do século XXI, a população do Semiárido, especialmente agricultores familiares que dependiam das chuvas para manter seus sistemas de subsistência, ainda dependiam de ajuda pública para enfrentar a seca.

A paisagem de morte e de desolação representada no romance de Rachel de Queiroz, todavia, já não caracteriza a sociedade do Semiárido nos períodos secos. Nos tempos de “O Quinze”, pela falta de preparo mínimo para enfrentar a seca, perdia-se a dignidade humana e, em muitos casos, a vida de homens, mulheres, crianças e animais, grassados pela fome, a sede e as epidemias decorrentes da seca.

Mas o que mudou nas políticas públicas para o semiárido brasileiro? Nas últimas décadas, políticas sociais de distribuição de renda, embora insuficientes para provocar mudanças estruturais na região, têm contribuído para mitigar os impactos da seca. Além disso, políticas governamentais, fundamentadas na implantação de tecnologias sociais para abastecimento de água, têm provocado impactos positivos na agricultura familiar, contribuindo para a segurança hídrica e alimentar da população.

Hoje, agricultores familiares do Semiárido têm sido mais resilientes para conviver com a seca. A participação da sociedade civil na gestão de políticas públicas, com destaque para o papel da rede de organizações Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), tem contribuído para oferecer capacitação aos agricultores familiares, assegurando maior autonomia para enfrentar os períodos de seca. Políticas públicas do Estado brasileiro, com apoio dessas organizações civis, a exemplo do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), têm propiciado impactos positivos à agricultura familiar. Infelizmente, os animais ainda têm sido as maiores vítimas da escassez de água e alimentos durante esses eventos.

Em um século de secas, houve a consolidação de importantes pesquisas científicas sobre a região, que podem subsidiar a tomada de decisão sobre políticas públicas de gestão das secas. Além disso, os sistemas de alerta precoce sobre secas são cada dia mais precisos. Tecnologias de sensoriamento remoto, por exemplo, têm permitido o estudo em larga escala dos impactos das secas sobre a vegetação, os solos e a agricultura familiar.

Esses mecanismos tecnológicos têm permitido, por exemplo, a avaliação dos atuais impactos de seis anos de seca na região. Um século depois de “O Quinze”, vive-se a pior seca já registrada pela ciência no Semiárido brasileiro (2010-2016). Todavia, os governos parecem não ter atentado para a severidade do atual problema. Nesse período, não se assistiu a nenhum tipo de mobilização política sistemática e inovadora para mitigar os impactos desse evento climático. Dispomos de uma legislação bastante avançada para a gestão das águas, a exemplo da Lei das Águas que acaba de completar 20 anos. No entanto, limitações institucionais, infraestruturais, técnicas, financeiras, de pessoal, ainda fazem com que as agências governamentais atuem apenas no plano emergencial e na resolução de impactos imediatos.

Organismos federais, como o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e a Agência Nacional de Águas (ANA), têm o potencial de contribuir, respectivamente, com pesquisas científicas alternativas para o suprimento de água no Semiárido e para fortalecer os sistemas de gerenciamento. Universidades têm exercido um papel importante na formação de recursos humanos na região. No entanto, necessitam-se de incentivos estatais para a sistematização de dados, informações, mecanismos e ferramentas que auxiliem na gestão das secas, capazes de atender, de forma ampla e abrangente, as demandas por políticas públicas efetivas na região. A falta de planejamento na gestão das águas tem sido a principal causa que impede o desenvolvimento do Semiárido.

Atualmente, o desastre da seca ainda coloca grande parte dos municípios do Semiárido brasileiro em situação de emergência, em decorrência da falência na manutenção das atividades agropastoris em pequena escala, base da economia regional. Necessita-se de vontade política para diminuir a vulnerabilidade da população do Semiárido frente a esses eventos climáticos extremos. Isso requer o planejamento integrado de ações que fortaleçam a agricultura familiar, tornem tecnologias e conhecimentos técnicos acessíveis para que os produtores rurais possam se preparar para os períodos de seca. Também é imprescindível que disponham de recursos produtivos, como água, terra e crédito para garantirem a continuidade da produção. Essas estratégias são fundamentais para promover a adaptação dos agricultores familiares à seca e às mudanças climáticas previstas para futuro breve.

Sugestão de leitura:
PAREDES, F. J.; BARBOSA, H. A.; GUEVARA, E. Spatial and temporal analysis of droughts in northeastern Brazil. Agriscientia, v. 32, n. 1. 2015. p. 1-14.

10:00 · 10.01.2017 / atualizado às 11:06 · 10.01.2017 por
O centenário Açude Cedro, localizado em Quixadá, município do Sertão Central do Ceará, está seco desde o fim do ano passado, após cinco anos consecutivos de chuvas abaixo da média na região Foto: José Avelino Neto / Agência Diário
O centenário Açude Cedro, localizado em Quixadá, município do Sertão Central do Ceará, está seco desde o fim do ano passado, após cinco anos consecutivos de chuvas abaixo da média na região Foto: José Avelino Neto / Agência Diário

O sistema Olho N’água, desenvolvido em parceria com a UFCG monitora o volume de água disponível nos reservatórios do Semiárido brasileiro. Desse total, cerca de 65% estão com armazenamento abaixo de 10%

O Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), por meio do Laboratório Analyctis, do Departamento de Sistemas e Computação (DSC), lançou, no dia 21 de dezembro, o sistema Olho N’água, uma versão interativa de monitoramento dos reservatórios do Semiárido brasileiro.

A proposta tem como objetivo compartilhar com a sociedade informações atualizadas da disponibilidade de água dos reservatórios que abastecem cerca de 24 milhões de habitantes da região.

O Olho N’água integra o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (Sigsab), que reúne e disponibiliza informações econômicas, sociais, ambientais e da infraestrutura do Semiárido.

Segundo o diretor do Insa, Salomão Medeiros, a plataforma aproxima o cidadão de sua realidade por meio das informações: “A gente fica mais empoderado quando sabe de fato a situação e o histórico do reservatório que abastece a cidade onde mora, porque consegue pensar suas condições hídricas, se elas se repetem e para onde estamos indo, a partir de dados. Isso contribui para o controle social, para que a população discuta com o gestor responsável acerca do manejo da água, do planejamento e da preocupação com a provisão. A proposta da ferramenta é envolver a sociedade nesse debate”.

Sistema de alerta

O sistema de monitoramento trabalha com o recorte de 452 reservatórios distribuídos em nove Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, que juntos totalizam 40.256 hm³ de capacidade máxima de armazenamento.

No sistema interativo existe a seção ‘Informe-se’, onde o usuário pode realizar uma consulta sobre os níveis dos reservatórios e se cadastrar para receber atualizações por meio do Messenger da página oficial do Facebook do Olho N’água.

As informações utilizadas para o monitoramento dos níveis dos reservatórios são provenientes da Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte (Semarh-RN).

Fonte: Insa

09:33 · 23.08.2016 / atualizado às 20:39 · 22.08.2016 por

Uma planta que até pouco tempo atrás era usada somente como cerca viva para defesa de propriedades rurais começa a ganhar o status de alternativa forrageira para o gado e de uma arma poderosa que os agricultores familiares podem utilizar para recuperar áreas degradadas e em processo de desertificação no Semiárido brasileiro. A espécie em questão é a Opuntia dillenii, popularmente conhecida como Palma de Espinhos. Sem contar que ela ainda apresenta a vantagem genética de ser imune às pragas da Cochonilha do Carmim e de Carapaça.

Uma pesquisa realizada no sítio São Pedro, de propriedade do agricultor experimentador Valdir da Silva Souza, localizado no distrito de Catolé de Boa Vista, do município de Campina Grande (PB), entre agosto de 2015 a junho de 2016, demonstrou que, em um período de dez meses, a Palma de Espinhos, mesmo cultivada em um solo degradado e com as plantas submetidas a pouca chuvas, foi capaz de produzir 7.341,71 kg/ha de massa verde ou 5.873,87 kg de água/ha.

Nesse cenário, as plantações surgem como uma alternativa agricultável denominada de “roçados de espinhos”. Neles os agricultores familiares podem formar os açudes verdes, já que as plantas armazenam alto teor de água. No entanto, o que mais impressionou os pesquisadores foi a capacidade da Opuntia dillenii recuperar o solo de áreas degradadas e mesmo daquelas já submetidas a estágios severos de desertificação.

Dados preliminares apontam que o solo do terreno que serviu de base para a experiência apresentou significativa melhora de todos os indicadores de nutrientes e atividade biológica. Como plantar? No experimento científico a espécie foi cultivada em um espaçamento de 1.5 m x 0,5 m x 0,5 m, o terreno localizado entre as fileiras de plantas foi usado para produção de feno e cobertura morta, evitando-se a limpeza da área intercalada. (Com informações do Instituto Nacional do Semiárido (Insa).

18:12 · 01.04.2016 / atualizado às 18:12 · 01.04.2016 por
Banco já havia financiado a construção de 20 mil cisternas, no valor de R$ 210 milhões Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
Banco já havia financiado a construção de 20 mil cisternas, no valor de R$ 210 milhões Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o movimento social Articulação do Semiárido Brasileiro ( ASA Brasil) lançaram a segunda fase do Programa de Implantação de Cisternas para Uso na Produção de Alimentos, em Propriedades Rurais Ocupadas por Famílias da Região do Semiárido Brasileiro.

Nessa nova etapa, lançada nesta quinta-feira (31), em Brasília, serão construídas 3,4 mil cisternas de produção, no valor de R$ 46,8 milhões. Os recursos são não reembolsáveis, provenientes do Fundo Social do BNDES.

Essa iniciativa se soma à primeira etapa do programa, contratada em 2013, quando foram executadas e entregues 20 mil cisternas de produção, no montante total de R$ 210 milhões, também oriundos do Fundo Social do Banco. A totalidade dos recursos já foi liberada e o programa integralmente cumprido. Foram beneficiadas mais de 20 mil famílias na região do Semiárido Brasileiro.

O programa tem permitido que as famílias da área atingida pela seca tenham acesso à água durante todo o ano, por meio do armazenamento da chuva. Alguns dos benefícios são a fixação da população no campo e a melhoria de sua qualidade de vida.

Bancos de sementes

Também no âmbito da parceria BNDES/MDS/ASA está em implementação o programa de estruturação e construção de 400 bancos comunitários de sementes na região, com o objetivo de preservar, selecionar e armazenar as sementes nativas adaptadas ao Semiárido Brasileiro de forma coletiva. Com investimentos de R$ 8,6 milhões do Fundo Social, dos quais R$ 3 milhões já desembolsados, o projeto deverá ser concluído até o fim deste ano, permitindo melhores condições de vida para os agricultores familiares.

A implantação de cisternas e a construção de bancos de sementes são iniciativas complementares, pois envolvem armazenamento e manejo de água e de sementes para uso na produção de alimentos, em propriedades rurais ocupadas por famílias da região do Semiárido brasileiro, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

“Esta é uma das maiores ações de adaptação climática do mundo”, afirmou a ministra do MDS, Tereza Campello, destacando as qualidades sociais e ambientais do projeto, que, “desenvolvido em conjunto com as comunidades locais, permitiu a democratização do acesso à água”. O MDS coordena o programa do Governo Federal Água para Todos, que já implantou, nos últimos dois anos, cerca de 1,2 milhão de cisternas familiares (água para consumo humano) na região.

“Este é um projeto extraordinário, que representa a libertação e a melhoria de vida de milhares de famílias”, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para quem o programa significa “uma verdadeira revolução social”.

Fonte: BNDES

13:32 · 29.06.2015 / atualizado às 13:53 · 29.06.2015 por
edital visa facilitar o acesso de famílias rurais a um conjunto de conhecimentos e inovações que contribuam para melhorar suas condições de vida Foto: Waleska Santiago / Agência Diário
edital visa facilitar o acesso de famílias rurais a um conjunto de conhecimentos e inovações que contribuam para melhorar suas condições de vida Foto: Waleska Santiago / Agência Diário

As inscrições para a segunda edição do Edital de Apoio a Propostas de Gestão do Conhecimento em Zonas Semiáridas do Nordeste do Brasil vão até o dia 13 de julho. Promovido pelo Programa Semear, o edital visa facilitar o acesso de famílias rurais a um conjunto de conhecimentos e inovações que contribuam para melhorar suas condições de vida, coexistir com as condições semiáridas e tirar maior proveito das possibilidades de desenvolvimento do Semiárido nordestino brasileiro.

Nessa segunda edição, serão apoiadas propostas de visitas de intercâmbio e feiras de conhecimentos, no valor de até R$ 50 mil, voltadas ao compartilhamento de experiências exitosas e boas práticas de convivência com o Semiárido. As atividades deverão ter como protagonistas famílias rurais, particularmente, agricultores e empreendedores familiares, com especial atenção às mulheres, jovens e comunidades tradicionais.

Podem participar Pessoas Jurídicas sem fins lucrativos, como associações de produtores, cooperativas, organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips), organizações não governamentais (ONGs), dentre outros.

As ações apresentadas deverão ter como foco arranjos produtivos, como: criação de pequenos animais, ovinocaprinocultura; fruticultura do Semiárido; apicultura e meliponicultura; quintais produtivos; artesanato, dentre outros. Serão priorizadas ações que promovam tecnologias sustentáveis de uso e reuso da água.

As propostas selecionadas deverão ser implementadas em até três meses e em municípios que compõem as zonas semiáridas dos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, conforme indicado em anexo do Edital. Cada proponente pode apresentar mais de uma proposta, contudo apenas uma poderá ser selecionada.

As inscrições deverão ser feitas, prioritariamente, por meio da Internet, com o envio dos arquivos e documentação especificados em Edital para o e-mail editais.semear@iica.int, informando no campo assunto: Edital 02/2015 – Inscrição. Também serão aceitas inscrições na sede do Programa Semear (Rua da Graça, 150/164, Graça, Salvador – Bahia), ou enviadas por meio de empresas de correspondências, conforme indicado em Edital. Só serão aceitas propostas recebidas até dia 13 de julho de 2015.

Modalidades de Apoio

Visitas de Intercâmbio: visita ou rota de visitas realizadas em propriedades de famílias rurais, dedicadas à transferência de experiências e práticas produtivas ou organizacionais concretas (formas de produção, comercialização e organização), consideradas relevantes para o desenvolvimento sustentável do Semiárido, e que podem ser replicados em outros contextos com o protagonismo dos participantes.

Feiras de Conhecimentos: mostra dedicada à apresentação e compartilhamento de diversas experiências exitosas e boas práticas de convivência com o Semiárido, de famílias rurais e profissionais que trabalham em apoio a essas famílias, como pesquisadores, gestores e técnicos de organizações campesinas de base, institutos de pesquisa, universidades, escolas técnicas, entre outros. As famílias rurais devem ser protagonistas da proposta, inclusive coordenando suas atividades.

Sobre o Programa Semear

O Programa Semear é uma iniciativa do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), implementada em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid). Trata-se de um programa de gestão do conhecimento que visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população rural e para o desenvolvimento sustentável e equitativo do Semiárido do Nordeste brasileiro, nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Mais informações:

Íntegra do Edital e formulário de inscrição estão disponíveis no Portal Semear – seção Oportunidades – www.portalsemear.org.br

www.facebook.com/programasemear1

www.youtube.com/user/programasemear

www.twitter.com/programasemear1

07:32 · 30.03.2015 / atualizado às 07:32 · 30.03.2015 por

 

O evento preparatório para a 3ª Conferência Científica Internacional da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) será realizado na sede do Insa, nos dias 25 e 26 de fevereiro
O trabalho mostra o quadro atual dos conhecimentos e informações sobre Desertificação, Degradação da Terra e Seca no Semiárido brasileiro e Estados nordestinos Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) está desenvolvendo, em parceria com a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o estudo Estado da Arte da Desertificação, Degradação da Terra e Seca no Semiárido Brasileiro: Tecnologias e Experiências de Recuperação e Mapeamento das Áreas Vulneráveis. Os resultados do trabalho serão validados hoje e amanhã (30 e 31), durante seminário a ser realizado na sede da Fuceme, em Fortaleza (CE).

Para o assessor técnico do CGEE e coordenador do estudo, Antônio Magalhães, sobretudo no que diz respeito ao Brasil, o momento é estratégico para discutir questões ligadas à seca. “No Brasil, a incidência de secas e desertificação é uma realidade, em particular na região semiárida do Nordeste.

Agora, esse assunto torna-se ainda mais importante devido aos problemas enfrentados pelas regiões metropolitanas de São Paulo e, mais recentemente, Rio de Janeiro e Belo Horizonte”, argumenta.

O trabalho do Centro mostra o quadro atual dos conhecimentos e informações sobre Desertificação, Degradação da Terra e Seca (DLDD) no Semiárido brasileiro e Estados nordestinos. Essas áreas são suscetíveis a secas recorrentes e possuem territórios expostos aos processos de desertificação. O estudo também avalia experiências e tecnologias disponíveis e potencialmente aplicáveis à recuperação dos solos, da biodiversidade e da conservação dos recursos hídricos.

“Há exemplos bem sucedidos de tecnologias aplicadas no Ceará para recuperação de microbacias hidrográficas. Essa experiência também foi realizada no Paraná. As tecnologias precisam ser adaptadas às condições de cada região, mas, a princípio, poderiam ser utilizadas também no Sudeste brasileiro”, afirma Magalhães.

O estudo do CGEE representa a contribuição brasileira ao documento O Panorama das Terras Secas da Região (LAC Drylands Outlook). Esse trabalho será construído pela Iniciativa de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento das Terras Secas da América Latina e o Caribe (AridasLAC), organização de instituições que trabalham com desenvolvimento sustentável nas terras secas da região.

O CGEE e as outras instituições do comitê gestor do AridasLAC determinaram, sob a coordenação da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe (Cepal), que o documento deve ser desenvolvido a fim de buscar a consolidação de informações sobre aspectos socioeconômicos e biofísicos das terras secas na América Latina e Caribe.

A colaboração do Centro se dará no enfoque às experiências práticas de convivência com o Semiárido, de combate à desertificação, de recuperação ou restauração de áreas degradadas, assim como do manejo dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

“Esse estudo deve ser seguido por trabalhos semelhantes em outros países da América Latina, caso considere-se que a metodologia é adequada. A ideia é que tenhamos um mapa de toda a região que identifique áreas secas e passando por processo de desertificação”, destaca Antonio Magalhães.

Durante o seminário na Funceme, especialistas de cada Estado nordestino examinarão os resultados e conclusões do trabalho do CGEE. Com base nessa oficina, o estudo será revisado e preparado para publicação e entrega à Cepal.

Fonte: CGEE

 

17:53 · 20.01.2015 / atualizado às 17:53 · 20.01.2015 por
O Fundo Clima apoia capacitação e educação para a sustentabilidade na Caatinga Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
O Fundo Clima apoia capacitação e educação para a sustentabilidade na Caatinga Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (Fundação PaqTcPB) assinaram, nesta segunda-feira (19), Projeto de Cooperação Técnica Internacional com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

As três entidades já vêm construindo uma parceria desde 2014 para desenvolver projetos de sustentabilidade e convivência com o Semiárido, além de capacitação técnica local.

Todas as atividades são acompanhadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e financiadas pelo Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (Fundo Clima).

Técnicos e agricultores

O diretor presidente do IABS, Tadeu Assad, destaca o caráter formativo do Centro Xingó de Desenvolvimento do Semiárido, localizado na fronteira entre Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, como uma das principais atividades do Instituto. Em 2014, foram capacitadas mais de 100 pessoas em tecnologias sociais, entre técnicos e agricultores. O IABS vai receber R$ 680 mil do Fundo Clima.

Já com o Prêmio Mandacaru, o IABS reconhece projetos de tecnologia social simples que ajudam a melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem no Semiárido brasileiro. “Premiamos uma ação de purificação da água da chuva para uso doméstico e outra de dessalinização da água por meio de sementes, por exemplo”, conta Tadeu.

A coordenadora do Centro de Produção Industrial Sustentável da Fundação PaqTcPB, Aluzilda Oliveira, ressalta o caráter transformador do trabalho junto ao polo cerâmico contemplado com o financiamento do Fundo Clima. “São 25 fábricas de cerâmica vermelha, produtoras de telhas e tijolos, que receberam mais de 300 horas de capacitação em boas práticas de eficiência energética”, explica.

Consumo de lenha

O objetivo é melhorar o processo produtivo para reduzir o consumo de lenha, uma fonte renovável de energia quando extraída de forma legal em áreas de manejo. A Fundação receberá R$ 450 mil do Fundo Clima. O montante é liberado à medida que resultados vão sendo apresentados.

Segundo o diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, as agências implementadoras como IABS e Fundação PaqTcPB representam uma nova forma de execução de políticas públicas. “Essas parceiras aumentam o sucesso das políticas”, diz. “Com a descentralização, alcançamos uma maximização dos conhecimentos de cada um e como colocá-los em prática com os beneficiários”.

Para o representante do IICA no Brasil, Manoel Otero, a parceria com o MMA é fundamental. “Todo nosso esforço é para implementar projetos que transformem a realidade”, afirmou.

Histórico

Em junho de 2014, o MMA, em parceria com o IICA, lançou o Edital Nº 078/2014 para selecionar instituições sem fins lucrativos que fizessem a execução descentralizada de ações previstas no Projeto de Cooperação Técnica PCT BRA/IICA/14/001 intitulado “Implementação de estratégias e ações de prevenção, controle e combate à desertificação face aos cenários de mudanças climáticas e à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD)”.

Fonte: MMA

15:13 · 19.11.2014 / atualizado às 15:27 · 19.11.2014 por
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário
A discussão sobre regiões em processo de desertificação é importante como reflexão sobre o nosso modelo de desenvolvimento e para se traçar estratégias de convivência com as adversidades climáticas Foto: Kid Júnior / Agência Diário

Por Roberto Crispim

Colaborador

Juazeiro do Norte. Com a realização de palestra magna sobre o papel da universidade na construção de uma cultura de convivência com o Semiárido, proferida pelo vice-reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Ricardo Ness, no campus da instituição, em Juazeiro do Norte, será aberto logo mais, às 20 horas, o Seminário Internacional “Convivência com o Semiárido: desafios e possibilidades no âmbito das ações para o combate à desertificação”. O evento integra o I Encontro de Intercâmbio Técnico dos Países de Língua Portuguesa no âmbito das Nações Unidas para o combate à desertificação, que reúne cerca de dez países de Língua Portuguesa, ligados à Convenção das Nações Unidas para o Combate a Desertificação e a Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD).

As discussões, que vão até a próxima sexta-feira (21), contam com a participação de delegações de países da África, Europa e América do Sul. Representantes da Agência Alemã de Cooperação e Desenvolvimento, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e da Rede Espanhola de Cooperação Internacional, dentre outros órgãos e entidades.

Para o vice-diretor do Instituto de Estudo do Semiárido, localizado em Icó, no Centro-Sul do Ceará, Ives Tavares, a ação promove resultados importantes nas comunidades que ainda sofrem com os problemas originários da estiagem e que, até então, não possuem nenhum plano de ação estratégico para diminuir os impactos observados nas regiões semiáridas.

“Este é um evento importante para a região do Cariri e para o Centro-Sul, não apenas pela presença de representantes dos países de Língua Portuguesa, mas, sobretudo, pela oportunidade de discutirmos questões importantes sobre o Semiárido e sobre a desertificação no Semiárido. Além da oportunidade de demonstração das experiências exitosas que foram criadas para combater os efeitos das mudanças climáticas e da desertificação, especificamente nas duas regiões. A missão é de propor soluções e tentar entender quais são as formas e tecnologias que possuímos e que podem ser utilizadas em outros locais para combater os efeitos que a desertificação ocasiona às populações”, explicou Ives Tavares.

Amanhã (20), as palestras acontecerão no campus da UFCA, em Barbalha, onde a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), institutos e agências dos países de Língua Portuguesa debaterão sobre cooperações técnicas. No último dia (21), as universidades brasileiras protagonizam a programação, quando discutirão sobre o alcance das instituições no ensino e na pesquisa para convivência com o Semiárido.